Nossos
Jovens - parte I
"(...) o Espírito dos pais
tem a missão de desenvolver o dos filhos pela educação: isso é para ele
uma tarefa. Se falhar, será culpado (...)" (Livro dos Espíritos 208).
Teus
Filhos
Teus filhos
não são teus filhos
São os filhos
e as filhas da ânsia da vida por si mesma
Vêm através
de ti, mas não de ti E embora vivam contigo, não te pertencem
Podes
outorgar-lhes o teu amor, mas não teus pensamentos
Porque seus
pensamentos moram na mansão do amanhã
Que tu não
podes visitar nem mesmo em sonhos.
Podes
esforçar-te para ser como eles
Mas não
procure fazê-los iguais a ti
Porque a vida
não anda para trás
E nem se
demora com os dias passados
Tu és o arco
no qual teus filhos são arremessados como flechas vivas
Que o teu
encurvamento na mão do arqueiro
seja a tua
alegria.
Kahlil
Gibran
No estudo
passado pudemos começar a vislumbrar um pouco do que seriam nossos estudos
acerca do tema FAMÍLIA. Assunto vasto, que dá margem a uma série de outros
assuntos dignos de serem abordados e referendados, para que tenhamos algumas
ferramentas e algumas direções a seguir. Hoje abordaremos nossos filhos.
Sei que para muita gente, não haveremos de falar nenhuma novidade, haja vista a
situação em que se encontram: filhos criados, netos ou até mesmo bisnetos
visitando seu lar. Mas, creio que, para muitas pessoas, embora saibamos ou
conheçamos determinadas coisas, quando estamos ali, no olho do furacão, por
vezes estas coisas nos fogem e nada como algum lembrete ou mesmos um revisão da
situação do assunto para nos apercebermos e verificarmos o que podemos ou não
modificar e melhorar na situação.
Conhecemos um pouco do que seriam as famílias carnais, espirituais e as mistas.
Famílias carnais, aquela em que nos vemos reunidos apenas para vivenciarmos
determinados resgates ou situações e depois, ao desencarnar, nem sempre
prosseguimos a jornada juntos.
Certas vezes, ao conseguirmos realizar estes resgates de forma edificante,
fraterna e calcada no amor, eis que surgem os laços. As amizades se fazem
presentes e a necessidade de nos apoiarmos e de nos auxiliarmos também. Quer
laço espiritual mais forte do que este? Laço espiritual, mais uma vez dizendo,
não são apenas aquelas situações em que somos eternamente papai, mamãe e
filhinho ou marido e mulher. Laços espirituais são laços de liberdade, de
aprendizado e de crescimento. Não de galinha sustentando os pintinhos embaixo da
asa.
Por vezes, romanceamos demais as coisas e esquecemos de ver com os olhos da
razão. Quando a mãe e os irmãos de Jesus chegaram à casa em que Ele se
encontrava, desejosos de tomar-lhe pois alegavam que estava desprovido de sua
razão, Jesus reconhecido à família espiritual que o rodeava perguntou: “ e quem
é minha mãe e quem são meus irmãos?” Ao contrário do que possa parecer, Jesus
não estava menosprezando-os ou tirando-lhes os créditos, mas estava afirmando
uma das grandes Leis de amor que devemos praticar: todos são nossos irmãos!
Imaginem o impacto que tais palavras não devem ter causado naquela multidão
sedenta de conhecimento, sedenta de amor, de união e da proteção do Mestre,
quando O ouviu pronunciar que todos eram seus irmãos. Muitos, com certeza não
compreenderam; até hoje ainda não compreendem, no entanto, eis que os melhores
momentos de nossa vida são justamente aqueles em que nos dedicamos ao próximo,
em que fazemos a outrem aquilo que desejaríamos fizessem a nós mesmos.
E não será aí que muitas mães e pais começam a incorrer em grande erro, no
tocante à criação de seus filhos? Não será justamente neste momento em que
desejamos dar a nossos filhos tudo e muito mais, que os colocamos à perder?
Pensamos no tudo de forma tão materialista e tão desprovida de amor sublimado,
que oferecemos um amor que desperta a carência, o vazio existencial e a perdição
do ser.
