Doar sangue, fazer o cadastramento para doação de medula Óssea e destinar os órgãos ao próximo, após nossa morte, são gestos de caridade. Confira mais informações em nosso Site Doar de Si nos links abaixo.
 

O Evangelho Segundo o Espiritismo 

Estudos da Moral Cristã Sob a Ótica do Espiritismo
Estudo abordado a partir de 01 de abril de 2009

Estudos anteriores e atuais:

- Primeira Parte - de Explicação a Autoridade da Doutrina
- Capítulo I do ESE
- Capítulo II do ESE

Notícias Históricas - parte I

Notícias Históricas - parte II

Notícias Históricas - parte III

Notícias Históricas - parte IV

Notícias Históricas - parte V

Notícias Históricas - parte VI

Notícias Históricas - parte VII

Notícias Históricas - parte VIII

Notícias Históricas - parte IX

Notícias Históricas - parte X

Sócrates e Platão, precursores da Doutrina Cristã

Resumo da doutrina de Sócrates e Platão - parte I

Resumo da doutrina de Sócrates e Platão - parte II

Resumo da doutrina de Sócrates e Platão - parte III

Resumo da doutrina de Sócrates e Platão - parte IV

Resumo da doutrina de Sócrates e Platão - parte V

Resumo da doutrina de Sócrates e Platão - parte VI

Resumo da doutrina de Sócrates e Platão - parte VII

Resumo da doutrina de Sócrates e Platão - parte final

 

 

 

 

Notícias Históricas - parte I

Finalizamos a parte II da Introdução ao Evangelho Segundo o Espiritismo, que nos fala da Autoridade da Doutrina Espírita, amealhando ao nosso ser alguns ensinamentos não apenas referentes e adequados à Doutrina Espírita, mas também ao nosso dia-a-dia, que nada mais é do que a interação entre espíritos encarnados e desencarnados.

(...) Para bem compreender certas passagens dos Evangelhos, é necessário conhecer o valor de muitas palavras que são freqüentemente empregadas nos textos, e que caracterizam o estado dos costumes e da sociedade judia naquela época. Essas palavras, não tendo para nós o mesmo sentido, foram quase sempre mal interpretadas, gerando algumas incertezas. A compreensão da sua significação explica também o verdadeiro sentido de certas máximas, que à primeira vista parecem estranhas. (...)

Nem precisamos ir muito além desta explicação para nos conscientizarmos de que muito se perde em um diálogo ou em uma leitura por falta de conhecimento de determinadas palavras. É como o linguajar jurídico, todo cheio de entremeios e que em umas 5 ou 6 palavras poderíamos concluir uma extensa frase. É também como o dialeto característico de determinadas regiões. Enfim, nenhuma dificuldade temos em compreender que confusões são feitas, desde a interpretação do significado da palavra até a compreensão da idéia real de quem está transmitindo a fala ou a escrita. Vamos à viagem!

(...) SAMARITANOS — Após o cisma das dez tribos, Samaria tornou-se a capital do reino dissidente de Israel. Destruída e reconstruída numerosas vezes, ela foi, sob o domínio romano, sede administrativa da Samaria, uma das quatro divisões da Palestina. Herodes, chamado o Grande, a embelezou com suntuosos monumentos, e para agradar Augusto, deu-lhe o nome de Augusta, em grego Sebaste. (...)
Os samaritanos estiveram quase sempre em guerra com os reis de Judá. Uma aversão profunda, datando da época da separação, perpetuou-se entre dois povos, que se esquivavam a todas as formas de relações recíprocas. Os samaritanos, para tornarem a cisão mais profunda e não terem de ir a Jerusalém, para a celebração das festas religiosas, construíram um templo próprio e adotaram certas reformas: admitiam somente o Pentateuco, que contém a lei de Moisés, e rejeitavam todos os livros que lhe haviam sido posteriormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos em caracteres hebraicos da mais alta antiguidade. Para os judeus ortodoxos, eles eram heréticos, e por isso mesmo eram desprezados, anatematizados e perseguidos. O antagonismo das duas nações tinha, portanto, como único princípio, a divergência de opiniões religiosas, embora as suas crenças tivessem a mesma origem. Eles eram os protestantes da época. Ainda hoje se encontram samaritanos em algumas regiões do Oriente, particularmente em Naplusa e Jafa. Observam a lei de Moisés com mais rigor do que os outros judeus, e só se casam entres eles.(...)

Por esta pequena apresentação, algo parece que já se esclarece em nossa mente. Ouvir a palavra samaritano nos remete à conhecida parábola do bom samaritano. Perceberam que existe uma profundidade maior quando sabemos que o samaritano não era apenas equivalente a um paraibano, um paulista ou um gaúcho?

Esse povo, em decorrência das guerras e diferenças, era totalmente marginalizado, quando, no entanto, o que eles buscavam era muito mais o purismo das leis recebidas do que as interpretações e agregações feitas a elas. As informações acerca dos reais motivos são diversas e sempre por ângulos de vista tendenciosos. O que nos cabe compreender é que era um povo discriminado e tido como perdido, mas que acreditava e confiava na chegada do prometido.

Se buscarmos informações acerca destes momentos, veremos nomes, tribos, desejos, vingança, maledicência e muitas outras versões relatadas sobre os samaritanos. Mas, se nos focarmos na Verdade, que é o ensinamento do Mestre Jesus, teremos muito mais do que apenas as parábolas do bom Samaritano ou da Água do poço na Samaria para nos referenciarmos.

Em uma das várias alusões que li acerca do povo samaritano, uma em especial me chamou a atenção. Em que eram chamados de povo estúpido e que sequer eram reconhecidos como nação. Está lá em Deuterônimo e a separação é datada de séculos antes de Cristo.

O Mestre, que sempre nos disse que não são os sãos que necessitam de médico, mas os doentes, encontrou no povo samaritano o terreno fértil para aceitação da verdade e verdadeira fé no Messias ao considerá-los como iguais, usufruindo a cidade como caminho, até como referencial de condutas positivas e consideradas agradáveis a Deus. Jesus encontrou em alguns integrantes do povo samaritano a humildade necessária para plantar ali as sementes de amor e renovação. O que muitos daquele povo queriam era a agradar a Deus e faltava-lhe o referencial de amor e verdade, trazido pelo Mestre Jesus. Foi unanimidade? Não. Foi o Mestre aceito sem reservas? Não. Somente por aqueles que estavam realmente em busca.

A passagem da mulher samaritana bem nos mostra isso. Vejam esta bellíssima narrativa de Humberto de Campos e psicografia de Francisco Xavier. Após as primeiras impressões junto ao poço samaritano, a mulher diz a Jesus:

(...) Continuou a mulher:- Meu espírito está cheio de boa vontade e, desde muito, penso na melhor maneira de purificar minha vida e santificar os meus atos. Entretanto, é tal a confusão que observo em torno de mim, que não sei como adorar a Deus. Os meus familiares e vizinhos afirmam que é indispensável celebrar o culto ao todo Poderoso neste monte (Garizim). Os judeus nos combatem e asseveram que nenhuma cerimônia terá valor fora dos muros de Jerusalém. As discórdias nesta Região têm chegado ao cúmulo. Já que tenho a felicidade de ouvir as tuas palavras, ensina-me o melhor caminho.
O Mestre observou-a compadecido e exclamou:- Tens razão. As divergências têm implantado a maior desunião entre os membros da grande família humana. Entretanto, o pastor vem ao redil para reunir as ovelhas que os lobos dispersaram. Em verdade, afirmo-te que virá um tempo em que não se adorará a Deus nem neste monte, nem no templo suntuoso de Jerusalém. Porque o Pai é Espírito e só em espírito deve ser adorado. Por isso venho abrir o templo dos corações sinceros para que todo culto a Deus se converta em íntima comunhão entre o homem e seu criador.
- Meu desejo sincero é adorar a Deus, mas como e onde? Tantas religiões, tantas divergências e discórdias... Jesus explica que o santuário não é nos templos de pedra ou nas montanhas. A verdadeira adoração se processa no santuário do espírito e no coração. Deus é espírito e não habita um templo de pedra. É AMOR, é BONDADE, é JUSTIÇA. O verdadeiro culto a Deus é a comunhão íntima do Homem com o seu criador. (...)

Quando tiverem oportunidade, leiam toda a passagem trazida por Humberto de Campos clicando aqui: Jesus na Samaria.

O que podemos apreender acerca da história dos samaritanos e acerca de pequenas pinceladas sobre importantes passagens envolvendo o povo samaritano é que não existem diferenças, não existem distinções entre os lugares que oramos a Deus, mas sim na maneira como O buscamos, que deve ser em Espírito e não em locais; reunir multidões em torno de nossas palavras ou ensinamentos não significa real aceitação ou aproveitamento das mesmas.

Ontem, conversando com um amigo sobre determinada situação, ele me disse aquilo que temos aprendido em muitos momentos: Ela leu a filosofia, mas não compreendeu... não absorveu....não assimilou, irmã... então não tem a visão correta de tudo o que lhe ocorre.

Este comentário de meu amigo Lando vem ao encontro do final da psicografia de Humberto de Campos que alude à quantidade de pessoas que ouviam ao Mestre e teceram comentários desdenhosos e maliciosos; vem ao encontro da própria palavra do bom samaritano, onde todos aqueles que tinham todos os motivos para socorrer o caído não o fizeram em vista de sua falta de desprendimento de si próprios; vem ao encontro de tantas e tantas situações em que nos vemos obrigados a exclamar: ‘nossa! Ele fez isso? Mas é espírita!’.

Não é espírita, apenas conhece a doutrina espírita. Não aceitou o Nazareno, apenas ouvi-lhe as palavras. Não é caridoso, apenas sabe dos deveres a cumprir e a quem os compete. Agora, ponto de crucial beleza neste encontro de hoje, foi ter lido em várias religiões uma unanimidade de singular beleza: em todas as oportunidades que o mestre teve, plantou sementes. Não condenou ou escorraçou e sequer julgou. Apenas plantou sementes.

Aos que se sentem semeadores da vontade do pai, só não esqueçamos de um detalhe: as verdades que o Mestre sabia a respeito de cada um com quem se deparava, não eram de seu conhecimento por soberba, inteligência ou qualquer outra manifestação exaltativa. Era-lhe sabido acerca de cada um daqueles que lhe compartilharam a jornada única e tão somente pela sua sapiência de todas as coisas que envolvem o céu e a terra. Tolo é aquele que julga conhecer o íntimo ou as verdades do próximo e, através delas, quer impor as suas verdades cristãs. Sejamos mais samaritanos em muitos sentidos. Dar sem olhar a quem, sem contestar seu passado, sem perceber-lhe as fraquezas ou qualidades, enfim, dar única e tão somente por tratar-se de uma criatura de Deus.

Exposto em 20-01-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte II

Ao buscarmos o termo nazareno, pudemos encontrar muito mais do que apenas a quem se referia. Carlos Pastorino em sua obra Sabedoria do Evangelho, faz uma análise minuciosa de todas as passagens, verificando comparativos, buscando verdades e esclarecendo más interpretações. Para quem quiser verificar, eis o nome da obra – Saberia do Evangelho que é composta por 8 volumes, se não me engano, e que trata de todos os assuntos que pudermos imaginar, uma consequência da abrangência que encontramos nos ensinamentos do Cristo. Por hora, verifiquemos o que Allan Kardec esboçou como necessário sabermos para compreender algumas passagens:

(...) NAZARENOS — Nome dado, na antiga lei, aos judeus que faziam votos, por toda vida ou por algum tempo, de conservar-se em pureza perfeita: adotavam a castidade, a abstinência de bebidas alcoólicas e não cortavam os cabelos. Sansão, Samuel e João Batista eram nazarenos. Mais tarde, os judeus deram esse nome aos primeiros cristãos, por alusão a Jesus de Nazaré.
Esse foi, também, o nome de uma seita herética dos primeiros séculos da era cristã, que, à semelhança dos ebionitas, dos quais adotara certos princípios, misturava práticas mosaicas aos dogmas cristãos. Essa seita desapareceu no quarto século.(...)

Se buscarmos o simples, ficaremos com o foco diante do fato de que existe uma cidade chamada Nazaré e que quem lá vive ou nasce é chamado de Nazareno. Porém, o próprio fato de querermos nos manter no simples já nos mostra que existem outros horizontes a se descortinarem, haja vista o fato de que controvérsias aludem a profecias dizendo que o Messias, Jesus, seria chamado de Nazareno.

É um detalhe muito interessante, embora seja extremamente longo e envolva muito mais do que apenas conhecimento. É prato cheio para contestadores do cristianismo, para debatedores de plantão que possuem versículos e ensinamentos na ponta da língua, mesmo os espíritas. Existem controvérsias acerca do fato de Maria e José pertencerem ou não à cidade de Nazaré e por aí se seguem os detalhes e meandros históricos.

Chegamos em um ponto que compreendemos como sendo de suma importância o conhecimento do passado e de nossas bases, mas também esbarramos nas discussões estéreis que se dão sobre determinados pontos, sendo muito mais filosóficas do que propriamente maneiras de serem postas em prática. Como entendemos que a Doutrina Espírita é composta por ciência, religião e filosofia, seria muito fácil adentrarmos ao ramo intelectual e histórico e passarmos meses debatendo acerca destas informações.

Porém, buscamos algo mais quando falamos do estudo de O Evangelho Segundo o Espiritismo e, esse algo mais, é justamente conhecer detalhes da passagem de Jesus junto a nós, tentando trazer, na medida do possível e de nosso conhecimento estreito, situações similares em nosso dia-a-dia, para que vejamos que os ensinamentos do Mestre não são nem distantes e nem impossíveis de serem praticados.

Quem desejar conhecer mais acerca do conteúdo histórico/filosófico desta passagem dos Nazarenos, a referência que podemos ofertar é a feita anteriormente: Carlos Torres Pastorino em a Sabedoria do Evangelho.

Vale lembrar que em algumas passagens, aqueles que eram considerados como nazarenos, passaram a sê-lo não por conta da cidade de Nazaré, mas sim por seguirem ao Mestre Jesus, assim como os cristãos, e isso era motivo de represálias, perseguições e toda sorte de maldades praticadas contra estes irmãos.

Apenas como referência histórica, temos a alusão aos nomes de Sansão, Samuel e João Batista como exemplos de quem eram considerados nazarenos antes da chegada do Mestre Jesus. O termo utilizado á época era nazireno e como já aludiu Kardec, referia-se às pessoas que adotavam a castidade, a abstinência a bebidas alcoólicas e também não cortavam os cabelos. Em alguns esclarecimentos não encontramos o quesito abstinência e sim o de não tocar cadáveres, que dá sentido mais profundo à abstinência da ingestão de carnes em geral ou coisas que provenham de seres vivos.

Sansão é conhecido por nós devido aos seus feitos sobrenaturais e que só poderiam ter um fundo ‘da mão de Deus’. Sansão é filho de uma mulher estéril, que desejava ser mãe. Ela foi agraciada pela vontade divina – recebeu o comunicado de um anjo e, neste comunicado, algumas diretrizes lhe foram traçadas. Mulher fiel e reconhecida ao Deus que lhe envia seu maior sonho, esta mãe acalenta a gravidez e o fruto do nascimento como um verdadeiro nazireno, como eram denominados àquela época, porque assim lhe fora solicitado. Sansão cresce com este pensamento, com este propósito; Sansão é assim visto por todos e assim se devota até certo momento de seu viver.

Em determinado momento de seu caminhar, Sansão afasta-se do seu comprometimento com Deus e começa a cometer erros impraticáveis a alguém que recebera todo o alicerce e respaldo divino. Ele fora escolhido, mas não se conscientizara desta escolha. Diz-se que ele possuía 7 tranças e que Dalila as cortou, cortando assim toda sua força. Analogia e simbolismo que nos importa buscar. Um punhado de mechas não pode deter todo o poder que aquele homem possuía. Sabemos que não são amuletos, patuás ou qualquer sorte de objetos ou imagens que possuem força e divindade, mas sim a fé que lhes depositamos fé esta que, em muitos momentos, está distante de nosso conhecer como sendo fé em nós mesmos ou em Deus, tão somente atribuída aos objetos citados.

Sansão, segundo reza a história, acreditava que sua força estava em seus cabelos e, como prova de amor a Dalila, uma criatura posta em seu caminho única e tão somente para derrotá-lo, eis que Sansão abdica dos verdadeiros laços com o Pai e conta-lhe aquilo que supunha ser seu segredo ou sua ligação com o Altíssimo. O que as analogias não nos mostram é que em alguns momentos (exatos 7 momentos como as suas 7 tranças), Sansão afastou-se de Deus.

É uma bella passagem a vida de Sansão e se pararmos de culpar Dalila por tudo, veremos que o próprio Sansão buscou sua derrocada espiritual. Um pastor quadrangular, Alexandre Augusto, cuja oportunidade tive de ler, descreve as 7 tranças de maneira assaz interessante. Sete laços de comprometimento e aliança com Deus que Sansão foi quebrando um a um. Ao quebrar o sétimo, aquele em que depositou em Dalila mais do que depositava a Deus, Sansão viu-se esvaído do Espírito de Deus. No fundo, Dalila seria o equivalente à sétima trança ou ao sétimo laço que Sansão quebrava com Deus.

Depois vem sua prisão e morte de formas impiedosas. Começa sua expiação. Sansão tem muito mais a ofertar ao povo do que apenas a sua força ou os seus votos selados pela sua grata mãe. Ao observarmos propósitos e intentos da época, veremos que Sansão era um dos escolhidos para reaproximar o povo de Deus. Tinha uma grande missão e falhou. Todos nós falhamos.

Tentarei, na medida do possível, buscar mais sobre este espírito e mensageiro de Deus. Tentarei conhecer melhor sobre ele para deixar-lhes em nosso site. Não é apenas um ícone bíblico, mas alguém que merece nosso estudo aprofundado, assim como Samuel e João Batista, de quem falarei nos encontros posteriores. A única coisa que fica latente em minha mente é que quando alegamos já ter lido determinada obra ou já ter estudado determinada coisa, talvez não estejamos nos dando conta da profundidade de ensinamentos que podemos haurir nestas mesmas coisas.

Nazarenos. Um trecho tão simplório em nosso evangelho. Três nomes citados ao acaso. Terão sido citados ao acaso? Talvez não nos sejam mais do que apenas figuras conhecidas que foram citadas, mas sim criaturas cujos comprometimentos e destinos podem por nós serem observados e compreendidos. No momento recordo-me que falaremos de João Batista nos primeiros capítulos de O Evangelho Segundo o Espiritismo e, já nesse ponto, saberemos algo sobre este irmão e muito nos será facilitado compreender.

Exposto em 27-01-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte III

Encontro passado falamos sobre os nazarenos, nazirenos e começamos a conhecer um pouco sobre a vida dos três exemplos deixados por Kardec: Sansão, Samuel e João Batista. São relatos que podem nos interessas a partir do momento que observamos, em pureza, como eram as crenças e vivências destes irmãos, assim como daqueles que os cercavam.

Fato em comum entre estes irmãos é que foram como que profetas ou anunciantes das vontades de Deus. Outra coisa interessante, acerca das mães de Sansão e Samuel, é que elas não podiam ter filhos, mas tinham uma fé imensa em Deus. A mãe de Samuel, por exemplo, era casada com um homem que possuía outra mulher, Penina, e filhos daquele casamento, algo comum à época e que alguns trocloditas ainda não aprenderam nos dias de hoje: a ter apenas uma mulher. Por conta dessa sua esterilidade, Ana era infeliz e atormentada pela outra esposa, que lhe jogava em face sua incapacidade em gerar um filho.

Conta a história que certo dia, aos prantos por tantas admoestações, essa mulher procurou um templo onde se pôs a orar com tanto fervor, que sequer pronunciava palavras, mas seus lábios se mexiam. Clamava a Deus a oportunidade de conceber e, diante deste desejo atendido, propunha-se a consagrar o filho ao templo, ou aos costumes nazirenos, como era à sua época. Sua conversa com Deus não era uma troca e nem uma proposta.

