Sob a Otica Espirita Sob a Ótica Espírita   

Doar sangue, fazer o cadastramento para doação de medula Óssea e destinar os órgãos ao próximo, após nossa morte, são gestos de caridade. Confira mais informações em nosso Site Doar de Si nos links abaixo.

 

"As aflições na terra são os remédios da alma;

elas salvam para o futuro, como uma operação cirúrgica dolorosa salva a vida

de um doente e lhe devolve a saúde.

É por isso que o Cristo disse: "Bem-aventurados os aflitos, pois eles serão consolados."   "

(Allan Kardec)

 

 

Passe e Água Fluidificada

 

 

 

O Passe
 

A técnica do passe magnético, nas sessões de desobsessão, merece algumas observações específicas.

Tão difundida está hoje, pelo menos no Brasil, a ideia do passe, que até os dicionários comuns contêm definições aceitáveis dele, como, por exemplo, o de Caldas Aulete e o da Academia Brasileira de Letras, organizado pelo Professor Antenor Nascentes, que dizem basicamente a mesma coisa:

— Passes, pl. passagens que se fazem com as mãos por diante dos olhos de pessoa que se pretende magnetizar, ou sobre a parte doente da pessoa que se pretende curar por força mediúnica.

É certo que a definição não cobriu todo o campo de ação do passe, mas, que mais se poderia exigir de um dicionário não especializado em fenomenologia espírita?

André Luiz, informando sobre o passe, do ponto de vista da medicina humana, declara, em “Evolução em Dois Mundos”, capítulo 15:

— “Pelo passe magnético, no entanto, notadamente aquele que se baseia no divino manancial da prece, a vontade fortalecida no bem pode soerguer a vontade enfraquecida de outrem, para que essa vontade, novamente ajustada à confiança magnetize naturalmente os milhões de agentes microscópicos a seu serviço, a fim de que o Estado Orgânico, nessa ou naquela contingência, se recomponha para o equilíbrio indispensável.”

Pouco antes, dissera ele que:

“Toda queda moral, nos seres responsáveis, opera certa lesão no hemisfério psicossomático, ou perispíríto, a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático ou veículo carnal, provocando determinada causa de sofrimento.”

Retomando o tema, em “Mecanismos da Mediunidade”, observa ainda, esse mesmo autor espiritual, que o passe “é sempre valioso no tratamento devido aos enfermos de toda classe, desde as crianças tenras aos pacientes em posição provecta na experiência física, reconhecendo-se no entanto, ser menos rico de resultados imediatos nos doentes adultos que se mostrem jungidos à inconsciência temporária, por desajustes complicados do cérebro. Esclarecemos, porém, que, em toda situação e em qualquer tempo, cabe ao médium passista buscar na prece o fio de ligação com os planos mais elevados da vida, porquanto, através da oração, contará com a presença sutil dos instrutores que atendem aos misteres da Providência Divina, a lhe utilizarem os recursos para a extensão incessante do Eterno Bem”.

Observamos que os textos aqui reproduzidos referem-se especificamente ao passe curador, aplicado em seres encarnados. Como sabemos, porém, o passe é utilizado também para magnetizar, provocando, nesse caso, o desdobramento do perispírito, e até o acesso à memória integral e consequente conhecimento de vidas anteriores, segundo experiências de Albert de Rochas, reiteradas posteriormente por vários pesquisadores.

A literatura sobre o passe magnético é vasta, mesmo fora do âmbito estritamente doutrinário do Espiritismo, de vez que o magnetismo foi amplamente cultivado na Europa, no século passado, principalmente na França.

Poucos estudos existem, ao que sabemos, sobre o passe aplicado aos seres desencarnados, não apenas para fins curativos de disfunções perispirituais, como para provocar a regressão de memória. Parece, no entanto, lógico inferir que o mecanismo é idêntico ao passe aplicado em seres encarnados. Os ensinamentos de André Luiz permitem-nos concluir assim, quando informam que o passe magnético, apoiado na prece, constitui poderoso fator de reajustamento para os desencarnados cujos perispíritos se acham lesados em decorrência de quedas morais.

O perispírito, como veículo da sensibilidade e intermediário entre o Espírito e o ambiente em que vive, está presente, tanto no encarnado como no desencarnado. Sua estrutura, embora mais sutil noutro campo vibratório, é similar à do corpo físico, pois é ele o modelador da nossa organização material. Dessa forma, o Espírito desencarnado, incorporado ao médium, torna-se facilmente acessível ao passe magnético e, portanto, aberto aos benefícios que o passe proporciona.

Na prática da desobsessão, tenho tido oportunidade de observar as possibilidades e recursos do passe sobre companheiros desencarnados e creio poder contribuir com algumas observações, ainda que preliminares, mas bastante encorajadoras.

Sem dúvida alguma, o passe é recurso válido nos labores mediúnicos, mas deve ser empregado com certas cautelas e com moderação. Nesse campo, definições precisas e definitivas não existem ainda, pelo simples fato de que o ser humano, além de ser uma organização consciente extremamente complexa, é imprevisível. O passe, como todos os demais recursos com que procuramos socorrer os nossos irmãos desencarnados em crise, precisa ser ministrado no momento certo, com a técnica adequada e na extensão necessária. Mas, qual o momento, qual a técnica e qual a extensão, para cada caso? Não podemos ainda — e creio que não poderemos fazê-lo tão cedo — escrever normas rígidas para a tecnologia do passe sobre os desencarnados.

No entanto, os amigos espirituais que tão generosamente se colocaram ao nosso lado, para orientar e apoiar o nosso trabalho de doutrinação, têm-nos trazido sempre o estímulo dos seus ensinamentos, e creio que algumas observações já estão mais amadurecidas e em condições de mais aprofundados estudos e desenvolvimento. Nunca é demais lembrar que, neste campo de trabalho, o conhecimento real emerge da experimentação, de um ou outro engano, de falhas e de êxitos, mas que, em hipótese alguma, deveremos enveredar imprudentemente pelas trilhas da fantasia, desligados dos conceitos fundamentais da Doutrina Espírita, tal como codificada por Kardec e suplementada pelos seus continuadores. A teorização somente é válida quando escorada na experiência, mas não devemos esquecer que a recíproca também é legítima, ou seja, a experimentação deve balizar-se dentro daqueles conceitos fundamentais que a Doutrina e a lógica já confirmaram. Não sei se me faço entender. Talvez um exemplo ajude a esclarecer o que tenho em mente ao escrever isto.

