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O Evangelho Segundo o Espiritismo 

Estudos da Moral Cristã Sob a Ótica do Espiritismo
Estudo abordado a partir de 01 de abril de 2009

Estudos anteriores e atuais:

- Notícias Históricas e Resumo da Doutrina de Sócrates
- Capítulo I do ESE
- Capítulo II do ESE

 

 

 

Explicação

Este livro foi publicado, inicialmente, com o título de Imitação do Evangelho. Kardec explica o seguinte: Mais tarde, por força das observações reiteradas do Sr. Didier e de outras pessoas, mudei-o para Evangelho Segundo o Espiritismo” . Trata-se do desenvolvimento dos tópicos religiosos de O Livro dos Espíritos, e representa um manual de aplicação moral do Espiritismo.

A 9 de agosto de 1863, Kardec recebeu uma comunicação dos seus Guias, sobre a elaboração deste livro. A comunicação assinalava o seguinte: “Esse livro de doutrina terá influência considerável, porque explana questões de interesse capital. Não somente o mundo religioso encontrará nele as máximas de que necessita, como as nações, em sua vida prática, dele haurirão instruções excelentes. Fizeste bem ao enfrentar as questões de elevada moral prática, do ponto de vista dos interesses gerais, dos interesses sociais e dos interesses religiosos”.

Em comunicação posterior, a 14 de setembro de 1863, declaravam os Guias de Kardec: “Nossa ação, principalmente a do Espírito da Verdade, é constante ao teu redor, e de tal maneira, que não a podes negar. Assim não entrarei em detalhes desnecessários, sobre o plano da tua obra, que, segundo os meus conselhos ocultos, modificaste tão ampla e completamente”. Logo adiante acentuavam: “Com esta obra, o edifício começa a libertar-se dos andaimes, e já podemos ver-lhe a cúpula a desenhar-se no horizonte”.

Estas comunicações, cuja leitura completa pode ser feita em Obras Póstumas, revelam-nos a importância fundamental de O Evangelho Segundo o Espiritismo, na Codificação Kardeciana. Enquanto O Evangelho dos Espíritos nos apresenta a Filosofia Espírita em sua inteireza e O Livro dos Médiuns, a Ciência Espírita em seu desenvolvimento, este livro nos oferece a base e o roteiro da Religião Espírita.

Livro de cabeceira, de leitura diária obrigatória, de leitura preparatória de reuniões doutrinárias, deve ser encarado também como livro de estudo, para melhor compreensão da Doutrina. A comunicação do Espírito da Verdade, colocada como prefácio, deve ser lida atentamente pelos estudiosos, pois cada uma de suas frases tem um sentido mais profundo do que parece à primeira leitura.

A Introdução e o Capítulo I constituem verdadeiro estudo sobre a natureza, o sentido e a finalidade do Espiritismo. Devem ser estudados atenciosamente, e não apenas lidos. Formam uma peça de grande valor para a verdadeira compreensão da Doutrina.

JOSÉ HERCULANO PIRES
Tradutor

 

 

 

Explicação - Início de tudo

Pouco sabemos dos fatos e da história da Doutrina Espírita. Tratamos tanto do ouvir dizer e do alguém falou, que sequer atentamos para o fato de que nas próprias obras, existem muitas explicações e narrativas sobre a história da Doutrina Espírita. Herculano Pires, em sua sobriedade e lucidez, nos revela estes fatos em muitas passagens de seus escritos que são magistralmente colocados nas introduções às obras da codificação. Denominado como o melhor metro que mediu Kardec, Herculano nos traz singularidades e particularidades que mostram, por diversas maneiras, as virtudes da Doutrina Espírita e a virtuose de seu codificador. Uma passagem interessante está contida já no primeiro parágrafo da chamada ‘Explicação’ e que nos conta o seguinte:

(...) Este livro foi publicado, inicialmente, com o título de Imitação do Evangelho. Kardec explica o seguinte: “Mais tarde, por força das observações reiteradas do Sr. Didier e de outras pessoas, mudei-o para Evangelho Segundo o Espiritismo”. Trata-se do desenvolvimento dos tópicos religiosos de O Livro dos Espíritos, e representa um manual de aplicação moral do Espiritismo.(...)

Temos aqui alguns fatos que, em outros momentos, passar-nos-iam desapercebidos, mas os quais resolvi enfatizar. O primeiro e mais breve é aquilo que muitos de nós já pode observar: O Livro dos Espíritos em suas divisões, trata de assuntos de maneira direta e lúcida, mas não aprofunda-se nos mesmos. Este desmembramento das questões e de determinados temas, podemos observas nas obras subseqüentes e que correspondem às partes do mesmo e que nunca é demais ressaltemos, aliás, ressaltaremos com base nas próprias palavras de Herculano Pires que podem ser encontradas na introdução ao Livro dos Espíritos, escrita por ele em comemoração ao centenário da obra, onde encontramos:

(...) A)LIVRO DOS MÉDIUNS , seqüência natural do livro dos Espíritos, que trata especialmente da parte experimental da doutrina, tem a sua fonte no Livro II, a partir do capítulo sexto até o final. Toda a matéria contida nessa parte é reorganizada e ampliada naquele livro, principalmente a referente ao capítulo nono: "Intervenção dos espíritos no mundo corpóreo'.

B) O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, é uma decorrência natural do Livro III, em que são estudadas as leis morais, tratando-se especialmente da aplicação dos princípios da moral evangélica, bem como dos problemas religiosos da adoração, da prece e da prática da caridade. Nessa parte o leitor encontrará, inclusive, as primeiras formas de "Instruções dos Espíritos", comuns àquele livro, com a transcrição de comunicações por extenso e assinadas, sobre questões evangélicas. (...)


Como ressalva, eu gostaria de dizer que, embora essa seja uma parte relativamente discriminada dentro da Doutrina Espírita, a religiosa, é também aquela em que mais somos cobrados pelos nossos próprios companheiros de crença. Cobra-se a moral alheia e explana-se sobre as passagens que contém palavras de Jesus, como se quem assim o faz já estivesse totalmente isento das impurezas morais do espírito, quando na realidade em breve tempo de conhecimento da moral espírita, aprendemos que mais humilde é aquele que cuida de suas próprias mazelas e oferta a mão ao próximo, ao invés de apontar-lhe o dedo. A simples menção de que ainda existem pessoas que agem assim, faz com que eu mesma pare para refletir se continuo me preocupando mais com minha própria vida ou se com a alheia, mesmo quando meus sentimentos possam estar mascaradamente disfarçados na boa intenção de que nenhuma ovelha se perca.

Nesse ínterim, inúmeros são os alertas que nos convocam a refletir: “Que te importa a ti? Segue-me Tu que eu haverei de dele cuidar, pois nenhuma ovelha se perderá e cada qual me seguirá em seu próprio momento”. É um senhor puxão de orelhas.Eu, particularmente agradeço, porque em inúmeras vezes, principalmente nas vezes em que somos afrontados e agredidos dentro de nossa própria crença, nos colocamos a questionar e até a nos revoltarmos com tanta hipocrisia e desfaçatez dos moralistas espíritas.

Por isso, muito fácil é falar da parte religiosa como se fossemos os maiores conhecedores da moral do Cristo; complicado é praticá-la. E lá vem o tema da terça-feira que estamos finalizando: Reforma Íntima. Renovação e reformulação de nossos pensamentos e propósitos individuais para conosco e com o Pai. Prosseguindo, temos:

(...) C) O CÉU E O INFERNO decorre do Livro IV, "Esperanças e Consolações", em que são estudados os problemas referentes às penas e aos gozos terrenos e futuros, inclusive com a discussão de dogmas, como o da ressurreição da carne, e os do paraíso, inferno e purgatório.

D) A GÊNESE, os milagres e as predições, relaciona-se aos capítulos II, III e IV do Livro I, e capítulo IX, X e XI do Livro II, assim como as partes dos capítulos do Livro III que tratam dos problemas genésicos e da evolução física da Terra (que, aliás, fará parte do próximo bloco de estudos, intitulado MUNDOS REGENERADORES). Esta obra é mais ampla, pois trata de todos os aspectos, tornando-a mais difusa que os outros.

E) Pequenos livros introdutórios ao estudo da doutrina (e que deveriam ser indicados com freqüência maior, pois são o reflexo da mesma embora não se incluam propriamente na codificação), mas também estão diretamente relacionados com o Livro dos Espíritos, decorrendo da INTRODUÇÃO e dos PROLEGÔMENOS. São estes livros introdutórios: O PRINCIPIANTE ESPÍRITA e O QUE É O ESPIRITISMO.(...)


Aqui deparamo-nos com certa divergência dentro do movimento espírita, quanto á veracidade e autenticidade da obra PRINCIPIANTE ESPÍRITA. Segundo comentários de respeitado companheiro de Doutrina Espírita, o Alcides, temos a seguinte narrativa:

(...) É estranho pois este livro não é atribuído à Kardec, inclusive há esta citação no livro O Corpo Fluídico de Wilson Martins. Supõe-se que seja uma "adaptação" da Federação Espírita Brasileira, como muitas alterações tendenciosas que aconteceram naquela instituição na tentativa de introduzir o conceito docentista! O Herculano ao lado de muitos outros espíritas, como o próprio Imbassahy que deixou a Federação Espírita Brasileira, mostram os fatos em várias obras. A minha é a 62a. Edição de Outubro de 2001(...)

Cito este detalhe ou divergência, que não deixa de ser seríssima, por conta de que passemos a compreender algumas tendências que se fazem dentro do Movimento Espírita e das obras lançadas a torto e a direito. Inclusive, essa parte, sobre a enxurrada de obras espíritas, poderemos analisar mais adiante na própria introdução ao Evangelho Segundo o Espiritismo.

Exposto em 01-04-2009 por Fiorell@!

 

 

 

Explicação - Sr. Didier

Gostaria de contar-lhes quem é a pessoa que exerceu tamanha influência sobre Kardec, no tocante á modificação do título da obra.

(...) Pierre-Paul Didier foi o primeiro editor das obras de Allan Kardec. Destemido, expondo-se às retaliações da época, principalmente as que o clero movia contra o Espiritismo, não receou comprometer-se, quer do ponto de vista profissional ou social. Idealista, o Codificador nele encontrou o companheiro que, certamente o Mundo Espiritual havia preparado para a tarefa da divulgação espírita, de vez que, lendo as obras que editava, acabou por se converter à Doutrina. (...)

Por conta de suas virtudes e características, sinto-me no dever de mencionar um pouco mais sobre esta criatura que gozava da amizade de Kardec:

(...) “Posto o Sr. Didier, pessoalmente, não tomasse parte muito ativa nos trabalhos da Sociedade, onde raramente usava da palavra, não deixava de ser um dos membros mais considerados, por sua ancianidade como fundador, por sua assiduidade e, sobretudo, por sua posição, sua influência e os incontestáveis serviços prestados à causa do Espiritismo, como propagador e como editor.” (...)

Se observarmos bem, teremos duas impressões: a primeira é a de nunca sequer termos ouvido falar deste senhor. E a segunda é a de que nem sempre as pessoas em maior evidência são as únicas influentes ou imprescindíveis.

Muitos de nós confundimos notoriedade com serventia. E, esta confusão, faz com que muitas pessoas de grande valia e importância abandonem trabalhos, projetos ou até mesmo determinadas funções por conta da discrição em que se encontram. É como se sentissem à sombra de algo ou alguém, sem nem ao menos perceberem que se estão á sombra ou abaixo de alguém em uma tarefa ou procedimento em conjunto, com muita probabilidade são o sustentáculo dessa situação ou seu grande alicerce.

E nesse alimentar de vaidades (não deixa de ser uma vaidade aflorando), muito tempo se perde no conjunto precioso da obra. Muitas vezes aquele que serve calado é o que mais serve. E vemos isso constantemente: quem muito brada pouco faz; cão que ladra não morde e assim por diante. Didier era uma pessoa de extrema importância e valia diante do nascimento da Doutrina Espírita, no entanto, pode-se contar nos dedos quem sabia de sua figura, a começar por essa que vos fala. Kardec prossegue:

(...) As relações que com ele tive durante sete anos permitiram-me perceber a sua correção, a sua lealdade e as suas capacidades especiais. Sem dúvida, como cada um de nós, tinha suas pequenas particularidades, que não agradavam a todos, por vezes, mesmo, um gesto brusco, com o qual era preciso familiarizar-se, mas que nada tirava de suas eminentes qualidades; e o mais belo elogio que se lhe possa fazer é dizer que em negócios se podia ir com ele de olhos fechados. (...)

A tão procurada perfeição não existe em ponto algum. Kardec evidencia inclusive o aprendizado que sua ausência nos proporciona: familiarizar-se com suas particularidades ou com aquilo que nos incomoda nos outros. Perceber se é tão somente um gesto carregado de força ou uma postura ou inflexão. Até me lembrei de duas situações que vemos em nosso dia-a-dia. Tenho o hábito de chamá-los de meu senhor ou minha senhora e adoro quando vejo-os assim me chamando. Parece que conquistamos algo tão nosso e próximo que vocês nem imaginam. E quando uma criatura me agrada ou faz com que eu me sinta bem em lidar com ela, é quase que instantâneo assim me referir a ela. E muita gente não gosta e não percebe. Questão de familiarizar-se com essa minha maneira de proceder. Eu poderia falar ‘criatura’ ou bonitão, como já falei durante muitos anos, mas enfim, não agrada a todos. E assim era com nosso Didier e assim é com o entregador que toca meu interfone e fala: Colega, sou eu, da empresa tal... Enfim, treinamentos e aprendizados que nós, estudiosos da Doutrina Espírita também já interpretamos por outra maneira, maneira essa que o psicológico também nos ensina: tudo é uma questão de vibração e sintonia. Por vezes, o encolerizado tem seu peito em chamas e não necessariamente conosco. Aquele que galhofa de algo, pode ter a dor a invadir-lhe as entranhas. O sarcástico pode ainda não ter descoberto o valor sincero da amizade ou da palavra e por assim se segue. Não justifica a atitude de ninguém, mas nos alerta de que por trás de alguém nestas condições, com muita certeza podem estar vários sentimentos. Deste nosso companheiro de doutrina espírita e amigo particular de Kardec ainda podemos ouvir:

(...)Comerciante, devia encarar as coisas comercialmente, mas não o fazia com mesquinhez e parcimônia. Era grande, largo, sem mesquinharia nas suas operações; a atração do ganho não o teria levado a empreender uma publicação que lhe não conviesse, por mais vantajosa que fosse. Numa palavra, o Sr. Didier não era o negociante de livros, a calcular seu lucro vintém a vintém, mas o editor inteligente, justo apreciador, consciencioso e prudente, tal qual era preciso para fundar uma casa séria como a sua. Suas relações com o mundo culto, pelo qual era amado e estimado, haviam desenvolvido suas idéias e contribuído para dar à sua livraria acadêmica o caráter sério, que a tornou numa casa de primeira ordem, menos pela cifra dos negócios do que pela especialidade das obras que explorava e a consideração comercial de que, a justo título, desfrutava havia longos anos. (...)

Que dizer dessa particularidade? Embora possuísse em mãos a possibilidade de apenas lucrar com a situação, preferiu buscar caminhos que suscitaram em Kardec todos estes elogios e a sincera e profunda boa impressão que despertou naqueles que o visualizaram além apenas de um comerciante ou editor. O que me fez lembrar da passagem de Yvonne Pereira, quando em certa feita ela foi abordada por uma entidade que desejava transmitir-lhe, psicograficamente, um livro que lhe traria muito dinheiro e notoriedade. Mas Yvonne, mais do que apenas receber o convite ou a oferta, analisou detidamente aquele que ofertava, sentindo-lhe mais do que ouvindo-o e, diante disto, recusou-se a psicografar a referida obra. Mais de 15 anos depois, a mesma entidade retorna com o mesmo convite tentador, mas ainda exalando as condições inferiores de que era portadora. Uma vez mais esta médium recusou-se a ceder-lhe o espaço para que transmitisse o referido livro, no que a entidade se afastou totalmente desequilibrada. Ao questionar Bezerra de Menezes, seu mentor, do por quê daquela situação, duas vezes profundamente tentada, foi-lhe dito que ela precisava passar pela situação e utilizar de seu livre-arbítrio para que seu espírito se fortalecesse diante das tentações do intercâmbio mediúnico.

E assim foi com Didier e é com cada um de nós que inúmeras vezes nos vemos ás voltas com as repetidas tentações ou facilidades para que incorramos no erro e, no entanto, nosso caráter e nosso brio é que haverão de se fazerem perceber. Nossa moralidade adquirida ou não é quem fará a grande diferença diante da situação. Finalizando sobre Didier, Kardec enfatiza:

(...) No que me concerne, felicito-me por tê-lo encontrado em meu caminho, o que devo, sem dúvida à assistência dos bons espíritos, e é com toda a sinceridade que digo que nele o Espiritismo perde um apoio e eu um editor tanto mais preciso quanto, entrando perfeitamente no espírito da Doutrina, tinha verdadeira satisfação em propagá-la.” (por Carlos A. Baccelli - Uberaba - MG.)(...)

Mais do que apenas um comerciante ou um espírita que se foi para o plano Espiritual, eis que o desencarne de Didier mostrou-nos que a humildade, o prazer em servir e ser útil não necessita de cornetas e tambores a alardear.

Referência:
http://www.mariadenazare.com.br/editora_didier/artigos/artigo0022.html

Exposto em 08-04-2009 por Fiorell@!

 

 

 

Prefácio

Como Prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo encontramos a seguinte mensagem:

(...)Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos céus, como um imenso exército que se movimenta, ao receber a ordem de comando, espalham-se sobre toda a face da Terra. Semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar o caminho e abrir os olhos aos cegos.(...)

Missionários Celestes, Falange de Amor, Anjos Iluminados, enfim, designamos estes irmãos da espiritualidade por diversos nomes, até confundindo sua real denominação, na ânsia de fazermos transbordar de nós a ventura e a felicidade que sentimos ao sermos envolvidos por eles ou presenciarmos sua interferência junto a nós.

E como uma herança divina, eis que o Espírito da verdade nos assevera que eles se reúnem como um imenso exército de amor e luz e envolvem toda a Terra, sempre sob o comando de Deus. Essa passagem me faz recordar as cenas de filmes em que diante das guerras e batalhas, um exército iluminado vem envolvendo aos adversários trazendo a vitória e a conquista do bem.

É até uma lembrança muito distante daquilo que cita o Espírito da Verdade, porque ele nos assevera que estes iluminados irmãos descem até nosso orbe tais quais estrelas cadentes, iluminando nossos caminhos e retirando nossas vendas.

É a força de nossa imaginação que deve divisar a atmosfera em redor ao nosso orbe e perceber centenas de milhares estrelas adentrando ao orbe terreno, iluminando e projetando o amor por todos os lugares e em todas as criaturas. E a fixação nessa imagem pode nos proporcionar a sensação de que também estamos sendo envolvidos, neste instante, por todo este amor e por toda esta luz, proporcionando o refrigério ao nosso coração dorido, proporcionando a paz à nossa mente conturba, proporcionando o amor ao nosso ser sedento de amparo e proteção.