Era o pedido sincero de uma mulher que acreditava em seu Deus e que sabia que devia-lhe reconhecimento, fato que desejava externar através da entrega do filho para ser um iniciado. O levita Eli, observando sua atitude, julgou-a como alcoolizada e começou a chamar-lhe a atenção com rispidez. Esta, sinceramente ligada no pedido que realizava, esclareceu que não havia consumido bebida com álcool e que ali estava em prostração humilde, requisitando a Deus de sua misericórdia.

Tocado por tamanha sinceridade e devotamento, o sacerdote pede a ela que serene seu coração e que se vá, porque Deus haveria de atendê-la. E assim se processa, a mulher estéril concebe o filho chamado Samuel (Samuel significa literalmente: "Seu nome é Deus", ou, "Nome de Deus". Seu significado contextual significa: "Pedido de Deus" ou "do Senhor o pedí") e o entrega ao sacerdócio. Ainda na juventude, Samuel começou a manifestar dons proféticos, sonhando com palavras e visões divinas. Sua primeira profecia constava da confirmação de que Eli e seus filhos seriam retirados do sacerdócio.

E eis mais um ponto que nos cabe prestar atenção também. Àquela época o sacerdócio era uma continuidade em família, quase como a monarquia que conhecemos. Eli, aquele mesmo que repreendera a mulher Ana no templo, era o sumo sacerdote da época e possuía filhos que deveriam sucedê-lo. Acolheu Samuel no templo e dedicou-se a ele com desvelo paterno. Neste ponto temos uma referência que muito nos interessa.

Eli, o sumo sacerdote, tinha filhos que deveriam sucedê-lo no sacerdócio ou naquilo que era considerado como um juiz do povo. Mas, seu protecionismo e a liberalidade com que criou seus filhos, fez com que se tornassem os chamados fornicadores da época e isso defronte ao templo, instituição que deveria ser respeitada. Fornicar, nesse caso, poderia tanto ser a prática do sexo desregrado, como também a adoração a outros deuses. Imaginem tudo isso vindo dos filhos de um sumo sacerdote que devia ser ouvido como o portador da palavra de Deus.

Este mesmo Eli fora o responsável pela preparação da criança Samuel ao serviço do Templo e o fez com grande êxito. Já na adolescência, Samuel passou a profetizar, até por isso ficou conhecido como um dos primeiros profetas de nossa história, fato que ocorreu por volta de 1090 aC. Uma de suas profecias que se concretizou, foi justamente a de que o profeta Eli e seus filhos seriam retirados do sacerdócio. Este aviso o próprio Eli já recebera antes de um profeta desconhecido a informação de que Deus estava mandando um novo sacerdote para tomar o seu lugar e dos seus filhos que foram amaldiçoados diante dos sacrilégios que cometiam.

Temos aqui mais uma soma ao pedido de Ana que demonstra que o milagre, entre aspas, não ocorreu por ocorrer, mas que possuía um propósito. Eli reconheceu no jovem Samuel o seu sucessor e o treinou/educou como rezam as leis e tradições da época, diferentemente do que fez com os próprios filhos.

Nas palavras de um pastor C.H. Spurgeon

(...) “ Eli não educou seus filhos para serem os servos dispostos e os ouvintes atentos à palavra do Senhor. Nisso lhe faltava à desculpa de ser incapaz, porque treinou a criança Samuel com bom êxito em ser reverentemente atento à vontade divina. Ah, que aqueles que são diligentes com as almas de outros olhassem bem as suas próprias famílias. Mas ai do pobre Eli, como muitos em nossos dias, fez-te guarda dos vinhedos, mas tua própria vinha tu não guardaste."(...)

Bom, eis o ensinamento que nos interessa. Casa de ferreiro tem espeto de pau. Quantos de nós, grandes oradores e concretizadores das regras impostas pelos nossos credos e religiões não descuidamos das verdadeiras responsabilidades que nos cabem e a concretizamos apenas junto a terceiros? É tão engraçado que agora me cai a ficha de uma conversa que tive com um amigo, que me dizia acerca da diferença dos resultados de qualquer trabalho voltado ao ensinamento e à espiritualidade.

Podemos ter resultados abrangentes, ou seja, que atingem centenas e até milhares de pessoas, mas dentro de nosso próprio reduto familiar não somos capazes de assim proceder. No caso de nós espíritas, nos arvoramos em ser evangelizadores e instrutores dos preceitos cristãos aos rebentos alheios, mas esquecemo-nos de exemplificá-lo dentro de nosso próprio lar, trazendo a nossos filhos o descrédito diante daquilo que falamos, afinal, temos dentro de nosso lar o tal do “Faça o que eu falo, mas não o que eu faço”. É justamente neste ponto que a história de Samuel me chama a atenção.

Se tomarmos como lição não apenas todo o desenrolar do seu nascimento, mas também aquilo que ocorreu à sua volta, veremos que este irmão pode nos servir como grande referencial de conduta e também de como devem agir as pessoas umas com as outras, no caso, pais na educação/criação de seus filhos. Sei que falar em educação é mexer em vespeiro, mas não vamos nos reportar aos demais; reportemos-nos a nós mesmos, pais.

Se casados, desrespeitamos o lar através de nosso personalismo e de nossas fraquezas morais. Se separados, tratamos nossos ex-companheiros como inimigos e esquecemo-nos que nossas atitudes podem não ser vistas, mas serão sentidas e ecoarão em nossos filhos. Quantos e quantos filhos na fase adulta não demonstram o desequilíbrio que adquiriram dentro de um lar recheado de falsidade, de grosseria e até mesmo de desrespeito? Quantos não trazem em si marcas profundas e traumas que sequer conseguem imaginar, justamente por conta de todas as cenas e situações que presenciam de seus pais?

Cansamos de ouvir que os espíritas não conseguem que seus filhos sigam na evangelização ou na própria doutrina. Por que será? Que credibilidade eles passaram acerca da doutrina para estes filhos? Talvez a mesma que o sacerdote Eli tenha passado ao povo de Israel, que em vista daquilo que presenciavam de seus filhos passaram a descrer e a desacreditar nas ligações com Deus. Eli foi para o povo o que muitos pais são para seus filhos. Tanto é que Samuel, que não pertencia à sua família, fora criado com todo o discernimento e retidão necessários a assumir a tarefa de Sacerdote.

Samuel ainda, teve grandes feitos, dentre eles podem se destacar o fato de ter ‘julgado’ corretamente Israel durante toda sua vida, de ter preparado o caminho para a monarquia e a introduzir, ungindo Saul e, após ser ele rejeitado, Davi. Samuel, portanto, pertence ao período de transição dos juízes para a monarquia. Ele é o último e o maior de todos os juízes e o primeiro da grandiosa linhagem de profetas hebreus posteriores a Moisés. Fez também a chamada reforma religiosa, venceu os Filisteus de maneira a não ser mais desafiado durante seu mandato de juiz.

Será que diante de todos estes feitos, podemos crer que Deus apenas se apiedou de uma mulher que se sentia humilhada e lhe proporcionou um milagre? Ou podemos pensar na força da fé, naquilo que sempre dizemos, que Deus nos sonda e na verdade que habita em nosso coração e em nossos propósitos?

Somos levados a constatar que a frase tão batida de Einstein que (...)“Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos.Fazer ou não fazer algo só depende da nossa vontade e perseverança." (...) adequa-se perfeitamente a este contexto, porque seria muito mais fácil Deus ter escolhido Penina, a esposa fértil e a que era 'capacitada' para ter Samuel, no entanto, viu que a incapaz ou a 'não capacitada' Ana deveria ser a escolhida, porque levaria avante seus propósitos com perseverança e disciplina.

E nós? Desculpem-me, mas tenho de perguntar isso. Que fazemos nós? Sonhamos em ser dirigentes de casas espíritas, queremos lugar de destaque na sociedade, queremos determinadas coisas no contexto familiar e até mesmo profissional e que fazemos para isso? Choramos, esperneamos, maldizemos Deus, nos cremos incapazes ou incapacitados e nos deixamos à margem do caminho, porque já cansamos de lutar, já cansamos de perseverar e até mesmo nos reconhecemos sem fé.

Puxa, me desculpem, mas é muito fácil dizermos: não tenho fé. Sou fraca. Sou deficiente. Difícil é reconhecermos que somos aquilo que fazemos de nós mesmos e que Deus é por nós, mas necessário se faz que também sejamos. Aquele filho de um casamento que poderia ser considerado duvidoso, vindo de uma mãe que era considerada, assim como a mãe de Sansão, como uma criatura mal vista diante de Deus por não poder procriar e que foi criado num meio que não lhe pertencia, o templo, foi a grande diferença à sua época, unindo homens, uma nação e, sobretudo, trazendo o povo de volta à adoração ou reconhecimento a Deus.

Qual é a diferença que fazemos em nosso próprio viver? Quando deixaremos de auto piedade e auto compaixão e veremos que temos de arregaçar as mangas e aceitar aquilo que está em nossas mãos e disto fazer o nosso melhor? Quando você for dormir hoje, dê uma perguntadinha à sua consciência que é também seu grande juiz: fiz o melhor que eu podia nas situações que me rondaram no dia de hoje? Aquela pendência ou aquela desavença que nutro há anos, pude dar-lhe o melhor de mim hoje? Aquele apelo fraterno para que eu esqueça o passado, dei o melhor de mim para ele hoje?

Semana que vem falaremos acerca de João Batista, para em seguida adentrarmos aos Publicanos.

Exposto em 05-02-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte IV

Hoje terminaremos de conhecer o trio de nazarenos citado por Kardec quando citou acerca dos mesmos e das diferenças sobre a sua identificação. Tem sido interessante observar como em 3 simples nomes mencionados, foi-nos possível retirar aprendizados diversos e interligados entre si, ou seja, sou levada a crer que não é ‘por acaso’ que kardec os citou.

João Batista, o último dos citados, possui também contribuição marcante em nossa história, principalmente por ter sido ele quem anunciou Jesus como aquele que era esperado por todos. Mas com que autoridade ele fez isso? Vejamos.

João Batista, conhecido pela maioria como São João, é a voz que clama no deserto: “Endireitai os caminhos do Senhor... fazei penitência, porque no meio de vós está quem vós não conheceis e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias”, anunciou com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo”. João Batista ou São João é conhecido como pregador da penitência, precursor do Messias, alegria do povo.

Mas ele é muito mais do que isso, gente! Como ele foi virar São João em festa junina e com direito a música e tudo? Bem, existe neste meio um fato que está relacionado aos outros dois citados por Kardec. Isabel, sua mãe, era já mulher de idade e estéril, mas cujo esposo Zacarias recebera a visita do Anjo Gabriel anunciando que a esposa lhe daria um filho e que este deveria se chamar João, por graça especial de Deus.

Situação semelhante se dá entre as mães de Sansão, Samuel e João Batista. Nenhuma delas podia conceber, mas todas foram agraciadas com a bondade divina. Não por predileção ou por protecionismo, mas sim porque eram mulheres aptas a valorizarem o fruto que carregavam no ventre e a destinar este fruto ao crescimento espiritual na matéria, necessários para que cumprissem suas tarefas.

Após este fato, Maria mãe de Jesus, já grávida, fora visitar essa parenta distante e ao se verem, sentiu Isabel o bebê em frêmito em seu ventre e diz estas bellas e significativas palavras narradas em Lucas 1: 41-43 : "Ora, quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo. Com um grande grito, exclamou: 'Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem que a mãe do meu Senhor me visite?'"

Diante da sensibilidade que a gestação do filho lhe proporciona, sensibilidade essa em decorrência da grande tarefa reservada a seu filho, eis que Isabel reconhece em Maria a mãe do Messias. Ambas se surpreendem com a gravidez uma da outra e, em vista da distância que as separavam, combinaram de avisarem-se através de uma fogueira. Aquela que tivesse primeiro o filho faria uma fogueira para a outra.

Vejam como as situações já ficam meio perdidas e por isso a exatidão do nascimento de Jesus ainda nos é desconhecida. Lembram-se que comentei, à época do Natal, que a festa surgiu por conta de alguns cristãos que queriam resgatar o espírito crístico diante do povo perdido em orgias e leviandades e que decidiram fazer com que 25 de dezembro fosse a data para comemorarmos o nascimento de Jesus? Pois é. Também comentei que alguns estudiosos estimavam a data de nascimento de Jesus no princípio de Abril, o que já seria impossível, haja vista este ‘trato’ feito entre Maria e Isabel.

Existe algo de concreto? Sim. Imprescindível? Não. Jesus não deixará de ser quem foi se o seu nascimento não estiver sendo comemorado na data certa, assim como João Batista não terá diminuído a sua importância histórica se nós continuarmos a tomar quentão e vinho quente e a pularmos fogueira no em comemoração ao dia de seu nascimento. Somos nós que deturpamos os fatos. E fato é que João Batista é muito mais do que aquele refrão: São João, São João, acende a fogueira do meu coração.

A fogueira aqui utilizada para os folguedos foi à sua época a maneira como a chegada de João Batista foi anunciada. Esse trem de balões e foguetório para acordar um santo dorminhoco, mas festeiro, é totalmente destoante da verdadeira vida de João e se fosse nos dias de hoje, onde temos direitos autorais, de imagem e etc., careceria até de contestação por parte de seus herdeiros, afinal João Batista não era festeiro e nem tão pouco dorminhoco como rezam algumas lendas e justificativas populares.

João Batista trouxe a proposta batismal de purificação. Bella passagem e que terá nossa atenção especial quando da chegada do respectivo capítulo de O Evangelho Segundo o Espiritismo. A narrativa que temos de Mons. Raimundo Possidonio Administrador Diocesano da arquidiocese de Belém nos diz o seguinte:

(...) A salvação que vem de Deus, já anunciada por Isaías (Is 40), é inserida numa dinâmica universal, não mais étnica-cultural-religiosa ligada ao mundo judaico, ou seja, todos os povos são chamados e serão alcançados pela ação salvífica de Deus através do Messias que vai chegar. Deus vem visitar seu povo, trazendo essa Boa Nova de uma transformação total que pede a todos uma mudança de vida radical, despojamento, mentalidade nova, endireitar a vida torta, vencer os obstáculos. (...)

Quando dizemos que João é mais do que nos lembramos, por conta das festas juninas, eis aí a resposta que se anuncia. João foi a voz atuante conclamando os homens a se renovarem e a modificarem suas vidas, pois o Messias estava chegando e, com ele, a Boa Nova. A Boa Nova, assim como Jesus, é a exemplificação do amor, da caridade, da renovação e da fraternidade. É a vida sendo vista com olhos diferentes de até então, onde tudo se resolvia no ‘olho por olho – dente por dente’.

(...) E isso é anunciado no deserto – em geral essa expressão é muito mal entendida porque se pensa sempre no deserto sem vida, sem nada, inacessível – que Deus vai falar através de seu profeta. Segundo Eusébio de Cesaréia, este deserto representa todas as nações pagãs privadas do conhecimento de Deus e os profetas até então nunca tinham pregado para elas.(...)

Este exemplo de como a palavra deserto é interpretada, nos faz lembrar da parábola da figueira seca, em que Jesus aproximou-se de uma árvore para de seus frutos colher e lá somente encontrou folhas. Disse-lhe que secaria e que ninguém mais comeria de seus frutos. Para nós, algo irascível, afinal, por que Jesus amaldiçoaria uma árvore que talvez não estivesse na época de dar frutos? Não foi intolerância do Mestre, pelo contrário, se observarmos o Evangelho Segundo o Espiritismo, veremos mais esta explicação, mas posso adiantar-lhes que (...) a figueira seca deve ser vista como aquelas pessoas que apenas aparentam o bem, mas na realidade nada produzem de bom: os oradores que possuem mais brilho do que solidez, dotados do verniz das palavras de maneira que estas agradam aos ouvidos; mas quando as analisamos, nada revelam de substancial para o coração; e, quando as acabamos de ouvir, perguntamos que proveito tivemos.(ESSE XIX:9).

Assim é a passagem em que se diz que João vinha ou pregava no deserto. Deserto de almas; deserto de Deus nas pessoas; deserto de seres que nunca foram alvo de atenção acerca das verdades divinas. João chamava a todos quantos, mas de certa forma, ele principiava por já praticar a atitude que já conhecemos através das palavras de Jesus “Não são os sãos que necessitam de médico”.

(...) As palavras de João são emblemáticas, raivosas aparentemente, mas cortantes, penetrantes, estimulantes, poderíamos até dizer, destruidoras de um mundo que aparentava estar com Deus, mas não estava: por isso, um machado aparece para cortar a árvore improdutiva (Jesus várias vezes retomará essa imagem da poda, do corte radical, lembram da figueira?). Quem quiser percorrer esse caminho para encontrar o Salvador deve andar pelo deserto, deve converter-se, deve mergulhar (batismo) numa nova espiritualidade, mesmo porque a proposta que Jesus vai apresentar aos seus seguidores não será de muita facilidade, comodidade, sem obstáculos. A estrada é estreita… Não haverá outro jeito de encontrar-se com o próprio Deus.(...)

Esta passagem que encontramos elucidada também em nosso Evangelho Segundo o Espiritismo, nos mostra quão bella e rica ela é. Não apenas um gesto simbólico ou ritualístico, mas um marco de profundidade na vida de uma criatura onde somente quem já é senhor de suas vontades, de seu pensar e de seu viver pode vivenciar com real proveito. Como impor o batismo a alguém que sequer ainda sabe dizer o próprio nome e quem dirá identificar-se diante da vida?

Bom, afora a morte que pode ser considerada brutalmente trágica, temos muitas outras alusões acerca da vida de João Batista e pouco seria mantermos apenas este encontro como grande referencial. Hoje, nesta noite, temos apenas a intenção de refrescarmos a memória de todos os presentes acerca de mais este ser narrado por Kardec como exemplo de nazareno ou nazireno. E, no alinhavo das três personalidades, temos que a fé foi a ferramenta que moveu estes três irmãos. O primeiro, fraquejou diante dela e dos compromissos assumidos. O segundo conseguiu levá-la com fidelidade e honra até o fim de seus dias terrenos e o terceiro não hesitou em morrer em nome dessa fé.

Fé na justiça, na verdade, na renovação, no novo reino, no Messias e em Deus. Fé que o deixava livre para apontar os erros de Herodes, por exemplo, ao tomar Herodíades como sua a esposa, sendo que assim o era de seu próprio irmão. Ambos, confrontados diante de suas imposturas morais, acalentaram a vingança e a oportunidade de lavarem com sangue a ofensa que lhes fora feita, ofensa essa que não passava da verdade sendo colocada sem medo e sem pudor, por conta de ser aquilo que com fé e ardor se buscava.

Essa fé lhe custou a vida e quantos de nós não nos censuramos por ter feito algo bom que se transformou em dor ou dificuldade? Devemos ter fé que a nossa parte está cumprida, assim como João cumpriu com sua parte ao ser inquirido acerca da legitimidade do relacionamento de ambos. Confiemos em nossas obras quando elas são calcadas na fé em Deus e no seu amor.

Finalizando, vale lembrar que Jesus se referiu a João Batista de forma ímpar ao dizer que ‘dentre os nascidos de mulheres, não havia nenhum maior que ele’. E isso nos faz perceber a diferença entre João e Jesus. Oras, ambos nasceram de mulheres, mas apenas um o fora por uma única vida ou existência, no caso, o Mestre Jesus. Então, entre os homens, aquele que merecia o reconhecimento de Jesus era justamente João Batista.

Exposto em 05-02-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte V

Conhecer sobre os nazirenos ou nazarenos, fez com que pudéssemos visualizar a diferença que a fé, o comprometimento e a disciplina fazem em nosso viver. Hoje, teremos os publicanos e isso nos proporcionará um ângulo novo de observação.

