Sob a Ótica Espírita: encontros aos sábados e às terças-ferias às 22horas(horário de Brasília) na sala do PALTALK.
 

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Família espiritual e material

"(...) o Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para ele uma tarefa. Se falhar, será culpado (...)" (Livro dos Espíritos 208).

Boa noite a todos. Que sejamos envolvidos em muita paz, tolerância e compreensão ao tratarmos deste tema tão vasto e envolvente.

Confesso a vocês que eu não sabia por onde começar e como trazer-lhes todos os sub-temas que podem e vão fazer parte deste assunto. Eu poderia ser superficial e tratar apenas de casamento e divórcio, ou filhos e educação, ou até mesmo provas e expiações, já que o seio doméstico é a grande escola e o nosso grande martírio em muitos momentos. Poderia abordar a família no contexto social e continuísta da vida. Poderia abordar a infância e a juventude e suas características dentro da família e em meio á sociedade. Poderia falar das chamadas ‘almas gêmeas’, termo não cabível no contexto Espírita.

Bom, diante destas várias opções, eis que teremos um pouco disto tudo. Abordaremos vários aspectos, desde o que nos ‘faz’ casar até as responsabilidades que se nos cabem. Falaremos também dos frutos do casamento. Abordaremos o divórcio e as responsabilidades e conseqüências em decorrência dele. E, de maneira simples, tentaremos compreender melhor esse trem de cara-metade.

Talvez aos olhos dos mais puristas eu não seja a pessoa adequada a falar de família, pois além de ser separada, também já passei por 3 casamentos. Mas, confesso a vocês, que independente de minhas qualificações morais para falar do assunto, busco aqui as impressões voltadas ao o que a Doutrina Espírita nos oferta.

Independente das minhas vivências, que de certa forma estão mais compreensíveis para mim, depois que passei a estudar em profundidade este tema, teremos sim muitas portas e, quem sabe, muitos caminhos sendo delineados. Nunca, jamais e em momento algum, tolheremos o livre-arbítrio de quem quer que seja. E, como não estamos sem pecado algum, eis que não atiraremos a primeira pedra naqueles que, aos olhos alheios, incorrerem no erro.

Nossa intenção é sim de estudarmos, compreendermos, analisarmos e, quem sabe, trazer um pouco de conforto e lucidez para os corações aflitos. Antes de tudo, família não é apenas papai e mamãe, mas sim filhos, tios, tias, primos, avós, etc. Portanto, conto com vossa costumeira fraternidade, com vosso costumeiro respeito e atenção, para que possamos abordar as situações que serão expostas. Até porque não falamos apenas de plano terreno, certo?

Bem, faço uso de Herculano Pires para definir algumas coisas e adentrar ao tema. Ele nos elucida algumas questões trazidas por Allan Kardec e ele nos oferece um esquema tríplice das formações familiais do nosso tempo, a saber:

a) a família carnal, formada a partir dos clãs primitivos, evoluindo nas miscigenações raciais, através de inumeráveis conflitos ao longo das civilizações progressivas, na fermentação dialética do amor e do ódio. Os grupos assim formados subdividem-se, nas reencarnações progressivas, em inumeráveis subgrupos, que também crescerão e se subdividirão na temporalidade, ou seja, na imensa esteira do tempo, que, segundo Heedegger, acolhe o espírito. São essas as famílias consangüíneas, que se desfazem com a morte.

b) a família mista, carnal e espiritual, em que os conflitos do amor e do ódio entram em processo de solução, nos reajustamentos das lutas e experiências comuns, definindo-se e ampliando-se as afinidades espirituais entre diversos grupos, absorvendo elementos de outras famílias, nas coordenadas da evolução coletiva. O condicionamento familial, nas relações endógenas e necessárias da vivência em comum, quebra a pouco e pouco as arestas do ódio e das antipatias, restabelecendo na medida do possível as relações simpáticas que se ampliarão no futuro. A desagregação provocada pela morte permitirá reajustes mais eficazes nas sucessivas reencarnações grupais.

c) a família espiritual, resultante de todos esses processos reencarnatórios, que aglutinará os espíritos afins no plano espiritual, nas comunidades dos espíritos superiores que se dedicam ao trabalho de assistência e orientação aos dois tipos familiais anteriores, mesclando-as de elementos que nelas se reencarnam para modificá-las com seu exemplo de amor e dedicação ao próximo. Essa família não perece, não se desfaz com a morte, crescendo constantemente para a formação de Humanidades Superiores. É fácil, usando-se as medidas da Escala Espírita em O Livro dos Espíritos, identificar-se nas famílias terrenas a presença de vários tipos descritos na referida escala, percebendo-se claramente as funções que exercem no processo evolutivo familial.


Compreender esse tríplice aspecto, talvez já nos dê um pouco de paz ao ser. A tida ou chamada família carnal, é aquela com a qual estamos compromissados quando no ambiente terreno. Nela, muito precisamos aprender, compreender, tolerar, ensinar e buscar.

Embora todos reencarnem em diversas oportunidades na mesma família, isso não nos dá o passaporte de família ligada por outros laços que não os sanguíneos. Muitas famílias assim o são, sem grandes ligações ou afinidades, mas com grande percentual de resgate e refazimento das atitudes do pretérito.

Lembrarmos-nos que a reencarnação se faz justamente para que aprendamos e evoluamos, nos mostra a necessidade de retornarmos tantas quantas vezes o forem necessárias e não apenas NO ORBE TERRENO. Temos relatos nas Obras Básicas, de irmãos que passaram de um Planeta a outro em questão de tempo mínimo se comparado ao nosso. Orbes diferentes em espaço físico, mas semelhantes em moralidade.

Aliás, fato que deve consolar aqueles que vivem dizendo “Eu não sou daqui”!! E encher de sonhos de grandeza e justificativa para suas atitudes de revolta e incompatibilidade, àqueles que insistem em se sentir desambientados. Quem o saberá? Quem detém esta informação? Ninguém que tenha a seriedade e o bom-senso em informar.

Pelo sim ou pelo não, fato é que existem famílias que não possuem em seus integrantes nada de laços espirituais. Tais famílias exclusivas de ligação consangüíneas não são tão comuns hoje em dia, haja vista a evolução, a descoberta de afinidades e os aprendizados que vão se realizando de encarnação em encarnação. Lei do Progresso.

Outras famílias, como citou Herculano Pires, em definição aos ensinamentos de Kardec e da espiritualidade Superior, são aquelas em que existem elementos que são ligados apenas pelo sangue, mas também ligados pelo espírito. São aquelas situações em que temos uma finidade enorme com tios, primos e avós. Seres que, com certeza, nos são afins e já estiveram conosco não apenas no plano terreno, mas também na erraticidade, proporcionando-nos e sendo proporcionados de momentos de amor e crescimento.

E, muito ao contrário do que se pode imaginar, a morte e a reencarnação não desfazem estes laços, mas sim solidificam-nos, como podemos constatar na questão 205 em que a espiritualidade é questionada acerca disto e nos responde com muita sabedoria: “ Ela os amplia, em vez de destruí-los. Baseando-se o parentesco em afeições anteriores, os laços que unem os membros de uma mesma família são menos precários. A reencarnação amplia os deveres da fraternidade, pois no nosso vizinho ou no vosso criado pode encontrar-se um Espírito que foi do vosso sangue.”

E como nosso coração não se enche de alegria e júbilo quando nos deparamos com alguém que parece que conhecemos a tanto tempo, não é mesmo? Quando comecei a compreender melhor esse trem de laços criados em encarnações passadas, consegui entender a mágica de, por exemplo, em um trabalho voluntário encontrar tanta gente que parecia que eu já conhecia de algum lugar e, no entanto, ser a primeira vez que nos víamos.

Como é incrível quando adentramos, por exemplo, a uma sala de estudos como esta e nos identificamos com um, dois ou mais e acabamos criando (ou será refazendo) laços de amizade sincera!! Assim como também nos defrontamos com pessoas que, por mais que nos esforcemos, não tem jeito de haver empatia ou uma troca respeitosa. São pessoas que possuem uma vibração diferente da nossa, que talvez já tenhamos tido dificuldades no passado e que estejam, novamente ao nosso redor, para que possamos refazer os caminhos, quem sabe de uma forma mais respeitável.

Aliás, é isso que nos conclama esta questão do Livro dos Espíritos. Antes de darmos mais importância às posições sociais, aos bens que a criatura possua ou a sua hierarquia na empresa, vale mais que a olhemos como um irmão em pé não apenas de igualdade, mas com grande probabilidade de ser alguém que nos é caro desde priscas épocas e não chegamos a reconhecer na atualidade. O que nos faz refletir sobre a próxima questão:

204. Desde que tivemos muitas existências, o parentesco remonta às anteriores?
“Não poderia ser de outra maneira. A sucessão das existências corpóreas estabelece entre os Espíritos liames que remontam às existências anteriores: disso decorrem frequentemente as causas de simpatia entre vós e alguns Espíritos que vos parecem estranhos.”


Imaginem o tanto de seres amigos, simpáticos e amados que podem surgir em tantas existências, não é mesmo? E mais: imaginem com quantos e quantos não cometemos erros imperdoáveis e para os quais acabamos nos comprometendo em reparações e retificações. Quantos não teremos induzido ao erro, ao vício ou à morte, por conta de nossos próprios vícios e deficiências morais. Vamos ver esta parte em breve, mas é ela quem nos acena para a compreensão da denominada família mista, composta de familiares pertencentes à família carnal e espiritual.

Em muitos momentos, apenas com o esquecimento do passado, aquele véu que nos é ofertado por misericórdia do Pai, é que conseguimos superar diferenças e obstáculos relativos a alguma criatura. O perdão e o amor, se tornam mais fáceis, por exemplo, quando recebemos o desafeto em forma de frágil criatura que aguarda nosso amparo e nossa proteção. Inúmeros fatores concorrem para que esse momento, o da fragilidade e do esquecimento, sejam as portas necessárias para que efetuemos a renovação nos laços que nos envolvem, dando o amparo e o direcionamento que a criatura carece.