As faculdades psíquicas, como sabemos, são, em si mesmas, neutras. Tanto podem ser empregadas nas tarefas do bem, como nas outras. Podem também ser desenvolvidas e treinadas por métodos limpos, altamente éticos, com seriedade e respeito, ou por meio de processos aviltantes, hediondos e totalmente desprovidos de qualquer compromisso com a moral. Os rituais da magia negra também revelam e desenvolvem faculdades psíquicas, mas por processos abjetos que, em virtude de permanecerem em segredo, pouca gente tem noção do nível de degradação a que podem levar. É fácil imaginar que tipo de mediunidade e que pactos sinistros emergirão desses métodos sinistros, e que tenebrosos compromissos acarretarão para o Espírito.

Em contraposição a tais processos, a identificação da mediunidade em potencial e o seu desenvolvimento, em termos de Doutrina Espírita, devem resultar de cuidadoso planejamento, estudo metódico e prática bem orientada, mesmo porque, qualquer trabalho mal orientado, nesta fase, pode criar vícios de difícil erradicação posterior.

Creio que princípios gerais semelhantes a esses aplicam-se também ao estudo do passe, nas sessões de desobsessão. Ele é realmente o recurso válido e potente, no trato dos nossos irmãos desencarnados; sua técnica, não obstante, precisa ser desenvolvida com muita prudência e seriedade.

A primeira norma que poderíamos lembrar é a de que não deve ser aplicado a qualquer momento, indiscriminadamente, e por qualquer motivo. O passe provoca reações variadas no ser humano, encarnado ou desencarnado. Ele pode serenar ou excitar, condensar ou dispersar fluídos, causar bem-estar ou incômodo, curar ou trazer mais dor, provocar crises psíquicas e orgânicas, ou fazê-las cessar, subjugar ou liberar, transmitir vibrações de amor ou de ódio, enfim, construir ou destruir.

Precisamos estar sempre protegidos pela prece e pelas boas intenções, sempre que nos levantamos para dar passes num irmão desencarnado incorporado. Mas, para que dar passes?

Em vários casos ele pode ser aplicado, mas é preciso usá-lo com moderação, para que, ao tentarmos acalmar um Espírito agitado, não o levemos a um estado de sonolência que dificulte a comunicação com ele, justamente do que mais precisamos. Se temos necessidade de dialogar, para ajudá-lo, como vamos entorpecê-lo a ponto de levá-lo ao sono magnético? Às vezes, no entanto, isso é necessário. Já debatemos por algum tempo o seu problema; o que, tinha que ser dito, pelo menos por enquanto, foi dito, e ele continua agitado. Neste caso, o passe pode ajudá-lo a serenar-se. De outras vezes, é necessário mesmo adormecê-lo, a fim de que, ao ser retirado pelos mentores, seja recolhido a instituições de repouso, para tratamento mais adequado, ou trazido na sessão seguinte, em melhores condições de acesso.

O passe ajuda também a desintegrar certos apetrechos que costumam trazer, como “capacetes”, “couraças”, “objetos” imantados, armas, símbolos, vestimentas especiais. Para isto serão passes de dispersão.

Com o passe, podemos mais facilmente alcançar-lhes o centro da emoção, transmitindo-lhes diretamente ao coração as vibrações do nosso afeto, que parecem escorrer como uma descarga elétrica, ao longo dos braços.

O  passe cura dores que julgam totalmente “físicas”, pois localizam-se muito realisticamente em pontos específicos de seus perispíritos. Com passes — e neste caso precisamos também de um médium que tenha condições de exteriorizar ectoplasma — poderemos reconstituir-lhes lesões mais sérias ou deformações perispirituais.

Com o passe os adormecemos, para provocar fenômenos de regressão de memória ou projeções mentais, com as quais os mentores do grupo compõem os “quadros fluídicos”, tão necessários, às vezes, ao despertamento de Espírito em estado de alienação.

Com o passe podemos também ajudá-los a livrar-se da indução hipnótica alheia, ou da própria, isto é, da auto-hipnose.

De todos esses aspectos temos tido experiências altamente instrutivas e algumas de intensa dramaticidade. Já relatei algumas ao longo destas páginas. Veremos outros exemplos.

São mais frequentes as oportunidades em que é preciso adormecer o Espírito, especialmente ao fim da conversa, de modo a serem conduzidos pelos trabalhadores desencarnados.

É também comum o trabalho de “desfazer” vestimentas especiais, dentro das quais se julgam protegidos de nossos fluídos. Certo Espírito, além de capacete e couraça, ligava-se por um fio, segundo nos explicou, ao seu grupo. Cinquenta companheiros seus haviam ficado reunidos, em rigorosa concentração, para sustentá-lo na sua “perigosa” missão junto a nós. O passe pode “desfazer” os fios que ligam Espíritos aos seus redutos. Desta vez, porém, as ligações foram mantidas e, no devido tempo, os mentores do grupo utilizaram-se daqueles condutos para levar ao grupo deles uma vigorosíssima carga fluídica, que os desarvorou completamente.

Numa dessas ocasiões, o fio também foi preservado, para que, através dele, se “retransmitisse”, aos comparsas do Espírito manifestado, as palavras que ele ouvia do doutrinador.

Com mais frequência do que seria de supor-se, somos instruídos a provocar a desintegração de objetos e apetrechos, como no caso daquele que nos trouxe, para fins muito bem definidos, um invisível prato de sangue, que depositou sobre a mesa.

São também constantes os fenômenos de regressão de memória, quase sempre reportando-se a vidas anteriores, nas quais se escondem núcleos de problemas afetivos, o passe ajuda os Espíritos, a despeito deles mesmos, nesses mergulhos providenciais no passado, mas nem sempre necessariamente em vidas anteriores. Lembro-me, a propósito, de um doloroso e comovente caso. O Espírito era agressivo, violento e de dificílima abordagem. Seu problema central é a mãe. Tem-lhe ódio mortal. Ao que parece, destacou-se na vida, mas nunca pôde esquecer-se de suas origens e perdoar a progenitora por ter sido uma pobre e infeliz peixeira do cais. Quando vê diante de si o Espírito de sua mãe, de braços estendidos, grita-lhe impropérios terríveis, manda-a de volta ao cais, ameaça bater-lhe e humilha-a de todas as maneiras. Creio que ele não conheceu o pai e, segundo diz, sofreu humilhações na escola, por causa de sua vida miserável, numa época de preconceitos muito severos. Ajudados por nossos passes, os amigos espirituais fazem com ele uma regressão de memória, até à infância, quando, muito pequeno, ainda aceitava a mãe, porque dependia dela e a consciência do seu drama interior estava adormecida. Ele se tornou sonolento e, com voz mansa, começou a chamar pela mãe, até que adormeceu sobre a mesa e foi retirado.