O comando de Deus assim os designa, porque toda a sua obra haverá de se salvar e sequer uma criatura haverá de se perder ou haver sido feita para as trevas. Muitos serão os chamados neste momento; muitos serão profundamente envolvidos por este amor e por esta renovação; poucos serão escolhidos,isto porque poucos abandonarão a si mesmos para seguir ao amor incondicional. Mas aqueles que assim o fizerem, estes serão amparados, qualificados e fortalecidos nas lides para que no momento correto, se juntem a esta falange de amor.

É o nosso propósito, o propósito da nossa criação, que se concretizará neste momento e novos mundos, novas vidas e novos propósitos abrir-se-ão diante de nós, descortinando a infinidade de vida e amor do nosso Criador.

(...) Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos em que todas as coisas devem ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos.(...)

Com a chegada de O Evangelho Segundo o Espiritismo, eis que a luz se fez sobre as trevas do orgulho, da ignorância e dos interesses mesquinhos. A Luz foi propagada, com a intensidade dos exércitos de quem já alcançou as virtudes supremas e já se encontra distante dos interesses temporais e mundanos, seja qual mundo for. Vigora a plenitude da criação, onde cada ser é a face do amor que transborda e do bem que prolifera. Os que até então dominavam com sua perversão e sua tirania desprovida de benefício a quem quer que seja, serão ofuscados e dizimados em suas intenções.

A glorificação dos justos se percebeu através da renovação dos propósitos , das idéias e da chama da caridade que se espalhou por todo o mundo, acendendo focos de luz, amor e solidariedade entre todas as criaturas. A dor diante dos que se fizeram pérfidos e desprovidos de luz, subjugando e aprisionando, elevou as criaturas aos céus da consciência reta e do caráter íntegro, desflorando a paz que banhou a Terra, como as águas banham o solo seco, adentrando ás entranhas e trazendo a nutrição, trazendo a sustentabilidade e a oportunidade de germinação das sementes que ali jaziam adormecidas.

(...) As grandes vozes do céu ressoam como o toque da trombeta, e os coros dos anjos se reúnem. Homens, nós vos convidamos ao divino concerto: que vossas mãos tomem a lira, que vossas vozes se unam, e, num hino sagrado, se estendam e vibrem, de um extremo do Universo ao outro.(...)

Analogia que convoca a cada um de nós para a Seara do Mestre. O céu se abre, com a chegada de O Evangelho Segundo o Espiritismo e as grandes vozes de amor ressoam por todo o planeta, em uníssono com os celestes seres que trazem o coro envolvente do amor. As vibrações amorosas se intensificam e todos somos aptos a nos envolvermos nesse chamado celestial para que o hino sagrado do Evangelho se estenda por todos os mundos e universos.

A explosão do amor se dará e a paz envolverá os seres, assim como envolveu quando Mestre se fez dentre nós. Seus ensinamentos, seus exemplos, sua fé e sua devoção ao pai serão compreendidos e o consolo chegará a cada criatura , a cada lar e a cada canto dos mundos infinitos, ressoando entre encarnados e desencarnados, trazidas que foram pelas mãos amorosas de abnegados irmãos que aceitaram a lira em suas mãos e a fizeram soar de seu coração, em um gesto de devoção e desprendimento junto à humanidade.

(...) Homens, irmãos amados, estamos juntos de vós. Amai-vos também uns aos outros, e dizei, do fundo de vosso coração, fazendo a vontade do Pai que está no Céu: “Senhor! Senhor!” e podereis entrar no Reino dos Céus.(...)

A espiritualidade nos acompanha. Quantas vezes dizemos isso e, no entanto ainda não interiorizamos? Dizemos até por ameaça ou desdém de que tudo está descoberto, mas eis que nos é dito de maneira a que nos sintamos fortalecidos, confortados e renovados diante da vida, do amparo celeste e da nossa fé. Estamos, o Espírito da Verdade e a falange celestial nos envolve a companhia. Eles estão ao nosso redor e para percebê-los, basta criemos a sintonia necessária. Basta elevemos nossos pensamentos e nossos propósitos, não esporadicamente, mas de maneira profunda em nós.

E somos chamados a nos amarmos uns aos outros e isso é vivo em nós. O amor lateja, mesmo para com aqueles que se assemelham a inimigos e algozes tenazes, porque compreendemos já a fragilidade das criaturas ante a verdade, ante o respeito, ante à vida e às obras da criação. Esse amor se faz vívido e intenso porque assim nos conclamou o Mestre a fazer e em sua suavidade nos envolveu em renúncia, abnegação e resignação, ensinado-nos que nosso sofrimento é passageiro e pode ser vertido em nosso benefício e daqueles que nos cercam.

Somos chamados a de nossas entranhas clamarmos “Senhor, Senhor” e nesse clamor depositarmos todo nosso empenho em realizarmos a vontade de Deus, para que entremos no Reino dos Céus. E aqueles que se dispuserem a seguir por esta tríade da prática do amor, da crença nos resultados do amor e da fé em aceitar sua veracidade e benefício, haverão de alçar as culminâncias e adentrar à plêiade dos Espíritos do Senhor, renovados em amor, fé e caridade.

É este o convite que abre nosso Evangelho Segundo o Espiritismo, o de que aprendamos em minúcia estas leis que regem a nossa re-ligação com o Pai, leis estas que estão banhadas e fortalecidas diante do intercâmbio com a espiritualidade e dos ensinamentos de Jesus onde aprenderemos como amar a nós mesmos e ao nosso próximo, além de como clamar com sinceridade e confiança o “Senhor, Senhor” da salvação!

Por fim temos que esta mensagem nos foi transmitida por O Espírito da Verdade, a quem conheceremos um pouco no próximo encontro. Por hora, é possível saibamos que esta mensagem “resume ao mesmo tempo o verdadeiro caráter do Espiritismo, o que também é o objetivo da obra O Evangelho Segundo o Espiritismo.” E o caráter da Doutrina Espírita é a profunda ligação com Deus, respeitando-se a figura do Mestre Jesus, o mentor do planeta Terra.

O ESPÍRITO DE VERDADE

Nota: A instrução acima, transmitida por via mediúnica, resume ao mesmo tempo o verdadeiro caráter do Espiritismo, e o objetivo desta obra. Por isso, foi aqui colocada como prefácio.

Exposto por Fiorell@!

 

 

 

Espírito de Verdade, quem seria Ele?

“É o Espírito da Verdade, que o mundo... não o vê nem o conhece; mas vós o conhecereis... Voltarei a vós”. (Jesus, em João 14,17-18).

I – Introdução

A resposta a essa pergunta é um assunto ainda polêmico no meio Espírita. Para uns o Espírito de Verdade é Jesus; outros dizem que não, e completando há ainda os que não se preocupam nem um pouco com a sua identificação, é a turma do tanto faz. Embora esse assunto não seja objeto de grande destaque na mídia espírita, chama-nos a atenção ser ele objeto de tantas discussões, pois, a essa altura do campeonato - praticamente um século e meio de Doutrina -, nós, os Espíritas, já deveríamos ter plena certeza de quem, realmente, assinara nas obras da Codificação, usando este codinome.

Assim sendo, iremos trazer nossa contribuição, na condição de ser apenas um estudioso, para, quem sabe, se não resolver de uma vez por todas a questão, pelo menos indicar um caminho que nos leve a deduzir claramente quem seria o Espírito de Verdade.

Esclarecemos, logo de início, que não temos a pretensão de refutar nenhum artigo escrito sobre o assunto. E reafirmamos que queremos apenas contribuir para elucidar essa questão.

II – Seria uma comunidade de Espíritos?

Tendo em vista que muitos o consideram como sendo uma plêiade de Espíritos, é necessário, já de início, definirmos este ponto. Encontramos, na Revista Espírita, algumas comunicações nas quais nos fundamentaremos para responder a este quesito.

Perguntou-se ao Espírito Jobard:

Vedes os Espíritos que estão aqui convosco? - R. Eu vejo sobretudo Lázaro e Erasto; depois, mais distante, o Espírito de Verdade, planando no espaço; depois, uma multidão de Espíritos amigos que vos cercam, apressados e benevolentes. (Revista Espírita 1862, p. 75).

Ao Espírito Sanson, se fez a seguinte pergunta:

Não vedes outros Espíritos? - R. Perdão; o Espírito de Verdade, Santo Agostinho, Lamennais, Sonnet, São Paulo, Luís e outros amigos que evocais, estão sempre em vossas sessões. (Revista Espírita 1862, p. 175).

Numa comunicação de Lacordaire, lemos:

Era preciso, aliás, completar o que não havia podido dizer então, porque não teria sido compreendido. Foi porque uma multidão de Espíritos de todas as ordens, sob a direção do Espírito de Verdade, veio em todas as partes do mundo e em todos os povos, revelar as leis do mundo espiritual, das quais Jesus havia adiado o ensinamento, e lançar, pelo Espiritismo, os fundamentos da nova ordem social. Quando todas as bases lhe forem postas, então virá o Messias que deverá coroar o edifício e presidir à reorganização com a ajuda dos elementos que terão sido preparados. (Revista Espírita 1868, p. 47).

Pela informação desses três Espíritos, podemos concluir que não se trata de uma coletividade, mas que o Espírito de Verdade é, sem receio, uma individualidade. Mas sigamos em frente. Devemos, para dissipar as possíveis dúvidas, trazer o testemunho do próprio Kardec, que, analisando uma comunicação de um determinado espírito, assim a explicou:

O Espírito que ditou a comunicação acima é, pois, muito absoluto no que concerne a qualificação de santo, e não está na verdade dizendo que os Espíritos Superiores se dizem simplesmente Espíritos de verdade, qualificação que não seria senão um orgulho mascarado sob um outro nome, e que poderia induzir em erro se tomado ao pé da letra, porque ninguém pode se gabar de possuir a verdade absoluta, não mais do que a santidade absoluta. A qualificação de Espírito de Verdade não pertence senão a um e pode ser considerado como nome próprio; ela é especificada no Evangelho. De resto, esse Espírito se comunica raramente, e somente em circunstâncias especiais; deve-se manter em guarda contra aqueles que se apoderam indevidamente desse título: são fáceis de se reconhecer, pela prolixidade e pela vulgaridade de sua linguagem. (Revista Espírita 1866, p. 222).

Não restando, portanto, a nós mais dúvida quanto a não ser uma coletividade, uma vez que as informações nos apontam para identificá-lo como sendo mesmo uma individualidade. Inclusive, da recomendação de que “deve-se manter em guarda contra aqueles que se apoderam indevidamente desse título”, podemos perceber que se trata de algum Espírito de elevada hierarquia que não se manifestava de forma rotineira, e dele já se tinha uma idéia do estilo de linguagem longe da prolixidade e da vulgaridade.

Levando-se em conta que Kardec disse que a qualificação do Espírito de Verdade encontra-se especificada no Evangelho, seguiremos sua orientação, e, um pouco mais à frente, iremos ver o que lá poderemos encontrar sobre isso.

III – Seria o próprio Jesus o Consolador?

Vejamos esta passagem de João:

“Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja eternamente convosco, o Espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros. Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as cousas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”. (João 14,15-18 e 26).

Por ter dito que enviaria outro Consolador, devemos concluir, com Kardec, que o Consolador não é Jesus. Entretanto, a passagem bíblica dá a entender que ele é o Espírito de Verdade, fato que vem causando uma certa confusão para se identificar quem realmente ele seja, se apenas a tomarmos como referência. Kardec é quem vai nos esclarecer isso, pois, para ele, são duas coisas distintas.

Em A Gênese, cap. XVII, item 39, encontramos o seguinte:

Qual deverá ser esse Enviado? Dizendo: “Pedirei a meu Pai e ele vos enviará outro Consolador”, Jesus claramente indica que esse Consolador não seria ele, pois, do contrário, dissera: “Voltarei a completar o que vos tenho ensinado”. Não só tal não disse, como acrescentou: A fim de que fique eternamente convosco e ele estará em vós. Esta proposição não poderia referir-se a uma individualidade encarnada, visto que não poderia ficar eternamente conosco, nem, ainda menos, estar em nós; compreendemo-la, porém, muito bem com referência a uma doutrina, a qual, com efeito, quando a tenhamos assimilado, poderá estar eternamente em nós. O Consolador é, pois, segundo o pensamento de Jesus, a personificação de uma doutrina soberanamente consoladora, cujo inspirador há de ser o Espírito de Verdade. (KARDEC, A Gênese, FEB, 2007, p. 441).

Assim, Kardec, reafirmando o que ele já havia dito alhures, relaciona o Consolador a uma doutrina soberanamente consoladora, qual seja, o Espiritismo, cujo inspirador foi o Espírito de Verdade. Portanto, fica claro, para nós, que Kardec separa uma coisa da outra, o que nos leva a concluir que o Espírito de Verdade não é o Consolador, o qual foi identificado por ele mesmo como sendo o Espiritismo. O que fica ainda mais nítido com estas duas outras falas dele:

Assim, o Espiritismo realiza o que Jesus disse do Consolador prometido: conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; atrai para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consola pela fé e pela esperança. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 4, p. 135).

... reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo a respeito do Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade quem preside ao grande movimento da regeneração, a promessa do seu advento se encontra realizada, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador. (A Gênese, item 42, IDE, p. 31).

Caracteriza, portanto, o Espiritismo como sendo o Consolador prometido, ao qual lhe atribui a realização da promessa de Jesus do seu envio, o que mostra claramente a separação que fazia entre Espírito de Verdade e o Consolador.

Nessa última fala, ao dizer no final que “é ele o verdadeiro Consolador”, o “é ele” a que Kardec aqui está se referindo é o Espiritismo e não o Espírito de Verdade; ressaltamos, para que não se venha confundi-los no entendimento desse texto. Para confirmar esse nosso entendimento, vejamos esta outra fala de Kardec, contida em O Evangelho Segundo o Espiritismo (p. 134): “O Espiritismo vem, na época predita, cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade”. Comparando essa fala com a que acima é dita “a promessa do seu advento se encontra realizada, porque, pelo fato, é ele o verdadeiro Consolador”, percebemos que nessa última frase o “seu advento” está se referindo ao Espiritismo, o que pode ser conferido com o que foi colocado na primeira frase. Assim, s.m.j., o “é ele” se relaciona à expressão “seu advento”, o que, por conseguinte, nos remete ao Espiritismo.

Podemos observar que, nessa passagem bíblica mencionada, Jesus diz “voltarei para vós”, profecia que se realizou quando da implantação do Espiritismo, isso ficará claro quando conseguirmos identificar quem usou o nome de Espírito de Verdade.

IV – Quando ele aparece pela primeira vez?

No dia 24 de março de 1856, Kardec estava, em seu escritório, escrevendo um texto sobre os Espíritos e suas manifestações, quando, por várias vezes, ouviu repetidas batidas, cuja causa não logrou sucesso em encontrar. No dia seguinte, ou seja, 25 de março, era dia de sessão na casa do Sr. Baudin. Lá, Kardec interroga ao Espírito Z (Zéfiro) sobre a origem das batidas. Acontecimento que consta do livro Obras Póstumas (p. 304-306), da seguinte forma:

Pergunta - Ouvistes, sem dúvida, o relato que acabo de fazer; poderíeis dizer-me qual a causa daquelas pancadas que se fizeram ouvir com tanta persistência?

Resposta - Era teu Espírito Familiar.

P. - Com que fim foi ele bater daquele modo?

R. - Queria comunicar-se contigo.

P. - Poderíeis dizer-me quem é ele?

R. - Podes perguntar-lhe a ele mesmo, pois que está aqui.

P. - Meu Espírito familiar, quem quer que tu sejas, agradeço-te o me teres vindo visitar. Consentirás em dizer-me quem és?

R. - Para ti, chamar-me-ei A Verdade e todos os meses, aqui, durante um quarto de hora, estarei à tua disposição.

Antes da última pergunta, Kardec colocou a seguinte nota:

Nessa época, ainda se não fazia distinção nenhuma entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos. Dava-se-lhes a todos a denominação de Espíritos familiares.

Indagando sobre o porquê das batidas, teve como resposta que havia um erro no que estava, naquela ocasião, escrevendo, fato que depois se confirmou.

Voltando às perguntas, continua Kardec:

P. - O nome Verdade, que adotaste, constitui uma alusão à verdade que eu procuro?

R. - Talvez; pelo menos, é um guia que te protegerá e ajudará.

P. - Poderei evocar-te em minha casa?

R. - Sim, para te assistir pelo pensamento; mas, para respostas escritas em tua casa, só daqui a muito tempo poderás obtê-las.

P. - Terás animado na Terra alguma personagem conhecida?

R. - Já te disse que, para ti, sou a Verdade; isto, para ti, quer dizer discrição: nada mais saberás a respeito.

Em nota acrescida às respostas obtidas do Espírito de Verdade, realizada na casa do Sr. Baudin, a 09 de abril de 1856, Kardec, nos informa (p. 307):

A proteção desse Espírito, cuja superioridade eu então estava longe de imaginar, jamais, de fato, me faltou. A sua solicitude e a dos bons Espíritos que agiam sob suas ordens, se manifestou em todas as circunstâncias de minha vida, quer a me remover dificuldades materiais, quer a me facilitar a execução dos meus trabalhos, quer, enfim, a me preservar dos efeitos da malignidade dos meus antagonistas, que foram sempre reduzidos à impotência. (...).

Isso nos deixa bem claro que Kardec ficou sabendo quem era o Espírito de Verdade, visto ele confessar que estava longe de supor a sua superioridade, o que nos leva a concluir que deveria ser alguém de extraordinário valor, pois, se não fosse um Espírito de elevada categoria, teria dito o seu nome sem maiores reservas. Por outro lado, foi um Espírito que esteve encarnado entre nós, ou seja, que era conhecido; caso contrário não se poderia supor a sua elevada evolução.

Algumas objeções têm-se feito quanto a essa superioridade, quando relacionada ao Espírito de Verdade, tendo em vista, principalmente, dois pontos: que dar pancadas não seria coisa que um Espírito superior faria, pois estaria se rebaixando, caso o fizesse; e também por ter sido tratado de Espírito familiar.

Para o primeiro ponto podemos encontrar uma explicação do próprio Kardec, em O Livro dos Médiuns, segunda parte - Cap. XI, item 145 (p. 198-199):

Resta-nos destruir um erro assaz espalhado: o de confundirem-se com os Espíritos batedores todos os Espíritos que se comunicam por meio de pancadas. A tiptologia constitui um meio de comunicação como qualquer outro, e que não é, mais do que o da escrita, ou da palavra, indigno dos Espíritos elevados. Todos os Espíritos, bons ou maus, podem servir-se dele, como dos diversos outros existentes. O que caracteriza os Espíritos superiores é a elevação das idéias e não o instrumento de que se utilizem para exprimi-las. Sem dúvida, eles preferem os meios mais cômodos e, sobretudo, mais rápidos; mas, na falta de lápis e de papel, não escrupulizarão de valer-se da vulgar mesa falante e a prova disso é que, por esse meio, se obtém os mais sublimes ditados. (...)

Assim, pois, nem todos os Espíritos que se manifestam por pancadas são batedores. Este qualificativo deve ser reservado para os que, poderíamos chamar de batedores de profissão e que, por este meio, se deleitam em pregar partidas, para divertimentos de umas tantas pessoas, em aborrecer com as suas importunações... Acrescentemos que, além de agirem quase sempre por conta própria, também são amiúde instrumentos de que lançam mão os Espíritos superiores, quando querem produzir efeitos materiais.