Por outro lado, essa inocência é passageira e, nem sempre, consegue suplantar as deficiências do espírito reencarnante. Quem nos explica isso melhor é Kardec, através da questão 119.a em que tece os seguintes comentários:

199-a (...)Pela reencarnação, faz-se a igualdade para todos: o futuro pertence a todos,sem exceção e sem favoritismo, e os que chegarem por último só poderão queixar-se de si mesmos. O homem deve ter o mérito de suas ações, como tem a sua responsabilidade.

Não é, aliás, razoável considerar-se a infância como um estado de inocência. Não se vêem crianças dotadas dos piores instintos, numa idade em que a educação não pode exercer nenhuma influência? Não se vêem algumas que parecem trazer inata a astúcia, a falsidade, a perfídia, o instinto mesmo do roubo e do assassínio, e isso não obstante os bons exemplos do meio?

A lei civil as absorve de seus crimes, porque, diz ela, obraram sem discernimento. Tem razão a lei, porque, de fato, elas obram mais por instinto do que intencionalmente.

Mas de onde podem provir esses instintos, tão diferentes entre as crianças da mesma idade, educadas nas mesmas condições e submetidas às mesmas influências? De onde vem essa perversidade precoce, a não ser da inferioridade do Espírito, pois que a educação nada tem com ela? (...).


Esta parte nos mostra ou clareia, pelo menos um pouco, situações que ocorrem com grande freqüência nos lares da atualidade. Quantas e quantas casas não se deparam com seres que chegam e, logo após a passagem da chamada inocência, adentram ao mundo das drogas, da marginalidade e tantos outros sub-mundos, não apenas por más companhias ou por erro na criação dos pais, mas também por obediência aos seus instintos e devassidões que voltam a aflorar na fase juvenil.

Aliás, eis mais uma passagem que deveremos abordar. A fase da juventude, com tantas contradições, revoltas sem causa, instabilidades e, atualmente, tantos casos de depressão profunda ou de fobias inexplicáveis. Veremos isso a partir da próxima semana.
 

Exposto em 12-08-08 por Fiorell@!

 

 
 

 

 

Nossos Jovens - parte I

"(...) o Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para ele uma tarefa. Se falhar, será culpado (...)" (Livro dos Espíritos 208).

 

Teus Filhos

Teus filhos não são teus filhos

São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma

Vêm através de ti, mas não de ti E embora vivam contigo, não te pertencem

Podes outorgar-lhes o teu amor, mas não teus pensamentos

Porque seus pensamentos moram na mansão do amanhã

Que tu não podes visitar nem mesmo em sonhos.

Podes esforçar-te para ser como eles

Mas não procure fazê-los iguais a ti

Porque a vida não anda para trás

E nem se demora com os dias passados

Tu és o arco no qual teus filhos são arremessados como flechas vivas

Que o teu encurvamento na mão do arqueiro

seja a tua alegria.

Kahlil Gibran

No estudo passado pudemos começar a vislumbrar um pouco do que seriam nossos estudos acerca do tema FAMÍLIA. Assunto vasto, que dá margem a uma série de outros assuntos dignos de serem abordados e referendados, para que tenhamos algumas ferramentas e algumas direções a seguir. Hoje abordaremos nossos filhos.

Sei que para muita gente, não haveremos de falar nenhuma novidade, haja vista a situação em que se encontram: filhos criados, netos ou até mesmo bisnetos visitando seu lar. Mas, creio que, para muitas pessoas, embora saibamos ou conheçamos determinadas coisas, quando estamos ali, no olho do furacão, por vezes estas coisas nos fogem e nada como algum lembrete ou mesmos um revisão da situação do assunto para nos apercebermos e verificarmos o que podemos ou não modificar e melhorar na situação.

Conhecemos um pouco do que seriam as famílias carnais, espirituais e as mistas. Famílias carnais, aquela em que nos vemos reunidos apenas para vivenciarmos determinados resgates ou situações e depois, ao desencarnar, nem sempre prosseguimos a jornada juntos.

Certas vezes, ao conseguirmos realizar estes resgates de forma edificante, fraterna e calcada no amor, eis que surgem os laços. As amizades se fazem presentes e a necessidade de nos apoiarmos e de nos auxiliarmos também. Quer laço espiritual mais forte do que este? Laço espiritual, mais uma vez dizendo, não são apenas aquelas situações em que somos eternamente papai, mamãe e filhinho ou marido e mulher. Laços espirituais são laços de liberdade, de aprendizado e de crescimento. Não de galinha sustentando os pintinhos embaixo da asa.

Por vezes, romanceamos demais as coisas e esquecemos de ver com os olhos da razão. Quando a mãe e os irmãos de Jesus chegaram à casa em que Ele se encontrava, desejosos de tomar-lhe pois alegavam que estava desprovido de sua razão, Jesus reconhecido à família espiritual que o rodeava perguntou: “ e quem é minha mãe e quem são meus irmãos?” Ao contrário do que possa parecer, Jesus não estava menosprezando-os ou tirando-lhes os créditos, mas estava afirmando uma das grandes Leis de amor que devemos praticar: todos são nossos irmãos!

Imaginem o impacto que tais palavras não devem ter causado naquela multidão sedenta de conhecimento, sedenta de amor, de união e da proteção do Mestre, quando O ouviu pronunciar que todos eram seus irmãos. Muitos, com certeza não compreenderam; até hoje ainda não compreendem, no entanto, eis que os melhores momentos de nossa vida são justamente aqueles em que nos dedicamos ao próximo, em que fazemos a outrem aquilo que desejaríamos fizessem a nós mesmos.

E não será aí que muitas mães e pais começam a incorrer em grande erro, no tocante à criação de seus filhos? Não será justamente neste momento em que desejamos dar a nossos filhos tudo e muito mais, que os colocamos à perder? Pensamos no tudo de forma tão materialista e tão desprovida de amor sublimado, que oferecemos um amor que desperta a carência, o vazio existencial e a perdição do ser.

Mas se tanto amamos, aonde erramos? Nossa, podemos errar de maneiras tantas e sem percebermos. Podemos colocar os pés pelas mãos e não nos darmos conta de que estamos criando verdadeiros monstros, sem limites e sem noção do certo e do errado. Vejamos uma elucidação de Herculano Pires, quando fala desta situação. Compreendamos, primeiramente, o psicológico da situação e como ela é quase uma herança que trazemos de datas longínquas:

(...) As penitências, os cilícios, o isolamento, as auto-flagelações de toda espécie tornaram mais negra a Idade Média e ainda hoje se escondem nas furnas da ignorância religiosa que só serviram para desequilibrar milhões de criaturas que constituem o triste e pesado legado da Antigüidade para nosso tempo. São Tomaz de Aquino advertiu: “Mães, vossos filhos são cavalos”, e a educação das crianças transformou-se em domesticação, processo esmagador da sensibilidade infantil e das esperanças da adolescência. Gerações recalcadas saíram das estrebarias escolares em que os mestres domavam crianças e jovens a pancadas e castigos brutais, para moldá-los segundo os modelos estabelecidos à formação de multidões padronizadas.(...).

Lembrar dessa passagem em nossa história é tão importante quanto lembrarmos-nos da escravatura, da inquisição e de tantas outras mazelas castradoras e desumanas com as quais fomos formando nosso ser. É de suma importância para que compreendamos que nem tudo é erro e culpa individual de quem quer que seja.

Nas situações que citei acima, fomos incitados a agir e a crer conforme uma maioria (ou será minoria?) desejava. Mesmo tendo a visita do Mestre Jesus entre nós; mesmo tendo inúmeros exemplos de desprendimento, de amor e de caridade, alguns de nós ainda insistimos no erro, na luxúria, na perdição e em tantas outras formas de volúpia, arrastando consigo não apenas ingênuos crédulos, mas também espíritos afins.

Quando trazemos isso para a família, eis que vemos o papel da mulher na sociedade e as suas profundas transformações nestes períodos todos. Se objetivarmos pelo ângulo do espírito, muito ficou gravado em nosso ser, não apenas quando desempenhávamos os papéis de mulheres, ou homens, ou submissos, ou algozes. Essa herança toda se faz refletir em nosso ser e, a passos lentos, estamos conseguido retirá-las e lapidá-las, transformando-as em fruto produtivo, regenerado e elevatório.

Não bastasse esse período em que fomos massacrados dentro de nosso lar e em nosso ambiente de estudo e aprendizado, eis que nos deparamos com outros fatores a influenciarem nossa jornada. Talvez a gente pense assim: de que me importa esse mergulho lá no passado distante? A resposta está justamente no fato de que teremos uma compreensão e uma percepção mais abrangente daquilo que já fomos e do que somos hoje. Não podemos deixar de lado a grande verdade que, aqueles estão sendo nosso alvo de julgamento e condenação, pode ter sido qualquer um de nós......isso, por si só, faz com que nos recordemos de que não devemos agasalhar o ódio ou a revolta.

Não devemos, alimentar em nós a repulsa por qualquer criatura que em suas praticas atuais assim se apresente. Somos uma infinidade de Espíritos, com graus de evolução e aprendizado diferentes. Todos com as mesmas chances de serem melhores do que foram, basta assim o desejemos. E, se não desejarmos, Deus com sua infinita sabedoria haverá de nos proporcionar os mecanismos necessários para que tomemos essa decisão. Vamos ver mais de Herculano:

(...) A criança é egocêntrica, é um pivô em torno do qual giram as atenções e as afeições da família. Ela se torna, naturalmente, no centro do mundo. Porque esse é o meio de consolidação da sua individualidade. Tudo quanto ela atrai e absorve do ambiente, do exemplo familial, das relações progressivas na escola e nos brinquedos, é automaticamente centralizado no ego, que é o seu ponto interior de segurança ante a dispersividade do mundo.(...).

Alguém tem algum tipo de dúvida ante essa afirmação? Salvo alguns procedimentos isolados, eis que o ser que chega ao mundo tem todo um aparato de amor e alegria a acolhê-lo. Tanta é essa alegria, que sempre dizem que num lar aonde chega um bebê, chega também a fartura. Não é difícil que devam ser nossas disposições e emanações de amor, renúncia e bondade que atraem essa fartura, na típica lei da sintonia. Mesmo aqueles que são preteridos e enjeitados pelos pais, em algum momento são acolhidos e amparados por algum espírito amoroso. Sigamos com Herculano:

(...) Essa é a primeira função do ego, e essa função não é egoísta, mas centralizadora por necessidade de estruturação interna. Quando essa estruturação se define como tal, a criança se abre timidamente para oferecer ao mundo a sua contribuição inicial de beleza e ternura. É um novo ser que surge no mundo, vestido com a roupagem da inocência, como diz Kardec, e ao mesmo tempo trazendo a incógnita de um passado que se revelava pouco a pouco no esquema de um destino com idéias e hábitos negativos que nos foram impostos à força de milênios de brutalidade civilizadora.(...)