Na semana seguinte, voltou novamente com todo o ímpeto, agora agravado pelos “ardis” que utilizamos contra ele, na sessão anterior. Ainda muito difícil, está pelo menos em condições de ouvir melhor o que lhe digo. Começo a pedir-lhe que procure compreender a mãe. Ele sabe que o espírito é imortal e que vivemos muitas vidas. Por que razão teria ele, por exemplo, escolhido aquela mãe, e não outra? É porque já estava ligado a ela anteriormente. Ademais, sabia ele das obsessões de que ela fora vítima? Foi isto, precisamente, que rompeu o dique das suas emoções represadas: ele próprio fora seu obsessor, enquanto ela se encontrava na carne e ele permanecia no mundo espiritual. A sua reencarnação através dela foi um recurso da lei divina do reajuste, necessário a ambos. Num “flash” doloroso, ele compreendeu todo o seu drama terrível e entrou numa tremenda crise de remorso.

Ao cabo de uma longa conversa — e agora é o momento em que o doutrinador precisa de maior sensibilidade ainda — ele é novamente adormecido e levado.

Em suma: o passe tem importante lugar no trabalho mediúnico, mas precisa ser utilizado com prudência e sob cuidadosa orientação dos trabalhadores desencarnados. Não deve ser empregado para atordoar o manifestante, exatamente quando precisamos de sua lucidez para argumentar com ele sobre o seu problema; mas, às vezes, precisa ser aplicado exatamente para serená-lo e prepará-lo para outra ocasião, em que se apresentará mais receptivo. Tenho perfeita consciência das dificuldades que o problema oferece e do embaraço em que me encontro para ser mais específico na formulação de observações concretas e de normas de ação mais definidas. Em assuntos dessa natureza, é melhor confessar a escassez de conhecimentos do que arriscar-se a ditar regras que não estão nitidamente definidas pela experiência. Se posso sugerir alguma coisa, é que exercitem com parcimônia o recurso do passe em Espíritos desencarnados e observem atentamente seus efeitos e possibilidades. Um dia saberemos mais acerca desse precioso instrumento de trabalho, no campo mediúnico.

Hermínio C. Miranda

Livro: Diálogo com as Sombras

 

 Na Hora do Passe
 

Estudemos a questão dos passes.

Podemos dizer que o tratamento mediante passes pode ser feito diretamente, com o enfermo presente aos trabalhos, ou através de irradiações magnéticas, com o enfermo a distância.

No passe direto, depois de orar silenciosamente, o médium é inteiramente envolvido pelos fluidos curadores hauridos no Plano Superior e que se canalizam para o organismo do doente; no passe a distância, que é uma modalidade de irradiação, o médium, sintonizando-se com o necessitado, a distância, para ele canaliza igualmente fluidos salutares e benéficos.

Nas chamadas «sessões de irradiação», os doentes são beneficiados a distância, não somente em virtude dos fluidos dirigidos conscientemente pelos encarnados, como pelas energias extraídas dos presentes, pelos cooperadores espirituais, e conduzidas ao local onde se encontra o irmão enfermo.

Há criaturas que oferecem extraordinária receptividade aos fluidos magnéticos. São aquelas que possuem fé robusta e sincera, recolhimento e respeito ante o trabalho que, a seu e a favor de outrem, se realiza.

Na criatura de fé, no momento em que recebe o passe, a sua mente e o seu coração funcionam à maneira de poderoso Imã, atraindo e aglutinando as forças curativas.

Já com o descrente, o irônico e o duro de coração o fenômeno é naturalmente oposto.

Repele ele os jorros de fluidos que o médium canaliza para o seu organismo.

É aconselhável, a nosso ver, ore o indivíduo, em silêncio, enquanto recebe o passe, a fim de que a sua organização psicofísica incorpore e assimile, integralmente, as energias projetadas pelo passista.

Tal atitude criará, indubitavelmente, franca receptividade ante o socorro magnético.

Para mais completa elucidação do assunto, vamos transcrever alguns trechos do capítulo «Serviço de passes», relativos a estas considerações:

«Alinhando apontamentos, começamos a reparar que alguns enfermos não alcançavam a mais leve melhoria.

As irradiações magnéticas não lhes penetravam o veículo orgânico.

Registrando o fenômeno, a pergunta de Hilário não se fez esperar:

— Porquê?

— Falta-lhes o estado de confiança — esclareceu o orientador.

— Será, então, indispensável a fé para que registrem o socorro de que necessitam?

— Ah! sim. Em fotografia precisamos da chapa impressionável para deter a imagem, tanto quanto em eletricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz. No terreno das vantagens espirituais, é imprescindível que o candidato apresente uma certa tensão favorável».

E, mais adiante:

“Sem recolhimento e respeito na receptividade, não conseguimos fixar os recursos imponderáveis que funcionam em nosso favor, porque o escárnio e a dureza de coração podem ser comparados a ESPESSAS CAMADAS DE GELO sobre o templo da alma.

       Referindo-nos ao passe a distância, comum nas sessões de irradiação», ouçamos novos esclarecimentos:

            — E pode, acaso, ser dispensado a distância?

—  Sim, desde que haja sintonia entre aquele que o administra e aquele que o recebe.

Nesse caso, diversos companheiros espirituais se ajustam no trabalho do auxílio, favorecendo a realização, e a prece silenciosa, será o melhor veículo da força curadora.»

Sintetizando os nossos apontamentos, temos, então, dois tipos de passes:

a)  — Passes diretos (enfermo presente);

b)  — Passes a distância (enfermo ausente).

E no tocante à receptividade ou refratariedade das pessoas, no momento do passe, temos:

a) Fé, mais recolhimento, mais respeito, somam RECEPTIVIDADE;

b) Ironia, mais descrença, mais dureza de coração, somam REFRATARIEDADE.

Martins Peralva

Livro: Estudando a Mediunidade

 

 A Importância da Fluidoterapia
 

       “Nos casos de obsessão grave, o obsedado fica como que envolto e impregnado de um fluído pernicioso, que neutraliza a ação dos fluídos salutares e os repele. É daquele fluído que importa desembaraçá-lo. Ora, um fluído mau não pode ser eliminado por outro igualmente mau. Por meio de ação idêntica à do médium curador, nos casos de enfermidade, preciso se faz expelir um fluído mau com o auxilio de um fluído melhor.”

        (A Gênese, Allan Kardec, capítulo 14º, item 46.)

 

A fluidoterapia, como o próprio nome indica, é o tratamento feito com fluídos, ou seja, através dos passes e da água fluidificada.

O passe é um ato de amor na sua expressão mais sublimada. É uma doação ao paciente daquilo que o médium tem de melhor, enriquecido com os fluídos que o seu guia espiritual traz, e ambos — médium e Benfeitor espiritual — formando uma única vontade e expressando o mesmo sentimento de amor.