Mas se tanto amamos, aonde erramos? Nossa, podemos errar de maneiras tantas e
sem percebermos. Podemos colocar os pés pelas mãos e não nos darmos conta de que
estamos criando verdadeiros monstros, sem limites e sem noção do certo e do
errado. Vejamos uma elucidação de Herculano Pires, quando fala desta situação.
Compreendamos, primeiramente, o psicológico da situação e como ela é quase uma
herança que trazemos de datas longínquas:
(...) As penitências, os cilícios, o isolamento, as auto-flagelações de toda
espécie tornaram mais negra a Idade Média e ainda hoje se escondem nas furnas da
ignorância religiosa que só serviram para desequilibrar milhões de criaturas que
constituem o triste e pesado legado da Antigüidade para nosso tempo. São Tomaz
de Aquino advertiu: “Mães, vossos filhos são cavalos”, e a educação das crianças
transformou-se em domesticação, processo esmagador da sensibilidade infantil e
das esperanças da adolescência. Gerações recalcadas saíram das estrebarias
escolares em que os mestres domavam crianças e jovens a pancadas e castigos
brutais, para moldá-los segundo os modelos estabelecidos à formação de multidões
padronizadas.(...).
Lembrar dessa passagem em nossa história é tão importante quanto lembrarmos-nos
da escravatura, da inquisição e de tantas outras mazelas castradoras e desumanas
com as quais fomos formando nosso ser. É de suma importância para que
compreendamos que nem tudo é erro e culpa individual de quem quer que seja.
Nas situações que citei acima, fomos incitados a agir e a crer conforme uma
maioria (ou será minoria?) desejava. Mesmo tendo a visita do Mestre Jesus entre
nós; mesmo tendo inúmeros exemplos de desprendimento, de amor e de caridade,
alguns de nós ainda insistimos no erro, na luxúria, na perdição e em tantas
outras formas de volúpia, arrastando consigo não apenas ingênuos crédulos, mas
também espíritos afins.
Quando trazemos isso para a família, eis que vemos o papel da mulher na
sociedade e as suas profundas transformações nestes períodos todos. Se
objetivarmos pelo ângulo do espírito, muito ficou gravado em nosso ser, não
apenas quando desempenhávamos os papéis de mulheres, ou homens, ou submissos, ou
algozes. Essa herança toda se faz refletir em nosso ser e, a passos lentos,
estamos conseguido retirá-las e lapidá-las, transformando-as em fruto produtivo,
regenerado e elevatório.
Não bastasse esse período em que fomos massacrados dentro de nosso lar e em
nosso ambiente de estudo e aprendizado, eis que nos deparamos com outros fatores
a influenciarem nossa jornada. Talvez a gente pense assim: de que me importa
esse mergulho lá no passado distante? A resposta está justamente no fato de que
teremos uma compreensão e uma percepção mais abrangente daquilo que já fomos e
do que somos hoje. Não podemos deixar de lado a grande verdade que, aqueles
estão sendo nosso alvo de julgamento e condenação, pode ter sido qualquer um de
nós......isso, por si só, faz com que nos recordemos de que não devemos
agasalhar o ódio ou a revolta.
Não devemos,
alimentar em nós a repulsa por qualquer criatura que em suas praticas atuais
assim se apresente. Somos uma infinidade de Espíritos, com graus de evolução e
aprendizado diferentes. Todos com as mesmas chances de serem melhores do que
foram, basta assim o desejemos. E, se não desejarmos, Deus com sua infinita
sabedoria haverá de nos proporcionar os mecanismos necessários para que tomemos
essa decisão. Vamos ver mais de Herculano:
(...) A criança é egocêntrica, é um pivô em torno do qual giram as atenções e
as afeições da família. Ela se torna, naturalmente, no centro do mundo. Porque
esse é o meio de consolidação da sua individualidade. Tudo quanto ela atrai e
absorve do ambiente, do exemplo familial, das relações progressivas na escola e
nos brinquedos, é automaticamente centralizado no ego, que é o seu ponto
interior de segurança ante a dispersividade do mundo.(...).
