Doar sangue, fazer o cadastramento para doação de medula Óssea e destinar os órgãos ao próximo, após nossa morte, são gestos de caridade. Confira mais informações em nosso Site Doar de Si nos links abaixo.

Temas pelo prisma da Codificação Espírita

Reforma Íntima

Tema abordado de 30 de dezembro de 2.008
a
05 de maio de 2.009.

 

Questões Reflexivas Introdutórias.

"Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança."(Livro dos Médiuns 24:267).

Quando estamos envolvidos por uma crença, como é o nosso caso em relação à crença na Doutrina Espírita, que nos mostra através de seu tríplice aspecto (filosófico, religioso e científico) a resposta para muitos caminhos em nossa vida e também a solução para muitas dúvidas e incertezas que latejavam dentro de nós, eis que cabe uma ponderação importante: penetramos realmente no 'espírito' do Espiritismo?

Sabemos, exatamente, distinguir estes tríplices aspectos e onde eles exercem influência em nossa vida? Queremos compreendê-los para assimilá-los em plenitude e trazê-los para o nosso dia-a-dia?

Partimos do princípio de que tudo o que diz respeito à modificação de nossos hábitos, requer empenho, dedicação, constância e perseverança.

A maioria dos companheiros da sala, nos acompanha já por um período relativamente longo e, mesmo os mais recentes, tem-no feito por mais de 3 semanas.

Diante destas premissas, fica a nossa interrogação: o que nos motiva a estar num grupo, que se reúne às 22horas, em até 3 dias por semana, para estudo, reflexão e ponderação? Queremos interagir de maneira produtiva ou o que buscamos? Cremos que, a partir do momento em que soubermos o que nos motiva a estar neste grupo ou em qualquer outro, teremos os referenciais inicias para que se inicie qualquer manifestação de Reforma Íntima.

Agradecemos aos amigos, companheiros de estudos e futuros participantes, o empenho em analisar as questões abaixo, refletindo de maneira imparcial e sincera para consigo próprio, porta inicial de nossa estudo interativo sobre Reforma Íntima.

Caso seja de teu desejo, coloco meu e-mail à disposição para que juntos reflitamos, se assim se fizer necessário (peço a gentileza de que não incluam este e-mail em malas diretas, correntes e afins): Fiorella.

Seja a paz do Mestre com todos, nestas reflexões.

“Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”.
- Jesus (Mateus, 18: 20)

Compreendendo-se que cada obreiro da seara espírita cristã se incumbe de tarefa específica é forçoso indagar, de quando em quando, a nós mesmos, o que somos no grupo de trabalho a que pertencemos:

Uma chave de solução nos obstáculos ou um elemento que os agrava?

Um companheiro assíduo às lições ou um assistente que, por desfastio, aparece de vez em vez?

Um amigo que compreende e ajuda ou um crítico inveterado que tudo complica ou desaprova?

Um bálsamo que restaura ou um cáustico que envenena?

Um enfermeiro consagrado ao bem da comunidade ou um doente que deva ser tolerado e tratado pelos demais?

Um manancial de auxílio ou uma charneca deserta sem benefícios para ninguém?

Um apoio nas boas obras ou uma brecha para influência do mal?

Uma planta frutífera ou um parasito destruidor?

Um esteio da paz ou um veículo da discórdia?

Uma benção ou um problema?

Façamos semelhante observação e verificaremos, sem dificuldade, se estamos simplesmente na Doutrina Espírita ou se a Doutrina Espírita já está claramente em nós.

EMMANUEL – Do Livro “SEGUE-ME!...”

Exposto em 30-12-08 por Fiorell@!

Nosso Esforço.

"O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços?- Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a vontade. Ah, como são poucos os que se esforçam!" (O Livro dos Espíritos questão 909).

Encontro passado tivemos uma breve conversa sobre como nos portamos diante das situações. Foi um chamado franco e sincero para que refletíssemos sobre nossas posturas, sobre nossas buscas e o que nos motiva, quando estamos, por exemplo, em uma casa espírita ou estudando uma crença.

Interessante que são perguntas que podem ser utilizadas frente a qualquer tarefa ou realização em nossa vida, porque apenas nos convidam a perceber como nos portamos diante destas situações. Se acrescentamos, se subtraímos, se tumultuamos, se somos respeitosos ou apenas queremos respeito, se somos a mão que balsamiza ou aquela que revolve a ferida. Convido a todos para que leiam essa primeira parte dos estudos. Sei que final de ano foi corrido, muitos aproveitaram para colocar em dia o contato com os familiares, mas se queremos realizar algo, devemos ter um pouco de disciplina e metodologia. Não adianta sairmos às cegas, que acabaremos por tropeçar e nos machucar.

Quando falamos em Reforma íntima, temos excelentes referenciais, obras espíritas de profundidade ímpar. Talvez fosse o caso de estudá-las do começo ao fim, mas confesso a vocês que passaríamos muito mais do que 20 encontros. Pode ser uma sugestão abordarmos um determinado livro, já que cada página da obra possui lições que precisam ser esmiuçadas e detalhadas, mas não é esta nossa intenção.

Porém, de maneira simplória, queremos abordar alguns temas de maneira mais aberta, para que todos possamos ter o ânimo, a boa vontade e a confiança para abraçar aquilo a que nos propomos, se é que nos propomos verdadeiramente à tal reforma.

Não sei se vocês já ouviram falar, mas quando uma mulher está cheia de lamentações, descontente, brigando até com as plantas, eis que alguém diz: “Dá um tanque de roupa para ela lavar”.

Particularmente, depois que aprendi algumas coisas, posso dizer a vocês que adoro essa frase, mas gera um certo desconforto, pois parece machista e, ao mesmo tempo, sugere que a pessoa não está sendo útil. Temos ainda um problema de adequação. Se me derem um tanque de roupas para resolver os meus problemas ou achaques, estão criando mais, pois além de não gostar de lavar roupa tenho fraqueza nos braços para esfregar.

Isso me faz recordar de Pietro Ubaldi dizendo o seguinte:

(...) É problema de cada dia ver alguém que pede orientação para sua vida, porque não sabe resolver seus problemas. Está procurando o caminho melhor, cheio de boa vontade, também de fazer sacrifícios desde que o caminho seja o melhor. Nesta angústia ele vai pedindo orientação para saber como proceder. Mas é difícil encontrar um conselheiro iluminado, paciente e desinteressado. Não basta a boa vontade. Se o conselheiro não está orientando para si mesmo, como pode orientar os outros? Às vezes, pede-se luz a um cego que acredita possuí-la. Assim acontece que um cego vai guiando outro cego. Mas, pode também acontecer que neste mundo de lobos, os astutos logo procurem tirar proveito da fraqueza do próximo, para fazer dele um filiado às próprias teorias, filosofia, religião, grupo que seja. Atrás de muitos luminosos está sempre pronta a vigorar a luta pela vida e pelo triunfo do mais forte para esmagar o mais fraco. E aquele que, de qualquer maneira, pede opinião, prova ser o mais fraco. (1)

Pietro nos mostra que, de uma maneira ou outra, estamos diariamente buscando a solução para nossas dificuldades, para nossos problemas e para as mudanças que desejamos realizar. Por vezes, estamos tão enfraquecidos e extenuados, que pedimos apoio ou tomamos alguém como referencial. Se fácil fosse, não precisaríamos de tantas obras, de tantas palestras, de tanto empenho e de tantas ferramentas ofertadas a estes fins.

Ocorre que mais do que simplesmente buscar um caminho e nos depararmos com um mapa, existe a necessidade de saber interpretá-lo. Se não tivermos referenciais ou noções do caminho que vamos percorrer, capaz de nos deixarmos levar pelos astutos da vida, que até hoje ainda me pergunto o que é que eles tanto lucram com isso, como também nos perderemos e até desistiremos, porque é tudo tão difícil de compreender.

Quantas vezes não nos vemos à frente de algo e ao analisarmos aquilo pensamos:” Isso é muito difícil, confuso e eu vou largar para lá”. Existem nossos bloqueios pessoais em referência ao assunto, assim como existem nossas reais dificuldades. Por exemplo, sempre que me deparo com um texto escrito em inglês, sinto repulsa quase que instantânea por conta de fatos ocorridos em minha vida. Aliás, em inglês até superei e me arrisco. Mas quando vejo algo em espanhol, por ser uma experiência mais recente, acabo por me fechar e resistir à compreensão do que está escrito lá. Por outro lado, se o texto for em russo ou em alemão, sentirei ânimo em buscar um tradutor, alguém que conheça o idioma e assim por diante.

Estes mecanismos de repulsa e de distanciamento de uma coisa tão simples são os mesmos que podem nos acometer quando nos vemos frente a um mapa, como o citado anteriormente, ou quando nos vemos frente a algo que precisamos modificar em nós. Podemos ter a exata noção de que é necessário fazer, de que teremos um bom resultado se chegarmos ao final e de que muitos outros já fizeram e conseguiram. Mas somos individualidades. Somos seres únicos e com vivências diferentes, eis a reencarnação que nos mostra isso.

Por isso, aquele tanque de roupa pode servir para uma pessoa e pode não servir para mim. Eis a necessidade de compreender o que é um tanque de roupas em nossa vida. Emmanuel nos auxilia a compreender isso, através do seguinte convite:

(...) Trabalha servindo aos bons para que se preservem e aos menos bons pra que se reajustem, aos sábios para que se santifiquem e aos ignorantes para que se iniciem no conhecimento superior.

“Fora da caridade não há salvação” pode também significar “fora do auxílio aos outros não te libertarás do eu”, inclinado à vaidade e ao orgulho, ao egoísmo e à discórdia. Consagremo-nos à plantação indiscriminada e constante do bem, desculpando e ajudando, aprendendo e redimindo, enriquecendo-nos de amor e avançando na sabedoria, e assim, criando paz e felicidade, beleza e progresso em torno de nossos passos, compreenderemos igualmente com Jesus que a vida é invariavelmente o espetáculo soberano das bênçãos do Pai Celestial, no livro da natureza, e que é preciso acender, dentro de nós, a luz imprescindível, a fim de que através da sublimação da própria individualidade, estejamos em sintonia com a vida imperecível. (2)


O tanque de roupas é isso, gente! Trabalha e serve. Dê mais do que queira receber e acabarás por encontrar a chave de libertação do teu próprio eu e das mazelas que ainda o envolvem. Teremos maior serenidade ante as situações. Poderemos compreender um pouco mais, porque estaremos sempre no caminho do meio. Se alguém já alcançou aquilo que busca, ainda precisa de auxílio. Se ainda não alcançou, também necessita de auxílio. Talvez sejamos ou nos sintamos como os cegos que guiam cegos, mas não podemos nos esquecer da grande importância que temos no contexto geral.

Se alguém trabalha nas fileiras do bem e nós chegamos com nosso desânimo ou pessimismo, estamos desviando para nós energias deste trabalhador que poderiam ser aproveitadas em benefício de alguém que esteja em situação menos afortunada. Isso não quer dizer que devemos sair com cara de água e nos lamuriarmos: meu problema ou minha dificuldade não tem importância, tem quem sofra mais.

Se pensarmos que alguém sofre mais do que nós deve ser com um sorriso no rosto e a real compreensão de que existem pessoas que sofrem mais do que nós e que ainda não encontraram o equilíbrio ou o direcionamento necessário para sair desta situação. Devemos analisar aquilo que nos dói e verificarmos se realmente deve doer ou se fizemos doer por nossa livre disposição.

E se a situação for oposta, nos depararmos com alguém que ainda não está pleno de luz ou bondade, de nada adiantará nossa recriminação ou nossa indignação. Podemos servir e amparar, porque se está numa situação que supostamente nós já não fazemos mais parte, podemos envolver esta criatura com amor e compreensão, para auxiliá-la a adquirir aquilo que almeja.

Interessante que acabei de me lembrar da Fraterna falando em um de nossos encontros passados que quando estamos aqui e eu trago essas coisas nos estudos, parece tudo tão lindo e fácil, mas que a concretização disso tudo não é fácil. E não é mesmo gente. Nas duas situações encontramos dificuldades. Pode ser que em um dia estejamos realmente precisando de colo ou envolvidos pela síndrome da coitadeza, assim como pode ser que aquela criatura que acreditamos estar ajudando não queira ser ajudada e nem seja receptiva ao amor que ofertarmos.

Por isso a oração da serenidade é tão difundida em tantos trabalhos voluntários e humanitários. Nela pedimos que Deus nos dê a serenidade necessária para aceitarmos aquilo que não podemos modificar; pedimos que ele nos dê forças para modificarmos aquilo que está ao nosso alcance mudar e a sabedoria e o discernimento para distinguirmos uma situação da outra. Esse discernimento e essa sabedoria não nos chegam de maneira fácil, não.

Em dados momentos podemos aceitar determinadas coisas e deixá-las seguir seu curso natural, como também podemos nos debater e lutar por algo que não mudará. Estaremos gastando nossas energias e sem proveito.

Fontes consultadas:
(1)Como orientarmos nossas vidas – Pietro Ubaldi
(2)Dentro de nós – Emmanuel na obra 'Urgência'.

Exposto em 06-01-09 por Fiorell@!

Auto-estima para reformar-se - parte I.

"O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços?- Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a vontade. Ah, como são poucos os que se esforçam!" (Evangelho Segundo o Espiritismo questão 909).

Semana passada falamos algo em torno do nosso esforço para chegarmos á Reforma íntima. Detalhamos passagens em que Pietro Ubaldi nos mostra que nos momentos de dor e angústia, muitas vezes nos tornamos presas fáceis, tamanha nossa dor e cegueira. E, quando não, caímos nas mãos, entre aspas, de cegos que querem nos conduzir, quando nem mesmo sabem de si próprios.

Vimos que, em muitos momentos de dificuldades, necessário se faz que trabalhemos e usamos o tanque de roupas como alegoria. Em verdade, benfeitores espirituais e muitos encarnados, já nos disseram que mesmo aqueles que se encontram acamados e inertes, podem usar seu tempo e disposição em benefício de outrem ou de si próprio. Aliás, recordo-me que foi de tema de referência em nosso evangelho da semana passada, aonde tivemos as palavras de Emmanuel a nos dizer: “(...) Se te encontras enfermo, de mãos inabilitadas para a colaboração direta, podes principiar mesmo assim, servindo na edificação moral de teus irmãos.(...)” (1) Pão Nosso – Emmanuel capítulo 4 que principia com uma fala de Jesus contida em Mateus 20:28: “Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir”.

É o chamado para que trabalhemos e, em trabalhando e servindo, deixemos de lado um pouco de um grave problema diante de nossas dificuldades gerais: a lamúria, o desespero, a angústia e a pré-ocupação. Quem trabalha e serve, não tem tempo de pensar em algumas coisas e começa a se ocupar apenas das coisas mais sérias e importantes. Tem então, um vislumbre daquilo que realmente merece sua atenção e preocupação.

Quando trazemos para a esfera da Reforma Íntima, teremos que nosso empenho em ofertar ao próximo o nosso melhor, começará por despertar essas virtudes e qualidades que, muitas vezes em nosso próprio lar, estão adormecidas. Começamos a vislumbrar aquilo que todos nós conhecemos como sendo o santo de casa não faz milagre e os estranhos que acabam sendo mais próximos que nossa própria família.

Nessa busca e conseqüente resgate de nosso melhor e de nosso potencial, eis que nos deparamos com a nossa melhoria gradativa e natural. Nada forçado, mas apenas um processo espontâneo e decorrente do nosso trabalho. Nem sempre é pianinho e redondo, por isso, em muitos momentos devemos nos observar enquanto figuras que compõe um grupo. Aliás, foi por este ponto que principiamos nosso tema de Reforma íntima, lembram-se?

Com um chamado de Emmanuel para que analisássemos nossas posturas, comportamentos e buscas frente á Casa Espírita. Como aqueles questionamentos são por demais profundos para serem referendados apenas à Casa Espírita, sinto que podem servir de norte inclusive quando falamos de nossos relacionamentos familiares, sociais, de trabalho, de amizade e até enquanto grupo que participa das salas virtuais.

E volto a alertá-los e sugerir-lhes que leiam este primeiro encontro, para que se situem e se perguntem: e eu, que tenho feito diante das situações enumeradas por Emmanuel. Quem sou eu diante destas questões. E eis que mais um passo é dado: enquanto queremos nos adequar ao grupo e ao todo, estamos também buscando aquilo que, talvez, esteja fosco em nós mesmos. Talvez estejamos já realizando a chamada Reforma Íntima e sem percebermos. Essa leveza é deliciosa, pois nos mostra como tudo pode ser feito com amor, alegria e bondade. http://sobaoticaespirita.com/temas7.htm#introdutoria

Falar em amor, existe uma controversa passagem de Jesus que utilizarei como referencial. A passagem é controversa porque é atribuída a Jesus e não se encontra referências sobre a mesma no Evangelho. É modificada aqui e ali, mas serve como instrumento para análise de muitos aspectos da vida. O aspecto que nos interessa hoje é mais do que podemos supor. Vamos a ela e à busca da compreensão. Aliás, existe uma outra versão e que também comentarei.