(...) PUBLICANOS – Eram assim chamados, na Roma antiga, os cavaleiros arrendatários das taxas, encarregados da cobrança dos impostos e das rendas de toda espécie, fossem na própria Roma ou em outras partes do Império. Assemelhavam-se aos fermier généraux (arrendatários gerais) e aos traitans (contratantes) do antigo regime na França, e aos que ainda existem em algumas regiões. Os riscos a que estavam sujeitos faziam que se fechassem os olhos para o seu enriquecimento, que, para muitos, eram produtos de cobranças e de lucros escandalosos. O nome de publicanos foi estendido mais tarde a todos os que lidavam com o dinheiro público e aos seus agentes subalternos. Hoje, a palavra é tomada em sentido pejorativo, para designar os negocistas e seus agentes pouco escrupulosos; às vezes dizemos: ‘’ávido como um publicano; rico como um publicano’’, referindo-nos a fortunas da má procedência.(...)

Não temos muito a acrescentar nesta passagem e me faço valer das palavras de Almícar Del Chiaro Filho:

(...) Publicanos eram agentes do tesouro público. Eram pessoas que compravam do governo o direito de cobrar impostos, pagando antecipadamente, do seu bolso, a quantia estimada pelas autoridades do Tesouro, ficando com o comprador, o risco de recuperar o seu dinheiro. Segundo Torres Pastorino, o Coletor distribuía os seus agentes para cobrar taxas de pedágios, de trânsito de mercadorias, de caravanas do comércio, de alfândegas e etc. dentro do distrito que lhe cabia por direito. O que arrecadasse era seu, inclusive o superávit (sempre era cobrado a mais). Alguns, mais afortunados compravam o direito sobre toda uma província e eram considerados chefes dos publicanos, como Zaqueu. (Lucas 19: 3). Eles eram mal vistos pelo povo, pois cobravam muito mais do que deviam. Os judeus os consideram traidores e apóstatas. O *Talmude proibia que fossem testemunhas ou juizes nos processos e eram considerados legalmente impuros, por estarem sempre em contato com os não judeus. As autoridades faziam vistas grossas às suas roubalheiras, porque a profissão era execrada e arriscada. Imaginem o impacto causado por Jesus, ao escolher um publicano, como discípulo. * Talmude – Uma das obras mais importantes do judaísmo pós-bíblico e considerada a interpretação autentica da *Toráh, ou lei escrita. TORAH – (lei) Os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica que contém o essencial da lei mosaica. Mateus, ou Levi, ofereceu um banquete a Jesus e aos seus colegas, como despedida das suas funções. Citamos este fato apenas por um ensinamento notável. Criticado pelos Fariseus e Doutores por estar se banqueteando com publicanos, ladrões e prostitutas, o Mestre cita um aforismo (sentença): Os sãos não necessitam de médico, mas sim os enfermos. Depois conclui - Não vim chamar os justos, mas os pecadores.(...).

Gostaria de lembrá-los destes publicanos famosos, Zaqueu e Levy. Para tanto, disponibilizarei passagens e textos acerca de ambos, que nos mostram claramente como os publicanos eram vistos e como Jesus deu ênfase à necessidade de com eles estar, justamente porque encontrava nestes irmãos muito mais sinceridade de coração do que nos fariseus. Prosseguindo com o Evangelho Segundo o Espiritismo, temos

(...) Durante a dominação romana, foi o imposto o que os judeus mais dificilmente aceitaram, e o que mais causava irritações entre eles. Provocou numerosas revoltas e foi transformado numa questão religiosa, porque era considerado como contrário à lei. Chegou-se mesmo a formar uns partidos poderosos, que tinha por chefe um certo Judá, chamado o Gaulonita, que estabelecera como princípio o não pagamento do imposto. Os judeus tinham, portanto, horror ao imposto e, por conseqüência, a todos os que se encarregavam de arrecadá-lo. Esse o motivo de sua aversão pelos publicanos de todas as categorias, entre os quais podiam encontrar-se pessoas estimáveis, mas que, em virtude de suas funções, eram desprezadas, juntamente com as pessoas de suas relações, todas confundidas na mesma repulsa. Os judeus bem considerados julgavam comprometer-se, tendo relações íntimas com eles.(...)

Afora esta importante elucidação, teremos muito mais acerca do assunto nas próximas páginas do Evangelho Segundo o Espiritismo, mas vale enfatizar que no capítulo XI encontraremos a famosa passagem “Daí a César o que é de César”, que nos leva a refletir não apenas acerca das diferenças material/espiritual, mas também acerca daquilo que fazemos ou buscamos em relação ao próximo e a nós mesmos, enquanto num mundo de provas e expiações, um mundo predominantemente da matéria. Finalizando por hoje, temos também acerca dos Peageiros:

(...) PEAGEIROS – Eram os cobradores inferiores, encarregados de receber a peagem (pagamento) para entrada nas cidades. Suas funções correspondiam mais ou menos a dos funcionários aduaneiros e dos cobradores de taxas sobre mercadorias. Sofriam também a reprovação aplicada aos publicanos em geral. È por essa razão que encontramos freqüentemente nos Evangelhos o nome de publicano ligado à designação de gente de má vida. Essa qualificação não se referia aos dissolutos e aos vagabundos; era uma expressão de menosprezo, sinônima de gente de má companhia, indignas de relações com gente de bem. (...)

Para quem se surpreende com as atitudes que podemos ver em alfândegas e serviços destinados a entrega de mercadorias a terceiros, eis que não existe nenhuma novidade. A novidade que deveria existir é a de que, independentemente de nos sentirmos lesados ou enganados, utilizássemos destes serviços com a consciência tranquila. A passagem de Zaqueu pode nos mostrar isso.

Jesus afirmou que faria o jantar em sua casa e este homem, clamou de si para si mesmo: ‘não sou digno, não sou digno’. E enquanto sua família preparava a casa com perfumes, tecidos finos, iguarias e convidados seletos, Zaqueu buscou ao Mestre, porque em sua mente e em seu coração rondava o peso da consciência que havia cobrado a mais e recebido o que não lhe cabia em verdade. Zaqueu era responsável pela cobrança de impostos de uma província toda e seus ganhos eram gigantescos, mas a sua solidão também. Nem seus familiares ou filhos podiam desfrutar da companhia ou amizade dos demais, pois que eram mau vistos.

Este homem, em exame de consciência, percebe seus erros e ganhos ilícitos e se dispõe a refazer seus erros doando seus bens e seguindo ao Mestre. E nós que já alteramos imposto de renda, que já anotamos zona azul a lápis para reaproveitarmos o cartão, que recebemos troco a mais e não devolvemos e tantas outras coisas que pode rondar na mente de cada um aqui presente ou nos ouvindo, como será que podemos nos postar se o Mestre se convidar a ceiar em nossa casa?

Este pensamento, de que o Mestre Jesus poderá a qualquer momento adentrar ao nosso lar e à nossa vida, serve-nos de estímulo para muitas coisas. Diferenciar o que pertence a Deus e ao homem é imprescindível para que não nos percamos em atividades infrutíferas e atitudes desnecessárias, que mais encobrem um falso puritanismo ou um ideal deturpado, do que a realidade em que vivemos.

Estamos na Terra, na matéria. Temos necessidades e funções adequadas a estes estados e cabe a cada um de nós observá-las e levá-las avante com a consciência tranquila. Se Jesus adentrar ao meu lar, de repente, vai quase cair de costa, tamanha bagunça que encontrará. Se eu pesar o real valor que devo dar a esta bagunça, verei que existem crianças que brincam o dia todo fechadas em um apartamento; verei que sou uma pessoa sozinha para administrar um lar e isso inclui desde o ganha pão até a compra e confecção de tudo que é consumido neste lar.

Embora o Mestre encontre essa bagunça, ele perceberá que em minha mente não haverá o peso de ter roubado, de ter me feito de esperta ou Gerson em qual situação for, de estar ao lado de meus filhos dando-lhes o melhor que está ao meu alcance, mesmo quando estou aqui com vocês, ou seja, não abro mão de minhas responsabilidades maternais para divulgar a doutrina espírita ou converter quem quer que seja, pelo contrário, aprendo cada dia mais a importância dos momentos que passamos juntos, como ontem que fui caçar casulos de borboletas com Fiorellinha ou outro dia em que joguei com meu filho.

Será que não estamos próximos de agir como os chamados publicanos? Será que também não estamos censurando nosso próximo como se fariseus fôssemos? Estudar o Evangelho é mais do que conhecer fatos que ocorreram séculos atrás. É trazê-lo para o nosso viver em cada vírgula, em cada migalha de nossa existência, pois somente assim teremos alcançado o proveito necessário do aprendizado a que nos propomos.

Exposto em 17-02-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte VI

A noite de hoje nos promete a observação acerca dos Fariseus. Se prestarmos atenção, veremos que no dia de hoje muitos irmãos podem ser chamados de fariseus, por conta do pejorativo com que o nome tornou-se conhecido. Alguns nomes nos são conhecidos nos dias de hoje como pertencentes a religiosos e até a companheiros de doutrina. Dentre os mais famosos, temos: hipócritas e sofistas.

Diretamente da wikipédia, temos que (...) hipocrisia é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui. A palavra deriva do latim e do grego ambos significando a representação de um ator, atuação, fingimento (no sentido artístico). Essa palavra passou, mais tarde, a designar moralmente pessoas que representam, que fingem comportamentos. Um exemplo clássico de ato hipócrita é denunciar alguém por realizar alguma ação enquanto realiza a mesma ação. (...).

Vira e mexe dizemos aos outras: ‘Deixa de ser hipócrita!’ e é bem isso, deixe de falar uma coisa e fazer outra ou até mesmo de criticar aquilo que você mesmo faz e não admite. Outro conhecido nosso é o sofista:

(...) Sofisma é argumento capcioso com que se pretende enganar ou fazer calar o adversário. Popularmente se diz que sofisma é um engano, logro. Sofismar é torcer o argumento ou a questão. Dar aparências de verdade a (asserção que se sabe ser falsa). Popularmente se diz que é lograr, iludir. (...) Algumas criaturas são versáteis em usar de sofismas, ou seja, raciocinam por sofismas, criando confusão e até mesmo falsas impressões sobre as pessoas.

Geralmente, estes dois tipos de criaturas, hipócritas e sofistas, são intolerantes, intransigentes, donos da verdade e de difícil trato quando são contrariados ou suas verdades são postas em cheque. Excelentes explanadores possuem grande dificuldade em reconhecer os próprios erros e desenganos. Fazem parte de todas as religiões e situações, inclusive matrimoniais, pois são assim, até compreenderem que é necessário fazer-se humilde na acepção do significado, para começar a compreender o próximo e a si mesmo sem véus ou meias verdades.

Bom, esta pequena introdução sobre hipócritas e sofistas, foi por conta da frase conhecidíssima de Jesus: “Aí de vós escribas e fariseus, hipócritas!” Os escribas veremos logo adiante, os fariseus, verificaremos agora:

(...) FARISEUS – (Do hebraico: divisão, separação). – A tradição constituía parte importante da teologia judaica. Consistia na reunião das interpretações sucessivas dadas aos trechos das escrituras, que se haviam transformado em artigos de dogma. Isso era, entre os doutores, motivo de discussões intermináveis, na maioria das vezes sobre simples questões de palavras ou de formas, à semelhança das disputas teológicas e das sutilezas da escolástica medieval. Daí surgiram diferentes seitas, que pretendiam cada qual o monopólio da verdade, e como acontece quase sempre, detestando-se cordialmente entre si. (...)

Que forte isso, não gente? Detestarem-se cordialmente! Algo que deveria aproximar as criaturas, trazer-lhes a luz da razão e da igualdade é, antes de tudo, o motivo pelo qual se desentendem e até nutrem reservado ódio. Nós, seres humanos em evolução, possuímos este grande problema: se é igual a nós ou como nós pensa, serão amados e até festejados, do contrário, nutriremos aversão e trataremos com indelicadeza, reserva e até distanciamento.

Ou seja, por conta do radicalismo e da tradição, que nada mais é do que a via pela qual os fatos ou os dogmas são transmitidos de geração em geração sem mais prova autêntica da sua veracidade que não essa transmissão, o que nos faz perceber os excessos cometidos em nome de uma crença. Aliás, temos isso em todos os setores de nosso viver e dentro da própria Doutrina Espírita.

Outro fator interessante é no que diz respeito ao dogma que nada mais é do que o ponto fundamental e indiscutível de uma crença religiosa, por isso se diz que a Doutrina Espírita não é dogmática ou possui dogmas. Dogmas são encontrados em muitas religiões como o cristianismo, islamismo e o judaísmo, onde são considerados princípios fundamentais que devem ser respeitados por todos os seguidores dessa religião. Como um elemento fundamental da religião, o termo "dogma" é atribuído a princípios teológicos que são considerados básicos, de modo que sua disputa ou proposta de revisão por uma pessoa não é aceita nessa religião. Dogma se distingue da opinião teológica pessoal. Dogmas podem ser clarificados e elaborados, desde que não contradizem outros dogmas. A rejeição do dogma é considerada heresia ou blasfêmia em determinadas religiões, e pode levar à expulsão do grupo religioso. Vale lembrar que o termo dogma é usado muitas vezes de maneira pejorativa para se referir a qualquer crença que é mantida insistentemente, como nos debates entre os marxistas, ás vezes, é aplicada a convicções políticas[3], ou ao fanatismo religioso. Seguindo:

(...) Entre essas seitas, a mais influente era a dos Fariseus, que tinha Hilel como chefe, doutor judeu nascido na Babilônia, fundador de uma célebre escola, onde se ensinava que a fé só era dada pelas Escrituras. Sua origem remonta aos anos 180 ou 200 antes de cristo. Os fariseus foram perseguidos em diversas épocas, notadamente sob o domínio de Hircânio, sumo pontífice e rei dos judeus, e sob o domínio de Aristóbulo e Alexandre, reis da Síria. Não obstante, como este último lhes restituiu as honras e os bens, eles recuperaram o poder, conservando-o até à ruína de Jerusalém, no ano 70 da era cristã, quando então o seu nome desapareceu, em conseqüência da dispersão dos Judeus. (...)

Aqui os fatos giram em torno do que eles chamam da segunda dispersão ou diáspora do povo judeus, que ocorreu principalmente por conta da idolatria e rebeldia com que o povo judeu se portava perante a Deus, que segundo rezam as tradições, lhes tirou as terras prometidas até que retomassem a obediência a Deus, que então seriam restaurados como nação soberana e senhora do mundo.

Já dá para entendermos um pouco mais do porquê de tantos conflitos, guerras e determinismo referente a este povo, não? Donos da verdade, prepotentes em relação até o próprio criador, é um povo que muito precisou sofrer para se depurar e, haja vista as condições em que vivem ainda hoje, pode-se dizer que ainda não se modificaram muito. Na sequência da história, com a destruição do Segundo Templo pelos romanos e a conseqüente dispersão do povo de Israel, os judeus passaram a ser perseguidos, confinados e discriminados, criando as bases do anti-semitismo. Como conseqüência das dificuldades econômicas da Europa, no início do século passado, e das perseguições religiosas e sociais sofridas em seus países de origem, muitos judeus vieram para o Brasil em busca de uma vida melhor, fixando-se em sua grande maioria no Rio Grande do Sul.

Fontes ainda nos dizem que os romanos destruíram Jerusalém, e isso acarretou uma nova diáspora, fazendo os judeus irem para outros países da Ásia Menor ou sul da Europa. As comunidades judaicas estabelecidas nos países do Leste Europeu ficam conhecidas como Asquenazi (netos de Noé). Os judeus do norte da África (sefardins) migram para a península Ibérica. Expulsos de lá pelo crescente cristianismo do século XV, migram para os Países Baixos, Bálcãs, Turquia, Palestina e, estimulados pela colonização européia, chegam ao continente americano.

(...) Os fariseus desempenhavam papel ativo nas controvérsias religiosas. Observadores servis das práticas exteriores do culto e das cerimônias, tomados de ardoroso proselitismo, inimigos das inovações, afetavam grande severidade de princípios. Mas, sob as aparências de uma devoção meticulosa, escondiam costumes dissolutos, muito orgulho, e sobretudo excessivo desejo de dominação. A religião, para eles, era mais um meio de subir do que objeto de uma fé sincera. Tinham apenas exterioridades e ostentação de virtudes, mas com isso exerciam grande influência sobre o povo, passando para este como santos personagens. Eis porque eram muito poderosos em Jerusalém. (...)

Vamos lá compreendendo algumas coisas, que também ouvimos muito em relação á Doutrina Espírita. Não praticamos o proselitismo. Mas que trem é esse? Prosélito é o novo convertido a uma religião, a uma seita ou a um partido. Ardoroso proselitismo é aquilo que vemos comumente: criaturas querendo nos converter á sua crença ou religião e a todo custo! Não seremos salvos, não somos verdadeiros tementes a Deus, somos pagãos e por aí vai. Para os espíritas em específico, tem o trem de sermos necromantes, ou seja, fazermos adivinhações através de espíritos e também de termos parte com o diabo a quem chamamos de irmão. Uffa.. tem muito mais, mas estes exemplos já nos servem para vermos como o radicalismo não é frutífero e nem respeitoso.

A parte mais feia de tudo isso, não bastasse aquilo que acabamos de citar, é a de que tudo isso é realizado de maneira aparente e ostensiva, como bem é salientado por Kardec. Infelizmente, temos isso até hoje: prega-se uma coisa ao próximo e realiza-se outra em casa. Não preciso citar exemplos, pois todos nós conhecemos pessoas que possuem uma fachada e um interior completamente diferente.

O texto foi retirado deste site, onde é possível ler um pouco mais acerca das profecias Profecias Cumpridas.

Aliás, outra parte preocupante é justamente a de que (...) tinham apenas exterioridades e ostentação de virtudes, mas com isso exerciam grande influência sobre o povo, passando para este como santos personagens(...), mas Jesus conhece o íntimo de todos nós, mesmo aqueles que batem no peito e dizem:’ isso é entre minha consciência e Deus’. Outro grande problema de criaturas que agem desta maneira é justamente o poder que exercem sobre as pessoas. As mais atentas percebem o que se passa, mas muitas estão tão perdidas em si mesmas e nas redes da própria imperfeição, que não conseguem distinguir o certo do errado, o que fala manso e diz verdades, do que as vivencia.

Nós espíritas, sabemos que isso gera um processo de continuidade dos compromissos individuais e dos laços entre as criaturas, vida após vida até que consigam acertar os ponteiros. Se alguém seguir sozinho, com certeza pedirá para voltar e acompanhar o que retarda, por conta daquela tal afirmativa: ‘Isso é entre minha consciência e Deus’.

Tomo a liberdade de deixar este último parágrafo para o próximo encontro, pois contém muito mais do que sequer podemos divisar. É um ponto importante que nos mostra o que fizeram os que foram desmascarados e aquele que desmascarou. Servir-nos-á, com certeza, para que entendamos as consequências do reto proceder, aquele mesmo reto proceder que é escarnecido, perseguido e atormentado pelos fariseus atuais.
 

Exposto em 03-03-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte VII

O que pudemos acompanhar no estudo passado foi justamente uma postura que se distancia daquilo que o Mestre Jesus demonstrou: simplicidade, verdade e amor. Vimos adoradores de Deus que sequer conseguiam manter-se fiéis aos princípios alardeados, quanto mais às verdades não compreendidas diante da eternidade da criação.

Pudemos perceber e entender que estes homens, em muitos momentos, não o faziam apenas por ingenuidade ou desconhecimento real das leis divinas, mas sim um desejo egoísta de poder e de levar vantagem no que quer que seja. Inúmeras vezes me surpreendi com as disputas existentes dentro de entidades filantrópicas ou casas de ajuda. Inúmeras e incontáveis vezes me questionei: “Como alguém que faz parte de um trabalho voluntário, sem fins lucrativos e sem nada de ‘palpável’ pode desejar tanto o poder ou a liderança a qualquer custo?”