O passe, por isso, traz benefício imediato, o doente, sentindo-se aliviado, mesmo por alguns momentos, terá condições de lutar por sua vez na parte que lhe compete no tratamento.

A constância da aplicação da fluidoterapia, aos poucos, propiciará ao enfermo as energias de que carece e o alivio que tanto busca.

Para que se realize a conjugação dos fluídos do plano espiritual com os do médium, ressaltamos não ser necessário que este receba o Espírito que vem cooperar. A associação de energias se verifica sem que isto seja preciso, à simples aproximação de um Amigo do plano extrafísico, que atende assim ao apelo do médium passista feito através da prece e estando este receptivo e preparado para a doação fluídica.

O passe é essencial e importante na terapêutica desobsessiva. E acontece, não raro, ter a aplicação de um único passe êxito surpreendente, mesmo para os que estão afeitos a esse trabalho.

O sucesso representa a soma de muitos fatores, inclusive (é bom não nos esquecermos) o mérito do enfermo, razão pela qual o médium jamais deve envaidecer-se com isto. Mesmo porque, caso haja vaidade, a produção e o rendimento do médium passista sofrem uma queda subitânea.

Na terapêutica desobsessiva a fluidoterapia, aliada aos outros recursos que a Doutrina Espírita oferece, proporciona, pois, salutares efeitos.

Nós, espíritas, teremos muito a contar sobre a excelência desses recursos. Muitos casos poderíamos narrar a respeito. Um deles, todavia, caracteriza bem o resultado do passe aliado à reunião de desobsessão.

M.... jovem de 17 anos, subitamente passou a sofrer de insônias e grande agitação. Nos momentos em que era acometida dessa aflição indefinível, sentia também um odor insuportável que não conseguia explicar e só por ela percebido. O cheiro era muito forte e não havia recurso algum que o dissipasse. Entretanto, cessado o estado de angústia, também aquele desaparecia como por encanto, para retornar mais tarde, nos mais diferentes momentos.

Um amigo espírita levou a jovem ao Centro Espírita Ivon Costa para receber o passe. Esse foi ministrado antes da reunião de desobsessão, e, após recebê-lo, a paciente regressou ao lar, dizendo-se aliviada. Durante a reunião manifestou-se uma entidade muito sofredora, que padecia os horrores de sentir-se imantada ao próprio cadáver em decomposição. Sentia-se simultaneamente dentro e fora do caixão. Recebendo o amparo do Alto, o Espírito foi desligado e levado para tratamento.

     Conforme fomos cientificados pelo Mentor da reunião, essa entidade aproximara-se de M... com quem se afinizara, mas não tinha consciência disso e do mal que praticava. A jovem, a partir daquela noite, nunca mais sentiu coisa alguma. Recebeu orientações, prosseguiu com a terapêutica do passe por mais umas semanas, sentindo-se plenamente equilibrada.    

Suely Caldas Shuberth

Livro: Obsessão e Desobsessão

 

 A Terapia do Passe
 

Transfusão de energias, o passe magnético é um recurso milenar, usado desde as culturas mais remotas, com resultados surpreendentes, em favor da saúde humana.Foi largamente empregado por Jesus. Dotado de potencial incomparável, o Mestre curava insidiosos males do corpo e da alma. Multidões o buscavam, atraídas muito mais pelos prodígios que operava sem que se atentasse à excelência de seus princípios.

 

Algo semelhante ocorre na atualidade com o Espiritismo. As pessoas comparecem ao Centro Espírita como quem vai a um hospital, em busca de cura para males variados.

 

Expositores costumam evocar velho adágio, que até parece versículo evangélico:

Quem não vem pelo amor, vem pela dor.

 

Raros procuram a Doutrina movidos pelo amor ao conhecimento.

A dor é bem o Sino de Deus a nos convocar para o exercício de religiosidade. Quando plange, insistente, a alma se põe genuflexa, com disposição até para enfrentar os preconceitos ditados pela ignorância, em busca de cura para seus males.

 

E situa-se o Centro Espírita como hospital, num primeiro momento, escola depois; por último, abençoada oficina de trabalho para aqueles que perseveram na frequência, acordados para os objetivos do mergulho na carne, definidos na questão 132, de O Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta qual o objetivo da encarnação dos Espíritos.

 

Responde o mentor espiritual: Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. Para uns, é expiação; para outros, missão. Mas, para alcançarem essa perfeição, têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal: nisso é que está a expiação. Visa ainda outro fim a encarnação:o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação. Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.

 

O mentor espiritual que assistia Kardec enfatiza as maravilhosas oportunidades de progresso e de participação na obra da Criação, que Deus nos oferece na experiência humana, utilizando essa máquina incomparável que é o corpo humano.

 

Por mau uso, a desgastamos e desarranjamos frequentemente. Em nosso socorro, a Misericórdia Divina mobiliza infinitos recursos para o “conserto”.

 

Dentre eles, o maravilhoso passe magnético.

 

Imperioso, porém, alertar os beneficiários de que sua eficiência obedece a dois fatores primordiais:

O primeiro é a capacidade do passista, subordinada não tanto ao conhecimento da mecânica do serviço, mas, sobretudo, à pureza de seus sentimentos e ao desejo de servir.

 

Passista distraído do empenho de renovação e que desenvolve essa atividade como um assalariado, interessado nos benefícios que receberá, sem cogitar dos benefícios que deve prestar, jamais será um instrumento confiável da Espiritualidade.

 

Noutro dia perguntaram-me se alguém assim pode prejudicar o paciente. Só se houver intencionalidade.

Se o passista, com raiva do paciente, impuser-lhe as mãos a afirmar, em pensamento:

– Quero que você se dane! Que fique doente e morra!

 

Assustador, amigo leitor?

 

Não se preocupe. Seria apenas uma vibração negativa, do mesmo teor deletério de quem grita, xinga, ofende, capaz de causar embaraços ao objeto dela, mas considerado aqui o fator sintonia.

Se o “bombardeado” tem um comportamento equilibrado, habituado à oração, a cultivar a serenidade, não será afetado.

 

E esteja sossegado. Ninguém se dispõe a participar do serviço do passe com a intenção de prejudicar desafetos.

 

Considerando que a assistência espiritual é sempre monitorada e sustentada por mentores espirituais, as deficiências humanas podem ser superadas, desde que seja cumprida a outra condição: a receptividade do paciente. O aproveitamento depende de seu empenho por colocar-se em sintonia com o serviço.

 

Para que isso ocorra, é importante que nas palestras doutrinárias seja explicado aos interessados o que é o passe, como funciona e quais as condições necessárias a fim de que surta efeito.