Conta-se que, um dia, Jesus Caminhava por uma longa estrada, com seus discípulos, quando encontraram um cachorro morto, à beira do caminho. Os discípulos olharam com desdém para o animal e começaram a dizer:
- Bem feito, deve ter sido um animal muito agressivo!
- Que boca horrível!
- Que rabo sujo!
- Que pêlo horroroso!
- Que focinho assustador!
- Que Patas perigosas ele tinha!
E cada um deitava a sua crítica acerba contra o animal morto.
Jesus por sua vez, olhou, com carinho, para o animal e disse:
- Vejam que Dentes lindos ele tinha!

É uma passagem que nos remete a vários ângulos de análise. Se enveredarmos pelo caminho que estávamos, veremos o seguinte: de que nos adianta tentar ver, saber ou recriminar o que o animal tinha sido? Eis aqui a nossa preocupação com um fato que já passou e que não se modificará. Fato é que está morto e não importa como foi ou se portou. Para esta carcaça apodrecida, estas palavras ofertadas pelos discípulos são mera perda de energia. Energia que poderia ser empregada de maneira diferente, como bem nos mostrou Jesus: salientando o bom e o bello. Isso, em momentos de dor e ruína, são importantes, para que não enlouqueçamos ou percamos o referencial de que amar, de ser feliz, de conhecer e ter coisas belas, de estar em paz com a dor que nos visita ou com a situação que nos choca.

É o nosso ‘eu’ quem deve falar mais alto em todos os momentos e se ele está cheio de raiva ou blasfêmia, mágoa ou inveja, que trem se dará? Se alguém esbarra em nós com ignorância e descaso, de que nos adiantará gritarmos: ‘qualé não ta me vendo não?’ Só faremos adentrar à sintonia vibratória da pessoa e naquilo que a deixou irritada daquele jeito. Esse é fator importante quando temos a lucidez de pensarmos: ‘Será que eu mereço isso?’ ou até “Será que eu preciso disso?”. Eis um lampejo de auto-estima e de amor-próprio, não? Não o amor próprio que é recheado de orgulho e que não leva desaforo para casa, mas aquele amor próprio que sabe que de nada adiantará adentrarmos em determinadas faixas vibratórias, por exemplo.

Ainda diante da análise ácida feita pelos discípulos acerca do cão, fica a questão de que ele pode até nem ter sido do jeito como o pintaram! O cão poderia ter sido fiel a seu dono e percorrer estradas e mais estradas com ele, além é claro, de defendê-lo contra salteadores e ladrões. Mas, uma vez mais: em que isso nos auxiliará neste momento?

Seremos levados a pensamentos de consternação e até de dor, por pensar na figura alegre e feliz do fiel cão que jaz ali apodrecida? Nem um extremo e nem o outro.

Aceitemos o fato: ele está morto e mesmo que queiramos, ele não deixará de ter uma boca horrível, um pelo horroroso, um focinho assustador ou patas perigosas. Aquilo que não podemos modificar nesta situação é justamente o fato de que nosso julgamento ou achismo não ressuscitará o cão. Nossos pensamentos de dor ou angústia, não vão proteger sua carne de ser devorada pelos vermes. Está morto e pronto. Quando muito, envoltos em serenidade, poderemos empenhar nossos esforços para enterrá-lo ou retirá-lo do meio do caminho, para que como nos dias de hoje, ele não fique sendo moído pelos carros ou para que não acumule moscas e mau cheiro.

É a serenidade necessária para compreender, a coragem para fazer e o discernimento para distinguir o que está ou não ao nosso alcance. Talvez não possamos enterrá-lo, mas poderemos colocá-lo próximo ao meio fio. Viram, uma vez mais a oração da serenidade podendo ser utilizada? Vigiai e orai, sempre.

Exposto em 13-01-09 por Fiorell@!

Auto-estima para reformar-se - parte II

"O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços?- Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a vontade. Ah, como são poucos os que se esforçam!" (Evangelho Segundo o Espiritismo questão 909).

Encerramos o encontro passado abordando a maneira como Jesus e os discípulos reagiram frente ao animal que jazia morto na estrada. Apenas recordando que estávamos buscando a maneira como encaramos as situações e, em muitos momentos, preferimos negligenciar qualquer possibilidade de bondade e amor. Preferimos nos ater a possíveis fatos e esquecemos de vivenciar o real ou o melhor daquilo. Perdemos precioso tempo e energias, imaginando, sentindo dor e desamparo diante de coisas que sequer acontecerão ou existem.

Uma outra maneira com a qual se conta aquela passagem, é a de que vinham os discípulos e o Mestre pela estrada, até eles que viram o cão ali apodrecendo e passaram a chamar a atenção de Jesus para o outro lado da estrada e para outros assuntos, para que ele não visse aquela cena chocante e feia, querendo, verdadeiramente, poupá-lo do quadro horroroso. No entanto, serenamente, o Mestre se dirige ao animal, se abaixa e evidencia que haviam ali bellos dentes!

Somos nós aqui hoje, gente! Podemos tentar ressaltar o feio e o horroroso em nosso interior, numa verdadeira cruzada contra nossas imperfeições, como também podemos olhar para o quadro geral e observar o que temos de bom e bello dentro de nós. Ou até mesmo, insistindo em não ver com precisão as durezas da vida para enfrentá-las e buscar-lhes as melhores oportunidades.

Semana passada meu irmão estava saindo daqui e eu disse a ele (cheia de timidez, claro), que eu admirava por demais o caráter íntegro e a retidão dele. Ele deu uma risadinha e me respondeu: Não se entusiasme não que eu sou pior do que isso que você está vendo. E eu, rapidamente respondi, e já sem timidez: mas já é melhor do que foi no ontem!

No que diz respeito a ele eu posso dizer que acredito nestas palavras que lhe disse. Eu vejo isso. Estamos juntos a mais de 40 anos...eu vi os bellos dentes reluzentes diante do que ele julgava ser a podridão. E, quem sabe, não é assim que anda nossa auto-estima, não é mesmo? Nos achamos não merecedores de um elogio, nos sentimos sem a dignidade necessária para aceitarmos determinados títulos, como os que eu enumerei nele, e acreditamos que somos um amontoado de coisas ruins.

Além deste fato, existe também o momento em que nos recusamos a encarar a realidade e tentamos adequá-la a uma maneira que nos doa menos ou até mesmo nos auto enganando. Insistimos em não ver a verdade nos fatos, como se isso fosse uma maneira de nos protegermos. Quando isso ocorre por conta de nos acharmos incapazes de algo, sem forças necessárias para seguir avante sem o que quer que seja, é o momento de avaliarmos o que nos sucede e percebermos aonde está o nosso amor próprio, nossa auto confiança e nossa vontade de realmente aprendermos com a situação.

Mas como buscar nossa auto-estima num mundo em que tentam nos esmagar? Como encontrar a lucidez no pensar, diante de nós e de nossas atitudes, quando mesmo ao estarmos praticando o bem e a caridade, somos chamados às vias de fato e corrigidos? Essas perguntas deixo-lhes para que reflitam por serem frases verídicas não apenas em minha vida, mas também como na de muitos que dentro do próprio lar são chamados de egoístas por participarem de um trabalho voluntário ou religioso e ‘abandonar’ a família aos domingos. Pessoas que às vezes, são o sustentáculo financeiro e psicológico da família e ainda encontram ‘tempo’ para servir ao próximo. E são chamadas de desertoras dos compromissos familiares.

Desertar do compromisso familiar é algo bem diferente e pudemos abordar isso no tema passado, Família. O que nos importa hoje é sabermos por onde começar e a sugestão é que seja pelo nosso pensar. Pensar com mais amor sobre nós mesmos. Pensar com mais lucidez. Pensar com mais zelo e com maior credibilidade em nossas potencialidades. Pensar, refletir e ponderar sobre aquilo que temos de bom. O de ruim aflora toda hora, quer queiramos ou não. Melhorar nossa auto-estima é fundamental, pois do contrário, a Reforma íntima mais parecerá uma auto-punição do que um caminho de elevação.

A primeira condição é a aquisição de um pensar perfeitamente claro. Para esse fim é preciso libertar-se das divagações dos pensamentos, mesmo que seja por um curto período do dia, cerca de cinco minutos (quanto mais, melhor). É preciso tornar-se senhor de seus pensamentos.

Eis a meditação como um caminho. Um momento em que silenciamos tudo ao nosso redor e, principalmente, dentro de nós mesmos. E, para isso:

(...) é necessário preparar-se. Cumpre dizer que o caminho meditativo tem uma infinidade de passos; cada um deve partir de onde se encontra.
O segundo passo é mais difícil. É uma frase que também pertence ao livro Como se Adquirem Conhecimentos dos Mundos Superiores: "Reserva-te momentos de calma interior e aprende a distinguir o essencial do acessório."
A vida deve mudar. Na vida normal estamos sempre reagindo ao que vem de fora; estamos sempre um pouco atrasados. Ou, então, vive-se no passado, "o que ele disse...", ou no futuro, "preciso fazer isso ou aquilo", e não se vive o presente. Um exemplo é estar-se na fila do supermercado e se pensar impacientemente: "Quando chegará a minha vez?" Muitas vezes lamenta-se que se está na fila errada, que não anda; a coisa fica realmente excitante quando, de repente, abre uma nova caixa.(1) Refletindo-se sobre essa situação, no fundo tudo isso é tempo perdido. O que está acontecendo atrapalha o que deve ocorrer. No entanto, uma outra atitude é dizer: "Neste momento tenho algum tempo(2)


A maneira como aproveitamos nosso tempo pode fazer toda a diferença. Relaxamentos, pensamento livre de pré-conceitos e opiniões distorcidas. Mente limpa. É uma vigília constante, haja vista as inúmeras oportunidades que nos aprecem no corre-corre de nossos tempos. Interessante é que corremos tanto e, em muitas vezes a correria não nos leva a lugar algum. Como o motorista que fica tenso, nervoso e até em frenesi buscando uma brecha entre um carro e outro e fazendo inúmeras ultrapassagem arriscadas, até que se depara com o farol vermelho....frustrante, não?

A própria fila do banco em que nos desgastamos tanto aguardando algo que, independente de nosso nervosismo e impaciência, não vai mudar. Eis o que falamos no encontro passado. A serenidade necessária para percebermos o que está e o que não está ao nosso alcance modificarmos. Entendo que vocês possam estar se perguntando: Caramba, que será que Fiorella quer com essa onda zen e com esse pausar as correrias diárias?

Sabe, se alguém se formulou essa pergunta e ficou meio que perdido tentando entender que tudo isso tem haver com Reforma íntima, devo dizer que fico feliz. Se não estivermos ‘presentes’ naquilo que estamos realizando, de forma serena e lúcida, nunca vamos perceber nossas falhas e os pontos aonde devemos modificar em nós mesmos.

Não teremos minutinhos para nos colocarmos no lugar do outro e tentar entender como ele está recebendo nossas atitudes ou a situação de uma maneira geral. Não teremos tempo para nos ouvir falando as besteiras que falamos e nem para notarmos se nossa coluna está ereta ou torta. E, se tudo isso passar voando por nós, como poderemos fazer aquela reflexão diária e um dos grandes símbolos do auto-conhecimento que a Doutrina Espírita nos oferta, palavras que com certeza já ouvimos como o sábio conselho que Santo Agostinho nos ofertou! (7)

E, questionado sobre as dificuldades que encontraríamos ao tentar empregar este conselho, o de que analisássemos todo bem que realizamos ou deixamos de fazer no decorrer do dia, fala-nos justamente da ilusão que pode envolver o amor-próprio ou a auto-estima. E vale lembrar que, nos tempos atuais, temos tanta gente deprimida, tanta gente com uma auto-imagem tão negativa e deturpada com o sentido de fracasso, que não me foi possível pensar no vaidoso e no orgulhoso.

Enfocando a Reforma íntima pelo amor e pelos tempos atuais, optei por buscar as tantas pessoas que se encontram com necessidade de acreditar um pouco mais em si mesmas. Pessoas que vemos serem boas, que buscam o caminho da retidão e do bem, pessoas que pensam muito mais nos outros do que em si mesmas e, nesse proceder, acabam por desvalorizando-se e deixando-se levar como folha ao vento.

Pessoas que na família são as chamadas Amélias, que fazem tudo no lar. Lavam, passam, cozinham, limpam, arrumam, costuram, por vezes trabalham fora e ainda são destratadas por filhos e marido. Pessoas que são sempre pisadas e espezinhadas pelos parentes e que, em muitos momentos, nos dão a impressão que têm sangue de barata e que sequer se percebem como gente. E é quase isso! São mulheres que carregam consigo sentimentos contraditórios e que na ânsia de se doarem á todos, perderam-se de si mesmas, aceitando maus tratos e até desrespeito, respondendo sempre com um: “deixa, ela ou ele é assim mesmo’, mas no fundo, sentem dor, se sente sem referencial e sem vida, afinal, ninguém é feito para ser pisado.

Como referencial, comentado na sala, acerca de nossas posturas passivas diante das situações e aquelas em que 'rodamos a baiana', eis que temos este texto para refletirmos sobre como reagimos diante das situações:

Temos o caso do menino triste, porque era vitima de zombarias na escola. Certo dia o pai disse a ele:
“Meu filho, pegue um dos lençóis que a sua mãe lavou e prenda-o no varal, seguro em suas quatro pontas, para amparar o que poderemos lançar sobre ele. O menino prontamente obedeceu ao pai”.
Estranhou ao ver o genitor entregar-lhe um punhado de carvões, dizendo:
“Agora tente arremessá-los um a um para dentro do bojo do lençol”.
Logo depois, poucas pedras haviam na improvisada cesta, as restantes estavam no chão. O homem olhou para o lençol, do qual, apareciam pequenas manchas escurecidas, e depois observou o filho com as mãos e o rosto preto de carvão.
“Meu filho”, disse consternado, “tenha sempre em mente isso: quem atira as negatividades no outro, sempre é o que fica mais sujo. Quando mandamos pensamentos negativos para qualquer pessoa, essas maldades voltam como bumerangues para nós, atraindo enormes problemas ao nosso redor.
Por isso, quando as nuvens negras se acercarem de nós, vamos imitar os girassóis, que sempre buscam se envolver com os raios luminosos do Sol.(3)

(1)EXERCÍCIOS COLATERAIS – Rudolf Steiner.
(
2)Meditação: Como? Quando? O que? H. Zimmermann
(3)Fonte:http://www.jornaldemocrata.com.br/materias/read.asp?id=3805

Exposto em 20-01-09 por Fiorell@!

Egoísmo e Reforma Íntima - parte I

"Ante as dificuldades do cotidiano, exerçamos a paciência, não apenas em auxílio aos outros, mas igualmente a favor de nós mesmos.” (Emmanuel. Livro Encontro Marcado).

Semana passada encerramos falando sobre as metas da tal Reforma Íntima que estamos buscando nestes encontros. Mostramos, ainda uma vez, que nosso enfoque não é sobre os arrogantes e prepotentes ou nos egoístas declarados, mas nas pessoas que passam por um processo (ou até uma vida toda), de baixa auto estima e que deparam-se com momentos do cotidiano em que doam muito de si e são menosprezados ou até mesmo não valorizados.

 Aliás, sabido é que a vida nos trata como nós nos tratamos. Se não nos valorizamos, quem haverá de fazê-lo, não é mesmo? Se sempre estamos em posição de fragilidade, de necessidade de proteção e até mesmo de incapacidade frente ás situações, como queremos ser tratados? Na hora em que tentarmos elevar nossa voz para uma postura diferente, virão muitas outras mostrando-nos aquilo que mostramos por tantos anos ou momentos. E deveremos ser fortes e serenos, para lidar com uma situação que nós mesmos construímos.

Falamos no encontro passado das mulheres-mães-esposas que se dedicam inteiramente ao lar ou á família e não seria diferente com muitos homens que trazem o conforto e o alimento ao lar, são educados e serenos, estão sempre solícitos e são tratados como objetos. A mulher sempre lhe dirige palavras rudes e nunca está satisfeita com o que possuem, enfim, são desvalorizados diante de seu empenho e trabalho e se deixam desvalorizar, porque também já se perderam de si próprios, aceitando um ambiente sufocante e crítico, cheio de asperezas e incompreensões. Neste ponto, durante os estudos, falamos sobre dignidade e, hoje, antes de atualizar o site, encontrei uma matéria interessante que fala sobre a dignidade. Para acessá-la cliquem em: Dignidade.