As respostas nunca me foram satisfatórias. Hoje entendo que o poder ou a projeção social em qualquer setor que seja, é alimento para muitas pessoas, assim como desfilar com uma calça de marca ou um carro importado. O que não me cabia compreensão era perceber que estas coisas são materiais e palpáveis e as outras não. E pior: as outras estão inseridas em contextos que envolvem a fraternidade, a caridade e o amor ao próximo. Impensável haver esse tipo de disputa ou anseio!

Porém, gente, retornando aos tempos de Jesus, entendemos que isso não é nenhuma novidade diante do interior da criatura humana e nem começou à época do Mestre. É algo que sempre fez parte de inúmeras criaturas nas situações mais abrangentes: concubinas em haréns, chefes em exércitos, serviçais em castelos, adoradores em templos e assim por diante. E, de fato, assim ocorreu com o que dizia respeito ao Mestre. Vejamos o que nos diz Kardec:

(...) (Os fariseus) Criam, ou pelo menos professavam crer na Providência, na imortalidade da alma, na eternidade das penas e na ressurreição dos mortos. (Cap. IV, N°4). Jesus, que acima de tudo prezava a simplicidade e as qualidades de coração, que preferia da lei o espírito que vivifica à letra que mata, entregou-se, durante toda a sua missão, a desmascarar essa hipocrisia, e em conseqüência os transformou em seus inimigos encarniçados. Foi por isso que eles se ligaram com os príncipes dos sacerdotes para revoltar o povo contra ele e fazê-lo sacrificar. (...)

Essa atitude dos fariseus era escancarada e totalmente contrária ao que professavam como sendo verdades que seguiam. Possuíam, como vimos, atitudes exteriores e atitudes reais. As reais eram distintas das atitudes exteriores, que todos viam e podiam testificar. O Mestre Jesus, ao contrário, em todos os seus momentos apregoou verdades que praticava e cria, tanto é que colocou-se à mercê destas criaturas ao desmascará-los e ao mostrar a diferença de postura entre eles e a verdade.

Como bem vemos em nossos dias, aquelas criaturas que se propõe a fazer ‘limpezas’, a trazer a verdade à tona, a prestar ao próximo auxílio concreto e real, são perseguidos, preteridos, tem seus caminhos dificultados e, em muitos momentos são considerados como perversos e colocados na postura de réus, por algozes inescrupulosos e detentores de um poder que lhes faculta esse agir.

Criaturas como estas são as mesmas que perseguem aqueles que buscam o reto proceder, que desejam depurar-se, que querem melhorar sua vibração e sua conduta. E isso ocorre em todas as escalas e dimensões: quando nos propomos a buscar a edificação ofertada dentro de um trabalho religioso ou espiritual, tudo nos dificulta o dia e a chegada; somos vencidos por obstáculos e até mesmo pelo sono para que não estejamos atentos e presentes em determinadas situações e locais.

Se em nosso trabalho queremos realizar tarefas que podem proporcionar o bem ou o crescimento aos demais e isso contrariar interesses escusos, seremos barrados e portas fechar-se-ão até para uma simples conquista. Que fazer? Sentar, desanimar, desistir ou deixar para lá? Nos acreditarmos desamparados e testados por Deus? Ou verificarmos os exemplos de Jesus que mesmo vendo-se castigado injustamente, mesmo tendo em suas mãos todo o ‘poder’ e a capacidade para fazer calar a cada uma das criaturas que lhe impingiam uma blasfêmia inexistente, tornou-se dócil e não resistiu ao mal que lhe queriam fazer, ao contrário, compreendeu e intercedeu junto ao pai por seus algozes.

Seus compromissos assumidos junto ao Pai eram maiores que suas necessidades pessoais de se fazer entendido ou absolvido; seus compromissos assumidos junto ao Pai por nós era maior do que o amor-próprio egoísta que vemos nas criaturas. E, se assim podemos dizer, o Mestre fez escola e centenas de discípulos se deixaram levar às feras, pois criam na vida eterna e no Pai que o Mestre Jesus lhes apresentou.

Um Pai misericordioso, justo e sábio; um Pai que nada deixa passar desapercebido ou de maneira indevida. Um Pai cujas qualidades, dons e atributos nos são de difícil enumeração, pois sequer os conhecemos em profundidade ou em verdade. Mas aqueles que crêem e confiam em toda a sua magnitude, estes serão salvos até mesmo das feras carniceiras, porque o que perece é apenas a matéria, mas jamais o espírito eterno.

Isso somos nós. Assim devemos agir. Somos convidados a rever atos, atitudes e caminhos. Somos chamados a construir e edificar não apenas por nós mesmos, mas também pelo nosso próximo. E, embora tenhamos dificuldades, obstáculos se apresentem e portas benéficas pareçam se cerrar ante nossa avidez ao transpô-las, eis que ainda nestes momentos temos a providência divina a nos amparar e a nos fortalecer, auxiliando-nos e convocando-nos a fazer nossa parte.

A questão é: vale a pena continuarmos a ser fariseus? Vale-nos algo ser hipócritas? Enganamos a quem diante de nossas atitudes dúbias?

(...) ESCRIBAS – Nome dado, a princípio, aos secretários dos reis de Judá e a certos intendentes dos exércitos judeus. Mais tarde, essa designação foi aplicada especialmente aos doutores que ensinavam a lei de Moisés e a interpretavam para o povo. Faziam causa comum com os Fariseus, participando dos seus princípios e de sua aversão aos inovadores. Por isso, Jesus os envolve na mesma reprovação.(...)

Funções que eram tidas como necessárias e de confiança, mas que foram utilizadas segundo as necessidades egoísticas daqueles que as realizavam. Novamente temos o egoísmo imperando ante a coletividade. Escribas eram como que cara metades de fariseus e a discriminação que Jesus lhes presta ao dizer: “ai de vós escribas e fariseus. Hipócritas!”. Como tudo o que temos em nossa vida e já bem dissemos aqui, o ruim e a perversão não está nas coisas, mas no emprego que dela fazemos.

Exposto em 10-03-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte VIII

Quando abordamos sobre os fariseus, vimos um trecho em que algo de relevante ocorreu na história do povo judeu. Foi a destruição do Templo em Jerusalém e a conseqüente dispersão que isso ocasionou no povo judeu, em vista de perseguições políticas e religiosas. Vejam que este fato pode ser necessário para compreendermos o termo Sinagoga:

(...) SINAGOGA – (Do grego: Sunagoguê, assembléia, congregação)- – Só um templo existia na Judéia: o de Salomão, sito em Jerusalém, onde se celebravam as grandes cerimônias do culto. Todos os anos os Judeus se dirigiam a ele em peregrinação, para as festas principais, como a de Páscoa, a da Dedicação e a dos Tabernáculos. Foi nessas ocasiões que Jesus fez numerosas viagens a Jerusalém . As demais cidades não tinham templos, mais sinagogas, edifícios em que os judeus se reuniam aos sábados, para fazerem suas preces públicas sob a direção dos anciãos, dos escribas e dos doutores da lei. Ali se faziam também leituras dos livros sagrados, seguidas de comentários e explicações. Cada um podia participar, e foi por isso que Jesus, sem ser sacerdote, ensinava nas sinagogas aos sábados. Depois da ruína de Jerusalém e da dispersão dos Judeus, as sinagogas, nas cidades em que passaram a residir, servem-lhes de templo para a celebração do culto.(...)

Tínhamos aqui um único local para grandes cerimônias e este local podia comportar todo o povo judeu para a realização das principais festividades, como a Páscoa, a da Dedicação e a do Tabernáculo. Falar da Páscoa, que aliás se avizinha, traz certa confusão em nossa mente. Se destacada neste trecho de kardec, poderá soar como fora de marco cronológico, haja vista o fato de a dispersão do povo judeu ter ocorrido cerca de 70 anos antes de Cristo e, ao mesmo tempo, sabermos que o Mestre já pregava em sinagogas, considerados como pequenos templos para celebração de cultos e que comportavam apenas parte ou fragmentos do povo judeu.

Porém, verificando um pouco além do que conhecemos ou cultuamos, eis que a Páscoa sugere algo mais do que apenas o renascimento do Mestre Jesus, como muitas religiões alardeiam. Uma definição contida na Wikipédia nos mostra a deturpação que o termo sofreu e o seu real significado/comemoração diante do povo judaico e do povo cristão. Sigamos com a compreensão do que é a Páscoa no Judaísmo:

(...) Segundo a Bíblia (Livro do Êxodo), Deus lançou 10 pragas sobre o Egito. Na última delas (Êxodo cap 12), disse Deus que todos os primogênitos egípcios seriam exterminados (com a passagem do anjo da morte por sobre suas casas), mas os de Israel seriam poupados. Para isso, o povo de Israel deveria imolar um cordeiro, passar o sangue do cordeiro imolado sobre as portas de suas casas, e Deus passaria por elas sem ferir seus primogênitos. Todos os demais primogênitos do Egito foram mortos, do filho do Faraó aos filhos dos prisioneiros. Isso causou intenso clamor dentre o povo egípcio, que culminou com a decisão do Faraó de libertar o povo de Israel, dando início ao Êxodo de Israel para a Terra Prometida. (...)

Conhecemos esta passagem. Primogênitos sendo sacrificados e primogênitos sendo poupados por conta do sangue posto por sobre as portas. A morte passava sem deter-se naquele ambiente. Eu adorava assistir a história da bíblia e ver esta parte das pragas, mas sequer podia imaginar o seu real significado, além do de ser uma grande produção dos idos anos de 70. Vejamos o comentário:

((Sobre as 10 Pragas do Egito e Suas Importâncias)) - Um trecho que, sem dúvida, chama demasiadamente a atenção dos cristãos ou mesmo não crentes, é a passagem sobre as 10 Pragas que o Senhor impusera sobre o Egito. Porém, poucos se preocupam com toda a finalidade desse plano de Deus para aquele povo e para os nossos dias.
Além da principal finalidade que é relatada na Bíblia, que é libertação do povo de Israel que estava sendo cativo do Faraó, as 10 pragas tiveram grande importância sobre os habitantes do Egito. Deus estava demonstrando, de certa forma, sua superioridade aos deuses que eram adorados pelos egípcios e pelo Faraó. E como se deu isso? A resposta é simples. Imaginem: Por que Rãs, Gafanhotos, Águas em Sangue, Chuva de Pedras...? O certo é que Deus queria falar algo mais, algo além do que podemos ver algo que hoje precisa ser estudado, mas que na época era uma grande revelação de Deus ao povo de Israel e ao Império Egípcio.
Cada praga era direcionada a um ou mais deuses, conforme a credibilidade do povo em confiar nesses "falsos senhores". Anexarei este quadro na página de estudos, mas vejam que interessante:

*AS PRAGAS*
*REFERÊNCIA*
*DIVINDADE EGÍPCIA ANTIGA*
Águas se formaram em sangue
Êxodo 7.14-25
 
Knum: guardião do Nilo; Haspi: espírito do Nilo; Osiris: O Nilo era seu sangue.
Rãs
Êxodo 8.1-15
Hect: com aspecto de rã; deus da ressurreição
Piolho
Êxodo 8.1-19
  -
Moscas
Êxodo 9.20-32
  -
Peste nos Animais
 
Êxodo 9.1-7
 
Hator: deusa-mãe com forma de vaca; Apis: o touro do deus; Ptá: Símbolo da fertilidade; Mnevis: touro sagrado de Heliópolis
Úlceras
Êxodo 9.8-12
*Imotep: deus da medicina
Chuva de Pedras
Êxodo 9.13-25
Nut: deusa do céu; Ísis: deusa da vida; Set: protetor das colheitas
Gafanhotos
Êxodo 10.1-20
Isis: deusa da vida; Set: protetor das colheitas
Trevas
Êxodo 10.21-29
Rá, Aten, Atum, Horus: todos deuses do sol
Morte dos Primogênitos
Êxodo 11.1-12,36
Osiris: A divindade de Faraó; o doador da vida

*Imotep, pode não estar envolvida, pois só encontra-se registros dela bem mais tarde, hipoteticamente pode ter surgido bem depois do episódio. (retirado de http://di.romanhol.vilabol.uol.com.br/inicio.htm )

Se nos mantivermos neste aspecto, veremos coerência com o descrito por kardec, afinal, o povo já comemorava o evento da Páscoa no Templo de Salomão, portanto, antes de Cristo. Depois temos a páscoa pela ótica cristã:

(...) A Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem) é um evento religioso cristão, normalmente considerado pelas igrejas ligadas a esta corrente religiosa como a maior e a mais importante festa da Cristandade. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação (ver Sexta-Feira Santa) que teria ocorrido nesta época do ano em 30 ou 33 da Era Comum. O termo pode referir-se também ao período do ano canônico que dura cerca de dois meses, desde o domingo de Páscoa até ao Pentecostes.
Os eventos da Páscoa teriam ocorrido durante o Pessach, data em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito.
A palavra Páscoa advém, exatamente do nome em hebraico da festa judaica à qual a Páscoa cristã está intimamente ligada, não só pelo sentido simbólico de “passagem”, comum às celebrações pagãs (passagem do inverno para a primavera) e judaicas (da escravatura no Egito para a liberdade na Terra prometida), mas também pela posição da Páscoa no calendário.(...)

Essa é a versão que mais comumente conhecemos: associar a Páscoa à morte e ressurreição do Cristo. Agora, sabem aquele inocente coelhinho da páscoa? Sabem de onde ele provém?

(...) Na Páscoa, é comum a prática de pintar-se ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas abstratas. Em grande parte dos países ainda é um costume comum, embora que em outros, os ovos tenham sido substítuidos por ovos de chocolate. No entanto, o costume não e citado na Bíblia. Antes, este costume é uma alusão a antigos rituais pagãos. Eostre ou Ostera é a deusa da fertilidade e do renascimento na mitologia anglo-saxã, na mitologia nórdica e mitologia germânica. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação a ela associados. A lebre (e NÃO um coelho) era seu símbolo. Suas sacerdotisas eram ditas capazes de prever o futuro observando as entranhas de uma lebre sacrificada (claro que a versão “coelhinho da páscoa, que trazes pra mim?” é bem mais comercialmente interessante do que “Lebre de Eostre, o que suas entranhas trazem de sorte para mim?”, que é a versão original desta rima. A lebre de Eostre pode ser vista na Lua cheia e, portanto, era naturalmente associada à Lua e às deusas lunares da fertilidade. De seus cultos pagãos originou-se a Páscoa (Easter, em inglês e Ostern em alemão), que foi absorvida e misturada pelas comemorações judaico-cristãs. Os antigos povos nórdicos comemoravam o festival de Eostre no dia 30 de Março. Eostre ou Ostera (no alemão mais antigo) significa “a Deusa da Aurora” (ou novamente, o planeta Vênus). É uma Deusa anglo-saxã, teutônica, da Primavera, da Ressurreição e do Renascimento. Ela deu nome ao Sabbat Pagão, que celebra o renascimento chamado de Ostara.(...)

Crenças e rituais, misturados a interesses comerciais e distantes de Deus, firmaram-se ao longo do tempo em nossa mente, confundindo-nos e dando-nos versões diferentes acerca da mesma coisa. Neste ponto é importante que conheçamos a história, para não nos deixarmos levar por rituais ou procedimentos distantes da simplicidade que é seguir o caminho que leva ao Pai. prosseguiremos na próxima semana, comentando acerca das outras duas festas praticadas no Templo: da Dedicação e do Tabernáculo.

Exposto em 17-03-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte IX

Aqueles que nos acompanham nos estudos podem estar se perguntando: ‘Mas Fiorella, para que necessitamos conhecer sobre determinadas passagens históricas e até mesmo costumes ocorridos antes da chegada do Mestre Jesus? Não estamos aqui para estudar o Evangelho Segundo o Espiritismo, que trata fundamentalmente das lições morais exemplificadas pelo Mestre?’. Seria básico eu dizer: é história e temos de conhecer de tudo um pouco, mas existem outros fatos e razões que pesam sobre essa necessidade.

Um destes fatos está já em nosso capítulo I do ESE, intitulado NÃO VIM DESTRUIR A LEI, onde entendemos que Jesus não veio contradizer Moisés, assim como a Doutrina Espírita não veio apagar a mensagem do Nazareno, muito pelo contrário, um é sequência do outro em conformidade com a evolução e compreensão do povo.

Determinadas coisas podem nos parecer até bizarras se não compreendermos de onde provém ou pelo menos conhecermos. O mesmo se sucede diante das loucuras e barbáries que vemos nos dias atuais. Terão começado somente agora ou já temos estes atos em nosso passado longínquo? Seremos mais ou menos fraternos nos dias de hoje? Estaremos mais evoluídos ou ainda somos bárbaros descontrolados?

Conhecer algumas passagens sem o glamour do cinema e por prismas variados, nos mostra uma realidade que não nos seria compreensível sem estas explicações. Como tantas famílias ainda passam por desagregações, dificuldades e até mesmo aberrações como as que temos acompanhado pelos noticiários? Se observarmos nosso passado e nossas atitudes, podemos compreender um pouco. Se observarmos que somos seres de diversas moradas que se reúnem em conformidade com seu grau evolutivo, também teremos algumas respostas.

Nossas inquietações talvez sejam menores se compreendermos que nada começou ontem e nem acabará amanhã. Que amores não são apenas de uma vida, assim como os desafetos. Tudo levou muito tempo e, diante deste muito tempo, séculos foram despendidos de maneira rudimentar, depois de maneira idólatra onde tudo era motivo de veneração, depois envoltos em sombra e ostracismo, até que adentramos a era moderna e aos tempos acelerados em que vivemos. Se o Planeta consumiu tanto e tanto tempo para sua adequação e pleno proveito, quem dirá seus habitantes, a moralidade e espiritualidade de cada um.

Bom, no que diz respeito às 3 festividades citadas por Kardec, semana passada abordamos acerca da Páscoa e suas disposições tanto de maneira religiosa, pagã e cristã. Por esta tripla abordagem, pudemos compreender que a Páscoa já era comemorada pelos judeus, mas que ganhou nova conotação após a crucificação do Mestre, inclusive com partes sentindo-se lesadas no que tange à verdadeira comemoração. Hoje temos um pouco acerca da Festa da Dedicação:

(...)É entre os dias 22 e 29 de dezembro, que o povo de Israel celebra a Festa da Dedicação, comumente conhecida como Hanukah. A festa de Hanukah não tem nada a ver com o Natal comemorado pelos cristãos, veremos isso a seguir. Por volta de 200 antes de Cristo o governo Grego-Assírio inicia a tentativa de apagar a memória judaica do povo judeu desejando misturá-los e torná-los parte da cultura do helenismo grego. Para isso, Antioco proibiu o cumprimento de leis judaicas e culto proibidos, incluindo nisso o próprio ensino da Torah, o que obteve um sucesso muito grande, pois um grande número de judeus, homens e mulheres se casaram com gregos e gregas, adotaram nomes e costumes gregos deixando a cultura e religião judaica de lado.(...)

Neste ponto já vemos, uma vez mais, o povo judeu ou de Israel sendo sufocado e até mesmo perseguido por outros povos. Não foi só Hitler quem cismou com este povo e a história nos mostra que é um povo reincidente em termos de perseguições religiosas e políticas. Até por conta da própria rigidez dos ensinamentos do Torah e daquilo que já abordamos no encontro retrasado, acerca dos que professavam uma crença e agiam em conformidade com seus interesses próprios, eis que o povo judeu também começou a se bandear para o lado ‘mais fácil’ e menos perigoso, ou seja, a repressão imposta por Antioco acabou agradando a um grande percentual de judeus, mas como não se tem nunca 100% em tudo na vida, eis que:

(...)Em resposta a isso, Deus levantou um pequeno grupo de judeus das montanhas da Judah, da região de Modiin, que declararam publicamente uma revolução contra Antioco e seu mandato. Seus líderes eram Mattitiahu, e seu filho Judah (Judas Macabeus). Que faziam pequenas incursões contra o exército Grego-Sírio. Mais tarde, Antioco enviou uma legião inteira de seu exército para sufocar a rebelião, mas o pequeno comando dos Maccabeus consegiu milagrosamente vencer a luta contra milhares de soldados até expulsá-los completamente das terras de Israel. (...)