Portanto, o que importa não é o meio pelo qual uma mensagem foi dada, mas tão-somente o seu conteúdo. Agora, quanto ao segundo ponto, ou seja, de ter sido identificado como um Espírito familiar, temos também a explicação de Kardec de que, na época, não se fazia nenhuma distinção entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos. Eram todos genericamente chamados de Espíritos familiares, conforme já mencionamos anteriormente.

Assim, o Espírito de Verdade se apresentou a Kardec e, por motivo de discrição, não disse absolutamente nada sobre si mesmo. Aliás, “muita discrição” é também uma atitude que Ele recomendou ao Codificador (Obras Póstumas, 2006, p. 313).

É importante observar que isso aconteceu antes do lançamento de O Livro dos Espíritos; porém, se Kardec tivesse dito quem realmente Ele era e divulgado tal coisa, será que, hoje em dia, estaríamos falando sobre o Espiritismo? Considerando que ainda não estamos nos fins dos tempos, época em que, segundo crêem alguns, deverá acontecer a parusia, alguém aceitaria, sem maiores reservas, que seria verdadeira a sua identidade, ou acreditaria na revelação desse Espírito? Feito isso, teria o Espiritismo sobrevivido? Sua sobrevivência se deve ao fato de que, no princípio, Kardec sempre procurou ressaltar o aspecto científico da Doutrina. E isso não foi, porque quis, mas, certamente, por atender orientação do Espírito de Verdade. De certa forma, foi essa a opinião de Herculano Pires, que nos disse: “Kardec teve de agir com prudência na divulgação do Espiritismo, para que a reação violenta e fanática das religiões não asfixiasse no berço a nova mundividência que nascia das pesquisas mediúnicas” (PIRES, 1990, p. 13).

Em 9 de agosto de 1863, Kardec, prestes a lançar o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, fica sabendo o real objetivo do Espiritismo:

Aproxima-se a hora em que te será necessário apresentar o Espiritismo qual ele é, mostrando a todos onde se encontra a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo. Aproxima-se a hora em que, à face do céu e da Terra, terás de proclamar que o Espiritismo é a única tradição verdadeiramente cristã e a única instituição verdadeiramente divina e humana. (Obras Póstumas, p. 340).

Se o Espiritismo é a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo, não há como não aceitá-lo como uma religião, que, segundo o acima colocado, foi para o que veio.

Poucos dias depois, a 14 de setembro de 1863, Kardec recebe mais uma mensagem, da qual ressaltamos o seguinte trecho:

(...) Nossa ação, sobretudo a do Espírito de Verdade, é constante ao teu derredor e tal que não a podes negar. (...) Com esta obra, o edifício começa a se livrar dos seus andaimes e já se lhe pode a cúpula a desenhar-se no horizonte. (Obras Póstumas, p. 341).

Fica demonstrada de forma explícita a ação do Espírito de Verdade sobre Kardec, que também O reconhecia como seu guia espiritual, fato que podemos confirmar em seus escritos publicados na Revista Espírita 1861 (p. 356):

Sim, senhores, este fato é não só característico, mas é providencial. Eis, a este respeito, o que me dizia ainda ontem, antes da sessão, o meu guia espiritual: o Espírito de Verdade.

Estranham algumas pessoas essa afirmativa de Kardec de que o Espírito de Verdade era seu guia espiritual. E aqui temos mais um bom motivo para que ele não se identificasse claramente como sendo Jesus, porquanto iriam ridicularizar tanto o Espiritismo quanto a ele, que, na melhor das hipóteses, seria taxado de mais um louco, entre milhares, que se dizem em contato com Jesus. Entretanto, a darmos crédito ao que Emmanuel afirma sobre o Codificador, essa possibilidade é bem real. Vejamos:

Um dos mais lúcidos discípulos do Cristo baixa ao planeta, compenetrado de sua missão consoladora, e, dois meses antes de Napoleão Bonaparte sagrar-se imperador, obrigando o Papa Pio VII a coroá-lo na igreja de Notre Dame, em Paris, nascia Allan Kardec, aos 3 de outubro de 1804, com a sagrada missão de abrir caminho ao Espiritismo, a grande voz do Consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus Cristo. (XAVIER, 1987, p. 194).

Emmanuel não deixa por menos, qualificando Kardec como “um dos mais lúcidos discípulos do Cristo”, fato que o coloca à altura da nobre missão que recebeu para trazer ao mundo a nova revelação, presidida pelo próprio Cristo.

Particularmente, acreditamos que esta condição de guia se relaciona ao período em que Kardec assumiu a missão de codificar a Doutrina Espírita, seguindo as orientações dos Espíritos Superiores, ou seja, um guia específico, que o ajudaria a cumprir essa missão. Ficamos curioso para saber quem teria sido Kardec, numa reencarnação passada, para que o Espírito de Verdade o chamasse de meu apóstolo (KARDEC, 1990, p. 137).

Se, porventura, Kardec houver mesmo sido o reformador checo Jan Huss, em nova roupagem (INCONTRI, 2004, p. 22-24) ou talvez, quem sabe, o ressurgimento do antigo precursor, João Batista (ALEIXO, 2001, p. 40-41), teremos que nele ver, em qualquer das hipóteses, um missionário cujas reencarnações estariam relacionadas à missão de anunciar e/ou restabelecer a revelação divina aos homens.

Em janeiro de 1862, Kardec publica na Revista Espírita um artigo intitulado “Ensaio sobre a interpretação da doutrina dos anjos decaídos”, sobre o qual houve várias mensagens dos espíritos. Dentre elas, destacamos uma recebida em Haia (Holanda), cujo teor é:

Sobre este artigo não tenho senão poucas palavras a dizer, senão que é sublime de verdade; nada há a acrescentar, nada há a suprimir; bem felizes aqueles que unirem fé a essas belas palavras, aqueles que aceitarão esta Doutrina escrita por Kardec. Kardec é o homem eleito por Deus para instrução do homem desde o presente; são palavras inspiradas pelos Espíritos do bem, Espíritos muito superiores. Acrescentai-lhe fé; lede, estudai toda esta Doutrina: é um conselho que vos dou. (Revista Espírita 1862, p. 115).

Aqui temos a informação de que Kardec foi “o homem eleito por Deus para instrução do homem”, e além disso, a da afirmação “para te assistir pelo pensamento”, podemos deduzir que o codificador era um médium de intuição, fato que poderemos também corroborar com suas próprias palavras:

Sem ter nenhuma das qualidades exteriores da mediunidade efetiva, não contestamos em sermos assistidos em nossos trabalhos pelos Espíritos, porque temos deles provas muito evidentes para disto duvidar, o que devemos, sem dúvida, à nossa boa vontade, e o que é dado a cada um de merecer. Além das idéias que reconhecemos nos serem sugeridas, é notável que os assuntos de estudo e observação, em uma palavra, tudo o que pode ser útil à realização da obra, nos chega sempre a propósito, - em outros tempos eu teria dito: como por encantamento -, de sorte que os materiais e os documentos do trabalho jamais nos fazem falta. Se temos que tratar de um assunto, estamos certos de que, sem pedi-lo, os elementos necessários à sua elaboração nos são fornecidos, e isto por meios que nada têm senão de muito natural, mas que são, sem dúvida, provocados por colaboradores invisíveis, como tantas coisas que o mundo atribui ao acaso. (Revista Espírita 1867, p. 274). (grifo nosso)

Um pouco mais à frente, em agosto de 1863, numa mensagem a respeito da publicação da Imitação do Evangelho, entre outras coisas, foi dito a Kardec:

... Ao te escolherem, os Espíritos conheciam a solidez das tuas convicções e sabiam que a tua fé, qual muro de aço, resistiria a todos os ataques.

Entretanto, amigo, se a tua coragem ainda não desfaleceu sob a tarefa tão pesada que aceitaste, fica sabendo bem que foste feliz até ao presente, mas que é chegada a hora das dificuldades. Sim, caro Mestre, prepara-se a grande batalha; o fanatismo e a intolerância, exacerbados pelo bom êxito da tua propaganda, vão atacar-te e aos teus com armas envenenadas. Prepara-te para a luta. Tenho, porém, fé em ti, como tens fé em nós, e sei que a tua fé é das que transportam montanhas e fazem caminhar por sobre as águas. Coragem, pois, e que a tua obra se complete. Conta conosco e conta, sobretudo, com a grande alma do Mestre de todos, que te protege de modo tão particular. (Obras Póstumas, p. 340-341).

Nesta mensagem confirma-se que Kardec recebia uma proteção “de modo tão particular” de Jesus, designado como “Mestre de todos”, o que vem corroborar tudo quanto estamos citando a seu respeito em relação a ele ser uma pessoa especial, que o qualificava para a missão de trazer ao mundo a terceira revelação divina.

Além disso, podemos ainda citar do Espírito de Verdade: “As grandes missões só aos homens de escol são confiadas e Deus mesmo os coloca, sem que eles o procurem, no meio e na posição em que possam prestar concurso eficaz” (O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 488), o que nos permite, objetivamente, qualificar Kardec como um homem de escol.

Mas estaríamos, segundo alguns poderão supor, diante de uma outra dificuldade, qual seja: Jesus poderia se manifestar? Não vemos nenhum problema nisso, desde que não o mantenhamos no pedestal em que foi colocado, quando o transformaram num Deus, retirando-lhe a sua condição humana, da qual nunca negou ser. É certo, pois nós, os espíritas, disso não duvidamos, que Ele é realmente um Espírito puro, e nessa condição, segundo a classificação dos Espíritos feita por Kardec, Jesus pode perfeitamente se comunicar, o que pode ser corroborado pelo fato acontecido na estrada de Damasco, quando Ele aparece a Paulo de Tarso (At 9,5), questionando-lhe sobre a sua perseguição.

Quanto à natureza de Cristo, Kardec, até o mês de setembro de 1867, não quis entrar em detalhes, argumentando:

... uma solução prematura, qualquer que ela seja, encontraria muita oposição de parte a parte, e afastaria do Espiritismo mais partidários do que ela lhe daria; eis por que a prudência nos faz o dever nos abstermos de toda polêmica sobre esse assunto, até que estejamos seguros de poder colocar o pé sobre um terreno sólido. (Revista Espírita 1867, p. 272).

E dentro desta mesma prudência é que vemos o porquê de Kardec não ter dito claramente também que Jesus era o Espírito de Verdade.

Considerando que, para Deus, “mil anos são como um dia” (2Pe 3,8), então podemos dizer que “o nosso guia e modelo” esteve encarnado aqui entre nós há apenas dois dias, situação essa que julgamos muito mais complicada do que Jesus se manifestar a um ser humano.

V – A quem esse nome poderia qualificar?

Mas, afinal, a quem poderíamos qualificar com o codinome a Verdade? De onde podemos tirar algo para relacionar com ele? Se o Espiritismo, conforme sustentam os Espíritos superiores, é o Cristianismo redivivo, só podemos encontrar alguma coisa no Evangelho, o que, convém lembrar, também foi sugestão de Kardec para que, assim, procedêssemos.

Fizemos uma pesquisa, na qual procuramos eliminar as passagens comuns entre os evangelistas e, como resultado, encontramos Jesus empregando, por sessenta vezes, a expressão “Em verdade vos digo”, quantidade que reportamos bem significativa.

Podemos enumerar mais duas outras passagens para demonstrar a importância que Ele dava à palavra verdade. Primeira: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14,6). No desdobramento da parte inicial desse versículo, teremos os três epítetos a que Jesus se atribui: “Eu sou o Caminho. Eu sou a Verdade. Eu sou a Vida”. Será que por aqui já não daria para identificarmos quem poderia se denominar a Verdade? Segunda: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8,32) que, se a colocássemos dessa forma: “E conhecereis a Jesus, e Jesus vos libertará”, ficaria plenamente inteligível e, além disso, poderia perfeitamente ser aplicada.

Essas passagens nos levam a concluir também que Jesus é, de fato, o Espírito de Verdade, pois estariam nelas as razões de ter usado o nome: a Verdade.

E colocamos a seguinte pergunta: Algum Espírito superior teria a insensatez ou vaidade de usar o codinome a Verdade, sabendo que poderíamos relacioná-lo a Jesus? Impossível, pois a elevação que tais Espíritos atingiram não lhes permitiria dizer coisas dúbias que induziriam as pessoas a pensar coisas equivocadas, principalmente em se tratando de levar alguém a confundi-los com Jesus.

VI – O que os Espíritos disseram?

Na Revista Espírita 1861 (p. 169), destacamos um trecho da carta do Sr. Roustaing, de Bordeaux, a Kardec:

Agradeço com alegria e humildade esses divinos mensageiros por terem vindo nos ensinar que o Cristo está em missão sobre a Terra, para a propagação e o sucesso do Espiritismo, essa terceira explosão da bondade divina, para cumprir esta palavra final do Evangelho: ‘Unum ovile et unus pastor’, por terem vindo nos dizer: ‘Não temais nada! O Cristo (chamado por eles Espírito de Verdade), a Verdade é o primeiro e o mais santo missionário das idéias espíritas’. Estas palavras me tocaram vivamente, e me perguntava: ‘Mas onde está, pois, o Cristo em Missão na Terra?’ A Verdade comanda, segundo a expressão do Espírito de Marius, bispo das primeiras idades da Igreja, essa falange de Espíritos enviados por Deus em missão sobre a Terra, para a propagação e o sucesso do Espiritismo.

Assim, Roustaing diz a Kardec que os Espíritos com os quais ele tinha relação diziam ser o Cristo aquele a quem chamavam de o Espírito de Verdade. Julgamos importante essa informação por ela ter vindo de fora do círculo ao qual o Codificador estava vinculado.

Vejamos agora algumas comunicações de Espíritos relacionados à Codificação Espírita:

Em 20 de janeiro de 1860, de Chateaubriand:

Sois guiados pelo verdadeiro Gênio do Cristianismo, eu vos disse; é porque o próprio Cristo preside aos trabalhos de toda natureza que estão em vias de cumprimento para abrir a era de renovação e de aperfeiçoamento que vos predizem os vossos guias espirituais. (...) (Revista Espírita 1860, p. 62).

Em 19 de setembro de 1861, de Erasto aos Espíritas lionenses:

Não poderíeis crer o quanto nos é doce e agradável presidir ao vosso banquete, onde o rico e o artesão se acotovelam bebendo fraternalmente; onde o judeu, o católico e o protestante podem se sentar na mesma comunhão pascal. Não poderíeis crer o quanto estou orgulhoso em distribuir, a todos e a cada um, os elogios e os encorajamentos que o Espírito de Verdade, nosso mestre bem-amado, me ordenou conceder às vossas piedosas coortes (...). (Revista Espírita 1861, p. 305).

Em 14 de outubro de 1861, Kardec lê a mensagem de Erasto aos Espíritas de Bordeaux:

Sei o quanto vossa fé em Deus é profunda, e quão fervorosos adeptos sois da nova revelação; é por isso que vos digo, em toda a efusão de minha ternura por vós, estaria desolado, estaríamos todos desolados, nós que somos, sob a direção do Espírito de Verdade, os iniciadores do Espiritismo na França, se a concórdia das quais destes, até este dia, provas brilhantes viessem a desaparecer de vosso meio. (...) Devo vos fazer ouvir uma voz tanto mais severa, meus bem-amados, quanto o Espírito de Verdade, mestre de nós todos, espera mais de vós. (Revista Espírita 1861, p. 348/350).

Em 21 de novembro de 1862, de Antoine (Espírito que foi o pai de Kardec):

Aquele, diz-se, que tiver resistido a essas tristes tentações, pode não esperar a mudança dos decretos de Deus, os quais são imutáveis, mas contar com a benevolência sincera e afetuosa do Espírito de Verdade, o Filho de Deus, o qual saberá, de maneira incomparável, inundar sua alma da felicidade de compreender o Espírito de justiça perfeita e de bondade infinita, e, por conseqüência, salvaguardá-lo de toda nova armadilha semelhante. (Revista Espírita 1862, p. 343).

Em 17 de setembro de 1863, de São José:

Compreendei bem que quanto mais conduzirdes os homens a vos imitar, mais o conjunto de vossas preces terá poder. Tomai os homens pela mão, e conduzi-os no verdadeiro caminho onde engrossarão a vossa falange. Pregai a boa doutrina, a doutrina de Jesus, a que o próprio Divino Mestre ensina em suas comunicações, que não fazem senão repetir e confirmar a doutrina dos Evangelhos. Aqueles que viverem verão coisas admiráveis, eu vo-lo digo. (Revista Espírita 1863, p. 365-366).

Em Paris, 1863, de Erasto:

Eis, meus filhos, a verdadeira lei do Espiritismo, a verdadeira conquista de um futuro próximo. Caminhai, pois, em vosso caminho, imperturbavelmente, sem vos preocupar com as zombarias de uns e amor-próprio ferido de outros. Estamos e ficaremos convosco, sob a égide do Espírito de Verdade, meu senhor e o vosso. (Revista Espírita 1868, p. 51).

Ressaltamos as expressões: “nosso Mestre bem-amado”, “Mestre de nós todos”, “o Filho de Deus”, “Divino Mestre” e “Meu senhor e o vosso”; a quem poderemos dar esses títulos? Isso mesmo; só existe um ser a quem podemos aplicá-los, que não é outro senão o próprio Jesus. Isso fica claro se compararmos a expressão “nosso Mestre bem-amado”, usada por Erasto para designar o Espírito de Verdade, com uma outra, que consta de sua mensagem recebida em abril de 1862, na qual ele atribui essa mesma expressão a Cristo (Revista Espirita 1862, p. 111). Poderemos, ainda, para reforçar, usar da fala de São José que disse taxativamente que “o próprio Divino Mestre ensina em suas comunicações”, o que, também, nos dá certeza de que Ele se manifestava, acabando com as dúvidas sobre essa possibilidade.

Merecem atenção especial as que são citadas por Erasto, pois sabendo da sua efetiva participação nas obras da codificação com várias orientações e instruções, como se poderão ver em O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Livro dos Médiuns e na Revista Espírita, deveríamos levar em conta o que ele nos informa. Esse Espírito, citado pelo codificador como “sábio” (KARDEC, O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 129), “cujas comunicações todas trazem o cunho incontestável de profundeza e lógica (KARDEC, O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 124), era considerado por Kardec, em relação a outros espíritos, como sendo “muito mais instruído do ponto de vista teórico” (KARDEC, O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 129). Assim, não há o que se discutir sobre o que ele aqui fala a respeito do Espírito de Verdade, pois se o que ele diz não serve neste ponto, também não servirá nos outros.

Em janeiro de 1864, junto à Sociedade Espírita de Paris, lemos nas instruções do Espírito Hahnemann:

... cada um procurará, pela melhoria de sua conduta, adquirir esse direito que o Espírito de Verdade, que dirige este globo, conferirá quando for merecido. (Revista Espírita 1864, p. 16).

A quem cabe a direção do nosso globo? Segundo nos informam os Espíritos, a Jesus; assim, via de conseqüência, não há como negar que é Ele o Espírito de Verdade.