(...) Vencida a etapa uterina e a primeira infância, o ser se mostra pronto a enfrentar as vicissitudes de uma nova existência. Recobrou sua vida terrena nas entranhas da mãe, sob as influências psicofisiológicas do organismo gerador de seu novo corpo. Revela anomalias ou perfeição física e mental, segundo o seu passado. É de novo o centro do mundo e traz em si mesmo os fatores de seu desenvolvimento e amadurecimento. No lar esses fatores se manifestam desde logo, mas vão sofrer as influências modificadoras da família e da escola, para o seu ajuste necessário às novas condições de vida. (...)


Eis a deixa para que entremos em cena. O ambiente familiar, os exemplos ali ofertados, os ensinamentos distribuídos, tudo isso passa a fazer a influência no ser que desabrocha. Nem tudo são flores e seu ser passa a assimilar não apenas aquilo que lhe é dito, mas aquilo que vê e sente em seu redor. O mesmo haverá de proceder na escola, local que deveria ser sua família ampliada, mas que no entanto, já funciona como uma grande arena aonde as crianças atuais são chamadas a produzir, competir e superar, através de ensinos muitas vezes camuflados de construtivismos e validação do ser. No entanto, é um construtivismo socialista e uma validação do ser material e não do ser integral ou eterno.

Quem desejar se aprofundar mais nesses conceitos e visões acerca da educação, sugiro busquem em Dora Incontri o material para suas pesquisas. E é dela uma pequena passagem que trazemos, a título de elucidação:

(...) Dizia Herculano Pires que a "responsabilidade é uma flor delicada que só nasce no solo da liberdade". Ninguém aprende a ser responsável apenas obedecendo ordens. Ninguém aprende a agir moralmente agindo sempre sob coerção. A virtude moral só pode brotar da livre escolha do indivíduo. Aliás, a própria pedagogia Divina age assim conosco, ela nos deixa aprender com nossos próprios erros, para alcançarmos a moralidade no clima da liberdade (...).

Nesta reflexão trazida por Dora Incontri, não podemos nos esquecer de nos aprofundar nas analogias. Deus nos permite aprender com nossos erros sim, mas também nos proporcionou Leis Sábias e Justas. Em nosso lar, os rebentos devem aprender sim com seus próprios erros, mas faz-se mister tenham um direcionamento ou uma guia a toldar-lhes determinadas atitudes e instintos, do contrário, não seria necessário termos uma família ou alguém responsável por nós, Seríamos animais soltos ao bel prazer do crescer, evoluir e multiplicar-se. E vejam como Herculano nos mostra isso:

(...) O instinto de imitação lhe favorece a adaptação ao novo mundo. O ego centralizado volta a abrir-se nessas relações primárias, através do desenvolvimento da afetividade em termos eletivos. Suas preferências são ainda impulsivas, provocadas por fatores ambientais e circunstanciais, mas pouco a pouco se define a linha preferencial da razão em desenvolvimento, revelando as afinidades ocultas. O ser toma pé na realidade e manifesta as suas tendências vocacionais. É o momento de reintegração nos esquemas frustrados do passado ou de renovação do esquema em face das novas exigências da realidade nova.(...)

Principiam para as crianças e para nós, pais ou responsáveis, os grandes momentos de conflitos, discussões, desentendimentos e desavenças. Nem tudo será redondo ou suave. Aliás, estimuladas por tudo o que as envolvem nos dias modernos, as crianças parece que entram neste período numa fase extremamente precoce, por volta dos 8 ou 9 anos.

(...) A crise da adolescência vai revelar em breve a posição ôntica precisa ou indecisa do novo ser, herdeiro de si mesmo e das contribuições paternas e maternas, familiais e sociais, excitadas pelo meio cultural e reorientadas pela influência espiritual das entidades espirituais que protegem e o assistem constantemente. Está completa a tarefa da ressurreição na carne. Daí por diante, o novo destino do ser na transcendência dependerá de sua própria consciência. Ele está preparado e aparelhado para enfrentar os problemas da juventude e suas graves opções, da madureza e seus desafios, da velhice e sua recapitulação de toda a odisséia existencial que deve tê-lo elevado acima do passado no processo irreversível da transcendência. O egoísmo do adulto será a marca de um distúrbio psíquico: o infantilismo. O altruísmo será o troféu conquistado da sua vitória na escalada evolutiva (...)(Herculano Pires em Família).

O conceito de ôntica é o de algo relativo ao ser ou ao ente. Eis que surge a tão temida crise da adolescência, como dizíamos anteriormente. Não apenas crises marcarão esta fase, haja vista as inúmeras circunstâncias e bagagens que esse espírito trouxer consigo. O meio fará grande influência em seu ser, mas, ainda uma vez repito, sua bagagem espiritual será predominante. Temos a questão 203 do Livro dos Espíritos que, de certa maneira, nos mostra que os pais podem dar exemplos de sua moralidade, inteligência e conhecimento, mas não de sua alma; esta é indivisível. E mais, na questão 207 temos a afirmação de que os pais não transmitem semelhança moral, apenas a consang6uineidade. Disso, decorrem as diferenças gritantes em famílias cujos filhos foram criados da mesma maneira e nas mesmas condições.

Mas também faz crescer em nós a dúvida de como podem haver semelhanças tão grandes, ao que a espiritualidade nos responde de forma simples e clara: (...)São espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações.(...) E isso não está longe de ser. Vemos, por exemplo, famílias desfeitas em que o pai nada tem de convívio ou influência com os filhos, mas estes tomam caminhos semelhantes ao do pai. Por pura admiração? Não!! São espíritos compromissados entre si, que já viveram e existiram em situações semelhantes no passado e que trazem ao hoje estas marcas. Se não apenas compromissados, afins também.

Então, que não se revoltem ou fiquem indignadas as mães que, sozinhas, educam e labutam por seus filhos que, ao crescerem, parecem uma cópia de um pai ausente. São resquícios de encarnações passadas, em que o espírito deixa aflorar suas verdadeiras tendências. Mas também não se ausentem de seus deveres ou obrigações perante a estes seres! De uma maneira ou de outra, ambos estão compromissados com estes seres que lhes chegaram como filhos. A maneira que cada um haverá de levar avante suas responsabilidades e seus comprometimentos, caberá a cada um, única e exclusivamente.

Aqui nos deparamos com uma situação muito comum nas famílias desfeitas. E que precisamos aprender a compreender e respeitar, para que não erremos achando que estamos acertando. Mães que querem que os pais estejam mais presentes na criação dos filhos que já não lhes partilham mais o lar. Mães que se vêem sobrecarregadas ante a tarefa de educar, sustentar e acolher. Mães que, em muitos momentos, se vêem tão perdidas e desesperadas, que sequer conseguem atinar com o que estão passando a seus filhos. A ajuda psicológica se faz importantíssima nesse momento. Vejamos esta passagem de José Francisco Costa (veja o texto na íntegra em Textos complementares):

(...) Há, ainda, a situação das crianças filhas de pais separados, que empurram um para o outro a responsabilidade da educação dos filhos, e que por razões diversas nem sempre conseguem atender convenientemente as carências das crianças, e ainda colaboram para esse comportamento rebelde, pois se tratam em muitos casos de forma desrespeitosa na frente dos próprios filhos, com brigas infindáveis, ódios, disputas judiciais, desejo de vingança, atitudes tais que nada de positivo acrescentam na formação de um comportamento educado, como deveria ser (...).

Quando não é a mulher infernizando o marido, querendo-lhe mais e mais coisas materiais, temos o homem infernizando a vida da mulher, tolhendo-lhe a oportunidade de ser feliz, de encontrar novo parceiro e de constituir novo lar. Os desvarios e desajustes ocorrem de ambos os lados e, via de regra, a parte que se sente lesada é a que costuma dar mais trabalho . E as crianças? Vejamos o que mais nos diz José Francisco:

(...) Por conta dessa atitude irresponsável, a televisão assumiu na atualidade o papel de companheira e educadora de muitas de nossas crianças e jovens, que passam mais tempo assistindo a programas sem nenhum conteúdo moral e quase sempre recheados de pornografia e violências, do que em sala de aula ou com atividades úteis à formação de seu caráter como membro ativo da nossa sociedade.

Considerando essa variedade de fatores, que até certo ponto explicam os problemas apresentados por nossas crianças e jovens, não podemos esquecer também que eles são Espíritos reencarnados, trazendo tendências e aptidões desenvolvidas em vidas passadas e que os mesmos possuem afetos e desafetos no mundo espiritual, influenciando-lhes direta ou indiretamente o comportamento e como em regra geral somos devedores da Lei maior, essa influência é na maioria das vezes prejudicial, perniciosa, negativa.

Foi por essa razão que Deus, a Inteligência Suprema, entregou-nos esses espíritos em forma de criancinhas indefesas, prontas para que pudéssemos amoldá-las sob nossos cuidados desde cedo, para que cresçam e se desenvolvam de forma equilibrada, não somente no aspecto físico do pequenino ser, mais e principalmente no aspecto moral, espiritual, que é na verdade do que mais carece, motivo pelo qual aqui está de volta(...).

Por este trecho podemos ver que a situação não é tão fácil ou simples como possa parecer, não? Aliás, gostaria de lembrar-lhes que, no mesmo estilo em que abordamos Sexo na Internet, esse tema está sendo abordado pelo ângulo das dificuldades e desafios que encontramos em nosso dia-a-dia. Claro e óbvio que isso não é via de regra, mas suscetível de ocorrer.

E conforme José Francisco bem nos lembra, além de todos os problemas decorrentes do meio, da família, e do indivíduo, eis que temos também o plano espiritual a nos rondar. Lembrando que Deus é Pai e não padrasto como adoram dizer, e Ele nos facultou justamente a grande ferramenta do esquecimento e do retorno à vida corpórea em uma condição de fragilidade, para que fôssemos devidamente acolhidos e amparados.