A história contada por este site, pode ser conferida na íntegra através do link: Miva.org e nos mostra que não foi o povo, mas sim Deus quem se rebelou ante as atitudes Greco-Assírias. Esta própria forma de colocação da situação pode gerar controvérsias, principalmente quando se misturam interesses humanos ao nome de Deus, mas eis que Macabeus ficou conhecido como aquele que foi guiado por Deus e fez exercer Sua vontade de libertação do povo judeu, conseguindo um verdadeiro milagre com o contingente que possuía e afrontou exércitos habilmente treinados e postados em Israel. Bem, de uma maneira resumida, eis que aí se encontra o motivo da Festa da Dedicação. Outros fatos ocorreram no momento de proceder à esta festa, dando-lhe o cunho geral da quantidade de dias e do parecer milagroso. Depois temos a Festa dos Tabernáculos, onde faz-se constar que:

(...)Lv.23:33-43 ..."aos quinze dias deste mês sétimo, será a festa dos tabernáculos ao Senhor..." . A festa acontecia cinco dias depois da festa do Yom Kippur, sendo a última do ciclo anual de sete festas ordenadas pelo Senhor. Como a primeira festa, era celebrada no 15º dia do sétimo mês, na lua cheia. Assim, o tempo entre a Páscoa, a Festa dos Pães Asmos e a Festa dos Tabernáculos é exatamente seis meses e ambas são comemoradas durante sete dias. Representava: a) uma festa de ação de graças pelas colheita, pois coincidia com a colheita dos últimos frutos no outono; b) uma lembrança de que Deus tirara Israel do Egito e que os israelitas habitaram em tendas por 40 anos e, c) uma festa de alegria, sendo a única festa em que o Senhor ordenara a Seu povo que se alegrasse diante dEle (vv.40). A Festa dos Tabernáculos, juntamente com a Páscoa e Pentecostes, fazia parte das festas de subida a Jerusalém, quando o povo peregrinava ao santuário para sacrificar e alegrar-se diante de Deus. (...)

Enfim, conhecidas as festividades citadas por Kardec, cujo teor era de grande significação ao povo judeu, às bênçãos conseguidas e às conquistas alcançadas, eis que a destruição do Templo de Jerusalém mostra a grande afronta feita a este povo. É como se houvesse um grande formigueiro que foi destruído e os seus ocupantes passaram a formar novos pequenos formigueiros, mas sem a união e força que possuíam no grande formigueiro. Estas novas ‘panelas’, no caso dos judeus denominadas como Sinagogas, foram de suma importância para a reagregação do povo judeu. Sabemos como isso funciona. Se solitários, temos maiores dificuldades para perseverar e seguir no que quer que seja. Quando unidos, nos fortalecemos e conseguimos realizar mais.

É assim que fazemos diante dos estudos, diante do trabalho e até mesmo das reuniões sociais e religiosas. É assim que podemos perseverar diante das dificuldades e dos obstáculos e até mesmo da concretização de sonhos ou de metas. Semana que vem encerraremos o estudo de notícias históricas, falando acerca dos saduceus e dos essênios.

Exposto em 26-03-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Notícias Históricas - parte X

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos diz:

(...)SADUCEUS - Seita judia que se formou por volta do ano 248 antes de Cristo, assim chamada em virtude do nome de seu fundador, Sadoc. Os saduceus não acreditavam na imortalidade da alma, nem na ressurreição, ou na existência dos anjos bons e maus. Apesar disso, acreditavam em Deus, e embora nada esperassem após a morte, serviam-no com interesse de recompensas temporais, ao que, segundo acreditavam, se limitava a sua providência. A satisfação dos sentidos era para eles o fim principal da vida. Quanto às Escrituras, apegavam-se ao texto da antiga lei, não admitindo nem a tradição, nem qualquer outra interpretação. Colocavam as boas obras e a execução pura e simples da lei acima das práticas exteriores do culto. Eram, como se vê, os materialistas, os deitas e os sensualistas da época. Essa seita era pouco numerosa, mas contava com personagens importantes, e tornou-se um partido político sempre oposto aos Fariseus.(...)

Homens de poder e influência política, os saduceus mantinham boas relações com o Império. Apesar de abominarem o domínio romano procuravam tirar o máximo partido disso, acumulando favores e posses junto deles. Acreditavam num “deus-pagador” que recompensava os “bons”, multiplicando-lhes a descendência e os bens; e que amaldiçoava os “ímpios” com a doença, o abandono e a marginalidade. Por isso a riqueza material dos Saduceus era o seu estandarte, sinal da bênção divina e do favor de Yahvé.(1)

Odiavam Jesus Nazareno que se revelara amigo de publicanos, prostitutas e abandonados de Israel; aqueles que, segundo eles, eram os “malditos” de Deus. Jesus tinha-lhes virado as regras do jogo quando afirmara que os últimos eram os primeiros, e os primeiros últimos. Além disso, estes prósperos aristocratas tampouco acreditavam na ressurreição dos mortos; rejeitavam-na em absoluto como heresia proclamada por profetas e mísera justificação para os fracos da História.(1)

Eram pessoas da alta sociedade, membros de famílias sacerdotais, cultos, ricos e aristocratas. Dentre eles haviam saído desde o início da ocupação romana os sumos sacerdotes que, nesse momento, eram os representantes judeus diante do poder imperial. Faziam uma interpretação muito sóbria da Torah, sem cair nas numerosas questões casuísticas dos fariseus, e portanto não aceitavam o que esses consideravam como sendo a Torah oral. (1)

Em oposição aos fariseus, não acreditavam na vida após a morte, nem compartilhavam suas esperanças escatológicas. Não gozavam de popularidade nem do afeto popular, dos quais desfrutavam os fariseus, mas tinham poder religioso e político, pelo que eram muito influentes..(1)

Quase no outro extremo dos fariseus estão os saduceus, que podemos chamar de colaboracionistas para com a invasão cultural, política e econômica de gregos e romanos. Embora fossem das classes mais elevadas e mais ricas, não tinham muita influência sobre o povo e, mesmo sendo ferrenhos adversários dos fariseus, para conseguir seus objetivos e manter sua posição até com eles estão prontos a se unir.

(...)ESSÊNIOS – Seita judia fundada cerca do ano 150 antes de Cristo, no tempo dos macabeus. Seus membros moravam em edifícios semelhantes a mosteiros, e formavam uma espécie de associação moral e religiosa. Distinguiam–se pelos costumes suaves e as virtudes austeras, ensinando o amor a Deus e ao próximo, a imortalidade da alma, e crendo na ressurreição. Eram celibatários, condenavam a escravidão e a guerra, tinham seus bens em comum e se entregavam à agricultura. Opostos aos saduceus sensuais, que negavam a imortalidade, e aos fariseus enrijecidos por suas práticas exteriores, para os quais a virtude nada mais era do que aparência, não tomavam nenhuma participação nas disputas dessas duas seitas. Aproximavam-se, por seu gênero de vida, dos primeiros cristãos, e os princípios de moral que professavam fizeram algumas pessoas suporem que Jesus fazia parte dessa seita, antes do início de sua missão pública. O que é certo, é que ele devia conhecê-la, mas nada prova que lhe fosse filiado, e tudo quanto se tem escrito a respeito é hipotético.(2)(...)

Um dos grupos mais estudados nos últimos anos foi o dos essênios. Temos ampla informação sobre como viviam e quais eram suas crenças através de Flavio Josefo e, principalmente, pelos documentos em papiro e pergaminho encontrados em Qumrán, onde parece que se instalaram alguns deles. Uma característica específica dos essênios consistia no rechaço do culto que se fazia no templo de Jerusalém, já que era realizado por um sacerdócio que se tinha envilecido desde a época asmonéia. Em consequência, os essênios optaram por se separar dessas práticas comuns com a idéia de conservarem e restaurarem a santidade do povo num âmbito mais reduzido, o de sua própria comunidade.(1)

A ida de muitos deles a zonas desérticas tinha como objetivo excluir a contaminação que poderia se derivar do contato com outras pessoas. A renúncia em estabelecer relações econômicas ou em aceitar presentes não deriva de um ideal de pobreza, mas era simplesmente um modo de evitar essa contaminação com o mundo exterior, para salvaguardar a pureza ritual. Consumada sua ruptura com o templo e o culto oficial, a comunidade essênia vê a si mesma como um templo imaterial que substitui transitoriamente o templo de Jerusalém, enquanto nele se siga realizando um culto que considera indigno.(1)

Colocamos uma reportagem muito interessante e atual acerca dos Essênios. Clique aqui

(...)TERAPEUTAS – (Do grego: thérapeutai, derivado do verbo therapeuein, servir, curar; quer dizer: servidores de Deus ou curadores.) Sectários judeus contemporâneos do Cristo, estabelecidos principalmente em Alexandria, no Egito. Tinham intensas relações com os essênios, cujos princípios professavam, e como eles se davam à prática de todas as virtudes. Eram extremamente frugais na alimentação, votados ao celibato, à contemplação e à vida solitária, constituindo uma verdadeira ordem religiosa. Filon, filósofo judeu de Alexandria, platônico, foi o primeiro a se referir aos terapeutas, apresentando-os como uma seita judaica. Eusébio, São Jerônimo, e outros Pais da Igreja, pensam que eles eram cristãos. Quer tenham sido judeus ou cristãos, é evidente que, como os Essênios, representavam um traço de união entre o Judaismo e o Cristianismo.(2)(...)

Conhecidos em sua época como os curadores do deserto, perde-se no tempo o início e origem daquela que viria tornar-se a mais santa de todas as comunidades religiosas, não apenas judaica mas mundial. Berço perfeito para receber o messias e para o surgimento do cristianismo, sendo que o último já era cultuado internamente antes do advento de seu mestre maior Jesus Cristo (Yahshúa Mashiach).
Alegoricamente poderíamos apresentar dois personagens essênios membros de duas ramificações do essenismo; de um lado João o batista, que era da região do Mar Morto, homem austero e disciplinado com grande força espiritual e indelével convicção em seus princípios religiosos, chegava a desafiar as autoridades de sua época em nome da ética espiritual, usando de seu profético desígnio de precursor do Messias.

A comunidade essênia à qual pertencia era celibatária e monástica, sendo a mais citada em documentos históricos de seus contemporâneos (Plínio Josefo Filon). Todos são unânimes em atestar a pureza e santidade de seus membros, respeitando a ordem inversa de todas as religiões organizadas, quanto maior o posto religioso atingido na ordem, mais caridade e menos bens materiais deveria ter, é o caso de João ou do próprio Cristo, ao afirmar que o Filho do Homem não haveria onde encostar a cabeça.

Do outro lado, próximo ao Mosteiro Essênio do Monte Carmel, as figuras de José e Maria essênios nazarenos ebonitas, seguiam os ensinamentos que vinham desde Enóque e que posteriormente foram refeitos por Moisés, bebiam da tradição dos profetas criada por Samuel, sucedida por outros conhecidos profetas bíblicos como Enéas e Elias entre outros, e como não poderiam deixar de ser, eram vegetarianos e condenavam as práticas de sacrifício animal no altar, garantido ser esse o verdadeiro preceito do antigo testamento, antes de supostas interpretações sofridas ao longo dos anos dentro da organização judaica, algo próximo aos concílios católicos.

Suspeita-se que historicamente não existisse Nazaré e sim a Aldeia dos Nazarenos, que desde Samuel levava o nome de ebionitas, que quer dizer “pobres” ou mais provavelmente “humildes”; vale lembrar das citações nas bem aventuranças “pobres” (ebion) pelo espírito e daí dizer-se que os ricos não entrariam no Reino.

Com rigor crescente na imposição da observância da lei mosaica (Christian D. Ginsburg), orientavam-se pelas normas passadas pelo seu maior legislador, Moisés (“não cuideis que vim destruir a lei e os profetas: não vim revogar, mas cumprir” Mat.5.17); Viram-se obrigados a isolar-se da sociedade judaica, indo viver em locais afastados, dividindo todos os bens, utilizando de avançadas técnicas de fruticultura, captação de água da chuva e conceitos de sustentabilidade que só 2.000 anos depois a sociedade moderna começa a discutir.

Voltando ao tema anterior, a respeito da escola profética, os essênios nazarenos ebionitas (terapeutas ungidos humildes) tinham na disciplina física, de jejuns contínuos e dieta frugívora, a possibilidade de tornarem-se o vaso vivo para a manifestação do Espírito Santo, com precisão absoluta para suas profecias e realização de curas.

Ao pé do Monte Carmel criou-se uma criança de grande Alma. Antes de sua vida pública, cresceu ali o maior de todos os mestres que a humanidade conheceu, que por onde passava caiam deuses por terra, doutrinas supersticiosas e religiões idólatras não suportavam sua presença magestosa, anunciador das Boas Novas e do DEUS ÚNICO, Yahushua Maschiach, o maior dos Mestres Essênios.

Embora gere controvérsias e muitos fatos precisem ser considerados antes de aceitos, temos um livro que retrata muito da vida destes chamados terapeutas e é o livro Maria de Nazaré, de Miramez, que conta a história da mãe de Jesus nos primórdios do aceite de sua incumbência como genitora do Mestre dos mestres. Não encontrei ainda o livro para download, mas creio ser um investimento fantástico para conhecermos uma ótica diferente de tudo aquilo que já temos visto ou ouvido acerca de Maria de Nazaré. Poderá ser vir como base, inclusive, para que entendamos ou reflitamos acerca dos comentários que se farão na próxima parte da introdução histórica quando falaremos de Sócrates e Platão, precursores da doutrina cristã e do espiritismo.

1- Étienne NODET, Essai sur les origines du Judaïsme: de Josué aux Pharisiens. Editions du Cerf, Paris 1992; Anthony J. SALDARINI, Pharisees, scribes and Sadducees in Palestinian society: a sociological approach. William B. Eerdmans, Cambridge 2001; Francisco VARO, Rabí Jesús de Nazaret (B.A.C., Madrid, 2005) 91-97.
(2) A Morte de Jesus, que se diz escrita por um irmão essênio, é um livro completamente apócrifo, escrito a serviço de determinada opinião, e que traz em si mesmo a prova da sua origem moderna.

Exposto em 31-03-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Sócrates e Platão - precursores da Doutrina Cristã e do Espiritismo

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos diz:

(...)Da suposição de que Jesus devia conhecer a seita dos essênios, seria errado concluir que ele bebeu nessa seita a sua doutrina, e que, se tivesse vivido em outro meio professaria outros princípios. As grandes idéias não aparecem nunca de súbito. As que têm a verdade por base contam sempre com precursores, que lhes preparam parcialmente o caminho. Depois, quando o tempo é chegado, Deus envia um homem com a missão de resumir, coordenar e completar os elementos esparsos, com eles formando um corpo de doutrina. Dessa maneira, não tendo surgido bruscamente, a doutrina encontra, ao aparecer, espíritos inteiramente preparados para aceitá-la. Assim aconteceram com as idéias cristãs, que foram pressentidas muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, e das quais foram Sócrates e Platão os principais precursores.(...)

Se levarmos pelo lado pessoal, diríamos que é inconcebível Jesus ter se ‘educado’ onde quer que seja, posto que já trouxesse em si os elementos necessários para a sua jornada terrena. Sabemos quem é o Mestre Jesus e sua responsabilidade perante o orbe terreno. Sabemos que o Mestre não é a reencarnação de ninguém e isso nos basta também para percebermos que alguém tão especial não poderia levar avante doutrinas ou conhecimentos criados e deturpados pelos homens.

Porém, nada aparece da noite para o dia e, de uma forma ou de outra, temos criaturas que abrem os caminhos para que os demais possam caminhar pelas mesmas estradas ou dar continuidade aos caminhos por estes irmãos traçados. Este exemplo se faz nítido perante as histórias dos bandeirantes que conhecemos aqui no Brasil, se faz clara diante daquelas que anunciaram que o Mestre dos mestres se faria entre nós (ou seja, já tinham noção daquilo que ele deveria trazer e de que viria) e tantos outros exemplos em que alguém iniciou uma jornada ou um percurso para que outros pudessem dar continuidade. Vejamos mais sobre Sócrates:

(...) Sócrates, como o Cristo, nada escreveu, ou pelo menos nada deixou escrito. Como ele, morreu a morte dos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças tradicionais e colocado à verdadeira virtude acima da hipocrisia e da ilusão dos formalismos, ou seja: por haver combatido os preconceitos religiosos. Assim como Jesus foi acusado pelos fariseus de corromper o povo com os seus ensinos, ele também foi acusado pelos fariseus do seu tempo— pois os que os tem havido em todas as épocas, — de corromper a juventude, ao proclamar o dogma da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da existência da vida futura. Da mesma maneira porque hoje não conhecemos a doutrina de Jesus senão pelos escritos dos seus discípulos, também não conhecemos a de Sócrates, senão pelos escritos do seu discípulo Platão. Consideramos útil resumir aqui os seus pontos principais, para demonstrar sua concordância com os princípios do Cristianismo.(...)

Isto que Kardec nos informa é assaz interessante. Sócrates pôde de diversas formas deixar de tomar o veneno como sentença injusta que era, mas em cada uma destas oportunidades que recusou, colocou em prática aquilo que pregava e pensava. É um grande exemplo de como não deve agir um sofista.

As idéias cristãs, como ficaram conhecidas, já estavam entre nós, mas por outros prismas. Vejam as referências feitas ao caráter e moralidade de Sócrates, o precursor em questão e percebam a semelhança entre o preconizado pelo Mestre Jesus. Lembro-lhes que teremos isso em maior destaque na próxima parte dos estudos, denominada Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão:

(...) Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância (Só sei que nada sei.). Ele acreditava que os atos errados eram conseqüências da própria ignorância. Nunca proclamou ser sábio.(...) Temos aqui a humildade e o reconhecer da própria insignificância, ou seja, uma humildade realmente sentida e vivida e não aquela alardeada como ideal.

(...) Sócrates acreditava que o melhor modo para as pessoas viverem era se concentrando no próprio desenvolvimento ao invés de buscar a riqueza material. Convidava outros a se concentrarem na amizade e em um sentido de comunidade, pois acreditava que esse era o melhor modo de se crescer como uma população. Suas ações são provas disso: ao fim de sua vida, aceitou sua sentença de morte quando todos acreditavam que fugiria de Atenas, pois acreditava que não podia fugir de sua comunidade. Acreditava que os seres humanos possuíam certas virtudes, tanto filosóficas quanto intelectuais. Dizia que a virtude era a mais importante de todas as coisas.(...) Sócrates era erroneamente considerado como pagão e isso faz com que Kardec teça os seguintes comentários:

(...) Aos que encarassem este paralelo como uma profanação, pretendendo não ser possível haver semelhanças entre a doutrina de um pagão e a do Cristo, responderemos que a doutrina de Sócrates não era pagã, pois tinha por finalidade combater o paganismo, e que a doutrina de Jesus, mais completa e mais depurada que a de Sócrates, nada tem a perder na comparação. A grandeza da missão divina do Cristo não poderá ser diminuída. Além disso, trata-se de fatos históricos, que não podem ser escondidos. O homem atingiu um ponto em que a luz sai por si mesma debaixo do alqueire e o encontra maduro para enfrentá-la. Tanto pior para os que temem abrir os olhos. É chegado o tempo de encarar as coisas do alto e com amplitude, e não mais do ponto de vista mesquinho e estreito dos interesses de seitas e de castas. Estas citações provarão, além disso, que, se Sócrates e Platão pressentiram as idéias cristãs, encontram-se igualmente na sua doutrina os princípios fundamentais do Espiritismo. (...)

Percebam um detalhe interessante: não se fala de Platão sem se referir a Sócrates ou vice-versa. Ambos andavam juntos, mas era como se Sócrates estivesse à frente de Platão. Este, por sua vez, é responsável por todos os escritos diretamente relativos a Sócrates já que ele mesmo nada escreveu ou postergou para a humanidade. Platão lhe foi fiel na reprodução das idéias e pensamentos e, muito mais do que um orador ou ditador de frases, Sócrates possuía de maneira profunda e vivificada tudo aquilo que dizia. Acreditava no que professava e praticava aquilo em que cria.