Em 5 de janeiro de 1866, de Sonnez:

1866, possas tu, pelos anos a vir, ser essa estrela luminosa que conduziu os reis magos para a manjedoura de um humilde filho do povo; vinham prestar homenagem à encarnação que deveria representar, no sentido mais amplo, o Espírito de Verdade, essa luz benfazeja que transformou a humanidade. Por esta criança tudo foi compreendido! Foi bem ela que eternizou a graça da simplicidade, da caridade, da benevolência, do amor e da liberdade. (Revista Espírita 1867, p. 58).

Nessa comunicação a relação de Jesus como sendo o Espírito de Verdade é direta, sem meio termo, o que poderá, caso não haja preconceito ou cristalização de opinião, dissipar todas as possíveis dúvidas quanto a esse fato.

Em 30 de janeiro de 1866, de Inocente (em vida, arcebispo de Táurida):

[...] A Alemanha assiste, como em todos os tempos, à emigração de seus habitantes às centenas de milhares, o que não faz honra aos seus governos; o Papa, príncipe temporal, espalha o erro pelo mundo, em vez do Espírito de Verdade, de que ele se constituiu o emblema artificial. [...] (KARDEC, Obras Póstumas, FEB, 206, p. 346).

Considerando que o Papa é visto pelos líderes católicos como o “Vigário do Filho de Deus”, ou seja, de Jesus, a citação acima, em se referindo ao Espírito de Verdade, leva-nos à conclusão de que se fala da mesma personalidade.

Em 11 de março de 1867, numa mensagem sobre a regeneração da humanidade, cuja assinatura consta simplesmente Um Espírito:

... Coragem! O que foi predito pelo Cristo deve-se realizar. Nesses tempos de aspiração à verdade, a luz que ilumina todo homem vindo a este mundo, bilha de novo sobre vós; perseverai na luta, sede firmes e desconfiai das armadilhas que vos são estendidas; ficai ligados a esta bandeira onde vós haveis escrito: Fora da caridade não há salvação, e depois esperai, porque aquele que recebeu a missão de vos regenerar retorna, e ele disse: Bem-aventurados aqueles que conhecerem o meu novo nome! (Revista Espírita 1868, p. 96).

Fala-se claramente do retorno de Cristo, com a missão de regenerar os homens, agora com um novo nome, que, por tudo quanto está sendo colocado nessa pesquisa, só pode ser o Espírito de Verdade.

No Círculo Cristiano Espiritista de Lérida (Espanha), em meados de 1873, encontramos duas mensagens.

A primeira foi assinada por S. Paulo:

Ensinai aos que não têm fé as excelentes e doces verdades do Espiritismo que o bom Senhor vos concedeu por seus enviados, porque a Verdade se aproxima e é necessário que os enviados lhe preparem o caminho.

Em verdade vos digo: que o Cristo já recebeu a palavra de Deus – já desceu da região de luz – e está entre vós. (PELLÍCER, 1982, p. 121).

Dizendo que a Verdade se aproxima e depois afirmando que o Cristo está entre vós, a relação entre um e outro é evidente demais para não considerá-la.

A outra, por S. Luís Gonzaga:

Preparai-vos, não durmais; porque, em vossos dias, o Espírito da Verdade virá, com seus eleitos, operar a mais importante das renovações que a Humanidade jamais tem presenciado e admirado”. (PELLÍCER, 1982, p. 132).

Embora aqui a identidade do Espírito de Verdade não tenha sido revelada, não podemos deixar de relacioná-la a alguém a quem poderá aplicar-se a expressão “com seus eleitos”. Esse alguém, sem nenhuma impropriedade, não é outro senão o próprio Jesus.

E, mais recentemente, poderemos colocar do livro Missionários da Luz (p. 99) a explicação do espírito Alexandre a André Luiz:

- Mediunidade - prosseguiu ele, arrebatando-nos os corações - constitui meio de comunicação; e o próprio Jesus nos afirma: ‘eu sou a porta... se alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens!’ Por que audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes ao Espírito de Verdade, que é o próprio Senhor?

Aqui se afirma, mais uma vez, agora com uma informação mais atual, próxima a nós, que o Espírito de Verdade é o Senhor, ou seja, Jesus.

VII – Kardec disse alguma coisa?

A primeira vez em que Kardec fala, em suas obras, sobre esse episódio, foi no livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas (Iniciação Espírita, p. 231/232), onde diz que o Espírito usou um nome alegórico e que soube depois, por outros Espíritos, ter sido ele “um ilustre filósofo da antiguidade”. Entretanto, quando lança O Livro dos Médiuns, que, segundo ele mesmo, substitui o primeiro por ser “muito mais completo e sobre um outro plano” (Revista Espírita 1860, p. 256), ao relatar novamente essa mesma comunicação, já fala que “ele pertencia a uma ordem muito elevada, e que desempenhou um papel muito importante sobre a Terra” (KARDEC, 2007, p. 110), e, finalmente, no livro Obras Póstumas (p. 305-306), quando relata todo o acontecimento, ele fala que o Espírito usou o codinome “A Verdade”, se abstendo de revelar quem realmente Ele teria sido. (ver item IV).

Por que será que Kardec muda a fala? Para encontrarmos a explicação, devemos ver algumas observações que ele faz a respeito das comunicações:

a) Recebida em 11 de dezembro de 1855: “Vê-se, por estas perguntas, que eu era ainda muito noviço acerca das coisas do mundo espiritual”. (p. 302).

b) Recebida em 25 de março de 1856: “Nessa época, ainda não se fazia distinção nenhuma entre as diversas categorias de Espíritos simpáticos. Dava-se-lhes a todos a denominação de Espíritos familiares”. (p. 305).

c) Recebida em 09 de abril de 1856, com o detalhe que nessa a pergunta é feita ao Espírito que se identificou como A Verdade: “A proteção desse Espírito, cuja superioridade estava longe de imaginar, de fato, jamais me faltou. (...)”. (p. 307).

Considerando que essas três comunicações, constantes do livro Obras Póstumas, são os documentos originais que Kardec possuía e que, por sua vez, também são anteriores à época da publicação do livro Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas que se deu no ano de 1858, e que em sua substituição veio O Livro dos Médiuns, disponível ao público em data posterior, qual seja, no ano de 1861, e que neste último livro já mudava o “um ilustre filósofo da antiguidade”, (se colocássemos o mais ilustre caberia como uma luva a Jesus), para qualificá-lo como sendo um Espírito “que pertence a uma categoria muito elevada e que desempenhou na Terra importante papel” (O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 110) (se disséssemos o de uma categoria mais elevada que desempenhou o papel mais importante sobre a Terra, ficaríamos com a impressão de que, de fato, estaríamos falando de Jesus). E concluímos que essas últimas expressões devam prevalecer sobre aquelas. Quer dizer, as comunicações constantes do livro Obras Póstumas são as que devemos considerar como a realidade dos acontecimentos, enquanto que, para as outras, acreditamos na hipótese de Kardec ter colocado a questão de modo diferente, por absoluta discrição, e também para que não atraísse a si, nem à Doutrina nascente, a ira dos religiosos de seu tempo, como aconteceu em relação ao Cristianismo, quando esse ainda se encontrava no início.

Em 1868, há uma interessante observação de Kardec, que nos ajudará no esclarecimento do uso, no livro Instruções Práticas, da expressão “um ilustre filósofo”, cujo teor poderemos encontrar no item 41, do cap. I, de A Gênese:

O Espiritismo, longe de negar ou destruir o Evangelho, vem, ao contrário, confirmar, explicar e desenvolver, pelas novas leis da Natureza, que revela tudo quanto o Cristo disse e fez; elucida os pontos obscuros dos seus ensinamentos, de tal sorte que aqueles para quem eram ininteligíveis certas partes do Evangelho, ou pareciam inadmissíveis, as compreendem e admitem, sem dificuldade, com auxílio desta doutrina; vêem melhor o seu alcance e podem distinguir entre a realidade e a alegoria; o Cristo lhes parece maior: já não é simplesmente um filósofo, é um Messias divino. (KARDEC, FEB, 2007, p. 42-43).

Fica evidente que a expressão “um ilustre filósofo” foi tomada pelo uso comum, mas nesta fala Kardec eleva Jesus à categoria de um Messias divino.

Analisemos, em O Livro dos Médiuns, a comunicação IX, inserida no capítulo XXXI, intitulado Dissertações Espíritas (p. 482/483), da qual destacamos os seguintes trechos:

Venho, eu, vosso Salvador e vosso juiz; venho, como outrora, aos filhos transviados de Israel; venho trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, tem que lembrar aos materialistas que, (...). Revelei a Doutrina Divina; como o ceifeiro, atei em feixes o bem esparso na Humanidade e disse: Vinde a mim, vós todos que sofreis!

Mas, ingratos, os homens desviaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai, e se perderam nas ásperas veredas da impiedade. (...).

Crede nas vozes que vos respondem: são as próprias almas dos que evocais. Só muito raramente me comunico. Meus amigos, os que hão assistido à minha vida e à minha morte são os intérpretes divinos das vontades de meu Pai.

(...) Estou infinitamente tocado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa imensa fraqueza, para deixar de estender mão protetora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem no abismo do erro. (...)

Examinando as expressões usadas aqui nesta mensagem, as quais realçamos em negrito, não há como não relacioná-las a Jesus. Na realidade, elas dá-nos a impressão de estarmos ouvindo-O falar. Entretanto, o mais importante dessa comunicação é a nota que Kardec coloca logo após; vejamo-la:

Esta comunicação, obtida por um dos melhores médiuns da Sociedade Espírita de Paris, foi assinada com um nome que o respeito não nos permite reproduzir, senão sob todas as reservas, tão grande seria o insigne favor de sua autenticidade e porque dele se há muitas vezes abusado demais, em comunicações evidentemente apócrifas. Esse nome é o de Jesus de Nazaré. De modo algum duvidamos de que ele possa manifestar-se; mas, se os Espíritos verdadeiramente superiores não o fazem, senão em circunstâncias excepcionais, a razão nos inibe de acreditar que o Espírito por excelência puro responda ao chamado do primeiro que apareça. Em todos os casos, haveria profanação, no se lhe atribuir uma linguagem indigna dele.

Por estas considerações, é que nos temos abstido sempre de publicar o que traz esse nome. E julgamos que ninguém será circunspecto em excesso no tocante a publicações deste gênero, que apenas para o amor-próprio têm autenticidade e cujo menor inconveniente é fornecer armas aos adversários do Espiritismo.

Como já dissemos, quanto mais elevados são os Espíritos na hierarquia, com tanto mais desconfiança devem os seus nomes ser acolhidos nos ditados. Fora mister ser dotado de bem grande dose de orgulho, para poder alguém vangloriar-se de ter o privilégio das comunicações por eles dadas e considerar-se digno de com eles confabular, como com os que lhe são iguais.

Na comunicação acima, apenas uma coisa reconhecemos: é a superioridade incontestável da linguagem e das idéias, deixando que cada um julgue por si mesmo de quem ela traz o nome, que não a renegaria. (KARDEC, O Livro dos Médiuns, FEB, p. 483-484).

Primeiramente gostaríamos de chamar a atenção para o que Kardec coloca, logo no início da nota, para ressaltar as qualidades do médium que recebeu a comunicação, visando nos alertar para a confiabilidade que depositava nele, visto o que haveria de falar na seqüência sobre quem assinou tal mensagem.

E quando ele coloca que “temos abstido sempre de publicar o que traz esse nome” ao se referir a assinatura de Jesus de Nazaré, nos parece que existiram várias comunicações deste tipo, porquanto o Espírito São José confirma isso quando diz que “o próprio Divino Mestre ensina em suas comunicações”. A pergunta é: onde estão essas mensagens, considerando que nas obras de Kardec encontramos apenas três, sendo que duas delas ele as considerou apócrifas? E, quanto à outra, disse que “ela leva, na forma e no fundo dos pensamentos, na simplicidade junto à nobreza do estilo, uma marca de identidade que não se poderia desconhecer” (Revista Espírita 1868, p. 288). Devemos considerar as assinadas pelo Espírito de Verdade, como sendo a resposta a essa questão, fato que se confirmará a seguir.

Também está aqui explicado por que Kardec não quis colocar a assinatura na mensagem: “não fornecer armas aos adversários do Espiritismo”. Entretanto, quando do Evangelho Segundo o Espiritismo, ele coloca esta mesma mensagem no Capítulo VI - O Cristo Consolador, item 5 (p. 135/136), agora assinada pelo Espírito de Verdade, datando-a como ocorrida em Paris, em 1860, ou seja, bem no início do Espiritismo. Isso quer dizer que, ao afirmar que essa comunicação tem a assinatura de Jesus, mas em vez desse nome coloca o de Espírito de Verdade, devemos pressupor que, para ele, ambas provinham da mesma individualidade. Fato que fica mais claro quando, em O Livro dos Médiuns, no capítulo XXXI, ao tratar das Comunicações Apócrifas (p. 502-511), Kardec coloca duas comunicações assinadas por Jesus (item XXXIII), às quais, em nota, nos explica o seguinte:

Indubitavelmente, nada há de mau nestas duas comunicações; porém, teve o Cristo alguma vez essa linguagem pretensiosa, enfática e empolada? Faça-se a sua comparação com a que citamos acima, firmada pelo mesmo nome, e ver-se-á de que lado está o cunho da autenticidade.

Para nós fica claro que, ao pedir para comparar essas duas mensagens com a anterior, e ver onde se encontra o “cunho da autenticidade”, é porque admite como autêntica a primeira, que é exatamente a que citamos um pouco mais acima, ou seja, aquela “firmada pelo mesmo nome”, na qual a assinatura é Jesus de Nazaré. O que, em outras palavras, podemos dizer é que Kardec admitia como verdadeira a comunicação dada por Jesus e que, ao colocá-la em outra ocasião como assinada pelo Espírito de Verdade, é porque sabia que se tratava do mesmo Espírito.

Sendo, segundo afirma o codificador, Jesus o “Espírito puro por excelência”, situação em que, acreditamos, e ninguém duvida dela, daí termos encontrado, então, mais uma forte razão para tê-lo como o coordenador da Terceira Revelação Divina, porquanto “Só os puros Espíritos recebem a palavra de Deus com a missão de transmiti-la” (Revista Espírita 1867, p. 260).

Ainda em O Livro dos Médiuns, quando Kardec fala dos Sistemas, ao se referir ao Sistema unispírita ou monoespírita (item 48), ele faz uma colocação pela qual podemos concluir claramente que Cristo e o Espírito de Verdade são a mesma pessoa; vejamos:

Quando se lhes objeta com os fatos de identidade, que atestam, por meio de manifestações escritas, visuais, ou outras, a presença de parentes ou conhecidos dos circunstantes, respondem que é sempre o mesmo Espírito, o diabo, segundo aqueles, o Cristo, segundo estes, que toma todas as formas. Porém, não nos dizem por que motivo os outros Espíritos não se podem comunicar, com que fim o Espírito da Verdade nos viria enganar, apresentando-se sob falsas aparências, iludir uma pobre mãe, fazendo-lhe crer que tem ao seu lado o filho por quem derrama lágrimas. A razão se nega a admitir que o Espírito, entre todos santo, desça a representar semelhante comédia. (...) (KARDEC, O Livro dos Médiuns, FEB, 2007, p. 69).

Não podemos deixar de ressaltar que, aí, Kardec faz uma relação objetiva entre o Cristo e o Espírito de Verdade de forma a não deixar dúvida quanto à sua identidade. Na hipótese de que somente o Cristo se manifesta, contra-argumenta o codificador indagando “com qual objetivo o Espírito de Verdade nos viria enganar...” e, concluindo, que “a razão se recusa a admitir que o Espírito, entre todos santo, se rebaixe para executar uma semelhante comédia”, o que nos leva a deduzir que não há a mínima possibilidade de entendimento, senão, o de que os dois são a mesma personalidade. Merece destaque esta expressão “entre todos santo” usada por Kardec, que, a nosso ver, só caberia a Jesus. Na tradução feita por Renata Barbosa e Simone T. N. Bele, em publicação da Petit Editora (p. 48-49), fica ainda mais nítida esta questão: “o Espírito, entre todos o mais santo”.

Podemos ainda corroborar isso, em se comparando essas duas falas de Kardec:

... o Espiritismo... Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra. (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I, item 7, p. 59-60).

... reconhece-se que o Espiritismo realiza todas as promessas do Cristo com respeito ao Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito de Verdade que preside ao grande movimento de regeneração, a promessa da sua vinda se acha por essa forma cumprida, porque, de fato, é ele o verdadeiro Consolador. (A Gênese, cap. I, item 42, FEB, p. 43).

Aqui é oportuno lembrar que O Evangelho Segundo o Espiritismo foi publicado em abril de 1864, enquanto que o livro A Gênese, o foi em janeiro de 1868. Queremos chamar a sua atenção, caro leitor, para que observe a comparação que faremos entre essas duas mensagens:

“... obra do Cristo, que preside...à regeneração que se opera”; e

“... é o Espírito de Verdade que preside ao grande movimento da regeneração...”

Falando do Espiritismo, Kardec afirma, primeiramente, que o Cristo o preside; depois disse que o Espírito de Verdade é quem o preside, do que podemos concluir que os dois são a mesma personalidade, porquanto a coordenação geral do movimento de regeneração coube somente a um. Então, percebe-se claramente que ele fala da mesma individualidade, usando nomes diferentes; o que vem fortalecer, em nós, a convicção de que ele sabia perfeitamente quem era o Espírito de Verdade, que, para ele, não era outro senão o próprio Jesus.

Um outro fato importante é que, no já citado capítulo VI - O Cristo Consolador, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, com o subtítulo Advento do Espírito de Verdade, existem, nas Instruções dos Espíritos, cinco mensagens assinadas pelo Espírito de Verdade. A primeira delas é a que consta de O Livro dos Médiuns, comunicação IX, do capítulo XXXI, da qual transcrevemos alguns trechos mais acima, mas com a assinatura de Jesus de Nazaré. Vejamos o que podemos realçar delas:

5. Venho, como outrora aos transviados filhos de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. ....

Mas, ingratos, os homens afastaram-se do caminho reto e largo que conduz ao reino de meu Pai e enveredaram pelas ásperas sendas da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; ...

Sinto-me por demais tomado de compaixão pelas vossas misérias, pela vossa fraqueza imensa, para deixar de estender mão socorredora aos infelizes transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro...

Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento, instruí-vos, este o segundo... (O Espírito de Verdade - Paris, 1860) (KARDEC, 1990, p. 135-136).

6. Venho instruir e consolar os pobres deserdados. Venho dizer-lhes que elevem a sua resignação ao nível de suas provas, que chorem, porquanto a dor foi sagrada no Jardim das Oliveiras; mas, que esperem, pois que também a eles os anjos consoladores lhes virão enxugar as lágrimas.

... o trabalho das vossas mãos vos fornece aos corpos o pão terrestre; vossas almas, porém, não estão esquecidas; e eu, o jardineiro divino, as cultivo ... Nada fica perdido no reino de nosso Pai ...

Em verdade vos digo: os que carregam seus fardos e assistem os seus irmãos são bem-amados meus. Instruí-vos na preciosa doutrina que dissipa o erro das revoltas e vos mostra o sublime objetivo da provação humana... Estou convosco e meu apóstolo vos instrui. (O Espírito de Verdade - Paris, 1861) (KARDEC, 1990, p. 136-137).

7. Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos. Venho salvá-los. Vinde, pois, a mim, vós que sofreis e vos achais oprimidos, e sereis aliviados e consolados... (O Espírito de Verdade) (KARDEC, 1990, p. 137-138).

Não há como não relacioná-las a Jesus, tão evidente fica o estilo de linguagem que lhe é próprio. Inclusive, um detalhe bem particular em uma delas é algo importante para relacionar o Espírito de Verdade a Jesus, mas que passa despercebido a muitos. Trata-se da expressão “o jardineiro divino”; embora Jesus nunca a tenha usado referindo-se a si próprio, ela tem significado relevante, pois, após a sua ressurreição, Ele aparece a Madalena, que o confunde com o jardineiro (Jo 20,15); assim, cabe-nos dar um caráter alegórico para essa visão, no sentido de nos considerarmos plantas do seu jardim. Julgamos fora de propósito que Kardec tenha se enganado ou que nos tenha deixado ver uma coisa onde ela não está. Portanto, não vemos outra alternativa senão aceitá-las como sendo mesmo de Jesus, uma vez que a primeira, conforme dito em O Livro dos Médiuns, leva essa assinatura. A expressão “meu apóstolo vos instrui”, certamente é a Kardec que se refere, demonstrando, mais uma vez, sua condição de Espírito de uma categoria mais elevada.

VIII – O Espírito de Verdade nos deixou alguma pista?

A essa pergunta responderemos que sim, pois, pelo menos, é o que, diante dos fatos, nos parece; e no que acreditamos. Vejamos uma comunicação assinada pelo Espírito de Verdade, a propósito de A Imitação do Evangelho (O Evangelho Segundo o Espiritismo), dada em Bordeaux, em maio de 1864:

Um novo livro acaba de aparecer; é uma luz mais brilhante que vem clarear o vosso caminho. Há dezoito séculos eu vim, por ordem de meu Pai, trazer a palavra de Deus aos homens de vontade. Esta palavra foi esquecida pela maioria, e a incredulidade, o materialismo, vieram abafar o bom grão que eu tinha depositado sobre vossa Terra. (...)

Há várias moradas na casa de meu Pai, eu lhes disse há dezoito séculos. Estas palavras o Espiritismo veio fazer compreendê-las. (Revista Espírita 1864, p. 399).

A respeito da assinatura, Kardec faz a seguinte observação:

Sabe-se que tomamos tanto menos a responsabilidade dos nomes quanto pertençam a seres mais elevados. Nós não garantimos mais essa assinatura do que muitas outras, nos limitamos a entregar esta comunicação á apreciação de todo Espírita esclarecido. Diremos, no entanto, que não se pode nela desconhecer a elevação do pensamento, a nobreza e a simplicidade das expressões, a sobriedade da linguagem, a ausência de todo supérfluo. Se se a compara àquelas que estão reportadas em A Imitação do Evangelho (prefácio, e cap. III - O Cristo Consolador [o correto é o VI]), e que levam a mesma assinatura, embora obtidas por médiuns diferentes e em diferentes épocas, nota-se entre elas uma analogia evidente de tom, de estilo e de pensamento que acusa uma fonte única. Por nós, dizemos que ela pode ser de O Espírito de Verdade, porque é digna dele; ao passo que delas vimos massas assinadas com este nome venerado, ou o de Jesus, cuja prolixidade, verborragia, vulgaridade, às vezes mesmo a trivialidade das idéias, traem a origem apócrifa aos olhos dos menos clarividentes.(...) (Revista Espírita 1864, p. 399-400).

Kardec, embora muito reservado e não fugindo a essa sua característica, diz que tal comunicação pode ter vindo do Espírito que a assinou, por ser digna dele e, além disso, por “ter uma analogia de tom, de estilo e de pensamento”, quando comparada às outras, “que acusa uma única fonte”. O que não fica difícil de aceitar se considerarmos que, ao falar das comunicações apócrifas, Kardec coloca que apareceram várias delas assinadas por Jesus e pelo Espírito de Verdade, do qual disse ser um nome venerado, o que significa que igualou os dois.

Ressaltamos as expressões: “há dezoito séculos eu vim, por ordem de meu Pai” e “eu lhes disse há dezoito séculos”, que deixam transparecer que se trata mesmo de Jesus, embora tenha assinado como Espírito de Verdade.

IX – Conclusão

Tentamos, na medida de nossa capacidade, com esse estudo, abranger tudo quanto foi possível encontrar nas obras de Kardec sobre o assunto, para que pudéssemos, de maneira definitiva (ousadia de nossa parte?), dar a resposta à nossa questão inicial: quem seria o Espírito de Verdade?

Antes de terminar, queremos, ainda, colocar também o pensamento de outros autores Espíritas, objetivando demonstrar que não estamos sozinhos nessa idéia, quiçá maluca, para alguns, uma vez que a nossa conclusão pode não ser convincente para os que pouco ou nenhum valor dão à opinião de autores ainda desconhecidos do grande público Espírita, como é, especificamente, o nosso caso. Entretanto, é bom que se diga, há também os que são contrários à idéia.

Hermínio C. Miranda:

Não há como duvidar, portanto, de que, em algum momento, presumivelmente entre 1861 e 1863, Kardec foi informado de que o Espírito Verdade era o próprio Cristo. (...)

A identificação do Espírito Verdade com Jesus é confirmada em outro livro de boa fonte mediúnica, publicado após a partida de Allan Kardec para o plano espiritual. Chama-se este Rayonnements de la vie spirituelle, tendo funcionado como médium, a sra. W. Krell, de Bordéus, autora também, do prefácio.

Não há, pois, como ignorar a óbvia e indiscutível conclusão de que, sob o nome de Espírito Verdade, o Cristo dirigiu pessoalmente os trabalhos de formulação e implementação da Doutrina dos Espíritos, caracterizando-a como o Consolador que prometera há dezoito séculos. (MIRANDA, 1993, p. 46-49).

Sérgio F. Aleixo:

Vemos que, em termos rigorosamente kardecianos, está dirimida esta dúvida quanto à individualidade e à identidade do Espírito de Verdade. Ele é único! Ele é Jesus! A menos que não tenhamos motivos para confiar em Kardec e nos espíritos da codificação. (ALEIXO, 2001, p. 61).

L. Palhano Jr.:

No advento do Espírito de Verdade, em 1857, é o próprio Jesus de Nazaré quem preside os acontecimentos da nova Ciência, da nova Filosofia e da nova Religião, cuja moral é a verdadeira, pois preconiza aquela que está escrita na consciência. (PALHANO JR., 2001, p. 31).

Porém, mensagens assinadas pelo Espírito de Verdade foram, de fato, assinadas por Jesus. Kardec, por cuidado, é que omitiu esse detalhe. (PALHANO JR., 1999, p. 92-93).

De uma forma indireta, podemos também citar Léon Denis (1846-1927), ressaltando que ele é considerado como um dos principais seguidores de Allan Kardec e difusor da Doutrina Espírita. Quando afirma que Jesus opera a Nova Revelação sob direção oculta, nos remete ao Espírito que, em resposta a Kardec, disse se chamar a Verdade; vejamos:

A passagem de Jesus pela Terra, seus ensinamentos e exemplos, deixaram traços indeléveis; sua influência se estenderá pelos séculos vindouros. Ainda hoje, ele preside os destinos do globo em que viveu, amou, sofreu. Governador espiritual deste planeta, veio, com seu sacrifício, encarreirá-lo para a senda do bem, e é sob a sua direção oculta e com o seu apoio que se opera essa nova revelação, que, sob o nome de moderno espiritualismo, vem restabelecer sua doutrina, restituir aos homens o sentimento dos próprios deveres, o conhecimento de sua natureza e dos seus destinos. (DENIS, 1987, p. 79).

Podemos destacar as duas principais causas pelas quais algumas pessoas se apóiam para não aceitar a conclusão a que chegamos. Uma delas é que considerando, mesmo que inconscientemente, Jesus uma divindade, não o admitem se comunicando com os homens. Isso, muitas das vezes, trazemos das religiões das quais viemos. Entretanto, é bom lembrar que Jesus nunca se colocou como tal; ao contrário, se igualava a nós: “Subo a meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20,17); chegou mesmo a dizer: “quem crê em mim fará as obras que eu faço e fará maiores do que elas...” (João 14,12). A prova de que Ele se comunica podemos ver nas narrativas bíblicas com Ele orientando Paulo de Tarso, fora a questão de que já havia se apresentado a seus discípulos, logo após a sua ressurreição, passando-lhes suas últimas orientações. E o próprio codificador afirmou: “De modo algum duvidamos de que ele possa manifestar-se” (KARDEC, O Livro dos Médiuns, 2007, p. 483). Na segunda causa, a visão que se tem de Jesus é que Ele é um Espírito puro; mas, nem assim, nessa condição desmistificada, acreditam que Ele possa se manifestar, contrariando o que Kardec disse sobre essa única classe dos Espíritos de primeira ordem: “Os homens podem comunicar-se com eles, mas bem presunçoso seria quem pretendesse tê-los constantemente às suas ordens” (KARDEC, O Livro dos Espíritos, 2006, p. 125).

Embora sabendo que ainda restarão alguns indivíduos que não irão aceitar a nossa opinião, mesmo assim externamo-la, afirmando que o Espírito de Verdade é realmente Jesus. Chegamos a esse entendimento pelos motivos apresentados ao longo deste estudo – informação dos Espíritos, pela fala de Kardec, pela opinião de outros autores espíritas, pelo Evangelho e pela comunicação do Espírito de Verdade –, que foram as bases com as quais fortalecemos nossa convicção. Fora isso, ainda poderíamos questionar sobre quem, a não ser Jesus, poderia coordenar este rol de espíritos?: Afonso de Liguori, Arago, Benjamim Franklin, Channing, Chateaubriand, Delphine de Girardin, Emmanuel, Erasto, Fénelon, Francisco Xavier, Galileu Galilei, Hahnemann, Henri Heine, Rousseau, Joana d'Arc, João Evangelista, Lacordaire, Lamennais, Lázaro, Massillon, Pascal, Paulo de Tarso, Platão, Sanson, Santo Agostinho, São Bento, São Luís, Sócrates, Swedenborg, Timóteo, Joana de Angelis (um espírito amigo), Cura D'Ars, Vicente de Paulo, Adolfo (bispo de Argel), Dr. Barry, Cárita, Dufêtre (bispo de Nevers), François (de Génève), Isabel (de França), Jean Reynaud, João (bispo de Bordéus), Julio Olivier, Morlot e V. Monod. (MARCON, 2002).

Entretanto, é bom esclarecer que não pretendemos ser o “dono da verdade”, mas este nosso entendimento se baseia nesta pesquisa criteriosa, que veio solidificar a nossa verdade, independentemente daquela que cada um tenha. Usando Kardec diríamos: “Se tenho razão, todos acabarão por pensar como eu; se estou em erro, acabarei por pensar como os outros” (Obras Póstumas, p. 384).

Esperamos que, com os dados aqui apresentados, possa você também, caro leitor, tirar a sua própria conclusão, já que aqui nos propomos a não impor nada. Estamos apenas passando os dados, para que cada um tenha condições de tirar suas próprias conclusões, mas será fácil perceber que eles estão permeados de nossas opiniões, pois são resultantes da nossa convicção adquirida no decorrer de nossa pesquisa.


Paulo da Silva Neto Sobrinho
Agosto/2003 (revisado em abr/2008).

Referências bibliográficas:
ALEIXO, S. F. O Espírito das Revelações, Niterói–RJ, Lachâtre, 2001.
INCONTRI, D. Para entender Allan Kardec, Bragança Paulista, SP: Lachâtre, 2004.
KARDEC, A. A Gênese, Araras-SP: IDE, 1993.
_________ A Gênese, Rio de Janeiro: FEB, 2007.
_________ Iniciação Espírita, São Paulo: Edicel, 1986.
_________ O Evangelho Segundo o Espiritismo, Rio de Janeiro: FEB, 1990.
_________ O Livro dos Espíritos, Rio de Janeiro: FEB, 2006.
_________ O Livro dos Médiuns, Rio de Janeiro: FEB, 2007.
_________ O Livro dos Médiuns, São Paulo: Petit, 2000.
_________ Obras Póstumas, Rio de Janeiro: FEB, 2006.
_________ Revista Espírita, Araras-SP: IDE, vol. I a XI, diversas edições.
DENIS, L. Cristianismo e Espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 1987.
MARCON, M. H. (org) Os expoentes da codificação espírita. Curitiba: FEP, 2002.
MIRANDA, H. C. As Mil Faces da Realidade Espiritual, Sobradinho-DF: Edicel, 1993.
PALHANO Jr., L. Léxico Kardeciano, Rio de Janeiro: CELD, 1999.
_____________ Teologia Espírita, Rio de Janeiro: CELD, 2001.
PELLÍCER, J. A. Roma e o Evangelho. Rio de Janeiro: FEB, 1982.
PIRES, J. H. Curso dinâmico de Espiritismo. Juiz de Fora, MG: A Casa do Caminho, 1990.
XAVIER, F. C. A Caminho da Luz, Rio de Janeiro: FEB, 1987.
___________ Missionários da Luz, Rio de Janeiro: FEB, 1986.
A Bíblia Anotada. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.
Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus Editora, 2002.
Bíblia Sagrada. São Paulo: Ave Maria, 1989.

(Esse artigo foi publicado, de forma reduzida, no Jornal Espírita, março 2005, nº 355, São Paulo: FEESP, p. 11 e na Revista Internacional de Espiritismo - RIE, ano LXXXIII, nº 01, Matão, fevereiro 2008, p. 38-40).
Ps.: sobre esse tema recomendamos a leitura, pela ordem:

1 – O Consolador veio no Pentecostes?

2 – Jesus não é o Espírito de Verdade

3 – Espírito de Verdade, quem seria ele?

 

Exposto por Fiorell@!

 

 

 

Introdução - Objetivo desta Obra

“A Família não se estruturará em preconceitos provindos dos tempos de barbárie, mas na moral evangélica pura, feita de amor e respeito pelas exigências da vida - Herculano Pires em Curso Dinâmico de Espiritismo.

É com muita alegria que retomamos os estudos de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Fato é que fizemos apenas alguns encontros e nos vimos na eminência de paralisá-los, mas com o auxílio de amigos generosos, eis que pudemos retomá-lo.

Até o momento abordamos em minúcia a parte relativa à Explicação, escrita por Herculano Pires e que consta de apenas alguns livros, aqueles traduzimos pelo mesmo. Vimos interessantes relatos acerca da publicação primeira desta obra tão importante e conhecemos um pouco mais sobre as pessoas que exerceram influência sobre o mesmo, destacando-se o Sr. Didier e O Espírito de Verdade.

O primeiro, Sr. Didier, não é conhecido por muitos de nós e sua amizade fiel a Allan kardec, além de sua devoção à Doutrina Espírita, foram fatores fundamentais para que ele fosse ouvido como voz da razão em momentos cruciais, dentre eles a mudança do nome para O Evangelho Segundo o Espiritismo.

O segundo, de quem já muito ouvimos falar e até detínhamos nossa própria concepção, O Espírito de Verdade, também foi abordado de maneira profunda e esclarecedora, quando utilizamos um estudo feito por Paulo da Silva Neto Sobrinho, que dedicou-se de maneira minuciosa e abrangente a abordar o tema, mostrando-nos por quais motivos pode-se afirmar que Jesus é o Espírito de Verdade e a Doutrina Espírita O Consolador prometido por Ele.

Só repassando para aqueles que não acompanharam os encontros citados, Paulo nos mostra em diversos pontos de seu estudo, como era a intercessão, a discrição e quais eram os objetivos que O Espírito de Verdade buscou ao acompanhar e intuir Kardec sobre a obra. Através deste estudo fica claro a percepção de que este Espírito é Jesus e que a Doutrina Espírita é o Consolador que Ele nos prometeu, Consolador que estaria conosco eternamente, através de rogativa que o próprio Mestre faria junto ao Pai ou a Deus, nosso criador.

Fecho estes comentários e reflexões sobre o que já vimos acerca de o Espírito de Verdade, com palavras dele mesmo, constantes de COMUNICAÇÃO ESPÍRITA - A propósito de A Imitação do Evangelho em Bordeaux, maio de 1864; no grupo de Saint-Jean. – pelo Médium, Sr. Rui:

“Há várias moradas na casa de meu Pai, eu lhes disse há dezoito séculos. Estas palavras, o Espiritismo veio fazer compreendê-las. E vós, meus bem-amados, trabalhadores que suportais o ardor do dia, que credes ter a vos lamentar da injustiça da sorte, bendizei vossos sofrimentos; agradecei a Deus que vos dá os meios de quitar as dívidas do passado; orai, não dos lábios, mas do vosso coração melhorado, para vir tomar, na casa de meu Pai, a melhor morada; porque os grandes serão rebaixados; mas, vós o sabeis, os pequenos e os humildes serão elevados. O ESPÍRITO DE VERDADE.”

Ele nos diz: que credes ter a vos lamentar da injustiça da sorte. Uffa, somos nós mesmos, sempre ás voltas com reclamações infundadas sobre o sol que não saiu, sobre a chuva que excedeu, sobre o frio que incomodou, sem contar das tantas outras injustiças das quais nos julgamos vítimas. E nada está bom, embora a vida nos sorria e nos dê até além daquilo de que necessitamos. E o Mestre nos diz para orarmos sim, mas com a sinceridade do nosso coração já melhorado, ou seja, já fomos piores e ainda poderemos ser melhores.

E Ele também nos recorda que os grandes serão rebaixados, ou seja, todo excesso e toda demasia tem seus dias contados, e eis que se faz necessário o equilíbrio; não a pobreza exagerada, nem a riqueza aviltante, mas sim, o bom uso e distribuição daquilo que temos, por nós e pelo nosso próximo. Riquezas materiais e espirituais.

Bom, nem bem iniciamos os estudos desta obra e nos vimos ás voltas com a envolvente e comovente mensagem que também O Espírito de Verdade nos legou, mensagem esta que faz parte do prefácio de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Uma parte que destaco, embora corra o risco de ser injusta, é esta:

(...)Homens, irmãos amados, estamos juntos de vós. Amai-vos também uns aos outros, e dizei, do fundo de vosso coração, fazendo a vontade do Pai que está no Céu: “Senhor! Senhor!” e podereis entrar no Reino dos Céus.(...)

Este parágrafo é algo em que acredito e confio plenamente: a de que o Mestre está conosco, assim como todos aqueles que já adentraram á fileira verdadeira do amor e da caridade. Estão conosco nos momentos em que clamamos, nas horas em que nos sentimos sós e desesperados, estão ao nosso redor extasiando-se com nossas conquistas do espírito, estão ao nosso lado em todos momentos.