Alguém tem
algum tipo de dúvida ante essa afirmação? Salvo alguns procedimentos isolados,
eis que o ser que chega ao mundo tem todo um aparato de amor e alegria a
acolhê-lo. Tanta é essa alegria, que sempre dizem que num lar aonde chega um
bebê, chega também a fartura. Não é difícil que devam ser nossas disposições e
emanações de amor, renúncia e bondade que atraem essa fartura, na típica lei da
sintonia. Mesmo aqueles que são preteridos e enjeitados pelos pais, em algum
momento são acolhidos e amparados por algum espírito amoroso. Sigamos com
Herculano:
(...) Essa é a primeira função do ego, e essa função não é egoísta, mas
centralizadora por necessidade de estruturação interna. Quando essa estruturação
se define como tal, a criança se abre timidamente para oferecer ao mundo a sua
contribuição inicial de beleza e ternura. É um novo ser que surge no mundo,
vestido com a roupagem da inocência, como diz Kardec, e ao mesmo tempo trazendo
a incógnita de um passado que se revelava pouco a pouco no esquema de um destino
com idéias e hábitos negativos que nos foram impostos à força de milênios de
brutalidade civilizadora.(...)
(...) Vencida a etapa uterina e a primeira infância, o ser se mostra pronto a
enfrentar as vicissitudes de uma nova existência. Recobrou sua vida terrena nas
entranhas da mãe, sob as influências psicofisiológicas do organismo gerador de
seu novo corpo. Revela anomalias ou perfeição física e mental, segundo o seu
passado. É de novo o centro do mundo e traz em si mesmo os fatores de seu
desenvolvimento e amadurecimento. No lar esses fatores se manifestam desde logo,
mas vão sofrer as influências modificadoras da família e da escola, para o seu
ajuste necessário às novas condições de vida. (...)
Eis a deixa para que entremos em cena. O ambiente familiar, os exemplos ali
ofertados, os ensinamentos distribuídos, tudo isso passa a fazer a influência no
ser que desabrocha. Nem tudo são flores e seu ser passa a assimilar não apenas
aquilo que lhe é dito, mas aquilo que vê e sente em seu redor. O mesmo haverá de
proceder na escola, local que deveria ser sua família ampliada, mas que no
entanto, já funciona como uma grande arena aonde as crianças atuais são chamadas
a produzir, competir e superar, através de ensinos muitas vezes camuflados de
construtivismos e validação do ser. No entanto, é um construtivismo socialista e
uma validação do ser material e não do ser integral ou eterno.
Quem desejar se aprofundar mais nesses conceitos e visões acerca da educação,
sugiro busquem em Dora Incontri o material para suas pesquisas. E é dela uma
pequena passagem que trazemos, a título de elucidação:
(...) Dizia
Herculano Pires que a "responsabilidade é uma flor delicada que só nasce no solo
da liberdade". Ninguém aprende a ser responsável apenas obedecendo ordens.
Ninguém aprende a agir moralmente agindo sempre sob coerção. A virtude moral só
pode brotar da livre escolha do indivíduo. Aliás, a própria pedagogia Divina age
assim conosco, ela nos deixa aprender com nossos próprios erros, para
alcançarmos a moralidade no clima da liberdade (...).
Nesta reflexão trazida por Dora Incontri, não podemos nos esquecer de nos
aprofundar nas analogias. Deus nos permite aprender com nossos erros sim, mas
também nos proporcionou Leis Sábias e Justas. Em nosso lar, os rebentos devem
aprender sim com seus próprios erros, mas faz-se mister tenham um direcionamento
ou uma guia a toldar-lhes determinadas atitudes e instintos, do contrário, não
seria necessário termos uma família ou alguém responsável por nós, Seríamos
animais soltos ao bel prazer do crescer, evoluir e multiplicar-se. E vejam como
Herculano nos mostra isso:
(...) O instinto de imitação lhe favorece a adaptação ao novo mundo. O ego
centralizado volta a abrir-se nessas relações primárias, através do
desenvolvimento da afetividade em termos eletivos. Suas preferências são ainda
impulsivas, provocadas por fatores ambientais e circunstanciais, mas pouco a
pouco se define a linha preferencial da razão em desenvolvimento, revelando as
afinidades ocultas. O ser toma pé na realidade e manifesta as suas tendências
vocacionais. É o momento de reintegração nos esquemas frustrados do passado ou
de renovação do esquema em face das novas exigências da realidade nova.(...)