E quanto às influências espirituais não devemos creditar a ela toda a responsabilidade do que nos ocorre ou à nossa família, assim como não devemos creditar ao marido ou à esposa os infortúnios que nos sucedem em termos familiares. Precisamos sim usar um pouco menos de óculos escuros e olhar as coisas com maior clareza.

Pessoas inconformadas, ranzinzas, que vivem apontando falhas e defeitos no próximo, que se preocupam excessivamente consigo mesmas e com as aparências, querem o quê da vida e da família? Terão um caos doméstico, um caos matrimonial e um caos existencial. Urge olhemos para nós mesmos, como quem se olha desnudamente e, sem pudores, percebermos aonde erramos, aonde temos nossas falhas e aonde acrescentamos algo de prejudicial á situação.

Cabe-nos não nos deixarmos levar pela auto-culpa ou pela sensação de fracasso, mas sim trilharmos e buscarmos os caminhos para o refazimento, para o aproveitamento benéfico da situação e da experiência.

E, enquanto é tempo, refletirmos sobre aquilo que estamos fazendo. A hora é agora. Estaremos negligenciando nossos deveres e responsabilidades? Estaremos fazendo isso sem nos percebermos? Que reflexos terão essas situações sobre nossos filho, além de em nós mesmos?

Exposto em 19-08-08 por Fiorell@!

 

 
 

 

 

Nossos Jovens - parte II e III

"(...) o Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para ele uma tarefa. Se falhar, será culpado (...)" (Livro dos Espíritos 208).

Estes encontros buscarão abordar algumas situações, não apenas dentro do seio familiar, mas também que envolvem nosso ser de maneira individual ou enquanto participante do meio social.

Claro, quando falamos do meio social, eis que a situação se torna assaz abrangente. O que não nos proíbe de sermos úteis diante de ambientes que não o nosso lar; que façamos ao próximo aquilo que desejaríamos fosse feito a nós mesmos.

Creio inclusive que, em decorrência daquilo que abordamos até agora, conseguimos ter uma compreensão mais ttanq6uila quando nos deparamos com situações em que alguma mãe aflita nos procura e diz: “eu canso de dizer a minha filha para não se vestir ou comportar de forma sensual, mas ela não me ouve e está se expondo a situações muito tristes”.

Não queremos entrar no mérito do julgamento, até porque esse é um exemplo fictício, mas vamos analisar a situação. Se a menina cresce assistindo programas de auditório, por exemplo, que ela vai pensar da vida? Que a quantidade de pano tem de ser mínima e que tem de rebolar. Se ela vê seus familiares encantados comentando o que acontece no BBB, por exemplo, ela vai achar que tem de ser tudo daquele jeito. E quando a mãe ficar horrorizada vendo sua filha imitando esse mundo fictício, eis que o caldo estará entornado, tanto no quesito do que foi exemplificado em casa, quanto a moralidade de um pai ou mãe para falar com a criatura.

Vemos isso com tamanha freqüência e envolvendo tantos assuntos, que não nos assusta quando nos deparamos com criaturas doces e amigas, mas que em casa gritam com os pais e avós. Que terá havido lá dentro para fazer desandar tudo isso? E, de repente, alguém de fora dessa situação conflitante, pode muito bem ser ouvida e atendida, em nome do bom-senso ou do carinho manifestado, pois não faz parte desse pacote vivencial da criatura.

No livro Família e Espiritismo, encontramos algumas orientações dirigidas especificamente aos pais:

Não penses que o seu lar será poupado;

Eis a grande e presunçosa ilusão em que nos metemos. Pensar que estamos imunes ou isentos de determinada situação, apenas e tão somente por estarmos envolvidos em determinados trabalhos ou profissões. A velha máxima de casa de ferreiro o espeto é de pau, não pode ser ignorada. Temos de ser zelosos sim e nos colocarmos receptivos ao fato de que ainda precisamos rever muitas coisas – se não entre nós e nossos filhos, com nossos netos ou sobrinhos. Na seqüência do livro, temos:

Observa o comportamento de seu filho, fique bem atento, e se o problema bater na sua porta: Não fuja dele - saia da cegueira familiar;

Cegueira familiar deve ser aquele trem que a gente teima em ostentar, quando na realidade não existe. Nossos filhos são perfeitos, nossos filhos não nos dão trabalho e tudo é um mar de rosas. Aliás, se alguém se portar assim, poderá estar fazendo duas coisas: ou diminuindo o tamanho dos problemas, embora esteja de olho neles, fazendo com que eles sejam mais fáceis de ser administrados, ou na pior das hipóteses, usando óculos cor-de-rosa e fone de ouvido bem alto.

Reduzir o tamanho dos problemas não é ignorá-los, mas dar-lhes as devidas proporções. Esses dias reli a passagem do sábio que pede ao discípulo que despeje um punhado de sal em um copo de água e que a beba. Em seguida, pede que despeje o mesmo conteúdo de sal em um lago e também beba dessa água.

Pela constatação, o aprendiz se dá conta de que o sal concentrado ali na água, fazia com que ela se tornasse quase intragável, as que quando diluído em meio à imensidão do lago, eis que o seu sabor se perde. Ao fazermos isso com nossos problemas, estamos tirando-lhe o sabor excessivo e dando-nos a oportunidade de digeri-los com maior facilidade. E não estamos fugindo!!

Muito tem a se falar sobre o convívio, o relacionamento, os deveres, as responsabilidades, os aprendizados e as necessidades que envolvem os jovens, espíritos milenares sempre lembrando, que Deus depositou em nossas mãos como fiéis educadores e responsáveis.

Quando dizemos nossos filhos, devemos sempre nos lembrar que são filhos de Deus e que será que estamos fazendo com eles? Como será que estamos tratando estas criaturas que estão sob nossa guarda e responsabilidade? Quais as dificuldades que encontramos no dia-a-dia para lidar com esse compromisso assumido perante a espiritualidade e a nosso Pai Maior? Claro que não teremos todas as respostas ou todas as posturas idéias a serem tomadas, mas com certeza algo poderemos compreender, trocar ou despertar quando abordarmos estes assuntos.

E tem sido justamente nesta linha de raciocínio, que trouxemos na semana passada, colocações encontradas no livro Família e Espiritismo. Aliás, existem tantas e tantas obras, escritos e palestras acerca do tema, que tenho certeza que em momento algum traremos novidades ou excepcionalidades, aliás, como não é esta nossa intenção, creio que todos podemos apenas esperar que algo nos cale no coração, na mente e no ser, seja para nós mesmos ou para aqueles que nos rodeiam.

Podemos buscar sim alertas e quem sabe posturas que a espiritualidade, a psicologia e o bom-senso recomendam utilizemos, mas haverá de caber unicamente a nós mesmos o reflexo e resultado daquilo que fizermos com o aqui ofertado.

E, dentro desta linha de pensar, eis que falávamos justamente sobre três itens e vamos revisá-los:

Não penses que o seu lar será poupado; ou seja, não nos sintamos isentos de o que quer que seja simplesmente pelo fato de sermos espíritas ou cristãos. Não acreditemos que seremos poupados porque levantamos todos os dias cedinho para trabalhar e trazer o sustento da família. Todos nós temos nossas dificuldades, nossos obstáculos e nossos aprendizados a serem colhidos desta oportunidade bendita do convívio com a família. E, como veremos mais adiante, também se dela estamos ausentes, também temos e precisamos aprender muito. Vale lembrar que nem só pais somos. Já falei isso em encontro anterior. Também somos filhos, irmãos, tios e avós.

Observa o comportamento de seu filho, fique bem atento, e se o problema bater na sua porta: Não fuja dele - saia da cegueira familiar; outro item interessante que abordamos foi justamente o de que devemos observar o comportamento de nossos filhos, ficar bem atentos e se o problema bater em nossa porta, não fugirmos dele utilizando-nos da cegueira familiar. Essa fuga em nada adiantará ou resolverá. Apenas piorará a situação. Para hoje, podemos adentrar ao dito ‘conselho’ que nos instiga a:

Não desespere e nem seja hostil.

A primeira coisa que nos foge é a paciência e a educação. É um tal de ‘quê qui é?’ ou de “qui foi?”. Nesse tom de reprovação ou de enfado. E, temos de respirar fundo, porque o trem só vai piorar. Estes dias mesmo, parecia que tinha um monte de abelhas mordendo as crianças, tamanho eram o grito e o choro ao mesmo tempo. Saí de perto, respirei fundo e me concentrei na leitura do Evangelho.

Voltei e o furacão já tinha passado e se transformado em brisa. Tentemos isso e creio que tudo haverá de começar a se enquadrar e a melhorar. Darmos tempo ao tempo diante das coisas, não é questão de relegá-las a segundo ou último plano, mas sim de saber usar de estratégia para administrá-las.

Estava lendo um livro interessantíssimo, que recomendo a todos, chamado Sem padecer no paraíso – em defesa dos pais ou sobre a tirania dos filhos de Tânia Zagury, e ela nos fala de maneira tão clara e tão lúcida, que mais parece uma mãe ao nosso lado nos aconselhando, nos mostrando certos ângulos que nossa ingenuidade não conseguiu ou consegue alcançar. Neste livro, ela aborda alguns enfoques do psicológico dos pais. E isso a gente quase nunca vê.

Para nós pais e educadores, são impostas uma série de condutas ou maneiras de agir, que nem sempre possuem um respaldo, pois são a nova onda da educação, ou até mesmo causam prejuízos quase que irreversíveis nas crianças e adolescentes. Precisamos ter sempre como foco que as crianças são espíritos que possuem um histórico rico de outras encanações, que possuem sua bagagem espiritual e psicológica, mas não podemos nos esquecer que ela também nos chega praticamente zerada. E a influência que o meio e nós mesmos fazemos é de suma importância. Não vamos alterar determinadas coisas que lhes são inatas, mas poderemos colocar a perder algumas boas e acentuar algumas ruins. Espíritos eternos sim, mas momentaneamente carentes e necessitados de nossa intervenção educacional, amorosa e exemplar.