 

Cuidados indispensáveis:

_ Disciplina das emoções.

 

No atendimento fraterno:

– Preciso de um passe. Estou muito irritado, com os nervos em frangalhos. Tive uma discussão homérica com minha esposa. Quase chegamos a vias de fato. Dificilmente será beneficiado, porquanto espera pelo passe para eliminar a irritação, sem compreender que é preciso evitar a irritação para receber o passe.

 

_ Atenção às palestras.

 

Fala-se de Espíritos obsessores que procuram neutralizar com o sono a assimilação de esclarecimentos capazes de subtrair os participantes à sua influência.

 

Pode acontecer, mas na maior, parte das vezes o que ocorre é o desinteresse. São frequentadores que veem o recinto das palestras como uma sala de espera de atendimento médico, situando-se em modorrento alheamento, que favorece o sono.

 

_ Silêncio e contrição.

 

Favorecendo a eficiência do serviço, os centros espíritas tendem a realizar o atendimento magnético após o trabalho doutrinário, nas chamadas câmaras de passe.

 

Enquanto espera, há quem aproveite para confraternizar com amigos e conhecidos ali presentes, abordando, não raro, assuntos que não interessam à economia do ambiente, favorecendo uma quebra de sintonia que vai tornar menos eficiente o passe.

 

Melhor o silêncio, com leitura de algo edificante ou a meditação em torno dos temas abordados pelos expositores.

 

Duas observações de Jesus, endereçadas às pessoas beneficiadas por suas curas, devem merecer nossa atenção.

 

_ Tua fé te salvou!

 

Os cuidados a que nos referimos favorecem a sintonia do paciente com o passista,  mas a receptividade, a possibilidade de assimilar plenamente os benefícios oferecidos, depende da confiança plena, da certeza absoluta de que estamos nos submetendo a uma terapia capaz de nos beneficiar.

 

As curas operadas por Jesus não constituíam o prêmio da fé.O Mestre não curava porque as pessoa acreditavam nele, mas porque as pessoas sintonizavam com seus poderes.

 

Oportuno recordar o exemplo da mulher hemorroíssa, que se curou de uma hemorragia uterina de doze anos simplesmente tocando em suas vestes, movida pela convicção de que seria beneficiada.

 

_ Vai e não peques mais para que te não suceda pior!

 

Voltamos aqui à questão do uso. Se nossos males são decorrentes da má utilização da máquina física, de nada valerá o “conserto”, se insistimos no mesmo comportamento.

Com o tempo o passe parece “perder a força”, já não traz os benefícios desejados, e o paciente acaba buscando outro Centro, mais forte, sem noção de que os Benfeitores espirituais estabelecem limites à sua ação. Se constatam que os beneficiários não se conscientizam quanto à necessidade de superar mazelas e imperfeições, deixam que o Sino de Deus continue a repicar, até que superem a “sonolência” e despertem para os objetivos da existência humana.

Revista Reformador

Dezembro/2006

 

 Definições Equivocadas
 

Antes de iniciarmos nossa análise sobre alguns dos mais comuns equívocos que se cometem quando se pretende comparar passes a outros métodos, gostaríamos de apresentar uma observação de Kardec: “Magnetizador é o que pratica o magnetismo; magnetista é aquele que lhe adota os princípios. Pode-se, pois, ser magnetista sem ser magnetizador; mas não se pode ser magnetizador sem ser magnetista”51.

 

Por extensão, infere-se que o passista tanto pode ser um magnetizador quanto um simples magnetista; será ele magnetizador quando usar seus fluidos na magnetização e magnetista quando adotar os princípios, as técnicas e os métodos do magnetismo. Mas só será passista espírita quando suas técnicas forem consentâneas com a Doutrina Espírita e seu proceder moral se coadunar com os princípios desta.

 

No mesmo artigo52, Kardec nos afirma ainda que “O Magnetismo preparou o caminho do Espiritismo (...)”. E prossegue mais adiante: “Se tivermos que ficar fora da ciência do magnetismo, nosso quadro (espiritismo) ficará incompleto (...). A ele nos referimos, pois, senão acessoriamente, mas suficientemente para mostrar as relações intimas das duas ciências que, na verdade, não passam de uma”.

 

O leitor há de convir conosco que esta citação é por demais importante. Entre outras, dela podemos tirar uma conclusão óbvia: pela maneira como foi considerado o magnetismo, a Ciência Espírita não pode ficar sem o contributo daquela outra, sob o risco de termos o Espiritismo de forma incompleta. Entretanto, ressalta das palavras de Kardec que se trata de uma mesma ciência pelo fato de uma estar inserida na outra e não que sejam simetricamente iguais.

 

Analisemos agora os equívocos. Para ficar mais didático, tratá-los-emos em subitens, na forma de perguntas e respostas, destacando os equívocos que pretendemos demonstrar.

 

1. Magnetismo e Espiritismo são a mesma coisa?

 

R - Já possuímos matéria suficiente para sustentarmos estar em equívoco aquele que afirmar sejam o magnetismo e o Espiritismo a mesma coisa, pois, da última colocação kardequiana se depreende que o primeiro, como ciência, participa da Ciência Espírita e não que esta esteja contida nos estreitos limites daquela outra. Não são a mesma coisa, afirmamos; nem por definição, nem por meios, nem por objetivos; apenas o magnetismo, com suas técnicas e experiências, viabilizou, no meio científico da época, o reconhecimento da existência de outras forças, energias, fluidos, que desaguaram, via sonambulismo, nas provas da existência do Espírito.

Mas, para que não haja dúvidas, eis a primeira definição de Allan Kardec sobre o Espiritismo: A doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas53

(grifos originais). Vemos que dessa definição não há como igualar tal Ciência - que é também Filosofia e Religião - ao magnetismo, cujos seguidores são chamados de magnetizadores 54.

Há, entretanto, estreitas ligações entre as duas ciências. E quem faz uma notável ligação entre o Espiritismo e o Magnetismo é o Espírito E. Quinemant que, quando encarnado, segundo suas próprias palavras, ocupou-se com a prática do magnetismo material. Assim se expressa ele: “O Espiritismo não é, pois, senão o magnetismo espiritual, e o magnetismo não é outra coisa senão o Espiritismo humano. (...) O magnetismo é, pois, um grau inferior do Espiritismo (...)55.

 

2. E em relação ao passe propriamente dito, seriam ele e o magnetismo a mesma coisa?

 

R - A resposta continua negativa, pois, se para o magnetismo o passe é uma técnica de movimentação de mãos, para o passe (espírita) o magnetismo é uma fonte de técnicas de transferências fluídicas. Atentemos, todavia, para o que nos diz Allan Kardec: “O conhecimento dos processos magnéticos é útil em casos complicados, mas não indispensável”56; isto nos sinaliza, inclusive, que nem sempre o passe se recorre do magnetismo como técnica.