Também tenho percebido, a custa de algum sofrimento, que não me basta dizer palavras, mas que preciso senti-las e vivenciá-las, principalmente quando me digo a serviço da fé cristã. E este serviço não é apenas a hora e meia que nos reunimos aqui, é também cada segundo de minha existência e, assim como cada um de vocês, tenho conseguido conquistas ante minhas dificuldades íntimas, como também ainda tenho errado em erros iguais. A diferença que encontramos nesta frase do Espírito de Verdade, é justamente a sinceridade que brota de nosso ser. Esta sinceridade é imensurável para qualquer criatura que seja, porque ninguém tem o direito ou a capacidade de julgar os atos de quem quer que seja.

Esta consciência tem auxiliado muitas pessoas a reencontrarem a paz e o equilíbrio interior, pois sabem que também erraram e também foram perdoados, se não pelos seus algozes, por Deus. E este perdão não é um alisar de cabelos, mas sim a oferta da oportunidade da remissão, da renovação e do refazimento, algo que tenho certeza absoluta que todos nós desta sala temos nos proposto.

Cada qual em seu ritmo, ostentando sua bandeira, mas todos nós estamos buscando. Todos nós queremos atender a este apelo e tantos outros que nos são ofertados, para que nos unamos, para que sejamos mais fraternos, para que façamos mais da vontade do pai e menos da nossa. E estamos conseguindo, temos obtido resultados e seremos bem sucedidos. Nenhuma ovelha se perderá, embora a leitura de ontem nos faça recordar de que Muitos são os chamados e poucos os escolhidos.

Sinto-me uma criatura imensamente privilegiada por poder estar junto a vocês, por poder conhecer tantos e em tantas intimidades, saber de suas dores e observar suas melhorias e seus crescimentos e, creiam-me, isso só faz com que eu busque cada vez mais o mérito por tudo o que tenho recebido e os vossos exemplos de superação tem-me feito cada vez mais forte, pois percebo que somos capazes e mais ainda quando unidos e nos apoiando uns aos outros.

Bem, assim é que adentramos à Introdução que nos fala dos Objetivos desta obra. No início de sua venda, através da Revista Espírita em abril de 1864, Allan Kardec absteve-se de qualquer reflexão sobre a mesma e enfatizou apenas a parte que haveremos de abordar doravante:

"Podem-se dividir as matérias contidas nos Evangelhos em quatro partes: Os atos comuns da vida do Cristo, os milagres, as predições, o ensino moral.

Vamos lá... alguém gostaria de dizer o que são os atos comuns da vida do Cristo? Depois temos os milagres. Quais vocês se recordam ou foram marcantes de alguma maneira em vossas vidas? As predições podem ser vistas em profusão em A Gênese no capítulo XVII e, aliás, os milagres também, lá no capítulo XIII, onde pode-se encontrar explicações importantes acerca da concepção de milagres e tantas outras instruções.

Por fim, temos a parte em que muitos adoram deitar e rolar e nem entendem direito do que estão falando, apenas usam como arma ou forma implícita de acusação: a moral evangélica. Falemos dela na próxima semana.

Exposto por Fiorell@ em 23-09-09

 

 

 

Introdução - Objetivo desta Obra - II

“(...) os Evangelhos têm suas raízes no tempo de Jesus, nasceram do meio de seus familiares e discípulos, da sua intimidade. Foram redigidos com dados provindos da fase de suas pregações(...) - Herculano Pires em Revisão do Cristianismo.

(...)Podem-se dividir as matérias contidas nos Evangelhos em quatro partes: Os atos comuns da vida do Cristo, os milagres, as predições, o ensino moral. Se as três primeiras partes foram objeto de controvérsia, a última permaneceu inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se inclina; é o terreno onde todos os cultos podem se reencontrar, a bandeira sob a qual todos podem se abrigar, quaisquer que sejam suas crenças, porque ela jamais foi o objeto de disputas religiosas, sempre e por toda a parte levantadas pelas questões de dogmas; discutindo-as, aliás, as seitas aí teriam encontrado a sua própria condenação, porque a maioria está mais ligada à parte mística, do que à parte moral que exige a reforma de si mesmo. (...)

Vejam que interessante esta afirmativa de Kardec: (...) diante deste código divino (o ensinamento moral do Cristo) a própria incredulidade se inclina(...), ou seja se não falássemos em crenças e nem em divindades, apenas falássemos da moralidade, todos se reencontrariam em fraternidade e cooperação mútua. Esta parte está claramente discorrida no livro de Herculano Pires, Revisão do Cristianismo, onde ele enumera a colocação de um estudioso, Sr. Renan, que fala nos seguintes termos, após exaustivo trabalho de pesquisa imparcial realizado nos evangelhos:

(...)Os pesquisadores universitários, livres de tendências sectárias, chegaram à mesma conclusão de Renan: os Evangelhos têm suas raízes no tempo de Jesus, nasceram do meio de seus familiares e discípulos, da sua intimidade. Foram redigidos com dados provindos da fase de suas pregações.(...)

Aqui já temos um consenso interessante acerca da colocação de Kardec, sobre convergirmos para um só ponto, o de que os ensinamentos em sua essência, foram ensinamentos que vieram do dia-a-dia do Mestre e não de teorias ou crenças elucubradas por alguém. Eram ensinamentos vividos e demonstrados e não apenas alardeados como sendo os ideais. Vejam mais este trecho em que Renan ressalta uma passagem do evangelho de Pedro:

(...) Renan cita uma comovente anotação de Pedro que mostra o carinho e a fé com que os apóstolos guardavam de memória os ensinos do Mestre. Pedro declara que nunca dormia sem antes repetir os ensinos para que eles não se apagassem da sua memória. A validade dessa documentação é inegável. Como puderam os teólogos reformular o Cristianismo claro e preciso que ali se encontra, rejeitando princípios básicos e acrescentando enxertos espúrios? Onde encontraram autorização válida para introduzir no Cristianismo a idolatria, as várias formas míticas, a sistemática clerical pagã, os sacramentos de religiões mágicas primitivas, os rituais suntuosos, as vestes sacerdotais que nem Jesus nem os apóstolos adotavam, as indulgências e o perdão dos pecados pela concessão de poderes especiais aos clérigos, a substituição da Cadeira de Moisés pela Cátedra de Pedro, o dogma da salvação exclusiva pela fé, com desprezo às obras e assim por diante? (...)

O que podemos entender através deste relato é que não temos apenas o simplório problema das traduções que não entendem, temos a real deturpação e os acréscimos dados segundo a ótica daqueles que se julgavam escolhidos por Deus para assim fazê-lo. Temos toda uma alteração no já denominado código divino, vivenciado pelo Mestre Jesus, em troca de hierarquias, mistificações e viagens interpretativas. Uma mistura dos conceitos pessoais, místicos e humanos, que vem criando cada vez mais confusão nos ensinamentos cristãos, onde sugere-se, por exemplo, que Jesus fique triste quando um de nós se recusa a ir a uma igreja ou que Deus crie tsunamis para punir o povo por atacado.

Dentro desta divergência de crença e prática, cada qual interpretou á sua maneira o que lhe convinha e, se não encontrou respaldo da maioria, foi e fundou sua minoria, como podemos ver dentro da própria Doutrina Espírita e até mesmo dos vários segmentos evangélicos. E seria tudo mais compreensível, se apenas nos ativéssemos ao básico, mas ele é simples demais e não convém ao nosso orgulho e à nossa ostentação. Renan prossegue:

(...) O problema da fé é colocado, nos ensinos de Jesus, em termos explícitos. A fé cristã é direta, dirigida a Deus, que é o Pai, e não aos dogmas desta ou daquela igreja. A mulher com fluxo de sangue não precisou inscrever-se em qualquer instituição humana para que a sua fé a curasse. Bastou-lhe tocar a fímbria das vestes do Mestre, sem sequer lhe pedir licença, para que fosse curada. (...)

Hoje estamos aqui reunidos. Aos domingos fazemos o evangelho. Para alguns companheiros de doutrina espírita, estamos errados, pois estamos cultuando a pregação, estamos trazendo para nós algum ‘poder’ que não nos pertence. Mas, com todo o respeito que nos cabe, nestes momentos em que nos reunimos para orar em prol de pedidos, em momentos como os que nos reunimos para orar pelo nosso lar e entes queridos, são justamente momentos em que queremos trazer a simplicidade do dar, repartir e interceder com amor.

O que cada um de vocês tem conseguido, independente de freqüentarem ou não nossas salas, é fruto de vossa fé, de vosso merecimento, da misericórdia divina e da intercessão amorosa dos amigos encarnados e desencarnados. Porém, quando estamos sós, nos sentimos frágeis, solitários, esquecemos de tantos conselhos que nos foram ofertados e relegamos nossa fé a segundo plano.

A mulher citada nesta passagem do evangelho, diante de toda sua fragilidade física, rendeu-se à sua força espiritual, buscou ao Mestre e sequer precisou ouvir de suas palavras. Tocou-o e, curou-se. Temos o magnetismo emanado a jorros por Jesus, mas temos a crença desta mulher, a sua fé que foi despertada pela passagem e presença deste. Assim somos nós, que temos sementes adormecidas dentro de nós e que encontram terreno fértil quando nos reunimos, quando nos solidarizamos, quando nos auxiliamos. Aliás, eis as obras sendo alicerçadas, como nesta passagem:

(...) No tocante às obras, Paulo deixou claro que a fé vale pelas obras. Mas os teólogos confundiram as obras cristãs, que eram a prática da caridade, com as obras da lei do judaísmo, referentes aos compromissos dos fiéis com a Sinagoga e o Templo de Jerusalém. Nunca se viu um texto tão pequeno e claro ser tão mal compreendido pelos que o adotaram como válido, e durante tanto tempo, através de dois milênios.(...)

A fé vale pelas obras, não significa que nos basta ter fé, que será como realizar. A fé será medida pelas nossas obras e não serão os templos que erigirmos, não serão as crianças que alimentaremos e nem os analfabetos que alimentaremos; nossas obras serão reconhecidas em nosso dia-a-dia, diante de nossa família, diante de nossos compromissos profissionais, diante de nossa melhoria junto ao próximo, diante inclusive, daquilo que ofertarmos a nós mesmos.

É. Diante de nós mesmos. É preciso que deixemos de extremos e tenhamos mais caridade para conosco, tenhamos mais compreensão diante de nossas falhas e de nossos erros. É até perigoso eu falar isso, assim de forma indistinta, porque tem gente que é extremamente generosa para consigo própria, mas sei que estas palavras serão compreendidas por aqueles que precisam compreendê-las: não podemos ofertar daquilo que não temos e se não temos, é por não nos proporcionarmos. Ninguém nos dá aquilo que não sentimos por nós e, em consequência, também não podemos ofertar.

Lembro da depressão, do desestímulo, da falta de sonhos e perspectivas em viver. De que nos vale construirmos uma obra repleta de amor, se nos esquecermos de nós mesmos e impormos ao nosso corpo sofrimentos desnecessários? Como amar e compreender tanto a outrem, se sequer nos compreendemos. Então vocês vão falar: ‘ta bom, Fiorella, eu não sirvo nem para dar amor, então já estou indo...’. Muita calma nesta hora, gente!!! Este é um convite para que olhemos também para nós mesmos, como seres falíveis, como seres que possuem amplo caminho a percorrer e que também precisam, em muitos casos, daquilo mesmo que estão ofertando.

Lembrei do tema de sábado... Sonhos, até onde são reais ou fantasia... Venham participar deste tema tão sutil. Tenhamos a prática da caridade, tenhamos compromisso com as obras cristãs, mas não nos esqueçamos de nós mesmos. Isso não é uma apologia ao egoísmo. Isso é, digo uma vez mais, um chamado para que despertemos para nós mesmos e nossas necessidades. Renan prossegue:

(...) No tocante à caridade, Jesus deixou claro nos seus ensinos que ela não se reduzia à esmola, como se vê no episódio do óbulo da viúva. E Paulo formulou a mais perfeita e precisa definição da caridade como prática do amor ao próximo, num texto insuperável. As passagens míticas e históricas dos Evangelhos, caracteristicamente fabulosas e incorretas, refletindo o clima mental dos tempos mitológicos, serviram para a criação de uma mística avessa ao ensino racional de Jesus. (Revisão do Cristianismo, por Herculano Pires)

Eis o questionamento que tanto se faz, quando vemos casas espíritas doando cestas básicas, ofertando almoço aos domingos e coisas do gênero. Minorando a fome do corpo e também do espírito, de certa forma, mas e a intimidade destes trabalhadores? Que farão em seus lares e junto ás suas famílias, estes homens e mulheres tão caridosos? E é esta pergunta que devemos nos fazer. Uma vez mais nos recordamos das palavras do Mestre: “Que te importa o outro? Segue-me tu”. É revoltante? Motivo de censura? Mas que cada um arque com as conseqüências de seus atos. Não podemos gastar nossa energia com a escolha de terceiros.

E neste processo todo, temos o chamado para que não misturemos misticismo, com criações pessoais e cristianismo. Porque nesta mistura, estamos fazendo exatamente o oposto do que por ele foi pregado. Jesus, em seus ensinamentos exemplificados, deveria nos bastar como norma de conduta, e eis o que assevera kardec ainda no contexto de Objetivos:

(...) Para os homens em particular é uma regra de conduta abarcando todas as circunstâncias da vida privada ou pública, o princípio de todas as relações sociais fundadas sobre a mais rigorosa justiça; é, enfim, e acima de tudo, a rota infalível da felicidade futura, um canto do véu levantado sobre a vida futura. É esta parte que se faz o objeto exclusivo desta obra(...).

O Evangelho Segundo o Espiritismo não veio para criar mais um segmento religioso ou profético, mas veio para assentar corretamente as pedras do cristianismo. Com depoimentos de irmãos da espiritualidade, conselhos de outros tantos irmãos respeitáveis e com o direcionamento do Mestre Jesus, eis que O Consolador prometido, a Doutrina Espírita, mostra mais um do seu tríplice aspecto em forma respeitosa, em maneira límpida e singela – busca a moral exemplificada pelo Cristo.

Exposto por Fiorell@ em 30-09-09

 

 

 

Introdução - Objetivo desta Obra - III

“(...) Jesus dizia que o joio deveria crescer junto com o trigo. Contudo, no momento aprazado separaria um do outro. O trigo representa o bem; o joio, o mal. Os dois devem crescer juntos, ou seja, não há dualismo entre um e outro, pois o mal é sempre visualizado como a ausência do bem. Ele só surge quando o bem não se fez presente. É como o ladrão que rouba. Ele só rouba porque não houve antes uma prevenção. (...)" - Sergio Biasi.

Encerramos o encontro passado tecendo o comentário de que O Evangelho Segundo o Espiritismo não veio para criar divisões ou novos segmentos religiosos, mas sim para assentar corretamente as pedras do cristianismo ou dos chamados ensinamentos do Cristo. Por que isso? Vejamos mais uma passagem de Os Objetivos desta Obra:

(...)'Todo o mundo admira a moral evangélica; cada um lhe proclama a sublimidade e a necessidade, mas muitos o fazem em confiança, sobre o que ouviram dizer, ou sobre a fé em algumas máximas que se tornaram proverbiais; mas poucos a conhecem a fundo, menos ainda a compreendem e sabem deduzir-lhe as conseqüências.(...)

Isso é extremamente comum e são nestes momentos que adquirimos dogmas, pré-conceitos e até mesmo calcamos nossa vida baseados nestes ensinamentos. Lembro-me que, certa feita, estávamos em uma de nossas salas e falávamos sobre os conceitos e mensagens que nos foram incutidos pelos nossos pais e professores, com os quais acabamos crescendo e até formando nosso caráter e nossas bases de vida. Alguns deles mal compreendidos e mal interpretados, mas que foram batidos em nossa mente de forma tão constante, que assimilamos do jeito que vieram. O exemplo clássico é: “Dinheiro é sujo”.

Acho tão engraçado, pois repito sempre isso para Fiorellinh@ e venho tentando mudar. Já que o mundinho dela permite, eu digo que dinheiro tem bactérias ou bichinhos que fazem mal à saúde, porque ela não precisa ter nojo ou repudiar o dinheiro, ela só precisa aprender a utilizá-lo e a mexer nele com os cuidados necessários. Aliás, tem de ser assim, não é mesmo? Dinheiro mal gasto, mal aproveitado ou olhado com desdém, uma hora haverá de nos faltar.

E ao longo dos séculos, tem sido assim com a moral evangélica. Mal conhecida, interpretada segundo interesses de classes e até religiosos e, na sua pureza e essência, perdida. Já comentei com vocês sobre um bellíssimo filme de Francisco de Assis, cujo início mostra sua passagem pelas prisões. Lá ele se depara com pessoas que foram presas porque estavam de posse de um livrinho. Este livrinho era o evangelho editado em língua impura, ou seja, para os conceitos daquela época, um evangelho escrito não em latim e de fácil acesso a todos.

Francisco de Assis conhece o evangelho, os motivos ocultos das guerras travadas naquela ocasião e, mais do que tudo, conhece o verdadeiro sentido da vida. O evangelho ‘popular’, por quem muitos morreram, desperta a luz da sua missão junto aos homens e ele modifica completamente os rumos que sua vida vinha tomando.

É isto que Kardec quer dizer com a moral evangélica. Conhecemos de maneira fragmentada, nem sempre a compreendemos ou a assimilamos na profundidade, mas temos agora à nossa frente a oportunidade de assim fazermos, para renovar nossa vida e nosso comprometimento de evolução. Ele prossegue:

(...)A razão disso está em grande parte na dificuldade que apresenta a leitura do Evangelho, ininteligível para a maioria. A forma alegórica, o misticismo intencional da linguagem, fazem com que a maior parte o leiam para descargo de consciência e por dever, como lêem as preces sem compreendê-las, quer dizer, sem fruto. Os preceitos de moral, disseminados aqui e ali, confundidos na massa dos outros relatos, passam desapercebidos; torna-se, então, impossível apreender-lhe o conjunto, e dele fazer objeto de uma leitura e de uma meditação separadas.(...)

Bom, pincelamos isto no encontro passado e agora mesmo. Faz parte das intenções escusas de grupos e segmentos egoístas, ter um evangelho de difícil compreensão. Se você não sabe uma língua e eu me proponho a traduzi-la para você, poderei acrescentar minha visão pessoal sobre o assunto, além de meus próprios conceitos individuais. Era assim que isto vinha ocorrendo com os ensinamentos do Mestre. A simplicidade se fez junto ao O Evangelho Segundo o Espiritismo. Essa é nossa grande responsabilidade. Repassar estes ensinamentos sem deturpá-los, procurar vivê-los na íntegra, apesar de nossas inúmeras dificuldades.

A Terra, ou seja, a vida na carne, é nossa grande oportunidade de aprimoramento moral e unidos muito poderemos. Kardec prossegue:

(...)"Fizeram-se, é verdade, tratados de moral evangélica, mas o arranjo em estilo literário moderno lhes tira a ingenuidade primitiva que, ao mesmo tempo, lhes deu o encanto e a autenticidade. Ocorre o mesmo com as máximas destacadas, reduzidas à sua mais simples expressão proverbial; não são mais, então, senão aforismos que perdem uma parte de seu valor e de seu interesse, pela ausência dos acessórios e das circunstâncias nas quais foram dadas.”(...)

Algo que era simples e básico, ficou repleto de figurações, interpretações e maus entendidos. No fundo, todo aquele clima que o Mestre tinha ao seu redor, se viu perdido através das interpretações do evangelho. Alguns de vocês devem conhecer, outros ouviram em nossos evangelhos e talvez alguns desconheçam, mas existe uma obra de Neio Lucio, intitulada Jesus no Lar, que mostra parábolas contadas pelo Mestre e nos remete à sensação de lá estarmos.