Neste ponto, nós podemos até questionar: mas pessoas assim não estão precisando de reforma íntima, estão precisando de análise, de auto-estima e amor próprio. E não será isso uma Reforma Íntima? Por que só podemos compreender as pessoas que precisam se modificar como aquelas que são egoístas, que são orgulhosas, que são mesquinhas, mentirosas e por aí em diante?

Talvez os egoístas e mesquinhos nos sejam mais nocivos e mereçam mais de nossa preocupação, não? Pessoas que se auto anulam e que deixam a vida passar pelos dedos, também precisam rever seus valores e conceitos. Também precisam reavaliar as suas posturas e, com muita certeza, não são pessoas perfeitas que apenas abandonaram-se de si mesmas.

Quantos pretensos caridosos não vemos por aí que, por detrás da máscara da passividade não ocultam o orgulho e a vaidade? O homem de bem, ou seja, a nossa meta, é aquele homem, ou espírito, que pratica a lei de justiça, amor e caridade na sua mais completa pureza. Acaso estarão praticando-a consigo próprios, aqueles que possuem uma auto-estima decaída? Acaso estarão cumprindo com as leis de Deus ao se postarem como vítimas de si próprios e da vida? Será que no fundo não estão sendo egoístas e até fugindo ás suas próprias responsabilidades?

Comentei com Ieda que o tema da quinta-feira retrasada, na sala Momento Fraterno, era de uma profundidade ímpar. O egoísmo, segundo a orientação que encontramos no Livro dos Espíritos, é o vício mais radical que podemos encontrar. Fomos alertados em vários momentos, e ainda o somos, que é do egoísmo que se deriva todo o mal. Vícios diversos são a grande demonstração do egoísmo. Seja vício envolvendo drogas, seja o vício sexual (quem será que está sentindo prazer ou evidenciando as próprias necessidades, não é mesmo?), seja o vício da maledicência (cuidar da vida alheia é um vício e traz profundos malefícios, além de demonstrar falta de justiça, amor e caridade, virtudes estas compatíveis com a elevação moral). O que nos foi alertado e deve servir como referencial é que o egoísmo é uma grande chaga, talvez tão grande quanto o orgulho, e que está embutido em vários pontos de nosso viver.

Emmanuel nos diz:

(...)“O egoísmo, esta chaga da humanidade, deve desaparecer da Terra, porque impede o seu progresso moral. É ao Espiritismo que cabe a tarefa de fazê-la elevar-se na hierarquia dos mundos. O egoísmo é, portanto o alvo para o qual todos os verdadeiros crentes devem dirigir suas armas, suas forças e sua coragem. Digo coragem, porque esta é a qualidade mais necessária para vencer-se a si mesmo do que para vencer aos outros. Que cada qual, portanto, dedique toda a sua atenção em combatê-lo em si próprio, pois esse monstro devorador de todas as inteligências, esse filho do orgulho, é a fonte de todas as misérias terrenas. Ele é a negação da caridade, e, por isso mesmo, o maior obstáculo à felicidade do homem.”(1)

Emmanuel prossegue dizendo que o egoísmo é o grande entrave ao cristianismo na face da Terra, e quê mais é o cristianismo do que a lei de amor? Sem amor nada seremos nada realizaremos. Observemos, então, que se não retirarmos de nós mesmos essa grande chaga, não conseguiremos retirá-la da humanidade. Quantas e quantas passagens nos são ditas para que façamos e, à luz de nossos exemplos, muitos haverão de nos seguir. Exemplifiquemos o melhor, então, não? André Luiz nos diz:

(...)Difunde a humildade, buscando a Vontade Divina com esquecimento de teus caprichos humanos e os companheiros de ideal, fortalecidos por teu exemplo, olvidarão a si mesmos, calando as manifestações de vaidade e de orgulho.(2)

Nos ocupamos tanto com coisas desnecessárias. Busquemos o necessário. Verifiquemos quando estamos sendo egoístas e quando estamos sendo individualistas. Queiramos mais o bem do próximo do que o nosso próprio e, com certeza, tudo ao redor haverá de se modificar. Não nos iludamos, porém, que será como num passe de mágica. Os problemas se repetirão e as dificuldades também, talvez travestidos de novas situações ou de situações idênticas, mas com certeza virão novamente para o nosso crescimento e evolução.

(1) Evangelho Segundo o Espiritismo Capítulo XI item 11
(2) Comecemos de nós Mesmos - André Luiz

Exposto em 27-01-09 por Fiorell@!

Egoísmo e Reforma Íntima - parte II

"O homem poderia sempre vencer as suas más tendências pelos seus próprios esforços?- Sim, e às vezes com pouco esforço; o que lhe falta é a vontade. Ah, como são poucos os que se esforçam!" (Evangelho Segundo o Espiritismo questão 909).

Falar de Reforma íntima, enfatizar nossas capacidades e potenciais, sem nem ao menos abordar o egoísmo e as situações que o norteiam e envolvem, seria quase um incentivo mal compreendido para que pensássemos apenas em nós mesmos. Por isso, começamos a abordar um pouco sobre este assunto, trazendo à baila algumas colocações pontuais.

Sempre que penso em algum assunto, tento abordá-lo como se fosse a primeira vez que alguém o esteja ouvindo e, em muitos casos, assim o é. Durante nossa existência, podemos até ter ouvido falar sobre determinadas coisas, mas é possível que no momento em que ouvimos o trem entrou por um ouvido e saiu por outro, ou até mesmo por conta de nosso estado de ânimo, não tenhamos compreendido.

E assim é o tal do egoísmo em nossa vida. Talvez seja a palavra que mais suemos para definir aqueles que nos cercam e que nos machucam, que aparentemente nos abandonaram em determinadas circunstâncias de nossa jornada e assim por diante. Fato é que até determinado momento de nossa tenra idade, somos tratados como se fôssemos reis e rainhas, para logo em seguida, perdemos nossa majestade e ainda sermos acusados de egoístas perante a vida e os fatos.

Falamos um pouco acerca do egoísmo enquanto egocentrismo, nos encontros realizados na Momento fraterno e hoje teremos ainda um pequeno vislumbre do assunto, pelas palavras de Herculano pires e Leon Denis. Isso se o tempo colaborar... comecemos por uma ênfase dada por André Luiz, para que aqueçamos o assunto:

André Luiz enfatiza que o egoísmo se mascara sob variadas formas e que transparece através do (...) nosso sentimento em forma de vaidade e é tóxico em nosso raciocínio na feição de orgulho. É veneno em nosso coração sob a máscara do crime e fogo em nossa alma, sob a capa agressiva da revolta. É incêndio em nosso peito, sob a tempestade da cólera e gelo em nossas mãos, sob a inércia da preguiça. Aparece em todas as fases do dia, ora sob a faixa do desculpismo de variados matizes, ora sob os mil modos com que apresentamos a nossa deserção da luta santificante.(1)

Pronto. Esquentamos o assunto já tocando na ferida! Quem de nós ainda não acalenta uma ponta de vaidade? Até aquela vaidade tão desprovida de necessidade que é a que diz: sou imperfeito. Oras, todos somos, mas será que precisamos bater em nosso peito e enfatizar isso?Vou falar pausadamente e quero que vocês, mentalmente, se coloquem em uma situação que corresponda ao que estou dizendo. Sem viajar muito, busquem na memória situações que já possam ter ocorrido:

Quem de nós consegue pensar totalmente desprovido de orgulho (e por que não dizer melindre) ante uma situação dolorosa, que nos doeu fundo?Algo que nos feriu e magoou, vindo de alguém. Como recebemos isso?

Outra situação: Aquela frase que a gente conhece tão bem: não levo desaforo para casa. Quantas vezes perdemos a oportunidade de ficar calados ante uma situação que, talvez, nem tenha sido tudo aquilo que sentimos? Ou se foi, eis que nos doeu tão profundamente que podemos até ter deixado uma amizade de lado ou um relacionamento para trás. Já pararam para pensar no que ela é? Orgulho puro! Pequenos exemplos e situações em que vemos aflorar em nós determinados sentimentos.

Quem de nós não sente as faces em fogo e deixa que a verborréia se faça extensa ante determinadas situações da vida? Elas podem ser justíssimas, tais como as guerras, a fome, os maus tratos contra animais e pessoas e por aí vai. Mas será que nossa revolta não é apenas uma oportunidade de extravasarmos todo o fel que vai em nosso peito?

Bom, agora que já vestimos os papéis, que tal refletirmos, mais adiante, com calma e profundidade, sobre tudo isso? Façamos uma rememoração de como essas situações ocorreram (ou como nossa memória nos permite recordar), analisemos todos os pontos, inclusive, como se 11- fôssemos alguém de fora escutando um amigo e tentemos auxiliá-lo a refazer os passos. Perdoar aonde deve perdoar; rever aonde precisa ser revisto; serenar ante o que foi feito e, sobretudo, manter a paz íntima de que fizemos aquilo que estava ao nosso alcance fazer na ocasião. Por outro lado, após essa reflexão e introspecção, percebamos os pontos que devem ser modificados e passemos a nos incentivar para que isso ocorra. herança e Automatismo

Sempre que se fala em reforma íntima, fala-se de uma tal de caderneta. Íntima, sigilosa e que somente deve ser vista por todos nós. Não vou adentrar a esse trem de caderneta, não agora pelo menos, mas sugiro que façamos um roteiro, por escrito, dessas análises que fizermos. O fato de estar no papel é importante para que ganhe corpo e vida. Para que não seja esquecido, muito embora tem vezes que sumimos com o papel. Mas, em sendo francos, tudo que colocamos no papel é como se adquirisse vida e se tornasse mais palpável. E revisemos, de quando em quando, essas anotações, para verificarmos a que pé está a coisa. Se desejarem, em próximos encontros, posso trazer esse trem das anotações com mais profundidade. É só se manifestar por escrito na aérea de texto, enquanto eu prossigo por aqui. Conforme solicitado, abordaremos a caderneta nos estudos seguintes.

E a inércia, gente? Quer coisa mais egoísta do que isso? Se não somos produtivos por preguiça, por insubmissão ás ordens alheias e por uma crença de que aquilo não nos cabe. Quem somos de tão importantes para reclamar, por exemplo, que o vizinho não nos deu boa noite? Oras, vamos lá e desejemos boa noite à criatura! Ficamos esperando por ele tomar a iniciativa, que inércia mais orgulhosa, não? E o orgulho falando alto novamente está em todas estas situações, afinal, podemos fazer melhor que nosso chefe que é um incapaz e um dementado naquilo que realiza e nosso vizinho é um orgulho que nos esnoba. Mas parem para pensar no primeiro caso: ele é o chefe! Oras, chegou nessa posição, como? Será ele um dementado ou nós mesmos que não admitimos ser subalternos e não chefes? Aliás, vi um livro considerado como Best Sellers de nome: Como trabalhar para um idiota. Gente, o quê é isso?

E quantos de nós não somos mestres em obter respostas e ‘desculpas’ para tudo aquilo que nos sucede ou que deixamos de fazer? Não passamos no concurso público, porque chegamos nervosos com o atraso da condução. Ué? Por que não levantamos mais cedo? Por que não estudamos o caminho com antecedência?

Não passamos naquela entrevista de emprego por causa da nossa idade, porque o entrevistador não foi com nossa cara e assim por diante. Será que o entrevistador não viu aquilo que a gente teima em não ver? Será que o entrevistador apenas não deixou de comprar aquilo que acreditou ser nocivo para empresa, diante daquilo que nós mesmos mostramos que somos?

Isso tudo só me leva a crer que Reforma Íntima não é uma parede que precisa ser lixada, rebocada e pintada. Reforma Íntima é algo tão profundo que requer muito tempo e empenho. Como falar de reforma íntima, por exemplo, querendo sempre que o outro se modifique? A coisa mais gostosa da reforma íntima é a satisfação em poder perceber que não sucumbimos mais diante de determinadas situações. E essa satisfação, é algo bom e produtivo dentro de nós. Não nos outros. Tem nada haver com o outro. O nome já diz: íntima.

Se eu sair contando para todo mundo como foi que eu parei de mentir e nunca mais contei sequer uma inverdade, de nada valerá. Estarei alimentando meu orgulho e não servindo como referencial, porque eu dei com uma mão e mostrei com a outra. A verdadeira mudança interior vem diante de nossa postura em sua totalidade. E não serão nossas palavras que haverão de atestá-la, mas sim nossos atos diante das situações e responsabilidades a que somos chamados. É necessário sim que visualizemos essas mudanças positivas e benéficas em nós, do contrário, sempre vamos nos considerar incapazes e desprovidos de capacidade.

E, ainda, eis que temos mais um conselho nos chamando ao tanque de roupas: (...) Cultivemos a boa vontade, a compreensão e a simpatia. E, aprendendo a servir sem descansar, seguiremos do vale escuro da ignorância para os cimos da vida, onde nos esperam as alegrias eternas da sabedoria e do amor. (1)

Por que André Luiz nos aconselha desta maneira? Ele quer nos dizer que para nos livrarmos de todas as mazelas de nossa alma, devemos seguir avante praticando a constante ação no bem e consagrando-nos às vontades de Deus. E, novamente, qual é a nossa maior lei? Amar a Deus sobre todas as cosias e ao próximo como a ti mesmo. Se a observássemos, teríamos a exata noção de que aquilo que fazemos ao próximo deve estar enquadrado na lei citada e, que mesmo O excesso de amor é algo maléfico, como todo excesso. Olha aí o amor novamente...
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(1)André Luiz em cartas do Coração, psicografia de Francisco Xavier

Exposto em 03-02-09 por Fiorell@!

Egoísmo e Reforma Íntima - parte III

"Mas... é tarde. Rogaram a "porta estreita" e receberam-na, entretanto, recuaram no instante do serviço justo. E porque se acomodaram muito bem nas "portas largas", volvem a integrar as fileiras ansiosas daqueles que procuram entrar, de novo, e não conseguem..” (Emmanuel. Livro Vinha de Luz).

Paramos no ponto em falávamos do egoísmo. Trazendo um pouco de Herculano Pires, temos a seguinte passagem acerca do orgulho:

(...) É a Moral, que tem de romper os seus padrões envelhecidos de egoísmo e sociocentrismo, moldados em preconceitos de vaidade, ambição e prepotência, para elevar-se a novos padrões de humanismo, respeito por todos os direitos humanos, até hoje sempre espezinhados na Terra dos Homens, essa expressão de Saint-Exupéry que é um novo chamado à nossa consciência em termos evangélicos. Altruísmo – interesse pelos outros – humildade, fraternidade, tolerância e compreensão, amor, são essas as novas palavras de uma moral realmente cristã. (1)

Queremos crer que sociocentrismo aqui designado por Herculano, é uma sociedade composta por indivíduos que se centram única e exclusivamente em si próprios, alimentando toda a vaidade, ambição e prepotência que deveriam ter descartado para que evoluíssem moralmente, buscando assim os verdadeiros conceitos de quem é ‘humano’. Para tanto, cabe-nos, enquanto membros de uma sociedade que assim se manifesta e expressa, retirarmos de nós esses sentimentos que imperam dentro do próprio umbigo.

E isso já ocorre. Experimentem dizer que algo lhes dói no coração hoje e, com certeza, haverão de receber pvt’s perguntando acerca do que lhe dói ou desejando que tudo melhore. Já somos mais fraternos em ‘nossa’ sociedade, fruto de nossas conquistas individuais. Somos uma pequena amostra da sociedade e, se assim fizermos, poderemos ser uma amostra digna e cristã. Muito existe de feio e podre, mas eu seria a última pessoa a querer evidenciar isso. Quero evidenciar justamente aquilo que me atrai: as nossas conquistas morais e individuais, que refletem de maneira nobre no contexto geral.

O próprio Herculano nos lembra de algo que, embora soe contundente, é assaz verídico: o egoísmo tem lá sua razão de ser e existir, sendo aproveitado de maneira produtiva pelo universo. Maiores detalhes dessa assertiva de Herculano poderão ser encontrados no capítulo 13 da obra supra citada. No momento temos que:

(..) Tudo tem a sua utilidade na Natureza (...) A mais inútil das coisas e os mais prejudiciais dos seres são necessários. E ser necessário é ser indispensável, é pertencer a um elo da cadeia inimaginável que Kardec nos apresenta nesta frase tantas vezes repetida n’O Livro dos Espíritos: Tudo se encadeia no Universo. (1)

Cá estamos tais quais advogados do diabo exercendo sua função em plenitude. Que coisa é essa de dizer que o egoísmo é benéfico? Faz-me lembrar até de um dos encontros passados em que o Leonardo perguntou se havia orgulho bom... Primeiro temos a afirmação da espiritualidade de que tudo se encadeia no universo. Se diante de nossa evolução e crescimento compreendemos que quando somos atingidos pelo orgulho ou egoísmo alheio pode nos ser benéfico, caberá apenas descubramos como isso se dará. Tentemos compreender um pouco mais o que Herculano nos diz:.