Outro ponto que Kardec enfatiza é que os fatos são verídicos e compõe a história da humanidade e, por assim sê-lo, necessitam de nossa observação com amplitude se não quisermos nos deter em preconceitos, dogmas e idéias pré-concebidas e tendenciosas para esta ou aquela seita.

Este é o momento e percebam, mais uma vez: este é o momento que já foi alardeado a mais de século atrás e, no entanto, quantos de nós ainda não despertamos para este momento? Quantas vezes talvez já tenhamos lido diversas passagens deste mesmo evangelho e elas não calaram em nós como deveriam calar e, como que num passe de mágica, eis que lemos algo que já ‘sabemos’ de cor e salteado e eis que esse saber transforma-se em pleno viver ou eficaz vivenciar!

Por isso, meninos e meninas, percebam sempre que não é o fato de termos efetuado a leitura de um mesmo livro 5 ou 6 vezes, de maneira pausada ou de maneira diretiva, que nos abrirá a porta do reconhecimento de seu profundo conteúdo, mas a disposição de nosso espírito ou de nossa alma.

Exposto em 07-04-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão - parte I

Pelo encontro passado, pudemos saber um pouco mais acerca do porquê de alguém tão distante da época de Jesus já caminhar pelos passos que seriam trilhados pelo Mestre Jesus. Enfatizo apenas que, longe de Jesus ter continuado a criação ou a crença de determinados homens como que tendo aprendido com eles, temos um fato simples de ser compreendido, principalmente quando utilizamos o termo precursor: criaturas vieram antes de Jesus e começaram por anunciar aquilo que hoje conhecemos como Boa Nova, porém, quem lhes deu corpo e alma foi o Mestre Jesus, o Cristo, daí serem estes ensinamentos conhecidos como cristianismo.

Apenas para enfatizar, temos em o Livro dos Espíritos a questão 801. Por que não ensinaram os Espíritos, em todos os tempos, o que ensinam hoje? “Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada coisa tem seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora. Com seus ensinos, embora incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar.”

Em continuidade ao Evangelho Segundo o Espiritismo, temos de Kardec as seguintes elucidações intituladas como Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão:

(...)I – O homem é uma alma encarnada. Antes de sua encarnação, ela existia junto aos modelos primordiais, às idéias do verdadeiro, do bem e do belo. Separou-se delas ao encarnar-se, e lembrando seu passado, sente-se mais ou menos atormentada pelo desejo de a elas voltar. (...)

Não podemos deixar de citar algo que era a crença latente àquela época na Grécia. Existiam deuses e várias ocupações que eles exerciam. Um destes deuses era o deus do mundo das sombras ou das profundezas terrestres, o Hades, e lá em seus domínios existia o Tártaro, um lugar ruim, que hoje pode ser analogicamente conhecido como aquilo que se alardeia ser o umbral. Existia também o que nós podemos divisar como o conhecido céu: Os Campos Elíseos, local de felicidade constante, suaves brisas e temperatura amena. 

Seguindo-se ainda por esta linha de raciocínio, Sócrates afirmava categoricamente que a alma sobrevivia, já que após a morte do corpo ela se dirigia ao reino de Hades. Baseando-se na chamada pneuma (ou sopro de vida que antecedia ao nascimento), Sócrates afirmava que também poderia existir uma pneuma da morte, já que as almas ‘nasceriam’ ou se transfeririam para o mundo dos mortos. Se era uma troca de planos, a alma existia sim antes do nascimento e a pneuma nada mais era do que uma afirmativa equivocada, pois simbolizava que nada existia antes do seu sopro ou da sua manifestação.(1) Eis aí o proceder de Sócrates. Questionar e tecer emendas entre as verdades alardeadas, até encontrar a dubiedade do que era dito ou ensinado.

Trazendo para a visão da doutrina espírita o que era a crença de Sócrates, temos:
(...) Não se pode enunciar mais claramente a distinção e a independência dos dois princípios, o inteligente e o material. Além disso, temos aí a doutrina da preexistência da alma; da vaga intuição que ela conserva, da existência de outro mundo, ao qual aspira; de sua sobrevivência à morte do corpo; de sua saída do mundo espiritual, para encarnar-se; e da sua volta a esse mundo, após a morte. É, enfim, o germe da doutrina dos anjos decaídos. (...)

Ao citar que esta passagem é o germe da doutrina dos anjos decaídos, Kardec nos mostra que, após análise, estudo e até mesmo o Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos, chegou-se à definição correta do que seriam os tais anjos decaídos e o paraíso perdido. Através da crença de Sócrates, principiava-se o conhecimento acerca destes fatos. Caso queiram se aprofundar no assunto, poderão ser feitas consultas à Revista Espírita janeiro de 1862, sob o título A Interpretação da Doutrina dos Anjos Decaídos e também em A Gênese, no capítulo XI item 43. De Sócrates temos:

(...) II – A alma se perturba e confunde, quando se serve do corpo para considerar algum objeto; sente vertigens, como se estivesse ébria, porque se liga a coisas que são, por sua natureza, sujeitas a transformações. Em vez disso, quando contempla sua própria essência, ela se volta para o que é puro, eterno, imortal, e sendo da mesma natureza, permanece nessa contemplação tanto quanto possível. Cessam então as suas perturbações, e esse estado da alma é o que chamamos de sabedoria. (...)

Que estado d’alma delicioso! E está tão próximo a nós! Somos constantemente alertados acerca destes fatos e situações. Os caminhos nos são ofertados. Liguemo-nos às coisas do céu e encontraremos a paz desejada. É colocar o fio na tomada e pronto? Não!!! Ao mesmo tempo que é simples, temos de aprender muitas coisas! Dirigir um carro é simples, para quem já sabe! Para quem não sabe, até mesmo ligá-lo é uma coisa do outro mudo.

A lucidez e o discernimento são importantes! Se continuarmos no exemplo do automóvel, precisamos averiguar qual é nossa intenção: aprender a dirigir, aprender como funciona a mecânica do automóvel, saber sobre aerodinâmica, conhecer a fundo cada componente, etc. . Assim se dá com as coisas do céu. Queremos conhecê-las, mas não nos basta conhecê-las; queremos utilizá-las em nosso próprio benefício, depois nos doemos por conta daquele que não a segue; depois nos incomodamos porque o que a prega não a faz; depois nos vemos às voltas com a intolerância frente àqueles que desconhecem toda essa simplicidade e por aí vai.

E, parafraseando Sócrates lá nos idos de quase 3 séculos atrás, eis que basta nos voltemos ‘ao o que é puro, eterno, imortal e ser da mesma natureza’. Será que já não temos muitas respostas nas mãos e na mente, mas não as utilizamos devidamente?

Se existe pá, rastelo, tesoura de poda, alicate de corte, arrancador de tiririca, por que insistimos em usar a faca nas lidas da jardinagem? Estragamos um utensílio destinado a coisa diversa e nem sempre conseguimos o efeito desejado! Se fizermos um inventário de todo nosso conhecimento, teremos uma grata surpresa! Afora o susto: nossa! Eu sei mas não faço!

Sigamos Kardec:

(...) Assim, o homem que considera as coisas de baixo, terra a terra, do ponto de vista material, vive iludido. Para apreciá-las com justeza, é necessário vê-las do alto, ou seja, do ponto de vista espiritual. O verdadeiro sábio deve, portanto, de algum modo, isolar a alma do corpo, para ver com os olhos do espírito. É isso o que ensina o Espiritismo (Cap. II, nº 5) (...)

Por que lá da arquibancada é mais fácil ficar dando 'pitaco' e apontando os erros? Porque a torcida está olhando tudo de longe e tem maior visão das coisas. Mais que o técnico e mais que o juiz. Se trouxermos para a frase de Kardec, entenderemos que vivemos em um mundo material, mas não podemos tratar tudo sob este prisma, até porque ele é limitado.

Ao apreciarmos e ponderarmos as situações, os fatos, os pensamentos e tudo o mais que faz parte de nosso dia-a-dia distantes da situação, já alcançamos uma interpretação diferente da vivenciada. Imaginem considerarmos com maior veemência e com olhos da eternidade. Hoje estamos sós? Que será a solidão de hoje diante da eternidade? Contaram-nos uma mentira? Qual a verdadeira dimensão disso perante o todo? Queremos viver o amanhã? Que será o amanhã sem o hoje e o hoje sem o amanhã?

O equilíbrio nos chama a prestarmos mais atenção ás coisas com prismas diferentes. Aliás, faz-me recordar de uma prece, que será inserida em nosso livro Deus e a Borboleta, que nos diz o seguinte:

Pai, nas lidas domésticas filhos rebelam-se contra pais; mães se sentem mutiladas emocionalmente; pais são afrontados pelos filhos. Não fosse a crença nas várias vidas e não entenderíamos estes percalços. Esta crença não julga ou condena a quem quer que seja, mas alerta aos desavisados de que os atormentados do presente podem ter sido os atormentadores do pretérito; que os zelosos de hoje podem ter sido os desatentos de ontem. Nestas duas faces do viver encontramos os lúcidos e os nem tanto. Somos parte dos lúcidos e o Senhor nos pede que sejamos coerentes com nosso saber. A paz do Mestre esteja conosco.

(1) Coleção Mitologia Grega – Volume Primeiro – Abril Cultural, 2ª Ed.,1976.

Exposto em 14-04-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão - parte II

Embora se utilize de uma forma um tanto incompreensível de se expressar, eis que Sócrates nos fala de algo que muitos já se deram conta e até mesmo praticam, embora não consigam verbalizar ou constatar. Vejam esse terceiro item do Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão:

III – Enquanto tivermos o nosso corpo e a nossa alma se encontrar mergulhada nessa corrupção, jamais possuiremos o objeto de nossos desejos: a verdade. De fato, o corpo nos oferece mil obstáculos, pela necessidade que temos de cuidar dele; além disso, ele nos enche de desejos, de apetites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de maneira que, com ele, é impossível sermos sábios por um instante.

Alguns companheiros que nos acompanharam nos estudos de O Livro dos Espíritos talvez se recordem da parte em que abordamos acerca do gastrônomo desencarnado. Ele embora já estivesse no plano espiritual, mantinha-se preso á matéria e necessitava aspirar as mesmas formas e desejos que dantes lhe intoxicavam o corpo de prazeres. É isso que Sócrates afirma: enquanto estivermos presos ao nosso corpo, estejamos encarnados ou não, seremos corrompidos e não conheceremos a verdade.

O corromper a que se refere Sócrates diz respeito aos vícios, estragos e perversões a que submetemos nosso corpo, em detrimento de nosso espírito e da verdade. Nossa! Isso é tão claro e ao mesmo tempo parece tão distante de nossa compreensão. Nossa mente cria determinadas referências e parâmetros e nosso ser almeja por acolhê-los e isso se torna algo forte e angustiante a ponto de se parecer com o ar que respiramos e de quem prescindimos.

Este sentir exacerbado tolda nossa visão e dificulta-nos a apreensão da verdade e até mesmo da realidade. Eis que nos tornamos passionais, seja através do desamor, dos crimes e dos auto-flagelos seja através do abandono e da descrença. Não sei se você entendem assim também, MS parece-me que é a partir desse estado alienado que surgem as grandes depressões, os ódios, as raivas e todos os sentimentos nocivos que nos envolvem.

Em sequência ao entendimento do que pensava Sócrates, vejam esta passagem da sua doutrina:

(...) Mas, se nada se pode conhecer puramente enquanto a alma está unida ao corpo, uma destas coisas se impõe: ou que jamais se conheça a verdade, ou que se conheça após a morte. Livres da loucura do corpo, então conversaremos, é de esperar-se, com homens igualmente livres, e conhecermos por nós mesmos a essência das coisas. Eis porque os verdadeiros filósofos se preparam para morrer, e a morte não lhes parece de maneira alguma temível. (Céu e Inferno, I parte, cap. 2º, e II parte, cap. 1º) (...)

Kardec nos diz: Temos aí o princípio das faculdades da alma obscurecidas pela mediação dos órgãos corporais, e da expansão dessas faculdades depois da morte. Mas trata-se, aqui, das almas evoluídas, já depuradas; não acontece o mesmo com as almas impuras.

Lembram-se do que sempre dizemos que não é porque morreu que virou santo? É a isso que Kardec se refere. Se ao morrermos nos desfazemos do fardo material, nosso corpo, isso não será um passe de mágica para nossa evolução ou para nosso adiantamento. Teremos facilitada a lucidez e se tivermos o alcance necessário, a evolução necessária, conseguiremos visualizar o que dantes se nos apresentava ofuscado.

Vocês já devem ter visto passagens em situações de desobsessões e até mesmo literaturas em que um desencarnado está irredutível diante de determinado conceito ou resolução e, por misericórdia divina, um outro irmão lhe faz perceber e até mesmo conhecer determinados fatos de sua própria vida com a lucidez e o desprendimento necessário, momento em que muitos perseguidores percebem que o sentimento de vingança que lhes move é resultado de suas próprias e indevidas atitudes. Por isso Kardec diz que este chamado princípio da alma obscurecida pela ‘prisão’ junto ao corpo físico é aplicado a almas evoluídas e já depuradas, mas não a almas impuras.

Aliás, este próprio conceito de alma evoluída ou impura, precisamos compreender melhor para não cometermos os enganos que temos cometido. Ser evoluído não significa que já se alcançou o patamar máximo, mas sim que já se começou a galgar degraus para isto. Lembram da escada de Jacó? Aquela escada onde anjos subiam e desciam do céu? Eis a evolução, degrau a degrau. E os anjos que estão descendo não são os chamados anjos decaídos ou aqueles que cometeram vilezas no céu, mas sim os irmãos que já compreenderam que a subida por esta escada não pode ser solitária e ao divisarem irmãos necessitados, descem para auxiliá-los.

Existem aqueles que sequer conseguiram começar a subir os degraus e, de forma alegórica, encontram-se ainda rastejantes para alcançar desta escada, mas antes que alguém diga uma besteira, todos os que se encontram aqui presentes e até mesmo aqueles que nos ouvem pela rádio, já começaram a subir estes degraus. Se falta muito ou pouco, não nos cabe mensurar, pois até onde me recordo, não tem nenhuma placa na escadaria alertando quantos degraus já subimos e quantos ainda faltam. Vejam outras ponderações de Sócrates que a doutrina Espírita também já esclareceu e até mesmo corroborou. Lembrem-se, que quando falamos de Doutrina Espírita, falamos dos ensinamentos vindos da espiritualidade e não da crença de alguma criatura que assim se propôs:

IV – A alma impura, nesse estado, encontra-se pesada, e é novamente arrastada para o mundo visível, pelo horror do que é invisível e imaterial. Ela erra, então, segundo se diz, ao redor dos monumentos e dos túmulos, junto dos quais foram vistos às vezes fantasmas tenebrosos, como devem ser as imagens das almas que deixaram o corpo sem estar inteiramente pura, e que conservam alguma coisa da forma material, o que permite aos nossos olhos percebê-las. Essas não são as almas dos bons, mas as dos maus, questão forçadas a errar nesses lugares, onde carregam as penas de sua vida passada, e onde continuam a errar, até que os apetites inerentes à sua forma material as devolvam a um corpo. Então, elas retomam sem dúvida os mesmos costumes que, durante a vida anterior, eram de sua predileção.

Parece brincadeira, não? Mas esse trem de ficar andando em cemitério é perigoso. Imaginem aqueles que vão lá para ouvir música e fazer reunião noturna. Tempos atrás também abordamos a chamada erraticidade e entendemos que é o intervalo entre as encarnações e que todos nós passamos por esta situação, não sendo qualificatória para bom ou mal ou qualquer outra situação que eleve ou deprecie. Aqui Sócrates diz que a alma erra, vaga, perambula próxima ao seu corpo enterrado e são forçados a assim permanecer devido à sua maldade. O que a Doutrina nos esclarece é que ninguém é obrigado a assim permanecer, mas em consequência de seu próprio pensar e acreditar assim se comporta e assim busca.

Não compreende a vida após a morte, não foi necessariamente mal. Não sabe ainda acerca das clarezas espirituais. Não significa que seja mal. Não se deram conta ainda de sua nova condição e não conseguem ouvir ou assimilar a presença de outras criaturas, que não aquelas que já povoam as fantasias de sua mente. Cemitério tem fantasma, não é? E também não se desligaram do mundo material. Talvez deixaram algum compromisso inacabado, talvez estejam preocupados com alguma tarefa a ser realizada, talvez ainda não compreendam como foram parar lá.

1Estão ou não vulneráveis a ação de desencarnados maléficos e aí sim entra a sua evolução e o seu estado de espírito puro ou em vias de se purificar. Suas atitudes do pretérito haverão de lhe facultar ou não a proteção dos espíritos amigos, muito embora caso ela não aconteça, não significa que estará relegado à própria sorte. Muito teríamos a abordar sobre esta passagem e o livro básico da codificação O Céu e o Inferno, lá na segunda parte nos proporciona depoimentos de espíritos que viveram inúmeras situações em vida e na erraticidade.

Exposto em 21-04-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão - parte III

E Kardec também enfatiza:

(...)Não somente o princípio da reencarnação esta aqui claramente expresso, mas também o estado das almas que ainda estão sob o domínio da matéria é descrito tal como o Espiritismo o demonstra, nas evocações. (...)

O trecho a que se refere Kardec é aquele em que Sócrates afirma que os apetites inerentes à sua forma material faz com que as almas sejam devolvidas a um corpo (ou a necessidade de voltarem ao corpo para aprendizado, diríamos nós). E Kardec prossegue:

(...) E há mais, pois, afirma-se que a reencarnação é uma conseqüência da impureza da alma, enquanto as almas purificadas estão livres dela. O Espiritismo não diz outra coisa, apenas acrescenta que a alma que tomou boas resoluções na erraticidade, e que tem conhecimentos adquiridos, trará menos defeitos ao renascer, mais virtudes e mais idéias intuitivas do que na existência precedente, e que, assim, cada existência marca para ela um progresso intelectual e moral. (Céu e Inferno, II parte: exemplo) (...)

Essa é a parte que muito me admira na criação e que, aos poucos, venho tentando aplicar em meu dia-a-dia. A criatura ou o ser tomou boas resoluções, se propôs a operar mudanças boas e benéficas e assim lhe foi concedida esta oportunidade. Não significa que ela não incorrerá mais nos mesmos erros, mas decidiu-se por tentar consertá-los ou minorá-los. Eis o perdoar a que se referiu Jesus. Não podemos comparar o perdão divino ao nosso perdão, mas podemos tomá-lo como exemplo e referência, para acreditarmos no ser humano, assim como Deus crê.

Se determinadas criaturas não fazem jus a esta crença e não aproveitam com amor da oportunidade que lhes é ofertada, não nos cabe julgar. É certo que em nossa deficiência ainda questionamos: ele fez isso de novo? Não é possível!, mas também estamos a errar. Eis mais um assunto que merece nosso aprofundamento e nossa atenção, para compreendermos melhor o ser que está próximo a nós, trazendo quem sabe, desequilíbrio a nós e ao nosso lar ou àqueles que nos são caros. Na pior das hipóteses: oremos por estes irmãos, mas não nos descuidemos.

Fato é que todos estamos fadados ao aprimoramento, mas algumas criaturas ainda estão irredutíveis e este aprendizado não se dará plenamente na atual encarnação. Sementes estão sendo lançadas. Algumas conhecerão o aconchego da terra e outras perecerão até que possam usufruir desta bênção. Não deixem de ler Platão: doutrina de escolha das provas Revista Espírita, setembro de 1858 quem não tiver acesso á revista espírita, pode fazê-lo pelo site da Momento Fraterno ou aguardar um tisco, que semana que vem disponibilizarei este texto na íntegra em nosso site da Sob junto a estes estudos. http://momento.sobaoticaespirita.com/revistaespirita.htm Sócrates continua:

(...) Após a nossa morte, o gênio (daimon, démon) que nos havia sido designado durante a vida, nos leva a um lugar onde se reúnem todos os que devem ser conduzidos ao Hades, para o julgamento. As almas, depois de permanecerem no Hades o tempo necessário, são reconduzidas a esta vida, por numerosos e longos períodos. (...)