Embora sejam textos longos para as leituras que realizamos aqui na sala, os dias em que pudemos desfrutar deste livro, eram dias de suavidade, encanto e serenidade. Aliás, utilizamos as obras de Emmanuel para a leitura, atualmente o Pão Nosso, e Emmanuel é rígido, disciplinador e nos chama a uma série de compromissos, quase que de maneira enérgica. E quando nos reportamos às passagens como Neio Lucio trouxe, é como se brisa suave nos envolvesse e tudo fosse mais simples e fácil de ser compreendido.

Para aqueles que não conhecem ou não possuem a obra e desejarem consultá-la on line, deixo-lhes o endereço de nosso site Momento Fraterno, com esta e outras tantas obras:

 Livros Espíritas (clique aqui).

A simplicidade das palavras e ensinamentos do Mestre, faziam com que fossem assimiladas e compreendidas por todos, a assembléia ao seu redor, sequiosa de aprendizado, bebia de suas palavras e postava-se receptiva aos seus ensinamentos. É claro que muitos não compreenderam das suas lições, haja vista os próprios exemplos da época, recebidos através de Judas, mas era uma questão de evolução individual e não de distinção de castas ou algo que o valha.

(...)"Para obviar esses inconvenientes, reunimos nesta obra os artigos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de culto; nas citações conservamos tudo o que era útil ao desenvolvimento do pensamento, não podando senão as coisas estranhas ao assunto. Além disso, respeitamos escrupulosamente a tradução original de Sacy, assim como a divisão por versículos. Mais em lugar de nos prendermos a uma ordem cronológica impossível e sem vantagem real num semelhante assunto, as máximas foram agrupadas e classificadas metodicamente segundo a sua natureza, de maneira que, tanto quanto possível, se deduzam uma das outras. A chamada dos números de ordem dos capítulos e dos versículos permite recorrer à classificação vulgar, julgando-se oportuno.(...)

Kardec nos diz que trouxeram a clareza necessária aos ensinamentos do Mestre, deixando a leitura de maneira fiel, mas retirando-lhe os inconvenientes de interpretação, fazendo com que as disparidades fossem suprimidas, mantendo-se apenas a pureza dos ensinamentos. Vocês hão de convir comigo que, em agindo-se de má fé ou com personalismo, eis que poderíamos apenas ter a continuidade daquilo que já vínhamos tendo, interpretações personalistas.

Ocorre que esta obra não é criação de um homem ou interpretação sua. É a ferramenta com que Jesus deu continuidade à sua promessa de nos enviar o Consolador prometido, consolador este que veio em forma de doutrina, passiva de permanecer para sempre conosco. Não é obra de Kardec. Não é obra de pessoas. É trabalho de médiuns que serviram de ponte para a espiritualidade amiga. Eis ainda suas palavras no tocante a isto:

(...)"Não estivesse aí senão um trabalho material sozinho, não teria sido senão de uma utilidade secundária; o essencial era colocá-lo ao alcance de todos, pela explicação das passagens obscuras, e o desenvolvimento de todas as conseqüências tendo em vista a aplicação às diferentes posições da vida. Foi o que tentamos fazer com a ajuda dos bons Espíritos que nos assistem.(...)

Trocar em miúdos e facilitar nossa compreensão. Não apenas um trabalho de linguagem rebuscada, mas como uma claridade sobre aquilo que estamos olhando ou vendo. Pensando no próximo, já aí exemplificando os ensinamentos nele contido.

(...)"Muitos pontos do Evangelho, da Bíblia e dos autores sacros em geral, não são ininteligíveis, muitos mesmo não parecem irracionais, senão por falta da chave para compreender-lhes o verdadeiro sentido; esta chave está inteiramente no Espiritismo, assim como já se puderam se convencer disso aqueles que o estudaram seriamente, e assim como se o reconhecerá melhor ainda mais tarde. O Espiritismo se encontra por toda a parte na antiguidade e em todas as épocas da Humanidade; por toda a parte dele se encontram os traços nos escritos, nas crenças, e sobre os monumentos; é por isso que, se abrem horizontes novos para o futuro, lança uma luz não menos viva sobre os mistérios do passado.(...)

Vocês entendem que Kardec não está falando aqui apenas de passagens, como a fazer passar um camelo pelo buraco da agulha ou fé que move montanhas, mas também de significados profundos como ofertar a outra face ou não resistir ao mal que queiram nos fazer. Ofertar a outra face não é dar a cara a tapa, mas é devolver amor no lugar do ódio, perdão no lugar da ofensa, assim como não resistir ao mal que vos queiram fazer carece de nossa análise de maneira profunda e detalhada, para que compreendamos o limite entre ficarmos passivos recebendo maldades ou deixarmos que o outro tenha a oportunidade de errar e ser ele mesmo.

Sergio Biasi nos explica que (...) Jesus dizia que o joio deveria crescer junto com o trigo. Contudo, no momento aprazado separaria um do outro. O trigo representa o bem; o joio, o mal. Os dois devem crescer juntos, ou seja, não há dualismo entre um e outro, pois o mal é sempre visualizado como a ausência do bem. Ele só surge quando o bem não se fez presente. É como o ladrão que rouba. Ele só rouba porque não houve antes uma prevenção.

Resistir ao mal significa suportar pacientemente a sua presença, mas sem perder de vista o bem. Haverá tentações, desânimo, mal-entendidos e incompreensões alheias. Nada disso deve tirar o ensejo de continuarmos firmes em nossa jornada evolutiva, pois "a seu tempo ceifaremos se não houvermos desfalecidos". (...).

Exposto por Fiorell@ em 07-10-09

 

 

 

Introdução - Objetivo desta Obra - Final

“(...) Entra na minha casa, entra na minha vida!!
Mexe com minha estrutura, sara todas as feridas.
Me ensina a ter santidade,
Quero amar somente a Ti porque o Senhor é meu bem maior,
Faz um milagre em mim.(...)" - Música - Zaqueu - Faz um milagre em mim.

Terminamos nosso encontro passado falando gostosamente acerca do joio e do trigo...quando chegar nessa parte, dentro do próprio evangelho, teremos muito a conversar!! Kardec finaliza as explicações dos objetivos desta obra, confirmando aquilo que ocorreu em todas as obras da codificação:

"Como complemento de cada preceito, juntamos algumas instruções escolhidas entre aquelas que nos foram ditadas pelos Espíritos em diversos países, e por intermédio de diferentes médiuns. Se essas instruções tivessem saído de uma fonte única, teriam podido sofrer uma influência pessoal ou a do meio, ao passo que a diversidade de origens prova que os Espíritos dão seus ensinos por toda a parte, e que ninguém tem privilégio sob esse aspecto.(1)

Temos visto isso com grande destaque dentro da Doutrina Espírita, o fato de que as informações ou verdades não poderiam vir única e exclusivamente de uma unida entidade ou médium, passivas que estariam de sofrer influências ou deturpações. É isto que Kardec nos pede para que façamos em relação à Doutrina Espírita. Que não confiemos cegamente em uma única notícia, mas que ela possa ser corroborada por mais médiuns distintos entre si.

Será isto que abordaremos, na sequência destes estudos, no próximo item que esclarecerá acerca da Autoridade da Doutrina Espírita e o Controle universal do Ensino dos Espíritos. Vejam que interessante. Quem freqüenta casas espíritas, de uma maneira geral, talvez possa confirmar o que estou dizendo. As casas espíritas estão preocupadas em formar médiuns, em doutrinar obsessores e em evangelizar crianças, mas não se preocupa em mostrar ou repassar as bases da Doutrina Espírita.

E, nesta ausência de informação, muitas casas fazem as coisas pela metade. São extremamente caridosos ou extremamente doutrinadores de entidades, mas seus frequentadores não possuem discernimento ou conhecimento acerca da própria doutrina que professam. Outras, escolhem um espírito e tudo o que ele diz, assinam embaixo e dizem amém, esquecendo-se da necessidade da universalidade dos conceitos e aprendizados.

De certa forma, são as reminiscências religiosas que trazemos, onde temos um santo e a ele tudo pedimos ou confiamos. Se Bezerra é o mentor da casa, tudo o que ele disser, os frequentadores dirão amém, mesmo que as comunicações não sejam dele e tenham vindo através de médiuns fascinados.

Lembrando apenas, que médiuns fascinados são aqueles que em vista da sua soberba e do seu orgulho, atraem para si entidades na mesma faixa vibratória e se deixam envolver por suas comunicações fraudulentas e não conseguem perceber isso. Vocês se recordam do estudo da escala espírita? Quem desejar consultá-lo e relembrar quais são, queiram acessar este link, a partir da questão 96:

 Estudo Escala Espírita

Exemplo similar encontramos naquelas pessoas que se acreditam as desamparadas pela vida, as injustiçadas por tudo e por todos. Elas sempre são as coitadas, as sofridas e as menosprezadas. Tente dizer-lhes que são amadas, que estão envolvidas por pessoas fraternas, que existem irmãos da espiritualidade que zelam por seus momentos ou que Deus está à frente de suas vidas.

Viagem perdida. Teimarão em te dizer que são tudo de menos bom e que ninguém está por elas, inclusive Deus. Assim são os médiuns fascinados. Estão ás voltas com comunicações que deixam traços de erro, de incoerência e até mesmo de orgulho e vaidade, mas não admitem isso. Insistem em dizer que o dirigente da casa está obsedado, que a direção lhe subiu à cabeça, que seus companheiros de doutrina são todos melindrosos e vaidosos e assim por diante.

Estes médiuns são assim também em sua vida pessoal. Chefes nunca são inteligentes o suficiente para as funções que exercem, familiares não sabem a noção do que é ser uma família, as pessoas não aprenderam verdadeiramente os ensinamentos cristãos e por aí vai. No fundo, vemos e conhecemos muita gente assim e, de certa forma, todos estamos sujeitos a assim nos comportarmos, principalmente diante de nossa falsa humildade e gratidão não verdadeiramente sentida. Humildade é aquilo que todos nós precisamos. Até aquele que diz que pode morar embaixo da ponte que será feliz.

Enfim, seguindo o raciocínio de Kardec, temos o seguinte adendo ás explicações acerca da formação deste livro do Evangelho:

(1)Poderíamos dar, sem dúvida, sobre cada assunto, maior número de comunicações obtidas numa multidão de outras cidades e centros espíritas, além dos que citamos. Mas quisemos, antes de tudo, evitar a monotonia das repetições inúteis, e limitar a nossa escolha às que, por seu fundo e por sua forma, cabem mais especificamente no quadro desta obra, reservando para publicações posteriores as que não entraram aqui.

A coletânea de material foi imensa! Agora, gosto sempre de lembrar da maneira como tudo isso se processou. Não havia computador ou meios de correspondência tão rápidos como os que temos hoje. Reunir todo este material demandou tempo, disciplina, organização e seriedade pela parte de Kardec. Sua credibilidade é destacada a cada passo que dá, enfatizando mais ainda o respeito com o qual é tratado por espíritos de escol, como aqueles que assinam o prolegômenos, em O Livro dos Espíritos.

Diante desta imensa tarefa, kardec pode deparar-se com toda sorte de orientações acerca dos mais diversos assuntos e precisou de muita lucidez e discernimento para não se enganar ou aceitar idéias estapafúrdias. Sua base reencarnatória e seus conhecimentos atuais, afora as intuições, auxiliaram-no para que assim procedesse, servindo de ponte entre o mestre Jesus e nós, na tarefa de nos trazer O Consolador Prometido.

Não terminou sua tarefa quando do lançamento do último livro pilar da codificação, pelo contrário, seus estudos e pesquisas continuaram, contando com o apoio de renomadas criaturas, que em seu próprio campo de atuação, perceberam a grande coerência e veracidade das bases doutrinárias. Kardec também nos diz:

Quanto aos médiuns, deixamos de citá-los. Na maioria, em virtude de seus próprios pedidos, e depois, porque não convinha fazer exceções. Os nomes dos médiuns não acrescentariam, aliás, nenhum valor à obra dos Espíritos. Sua citação seria apenas uma satisfação do amor-próprio, pela qual os médiuns verdadeiramente sérios não se interessam. Eles compreendem que, sendo puramente passivo seu papel, o valor das comunicações não aumenta em nada o seu mérito pessoal, e que seria pueril envaidecerem-se de um trabalho intelectual a que prestam apenas o seu concurso mecânico.

Vocês já perceberam que isso já não ocorre mais nos dias de hoje, não? Vem um e diz: papagaio tem alma e foi o espírito ‘y’ quem disse, psicografado pelo médium ‘z’. Pronto, não se pode mais discutir, porque ambos já estão endeusados e suas palavras não precisam mais estar sujeitas ao crivo da razão. Em opostos, temos os detalhistas, que não perdoam nada e chegam até a difamar o médium ou o espírito comunicante, tentando relembrar seu passado na carne ou sua atuação junto ao cristianismo. Nesta linha de raciocínio, Judas está condenado ao erro eterno. Neste raciocínio, esquecem da evolução do espírito, seja ela na carne ou na erraticidade. Afora aqueles que, por sua clareza e profundidade no que interpretam da doutrina, são acusados de toda sorte de coisas, a exemplo de Herculano Pires, acusado de ser o grande incentivador do suicídio por parte de homossexuais.

Entre os permissivos que fundam até casas espíritas orientadas por estes espíritos altivos e entre os minuciosos que pleiteiam o banimento de determinados espíritos do conceito espírita, estamos nós!! Queremos aprender, queremos praticar os ensinamentos do Mestre, queremos uma diretriz, como a que buscamos na Doutrina Espírita e nos vemos às voltas com discussões, personalismos, rótulos e toda sorte de problemas oriundos da imperfeição humana.

Então, fechamos nossos olhos e acreditamos que nos basta ser caridosos. Dar comida á família carente e praticar a desobsessão. E cadê a grande verdade de que o conhecimento liberta? Mantenhamos-nos presos ao mecânico das situações, então? Sejamos caridosos na rua e hipócritas dentro de casa? Enfim, como alguém pode querer doutrinar espíritos alardeando a discórdia, a maledicência e o orgulho? Saber como as coisas funcionam nunca foi certeza de sucesso, tanto é que tem padarias com pães horríveis e ele se faz da mesma forma que nas outras, cujos pães são maravilhosos. O que altera é a qualidade dos ingredientes, a mesma qualidade que nos diferencia uns dos outros. Kardec finaliza esta introdução com este comentário:

"Esta obra é para o uso de todo o mundo; cada um pode nela haurir os meios de conformar a sua conduta à moral do Cristo. Os Espíritas nela encontrarão outras aplicações que lhes concernem mais especialmente. Graças às comunicações estabelecidas doravante de maneira permanente entre os homens e o mundo invisível, a lei evangélica ensinada em todas as nações pelos próprios Espíritos, não será mais uma letra morta, porque cada um a compreenderá, e será incessantemente solicitado a pô-la em prática, pelos conselhos de seus guias espirituais. As instruções dos Espíritos são verdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os homens, e convidá-los à imitação do Evangelho."

É isto que podemos verificar ao longo desta obra. Seu nome inicial, Imitação do Evangelho, não possuía o tom pejorativo que damos á palavra hoje, falsiê ou imitação fajuta, mas sim um exemplo a ser imitado, a vida de Jesus. Como imitação neste sentido positivo, não se restringe apenas a espíritas, mas sim a todos aqueles que querem compreender e caminhar junto ao Mestre Jesus. Claro que nós espíritas, sabedores e crentes no intercâmbio existente entre nós e a espiritualidade, somos contemplados com orientações e ensinamentos de quem já esteve conosco, mas que poderiam ser tranquilamente ofertados por irmãos encarnados, haja vista a profundidade e seriedade com a qual nos foram ofertados.

Jesus é nosso referencial e aquele que quiser imitá-lo, que comece esquecendo-se de si próprio. Quem quiser alardear sua moral e suas verdades, que inicie utilizando-as em si próprio. Quem quiser a ele se assemelhar, que principie amando incondicionalmente. Quem quiser com ele parecer, que dispa-se da toga e renuncie ao perdão, porque quem não foi ofendido não precisa perdoar, nem tão pouco julgar.

Obrigada a todos pela oportunidade em trazer os objetivos desta obra e aprender um pouco mais sobre nossa querida doutrina. Como prometido, gostaria de trazer-lhes a grande novidade que está aqui, emocionando nosso ser! A partir de hoje, iniciaremos a pré-venda do livreto Primeiros Passos. Um livro de bolso contendo cerca de duzentas preces, as quais vocês já podem receber diariamente por e-mail.

Encontramos também mais um sentido para este livreto, que não apenas acalentar o sonho de Ieda e Luz de Lanterna. A partir da próxima semana, abraçaremos a campanha Ajude Nathália, nossa irmãzinha de dois aninhos que sofreu paralisia cerebral e que, junto aos pais, quer fazer o tratamento de células-tronco lá na China. Tratamento que tem se mostrado promissor em muitos casos e que nos comove diante dos relatos de benefícios alcançados não apenas em crianças com paralisia cerebral, mas também em adultos com os mais variados problemas físicos.

E, no encontro deste sentido, vamos reverter parte da venda dos livretos para esta campanha e torcendo para que ela alcance os objetivos o mais breve possível, momento em que Nathália poderá iniciar esta etapa de tratamento com células-tronco. Para breve disponibilizaremos todas as informações em nossos sites e faremos o convite para que vocês conheçam a situação e colaborem como vosso coração desejar.

Por hora, quem desejar adquirir o livreto, com as preces, pode reservá-lo junto a qualquer uma das arrobas ou pelo e-mail primeirospassos@sobaoticaespirita.com e, para Casas Espíritas, faremos um trabalho de distribuição diferenciado. Aceitamos sugestões e colaborações para ‘desovar’ estes livretos e levar a mais pessoas a plenitude de estarmos com nosso coração ligado a Deus e ao Mestre Jesus. Serão comercializados por 10,00 mais o frete ou a combinar.

Exposto por Fiorell@ em 14-10-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - I

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Hoje estamos completando uma semana em que abrimos a pré-venda do livreto Primeiros Passos, uma coletânea de preces que realizamos antes de nossos encontros fraternais, e que tem como meta doar parte da venda para a campanha Ajude Nathalia, uma campanha que visa levantar fundos para proporcionar a viagem de Nathália à China, para um tratamento de células-tronco.

Anteontem Flavia, sua mãe, nos avisou que Nathalia foi aceita e reconhecida pelo Beike, a instituição que cadastra e direciona os pacientes para este tratamento!! Ela também pode abrir a conta no banco Bradesco e a Drudi Etinha iniciou o preparativo do site da campanha!!

De nossa parte, em uma semana conseguimos vender mais de 70 livros e estamos felizes, pois poderemos auxiliar nesta campanha. Em nosso site Doardesi, criamos uma página especial para Nathália e futuras campanhas similares, dando espaço para que haja a troca de informações para todos aqueles que podem se ver às voltas com esta situação ou que possuem amigos assim envolvidos.