(...) O egoísmo, a vaidade, o orgulho, a pretensão, a ambição representam elementos negativos da constituição do ser humano, que devem ser eliminados. Mas essa eliminação não se dá pelos métodos antigos das corporações religiosas, até hoje empregados, apesar dos terríveis malefícios causados. Kardec e os Espíritos Superiores, em suas comunicações, consideraram o egoísmo como verdadeira praga que impediu o desenvolvimento real do Cristianismo na Terra. Mas jamais aconselharam métodos artificiais para o combate ao egoísmo. As penitências, os cilícios, o isolamento, as autoflagelações de toda espécie tornaram mais negra a Idade Média e ainda hoje se escondem nas furnas da ignorância religiosa que só serviram para desequilibrar milhões de criaturas que constituem o triste e pesado legado da Antigüidade para nosso tempo. (...)

Esta passagem nos mostra que, sem sombra de dúvidas, o egoísmo não tem nada de bom no que diz respeito à evolução humano e sustentáculo das bases que Jesus nos trouxe. Porém, salienta que nada disso será extirpado de nosso ser, ante atitudes superficiais ou até mesmo impostas por mecanismos exteriores. Temos de abraçar com toda coragem, conforme convocou-nos Emmanuel no início destes estudos, a nossa melhoria enquanto seres humanos, cristãos e espíritas e isso, só se dará quando enfrentarmos e extirparmos de nós mesmos esta falta de virtude que é o egoísmo. Mas, ele está atrelado aos processos de nosso ego, como bem salientou o Marcio no encontro realizado na sala Momento Fraterno. Sigamos as colocações de Herculano:

(...) Tentemos visualizar o processo de formação do ego, para compreendermos a função do egoísmo. A dialética espírita nos ensina que o espírito (não individualizado, mas como o elemento espiritual catalisador, capaz de atrair e aglutinar a matéria esparsa no espaço) liga-se à matéria para lhe dar forma, estrutura.(1)  Algo catalisador é como uma substância que tem a propriedade de acelerar ou retardar a velocidade de uma reação química sem se alterar no decorrer deste processo; ou seja, o espírito pode diante de suas potencialidades e capacidades pode exercer influência no meio, através de uma aceleração das formas e fatos, assim como a sua diminuição. Quase como aquele exemplo em que temos um copo de água salgada... Dissolvido em uma jarra, mantém praticamente as mesmas características salobras, mas depositado em um lago, dilui-se e perde seu sabor salino. O espírito pode ser a jarra ou o lago em uma determinada situação, cabe a nós escolher como será. Diante dessa escolha ou opção de como vamos agir ou reagir frente a determinadas situações, eis que mais uma parte é essencial que façamos: uma análise sobre nós mesmos em cada situação ou diante de cada fato. E na formação do ego, temos a situação por muitos conhecida:

(...) Podemos seguir esse processo no caso humano, em que o ego aparece como um pivô da personalidade em formação, desde a infância. A criança é egocêntrica, é um pivô em torno do qual giram as atenções e as afeições da família. Ela se torna, naturalmente, no centro do mundo. Porque esse é o meio de consolidação da sua individualidade. – Eis os reis e rainhas da tenra idade, destronados assim que crescem mais um pouco e colocam suas manguinhas de fora... Tudo quanto ela atrai e absorve do ambiente, do exemplo familial, das relações progressivas na escola e nos brinquedos, é automaticamente centralizado no ego, que é o seu ponto interior de segurança ante a dispersividade do mundo. (1)

O tal do catalisador a que se referiu Herculano pires, que também é a maneira como a criança reage ao meio, imitando pais e pessoas próximas, além dos programas de TV. São os referenciais que eles possuem, absorvem e emanam conforme a sua tenra idade e compreensão. Por instantes, esse quadro é real e único, até que cansa pai e mãe e a situação foge ao controle. Em alguns casos, se torna reversível, em outros, temos adolescentes totalmente mimados e perdidos na vida, além de adultos mal formados e descentralizados em seu interior.

Tem sido um pouco do vaguear pelos diferentes universos teóricos da reforma íntima, o enfoque que buscamos no decorrer destes encontros. Iniciamos com uma análise séria e detalhada de como nos portamos frente aos estudos, á Casa Espírita e até mesmo frente à nossa família. Foram perguntas de Emmanuel sobre como nos posicionamos frente a estas situações: como fardos, como companheiros, com renovação, com amarras e por aí em diante.

Já no outro encontro, vimos a importância de verificarmos em quem estamos buscando apoio ou direcionamento, para que não sigamos rumo a um abismo, ao invés de ao encontro do Mestre Jesus. Percebemos também que a mente ocupada em algo edificante e construtivo, já é meio caminho para que comecemos a abandonar velhas posturas destrutivas. O tal do tanque de roupas.

Entendemos a importância da serenidade frente ás situações e a compreensão do que está ao nosso alcance modificar e o que não está. O dispêndio desnecessário de energia nas situações em que não nos conformamos ante a realidade ou aos fatos. O dispêndio desnecessário de energias em nossas indagações sem respostas e o momento de redirecionarmos esse dispêndio de energia de forma produtiva ante a situação.

Percebemos que, ao aliarmos a dedicação ao próximo aos nossos atos, acabamos por fazer despertar em nós o nosso melhor, na ânsia de ofertarmos sempre algo de benéfico e construtivo ao próximo. A maneira como encaramos as situações se mostrou de suma importância, por ocasião da citação da passagem de Jesus e o cão morto na estrada. Nestes momentos, muitas vezes vemos nas cenas e situações aquilo que vai em nosso eu. Se vemos o feio, a maldade e o egoísmo, é por termos evidenciando primeiramente dentro de nós. Aliás, fez-me lembrar da passagem do jovem que resolve mudar de cidade....

Vimos também sobre a necessidade de encararmos as situações com a realidade com que ela existe, sem subterfúgios, como a estratégia usada pelos discípulos para evitar que o Mestre Jesus visse o cão morto pela estrada. No fundo, mostra que não temos confiança na capacidade do outro lidar com fatos difíceis ou nós mesmos nos enganamos diante das situações. Independente dos motivos que nos levam a querer poupar o próximo é também uma maneira de não deixarmos a pessoa crescer. É também uma maneira de nos restringirmos diante das vicissitudes da vida, que voltarão a ocorrer até que saibamos com elas lidar.

Outra abordagem que nos chamou a atenção, foi a maneira como as pessoas se dedicam ao próximo, esquecendo-se de si próprias, mas numa espécie de abandono e até auto-rejeição, no momento em que não se sentem capazes de realizar determinadas tarefas ou até mesmo não se sentem dignas de receber amor, carinho e atenção, por conta de uma baixo-estima, ou seja, por conta da sua auto-estima desarmonizada.

Foi deste gancho em diante que percebemos que muita gente que é desmedidamente caridosa, é também de certa forma, egoísta, por conta de ao realizar tanto pelo próximo, ter desculpas para não realizar por si próprios ou pela sua família. Abordamos o enfoque também de pessoas que querem ofertar mais de si ao próximo e são barradas pelo egoísmo da família.

Por fim, embora defendamos que a Reforma Íntima não deva estar calcada nas culpas, cobranças e auto-agressões, falamos mais sobre o orgulho e finalizamos hoje com mais uma pincelada pelo egoísmo. Agora, temos o grande enigma a rondar nossa mente: como mudar? Para iniciar, temos uma pergunta feita a Raul Teixeira e que deve nos servir como resposta a esse enigma. Em entrevista concedida á Revista Virtual O Consolador, Raul Teixeira aborda o orgulho e o egoísmo. Acompanhemos:

(...) O Consolador: Considerando que a vivência diária da moral cristã é um dos grandes desafios dos espíritas, como superar o orgulho e o egoísmo que porventura residam em nós, evitando assim o personalismo?
Raul Teixeira: Aqui, devemos recordar-nos daquilo que indagou Kardec aos Imortais, desejoso de conhecer um modo prático e eficaz para melhorar-nos nesta vida e de resistirmos à atração do mal. Vejamos que o Codificador pediu aos Espíritos algo que fosse factível, ou seja, prático, ao mesmo tempo que desse resultado, quer dizer, eficaz. Obteve por resposta a instrução de um sábio da Antigüidade: Conhece-te a ti mesmo.
Será muito difícil trabalhar por desfazer orgulho e egoísmo, enquanto não tivermos clara consciência de sua existência devastadora em nosso íntimo. Somente a partir dessa constatação que façamos é que, então, buscaremos caminhos, planos, no sentido de atacar o que nos seja incômodo. (8)

Oras, buscar a renovação de nossos atos diante da reforma íntima e o conhecer-se a si mesmo, requer um pouco de análise. Requer esse auto-conhecimento e essa percepção de nossas qualidades, virtudes e mazelas, não apenas frente ao próximo, mas principalmente, no silêncio de nosso ser.

10- Para tanto, traremos uma sequência de estudos constante do livro de Ney Pietro Peres (Manual prático do Espírita) e que poderá nos nortear frente a algumas destas situações. A primeira e que despertou curiosidade ao ser citada, trata justamente da tal da caderneta ou do caderno universitário.

(1) Herculano Pires em Curso dinâmico de Espiritismo
(2)
http://www.oconsolador.com.br/ano2/90/entrevista.html

Exposto em 10-02-09 por Fiorell@!

Utilizando a Reforma Íntima

"Mas não basta ser convidado; não basta o nome de cristão, nem sentar-se à mesa para participar do banquete celeste: é imperioso, antes de tudo e como condição expressa, ter vestido o traje nupcial, isto é, ter a pureza de coração e praticar a lei segundo o espírito. (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII. Muitos os Chamados e Poucos os Escolhidos.)

A partir de agora, vou utilizar alguns trechos de Ney Pietro Peres, em seu livro Manual Prático do Espírita. Livro muito interessante do qual pudemos retirar algumas partes. A que pelo jeito já causa um certo frisson é a que fala da caderneta.

Mas, para que compreendamos um pouco da maneira de pensar e as abordagens do Ney Pietro, eis que começamos por um fator interessante: utilizando a Reforma Íntima. Ele inicia citando a seguinte parábola:

"Mas não basta ser convidado; não basta o nome de cristão, nem sentar-se à mesa para participar do banquete celeste: é imperioso, antes de tudo e como condição expressa, ter vestido o traje nupcial, isto é, ter a pureza de coração e praticar a lei segundo o espírito. Ora, esta lei se acha toda na frase: 'Fora da caridade não há salvação'. Mas entre todos quantos ouvem a palavra divina, quão poucos a guardam e a aproveitam! Quão poucos se fazem dignos de entrar nos planos superiores da espiritualidade! Por isso disse: "Muitos serão chamados e poucos escolhidos”. (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII. Muitos os Chamados e Poucos os Escolhidos. Parábola do Festim de Núpcias, 2.)

Aqui já temos um esboço da maneira franca e direta de pensar deste nosso companheiro. Não basta estejamos envolvidos com o assunto na maneira de espectadores ou acompanhantes. É preciso mais do que isso. Será fundamental nossa interação, seja através das obras, seja através da auto-análise, seja através do completo aproveitamento daquilo que se nos dizem. Ponto pacífico, gente, é que se nos é dito que determinado caminho será benéfico, eis que devemos segui-lo e não apenas contemplá-lo. Conforme um exemplo contido em texto do site espírito.org, gentilmente ventilado por Marcio e que em breve estará no site da Momento Fraterno, no tema Reforma Íntima, eis que um cidadão foi ao médico e, após exames, o médico diagnosticou sua doença. Fez-lhe uma série de recomendações e prescreveu-lhe um medicamento. Findo o tempo de observação, eis que o paciente retorna ao hospital ainda com dores, para surpresa do médico que passa a lhe perguntar se seguiu suas orientações: caminhada – sim; alteração na alimentação – sim; ingestão da medicação nos horários certos – sim; aumento das horas de sono – sim. O médico ficou boquiaberto, até que resolveu perguntar algo meio que óbvio, diante do diagnóstico de cirrose hepática pela ingestão de bebida alcoólica: parou de beber: Ah, doutor, isso não fiz não!

Oras, gente!! Se a causa da doença era a bebida alcoólica, de nada adianta manter a bebida como rotina diária, que o trem não sara de jeito nenhum. Dispensa comentários, né? Mas em nosso caso, nós que buscamos melhorar algo em nós mesmos, como agir? Cadê o diagnóstico médico daquilo que devemos parar de ingerir? Ou melhor, cadê o diagnóstico de nossa doença? Na verdade, este diagnóstico não será feito por ninguém de fora, mas sim por nós mesmos, diante da auto-análise e da reflexão de nossa conduta diária. Aliás, falar em por dentro, vejam esta interessante colocação do Ney Pietro:

(...) No processo lento e progressivo da Reforma Intima, vamos realizando transformações sutis nas estruturas magnéticas do nosso perispírito e ampliando as potencialidades do nosso espírito.
A libertação dos vícios comuns, como o fumo, o álcool, o jogo, a gula, os abusos do sexo, realiza uma higienização nessas mesmas estruturas magnéticas do nosso corpo espiritual, removendo as impregnações densas obstrutoras de energias que nos consumiam os fluidos vitalizantes mantenedores do nosso equilíbrio orgânico e espiritual. O nosso campo de energias vitais passa a vibrar com mais intensidade em todas as suas regiões, exercendo maior ação restauradora da saúde e do equilíbrio emocional. (item utilizar reforma íntima).


Vejam lá o âmago que nos interessa: melhorar nossa moralidade significa transformar nosso espírito, como já bem vimos no estudo da escala espírita. Agora, vejam como tudo é energia e o chamado magnetismo exerce influência. Conforme vamos nos livrando das cargas negativas, é como uma purificação energética se processando em nosso perispírito e eis que ele, assim como nós mesmos, passamos a nos sentir leves e renovados. Aquele trem de ‘peso’ que sentimos em determinadas pessoas que se aproximam de nós, faz parte dessa necessidade de renovação e purificação do perispírito. Se nos recordamos que uma alimentação saudável auxilia o organismo a eliminar toxinas, principalmente pela ingestão de água em abundância, eis que veremos que em nosso corpo espiritual também se processarão modificações magnéticas diante da mudança de hábitos e atitudes.

Imaginem juntar tudo? Alimentação saudável (uma pessoa com boa alimentação repõe todas as vitaminas necessárias para a perfeita manutenção de suas funções físicas); prática de exercícios regulares, abandono de determinadas situações que contribuem para o vício e para os maus hábitos; mínimo de 8horas de sono diárias (melhora o humor de muita gente); a meditação e oxigenação da mente diante da percepção dos pensamentos e idéias, excluindo-se as nocivas e, por fim, a prática da Reforma Íntima. Nossa... Seremos super potencias!!! Vejam o que mais temos em vista da melhoria da estrutura magnética de nosso perispírito e percebam que delícia é esta parte:

(...) A disposição saudável, o bem-estar, a calma interior, o ânimo forte tomam seu lugar em nós, contribuindo para uma completa renovação no nosso sentir. Libertando-nos dos vícios, deixamos de alimentar as entidades que usufruíam das mesmas sensações e prazeres, a nós ligadas nos processos de simbiose e vampirização. Rompemos os laços fluídicos viscosos que nos ligavam a esses espíritos, presos à nossa animalidade. Em consequência, libertamo-nos dessas influências perniciosas que nos condicionam aos vícios e nos transmitem depressão, mal-estar, desânimo, irritação, além de abrir fendas nas regiões dos campos magnéticos do nosso perispírito, acarretando desequilíbrio e comprometendo o fluir das energias vitalizantes, abastecedoras do metabolismo celular orgânico.
Erradicamos, assim, certos distúrbios vibratórios que se estendiam no perispírito, com imediatos reflexos no funcionamento dos nossos órgãos, aparelhos e sistemas.(...)


Por mais que o termo nos pareça pesado, incrível como ele se enquadra bem: vampirismo. Vimos através dos estudos de anjos e demônios, que as entidades denominadas como demônios, nada mais são do que espíritos que ainda permanecem no mal e na sua prática. Em se tratando de vampirismo, temos a mesma situação: são espíritos que se mantêm na necessidade de determinadas práticas próximas da animalidade e da materialidade, necessitando de retirar de outros estas emanações ou fluidos. Aliás, mais do que se pensa, esse processo também se dá de encarnado para encarnado, quando vemos pessoas que sugam outras em seu trabalho, em seu ombro amigo, nas práticas sexuais e por aí vai.