Esta é uma doutrina dos Anjos guardiães ou Espíritos protetores, e das reencarnações sucessivas, após intervalos mais ou menos longos de erraticidade.

(...) Hades, mundo da morte, também tem regras e divisões. Quem acha, ainda, que morrer resolve tudo, está redondamente enganado. E mais, quem acha que não tem ninguém a quem dar satisfação, não acredita em Deus e que nada mais importa porque ninguém dele, eis uma coisa a se pensar. Temos alguém que, solidaria e fraternalmente nos acompanha desde os tempos em que acertamos nosso retorno ao plano terreno.(...)

Esse alguém comprometeu-se também com a nossa evolução e, se falharmos ou deixarmos de realizar, estamos falhando também com esta criatura, que poderia estar estudando, reencarnada ou cuidando da própria existência, mas está paparicando seu tutelado. Se formos egoístas não pensaremos em encarnados e nem em desencarnados. Enfim, mais um ponto a ponderar.

No que diz respeito a Sócrates e Platão, eis que ele já antevia um ciclo reencarnatório e de passagem pela erraticidade, variável conforme a necessidade de cada criatura. Vejamos mais um pouco:

(...) VI – Os demônios preenchem o espaço que separa o céu da terra, são o laço que liga o Grande Todo consigo mesmo. A divindade não entra jamais em comunicação direta com os homens, mas é por meio dos demônios que os deuses se relacionam e conversam com eles, seja durante o estado de vigília, seja durante o sono. (...)

Não se assustem ou pensem algo pelo julgamento á primeira vista, vejamos o que nos esclarece Kardec:

(...) A palavra daimon, da qual se originou demônio, não era tomada no mau sentido pela antiguidade, como entre os modernos. Não se aplicava essa palavra exclusivamente aos seres malfazejos, mas aos Espíritos em geral, entre os quais se distinguiam os Espíritos menos elevados, ou demônios propriamente ditos, que se comunicavam diretamente com os homens. O Espiritismo ensina também que os Espíritos povoam o espaço; que Deus não se comunica com os homens senão por intermédio dos Espíritos puros, encarregados de nos transmitir a sua vontade; que os Espíritos se comunicam conosco durante o estado de vigília e durante o sono. Substitui a palavra demônio pela palavra Espírito, e tereis a doutrina espírita; ponde a palavra anjo, e tereis a doutrina cristã. (...)

Lá no início do estudo de O Livro dos Espíritos, vimos um pouco disto que Kardec enfatiza agora. Muda-se a palavra, mas encontra-se o mesmo significado. Lembram da passagem acerca da definição de alma? Neste caso, em posição inversa, temos a designação alma com tradução e acepção diversas dentro do conceito religioso e até materialista. Quem quiser refrescar a memória, está na introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, item II – Alma, princípio vital e fluido vital.

O restante é o esclarecimento da visão da doutrina espírita: Deus não desce e vem falar a cada um de nós, mas antes se comunica através de emissários de amor ou espíritos evoluídos, que o intercambio se dá tanto quando estamos despertos como quando dormimos, enfim, está claríssimo o adendo que Kardec fez em relação à semelhança da doutrina de Sócrates e a Doutrina Espírita.
 

Exposto em 28-04-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão - parte IV

Ainda dentro dos conceitos socráticos, temos:

(...) VII – A preocupação constante do filósofo (tal como o compreendem Sócrates e Platão) é a de ter o maior cuidado com a alma, menos em vista desta vida, que é apenas um instante, do que em vista da eternidade. Se a alma é imortal, não é sábio viver com vistas à eternidade? (...)

Allan Kardec diz: O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.

Básico claro e objetivo. Oras, se aqui é pura e tão somente uma passagem, façamos o melhor diante dela. Quando estamos de passagem na casa de amigos ou em visita onde quer que seja, não somos gentis, cordatos, educados, participativos, respeitosos e adorados por todos de tão lindinhos que somos? Pois é, quando chegamos em casa, segura o trem. O mesmo sugere a crença de Sócrates, assim como os conceitos cristãos e doutrinários.

Nosso empenho em nos melhorarmos, com muita certeza, reflete em nosso dia-a-dia, mas onde ele será concretamente reconhecido? Aqui ou lá? Aqui somos os bobos, os passados para trás, aqueles que são sem noção do ridículo e até mesmo aqueles que não tem coragem, no entanto, nossas posturas com vistas ao futuro não são posturas vãs e sim um rastro de luz que desejamos deixar quando da nossa passagem. Não uma luminosidade ofuscante ou aparecida, mas uma luminosidade de quem não está mais envolto pela lama das más vibrações. Um rastro luminoso de quem aprendeu com o Cristo as máximas evangélicas. Prosseguindo, na doutrina de Sócrates temos que:

(...) VIII – Se a alma é imaterial, ela deve passar, após esta vida, para um mundo igualmente invisível e imaterial, da mesma maneira que o corpo, ao se decompor, retorna à matéria. Importa somente distinguir bem a alma pura, verdadeiramente imaterial, que se nutre, como Deus, da ciência e de pensamentos, da alma mais ou menos manchada de impurezas materiais, que a impedem de elevar-se ao divino, retendo-a nos lugares de sua passagem pela terra. (...)

Allan Kardec diz: Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfeitamente os diferentes graus de desmaterialização da alma. Eles insistem sobre as diferenças de situação que resultam para ela, de sua maior ou menor pureza. Isso que eles diziam por intuição, o Espiritismo o prova, pelos numerosos exemplos que nos põe diante dos olhos. (Céu e Inferno, II parte).

Alguns tentam dar novos nomes ou nomenclaturas, outros dão um número específico aos corpos espirituais, mas fato é que os relatos e os estudos comprovam aquilo que eles somente vislumbram. Haverá de chegar o dia, ou não, em que teremos provas palpáveis sobre estes assuntos e, entendo eu, não mais estaremos em um mundo de prova e expiação, mas mundo de regeneração. Até lá, já temos a espiritualidade a nos descrever como se transformam os corpos densos, ou seja, até nosso espírito que possui uma certa densidade e que não é compreensível em termos químicos e físicos por conta de sua sutileza e diferença, também se depura até se tornar um facho ou incidência luminosa, depuração esta de acordo com nossa evolução.

Na questão 23-a de O Livro dos Espíritos, temos a seguinte resposta acerca da natureza íntima do espírito: (...) Não é fácil analisar o espírito na vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, porque não é coisa palpável; mas para nós, é alguma coisa. Ficai sabendo: nenhuma coisa é o nada e o nada não existe.(...) Quando puderem, dêem uma revisada nas questões 21 a 34-a que nos falam acerca das propriedades da matéria. Aproveitando a deixa, vejam apenas uma pincelada sobre o que citamos de mundos de provas e expiações, Simonetti nos diz o seguinte:

(...) 1 – Como poderíamos definir a diferença entre Mundo de Provas e Expiações, estágio atual da Terra, e Mundo de Regeneração, o próximo estágio?
Mal comparando, diríamos que nos Mundos de Provas e Expiações o egoísmo predominante, resquício da animalidade primitiva, é o elemento gerador de todos os males. No Mundo de Regeneração, consciências despertas para esse problema estarão empenhadas em superá-lo.

2 – Então no Mundo de Regeneração ainda prevalece o mal?
Prevalece a consciência de que é preciso vencê-lo com o empenho do Bem. Equivale a dizer que o mal nesses planetas não tem receptividade nos corações e tende a desaparecer.(...)

Confira estas perguntas e respostas de Simonetti em Advento do Mundo de Regeneração

Sócrates também acreditava que:

(...)IX – Se a morte fosse a dissolução total do homem, isso seria de grande vantagem para os maus, que após a morte estariam livres, ao mesmo tempo, de seus corpos, de suas almas e de seus vícios. Aquele que adornou sua alma, não com enfeites estranhos, mas com os que lhes são próprios, ele somente poderá esperar com tranqüilidade a hora de sua partida para o outro mundo. (...)

Kardec diz: Em outros termos, quer dizer que o materialismo, que proclama o nada após a morte, seria a negação de toda responsabilidade moral ulterior, e por conseguinte um estímulo ao mal; que o malvado tem tudo a ganhar com o nada; que o homem que se livrou dos seus vícios e se enriqueceu de virtudes é o único que pode esperar tranqüilamente o despertar na outra vida. O Espiritismo nos mostra, pelos exemplos que diariamente nos põe ante os olhos, quanto é penosa para o malvado a passagem de uma para a outra vida, a entrada na vida futura. (Céu e Inferno, II parte, cap 1º)


Desse jeito o trem ficou fácil e até pode sugerir a tal da crença de que os anjos cometem erros e se revoltam contra Deus. Primeiro que, fazendo o mal o máximo que vai acontecer é ter de começar tudo de novo, com a vantagem de não ter de pagar dívidas e nem de levar o peso morto daquilo que cometeu de errado. Errou, errou, morreu esta pago. Por outro lado, os bons podem continuar a viagem e seguem com suas conquistas e acréscimos até quando errar e tudo se acaba. Parece a lógica dos vídeo games. Faz pontos e acumula vidas, até errar e morrer o suficiente para morrer definitivamente.

Mas essa lei de facilidades já foi desnudada e a espiritualidade amiga, através da doutrina espírita, nos mostra como é diferente o despertar do devedor. E, em tempos modernos, temos visto como esse despertar tem se dado na mesma encarnação, onde débitos estão sendo resgatados quase que imediatamente. Não precisa mais morrer para que a reação comece a ocorrer. Não precisamos mais acreditar que na próxima encarnação tudo se resolverá. Muito tem se resolvido nesta mesma e a sorte é daquele que assim se dispuser. Lembram do que pincelamos sobre mundos de provas e expiações? Pois é. O tempo é agora e não amanhã.

Exposto em 05-05-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão - parte V

Este resumo da doutrina de Sócrates e Platão, tem nos proporcionado a grata satisfação de perceber que a Doutrina Espírita não é uma invenção retirada do nada e sim fruto de sementes amorosas que já foram plantadas dantes. Esta mesma percepção nos faz apreciar os equívocos esclarecidos e com os quais nossos generosos irmãos Sócrates e Platão puderam contribuir, haja vista serem eles os signatários de Os Prolegômenos, parte inicial de O Livro dos Espíritos. Seguindo o raciocínio e a filosofia destes irmãos, temos:

XI – De duas, uma: ou a morte é a destruição absoluta, ou é a passagem de uma alma para outro lugar. Se tudo deve extinguir-se, a morte é como uma dessas raras noites que passamos sem sonhar e sem nenhuma consciência de nós mesmos. Mas se a morte é apenas uma mudança, a passagem para um lugar em que os mortos devem reunir-se, que felicidade a de ali reencontrar os nossos conhecidos! Meu maior prazer seria o de examinar de perto os habitantes dessa morada, e dentre eles distinguir, como aqui, os que são sábios dos que crêem sê-lo e não o são. Mas já é tempo de partirmos, eu para morrer e vós para viver. (Sócrates a seus julgadores).

Sócrates em momento algum acreditava que a morte era o fim absoluto, até porque o fim absoluto seria o nada e o nada já não existia em suas conjecturas, assim como também já aprendemos que o nada não existe. Ele afirmava, ainda que de maneira ponderada, que a morte é uma mudança e que assim sendo, ser-nos-ia possível nos reencontrar em outras paragens. Assim o é e assim ficamos felizes em acreditar, confiar e esperar.

Se bem que, em muitos momentos, saber da continuidade da vida e da possibilidade do intercâmbio entre os dois mundos, também nos gera aflição. Reencontraremos antigos desafetos ou eles até nem seguirão viagem, caso desencarnem antes de nós. É capaz da falta de perdão ser tão grande que eles sequer consigam partir e continuem conosco, nos envolvendo em energias densas e negativas. Ou nós mesmos façamos isso com eles.

Perdoar é a palavra chave. Sem sombra de dúvidas, muitos erros, deslizes e delitos cometemos, mas se não colocarmos o perdão como ponto pacífico de nossas relações, não teremos paz e nem encontraremos a luz a nos guiar, porque estaremos sempre envoltos em densas névoas e obscuras sombras. Se alguém nos fere, perdoemos. Se nos fere ainda uma, duas ou três vezes, perdoemos novamente. Se nos fere incontavelmente, perdoemos incontavelmente e, também, aprendamos a nos ferir menos. Trabalhemos nossa auto-estima, nossa compreensão, nossa tolerância e nossa paciência, que nos servirão como escudo e proteção para que não nos deixemos envolver por tantas ofensas que em muitas vezes são apenas um grito de alerta de quem as profere.

Lembram-se de uma bella passagem do livro de Neio Lúcio, Jesus no lar, em que o mestre guia seu discípulo pelas ruas e vê criaturas hostis, atormentadas, ríspidas e até mesmo enlouquecidas e que, acompanhadas em silêncio, demonstraram a dor, a doença e até mesmo o desequilíbrio como fatores desencadeantes dos processos menos dignos a que se prestaram.

E se a criatura agiu com a mais pura e genuína perversidade, não nos postemos como juízes, pois que o despertar de sua consciência lhe será tremendamente amarga e repleta daquilo a que chamou Jesus de ranger de dentes. Por isso, meninos e meninas, se erramos, se erraram conosco, se magoamos, se nos magoaram, se ofendemos e se nos ofenderam, comecem por estabelecer mentalmente um ponto de perdão e renúncia a estes sentimentos e aversões. As portas abrir-se-ão e nesta ou em noutra vida, haveremos de encontrar os frutos suculentos desta atitude de amor incondicional.

Que leveza sentimos em nosso ser quando nos deparamos com a criatura que nos dilacerou a alma e, no entanto, não lhe manifestamos rancor ou raiva. Aprendamos a controlar nossas más tendências e o amor haverá de se fazer presente. Amar é muito bom e nos retira do estado de vazio. Amemos e sejamos uns pelos outros, sem aprisionar ou acorrentar, compreendendo, apoiando, tolerando e acrescentando luz aos pensamentos e sentimentos e tudo o mais nos será acrescentando, posto que estaremos fazendo a vontade d Pai. Assim feito, nada mais haveremos de temer diante do desencarne ou até mesmo da hora do sono, momento em que muitos acertos de contas são chamados às vias de fato e nos sentimos cansados, desgastados e até amargurados quando acordamos. Uffa...eis a volta que acabei dando....cheguei em sonhos, mas que são eles além de pequenas mortes que realizamos diariamente, mesmo que não nos recordemos?

Kardec afirma:

(...) Segundo Sócrates, os homens que viveram na terra encontram-se depois da morte e se reconhecem. O Espiritismo no-los mostra continuando suas relações de tal maneira que a morte não é uma interrupção, nem uma cessação da vida, mas uma transformação, sem solução de continuidade.
Sócrates e Platão, se tivessem conhecido os ensinamentos que o Cristo daria quinhentos anos mais tarde, e os que o Espiritismo hoje nos dá, não teriam falado de outra maneira. Nisso, nada há que nos deva surpreender se considerarmos que as grandes verdades são eternas, e que os Espíritos adiantados devem tê-las conhecido antes de vir para a terra, para onde as trouxeram. Se considerarmos ainda que Sócrates, Platão, e os grandes filósofos do seu tempo, podiam estar, mais tarde, entre aqueles que secundaram o Cristo na sua divina missão, sendo escolhidos precisamente porque estavam mais aptos do que outros a compreender os seus sublimes ensinos. E que eles podem, por fim, participar hoje da grande plêiade de Espíritos encarregados de vir ensinar aos homens as mesmas verdades.(...)


O amparo não cessa e tanto é que o início do encontro de hoje nos falou justamente disso: Sócrates e Platão estavam entre os espíritos que foram incumbidos de nos auxiliar a retirar o véu que separa os dois mundos, ou seja, continuam a nos amparar e orientar, afora a possibilidade de terem sido companheiros de jornada do Cristo. No momento oportuno mais saberemos acerca das encarnações pretéritas dos discípulos do Cristo, assim como o soubemos de João Evangelista, João Batista e tantos outros.

Exposto em 12-05-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão - parte VI

Vejamos aquilo que ficou gravado em nossa mente como o ‘dar a outra face’:

XII – Não se deve nunca retribuir a injustiça com a injustiça, nem fazer mal a ninguém, qualquer que seja o mal que nos tenham feito. Poucas pessoas, entretanto, admitem esses princípios, e as que não concordam com ele só podem desprezar-se umas às outras.
Não é este princípio da caridade, que nos ensina a não retribuir o mal com o mal e a perdoar aos inimigos?


Se alguém te traiu a confiança, não relegue esta pessoa aos maus tratos ou às atitudes descompromissadas com a fraternidade. É como o funcionário que pediu a conta para ir trabalhar em empresa que lhe proporciona mais rendimentos ou regalias e com este gesto nos deixa na mão ou em situação desconfortável, isso não justifica que sejamos intransigentes ou intolerantes para com o mesmo. Lembro-me dos meninos que trabalhavam comigo e em um certo sábado pediram a conta os 3 juntos, deixando-me somente com o domingo para resolver meu problema frente aos cachorros agendados para a segunda-feira. Cada um pretextou uma desculpa, mas eu sabia o porquê deles estarem se demitindo do trabalho e, ainda que não compreendesse estes motivos, devia respeitar-lhes a decisão.

Se por conta desta atitude deles eu não permitisse a oportunidade do diálogo e da negociação, estaríamos hoje em grandes dificuldades de relacionamento e, no entanto, encontro estas criaturas na rua e nos entregamos á amizade por conta de termos exercitado a máxima do Cristo: não retribua o mal com o mal. Fiquei numa situação de louco, mas não enlouqueci por conta da raiva ou do ódio, da mágoa ou do orgulho ferido, graças a Deus.

É a bendita passagem: 'se te pedem a blusa, daí também a capa. Se te pedem para caminhar mil léguas, caminha outras duas mil'. Se te trouxeram dissabores, seja em qual área for, não revides e nem ofertes a incompreensão ou a intolerância. Pratique o amor e a paz, por mais incorreta que esteja sendo a outra pessoa. Quem tem a ganhar com isso é você mesmo.

XIII — É pelos frutos que se conhece a árvore. É necessário qualificar cada ação segundo o que ela produz: chamá-la má quando a sua conseqüência é má, e boa quando produz o bem.

Esta máxima: “É pelos frutos que se reconhece a árvore“, encontra-se textualmente repetida, muitas vezes, nos Evangelhos
.

Afora o enunciado de Kardec, cabe-nos perceber que hoje também nos é possível compreender esta frase por outros ângulos e um deles é o da ação e reação. Se produzires o mal, colherás o mal. Se plantares árvore má, não haverás de colher frutos. Se desrespeitares o solo, quando muito terás ervas daninhas. Se relegares os bens à avareza e à posse, sejam eles bens materiais ou espirituais, terás a deterioração dos mesmos. Enfim, aquilo que fizerdes do que te couber é que haverás de encontrar.

XIV – A riqueza é um grande perigo. Todo homem que ama a riqueza, não ama nem ele nem ao que possui, mas a uma coisa que é ainda mais estranha do que aquilo que ele possui. (Cap. XVI).

Está lá no capítulo XVI que não se pode servir a Deus e a Mamom e também está em nosso viver claro que aquele que pretere o amor em prol dos interesses egóicos ou materiais não tem nem uma coisa e nem outra. A paz que dizemos sentir diante do conforto material ou da nossa liberdade de ser e estar não suplanta a dor que causamos, não é comparável a nada de virtuoso e honroso, porque o que temos não é nada diante da eternidade.