Neste livro ela ainda nos fala de um fator importante denominado culpa.

Tudo vira uma bola de neve na hora da muvuca, não é?; Oras, na hora das cosias boas também!!! E para que consigamos realizar a próxima orientação, com certeza, temos de respirar fundo e revermos nossos conceitos e postura diante das situações:

Converse, esclareça, oriente.

Quando vemos algo errado com nossos filhos, não adianta chegarmos e falarmos: 'você é um burro, você nunca aprende', 'olha a besteira que você fez', 'você é isso e aquilo'. Ou então pior, 'sabe o filho de fulana? Jamais faria isso'. 'Sabe, seu irmão mais velho, nunca fez assim'. E por aí vão os exemplos. Eis a necessidade de revermos nossos conceitos.

Algumas pessoas comparam de forma tão automática, que sequer percebem. Outras dão adjetivos e nem notam. E, no entanto, se a meleca está feita, não adianta muito ficar ralhando, mas sim encontrar os porquês dela ter sido feita, como pode ser consertada e como talvez ela possa não se repetir. Se nossos filhos não encontram ponderação e tranqüilidade em nós, aonde haverão de encontrar?

Se são constantemente alvejados com nossas críticas, comparações e censuras, ainda que veladas, que esperar deles? Serão frustrados, sentir-se-ão incapazes e desestimulados. Pior, sentirão ausência de amor e de compreensão. E a dica de ouro:

Busque os recursos da medicina dos homens e da doutrina espírita.

As pessoas, de uma maneira geral, diante das dificuldades e daqueles problemas que parecem sem solução e sem fim, costumam dizer que vão apelar para tudo quanto é Santo. A linha de raciocínio não deixa de estar certa; errado está é o foco! Em meio a problemas físicos, espirituais e materiais, temos de usar sim todos os recursos á nossa disposição, mas sem acendermos uma vela para Deus e outra para o Diabo.

Situações de desespero não podem ser encaradas como se nós fôssemos uma bando de formigas que recebeu água no formigueiro ou que teve o seu caminho pisado. Precisamos ter, antes de tudo, calma e serenidade, para podermos avaliar a situação por todos os ângulos e, tendo em vista as orientações ofertadas nos itens anteriores, organizarmos nossa maneira de agirmos e, sem sombra de dúvidas, se estiver ao nosso alcance, vamos buscar ajuda espiritual, tanto na reza quanto na compreensão da situação.

Em casos de doenças, deixemos que os médicos terrenos cuidem do trem, mas não nos esqueçamos de pedir a orientação e a intervenção da espiritualidade amiga. Em situações de desespero, façamos o que deve ser feito, mas não nos esqueçamos de pedir a proteção de Deus. Tudo funciona em conjunto e quando os recursos disponíveis são utilizados com bom-senso e critério, eis que tudo se ajeita e complementa.

Pequenas dicas que parecem tão simples, mas que não nos recordamos, não? Quem na hora da angústia ou do desespero consegue ser tão sereno a ponto de relembrar estas. Água mole em pedra, até que saibamos agir com naturalidade, pois interiorizamos o aprendizado.

Exposto em 26-08 e 02-09-08 por Fiorell@!

 

 

 

Nossos Jovens diante da separação dos pais - parte I

"(...) o Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para ele uma tarefa. Se falhar, será culpado (...)" (Livro dos Espíritos 208).

Temos abordado o tema família, até então por alguns prismas. A coisa mais importante que podemos e devemos nos lembrar sempre, é que temos famílias que podem ser consideradas por duas maneiras principais: a primeira é a família terrena ou material, ligada apenas pelo laço material e da reencarnação. A segunda, preciosa, é a família espiritual, ligada pelos laços do espírito.

Estar ligada pelo laço do espírito não significa que estejam todos desencarnados e nem que apenas estão em nossa família consangüínea. Inúmeros outros espíritos se ligam a nós por amor, amizade e afinidade e vamos assim, formando a grande família espiritual. Aquela criatura que consideramos como irmão ou irmã e que sequer mora no mesmo país que a gente. Aquele colega de trabalho que é mais que um colega – talvez um paizão ou uma mãezona. Eis nossos familiares pelo espírito.

Enfim, família espiritual transcende ao nosso pensar e sentir. E pode estar distribuída por várias moradas da casa de nosso Pai. Estivemos abordando, com maior ênfase, nossos jovens, e não será diferente no dia de hoje. Encontro passado pudemos abordar alguns conselhos úteis contidos no livro Família e Espiritismo e, assim que possível, vou trazer a todos a parte do livro da Tânia, que fala sobre a suposta tirania dos filhos, sobre pais e educadores.

Hoje iniciaremos o tema com uma colocação de Celso Martins, em seu livro Por um Mundo Melhor, que nos fala de uma situação muito comum e que vem ao encontro daquilo que José Francisco cita em seu texto Disciplinar Educando, e este texto do José Francisco já está em nosso site e na íntegra no endereço:

http://www.sobaoticaespirita.com/textoscomple.htm

A colocação de Celso Martins trata das crianças que se vêem às voltas com a TV como educadora. Aliás, como já dissemos anteriormente, atualizando para nossos dias, podemos dizer também das crianças que estão soltas no computador, momento em que raríssimos pais fazem um acompanhamento ou direcionamento. Uma lástima.... Ainda penso muito na sensualidade com que os jovens se mostram no orkut.... Fotos em cima da cama ou em sofá, recebendo cantadas e convites de pessoas que, sinceramente, melhor me calar. Nem todos tem liberdade de chegar em determinadas pessoas, mas peço aos amigos que, se a oportunidade se fizer, que não deixem passar: alertem pais, conversem com os jovens, principalmente as meninas. Vamos  ao que Celso nos diz acerca de algo que ocorre conosco, pais ou casal e que afeta nossos filhos:

(...)Várias são as causas que levam um dos cônjuges a abandonar o lar, com isso desagregando perigosamente a estrutura da família, que deveria permanecer unida. Dentre elas, podemos citar, de escantilhão, as seguintes: ausência de responsabilidade; fraqueza de caráter, tornando o indivíduo leviano e presa fácil de paixões passageiras, mormente em ambientes onde haja certas facilidades de ordem sexual; desarmonias conjugais, provocadas e alimentadas pelo ciúme ou pela falta de compreensão recíproca; agressividade constante; violências físicas e / ou morais; processos obsessivos; etc.

Na realidade, as maiores vítimas são os filhos que, além de perderem a assistência do pai, ou da mãe, sofrem a sua ausência e escutam, permanentemente, acusações contra aquele que os abandonou.
Amigos, é preciso que entendamos que acima dos direitos individuais estão os direitos familiares, sobretudo os direitos dos filhos, para cuja educação há necessidade imperiosa da presença atuante de ambos os dois cônjuges.(...)

Pois é, gente. Tantos problemas que envolvem uma separação, não? Está faltando pouco para adentrarmos neste braço dos estudos, o divórcio; mas aproveitamos-nos dele para enfatizar o que ocorre, nestes casos, com os filhos.

As provocações, as picuinhas, as perseguições, o desrespeito, o desamparo e tantas outras situações que ficam como verdadeiras trocas de farpas entre os ex-conjugues, refletem nos filhos. É fácil compreendermos uma mãe que passa por situações em que parece desorientada ou louca. Claro!! Vê-se às voltas com filhos para alimentar, educar, abrigar, vestir e zelar. Vê-se às voltas com a dureza da solidão e do desamparo, porque por mais lindo que seja o amor dos filhos, existem dias de tormentas e da necessidade de um adulto por perto..

E ela ainda ter de se deparar com um ex-marido bom vivant, que não quer saber de trabalho fixo, que não quer saber de compromisso sério com a vida? Este exemplo de situação que ocorre em diversos lares, nos remete a duas situações: primeiro precisamos refletir que uma pessoa nessa situação, como a da mãe, precisa de amparo psicológico. Segundo que ela precisa se sentir amparada pelos que a rodeiam, mas não que estas pessoas procedem alimentanado o balde de dor, mágoa, angústia, revolta e tantos outros sentimentos nocivos que a envolve.

Quem está do lado de fora da situação não pode fomentar isso tudo. Precisa deixar de lado o certo e o errado e buscar zelar pelas crianças. Se fazer presente junto à família que se desestruturou, amparando a mãe para que ela se renove e fortaleça ante os filhos. E quem acha que a situação é exagerada, vejamos mais uma passagem de Celso Martins, que nos recorda um pouco mais de como é o dia-a-dia de um lar, desfeito ou não. Meditemos nos dizeres desta carta que uma adolescente escreveu:

(...)Não se zangue, mamãe! Desculpe. Desculpe porque eu preciso desabafar. Sei que você está hiperpreocupada, supercansada.

Que você se mata por nós. Ninguém sabe agradecer. Mas todos nós lhe somos gratos.

Mamãe, não se zangue! Nós queremos é você e não os seus serviços. Quem consegue conversar a sós com você? Você ralha comigo. É o vestido sujo e rasgado, são as mãos imundas, os cabelos despenteados, os objetos esquecidos, o quarto desarrumado. Sempre as mesmas reclamações... inúteis! Nem mais as ouço: já sei tudo de cor...

Sabe o que esta faltando nesta casa? Está faltando é tempo para conversar. Quando eu volto do colégio, morro de vontade de chegar perto de você e contar tudo: as coisas misteriosas que me disseram, meus namoros, meus sonhos para o futuro. Você está na cozinha, mexendo as malditas panelas. Eu sei que seus quitutes não podem queimar.

Mas você sabe que me queima a alma sua frase sempre fervendo de impaciência:

‘Agora, não! Não posso ouvir nada! Daqui a pouco, espere!’

Faz anos que você me diz isso, mamãe. O seu ‘daqui a pouco’ nunca chegou. Estou farta de esperar.

À noite, quando os pequenos já pegaram no sono, se eu pudesse ficar a sós com você, eu diria tudo:
--- o livro que me impressionou...
--- os segredos de minha única amiga...
--- até os meus pecados. Eu lhe diria tudo, mamãe...

Você nunca se sentou à beira de minha cama para conversar. Ah! Se você soubesse a desordem que reina em meu coração! Se eu pudesse um dia verificar que meus problemas interessam a você, eu me sentiria crescer. Eu seria boa, juro, eu me tornaria alguém.