Em síntese, todo passista (espírita) é, no fundo, um magnetizador mas nem todo magnetizador é um passista (espírita).

 

3. E a magnetização e o hipnotismo são iguais, são uma mesma ciência?

 

R - Trata-se de outro equívoco pensar-se assim. Embora não estejamos estudando o hipnotismo, é da própria história dessa ciência que ela surgiu em decorrência das práticas magnéticas, como uma experimentação, poderíamos dizer, especializada, de partes daquela. O hipnotismo, usando uma linguagem bem coloquial, é “filho” direto do magnetismo como o é o “sonambulismo provocado” “O próprio Braíd (chamado o pai do hipnotismo) reconheceu em sua Neurhypnologie que os procedimentos hipnóticos não determinavam absolutamente todos os fenômenos produzidos pelos magnetizadores”57, evidenciando, assim, o caráter de menor eficiência destes, em termos gerais, que daquele outro. Por ser derivação, confundi-los é o mesmo que se cambiar a obra pelo obreiro, o efeito pela causa.

 

4. Já que o magnetismo é usado no passe, isso implicará que devamos usar também o hipnotismo nos nossos passes?

 

R - De forma alguma. O Espírito Emmanuel, introduzindo André Luiz no livro “Mecanismos da Mediunidade”, enfatiza que mesmo tendo aquele estudado o hipnotismo “Para fazer mais amplamente compreendidos os múltiplos fenômenos da conjugação de ondas mentais, além de com isso demonstrar que a força magnética é simples agente, sem ser a causa das ocorrências medianímicas, nascidas, invariavelmente, de espírito para Espírito”, não recomenda. “De modo algum, a prática do hipnotismo em nossos templos Espíritas”58.

Completemos nossa resposta com Michaelus: “Deixemos as drogas e os tóxicos para os hipnotizadores e reservemos para os magnetizadores a medicina do Espírito, pois na alma se concentra toda a sua força e todo o seu poder59.

 

5. Mas, algumas pessoas advogam que durante ou após o passe, certos pacientes se sentem “diferentes”, como no hipnotismo.

 

R - Sem entrar nos aspectos espiríticos da questão, vejamos o que nos diz o renomado Dr. Jorge Andréa: “Não pretendemos negar que a hipnose determina, realmente, inibição de centros nervosos, zonas e mesmo regiões” mas, esclarece ele, “isso é uma consequência natural do desenvolvimento de mecanismo hipnótico60. Não é correto, portanto, que apressadamente se infira dos fatos do hipnotismo, sua equivalência, por suas reações (diversas, por sinal), com os passes. Mero desconhecimento de causa que não justifica o equívoco. Hermínio Correia de Miranda, quando liga o magnetismo ao hipnotismo, nos esclarece com sua síntese peculiar: “Magnetismo, a nosso ver, é a técnica do desdobramento provocado por meio de passes e/ou toques, enquanto a hipnose ficaria adstrita aos métodos de sugestão (...)61.

 

6. É o passe uma invenção do Espiritismo?

 

R - Garantimos que, em princípio, o Espiritismo nunca “inventou” nada nem tampouco “criou” coisas usualmente a ele atribuídas. Pelas definições e menções apresentadas neste capitulo, fica evidente que o passe, suas técnicas e seu conhecimento remontam à mais longínqua antiguidade. A Doutrina Espírita apenas estudou o magnetismo e suas aplicações, estuda e continuará estudando suas causas e efeitos, tendo chegado a grandes conclusões, notadamente no que diz respeito ao seu uso para o bem dos Espíritos, tanto encarnados quanto desencarnados, dando-lhes emprego sério e útil, e incentivando sua prática dentro dos princípios cristãos e nos limites da pureza doutrinaria espírita, lembrando aos seus praticantes, como o fez o Cristo: “(...) De graça recebestes, de graça dai62.

 

7. É o passe magia? Por quê?

 

R - Não. Porque o passe não se utiliza de fetichismos, não é dogmático, não compactua com Espíritos inferiores para obtenção de favores, quer materiais, quer espirituais, nem se compromete com ritualismos. Não incita adoração a santos ou mitos nem requer pagamentos ou oferendas. Se nos permitimos uma definição própria, o passe é um dos veículos de que se utilizam os Bons Espíritos para atender aos necessitados, de acordo com a vontade de Deus, e não para atender aos homens, segundo nossos, quase sempre pueris caprichos e mesquinhas imposições.

 

8. Como o passe, muitas vezes, usa das técnicas do magnetismo e das colocações kardequianas, entendemos que tanto há fluidificação espiritual como animal (do homem) e mista, isso quer dizer que no passe tanto há mediunismo quanto animismo?

 

R - Estabeleçamos primeiro que animismo não é, necessariamente, sinônimo de mistificação; animismo é a projeção ou a manifestação do Espírito do próprio médium por seu próprio corpo ou, ainda, o uso das energias fluídicas de si por si mesmo. Por outro lado, mediunidade existe quando há relação entre homem encarnado e Espírito desencarnado. Por isso podemos dizer, teoricamente, que o passe só é anímico quando o mesmo é aplicado por um magnetizador, com uso exclusivo de suas energias vitais, sem a interferência dos Espíritos (como se isso fosse possível). Mas, pelo que nos asseveram os Espíritos, quando respondendo a Kardec, nos asseguram que eles influem em nossos atos e pensamentos “Muito mais do que imaginais (...) a tal ponto que, de ordinário, são eles que vos dirigem63, forçoso é concluirmos que não há magnetismo puro (quer dizer, sem intervenção espiritual), assim como também não há o animismo puro. A própria definição de passe vista anteriormente no item “2.1 - Dos Dicionários e Enciclopédias”, sob a referência número 27, já nos sugere isso. E, se não bastasse, sigamos Allan Kardec mais uma vez, quando ele pergunta aos Espíritos:

“Há, entretanto bons magnetizadores que não creem nos Espíritos?

Pensas então que os Espíritos só atuam nos que creem neles? Os que magnetizam para o bem são auxiliados por bons Espíritos. Todo homem que nutre o desejo do bem os chama, sem dar por isso, do mesmo modo que, pelo desejo do mal e pelas más intenções. chama os maus64.

 

9. Passistas e médiuns curadores são a mesma coisa?

 

R - Se bem possam, em determinadas situações, se confundirem, não são necessariamente a mesma coisa pois o passista nem sempre é um médium curador no sentido maior do termo, enquanto que todo curador, posto que sempre usa alguma técnica de passe, é passista, ressalvando-se, contudo que aqui importa distinguir passista de passista Espírita.