Principiam para as crianças e para nós, pais ou responsáveis, os grandes
momentos de conflitos, discussões, desentendimentos e desavenças. Nem tudo será
redondo ou suave. Aliás, estimuladas por tudo o que as envolvem nos dias
modernos, as crianças parece que entram neste período numa fase extremamente
precoce, por volta dos 8 ou 9 anos.
(...) A crise da adolescência vai revelar em breve a posição ôntica precisa
ou indecisa do novo ser, herdeiro de si mesmo e das contribuições paternas e
maternas, familiais e sociais, excitadas pelo meio cultural e reorientadas pela
influência espiritual das entidades espirituais que protegem e o assistem
constantemente. Está completa a tarefa da ressurreição na carne. Daí por diante,
o novo destino do ser na transcendência dependerá de sua própria consciência.
Ele está preparado e aparelhado para enfrentar os problemas da juventude e suas
graves opções, da madureza e seus desafios, da velhice e sua recapitulação de
toda a odisséia existencial que deve tê-lo elevado acima do passado no processo
irreversível da transcendência. O egoísmo do adulto será a marca de um distúrbio
psíquico: o infantilismo. O altruísmo será o troféu conquistado da sua vitória
na escalada evolutiva (...)(Herculano Pires em Família).
O conceito de ôntica é o de algo relativo ao ser ou ao ente. Eis que surge a tão
temida crise da adolescência, como dizíamos anteriormente. Não apenas crises
marcarão esta fase, haja vista as inúmeras circunstâncias e bagagens que esse
espírito trouxer consigo. O meio fará grande influência em seu ser, mas, ainda
uma vez repito, sua bagagem espiritual será predominante. Temos a questão 203 do
Livro dos Espíritos que, de certa maneira, nos mostra que os pais podem dar
exemplos de sua moralidade, inteligência e conhecimento, mas não de sua alma;
esta é indivisível. E mais, na questão 207 temos a afirmação de que os pais não
transmitem semelhança moral, apenas a consang6uineidade. Disso, decorrem as
diferenças gritantes em famílias cujos filhos foram criados da mesma maneira e
nas mesmas condições.
Mas também faz crescer em nós a dúvida de como podem haver semelhanças tão
grandes, ao que a espiritualidade nos responde de forma simples e clara:
(...)São espíritos simpáticos, atraídos pela afinidade de suas inclinações.(...)
E isso não está longe de ser. Vemos, por exemplo, famílias desfeitas em que o
pai nada tem de convívio ou influência com os filhos, mas estes tomam caminhos
semelhantes ao do pai. Por pura admiração? Não!! São espíritos compromissados
entre si, que já viveram e existiram em situações semelhantes no passado e que
trazem ao hoje estas marcas. Se não apenas compromissados, afins também.
Então, que não se revoltem ou fiquem indignadas as mães que, sozinhas, educam e
labutam por seus filhos que, ao crescerem, parecem uma cópia de um pai ausente.
São resquícios de encarnações passadas, em que o espírito deixa aflorar suas
verdadeiras tendências. Mas também não se ausentem de seus deveres ou obrigações
perante a estes seres! De uma maneira ou de outra, ambos estão compromissados
com estes seres que lhes chegaram como filhos. A maneira que cada um haverá de
levar avante suas responsabilidades e seus comprometimentos, caberá a cada um,
única e exclusivamente.
Aqui nos deparamos com uma situação muito comum nas famílias desfeitas. E que
precisamos aprender a compreender e respeitar, para que não erremos achando que
estamos acertando. Mães que querem que os pais estejam mais presentes na criação
dos filhos que já não lhes partilham mais o lar. Mães que se vêem
sobrecarregadas ante a tarefa de educar, sustentar e acolher. Mães que, em
muitos momentos, se vêem tão perdidas e desesperadas, que sequer conseguem
atinar com o que estão passando a seus filhos. A ajuda psicológica se faz
importantíssima nesse momento. Vejamos esta passagem de José Francisco Costa
(veja o texto na íntegra em Textos complementares):
(...) Há,
ainda, a situação das crianças filhas de pais separados, que empurram um para o
outro a responsabilidade da educação dos filhos, e que por razões diversas nem
sempre conseguem atender convenientemente as carências das crianças, e ainda
colaboram para esse comportamento rebelde, pois se tratam em muitos casos de
forma desrespeitosa na frente dos próprios filhos, com brigas infindáveis,
ódios, disputas judiciais, desejo de vingança, atitudes tais que nada de
positivo acrescentam na formação de um comportamento educado, como deveria ser
(...).