“Não se zangue, minha mãezinha! Mas... fale comigo”. (...)

Comovente, não gente? Quantas e quantas vezes não damos a devida atenção a nossos filhos. Eu mesma, que passo o dia inteirinho com os meus, chega uma hora que digo: gente, agora dá um tempo, por favor. Claro que temos de ter o bom-senso e o equilíbrio. E o equilíbrio está em aprender a conviver com a situação sem dar demais e sem escassear.

Por vezes, não custa pararmos um pouco o que estamos fazendo e dar atenção a eles. A minha sinhá, sempre que começa algum desenho ou tem alguma parte dançante no que está assistindo, vem e me arrasta, para dançar com ela....hehehe....tem horas que é fogo, e eis que chega o bom-senso. 'Agora a mamma vai'. 'Na próxima eu vou' e, nessa hora, tenho que cumprir o prometido. Mas as crianças precisam sim de nossa atenção.

O outro volta da escola parecendo uma metralhadora, contando até a vírgula do que aconteceu ou do que os colegas conversaram. Gente é muita informação, mas faz parte da conquista e do alicerce em nosso relacionamento. No futuro não quero ser uma estranha, mas sua amiga. Veremos os comentários de Celso Martins acerca da carta, no próximo encontro. Fiquem bem, na paz do Mestre.

Exposto em 09-09-08 por Fiorell@!

 

 

 

Nossos Jovens diante da separação dos pais - parte II

"(...) o Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para ele uma tarefa. Se falhar, será culpado (...)" (Livro dos Espíritos 208).

Até então estamos abordando um pouco daquilo que ocorre em alguns lares, sejam eles desfeitos ou não. Temos visto como o problema pode tomar grandes proporções devido a pequenos detalhes que sequer notamos, como a carta endereçada à mãe, por uma jovem que se sente preterida e relegada a último plano dentro do próprio seio familiar.

Algumas pessoas que estavam presentes na semana passada, acabaram por se compadecer, sentirem-se reflexivas e até mesmo se identificarem com a situação trazida por aquela jovem, carta que tão expressivamente Sorriso leu a todos nós. Inclusive, a carta já se encontra à disposição em nosso site de estudos, o Sob a ótica Espírita, junto com o referencial da semana passada. Agora, vamos aos comentários de Celso Martins a esta carta e que, se seguidos fossem pelos casais que se separam, muitas crianças seriam mais tranqüilas:

(...) Amigos, eis aí a carta da adolescente, pedindo a atenção da mãe. Em outro trecho deste mesmo livro vocês encontrarão a carta de um filho, endereçada a seu pai, também pedindo atenção para seus problemas, para seus conflitos íntimos. Tudo isso confirma a nossa assertiva: para a educação dos filhos há imperiosa necessidade da presença atuante de ambos os dois cônjuges.

Tanto o pai como a mãe devem servir de modelo na formação da personalidade dos filhos. Como explica bem O Evangelho Segundo o Espiritismo, “o corpo procedo do corpo, mas o Espírito não provém do Espírito, porque preexiste à formação do corpo. Não é o pai quem cria assim o Espírito de seu filho - apenas dá-lhe o invólucro corporal; mas deve ajudar seu desenvolvimento intelectual e moral, a fim de fazê-lo progredir”. Ao que completa O Livro dos Espíritos: “A paternidade chega a ser mesmo uma espécie de delicada missão”. (...)

Senhor puxão de orelhas, que dispensa maiores comentários de minha parte. Temos o outro lado da moeda. Pais que depositam religiosamente a pensão dos filhos, mas sequer sabem em que ano letivo estão. Pais que sequer sabem aonde moram seus filhos. Mães que negam o acesso do pai aos filhos. Enfim, independente de ausentes por pura e total falta de interesse e afinidade ou por motivações das circunstâncias, eis que os problemas se agravam ante estas atitudes egoístas, de ambas as partes.. Celso prossegue:

(...) Pai e mãe não representam tão-somente o esteio econômico da manutenção da prole --- mas também (e principalmente) aquela retaguarda moral, aquele suporte espiritual extremamente necessário ao filho durante a infância e ainda mais na adolescência.

Por detrás de um aluno-problema em nossas escolas de 1 e 2 graus, que cria terríveis casos disciplinares, não raro, está exatamente uma criança carente de afeto familiar... Por detrás de um jovem, às voltas com a Policia e a Justiça, por questões de tóxicos e atos de violência, está, de um modo geral, um lar desfeito, onde reinou a incompreensão, o desrespeito, a discórdia permanente. Tal estado de coisas pode, inclusive, ser responsável pelo adulto desajustado no contexto social, cheio de graves traumas e complexos estranhos, infernizado em seu íntimo e infernizando tantos quantos dele se aproximem. Em uma palavra, sofrimento, revolta, infelicidade geral. (...)

Temos muitos lados nesta moeda também, não gente? Uma combinação infinita de exemplos e situações que não valem nem a pena serem enfatizados. Sabemos em nossa consciência e em nosso conhecimento aonde erramos ou aonde os que estão á nossa volta estão errando. Só não podemos esquecer: existem ‘olhinhos’ de olho nos pais. Existem pequenas criaturas que aguardam nossos exemplos e o cumprimento de nossa palavra.

Não podemos disciplinar e educar o próximo; não podemos exigir que o outro acorde e venha realizar suas responsabilidades, mas podemos fazer isso com nós mesmos. Podemos avaliar nossas posturas, nossas expectativas e participações. Temos muitos exemplos de casais em que ambas as partes tentam indefinidamente mudar o outro, sem se aperceberem que são como são. Por isso uma pessoa sai de um casamento infeliz e entra em outro mais ameno. Cada casal possui necessidades específicas, compromissos e maneiras de agir. Não é que um amou mais ou menos ou que o outro virou santo da noite para o dia.

São sim as adequações à nova situação ou ao novo parceiro. A compreensão disto ajuda muita gente que fica se torturando achando que não nasceu para fazer ninguém feliz ou que não serve para ser esposa ou mãe. O mesmo vale para os homens, que se sentem frustrados em não ter a família como desejam. Ainda, vejamos o que nos diz Celso Martins:

(...) À luz do Espiritismo, todavia, tudo tem a sua profunda razão de ser. Nada acontece por simples acaso; existe uma explicação para tanto infortúnio no seio dos próprios lares. Não se sofre sem uma causa justa e necessária. Tanto quanto não é mera casualidade que une Fulano a Sicrano ou a Beltrano na condição de pai ou de filho; de mãe ou de filha; de marido e mulher, nas naturais e necessárias relações domésticas de nossa vida terrena. Há todo um planejamento prévio, antes do processo encarnatório, como que fixando as diretrizes gerais, as linhas mestras do gênero de vivência que haveremos de ter nos próximos anos imersos na carne. Assim é que, o já citado Evangelho Segundo o Espiritismo, explica que:

“Os Espíritos que encarnam numa mesma família, sobretudo entre parentes próximos, são muitas vezes Espíritos simpáticos, unidos por ligações anteriores, manifestadas por seu afeto durante a vida terrestre; mas pode também acontecer que estes Espíritos sejam completamente estranhos entre si, divididos por antipatias também anteriores e que igualmente se traduzem por seu antagonismo na Terra, para lhes servir de provação.” (...) Celso Martins Livro: Por Um Mundo Melhor - Cap. 9 - Pág. 38

Temos enfatizado sempre os lares desfeitos, mas e aqueles que estão aparentemente de pé, mas numa desconstrução íntima de seus habitantes? Que podemos dizer desses lares que são tão ou mais preocupantes que os lares dos que se separaram, pois vivem uma falsa realidade e transferem aos filhos um quê de mentira e ilusão. Em verdade nem podem ser chamados de lares, mas sim de casas. E, nas vezes em que comentamos esse detalhe, aqui na sala, não foram poucos que se manifestaram na área de texto mostrando as dores e as dificuldades de se viver nesse lar assim, de fachada.

Chegaremos no quesito casais que fazem isso; para o momento, importa percebamos o que repassamos aos nossos filhos. Os traumas que criamos e geramos neles, por conta da instabilidade que temos em nosso ambiente doméstico. Os desequilíbrios que geramos nestas criaturas, ao apresentar-lhes um lar aonde não existem o respeito, a sinceridade e nem o amor. E neste quesito, vale a pena que nos recordemos, sempre, que aquele jovem que esta lá fora brigando, pichando o nosso imóvel, bebendo, falando palavrões, desrespeitando os mais velhos, sendo indiferente com a vida e com as pessoas, comportando-se de forma preguiçosa ou até mesmo teimosa, buscando prazeres precoces e estímulos devastadores nas drogas, não é apenas o jovem que provém de uma família sem poder aquisitivo ou sem estrutura.

Quantas e quantas vezes não nos surpreendemos ante ao noticiário de alguma atrocidade ou perversidade praticada por jovens da classe média ou alta? Gente que tem dinheiro, inteligência, bens, regalias, facilidades, mas não tem algo básico: a moralidade. Temos o péssimo hábito de achar que a criatura que comete erros ou que pode e deve ser ‘assistida’ em nossa Casa Espírita, é apenas aquele pobrezinho que a mãe não cuida e que o pai sumiu de casa.

Abrir o nosso ângulo de visão e prestarmos atenção que, independente de dinheiro ou a falta dele, o jovem é e será sempre um ser em fase de transição, uma criatura divina que, no atual momento, desperta para a nova encarnação rememorando aquilo que vai em seu ser eterno. Esse choque, essa assimilação da nova realidade com os resquícios gravados no espírito, torná-lo-ão numa criatura que precisará de apoio, estímulo, compreensão, direcionamento e amor. Uffa, como faz falta amor nessa fase, não? Aliás, em todas!!

É nestas horas que nos vemos às voltas com jovens que foram orientados, instruídos e amados pelos pais na medida ideal; mas que ainda assim se perderam ante a revolução do que é viver na carne. Inclusive a questão 196.a do Livro dos Espíritos nos mostra justamente isso, embora referindo-se apenas à matéria ou à carne: (...) É o corpo que influi sobre o Espírito, para o melhorar, ou o Espírito que influi sobre este corpo? Teu Espírito é tudo; teu corpo é uma veste que apodrece; eis tudo”(...). Fornecemos tudo ao corpo e nos esquecemos do espírito. Elevamos a matéria e rebaixamos o espírito.