Bem, a partir do momento que processamos essas renovações, eis que estas entidades também se afastam, pois já não mais encontram sintonia conosco. O elo que alimentava essa ligação se perdeu: seja a bebida, o fumo, o sexo, as vaidades e etc. E, nesse processo de renovação, eis que até determinadas doenças acabam por se extinguir, pois o mal que as causava foi erradicado. Determinadas doenças que se curam sem mais nem menos ou que aparecem de repente. Analisemos a situação e, com muita probabilidade, encontraremos o reflexo em nossas atitudes. Vejam outra coisa interessante que ocorre com nosso organismo:

(...) A nossa mente é semelhante a um grande dínamo, que movimenta e alimenta o fabuloso conjunto de pequenos motores elétricos representados pelas células orgânicas. A mesma ação mental, imprimindo pela vontade as modificações no nosso comportamento, no modo de ser, controlando conscientemente nossos impulsos, começa a movimentar e dinamizar campos magnéticos de maior penetração e alcance na nossa esfera mental. Mudamos aos poucos nossa maneira de pensar, refletindo-a no agir e, portanto, no relacionamento com o próximo.(...)

Eis a sensação de plenitude ao estarmos de posse de nossos desejos e vontades. Criamos uma energia e ela se propaga por todo o nosso corpo, alterando uma série de funções e receptividades. Um estudo aprofundado sobre a pineal, embora seja bem técnico e um tanto cansativo, é interessante para que compreendamos como se processa todo esse mecanismo e para que estejamos conscientes dessa grande força que é a mente. E, como um conjunto, eis que não apenas nós nos modificamos em termos de mente/corpo/espírito, mas também naquilo que emanamos e, consequentemente, em nosso relacionamento com o próximo. Todos são beneficiados e tudo começa em nosso interior!

(...) Em decorrência desse trabalho, naturalmente vamos modificando a nossa compreensão para com tudo e com todos que nos cercam, os nossos pensamentos se abrem para os aspectos dignificantes e nobres da nossa existência e passamos a emitir ondas mentais indutoras do bem, sintonizando com planos vibratórios mais elevados e colaborando positivamente para a melhoria dos que nos cercam.
As irradiações que partem da nossa região cardíaca, refletindo o nosso sentir, igualmente vão, de modo progressivo, se ampliando. Passamos a vibrar mais amor, compreensão, tolerância, o que se transmite em forma de energias renovadoras, influindo dentro e fora de nós. A somatória das ondas mentais e emocionais intensificadas no bem compõem o campo colorido e luminoso da nossa aura, que também se altera em decorrência das nossas transformações interiores.(...)


Estas são aquelas pessoas que todos gostam de ficar perto, porque sentem e recebem boas coisas. E como é gostoso, não? Paz, tranqüilidade e harmonia se fazem presentes mesmo nos momentos de dificuldade e dor. Para quem pôde desfrutar, imaginem como devia ser delicioso estar ao lado de Francisco Xavier! E quantos não deviam também tentar ‘sugar’ dessa energia para si. O mesmo ocorre no momento do passe e das emanações que fazemos. Elas não terminam, mas enfraquecem o médium. O cansaço se faz presente, necessitando que reparemos nossa própria condição física. Eis a vida regrada, a boa alimentação e o sono fazendo a diferença novamente. A mente harmoniosa e em equilíbrio também é excelente repositor, pois que a comunicação com o plano espiritual se faz sem barreiras. Na sequência temos que:

(...) Tecemos, assim, o halo magnético, envoltório ao nosso espírito, a aura de que nos fala André Luiz, pelo nosso próprio esforço em renovação constante. Criamos um campo vibratório de maior intensidade e alcance, à semelhança de uma cortina vibratória protetora, que precisa ser mantida com a nossa vigilância, auxiliando a nossa evolução nesse contínuo esforço de aperfeiçoamento.(...)

Viram o detalhe: precisa ser mantida com a nossa vigilância, auxiliando a nossa evolução nesse contínuo esforço de aperfeiçoamento. Não tem mágica. Fez uma vez e é para todo o sempre. Necessário que cultivemos que fortaleçamos que estejamos continuamente nesse empenho e nesse esforço. Por isso:

(...)As emissões de amor no serviço ao próximo, nas obras assistenciais, na tarefa mediúnica, na doação de energias fluido-dinâmicas, nas explanações evangélicas, na orientação à criança, no amparo ao velho, são as oportunidades que temos de exercitar e ampliar as nossas possibilidades, solidificando o trabalho de Reforma Intima.(...)

Viram quantas oportunidades de bem servir? Vejam mais:

(...) Reforma Intima sem serviço cristão é obra interrompida que parou nos alicerces. O trabalho que se inicia no íntimo das criaturas transborda espontaneamente para o exterior como consequência natural da sua continuidade e ampliação. André Luiz também nos esclarece que as irradiações emitidas, nas ocasiões em que as dores profundas nos atingem e são recebidas com resignação, realizam efeitos transformadores no nosso espírito. (...)

Duas coisas importantíssimas. Primeiro é aquele exemplo do terreno que foi carpido, em que foram retirados troncos e pedras, onde podemos encontrar a superfície limpa e prontinha para o cultivo. Se assim não procedermos, nossa tarefa será perdida. O Sol será inclemente, as sementes das ervas daninhas virão com o tempo e eis que nossa obra será vasto campo desperdiçado ante a produtividade.

A segunda coisa que vale a pena se enfatize é aquilo que sempre salientamos: a resignação. Mesmo nesta hora emanamos energias e vibrações e elas poderão nos ser benéficas ou destrutivas. A compreensão e verdadeira aceitação da situação haverá de nos proporcionar a paz necessária e isto virá de dentro para fora. Será aquele momento em que as pessoas se surpreenderão com nossas atitudes em que estamos consolando ao invés de sermos consolados. Não se enganem com uma coisa: vai doer. Continuará doendo, mas muito provavelmente a dimensão da dor será menor, assim como seu impacto em nós, pois não estaremos abandonados tais quais folhas ao vento.

Ontem (16-02-09), na leitura do evangelho foi-nos dito isso: marchemos sempre. Ontem, hoje e amanhã; façamos continuamente. E assim se dará com todas as situações. Reforma íntima a todo instante, resignação verdadeira ante a todas situações. Nem sempre é fácil. Tem momentos em que nos vemos envolvidos pelas torpezas e maldades alheias, pela mesquinharia e por coisas que não necessitariam existir e que são inesperadas, principalmente quando oriundas de pessoas que alardeiam sua condição cristã. Mas, a cada qual segundo suas obras. E as obras que queremos realizar são obras de renovação e depuração. E vão doer, de alguma maneira vão doer, porque teremos de abrir mão de posições cômodas e até então conhecidíssimas, mas que estavam gerando resultados péssimos.

A postura de renovação frente à vida também trará dores, mas serão dores ínfimas e com término visível, diferente do que as dores e sofrimentos que se arrastam em nosso vier, parecendo não ter mais fim. Aliás, existirão aqueles que tentarão nos provar, como que virando a faca em nossa ferida, mas devemos percebê-los até como criaturas que nos auxiliarão a encontrar nosso intento com maior brevidade. Mas por favor, não vão saindo por aí dando a cara à tapa. Sem permissividade ou estagnação, ok? Outra coisa gostosa proporcionada por este quadro que pintamos desde o início dos estudos:

(...) As mudanças que vamos realizando interiormente vão assim transformando nosso campo de radiações, que passa a refletir as vibrações do íntimo do nosso espírito, nos indumentando magneticamente da "veste nupcial" de que nos fala a parábola das Bodas, condição de que precisamos estar revestidos para adentrar a Espiritualidade Superior.(...)

Estaremos aptos a freqüentar o banquete da parábola Festim das Núpcias, citado no início deste encontro. E muitos devem estar se questionando: puxa, tão fácil com tudo escrito á nossa frente, com o apoio de quem já viveu a situação e com o direcionamento daqueles que conhecem o caminho. Mas e quando eu desligo o micro e me vejo sozinho ou sozinha nas tribulações diárias, como fazer?

É importante que lembremos de que nunca estamos sós. Isso é ponto pacífico e precisamos ter a consciência disso. Outra coisa que temos aprendido no decorrer de nossa vida é que em muitos momentos era melhor termos nos calado. Quantas vezes falamos algo e nos arrependemos, quantas vezes nosso desabafo é mal compreendido e quantas vezes somos influenciados pelos pensamentos alheios? É quase como uma terapia. Existe aquela que fazemos em grupo, mas existem os momentos que são apenas nossos. Para este momento só nosso, uma grande ferramenta é a tal da caderneta.

Ela é uma auto-avaliação periódica, mas que estará palpável e visível, pois faremos por escrito. Teremos anotações e dados inseridos de maneira constante, profunda e sincera. Não precisaremos ter medo, pois estará entre nós e o papel, salvo tenha algum bisbilhoteiro em casa. Se assim for, melhor alugar uma caixinha no cofre do banco. Ouçam:

(...) "Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita?
— O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus, e quando compreende por antecipação a vida espiritual". (Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Pergunta 918.)

(...) No nosso trabalho de transformação íntima podemos resumir o seu seguimento nas seguintes etapas:

AUTO-ANÁLISE: o conhecimento de nós mesmos — diagnóstico íntimo progressivo.
AUTO-OBSERVAÇÃO: o trabalho de aprofundamento detalhado do que queremos mudar - contagem, registro e programação. Essa é a parte ansiosamente esperada!
AUTO-APRIMORAMENTO: trabalho efetivo de transformação íntima — substituição de defeitos por virtudes.
AUTO-AVALIAÇÃO: verificação dos resultados — aferição de esforços, reciclagem.(...)


Quatro etapas que precisam ser observadas com seriedade, disciplina e ordem. Quatro etapas que haverão de interagir entre si e tornar-se-ão simples e corriqueiras ao passo que forem praticadas. Temos mais:

(...) André Luiz, no livro Opinião Espírita (Capítulo 1. Examinemos a nós Mesmos. Ed. CEC.), diz-nos que “O dever do espírita-cristão é tornar-se progressivamente melhor". Desse modo, acrescenta: "Útil, assim, verificar, de quando em quando, com rigoroso exame pessoal, a nossa verdadeira situação íntima". E ainda enfatiza: "Espírita que não progride durante três anos sucessivos, permanece estacionário".

Interessante observar isso. Três anos consecutivos sem progresso é sinônimo de estacionamento. De paralisação. E, com tantas oportunidades que nos são ofertadas diariamente, a todo instante até, permanecer mais de 1000 dias sem fazer um progresso é terrificante. É quase como apagar nossa luz. Olhem-se no espelho. Só para começar. Olhem atentamente e percebam como anda a vossa aparência. Olhem os olhos, esmiúcem, busquem em profundidade.

Exposto em 17-02-09 por Fiorell@!

Utilizando a Reforma Íntima - parte II

"Por que sinais se pode reconhecer no homem o progresso real que deve elevar o seu Espírito na hierarquia espírita?
— O Espírito prova a sua elevação quando todos os atos da sua vida corpórea constituem a prática da lei de Deus, e quando compreende por antecipação a vida espiritual". (Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Pergunta 918
)

Semana passada finalizamos o encontro falando acerca de 4 coisas fundamentais na organização da reforma íntima: AUTO-ANÁLISE: momento em que nos olhamos sem mascaras e sem desculpismo, encarando de frente nossos defeitos e nossas qualidades. Momento que não é muito fácil para a maioria de nós, haja vista o fato de não reconhecermos em nós estas duas coisas. Para alguns, não existem defeitos a serem consertados, para outros não existem qualidades para serem enfatizadas. Uffa...uma senhora corda de opostos totalmente distantes.

AUTO-OBSERVAÇÃO: a parte que todos estão achando que será a pior, mas creiam-me: é a mais fácil de todas.

AUTO-APRIMORAMENTO: essa é a parte que requer nosso grande empenho. Modificarmos o que não está bom pelo que pode ser melhor. Perseverança, fé, amor e coragem, são nossas armas.

AUTO-AVALIAÇÃO: a parte semelhante á inicial: uma avaliação sincera realizada com base nas anotações e após o período de auto-aprimoramento. Sem desânimos ou falsas expectativas. O primeiro derrubará tudo o que tivermos alcançado e o segundo projetará resultados não realistas dentro de nossas limitações individuais.

Comecem a refletir sobre a vossa vida, sobre as situações que estão envolvendo seu dia-a-dia. Devassem tudo! E se as lágrimas vierem, tentem analisá-las, também. Vejam se são fruto de arrependimento, de auto-compaixão, de dor, de inconformismo, de revolta, enfim, do que quer que seja. Percam, entre aspas, uns pares de minutos nesta análise e tomem a decisão que deve mudar toda a vossa vida: agora chega! Agora quero fazer diferente. Agora vou mudar. E sigam! Aceitem as orientações que serão ofertadas pelo seu mentor. Elas serão dadas de maneira intuitiva, ou seja, brotando em sua mente, ou de maneira ‘terceirizada’, através da leitura de um livro, de mensagens, de conversas e assim por diante.

Gostaria que todos abaixassem um pouco o som, para ouvir uma mensagem de Divaldo acerca de como podemos conversar com nosso mentor e que faz parte do programa Transição de TV, apresentado aos domingos na redetv às 15h. O vídeo completo está em nosso site:
Nosso Mentor

Em tantos momentos é necessário que silenciemos. Talvez esta já seja uma busca em reformarmo-nos. Nossa língua fala mais do que devia. Nossa mente a coordena e é ela quem deve ser disciplinada. Mas não apenas para pensar ou não pensar determinadas coisas, mas sim para sentir profundamente aquilo que pensamos, acreditamos ou cremos. Se cremos na vida após a morte, não podemos nos desesperar frente a mesma. A mente acredita, mas o ser não corrobora. Então, veremos que o processo é longo e profundo. Calar, pensar de maneira adequada, sentir em conformidade com o silêncio e o pensamento.

Arregacem as mangas e confiem no amparo divino. Para isso tudo dar certo, é preciso que não nos esqueçamos de algo importantíssimo, denominado programação. A programação é importantíssima, para que nos conscientizemos do que temos, do que queremos e do que necessitamos fazer para alcançar nossos objetivos.

"Quão pequena é a porta da vida! Quão apertado o seu caminho! E como são poucos os que a encontram!" (Mateus 7:13-14) "Larga é a porta que leva aos desregramentos, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais concorrido. É estreita a da redenção, porque o homem que deseja transpô-la deve envidar grandes esforços a fim de vencer suas más inclinações, e poucos se resignam a isso. Completa-se a máxima: São muitos os chamados e poucos os escolhidos." (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII. Muitos os Chamados e Poucos os Escolhidos. A Porta Estreita.)

(...) Se o ponto inicial para realizarmos nossas transformações é, pelo "conhecimento de si mesmo", precisamos observar que todo trabalho de mudança propriamente dos hábitos, da maneira de agir, da conduta que estamos acostumados prossegue com o esforço da vontade, e em seguida, no transcorrer do tempo, sem limitações ou previsões de prazo.

Embora possamos conhecer nossos vícios e defeitos, as mudanças só se fazem com um trabalho perseverante e muita paciência. Aí está a nossa grande dificuldade: fazer das intenções, realizações efetivas. O procedimento esperado seria aquele da disposição firme e constante no rumo certo aos propósitos que tenhamos decidido tomar de auto-reformar-se, e então se dará início a uma luta corajosa de automodificaçoes que nem todos pretendem realizar ou estão decididamente preparados para realizar.(...)


Essa firmeza é importante em qualquer segmento de nossa vida. Sermos conscientes e decididos naquilo que queremos ou almejamos é a chave para que consigamos. Se começarmos assim: mas será que vai dar certo? Será que eu vou conseguir. Mas e se eu... podemos desistir antes de gastarmos forças, energias e pensamentos. Analisar se uma situação é viável, se estamos no rumo certo, se possuímos as qualificações para realizá-la.

(...) A maioria tende a abandonar, logo nos primeiros impedimentos, o objetivo formulado de início sempre com as melhores das promessas. Existem, naturalmente, aquelas predominâncias da nossa natureza corpórea, ou seja: o comodismo, o desânimo, a preguiça, o "corpo mole".(...)

Existe algo que também podemos observar nas situações: o valor que nela depositamos. Se for um valor exagerado, poderemos sofrer por antecipação ou por apego. Se for um valor mediano, quando deixar de ser novidade já esquecemos dela faz é tempo. É como tudo na vida: tem de ter o caminho do meio. Temos de lhe ofertar o verdadeiro valor e o verdadeiro peso, para que a levemos a sério e com a devida dedicação.

Para que nos momentos de dificuldade, desânimo, preguiça ou ‘deixa disso’, saibamos que a nossa força interior tem de se maior do que nossa fraqueza aparente. E, saindo um pouco do foco nós para nós mesmos, não se esqueçam que sempre que queremos modificar algo em nós, surgem aqueles que acham que não devemos fazer. Quem já mudou a cor do cabelo, por exemplo, sabe do que falo. E, indo mais fundo, quem já tentou fazer regime, parar de beber ou fumar, jogar e tantos outros pequenos vícios, já se deparou com a turma que te chama de careta, que te diz um alienado ou um louco.