Quando não é a
mulher infernizando o marido, querendo-lhe mais e mais coisas materiais, temos o
homem infernizando a vida da mulher, tolhendo-lhe a oportunidade de ser feliz,
de encontrar novo parceiro e de constituir novo lar. Os desvarios e desajustes
ocorrem de ambos os lados e, via de regra, a parte que se sente lesada é a que
costuma dar mais trabalho . E as crianças? Vejamos o que mais nos diz José
Francisco:
(...) Por
conta dessa atitude irresponsável, a televisão assumiu na atualidade o papel de
companheira e educadora de muitas de nossas crianças e jovens, que passam mais
tempo assistindo a programas sem nenhum conteúdo moral e quase sempre recheados
de pornografia e violências, do que em sala de aula ou com atividades úteis à
formação de seu caráter como membro ativo da nossa sociedade.
Considerando
essa variedade de fatores, que até certo ponto explicam os problemas
apresentados por nossas crianças e jovens, não podemos esquecer também que eles
são Espíritos reencarnados, trazendo tendências e aptidões desenvolvidas em
vidas passadas e que os mesmos possuem afetos e desafetos no mundo espiritual,
influenciando-lhes direta ou indiretamente o comportamento e como em regra geral
somos devedores da Lei maior, essa influência é na maioria das vezes
prejudicial, perniciosa, negativa.
Foi por essa
razão que Deus, a Inteligência Suprema, entregou-nos esses espíritos em forma de
criancinhas indefesas, prontas para que pudéssemos amoldá-las sob nossos
cuidados desde cedo, para que cresçam e se desenvolvam de forma equilibrada, não
somente no aspecto físico do pequenino ser, mais e principalmente no aspecto
moral, espiritual, que é na verdade do que mais carece, motivo pelo qual aqui
está de volta(...).
Por este trecho
podemos ver que a situação não é tão fácil ou simples como possa parecer, não?
Aliás, gostaria de lembrar-lhes que, no mesmo estilo em que abordamos Sexo na
Internet, esse tema está sendo abordado pelo ângulo das dificuldades e desafios
que encontramos em nosso dia-a-dia. Claro e óbvio que isso não é via de regra,
mas suscetível de ocorrer.
E conforme José
Francisco bem nos lembra, além de todos os problemas decorrentes do meio, da
família, e do indivíduo, eis que temos também o plano espiritual a nos rondar.
Lembrando que Deus é Pai e não padrasto como adoram dizer, e Ele nos facultou
justamente a grande ferramenta do esquecimento e do retorno à vida corpórea em
uma condição de fragilidade, para que fôssemos devidamente acolhidos e
amparados.
E quanto às
influências espirituais não devemos creditar a ela toda a responsabilidade do
que nos ocorre ou à nossa família, assim como não devemos creditar ao marido ou
à esposa os infortúnios que nos sucedem em termos familiares. Precisamos sim
usar um pouco menos de óculos escuros e olhar as coisas com maior clareza.
Pessoas
inconformadas, ranzinzas, que vivem apontando falhas e defeitos no próximo, que
se preocupam excessivamente consigo mesmas e com as aparências, querem o quê da
vida e da família? Terão um caos doméstico, um caos matrimonial e um caos
existencial. Urge olhemos para nós mesmos, como quem se olha desnudamente e, sem
pudores, percebermos aonde erramos, aonde temos nossas falhas e aonde
acrescentamos algo de prejudicial á situação.
Cabe-nos não
nos deixarmos levar pela auto-culpa ou pela sensação de fracasso, mas sim
trilharmos e buscarmos os caminhos para o refazimento, para o aproveitamento
benéfico da situação e da experiência.
E, enquanto é
tempo, refletirmos sobre aquilo que estamos fazendo. A hora é agora. Estaremos
negligenciando nossos deveres e responsabilidades? Estaremos fazendo isso sem
nos percebermos? Que reflexos terão essas situações sobre nossos filho, além de
em nós mesmos?