Fato interessante é abordado no livro Os papéis que vivemos na vida de Claude Steiner, onde ele ressalta um trecho dizendo que ‘grande parte do que é ensinado no núcleo familiar tem caráter opressivo e é por isso que comparo o treinamento da primeira infância, que todas as crianças recebem em maior ou menor grau, ao treinamento imposto a todos que ingressam no exército.(...) Na família, exatamente como no treinamento básico do exército, as coisas que precisam ser aprendidas e feitas são difíceis, desagradáveis e arbitrárias. E, tal como no treinamento básico, ensina-se que estas cosias são valiosas e necessárias, tanto para os treinadores como para os que estão em treinamento, para se adquirir ‘maturidade’ e sucesso.(...)”

É uma série de conceitos e ensinamentos que repassamos, priorizando tanta coisa, exceto aquelas que realmente importam. Como a leitura que Sorriso nos trouxe. Tudo é prioritário, importante e necessário e, no entanto, coisas simples e básicas, como o afeto, o convívio suave e a troca, ficam de lado. Lembro-me que nas primeiras partidas de banco imobiliário, com meu filho, eu estava ensinando-o a jogar. Depois ele passou a desenvolver as próprias táticas  de utilizar o dinheiro e fazer a tal da fortuna.

Foi e tem sido, momento único, pois tenho aprendido a respeitá-lo. A observar-lhe e a dar-lhe a oportunidade de errar e vivenciar. E isso, tem sido muito rico. Lembro-me que, em outros tempos, anos atrás quando jogávamos ou fazíamos algo, ele tinha de ser perfeito e nos imitar. Hoje, estou serena e conduzindo as coisas de uma maneira mais pacífica. Antes, nossos momentos de lazer eram momentos de discórdia, hoje, são realmente momentos de lazer.

E como nos damos conta disso? Como buscar nosso jovem para perto de nós? Como nos aproximarmos deles? Menosprezando aquilo que eles gostam? Depreciando suas qualidades e enfatizando seus erros? Que atitudes, concretas podemos tomar para nos reaproximarmos deles?

Retomaremos na próxima semana, a partir destas questões.

Exposto em 16-09-08 por Fiorell@!

 

 

 

Nossas atitudes e os nossos Jovens

"(...) o Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para ele uma tarefa. Se falhar, será culpado (...)" (Livro dos Espíritos 208).

Gostaria de agradecer a todos por estes encontros edificantes e construtivos que temos realizado. Espero que estejam fazendo tanta diferença na vossa vida, quanto está fazendo na minha. E agradeço-lhes por esta oportunidade. E, com certeza, meus filhos também haverão de agradecer!!

Abordar nossos jovens é algo tão abrangente e, ao mesmo tempo, tão apaixonante, que por vezes mantermos um foco ou um referencial único tem sido difícil. E é essa riqueza que tem contribuído para que nos sintamos tão a vontade quanto estamos nos sentindo (falo por vocês, por ver vossos comentários na área de texto) e também para que possamos abrir o leque de possibilidades e abordagens a serem realizadas.

Tempos atrás trabalhamos o tema referência ‘adoção’ na sala Momento Fraterno e foi também tão produtivo quanto vem sendo o tema Família. Em dado momento eles podem se cruzar, principalmente quando pensamos em nossa responsabilidade perante não apenas os nossos jovens, ou seja, filhos, sobrinhos e netos, mas os jovens que estão ao nosso lado, formando a grande família que o Pai nos ofertou.

Foi observando esse contexto abrangente, recordando do tema adoção e observando a grande família que somos, que postei um novo texto no site da Sob a Ótica, em textos. Por favor, quando tiverem um tempinho, dêem uma passadinha por lá. É uma palestra realizada no plano espiritual e reportada por Luiz Sérgio em um de seus livros, que pode ser visualizada clicando-se em  Psicologia Infantil.

Se fecharmos nossos olhos ante ao fato do contexto aonde ela se realiza, ou seja, se a trouxermos para o anfiteatro da escola de nossos filhos ou para o salão de palestras de nossa Casa Espírita, veremos que cada vírgula ali pronunciada está envolvida em sensatez, serenidade, objetividade e, sobretudo, amor. Recomendo a leitura como complemento daquilo que estamos abordando nestas semanas.

Bom, no encontro passado finalizamos com algumas questões que foram meio que despejadas sobre todos vocês. E foi pensando na interação entre aquilo que estamos conversando ao longo destas 4 semanas e aquilo que estamos assimilando que no próximo encontro faremos uma pequena troca de opiniões, direcionando a todos algumas perguntas que foram feitas a alguns expositores espíritas. Tenho certeza que encontraremos as mesmas respostas dadas por eles e juntos.

Até então temos abordado as conseqüências envolvendo os jovens, principalmente em lares defeitos. Hoje queremos trazer algo um pouco mais abrangente, ou seja, que independe de lar desfeito, mas sim da vontade e vulnerabilidade dos envolvidos. Tivemos acesso a um excelente texto de José Argemiro da Silveira, que também se encontra na íntegra em nosso site clicando-se em Jovens Difíceis, de onde subtraí a seguinte passagem:

(...) Os filhos, antes de serem filhos dos pais terrenos, já eram filhos de Deus, cujo Amor Infinito vela por todos nós. A carne procede da carne, mas o Espírito não procede do Espírito. Este vem ao plano físico para evoluir. (...)

Sabem, sei que já falamos sobre isso, mas não nos custa repetir, principalmente àquelas mães e pais que ainda não conseguiram interiorizar essa verdade: os filhos não nos pertencem. É um grade exercício o de deixarmos a posse e o egoísmo de lado, aceitando que estes são Filhos de Deus, aos quais tivemos a grata alegria e incumbência de zelarmos. E só.

Hoje mesmo, fui pingar soro no narizinho de Fiorellinha e ela respondeu: ‘Pronto, mamma?” Eu disse que sim e ela saiu gritando e pulando: “Meu narizi ta melhori, ta melhori”. E quando lembro de que ela, assim como meu mais velho, foram feitos para estar no mundo, junto a pessoas diversas, meu coração sente um apertozinho, mas a minha crença em Deus, me recorda que eu também fui amada e também fui para o mundo.

E assim somos todos nós. Cada qual foi amado da maneira que seus pais poderiam amá-los e conviveram com pessoas boas e más, pois é assim que se aprende, que se evolui, que se cresce. Tê-la embaixo de minha asa só irá superprotegê-la e torná-la frágil e fraca perante a vida. Claro que ela requer cuidados especiais, na atual fase, mas nada como saber que cedo ou tarde ela deverá enfrentar os coleguinhas na escola que a rejeitarão, depois o professor que pegará no pé dela, a amiguinha que terá ciúmes, o namorado que não corresponderá como ela espera e tantas outras pessoas que virão trazer-lhe a dor como experiência de vida. Por outro lado, a exemplo do que ela já encontra aqui, entre vocês, haverão outras tantas para mostrar-lhe coisas bonitas, cristãs e amorosas.

Essa é a vida, gente. Dói, causa uma certa angústia, mas laços bem feitos haverão de nos trazer surpresas maravilhosas. A confiança de que demos a melhor educação, os melhores exemplos e os melhores caminhos que poderíamos dar diante das inúmeras situações vividas, deve ser o alicerce de nossa paz. E se assim não fizemos, sempre haverá o tempo necessário para refazermos nossos passos, como nos conta o José Argemiro em mais esta narrativa de seu excelente texto, Jovens Difíceis:

(...) Ouvimos, numa palestra, a narração do seguinte fato, contado como verídico: Um senhor adentra o consultório de um psiquiatra, invade sua sala de consultas, e muito nervoso diz ao médico: Dr., estou para dar um fim em minha vida, mas resolvi, como último recurso, lhe pedir ajuda. Meu filho, jovem de 18 anos, se rebelou contra mim e a mãe dele; não nos obedece, não estuda e não trabalha, e, o pior, ultimamente se envolveu com drogas. Está vendendo utensílios de nossa casa para adquirir a droga. O que fazer?

O médico, sem se alarmar, indagou-lhe: Há quanto tempo você não conversa com seu filho?

- Há muito tempo, pois ele não dá condições de diálogo, respondeu.

O médico volta a indagar: Qual a última vez que você abraçou seu filho?

- Há muito tempo, pois se nem sequer conversamos.

O médico sugeriu: Vá para sua casa, abrace seu filho, diga-lhe que o ama, e quer ajudá-lo, apesar de tudo. Se você não conseguir abraçar o filho, vai treinando, abraçando árvores. Nós só gostamos de abraçar aqueles que correspondem ao nosso afeto. Como o relacionamento com o seu filho não está bom, ele pode não lhe corresponder ao abraço. Assim, vai treinando, abraçando árvores, que também não correspondem, e quando abraçar seu filho não se desapontará se ele não lhe retribuir.

O consulente achou estranha a orientação, mas resolveu tentar.

Algum tempo depois, encontrou seu filho, em sua casa, na companhia de outro jovem que lhe vendia a droga. Aquele homem, numa crise de desespero, esforçando-se para não tomar uma atitude violenta, foi ao encontro do filho e o abraçou; aproximou-se do companheiro do filho e o abraçou; sua esposa adentra a sala e ele também a abraça, de sorte que sua esposa, seu filho, e o companheiro deste, perceberam que algo importante estava ocorrendo ali. Era um esforço muito grande daquele homem, tentando a solução de um problema que parecia insolúvel. E começaram a chorar, emocionados. A situação criada acabou por sensibilizar o jovem, filho do casal, que, dali por diante, procurou mudar de vida.(...)