Quando Allan Kardec definiu médiuns curadores, disse que esses são “Os que têm o poder de curar ou de aliviar o doente, pela só imposição das mãos, ou pela prece.

“Essa faculdade não é essencialmente mediúnica: possuem-na todos os verdadeiros crentes, sejam médiuns ou não. As mais das vezes, é apenas uma exaltação do poder magnético, fortalecido, se necessário, pelo concurso de bons Espíritos65.

Percebemos assim que, no primeiro parágrafo, ele parece se referir ao passista espírita, enquanto que no segundo se referencia ao magnetizador, ao médium curador. De uma forma ou de outra, não faz grande diferença essa conceituação pois o que mais importa é a ação do passe, e Espírita, de preferência.

 

10. Magnetismo e magnetoterapia são a mesma ciência?

 

R - Não, não o são. Enquanto que o magnetismo lida com os fluidos animais (humanos), a magnetoterapia se utiliza dos ímãs ou materiais inorgânicos portadores de magnetismo. Enquanto a primeira se baseia no homem como fonte, a segunda tem sua base nos metais; a primeira requer, mesmo no magnetismo puro, um bom posicionamento de moral e equilíbrio do aplicador, enquanto a segunda, nem sempre.

 

11. É o magnetismo humano (animal), o mesmo dos ímãs ou do resultante das correntes elétricas?

 

R - Não. No magnetismo humano se percebe e se constata a existência de um componente anímico que não participa das outras modalidades de magnetismo. Outrossim, no magnetismo dos ímãs e dos oriundos dos campos energizados por eletricidade, obtêm-se padrões e quantidades invariável e fisicamente mensuráveis, abstração feita as variações previstas e determinadas; no magnetismo humano os valores são extremamente flexíveis e variáveis não apenas por condições físico-químicas e orgânicas mas igualmente por influências psíquicas e espirituais.

 

12. Existe diferença entre passes e imposição de mãos?

 

R - Em termos espíritas, passes tanto pode ser entendido como o conjunto de recursos de transferências fluídicas levadas a efeito com fins fluidoterápicos, como uma das maneiras pela qual se faz tais transferências. No primeiro caso, a imposição de mãos seria um dos recursos; no segundo, uma das maneiras.

Assim sendo, de forma literal, passe e imposição de mãos não são a mesma coisa; em termos de uso,contudo, tem-se a imposição de mãos como uma técnica de passe66. Tanto que é comum se falar de um querendo-se dar a entender o outro.

De outra forma, observemos a ponderação de nossa contemporânea Dalva Silva Souza, em excelente artigo publicado em “Reformador”: “A palavra (passe) é um deverbal de passar, verbo que, sem dúvida, transmite a ideia de MOVIMENTO”67. Por outro lado, “imposição de mãos” já deixa bem induzido que se trata de atitude estática, sem movimento, posto que, derivado do verbo impor, imposição, nesse sentido, quer dizer: ato de fixar, estabelecer.

* * *

Outras dúvidas e equívocos, por certo, existirão. Mas, se não temos a pretensão de esgotar o assunto, nos resta a certeza de que ao longo desta obra, muitas questões serão resolvidas e vários problemas ganharão solução. Por outro lado, se novas dúvidas surgirem, como resultado da reflexão, do estudo, da análise e do raciocínio, é sinal de que teremos alcançado um bom “primeiro porto”, do qual, após o reabastecimento em novas pesquisas, partiremos buscando, juntos, novos e promissores horizontes tudo em nome do Evangelho.

 

45 II Reis, V, vv. 10 e 11.

46 I Reis, XVII, vv. 21 e 22.

47 Deuteronômio, XXXIV, vv. 9 e 12.

48 Mateus, VIII, v. 3.

49 Atos, IX, v. 17.

50 I Coríntios, XII, vv. 7 a 9.

51 Magnetismo e Espiritismo. “Revista Espírita”, mar. 1858, p. 94, nota de rodapé nr. (1).

52 Magnetismo e Espiritismo. “Revista Espírita”, mar. 1858, p. 94, nota de rodapé nr. (1).

53 KARDEC, Allan. Introdução. In “O Livro dos Espíritos”, item 1.

54 Recomendamos sejam relidos os pontos principais do Espiritismo na Introdução de “O Livro dos Espíritos”, todos registrados

no seu item 6, onde se patenteiam as diferenças entre as duas ciências.

55 O Magnetismo e o Espiritismo comparados. “Revista Espírita”, jun. 1867, médium Sr. Desliens, pp. 190 a 192.

56 Da Mediunidade curadora “Revista Espírita”. set. 1865. p. 254.

57 JAGOT, Paul-Clement. Atualmente. In “Iniciação a Arte de Curar pelo Magnetismo Humano”, cap. 5, item 7, p. 53.

58 XAVIER, Francisco Cândido, VIEIRA. Waldo. Mediunidade. In “Mecanismos da Mediunidade”, pp. 15 e 16.

59 MICHAELUS. In “Magnetismo Espiritual”, cap. 7, p. 56.

60 58. ANDRÉA, Jorge. Fenômenos parapsicológicos. In “Nos Alicerces do Inconsciente”. cap. 4. item 2 - Hipnose, p. 116.

61 MIRANDA. Hermínio C. In “A Memória e o Tempo”. cap. 4, p. 78, v. 1.

62 Mateus, X, v. 8.

63 KARDEC, Allan. In “O Livro dos Espíritos”, cap. 9, questão 459.

64 KARDEC, Allan. Dos médiuns. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 14, item 176, 3ª questão.

65 KARDEC, Allan. Dos médiuns especiais. In “O Livro dos Médiuns”, cap. 16, item 189.

 

 

 

Jacob Melo

Livro: O Passe Seu Estudo

 

 Efeitos do Passe
 

       Podemos dizer que o passe atua diretamente sobre o Perispírito, agindo de três formas diferentes:

       Revitalizando, Compondo as energias perdidas - Dispersando fluídos negativos contraídos - auxiliando na cura das enfermidades, a partir do reequilíbrio do Perispírito.

       Como intermediário da vontade do alto, o passista entregará a Deus a condução do seu trabalho, com humildade, evitando curiosidade quando aos resultados. Não obstante usará sempre de discernimento com relação às pessoas que habitualmente solicitam passe, para não cooperar com o comodismo. O passe é recurso de procedência divina que deve ser valorizado tanto pelo passista como pelo paciente.

 1 - NO PASSISTA:

       - O passista é mero instrumento.

       - Nada de vaidade, nada de ostentação.

       - Nem mesmo é aconselhável deter-se no exame dos resultados ou a eles se referir.

       - Os resultados do passe, alicerçado na oração e na sinceridade de propósitos, são sempre benéficos para ambos.