Dever cumprido, responsabilidades assumidas e retidão de caráter são bens inalienáveis e que se envolvidos em amor, superam toda e qualquer penúria ou pobreza. O quarto mofado e sem ventilação que abriga o trabalhador honesto é preferível ao carro zero daquele que se apodera do que não lhe cabe ou que usufrui do que não lhe é destinado. A mesa que não é abastecida e o amparo que é negado, não pode ser substituído pela pretensão de estar servindo em espírito ao Pai. Quem serve ao Pai não trai, não abandona, não foge às responsabilidades e nem se recusa ao amor por conta da falta de bens ou dinheiro.

A riqueza, seja ela de que natureza for e aqui podemos compreender tudo aquilo que possuímos em abundância (fala, pensamento, liberdade, livre-arbítrio, etc.), quando mal administrada torna-se a porta larga pela qual muitos passarão e nada de santo encontrarão. Se infelizes na relação, não usemos da nossa riqueza em poder nos locomover para alcançarmos o adultério; se contrariados em nossos desejos íntimos, não façamos uso da riqueza em usar nosso livre-arbítrio para optar por atitudes malfazejas; se diminuídos perante nossa própria auto-estima, não abusemos da riqueza de corações alheios que nos amam para despejar-lhes o fel dos sentimentos que possuímos.

XV – As mais belas preces e os mais belos sacrifícios agradam menos à Divindade, do que uma alma virtuosa que se esforça por assemelhar-se a ela. Seria grave que os deuses se interessassem mais pelas nossas oferendas do que pelas nossas almas. Dessa maneira, os maiores culpados poderiam conquistar os seus favores. Mas não, pois só são verdadeiramente sábios e justos os que, por suas palavras e seus atos resgatam o que devem aos deuses e aos homens. (Cap. X, n°7 e 8).

Este é um ponto delicado, não gente? De que nos adianta orar e vibrar por alguns momentos, se no decorrer das horas seguintes nos tornamos tais quais os hipócritas e fariseus que abordamos em encontros passados? Sócrates já sabia que promessas, palavras bellas e vazias, além de oferendas em nada poderiam apetecer à Divindade, se não fosse coroadas de profundidade e atitudes correlatas. Aquela eterna barganha que fazemos junto aos santos e a toda sorte de possíveis benfeitores, não ressoa em Deus, pois que a tudo Ele observa e sabe muitíssimo bem quando nossas palavras habitam apenas nossa boca.

Em nosso O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos esta alusão lá no capítulo X, itens 7 e 8 que nos falam justamente acerca de O Sacrifício mais agradável a Deus. Não podemos querer ser recebidos e perdoados pelo Pai, se não recebemos e nem perdoamos nosso próximo. Pedimos para nós aquilo que devemos ofertar também ao nosso próximo, além é claro de não apenas pedirmos, mas também agradecermos. Se não reside em nosso coração a gratidão e o reconhecimento ao Pai, como podemos nutrir o bem e a caridade? Seremos orgulhosos, arrogantes e eternos pidões.

Exposto em 19-05-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão - parte VII

Finalizamos o encontro passado falando sobre as preces, a maneira como elas são proferidas e como realmente agradam a Deus. Dentre os comentários de Sócrates e aqueles que tão bem conhecemos, pudemos observar o fato de que aquilo que ofertamos ao Pai em forma de palavras deve, primeiramente, fazer parte de nosso proceder. Inclusive, quando inquirido sobre este assunto, Divaldo nos respondeu o seguinte:

(...) Na divulgação do Espiritismo no mundo, o que o espírita deve levar como maior contribuição aos outros povos? <Divaldo_Franco> O exemplo. A conduta é de relevante importância. Porquanto teorias belas, a Humanidade as tem em grande quantidade, mas nem sempre foram capazes de transformar os seus idealistas. O Espiritismo como doutrina é perfeito. O espírita, entretanto, para demonstrar essa excelência, deve viver de acordo com os postulados estabelecidos, demonstrando a outrem que não traz apenas uma idéia, mas um fato consumado em sua vivência, que transformou sua vida para melhor, tornando-o uma lâmpada acesa na noite da atualidade. (...)

Esta tecla sempre deve ser batida por todos nós: exemplificar aquilo que cremos; falar com o coração puro e sincero, mas agir em conformidade com esta fala, nossas crenças e ideais. Prosseguindo com os itens da Doutrina de Sócrates:

XVI – Chamo de homem vicioso ao amante vulgar, que ama mais ao corpo que à alma. O amor está por toda a natureza, e incita-nos a exercer a nossa inteligência: encontramo-lo até mesmo no movimento dos astros. È o amor que adorna a natureza com suas ricas alfombras; ele se enfeita e fixa a sua morada onde encontra flores e perfumes. É ainda o amor que traz a paz aos homens, a calmaria ao mar, o silêncio aos ventos e o sossego à dor.

É o amor que forra o chão, que enfeita as paragens e passagens que todos nós percorremos, que torna nossa vida mais alegre, leve e bella. Pois é. Se algo nos une a alguém ou a alguma situação e esse algo não for harmonioso, pacífico e calmante, dificilmente poderá ser tido como amor, mas sim como posse, volúpia, paixão, egoísmo e tantas outras denominações que apenas nos farão perceber que a incondicionalidade do amor, ou seja, as não exigências e a falta de restrições para que ele seja e exista é que poderão ser consideradas verdadeiramente como amor.

No entanto, conviver com alguém de maneira harmoniosa por conta dos benefícios que este convívio possa ofertar não é amor; é conveniência. Aceitar o outro sem restrições, nada exigir em troca, aproveitar-se de sua situação financeira/familiar/social é usurpar e vampirizar e não amar incondicionalmente. Segundo Divaldo todos estamos aptos a amar incondicionalmente e nosso exemplo maior é Jesus, porém, a mistura que fazemos nas faces do amor é ainda algo de grande dificuldade e poucos são os casais que encontraram o verdadeiro equilíbrio, que requer muita renúncia e tolerância de ambas as partes.

Este exemplo incondicional de Jesus nos faz recordar que ele não deu amor em troca de casa e comida; que ele não deu amor em troca de reconhecimento; que ele não deu amor para ser útil ou estar ocupado. O Mestre fez o que fez desinteressadamente e nada esperou ou recebeu em troca, salvo nossa ingratidão. Vejam esta passagem aqui enfatizada:

O amor que deve unir os homens por um sentimento de fraternidade é uma conseqüência dessa teoria de Platão sobre o amor universal, como lei da natureza. Sócrates, tendo dito que “o amor não é um deus nem um mortal, mas um grande demônio”, ou seja, é um grande espírito que preside ao amor universal, e esta afirmação lhe foi imputada como crime.

(...) Amor, segundo o dicionário Aurélio, é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou a uma causa. E ainda, não podemos esquecer que o Novo Testamento foi escrito em grego, e para a linguagem grega a mesma de Platão e Sócrates, amor tem três significados:

a. Eros - é o amor como atração física, pessoal, que leva as pessoas a se apaixonarem um pelo outro. Não significa necessariamente atração sexual. Para Platão, eros era também uma forma de contemplação de todas as belezas, do corpo, da alma, da natureza. Tudo isso pode ser uma forma específica de amor.

b. Philos - Esta palavra quer dizer amizade que pode ser entre duas pessoas, entre pais e filhos, entre amigos, mas não é algo superficial e sim verdadeiro e profundo que inclui virtude e lealdade.

c. Agape - Esta palavra significa amor-entrega, amor-doação, amor incondicional. É o amor como gesto de desprendimento pessoal, de oferta da própria vida, um gesto que não procura retribuição ou qualquer recompensa.
Qual é o sentido profundo da palavra amor, para cada um de nós? Claro que deve sempre ser um amor de doação, porque o ardente amor cobre uma multidão de pecados. (I Pedro, 4:8). Entretanto, hoje, é uma palavra tão banalizada, tão usada para designar relações egoístas e hedonistas. (...) Palavras de Marcos José Ferreira
, no texto Que vos ameis uns aos outros.

É gente, depois de tanta leveza e beleza em torno desta palavra, eis que nosso irmão nos diz que ela é usada para designar relações egoístas e por hedonistas, aquelas criaturas que fazem do prazer o objeto do viver e chamam a isso de amor entre os seres e entre o bem-viver. Se conseguirmos identificar qual é o objeto que nos move ao sentirmos ou pronunciarmos a palavra amor, teremos um meio caminho para definir se realmente é amor ou egoísmo ou hedonismo ou volúpia ou fixação ou obsessão.

Inclusive, estava relendo algumas anotações minhas e encontrei uma passagem que explicava sobre o Ágape e o comentário final era este: O amor é paciente, bom, não se gaba nem é arrogante, não se comporta inconvenientemente, não quer tudo só para si, não condena por causa de um erro cometido, não se regozija com a maldade, mas com a verdade, suporta todas as coisas, aguenta tudo. O amor nunca falha... Amor é paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, perdão, honestidade, confiança.

Enfim, temos a seguinte passagem:

XVII – A virtude não pode ser ensinada; ela vem por um dom de Deus aos que a possuem. É quase a doutrina cristã sobre a graça. Mas se a virtude é um dom de Deus, é um favor, e pode perguntar-se porque ela não é concedida a todos. De outro lado, se ela é um dom, não há mérito de parte daquele que a possui. O Espiritismo é mais explicito. Ele ensina que aquele que a possui, a adquiriu pelos seus esforços nas vidas sucessivas, ao se livrar pouco a pouco das suas imperfeições. A graça é a força que Deus concede a todo homem de boa-vontade, para se livrar do mal e fazer o bem.

É isto que temos aprendido no decorrer de nossos estudos. Não somos favorecidos pelo Pai e nem existem pessoas que são preteridas. Tudo é fruto de conquista, dedicação, disciplina e merecimento. Por vezes não nos reconhecemos meritórios porque nos conhecemos de maneira abrangente, mas quem somos nós para questionar o processo evolutivo? Como conseguiríamos seguir avante se não tivéssemos estímulo?

Todos nós já levantamos em determinado dia sem vontade alguma de fazer nada. Sem ânimo, sem estímulo e sem perspectiva. A maneira como cada um lidou com isto é individual e única, mas fato é que apenas a rudeza da situação não nos auxilia a modificar este padrão de sentir.

Algumas criaturas agem como verdadeiros glutões em relação ao que necessitam para sentir-se bem e dispostos a levar avante suas virtudes e qualidades. Outros são tão essenciais que chegam a parecer frios e indiferentes, mas todos nós temos esta necessidade e aqui ela é explicada como a graça que Deus nos concede diante de nossa boa-vontade. Não fazemos por conta disso, mas eis que existe um custo benefício diante daquilo que realizamos. E isso serve tanto para o positivo quanto para o negativo. A grande diferença entre o que alardeava Sócrates está justamente neste fato, do que fazemos não por termos sido agradáveis aos olhos de Deus, mas por termos conquistado esta graça diante de nosso proceder.

Exposto em 26-05-2010 por Fiorell@!

 

 

 

Resumo da Doutrina de Sócrates e Platão - parte final

Falamos sobre amor e virtudes no encontro passado. Vimos a percepção de Sócrates e como ela se aproxima da ofertada pela espiritualidade através da Doutrina Espírita. Hoje veremos uma face que lateja em nós:

XVIII – Há uma disposição natural, em cada um de nós, para nos apercebermos bem menos dos nossos defeitos, do que dos defeitos alheios.
O Evangelho diz: “Vês a aresta no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu?” (Cap. X, Mateus, VII: 3-5, nº 9 e 10)


Essa propensão tem sido transformada e até mesmo requintada por nós, quando projetamos no outro nossas próprias falhas ou conseguimos identificar em outrem aquilo que não vemos em nós, mas que salta tanto aos olhos justamente por nos ser tão familiar.

XIX – Se os médicos fracassam na maior parte das doenças, é porque tratam do corpo sem a alma, e porque, se o todo não se encontra em bom estado, é impossível que a parte esteja bem.
O Espiritismo oferece a chave das relações entre a alma e o corpo, e prova que existe incessante reação de um sobre o outro. Ele abre, assim, novo caminho à ciência: mostrando-lhe a verdadeira causa de certas afecções, dá-lhe os meios de combatê-las. Quando ela levar em conta a ação do elemento espiritual na economia orgânica, fracassará menos.

A propósito deste assunto, ontem estava no Portal Lema e conversava com lando, quando ele falou a respeito deste estudo. Interessante que é como o lado científico a que a Doutrina Espírita nos leva e, ao mesmo tempo, é o lado pesquisado por criaturas não espíritas. É um estudo minucioso e até longo (trinta e tantas páginas), mas creio pelo pouco que consegui ler, ser bem acessível. Recomendo que acessem o link do
Portal Lema e confiram na íntegra uma apostila do curso mediúnico do Lar Espírita Servas de Maria, que aborda justamente sobre Fenomenologia Orgânica e Psíquica Da Mediunidade.

Quantas e quantas vezes não ouvimos dizer: ‘Os médicos não encontram o problema’? Ou até mesmo: ‘Sumiu do nada!’? Já pensaram em quantos remédios tomamos e que se buscássemos espiritualmente a causa teríamos a cura e o lenitivo mais rapidamente e até definitivamente? Sei que muitos já presenciaram e até mesmo já comentaram aqui em nossos estudos que foram submetidos ou viram alguém se submeter a uma cirurgia espiritual, ficar bom e, repentinamente, tudo voltar?

Pois é. Tira-se o efeito, mas permanece a causa, ninguém merece né? Ou retiramos a causa de nós ou o efeito será retirado momentaneamente e depois retornará. Aliás, não podemos nos esquecer que também alguns processos não estão plenamente ao nosso alcance e de maneira imediata. Doenças causadas por obsessões nem sempre são curadas apenas pela nossa mudança de atitudes ou procedimentos, mas também daqueles que nos acompanham.

Culpa. Eis a porta para a obsessão e para os processos de doença chamados como redentoras ou retificadoras. Seja culpa por algo que cometemos diretamente ligado àquela situação ou outra diversa. Termos consciência de nossos erros é importantíssimo, assim como buscar nossos ‘desafetos’ para sermos perdoados e perdoar também. Se não mais é possível fisicamente, façamos mentalmente, mas não em um ritual de auto-compaixão ou de comiseração, para não piorarmos a situação. Não é garantia de salvação ou mudança drástica, mas um primeiro passo para consertar talvez erros seculares. Um artigo simples e direto sobre o assunto pode ser encontrado neste link do Blog de nossa amiguinha Juliana
Jovem Espírita.

Enfim, cuidemos para não nos estendermos no assunto. Ele é rico e abrangente e merece muito de nossa atenção, mas prossigamos com o resumo de Sócrates e Platão:

XX – Todos os homens, desde a infância, fazem mais mal do que bem.
Estas palavras de Sócrates tocam à grave questão da predominância do mal sobre a Terra, questão insolúvel sem o conhecimento da pluralidade dos mundos e do destino da Terra, onde se encontra apenas uma pequena fração da Humanidade. Só o Espiritismo lhe dá solução, que é desenvolvida logo adiante, nos capítulos II, III e V.


Isso é quase um tabu e, de certa forma, nos dificulta perceber que o homem também está propenso ao bem. Experimentem continuamente ouvir que alguém é ruim, que fulano é traiçoeiro, que ciclana é linguaruda, que beltrano é dissimulado, que ninguém dá ponto sem dó, que isso e que aquilo sempre a nos deixar em desvantagem, de calça curta ou saia justa. Será quase impossível olhar o próximo com bondade e com tolerância, afinal, são todos farinha do mesmo saco e todos estão perdidos. Não, gente!! Somos fadados à perfeição e não à maldade. A perfeição nos facultará a sabedoria, o amor incondicional, a fraternidade e a união entre todos os seres. Até lá, estaremos em pleno processo evolutivo sujeitos sim a fazer mais mal que bem, até quando julgamos estar fazendo o bem, haja vista o fato de não dispormos de todas as ferramentas para processar um julgamento isento de tendências ou erros.

XXI – A sabedoria está em não pensares que sabes aquilo que não sabes.

Tem certas coisas que nos dão tanta segurança que nem vacilamos em fazer, falar ou seguir, não? Estes dias fui de free lancer em uma loja e eu sabia de meu potencial e de minha capacidade, de minha experiência e etc. Sentia-me tranquila, mas qual não foi minha surpresa ao perceber que minhas mãos estavam trêmulas e isso quase que me colocou com os pés no chão, porque embora eu soubesse o que estava fazendo, também estava sujeita a falhar ou errar e toda minha atenção era necessária.

Sócrates é mais claro e direto: você pensa que sabe algo e nisso não estás agindo com sabedoria. Pode ser com qualquer outro sentimento ou resultado, mas não com sabedoria. E a Doutrina Espírita é mais dura e específica, vejam:

Isto vai endereçado àqueles que criticam as coisas de que, freqüentemente, nada sabem.

Está cheio de sabichão e de sabichona achando que tudo o que está sendo feito tem algum defeito. O suflê não ficou alto o suficiente, a mousse não contém toda a aeração necessária, o quadro está torto e foi mal colocado e assim por diante. Oras, vá lá colocar uma bucha e um parafuso na parede para ver se fazes melhor! Vá lá bater a bendita mousse e ver se manualmente o trem realmente fica tão aerado quanto em batedeiras ou liquidificadores. Aliás, minha sobrinha fez uma mousse deliciosa e facílima... Farei neste final de semana...

Quantas vezes não nos sentimos acuados diante de pessoas que se acreditam detentores de todo o conhecimento acerca de determinada coisa e que, na realidade, nunca colocaram a mão na massa para fazer. Enfim, pito à parte, vejam este complemento:

Platão completa este pensamento de Sócrates, ao dizer: “Tentemos primeiro torná-los, se possível, mais honestos nas palavras; se não o conseguimos, não nos ocupemos mais deles, e não busquemos mais do que a verdade. Tratemos de nos instruir, mas não nos aborreçamos”. É assim que devem agir os espíritas, com relação aos seus contraditores de boa ou de má-fé. Se Platão revivesse hoje, encontraria as coisas mais ou menos como no seu tempo, e poderia usar a mesma linguagem. Sócrates também encontraria quem zombasse de sua crença nos Espíritos e o tratasse de louco, assim como ao seu discípulo Platão.

Por vezes, quando somos chamados a refazer algo por conta de toda a sabedoria destas criaturas, deparamo-nos com isto que Platão complementou. Nem sempre estas criaturas, diante de toda sua sabedoria, conseguem entender que já fomos lá fazer o trem e não deu certo, porque existe uma diferença entre teoria e prática, assim como também existe diferença em saber e acreditar-se conhecedor.

Eis ao que somos chamados a realizar: a tolerância. Se estão teimando conosco, agora falando no âmbito doutrinário, algo que entendemos ser o correto ou vimos ser o certo, não nos desgastemos. Se vierem aqui dizer que espírito não vive e o fizerem de boa ou má fé, tentemos argumentar, mas do contrário, não nos desgastemos. Quantos não perambulam pelo PALTALK apenas alardeando estes questionamentos, mas não se colocam receptivos a ouvir? Serão sábios? Como a passagem de Jesus aos discípulos que não foram ouvidos em determinada cidade: bate as sandálias e prossegue. Finalizando:

Por haver professado esses princípios, Sócrates foi primeiro ridicularizado, depois acusado de impiedade e condenado a beber cicuta. Tanto é certo que as grandes verdades novas, levantando contra elas os interesses e os preconceitos que ferem, não podem ser estabelecidas sem luta e sem mártires.

Quantos não foram queimados, cruelmente torturados e até mesmo mortos por professarem verdades como estas de Sócrates? Os próprios discípulos de Jesus e os chamados cristãos. Bem, era o que tínhamos a trazer acerca deste resumo da doutrina de Sócrates e Platão e, com alegria e gratidão, iniciaremos na próxima semana o capítulo I de O Evangelho Segundo o Espiritismo, salvo alguém queira revisar ou comentar algo que vimos nestes últimos 8 encontros.

Exposto em 02-06-2010 por Fiorell@!

 

Copyright © 2007
Sob a Ótica Espírita
 Todos os direitos reservados
Atualizado em: 12-06-2010
Webdesigners: Neuly e La Romana
E-mail: sobaotica@sobaoticaespirita.com