Comovente, não gente? E se observarmos bem, veremos tantos ensinamentos contidos nessa pequena passagem, não? Vou enumerar alguns e, com certeza haverei de esquecer outros, mas vejam os que me chamaram a atenção, ou seja, quanto aprendizado podemos tirar de uma situação que nos parece irremediável:

- a pessoa antes de se matar, deu um alerta e mais ainda, buscou auxílio; - o profissional foi cristão e generoso, além de ético e consciente da sua grande responsabilidade ante a situação; - a razão de muitos dos males que envolvem nossos filhos, são fruto de nossas atitudes perante a eles; - quando dizemos que Deus é generoso e misericordioso, poderemos observar isso no exemplo citado pelo psiquiatra aonde o pai de família poderia abraçar uma árvore, irmãzinha menor do reino vegetal, útil não só com sua lenha, folhas, frutos e sombra, mas também a oportunidade de ofertarmos nosso amor incondicional; - o desespero tornando-se algo benéfico quando envolvido pelo amor; - o desprendimento desse homem ao não rejeitar o jovem que trazia a droga para dentro de sua casa; - a reconciliação com a esposa, com quem com certeza também mantinha inúmeros problemas por conta da situação do filho; - como uma vitória alcançada por alguém, em nome do amor, pode nos fazer quedar pensativos em quanto ainda podemos modificar em nossa vida cotidiana.

Finalizo estas colocações de José Argemiro com seu comentário chave neste texto: (...) Herculano Pires tem razão quando acentua que “os pais só poderão ampará-los se tiverem amor suficiente para compreendê-los e ajudá-los, sem exigências”(...). Compreender e ajudar, sem exigências. Êita trem difícil, não? Mas se nos recordarmos de que Nossos Jovens são espíritos tão ou mais velhos que nós mesmos, que são irmãos de jornada, talvez tiremos de nós um pouco da posse e dos sentimentos que toldam atitudes tão desprendidas como a da aceitação incondicional.

Finalizando nossas colocações desta noite, temos dois exemplos trazidos por Heloísa Pires, ninguém menos do que filha de Herculano Pires, onde ela aborda situações envolvendo dois jovens e suas necessidades desde a fase uterina. O texto pode ser acessado clicando-se em As Crianças e o Futuro, também como referencial a quem assim desejar. São histórias reais de indivíduos que estão com dificuldades várias na possibilidade da conquista da paz interior.

Mônica
A menina foi rejeitada pela mãe que já possuía dois filhos e não queria mais nenhum.
A ciência oficial prova que Mônica sentiu no útero a não aceitação de sua mãe e a indiferença do seu pai.
Nasceu muito miúda e chorona. A mãe contratou uma babá e entregou a menina para a estranha. A moça realizava todas as tarefas com propriedade mas sem amor.

O bebê estava sempre impecável, limpo, bem vestido, bem alimentado. Tecnicamente falando a babá era ótima; faltava o principal: AMOR.

Aos cinco anos Mônica era uma menina antipática, melancólica e indiferente para com todos. Foi para a escola e logo criou antipatia em relação à sua pessoa. Não conseguia fazer amigos, não conseguia ficar interessada nos desenhos e brincadeiras que encantavam as outras crianças.

A mãe demonstrava claramente que amava os dois meninos e que não suportava Mônica. O pai agia da mesma forma. Mônica começou a afastar-se da vida. Continuou desinteressada pelas lições e pelos colegas.

Na adolescência continuou isolada e difícil; queria fazer amigos mas não conseguia. Desejava melhorar na escola e parecia impossível. Considerava-se incapaz, desagradável, indesejável; transformou-se em uma mocinha insuportável.

Aos dezoito anos encontrou uma professora bondosa que a orientou para comparecer a uma casa espiritualista. Por sorte encontrou uma casa na qual alguns indivíduos especiais estavam aprendendo a entender Jesus. Perceberam por trás da antipatia de Mônica a necessidade de ser amada. A jovem foi orientada a passar por um tratamento espiritual. Encontrou alguns jovens que a aceitaram embora com reservas. Começou a participar de um grupo e pela primeira vez sentiu-se uma no meio do grupo que a amparava. Iniciou também uma terapia com uma psicóloga e uma mudança começou a ocorrer lentamente.

Mônica melhorou muito mas ainda traz as seqüelas do desamor que enfrentou na infância e juventude. Uma mágoa a afasta da família que não a amou ou compreendeu. Com dificuldade está reconstruindo a auto imagem positiva e a certeza de que todos somos especiais, dignos de amor e respeito. Conseguiu alguns amigos, tem medo de amar e ser rejeitada. Por causa da família Mônica vai enfrentar problemas dispensáveis que teriam sido evitados se os pais, que vieram preparados para a vitória auxiliassem Mônica em suas necessidades básicas: amar e ser amada, ser respeitada para conseguir se expressar no respeito ao próximo. Uma encarnação que se tornou difícil por causa do egoísmo do grupo familiar.

Mônica luta para resolver seus conflitos e inseguranças. Como a vida seria mais fácil se entendêssemos que "é necessário fazer aos outros o que desejamos que os outros nos façam..." Apenas isso: tratar os nossos filhos com o respeito e amor que desejamos para nós...

Murilo
Ainda no útero Murilo começou a sentia a rejeição da mãe. Ela não o aceitava de maneira alguma; egoísta achava que ele viera para atrapalhar; deformara o seu corpo e perturbava o seu sucesso profissional. A revolta criou dificuldades para o feto e os problemas aumentaram: desejava abortar e só não tentou de forma mais eficiente com medo de complicações físicas. Mas inúmeras vezes expulsou Murilo do pensamento. Ordenava a ele que saísse do seu corpo e ele retrucava telepaticamente que não sairia.

Foi uma guerra mental. Sete meses se passaram e o feto não resistiu às agressões e nasceu. Os problemas continuaram. A mãe continuava criança mimada e incapaz de amor e dedicação. Tentou empurrar Murilo para as avós mas elas não aceitaram. O pai fora embora por não suportar o egoísmo e agressões daquela mulher estranha e Murilo ficou só.

O seu desenvolvimento foi realizado em creches nas quais, infelizmente, não conseguia aceitar o amor que lhe era oferecido pois estava muito magoado com o desamor que o deixara doente.

Repetiu vários anos escolares o que mais enfurecia a mãe que não o amava e dizia em alto e bom som que filhos só servem para dar trabalho.

Aos dezenove anos iniciou a sua dependência de drogas, aos dezoito foi internado em uma clínica especializada e começou a desejar sarar. A luta continua com períodos de internação e outros fora do hospital. Agora iniciou também o tratamento espiritual. A mãe continua mergulhada nela. É a nossa Mônica da outra historinha.

Vibramos para que Murilo, que foi, como diz O Livro dos Espíritos, preparado para a vitória, consiga atingi-la; e que Mônica entenda a importância da maternidade. E o pai? Ele vai ser o próprio juiz quando amadurecer mais.

Bom meninos e meninas, agora é com vocês.

Exposto em 23-09-08 por Fiorell@!

 

 

 

Questões acerca de nossos Jovens

"(...) o Espírito dos pais tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para ele uma tarefa. Se falhar, será culpado (...)" (Livro dos Espíritos 208).

Abraçando uma variável em nossos encontros, eis que após abordarmos alguns aspectos daquilo que envolve NOSSOS JOVENS, passamos a trabalhar questões que foram apresentadas em palestras ou a médiuns conhecidos.

Tem sido interessantíssimo perceber a participação, a contribuição e o desenvolvimento de todos os presentes.

A cada semana, brindados com a rotatividade que o PALTALK nos proporciona, eis que novos companheiros adentram à sala e contribuem com suas colocações, vivências e até mesmo dúvidas acerca das questões abordadas.

Abaixo reproduziremos algumas das questões, mas sem sombra de dúvidas: a participação de todos com a interatividade alcançada, tem sido assaz gratificante. É muito bom desfrutar destes momentos com todos.

Questões respondidas pelo médium José Raul Teixeira e por nós debatidas:

Educação para a vida

José Raul Teixeira

A maioria das pessoas acredita que os filhos são inimigos do passado. Não poderiam ser espíritos que nos foram caros em outras vidas ou mesmo que nunca tiveram relação conosco, mas que nos são confiados para o relacionamento e educação?

R - Grande número de indivíduos que participa dos movimentos espíritas, ou não, tem muita dificuldade de entender o processamento das leis divinas no âmbito das nossas vidas. É muito comum essa idéia, no contexto familiar, de que filhos e pais hajam sido inimigos no pretérito, e que, agora, estão juntos para a re-harmonização.

É indiscutível que muitíssimos são os casos de indivíduos que se reencontram com fins de devoluções recíprocas, situações em que se defrontam inimigos antigos ou recentes para os re-acertos. Porém, há um enorme contingente de almas que se acham no mundo terrestre para que se ajustem com as divinas leis, aceitos por esses ou aqueles espíritos na condição de filhos, de pais ou de irmãos, sem que tais vínculos hajam sido de mágoa, de malquerenças, de ódios, obrigatoriamente. Muitos deles vêm de experiências de velhas amizades, de ternuras imensas, de amores sublimes, e vêm para apoiarem-se reciprocamente em momentos difíceis que passarão em conjunto. Outros vários, provêm das rotas das afinidades, sem que tenham que ter convivido fisicamente juntos. Os desencontros que podem advir, mesmo nessas últimas relações, estão atrelados às condições humanas de cada um, às predisposições ao equívoco que cada um leva em si sem que tal corresponda a posicionamentos antigos de inimizades ou outras relações amargas.

Entretanto, vale lembrar que, seja qual for o motivo que une pais e filhos, a tarefa dos pais é uma verdadeira missão, conforme ensinam os Luminares a Allan Kardec, na pergunta 582 de O Livro dos Espíritos.

Quando é que começa o período da adolescência e qual é a sua importância para a formação da personalidade?

R - A questão encontra definições diferentes nos escritos dos diversos estudiosos desse período, que se distribuem em múltiplas escolas psicológicas e sociológicas. Grande número deles, contudo, situa o começo da adolescência entre os 12 e 14 anos.

Em se constituindo num período em que o espírito encarnado, após haver recebido, bem ou mal, os encaminhamentos da infância, se acha em processo de empreendimento, ou seja, está estruturando aquilo que se configurará como sua realidade para largo período da sua encarnação, quando não para toda a encarnação, o que dá gravidade a essa fase. Aquilo que estiver semeando, isso mesmo o jovem colherá mais adiante, pelos caminhos da sua vida. É, assim, de grandíssima importância o período da adolescência, que deverá ser melhor observado por pais e demais educadores, bem como valorizado pelos próprios espíritos que estão vivenciando, por algum tempo, tal período.

Como devem agir os pais perante filhos re