Aliás, falar em alienado, lembrei mais uma vez da passagem do filme de Francisco de Assis em que ele fala o que busca para o santo padre e este lhe responde: mas esta pureza que você quer não é deste mundo. Ela existe, mas não aqui. E enquanto Francisco de Assis fala de seu desejo de humildade, igualdade, simplicidade, pureza de olhos e tantas coisas mais, é chamado pela turba de alienado, de louco, de pazzo! A mesma turba que correu recolher as moedas e os finos tecidos que ele estava tirando de dentro da casa do pai. Gente que não carecia de nada disso, afinal sua intenção era dar aos pobres, mas que foram ali como alucinados e loucos por posses e dinheiro. Naquela hora Francisco de Assis não era pazzo,né?

Este é um dos grandes obstáculos que encontramos: a influência alheia. E não pensem que ela vem apenas de encarnados, viu? Os encarnados companheiros ou não, sofrem também a influência dos desencarnados e, nesse ponto, se tornam aqueles chatos que te oferecem só mais um pedaço de bolo ou de carne, ou aqueles debochados que dizem que você não vai resistir a uma saideira. Aqueles que estão enredados nos mesmos vícios que nós, automaticamente se ligam a nós pela sintonia. E a influência se faz bilateral. Só não desanimemos, ok? Não estamos à mercê destes irmãos. Temos como lidar com a situação.

Aliás, alguém tem dúvida de comer lidar com a situação das influências ou obsessão? Por alto podemos dizer que os estudos da reforma íntima são nossa grande ferramenta. Existe a prece, o passe, a leitura edificante, mas quase nada substitui nossa renovação interior e a quebra com estas sintonias. Não quebra num sentido de expulsão, mas queda num sentido de reavaliação dos laços que prendem ambos à situação. .

Exposto em 24-02 e 03-03-09 por Fiorell@!

Perseverança na Reforma Íntima

"Larga é a porta que leva aos desregramentos, porque as más paixões são numerosas e o caminho do mal é o mais concorrido. É estreita a da redenção, porque o homem que deseja transpô-la deve envidar grandes esforços a fim de vencer suas más inclinações, e poucos se resignam a isso. Completa-se a máxima: São muitos os chamados e poucos os escolhidos." (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVIII. Muitos os Chamados e Poucos os Escolhidos. A Porta Estreita).

A abordagem da semana passada, que nos rendeu um encontro inteiro, foi justamente sobre a nossa força de vontade em perseverar naquilo que fazemos. As metas, objetivos e a maneira de percorrermos o caminho são de grande valia para que tenhamos foco e referenciais diante do tanto que devemos caminhar. Será isso que abordaremos nesta noite: as maneiras para que tenhamos foco e referenciais no que queremos caminhar e no tanto que já caminhamos. Ney Pietro nos diz:

(...) Quando surgem as dificuldades, elas aparecem, principalmente porque esperamos resultados apressados e então achamos que o método não funciona, não serve, não produz efeito. Perdemos o interesse, afastando-nos dos propósitos admitindo que a falha está no processo, no método aplicado, e não em nós. Ë quase sempre assim. Dizemos para nós mesmos: ah! comigo não deu certo! Não vi resultados!

Vou usar como exemplo regimes, que nada mais são do que vícios alimentares. Lemos em jornais e revistas que fulano emagreceu 36kg, beltrana emagreceu 28 e por ai vai. Mas para nós não dá certo, não nos serve. Será que não nos serve ou não nos adequamos às exigências que o tal do regime pede? Aliás, falar em regime, lembrem-se que não são dietas miraculosas que vão aliviar nossos quilinhos a mais, mas sim uma reavaliação de nossa postura alimentar. Hábitos que precisam ser modificados, incorporados ou descartados em nosso viver, farão a diferença. Então, não é a reeducação alimentar que não nos serve, mas nossa postura frente a ela que não condiz. Outro fato:

(...) Outras vezes, nossos esforços vão um pouco além das intenções mas não estão suficientemente fortalecidos, seguem altos e baixos e os efeitos igualmente flutuam: em alguns momentos estamos animados e firmes, conseguimos mudar certas atitudes nos testes que defrontamos; em outras ocasiões caímos num desânimo total, balançamos e somos derrubados, falta-nos resistência e firmeza. E assim lá vamos nós, mais uma vez nos reerguendo na vontade, nos propósitos, retomando as rumos, firmando as disposições para reiniciar tudo novamente.(...)

Parece balanço de final de ano, né pessoal? Olhamos as metas que fizemos no início do ano, observamos como fomos fortes e vigilantes até determinado ponto e como tudo desandou dali em diante. E o final de ano parece mais um final de ânimo que nos faz agüentar até que nos reergamos para o milagre do novo ano. E tudo recomece com novos sonhos, propostas e promessas. Ou seja, até temos boas intenções e nos esforçamos, mas não o suficiente. Mas estes altos e baixos despertam em nós algo não muito bom, vejamos:

(...) Esses desfalecimentos realmente podem chegar a abalar nossa autoconfiança e nos deixar deprimidos. Entendamos, porém, que autopunição não ajuda e nem oferece estímulo a alguém. O jeito é levantar o ânimo, erguer a vontade e continuar a batalha, tantas vezes quantas forem as quedas ou fracassos. Na própria luta, no cair e levantar vamos aumentando nossa tenacidade e nos fortalecendo. Diminui com o tempo o número das quedas e assim os resultados práticos, embora demorados, vão se obtendo. Vejamos, no entanto, de que maneira o nosso esforço, ou o nosso desejo de auto-aprimoramento, pode ser canalizado com o fito de conseguir maior aproveitamento e melhores resultados.(...)

Sempre dizemos que a moeda tem duas faces. Eis as duas faces dos altos e baixos da vida. Podem nos servir como desestímulo ou como referencial para que atuemos cada vez com tenacidade e tenhamos a fé e a confiança no porvir. E, ao contrário do que a moeda que é lançada, a nossa própria sorte ou a nossa vida está em nossas mãos e cabe a nós o caminho que vamos seguir: se o da auto-compaixão e tristeza, por conta dos fracassos, ou se o da coragem ante tudo que ainda podemos realizar.

Agora é hora de abrir o bloco de notas do Windows, é hora de abrirmos nossa agenda, nossa caderneta, nosso diário ou nosso bloco de rascunho. Agora é a hora de começarmos a auto-observação e as anotações. Agora é a hora. Daqui devemos iniciar a jornada de nossa renovação. E ficarei feliz se, dos presentes a esta sala, ao menos um assim proceder. Confesso-lhes que eu farei. Nunca fiz, dessa maneira metódica e assim me proponho a fazer doravante. Disciplina e organização serão minhas ferramentas, além do diário.

(...)Estabelecendo metas
Comecemos por definir o que deve e precisa ser modificado em nós: estabeleçamos nossas metas. Analisemos o que queremos modificar.(...)


Bom isso nós já sabemos. Devemos pegar aquilo que está torto para tentarmos endireitar. Mas sejamos modestos. Comecemos devagar. Vejamos as recomendações do Pietro:

(...)Começar enfrentando os vícios comuns
Vamos, então, fazer um levantamento e relacionar o que desejamos reformar intimamente. Um caminho sugerido é começar pelos hábitos ou vícios que ainda nos condicionam a satisfações ou necessidades prejudiciais ao nosso corpo e ao nosso espírito.(...)

Vamos lá: que tal iniciarmos com o título?
HÁBITOS OU VÍCIOS QUE PREJUDICAM MEU CORPO E MEU ESPÍRITO.
Pulem uma linha e coloquem cada um destes hábitos ou vícios que precisam ser modificados em cada linha. Cada vício ou hábito que sugerirmos aqui e que lhes pareça necessário modificar em si mesmo. Não se assustem se a lista ficar grande, ok?

Meu exemplo é o seguinte: quero modificar meus hábitos ao acordar, estabelecendo uma rotina em meu viver, que me auxiliará a ter foco no que faço, finalizando as tarefas e deixando-me mais inteira para cada coisa que eu realizar. Então, no meu caso, não quero mais estender roupa, lavar louça, adiantar o almoço e arrumar a casa tudo de uma vez. Quero estabelecer uma rotina e trabalhá-la. O vício ou a postura que estou focando, neste momento, é a da dispersão e a do desânimo ante o serviço que parece não render. Vamos lá, vou somar aos meus os vossos. Quem não se sentir a vontade em enumerar o que quer alterar em aberto, sinta-se a vontade para fazê-lo apenas consigo próprio, mas sugiro que não deixem de fazer as anotações.

Agora que achamos um monte de paredes rachadas, de portas sem verniz, de janelas com vidros quebrados, vamos nomeá-las segundo sua intensidade e necessidade de abordagem. Naquela linha que pulamos lá em cima, no início da tabela, vamos escrever os condicionamentos que nos vemos envolvidos diante das mesmas. Então, na horizontal, como cabeçalho, vamos escrever:

HÁBITO/VÍCIO IRRESISTÍVEL PREDOMINANTE MODERADO FRACO NÃO PRATICADO
Agressividade          
Desânimo          
Descontrole          
Ingestão Doces          
Ausência de prece          
Fumo          
Gratidão          

(...)E, ao lado de cada um, como segue, a gradação ou intensidade do condicionamento ao qual estamos sujeitos, ou seja, se irresistível, predominante, moderado, fraco ou simplesmente não praticado.
Para percebermos melhor a nossa condição, vamos atribuir notas que colocaremos na coluna correspondente, dentro dos seguintes valores:

- Irresistível: Nota O

- Predominante: Nota 3

- Moderado: Nota 5

- Fraco: Nota 7

- Não Praticado: Nota 10

O valor das notas atribuídas é indicativo do nível de esforço que precisaremos desenvolver para libertarmo-nos dos vícios relacionados, isto é, notas O a 3: grande esforço; nota 5: esforço médio; nota 7: pequeno esforço 10. Desse modo chegamos a uma lista dos vícios que queremos trabalhar em nós.(...)


Percebam que esta pontuação é um referencial que Ney Pietro utiliza. Podemos simplesmente assinalar o que o hábito ou vício é: se algo irresistível, predominante e assim por diante. Assim feita a marcação, teremos noção que o ideal será chegarmos à coluna 'Não Praticado'. Percebam também que não vamos alterar os resultados das colunas em dois ou três dias, quanto mais em dois ou três meses. Vamos acompanhar uma tabela de metas progressivas e ver como nos saímos:

(...) Fixando resultados progressivos

Os resultados progressivos têm sido causa de muito desânimo, motivos pelos quais abandonamos nossos propósitos, pelo fato de, ao estabelecer nossas metas, acharmos que as mudanças precisam ser drásticas e grandes. Mas, como quase sempre não conseguimos cumpri-las da noite para o dia, desiludimo-nos conosco, perdendo até a vontade e a coragem de continuar.

As nossas possibilidades de sucesso, nas mudanças pretendidas, crescem quando especificamos com clareza os resultados numéricos, definidos dentro de condições razoáveis ao nosso alcance, em escala decrescente e proporcional. Desse modo, podemos medir nossos progressos, o que aumenta a motivação e o entusiasmo próprio, fazendo crescer, com a força interior, a autoconfiança nas nossas conquistas e sentir as alegrias ao vencer cada etapa programada. Podemos conduzir, então, o nosso trabalho em prazos ou períodos de tempo, tais como dia, semana, mês, bimestre, trimestre, semestre e ano.

Partimos de valores numéricos observados na nossa vida cotidiana, como por exemplo:

1. Fumo - quantos cigarros fumamos por dia?

2. Álcool — quantas vezes ingerimos por semana?

3. Jogo - quantas vezes praticamos por semana?

4. Gula — quantas vezes exageramos por semana?

5. Abusos Sexuais — quantas vezes cometemos por semana ou por mês?

6. Tóxicos - quantas vezes ingerimos por semana ou por mês?

Fixamos, a partir daí, para os próximos períodos, resultados decrescentes, divididos em passos suficientemente pequenos, de modo a aumentar nossas possibilidades de progresso.

Podemos programar, assim, a eliminação daqueles vícios em espaços de tempo, como por exemplo:

1. Fumo — De oito a dezesseis semanas (dois a quatro meses)

2. Álcool — De oito a dezesseis semanas (dois a quatro meses)

3. Jogo — De oito a dezesseis semanas (dois a quatro meses)

4. Gula — De oito a vinte semanas (dois a cinco meses)

5. Abusos Sexuais - De oito a vinte semanas (dois a cinco meses)

6. Tóxicos - De oito a vinte semanas (dois a cinco meses)

Dependendo, portanto, da intensidade do nosso condicionamento, fazemos a nossa programação em maior ou menor tempo, de forma a chegarmos, no final do tempo estabelecido, com nota 10, isto é, zero número de vezes o referido vício, praticado, ou cometido. Exemplo: Um jovem que fumava de 30 a 40 cigarros por dia resolveu diminuir para 20 por dia nas quatro primeiras semanas.

Conseguiu com facilidade e passou a 15 por dia no mês seguinte. A partir de então, no terceiro mês, foi a 10 cigarros por dia nas duas primeiras semanas; a 5 por dia nas semanas seguintes. No quarto mês diminuiu para 4 por dia na primeira semana; 3 por dia na segunda semana; 2 por dia na terceira e, finalmente, na última semana, abandonou realmente o cigarro.(...)


O que precisamos ter em mente é também o fato de que devemos não apenas estipular prazos, mas também encontrar portas para que eles se concretizem. Vamos ao exemplo da comida.

Exposto em 10-03-09 por Fiorell@

Fazendo uma programação Geral na Reforma Íntima

"A prece é uma invocação: por ela nos pomos em relação mental com o ser a que nos dirigimos. Ela pode ter por objeto um pedido, um agradecimento ou um louvor." (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XXVII. Pedi e Obtereis).

Fazendo uma programação geral

Uma questão poderá ser indagada: como distribuir o tempo entre os vícios? Atacar todos ao mesmo tempo?

Dependendo do número deles poderemos dividi-los em etapas compreendidas num período de doze, quatorze ou dezesseis meses.

Isso porque a concentração de esforços em cada um dos resultados fixados é fator de progresso nos nossos propósitos de libertação deles. Do mesmo modo, como a divisão em resultados menores e constantes facilita o trabalho de eliminação de cada vício, a distribuição de tempo em um por vez, em sequência razoável e exequível, é igualmente importante.

Dividindo-se, então, num Cronograma Mensal, possivelmente chegaremos à programação indicada.
A escolha da ordem sequencial ou das prioridades dos vícios a eliminar ficará a nosso critério individual. Temos, assim, em nossa programação, cerca de dezesseis meses para eliminar pelo menos quatro dos seis vícios indicados no quadro.

Podemos também marcar numa tabela os valores numéricos dos resultados progressivos que esperamos alcançar, na coluna P (previsões) e, depois, em letras vermelhas, os resultados reais conseguidos na coluna R. As comparações dos dois números nos farão sentir os progressos obtidos, o que é sempre estimulante. Estejamos também preparados para os presumíveis fracassos, que, ao ocorrerem, devem nos conduzir a maiores esforços e mais determinação.

É recomendável que os interessados mais descontraídos, não preocupados com o segredo dos seus vícios, tracem uma tabela semelhante em tamanho grande e afixem em local bem visível, no quarto, por exemplo, para reafirmar mentalmente os seus propósitos, repetindo, várias vezes, se desejar, algumas auto-sugestões, como estas, que também podem ser escritas no mesmo quadro:

Abandonarei o cigarro decididamente...

Evitarei a bebida corajosamente...

Deixarei o jogo firmemente...

Controlarei os excessos alimentares tranquilamente...

Empregarei responsavelmente minhas energias sexuais...

Largarei destemidamente os tóxicos...

A prática do orar no propósito de vigiar


Nesse ato de reafirmação diária, que precisamos praticar, por alguns minutos que seja, ao renovarmos o desejo de conseguir vencer no transcorrer daquele dia os nossos condicionamentos, procuremos a sintonia com os Amigos Espirituais, abrindo o nosso coração a Jesus, na intenção de recorrer ao apoio maior da Espiritualidade, no esforço que estamos fazendo de libertação das nossas fraquezas.

Oremos, com a melhor das nossas intenções, com toda emoção, e recebamos o influxo das energias suaves que nos serão dirigidas em sustentação aos nossos propósitos.

Exposto em 17-03-09 por Fiorell@!

Prosseguir Removendo Defeitos

"Noutra acepção, considera-se fé a confiança que se deposita na realização de determinada coisa, a certeza de atingir um objetivo. Nesse caso ela confere uma espécie de lucidez, que faz antever pelo pensamento os fins que se têm em vista e os meios de atingi-los, de maneira que aquele que a possui avança, por assim dizer, infalivelmente." (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XIX. A Fé que Transporta Montanhas).