       - REFLEXOS - Na execução de sua tarefa, o passista pode algumas vezes experimentar sensações relacionadas com o problema do paciente. Como está imbuído do desejo de ajudar o semelhante, é compreensível se sintonize com ele a ponto de experimentar reflexos de seus padecimentos. Não nos esqueçamos de que toda tarefa de assistência é sacrificial e pede abnegação. O passista tem facilidade para eliminar os reflexos, e poderá abreviar tal providência tendo a mente voltada para a prece e a perseverança no bem. Nos passes em pessoas sob a atuação de espíritos em desequilíbrio, o passista poderá registrar reflexos negativos desde a hora em que se propõe a ajudar, podendo perdurar ainda depois do passe. É compreensível que os espíritos envolvidos na trama obsessiva, conhecendo-lhe a predisposição de colaborar, pretendam arrefecer-lhe o ânimo, afastando-o do caminho do enfermo. Fé e perseverança no trabalho é a melhor medida para superação desses obstáculos.

NO PACIENTE:

       - Muitas vezes, a ajuda do passe se traduz em melhor disposição mental, confiança, resignação.

       - Sensações de calor, frio, formigamento, transpiração excessiva, tonteira etc., podem verificar-­se durante o passe. São estados passageiros e geralmente, terminado o passe, tudo volta ao normal.

       - No caso de obsessão, o passe pode promover o afastamento temporário do obsessor, para que o encarnado receba auxílio mais eficiente. Lembremos, no entanto, que a solução definitiva do processo obsessivo reside no esclarecimento evangélico-doutrinário tanto do obsessor como do obsediado.

       - Uma vez eliminada a causa da enfermidade, passa o magnetizador a carregar o enfermo de saudável magnetismo e a resguardá-lo contra recaída na enfermidade. Este processo tem múltiplas vantagens na terapêutica mental das afecções nervosas, muitas das quais consistem no transtorno circulatório dos fluídos que passam pelos nervos, e que, se congestionam, tornam mais tardios, muito rápidos, escassos em quantidade ou de má qualidade.

       - Os medicamentos têm mais eficácia no nervo físico, e muito pouca nos fluídos circulantes, enquanto que o magnetismo atua diretamente sobre os fluídos e penetra na raiz do mal.

       - O passe de conformidade com o merecimento de cada um, facilita ou proporciona a cura, minora o sofrimento e fortalece o enfermo para suportar suas provas.

       - O magnetismo não se limita unicamente à ação terapêutica; tem um alcance muito maior. É um poder que desata os laços constritores da alma e descerra as portas do mundo invisível; é uma força que em nós dormita e que utilizada, valorizada por uma preparação gradual, por uma vontade enérgica e persistente, nos desprende do pesadume carnal, nos emancipa das leis do tempo e do espaço, nos dá poder sobre a natureza e sobre as criaturas.

CURSO DE PASSES

WALDIR SILVA

 

 Água Fluidificada
 

Porquanto aquele que vos der de beber um copo de água, em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.

Marcos, 9:41

 O nome de Cristo é uma segurança em todas as nossas atitudes. O que tiveres de fazer, faze-o em nome d’Ele, que te será acrescentado algo mais no teu trabalho. Coloca o Senhor como companheiro invisível em toda a tua jornada, que sempre te lembrarás de fazer as melhores coisas. Faze com que a tua mente se envolva na mente daquele que nos segue desde o princípio, que te será dada maior confiança nas lutas de cada dia. Eis porque salientamos: quando deres alguma coisa, que seja em nome do Mestre; quando desnecessária, dispensar a palavra, e deixa que o coração irradie as intenções.

Podes operar maravilhas com  um copo d’água que ofertares a alguém, acrescentando nele as bênçãos do amor. Isso é que é dar em nome de Jesus. A água guarda sempre a origem biológica, e o raciocínio nos convida a meditar que, sendo ela o berço da humanidade, é indispensável para a vida na Terra. Esse líquido maravilhoso é de alta afinidade com os fluidos imponderáveis da natureza. O magnetismo espiritual enriquece, por vezes, os elementos que compõem, motivo esse por que usamos a água para cura dos enfermos. A água, na fluidificação, passa por uma metamorfose, sem com isso mudar sua composição química. Todavia, ela é enriquecida, na sua expressão dinâmica, com outras substâncias que escapam aos métodos de análise ao alcance científico. A água fluidificada mata duas sedes, a do corpo e a da alma, além de restaurar certos desequilíbrios psicossomáticos.

Certas verdades devem ser divulgadas, pois elas ajudam no aumento da fé. O médium curador, consciente de seus poderes, poderá ser uma fonte de grandes alegrias e um verdadeiro instrumento das forças do bem. O estudo orientado corretamente é, para o medianeiro, qual o alimento ou a veste para o corpo. As faculdades estão aí, dependendo de serem educadas, exercitadas para a grandeza da própria vida. Seremos graduados, na escala de ascensão, se soubermos usar os dons que nos foram entregues, por misericórdia.

Além da água, que serve de veículo com o qual podemos beneficiar os sofredores, poderemos nos lembrar do ar. Até aqui no nosso plano, respiramos essa bênção de Deus, ficando a nosso encargo, multiplicar os seus benefícios, pelo poder da mente.

O fluido universal, ao passar pelas criaturas, se ajusta com o magnetismo que emana delas, amolda-se aos seus sentimentos e toma o caminho que seu poder mental determinar. Em se tratando da mediunidade, existe também a influência espiritual, de acordo com os dons aflorados do aparelho mediúnico. Enfim, a parte maior fica por conta do sensitivo, que deve ser educado no trato com as coisas invisíveis. Quando o médium se apossa de determinado domínio, os magnetismos espiritual e animal tornam-se seus servos, e na conversação com as pessoas carentes de saúde, ele purifica o ar que o enfermo respeita e, como que por encanto, um bem-estar indizível invade o doente, que logo sente fluir amor daquele que com ele conversa. Podes fazer isso também à distância, dependendo do teu grau de evolução.

E como educar? Essa pergunta é respondida em todas as mensagens espirituais, principalmente no Evangelho do Cristo. Começa dando alguma coisa, em nome d’Ele, que o tempo transformar-te-á em parte integrante do Senhor, não somente dando de ti para o os outros, mas ajudando os outros a fazerem o mesmo, por influência de Jesus.

Bebe e dá de beber água fluidificada, pois ela é luz em forma de líquido, que poderá curar e iluminar os sentimentos, como galardão dos céus aos homens da Terra.

Porquanto aquele que vos der beber um copo de água, em meu nome, porq1ue sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.

 

 

Miramez

Por João Nunes Maia

Livro: Médiuns

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