Conforme nos diz Ney Pietro Peres, nosso empenho prossegue, agora, no terreno dos defeitos, como meta seguinte, na abordagem que continuamos fazendo do que deve ser transformado interiormente.

A experiência que já acumulamos na libertação dos vícios comuns nos fortalecem enormemente na atividade de conduzir praticamente a força de vontade. Sentimos que somos capazes de vencer condicionamentos que antes acreditávamos ser insuperáveis. A autoconfiança cresceu, as nossas possibilidades de êxito aumentaram; andamos sobre terreno já conhecido e até certo ponto dominado, mas não paramos aí; precisamos continuar o trabalho já iniciado.

De modo análogo, vamos relacionar os defeitos mais evidentes em todos nós, que podem ser enquadrados e também apresentados.

Atribuímos também as mesmas notas já mencionadas, que indicarão o maior ou menor esforço a ser dedicado na dissipação dos citados defeitos.

Examinar um defeito por vez.

Ao preencher o Quadro (resumo dos Defeitos), para sermos coerentes, necessitamos de tempo para um exame isolado, independente, de cada um deles relacionados, e assim apurar o grau de intensidade com que eles acontecem, em circunstâncias comuns, nas três citadas áreas de ação, ou seja, na família, no trabalho e na sociedade.

Achamos que é importante fazer esse preenchimento com a maior fidelidade possível, isso porque o Quadro servirá de referência para a posterior distribuição particularizada daqueles defeitos, dentro de uma ordem de prioridades, num Plano Geral de Ação.

Cremos ser suficiente atentarmos num prazo de cinco a sete dias, de maneira específica, a cada um da lista dos quinze, para então fazermos uma primeira análise de como nos encontramos relativamente aos mesmos. Como já descrevemos nos capítulos anteriores, as principais características deles, uma relida em cada página é recomendada ao iniciarmos o trabalho de prospecção, que continuará pêlos dias mencionados. Façamos indagações a nós mesmos, tais como:

1 - Aonde manifestou-se (tal defeito)?

2 - Em quais circunstâncias?

3 - Com que intensidade? Profunda ou Superficial?

4 - Com que frequência tem ocorrido? Quantas vezes?

5 - Quais os motivos ou causas? O que fez acontecer?

6 - Posso contê-lo?

7 - Quando ocorreu, foi demorado ou passageiro?

8 - Surge repentina e inesperadamente?

9 - Tomo conhecimento dele antes de ocorrer?

10 - Deixou-me triste ou deprimido?

11 - Deixou-me indiferente?

12 - Tentei dominá-lo?

13 - Prejudiquei alguém?

14 - Deixei alguém triste, infeliz, magoado?

15 - Senti arrependimento?

Assim procedendo, de 75 a 105 dias intensivos, teremos realizado o levantamento dos nossos defeitos e preenchido o Quadro (resumo dos Defeitos). Teremos também conseguido uma qualificação daqueles defeitos mais acentuados que procuraremos de preferência logo enfrentar, isto é, se quisermos seguir esse critério. Começar pelos menos evidentes, pelos moderados e fracos pode ser um bom caminho, pois poderemos sentir efeitos mais encorajadores dentro das nossas condições, e assim, alicerçarmos com maior firmeza os nossos progressos.

PLANO GERAL DE AÇÃO PARA COMBATER AOS DEFEITOS:

Dessa forma programamos, num Plano Geral de Ação, a ordem sequencial dos defeitos a serem mais especificamente trabalhados em determinados espaços de tempo, digamos, por mês, bimestre ou trimestre.

Entendemos que o nosso trabalho de reforma íntima não se conclui apenas em um, dois ou três meses de auto-observação sobre cada tipo de defeito, mas ao dedicarmos, nesses prazos, maior atenção a cada um particularmente, assim exerceremos maiores esforços concentrados, que nos proporcionarão melhor identificação e domínio das suas manifestações. Teremos, então, obtido maior "conhecimento de causa" que, em seguida, agirá em nós como mecanismos automatizados de combate.

Esse trabalho intensivo e concentrado pode não ser fácil para muitos dos Aprendizes do Evangelho, mas é a "porta estreita" por onde teremos um dia que passar, quando decidirmos agir. E quem começa se orientando sozinho deve ter em mente que a ação, ao contrário das palavras e intenções, é a base do aprendizado. E ninguém obtém efeitos práticos sem criar, idealizar e planejar a sua própria auto-reforma, porque assim fazendo aumentamos as nossas possibilidades de crescer espiritualmente e de desenvolver nossas potencialidades.

O que aqui apresentamos é apenas um dos meios, entre outros que possam ser criados pelos interessados, ao planejar sua reforma moral.

Exposto em 24 e 31-03-09 por Fiorell@!

Como contar as ocorrências dos Defeitos

"Porque não é boa a árvore a que dá maus frutos, nem má árvore a que dá bons frutos. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu fruto. Porque nem os homens colhem figos dos espinheiros, nem dos abrolhos vindimam uvas. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do mau tesouro tira o mal. Porque, do que está cheio o coração, disso é que fala a boca." (Lucas, VI: 43-45).

Nos últimos encontros temos falado sobre a nossa grande aliada no tocante à Reforma Íntima. Conforme temos acompanhado através da obra de Ney Pietro Peres Manual Prático do Espírita, a observação é importantíssima para que saibamos quais são os focos a serem modificados.

Partindo deste ponto, o da observação, poderemos ser capazes de nos auto-analisar, de nos conhecermos e conhecer a fundo não apenas nossas imperfeições, mas também os mecanismos que as fazem aflorar, o que a torna mais frágil e o que a faz ser mais constante em nosso viver.

Dentro destas referências, fomos apresentados à caderneta ou ao nosso caderno de anotações, local em que anotamos todas as nossas imperfeições, anotamos também a intensidade com que nos vemos vulneráveis a elas. Diante da disciplina e da constância, foi-nos sugerido que anotássemos a quantidade de vezes com que elas aconteciam durante o dia, a semana e o mês.

Com estes dados, tivemos um perfil de nossos vícios e maus hábitos. Passamos então a modificar nosso pensamento em relação aos mesmos. Primeiro fomos convidados a reprogramar a maneira que nos portamos frente a eles e a utilizar frases construtivas e positivas: eu abandonarei tal situação decididamente; eu terei um controle tranqüilo sobre tal situação e assim por diante.

Depois, em nosso último encontro, fomos convidados a refletir sobre como esses defeitos ocorrem: se causou dor e sofrimento a alguém; se pudemos observá-lo antes que ocorresse; se nos sentimentos arrependidos ou indiferentes ao ocorrido e assim por diante.

Este período de observação não tem por objetivo que façamos grandes modificações em nós mesmos, mas sim que saibamos de maneira profunda e concreta como tudo se processa, quais nossos pontos vulneráveis, quais nossas atitudes positivas ou não e qual a maneira ideal de abordá-los.

Somando a toda esta metodologia para identificação de nossos defeitos e maus hábitos, que já deveria estar girando em torno de no mínimo 100 dias, eis que agora vamos entender como podemos contar a quantidade de vezes que eles ocorrem.

Uma vez mais vocês podem me dizer: mas Fiorella, isso tudo é muito metódico e detalhista. Eu não tenho paciência para anotar, para estudar e nem observar esta situação. Eu diria a vocês que, primeiro, não é algo absurdo isso que Ney Pietro nos fala. Quanto mais detalhistas e minuciosos formos na situação, mas no domínio dela estaremos. Se você sabe que andar por tal rua te deixa deprimido e você só notou isso após ter feito esta análise, eis a primeira vitória. Se você sabe que toda vez que vai na casa da sogra se vê envolvido por profunda raiva ou se você já entendeu que cada vez que alguém te oferta determinada palavra faz com que gere em você ansiedade suficiente para você fumar, eis a vitória advinda da observância.

E como gravar tantas coisas e detalhes apenas na mente? Só mesmo anotando e detalhando tudo para poder ter esse controle. Igualzinho controle de gastos. Ou você anota tudo no papel ou não vai saber onde gastou. Certa vez comecei a anotar cada coisinha que eu gastava ao dia. No final de um único dia eu me surpreendia com os gastos que eu sequer notava, mas que contabilizavam um montante exagerado. Vamos lá:

Como contar as ocorrências dos defeitos

(...) Vamos tentar quantificar o número de ocorrências em que aparecem os nossos defeitos por dia e por semana. Volta aqui a importância de sermos observadores de nós mesmos.

Podemos admitir que entre os três diferentes métodos seguintes, um pelo menos poderá ser utilizado na auto-observação:
1° observar os acontecimentos, contando o número de ocorrências;
2° observar a duração de um acontecimento, anotando o tempo da ocorrência; observar o número de acontecimentos que ocorrem num determinado espaço de tempo.


No primeiro: contamos o número de vezes por dia, no transcurso de uma semana, que os incidentes despontam dentro de nós. Por exemplo, sentimentos de orgulho, de vaidade, inveja, ciúme, avareza, ódio, remorsos, vingança, agressividade, personalismo, intolerância, impaciência, negligência, ociosidade ou, ainda, o número de vezes que tenhamos sido maledicentes.

Evidentemente nos concentraremos isoladamente num deles, por vez.

No segundo: preocupamo-nos em avaliar o tempo de duração em que tenhamos permanecido por dia, numa semana, com os sentimentos de orgulho, inveja, ciúme, ódio, remorsos, vingança, agressividade, impaciência (irritação), ociosidade (preguiça) ou, ainda, o tempo despendido na maledicência.

No terceiro: delimitamos um período de tempo, num horário escolhido convenientemente, para cada dia de observação numa semana, anotando, assim, o número de acontecimentos por amostragem, ou seja, prestamos atenção, apenas naquele horário do dia, no número de vezes em que os nossos sentimentos ou reações dos citados defeitos surgem.

As observações poderão ser divididas em três áreas de ação: na família, no trabalho e na sociedade. O resultado na contagem será a soma do apurado nessas três áreas.
Cada interessado, no seu caso particular, descobrirá qual o método que mais funciona e, portanto, o que preferirá aplicar. A partir do momento em que tenhamos apontado com exatidão o que queremos mudar, saberemos escolher a maneira de contar as suas manifestações.

Uma regra básica é sugerida para escolha do método de aplicação: se o impulso, pensamento ou atitude de comportamento ocorrem trinta ou menos vezes por dia, de forma nítida e separadamente, use o primeiro, anotando o número de vezes. Se ocorrem mais de trinta vezes por dia, use o terceiro (amostragem num horário prefixado). Se o acontecimento não é fácil de contar ou permanece vários minutos por vez, empregue o segundo método, contando a soma dos tempos que leva no dia inteiro.(...)

Exposto em 07-04-09 por Fiorell@!

Exatidão da Contagem

"Pedi, e dar-se-vos-á, buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo o que pede, recebe; e o que busca, acha; e a quem bate, abrir-se-á. Ou qual de vós, porventura, é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, porventura, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Pois se vós outros, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos Céus, dará boas dádivas aos que lhas pedirem." (Mateus, VII: 7-11).

(...) Parece fácil, mas se confiarmos na memória e deixarmos para fazer nossas anotações no final do dia, certamente a nossa contagem será inexata. Para tal, recorramos a cartões ou fichas em que tracinhos possam ser riscados de imediato, assim que o defeito aconteça. No final do dia apenas somaremos os tracinhos, anotando o total.

Podemos adotar o processo de ter um pequeno cartão, discreto, para cada defeito.

Como registrar as contagens - diagrama.

Chegaremos, ao final de cada semana, a valores numéricos das ocorrências e, então, precisaremos, após várias semanas, fazer uma comparação das observações anotadas. Podemos nos utilizar de um diagrama, em que a representação gráfica, numa simples olhada, dá-nos idéia do nosso comportamento e, com o tempo, a evolução dos progressos que estamos realizando nas mudanças.

Marcaremos um ponto na vertical que sai do número correspondente à semana de observação, na altura em que cruzar com o número de ocorrências.

Ligando-se os pontos marcados, teremos desenhado o nosso diagrama de registro das contagens. Naturalmente procuraremos desenhar um diagrama de controle para cada defeito independentemente ou, no mínimo, para os defeitos mais acentuados.

Certamente o número de ocorrências, pelo nosso trabalho, tendendo a diminuir com o desenrolar das semanas, ao unir os pontos marcados no gráfico, formará uma linha cuja inclinação vai baixando para o lado direito.

Coloquemos esses gráficos à nossa vista, para diariamente mentalizar o que precisamos cuidar, de modo a obter valores sempre decrescentes e então registrar marcas, ou pontos menores, pois é um meio de nos ajudar a fixar persistentemente o que pretendemos.

Podemos também formular algumas auto-sugestões, que cada um as elaborará especificamente a cada necessidade individual e em particular.

Exemplo: Diagrama — Defeito: Agressividade

Tomemos como defeito a combater, a agressividade.

Utilizando-se da ficha para controle das ocorrências, realizamos semanalmente a apuração do número de vezes em que a agressividade manifestou-se em nós. Nessa contagem não levemos em conta a intensidade com que o defeito tenha ocorrido; no entanto, o enumeramos quando surgir nas seguintes ocasiões: em casa, com os familiares; no trabalho, com os colegas; na sociedade, em contato com o público em geral (trânsito, nos transportes coletivos, com atendentes de lojas ou em escritórios), em contato com amigos nas agremiações, condomínios, associações ou grupos religiosos aos quais pertençamos.

Desse modo, admitamos ter chegado aos seguintes resultados:

lª semana: 18 ocorrências
2ª semana: 14 ocorrências
3ª semana: 13 ocorrências
4ª semana: 10 ocorrências
5ª semana: 8 ocorrências
6ª semana: 6 ocorrências
7ª semana: 4 ocorrências

Marcamos, na linha horizontal, os intervalos correspondentes às semanas e aos meses (de centímetro a centímetro). O eixo vertical também o dividimos em segmentos iguais — correspondentes ao número de ocorrências (a cada centímetro, duas ocorrências).

Os valores acima indicados são, então, registrados graficamente, construindo-se os pontos ao ligar as linhas verticais de cada semana com as horizontais dos números de ocorrências.

Temos, assim, os pontos A, B, C, D, E, F, G. Unindo-se esses pontos, temos uma linha irregular descendente representando o diagrama do nosso comportamento no que se refere à agressividade.

Podemos continuar por mais algumas semanas, até manter valores bons ou ótimos, se possível, quando então a linha decrescente se representará por um trecho reto horizontal. A constância no controle do defeito realizará progressivamente a automatização das nossas próprias contenções que, com o tempo, serão espontâneas e naturais, o que caracteriza a eliminação do defeito..(...)

Exposto em 14-04-09 por Fiorell@!

Gráficos e Tabelas

No capítulo XXV de O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos a seguinte passagem: "Mas o progresso que cada homem realiza individualmente, durante a vida terrena, é coisa insignificante, e num grande número deles, até mesmo imperceptível. Como, então, a Humanidade poderia progredir, sem a pre-existência e a re-existência da alma? Se as almas deixassem a Terra todos os dias, para não mais voltar, a Humanidade se renovaria sem cessar com as entidades primitivas, que teriam tudo a fazer e tudo a aprender. Não haveria razão, portanto, para que o homem de hoje fosse mais adiantado que o dos primeiros tempos do mundo,pois que, para cada nascimento, o trabalho intelectual teria de recomeçar. A alma voltando, ao contrário, com o seu progresso já realizado, e adquirindo de cada vez alguma experiência a mais, vai assim passando gradualmente da barbárie à civilização material, e desta à civilização moral. (Ver cap. IV, nº 17)."

HÁBITO/VÍCIO IRRESISTÍVEL PREDOMINANTE MODERADO FRACO

NÃO PRATICADO

Agressividade          
Desânimo          
Descontrole          
Ingestão Doces          
Ausência de prece          
Fumo          
Gratidão          

No diagrama abaixo, marcaremos quantas vezes na semana nos deparamos com os vícios ou hábitos que queremos modificar. Embora eu tenha mantido os exemplos citados anteriormente, vale lembrar que é importante nos concentrarmos em um ou no máximo dois, senão ficaremos o dia inteiro de caneta em punho. lembrando que podemos anotar em um papelzinho e depois trazer para o gráfico e que ele pode ser copiado para várias semanas.
 

HÁBITO/VÍCIO Sábado Domingo
Agressividade              
Desânimo              
Descontrole              
Ingestão Doces              
Ausência de prece              
Fumo              
Gratidão              

Se a situação ocorre com maior frequência que não apenas diariamente, no diagrama abaixo, marcaremos quantas vezes ao dia nos deparamos com os vícios ou hábitos que queremos modificar.

HÁBITO/VÍCIO Manhã Tarde Noite Madrugada
Agressividade        
Desânimo        
Descontrole        
Ingestão Doces        
Ausência de prece        
Fumo        
Gratidão        

Assim teremos uma tabela geral com as seguintes características:

HÁBITO/VÍCIO Irresistível Predominante Moderado Fraco

Não Praticado

Tendência Diária

Tendência Semanal

Agressividade              
Desânimo              
Descontrole              
Ingestão Doces              
Ausência de prece              
Fumo              
Gratidão              

O que resultará em um gráfico individual (relevem minha lerdeza para a confecção do mesmo):

Neste 'gráfico' temos a frequência semanal e pelo período de um mês. Nos mostra que na primeira semana fomos cerca de 45 vezes agressivos, na segunda fomos 50 vezes, na terceira fomos 40 e na quarta semana fomos 35. É um gráfico fictício, mas que nos mostrará as oscilações semanais com que nos deparamos com todas as situações e, na soma dos meses, podemos fazer o mesmo gráfico, apenas alterando semana por mês.

Não subestimem a potência que estas anotações tem de auxiliar em nossa melhoria. Dedique-se alguns minutos de seu dia para fazer e, nos momentos de dificuldades ou 'crises', busque estas informações e veja seus progressos. Nos momentos de equilíbrio e paz, veja onde ainda podes modificar e onde estás indo bem.

Lembre-se: na hora da crise sempre evidenciamos resultados negativos, potencializando nossa dor e desespero. Seja coerente e lúcido ao efetuar tais acompanhamentos.

Exposto  por Fiorell@!

O Cultivo das Virtudes

"Mas eu vos digo: Amai os vossos inimigos, fazei bem ao que vos tem ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam. Para serdes filhos de vosso Pai que está nos Céus; o qual faz nascer o seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos. Porque se vós não amais senão os que vos amam, que recompensas haveis de ter? Não faz os publicanos também o mesmo? E se vós saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis nisso de especial? Não fazem também assim os gentios? Sede vós logo perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito." (Mateus, V: 44 e 46-48)."

(...) Pode parecer que devamos nos preocupar apenas com o nosso lado inferior, com os vícios e os defeitos, que na nossa relativa condição evolutiva são ainda predominantes em relação às virtudes. Não se trata de realçarmos os nossos aspectos negativos, como se poderia supor, até como um processo de culpar-se a si mesmo, que não ajuda ninguém a melhorar.

"Encerra a virtude, no seu mais elevado grau, o conjunto das qualidades essenciais que caracterizam o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio e modesto são qualidades do homem virtuoso. Infelizmente, tais qualidades são, com frequência, acompanhadas de pequenas fraquezas morais, que as emperram e lhes tiram o brilho." (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sede Perfeitos. A Virtude.)

O que nos motiva é proporcionar, a quem esteja interessado em mudar seu comportamento e fazer algum esforço sério em melhorar, o encontro de alguns meios que o auxiliem a encetar por essa trilha, até mesmo sozinho. Desse modo, aqueles que estão muito satisfeitos com a vida que levam, sem problemas pessoais, familiares, sem angústias, sofrimentos ou ansiedades, sem distúrbios emocionais que os incomodem, ou seja, acomodados nos seus hábitos, dando vazão ao que sentem e querem, continuar seguindo os seus impulsos, indiferentes ao sofrimento alheio, circunscritos ao seu mundo e ao dos seus imediatamente próximos, esses certamente não têm com que se preocupar e nem sentem necessidade de mudar, nem mesmo suas pequenas fraquezas morais com frequência manifestadas.

Quem, então, chegou ao ponto de querer fazer transformações para sair dos estados íntimos de conflito e insatisfações, desejando, portanto, tomar atitudes renovadoras, precisa começar tomando conhecimento e agindo sobre as causas seculares dos nossos males, as torpezas e fraquezas que têm desviado sucessivamente a Humanidade, e contra as quais apontamos nossas armas de combate.

Mostramos, então, "o que mudar" e "como mudar". Agora, vamos enfeixar, num esquema inteligível, "para onde mudar". Em outras palavras, fazer um confronto dos padrões ou caracteres essenciais que constituem virtudes, e que devem tomar o lugar dos já citados defeitos a elas opostos. É como o lavrador: começa por preparar o terreno, desmatando, destocando, limpando, removendo as ervas daninhas, os espinhos, os pedregulhos, para depois revolver, adubar, semear e irrigar sempre. A partir disso é que o cultivo germinará, crescerá, florescerá, frutificará e reproduzirá.

Aquele nosso trabalho inicial de enfrentar os vícios comuns e depois prosseguir removendo os defeitos humanos mais evidentes equivale à limpeza e à preparação do nosso terreno íntimo para o cultivo das virtudes, que corresponde à adubação, semeadura e irrigação constantes. Devem-se acrescentar os cuidados permanentes na lavoura de não deixar crescer o mato em volta e de espantar os pássaros que picam as tenras folhas, assim comparados às frequentes pequenas fraquezas morais que muitas vezes podem empanar e tirar o brilho das virtudes, isto é, a ostentação, a exaltação das obras, a exteriorização da satisfação íntima no bem praticado, para provocar elogios, sentimentos de orgulho, de vaidade, de amor-próprio, que deslustram sempre as mais belas qualidades e anulam o mérito real de quem as tenha praticado, pois, "mais vale menos virtude com modéstia, que muita com orgulho"

É o que nos afirma François Nicolas Madeleine (Paris, 1863). (Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo XVII. Sede Perfeitos. A Virtude.).(...)

Exposto em 21-04-09 por Fiorell@!

Como substituir os defeitos por Virtudes

"Naquela hora, chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem é o maior no Reino dos Céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles e disse: Na verdade vos digo que, se não fizerdes como meninos, não entrareis no Reino dos Céus. Todo aquele, pois,que se humilhar e se fizer pequeno como este menino, esse será o maior no Reino dos Céus. E o que receber em meu nome um menino como este, a mim é que recebe". (Mateus, XVIII: 1-5) - (O Evangelho Segundo Espiritismo 7:3)."

Somando-se todos nossos encontros até então, é importante não deixemos de lado a motivação e o empenho. Mudanças precisam ser feitas e continuadas. (...)Desse modo, vamos aplicar ao serviço já iniciado o nosso adubo e a nossa irrigação à semeadura que estamos fazendo em nosso espírito carente de renovação.

As virtudes já estudadas nos são apresentadas como os modelos a seguir, na substituição que procuraremos efetuar dos nossos modos de agir. Isto é, em lugar:

de orgulho — humildade,
de vaidade — modéstia, sobriedade,
de inveja — resignação,
de ciúme — sensatez, piedade,
de avareza — generosidade, beneficência,
de ódio - afabilidade, doçura,
de remorsos - compreensão,tolerância,
de vingança - perdão,
de agressividade - brandura, pacificação,
de personalismo -companheirismo, renúncia,
de maledicência - indulgência,
de intolerância - misericórdia,
de impaciência - paciência, mansuetude,
de negligência - vigilância, abnegação,
de ociosidade - dedicação, devotamento.

Em decorrência do trabalho já desenvolvido na prática da auto-análise e da auto-observação, com os esforços empregados na eliminação dos vícios e na diminuição dos defeitos, certamente chegamos a intensificar interiormente aqueles diálogos com a própria consciência, desse modo substancialmente dinamizada.
Resta-nos conduzir agora as nossas reflexões, dosando e abastecendo a consciência com os conhecimentos característicos das virtudes, como modelos de comportamento a atingir. Assim canalizamos a vontade, o interesse, o empenho, com nossa energia, para conseguirmos mudar, ou substituir, a reação ou o impulso deletério, pela correspondente virtude que se procura antepor.
Ney Pietro Peres.(...)

Exposto em 28-04-09 por Fiorell@!

 

 

Como colocar em prática a Reforma Íntima

"São os pensamentos do encarnado que o aproximam ou o afastam de Deus, em maior ou menor maior ou menor duração"(Fundamentos da Reforma Íntima - página 22)."

Isso não é uma receita de bolo, mas são tópicos importantes de serem entendidos e apreendidos no dia-a-dia para que com o tempo haja a real transformação íntima.

1 – A primeira coisa a ser feita é estar de bem religiosamente falando. Quando a gente faz uma leitura diária do Evangelho ou de algum livro de mensagens espíritas, mantém uma prece fervorosa (não rezar simplesmente por rezar), toma passe e vai às palestras periodicamente ajuda muito a manter a espiritualidade amiga a nosso favor sempre.

“São os pensamentos do encarnado que o aproximam ou o afastam de Deus, em maior ou menor maior ou menor duração.Quanto maior sua paz interior, enorme a possibilidade de estar harmonizado com a Superioridade Divina,caso contrário, crescentes lhe serão as influências negativas do plano inferior da vida.”(...) O equilíbrio é indispensável para que o encarnado, devedor que é por natureza, enfrente os obstáculos da sua trilha no plano físico e seja bem sucedido na sua oportunidade reencarnatória.” (Fundamentos da Reforma Íntima - página 22).

2 – Auto-reflexão e Autoconhecimento: "é a capacidade inata que nos permite perceber, de forma gradativa, tudo que necessitamos transformar. Ao mesmo tempo, amplia a consciência sobre nossos potenciais adormecidos, a fim de que possamos vir a ser aquilo que somos em essência. O autoconhecimento nos dá a habilidade de saber como e onde agem nossos pontos frágeis e até a quem atribuímos nossas emoções e sentimentos, facilitando-nos compreender melhor os que nos rodeiam. Caminhar no processo do autoconhecimento significa desenvolver gradativamente o respeito aos nossos semelhantes, impedindo que façamos projeções triviais e levianas de nossas deficiências nos outros.” (Prazeres da Alma - página 61)

3 – Aceitação: “é uma das características dos grandes homens da humanidade, que aprenderam a respeitar as leis evolutivas em si mesmos e nos outros.” (Prazeres da Alma - página 201)

“Quem se posiciona como vítima ‘de um destino cruel’ não admite ser responsável por suas desditas e sempre acusa os outros ou as circunstâncias por não se sentir feliz ou sadio. Somos pessoalmente responsáveis pela infelicidade que vivenciamos; a felicidade somente fica fora de nosso alcance quando não aceitamos perceber a nós mesmos." (Prazeres da Alma - página 202)

Apenas aquele que aceitou a mudança de atitudes é que se pode considerar realmente curado, pois só a transformação íntima é que nos pode tirar, gradativamente, dos ciclos perversos dos desequilíbrios interiores que geram as enfermidades do corpo e as aflições humanas.” (Prazeres da Alma, pág. 204)

“Aceitar nossa realidade tal qual é representa um ato benéfico em nossa vida. Aceitação traz paz e lucidez mental, o que nos permite visualizar o ponto principal da partida e realizar satisfatoriamente nossa transformação interior. Só conseguimos modificar aquilo que admitimos e que vemos claramente em nós mesmos, isto é, se nos imaginarmos outra pessoa, vivendo em outro ambiente, não teremos um bom contato com o presente e,conseqüentemente, não depararemos com a realidade. A propósito, muitos de nós fantasiamos o que poderíamos ser, não convivendo, porém, com nossa pessoa real. Desgastamos dessa forma uma enorme energia, por carregarmos constantemente uma série de máscaras como se fossem utilitários permanentes.” (Renovando Atitudes, pág. 133)

“Aceitar-se é ouvir calmamente as sugestões do mundo, prestando atenção nos ‘donos da verdade’ e admitindo o modo de ser dos outros, mas permanecer respeitando a nós mesmos, sendo o que realmente somos e fazendo o que achamos adequado para nós próprios.” (Renovando Atitudes, pág. 135)

“Temos a tendência natural de sempre justificar nossos defeitos com racionalismos. São artimanhas e tramas inconscientes. Portanto, procuremos conhecer a fundo esses defeitos em todas as suas particularidades, e em como eles nos afetam, localizando as ocasiões em que estamos mais vulneráveis à sua manifestação. Procuremos então nos afastar desses procedimentos e buscar ferramentas adequadas para substituí-los em nosso comportamento.” (Trecho do livro MANUAL PRÁTICO DO ESPÍRITA de Ney Pietro Peres, Editora Pensamento.).

Exposto em 28-04-09 por Fiorell@!

Finalizando o Infindável

"Meus bons amigos, porque me chamastes? Para que eu imponha as mãos sobre esta pobre sofredora que está aqui, e a cure? Ah, que sofrimento, bom Deus! Perdeu a vista, e as trevas se fizeram para ela. Pobre criança! Que ore e espere. Eu não sei fazer milagres, eu, sem à vontade do bom Deus. Todas as curas que obtive, e que conheceis, não se atribuais senão Aquele que é o Pai de todos nós. Nas vossas aflições, voltai sempre os vossos olhos para o céu, e dizei, do fundo do vosso coração: “Meu Pai, curai-me, mas fazei que a minha alma doente seja curada antes das enfermidades do corpo; que minha carne seja castigada, se necessário, para que a minha alma se eleve para vós com a brancura que possuía quando a criastes”. Após esta prece, meus bons amigos, que o bom Deus sempre ouvirá a força e a coragem vos serão dadas, e talvez também a cura que temerosamente pedistes, como recompensa da vossa abnegação"- Vianney (Evangelho Segundo o Espiritismo 8:20)."

Quando adentramos ao Evangelho Segundo o Espiritismo, em busca de respostas para a questão Reforma Íntima, deparamo-nos com o capítulo XVII – Sede perfeitos.

Nele podemos apreender convocações, ensinamentos e ensejos para que sejamos mais do que apenas aqueles que emanam amor aqueles que estão longe, mas sobretudo também busquemos modificar nossas posturas frente aqueles que nos ferem.

E, já neste ponto, eis que se inicia um grande dilema mental para aqueles que buscam verdadeiramente a perfeição ou a sua compreensão. Alguns sequer se abalam ante a perspectiva de ter de perdoar e conviver com as pessoas em questão. Outros sequer perdoam e tentam fazer da vida alheia um grande inferno.

E nessa troca de farpas e emanações, vitorioso se sai não aquele que chora menos, mas sim aquele que compreende as disposições das leis humanas e das leis divinas; vitorioso é aquele que não odeia e nem age em conformidade com suas raivas ou mágoas, mas sim aquele que busca a retidão no proceder, longe de querer ferir ou prejudicar, independente de quem assim proceda ou não. O faz livremente.

Falar em Reforma íntima não é apenas nos referendarmos aos defeitos que nos envolvem e que, teoricamente, afetam apenas a nós mesmos, mas sim perceber que não estamos isolados e nem somos completamente independentes.

Necessitamos da criatura que conduza o ônibus que nos leva ao trabalho. Se vamos de carro, necessitamos daquele que trabalhou duro na plataforma de petróleo para fazer com que esse combustível estivesse disponível; se utilizamos bicicleta para nos locomover, alguém fundiu as peças e componentes, alguém extraiu o látex e o transformou em borracha, alguém colaborou para que a seringueira não morresse ou fosse replantada.

Por isso, essas pessoas que dizem ser auto-suficientes, que se acham mais inteligentes ou mais espertas que as demais, que encontram meios de burlar as leis terrenas e de fugir às suas responsabilidades enquanto seres eternos, são pessoas que estão enganando a si mesmas e iludindo-se em troca de momentos passageiros.

Aquele que não percebe em seu corpo as transformações e se considera vil e jovial para levar a vida anos seguidos em desregramentos ou em fugas de responsabilidade, está apenas adiando o cumprimento da parte que lhe cabe.

Falar nisso, gostaria de deixar a todos um vídeo para reflexão:

Não é apenas para que saiamos correndo e dizendo tudo aquilo que vai em nosso ser...nem sempre pode acontecer assim. Mas para que reflitamos, principalmente, nas oportunidades que desperdiçamos diante daqueles que necessitam de nosso amparo, de nosso auxílio e de nossa proteção. Diante daqueles que nos são dados como filhos e como criaturas dependentes, a quem devemos não apenas a proteção e o amor, mas sobretudo, o respeito enquanto seres eternos.

Agradecemos a todos pela oportunidade de buscarmos este estudo e a compreensão do tema. Sem sombra de dúvidas que existe muito mais a ser abordado, compreendido e trabalhado acerca do tema. Tivemos a intenção de enfocar o lado mais prático da reforma íntima, aquele que exige metodologia e traça caminhos.

Se tiverem a oportunidade, não deixem de ler e adquirir o livro do Ney Pietro Peres, utilizado largamente nestes encontros.

Ah, não podemos deixar de agradecer a todos os que, no decorrer destes encontros, testemunharam sobre suas dificuldades, repartiram conosco suas conquistas e até mesmo seus vacilos. Gente como nós, que está em busca de sua lapidação enquanto seres eternos.

Obrigada, meninos e meninas. Esperamos revê-los em breve.

Exposto e finalizado em 05-05-09 por Fiorell@!

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