Para conhecer a página e manterem-se atualizados sobre a campanha e a saúde de Nathalia, queiram acessar a página de apoio:

Doar de Si e a Campanha Ajude Nathalia .

O link para o site oficia é:

Campanha Ajude a Nathalia .

lAgradecemos a todos pela confiança e pela credibilidade depositadas em nós! Nossa meta é vender 200 livros para que possamos pagar parte das custas de impressão, pois outra parte nos foi generosamente doada. Estamos ao dispor para informações e/ou dúvidas.

Bom, hoje adentraremos a uma parte relativamente desconhecida de nosso O Evangelho Segundo o Espiritismo, que trata da autoridade da Doutrina Espírita – o Controle Universal do Ensino dos Espíritos. Creio que tudo nos chega no momento correto e, diante desta crença, não me envergonho em dizer a vocês que, até 3 anos atrás, eu nem sabia o que era esse trem de CUEE.

Vamos aos escritos de Kardec e vejamos como isto é importante para o nosso crivo da razão e para a fé sustentada em raciocínio que possuímos dentro da Doutrina Espírita:

“Se a doutrina espírita fosse uma concepção puramente humana, não teria como garantia senão as luzes daquele que a tivesse concebido. Ora, ninguém neste mundo poderia ter a pretensão de possuir, sozinho, a verdade absoluta. Se os Espíritos que a revelaram se houvessem manifestado a apenas um homem, nada lhe garantiria a origem, pois seria necessário crer sob palavra no que dissesse haver recebido os seus ensinos. Admitindo-se absoluta sinceridade de sua parte, poderia no máximo convencer as pessoas do seu meio, e poderia fazer sectários , mas não chegaria nunca a reunir a todos.(...)”

Vimos isto nas passagens que retratam a lei mosaica. Moisés subiu ao monte, ouviu a voz que vinha do céu como um trovão e as tábuas com os mandamentos lhe foram entregues, para que levasse ao povo sequioso de libertação. À época de Moisés, Sergio Biasi nos diz que era possível distinguir a lei divina da lei humana, devido ao fato de as leis mosaicas serem compostas por duas partes distintas: 1) a promulgada no monte Sinai; 2) a lei civil ou disciplinar estabelecida por Moisés. A Lei de Deus é invariável; a outra, apropriada ao caráter e aos costumes daquele povo. Como Moisés queria controlar o povo, disse-lhes que a lei civil tinha caráter divino. Mas, hoje notamos bem a diferença entre uma lei e outra. O "olho por olho e dente por dente", por exemplo, não pode fazer parte da natureza, da lei de Deus. Ainda, segundo anotações de Battaglia, temos que:

(...) Deus, no Velho Testamento, havia comunicado os seus anúncios de alegria aos patriarcas, a Moisés e aos profetas do seu povo; no Novo Testamento, dá o maior dos "anúncios", o anúncio de Jesus. Jesus não é só conteúdo do anúncio, mas é também o primeiro portador e arauto. Ele apresenta a si mesmo e a sua obra como o "Evangelho de Deus", isto é, a "boa-nova" que Deus envia ao mundo que espera. (Battaglia, 1984, p. 21 e 22 - Introdução aos Evangelhos - Um Estudo Histórico-crítico. Rio de Janeiro, Vozes.) (...) vivenciando e exemplificando aquilo que está transmitindo, derrubando muitas das leis estabelecidas por Moisés, como as de dente por dente citadas anteriormente e outras tantas que traziam um cunho nitidamente humano, como lapidar mulheres pegas em adultério.

Veremos adiante que, em momento algum, Jesus veio desmentir Moisés, mas apenas transformar-lhe os ensinamentos, embasando-os no amor incondicional. Quando da vinda da Doutrina Espírita, tivemos algo completamente diferente daquilo que já conhecêramos ou vivenciáramos em vidas pretéritas, que era a comunicação única através de uma só criatura, independente do mérito que para isso possuísse.

Além da humildade em se reconhecer que um só homem não poderia disponibilizar todos os conhecimentos científicos, religiosos e filosóficos contidos nas obras e comunicações da Doutrina espírita, temos já aqui a demonstração de que esta doutrina não tinha como intenção ter um novo seguidor, como ás vezes tentam fazer com Kardec, atribuindo-lhe a autoria da Doutrina Espírita, mas sim mostrar a face real de que a espiritualidade ali esteve orientando e interferindo, sendo ausente de personalismos e fiel aos ensinamentos cristãos. A fé é raciocinada e os meios pelas quais ela se processa demonstram justamente que não estamos seguindo um homem ou homens, estamos compreendendo e seguindo aos passos do Mestre Jesus, que nos trouxe o cristianismo, o amar a todos e ao Pai sobre todas as coisas.

Aliás, vejam que interessante, em certo momento do preparo destes estudos parei para dar uma olhada em meus e-mails e achei um e-mail do Fernando, meu vizinho de cidade, que dizia sobre Divaldo e um fato inusitado. Acabei lendo o e-mail, embora raramente eu consiga fazê-lo, pois estou sempre correndo com uma ou outra coisa. E não é que lá estava a bendita da fé raciocinada e comprovada? Para ler este relato, clique aqui: Divaldo Pereira relata fato inusitado

Depois, relendo o que eu estava preparando para hoje, deparei-me com a fé sustentada em raciocínio! Puxa, isto é nossa doutrina!! E a fé ou a crença profunda haverão de se processar de maneira única e intransferível, vivenciadas e sentidas por cada um de nós. Aquele que vem e diz: provem-me que existem espíritos, não estará aberto a nenhuma comprovação ou a fato concreto que se apresentar; ele sempre terá uma maneira de repudiar, contestar ou duvidar do que lhe for apresentado. Mas, quando for seu momento de se abrir e perceber a realidade que o cerca, assim sucederá e, para seu próprio espanto, terá notado que ninguém precisou provar nada. Ele simplesmente foi e vivenciou aquilo que passou a acreditar.

Bom, prosseguindo, temos:

(...) Deus quis que a nova revelação chegasse aos homens por meio mais rápido e mais autêntico. Eis porque encarregou os Espíritos de a levarem de um pólo ao outro, manifestando-se por toda parte, sem dar a ninguém o privilégio exclusivo de ouvir a sua palavra. Um homem pode ser enganado e pode enganar-se a si mesmo, mas não aconteceria assim, quando milhões vêem e ouvem a mesma coisa: isto é uma garantia para cada um e para todos.(...)

Interessante esta alegação!! Era chegado o momento de o Consolador prometido estar entre os homens, como bem diz Herculano, estávamos saindo de época obscura e estávamos adentrando à era da renovação. Herculano Pires nos diz:

(...)Após a queda do Império do Ocidente, comprovava-se historicamente a afirmação evangélica de que o ensino de Jesus seria deturpado e necessitaria de tempo para que os homens pudessem compreendê-lo. O milênio medieval teria a função de desenvolver a razão como guia do pensamento e freio da imaginação, ao fogo das tragédias e loucuras de um misticismo criminoso, para que, no Renascimento, os frutos de experiências dolorosas abrissem perspectivas para o desenvolvimento de uma cultura realista, apoiada em pesquisas metódicas da realidade. (...)Herculano Pires em Curso Dinâmico de Espiritismo.

Uma vez mais a fé raciocinada e no tempo certo. Não obra do acaso ou reflexo de idéias egoístas, mas algo medido e coordenado, para que não seja apenas uma crença, mas sim a mensagem divina percorrendo todos os cantos do mundo. Vejam esta outra passagem de Herculano, na obra Introdução à Filosofia Espírita:

(...) Na mesma época em que surgiam os dois últimos grandes sistemas filosóficos: o Positivismo de Augusto Comte e o Marxismo, os Espíritos diziam a Kardec que era necessário apresentar ao mundo uma Filosofia racional, "livre dos prejuízos do espírito de sistema". E lhe davam as linhas mestras do novo pensamento através do processo dinâmico do diálogo, que hoje está consagrado em todo o mundo. A forma de perguntas e respostas de "O Livro dos Espíritos", às vezes considerada como antiquada por alguns espíritas sequiosos de novidades, é hoje a forma preferida para a busca de soluções em todos os setores das atividades humanas. O diálogo é a maiêutica de Sócrates e a dialética de Platão e de Hegel ressuscitadas em nosso tempo. E o instrumento mais prático de conhecimento no plano social. E foi através dele que surgiu a Filosofia Espírita, no diálogo mediúnico de Kardec com os Espíritos. (...) Introdução á Filosofia Espírita – Herculano Pires.

Livre de idéias pré-concebidas sobre como deve ser algo, no caso a Filosofia Espírita, mas que nos traz as respostas às dúvidas e questionamentos acerca do assunto. Uma maneira diferenciada de expor a parte filosófica da Doutrina, retirando de ensinamentos anteriores o que era produtivo, mas sem se prender em definitivo a eles.

Exposto por Fiorell@ em 21-10-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - II

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Encerramos o encontro passado com o trecho em que Kardec faz a ressalva de que Deus, através de sua sabedoria e de seus emissários, fez com que a Doutrina Espírita nos chegasse de uma maneira rápida e abrangente. Acrescentamos profícuo comentário de Herculano Pires, acerca da transição que ocorria entre as épocas e os sistemas filosóficos de então. Finalizando os complementos ao parágrafo em que compreendemos o porquê da Doutrina Espírita não ter vindo através de apenas um homem, eis que temos este trecho de Herculano:

(...) O problema das interpretações pessoais é comum a todas as atividades humanas. Por interpretações pessoais compreendem-se as deduções que certas pessoas tiram dos fatos e das experiências, à revelia do consenso geral. Em ciência, essa deplorável ocorrência produz confusões que, muitas vezes, retardam o avanço científico. No espiritismo, sabemos quanto essas interpretações tem desfigurado a doutrina no processo de sua divulgação. Kardec firmou, para prevenir os seus prejuízos, o princípio do Consenso Universal, como regra básica do desenvolvimento doutrinário. (...) matéria Parapsicologia e Interpretações Pessoais – Herculano Pires..

Neste trecho, em que Herculano ressalta a perda do conteúdo primitivo ou puro dos fatos e experiências, entendemos que é algo corriqueiro em muitos momentos e setores de nossa vida. Faz parte das próprias vivências, experiências e bagagens culturais que trazemos conosco, mas algo que não é o ideal que aconteça quando da interpretação da Doutrina Espírita.

Kardec previu este desenrolar de fatos e nos deixou o chamado Controle Universal do Ensino dos Espíritos. E a grande preocupação também, versava sobre os opositores, como vimos ocorrer na Espanha, em que os livros foram queimados. Como que recordando este fato, temos ainda estas palavras de kardec:

(...) Demais, pode fazer desaparecer-se um homem, mas não se faz desaparecerem as massas; podem-se queimar livros, mas não se podem queimar Espíritos. Ora, queimem-se todos os livros, e a fonte da doutrina não será menos inesgotável, porque não se encontra na Terra, surge de toda parte e cada um pode captá-la. Se faltarem homens para propagá-la, haverá sempre os Espíritos, que atingem a todos e que ninguém pode atingir. (...)

Temos passagens marcantes na memória da humanidade. Desde o holocausto ou Joana D’Arc, até a atualidade, onde na semana passada, na Índia, 5 mulheres foram arrastadas e atormentadas, espancadas e flageladas, porque foram acusadas de serem bruxas. E vocês sabem como é o crivo para estas situações? Um clérigo as acusou e deflagrou toda essa onda de violência e ódio, contra 5 mulheres mulçumanas e viúvas. Fato comum, mas que ganhou destaque porque alguém teve o sangue frio de filmar e divulgar as imagens.

Em pleno ano de 2009 isso ocorre por conta de discriminação, misticismo, ignorância e barbárie, imaginem há um século atrás? Interessante que dia destes uma amiga querida perguntou-me sobre uma situação jurídica. Não sou advogada, mas ela queria minha opinião, após se informar legalmente da situação. E hoje, ao me deparar com os estudos da noite, percebi um trecho assaz interessante, que serve como motivo para reflexão.

No que concerne diretamente ao Espiritismo, temos em Obras Póstumas, a passagem do auto-da-fé de Barcelona, cujo desenrolar de fatos é mais ou menos o de uma pessoa que saiu de paris, levando consigo cerca de 300 volumes, entre exemplares de o Livro dos Espíritos, Livro dos Médiuns e Revista Espírita, dentre outros, e que declarou corretamente o conteúdo do que estava transportando. Chegando na Espanha, esse material precisava da liberação através do bispo, uma autoridade eclesiástica, que determinou a apreensão e queima dos mesmos, em praça pública, agindo de forma arbitrária, porque em última hipótese, estes deveriam ser devolvidos ao remetente.

Diante desta passagem, kardec se propôs a consultar seu guia espiritual que o orientou a aguardar que ocorresse o auto para posteriormente fazer um artigo na Revista Espírita e, também, para que deixasse que a situação se desenrolasse, pois seria um grande veículo de disseminação da curiosidade acerca das obras e funcionária de maneira inversa, ou seja, o tiro sairia pela culatra. Para conhecer esta passagem clique em  Obras Póstumas, Auto-da-Fé, assim como artigo da Revista Espírita sobre o fato, O resto da Idade Média.

Fato curiosamente semelhante ocorre em nosso viver. As notícias sensacionalistas acabam se disseminando mais rapidamente, por conta até do choque que causam. Assim o foi com este chamado auto-da-fé ocorrido em Barcelona, que mais serviu como divulgação da doutrina espírita e da arbitrariedade religiosa da época. Tanto que o artigo intitula-se o Resto da idade Média e é o que já vimos algumas vezes como comentários de Herculano Pires em passagens de nossos estudos, acerca dessa transição de épocas e posturas.

O conselho ofertado a kardec, pelo seu guia espiritual, O Espírito da Verdade, nos remete a uma passagem importante dos ensinamentos Cristãos e ao qual venho, particularmente, tentando compreender e praticar, que é 'não resistir ao mal que queiram vos fazer'. Por vezes, nos defendemos tanto e reagimos de maneira tão forte ao que nos é ofertado, que acabamos por tolher a oportunidade de nosso agressor se desmascarar e se entregar. A verdade em si prevalecerá, não precisamos buscar defendê-la.

E embora seja uma situação dolorosa, não resistir ao mal que queiram nos fazer é saber que estamos agindo correta e idoneamente e, ainda assim, estamos sujeitos a criaturas que tentam nos desestabilizar, corromper ou desestimular. Que estas criaturas, principalmente as que conhecem e propagam a Doutrina Espírita, sejam perdoadas e por nós compreendidas, deixando-lhes a colheita das sementes daninhas que espalham. Oportunidade única de ofertarmos a outra face e, de preferência, de forma desprendida e sincera. Kardec prossegue:

(...) São realmente os próprios Espíritos que fazem a propaganda, com a ajuda de inumeráveis médiuns, que eles despertam por toda parte. Se houvesse um intérprete único, por mais favorecido que esse fosse, o Espiritismo estaria apenas conhecido. Esse intérprete, por sua vez, qualquer que fosse a sua categoria, provocaria a prevenção de muitos; não seria aceito por todas as nações. Os Espíritos, entretanto, comunicando-se por toda parte, a todos os povos, a todas as seitas e a todos os partidos, são aceitos por todos. (...)

É aquele exemplo das mulheres mulçumanas da Índia. Que estariam fazendo elas de tão errado? São mulçumanas, ou seja, seguem o ensinamento islã, que dentre outras coisas, tem como crença seguir os Livros Sagrados: a Torá, os Salmos e o Evangelho, além do Alcorão, que é o principal e mais completo livro sagrado, constituindo a coletânea dos ensinamentos revelados por Alá ao profeta Maomé. Já deu para entender porque as 5 viúvas foram acusadas, não?

Com certeza isso também ocorreu com kardec, cuja distorção mais comum é a de dizê-lo autor da Doutrina Espírita e não o seu compilador. Ele também foi visto com ressalva, principalmente por aqueles que sentiram-se açoitar pelas verdades pela espiritualidade divulgadas. Kardec ainda prossegue:

(...) O Espiritismo não tem nacionalidade, independe de todos os cultos particulares, não é imposto por nenhuma classe social, visto que cada um pode receber instruções de seus parentes e amigos além-túmulo. Era necessário que assim fosse, para que ele pudesse conclamar todos os homens à fraternidade, pois se não se colocasse em terreno neutro, teria mantido as dissensões, em lugar de apaziguá-las. (...)

Tem sido esta a meta de O Evangelho Segundo o Espiritismo, porque trata principalmente da difusão dos ensinamentos cristãos e da prática da caridade, assim como a prece sentida, para alcançarmos esferas elevadas. Não apenas repetições metódicas ou cadenciadas, não apenas repassar ensinamentos que não são compreendidos ou praticados, mas a sua análise profunda e trazida para o dia-a-dia em forma de conduta universal.

Exposto por Fiorell@ em 28-10-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - III

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Encerramos nosso encontro comentando o trecho em que kardec nos assevera que O Evangelho Segundo o Espiritismo não tem nacionalidade e que veio com o intuito de chamar a todos para a unificação do proceder, um proceder embasado e direcionado pelos exemplos do Mestre Jesus. Kardec prossegue:

(...) Esta universalidade do ensino dos Espíritos faz a força do Espiritismo, e é ao mesmo tempo a causa de sua tão rápida propagação. Enquanto a voz de um só homem, mesmo com o auxílio da imprensa, necessitaria de séculos para chegar aos ouvidos de todos, eis que milhares de vozes se fazem ouvir simultaneamente, em todos os pontos da Terra, para proclamar os mesmos princípios e os transmitir aos mais ignorantes e aos mais sábios, a fim de que ninguém seja deserdado. É uma vantagem de que não pode gozar nenhuma das doutrinas aparecidas até hoje. Se, portanto, o Espiritismo é uma verdade, ele não teme nem a má vontade dos homens, nem as resoluções morais, nem as transformações físicas do globo, porque nenhuma dessas coisas pode atingir os Espíritos. (...)

Ou seja, o trem não perece! Falando francamente, eis que temos uma doutrina que não é feita embasada em modismos, simpatias ou misticismos. É uma doutrina que tem a uniformidade e a verdade como bandeiras, verdade que não teme nossa imperfeição ou nossa sede de aplacar aquilo que vem em acréscimo á humanidade. Apenas é e existe por todo o sempre, como nos prometeu o Mestre Jesus. Kardec ainda enfatiza:

(...) Mas não é esta única vantagem que resulta dessa posição excepcional. O Espiritismo ainda encontra nela uma poderosa garantia contra os cismas que poderiam ser suscitados, quer pela ambição de alguns, quer pelas contradições de certos Espíritos. Essas contradições são certamente um escolho, mas carregam em si mesmas o remédio ao lado do mal.

Mesmo aquilo que se nos apresenta como pérfido, tem sua utilidade na grande construção do universo. Aliás, lembrei-me de uma passagem, narrada em forma de parábola, em que um homem estava cansado de tanta birra e geniosidade de sua mula. Estava prestes a lhe dar ‘a conta’, quando foi alertado por sábio amigo que era justamente aquela mula marrenta quem transportava os medicamentos de aldeia em aldeia, quem transportava, mesmo que com sua geniosidade, os instrumentos de cura para muitos.

E kardec disse justamente isso: embora tenhamos comunicações de espíritos que podem ser considerados como de baixo naipe e com intenções escusas, mesmo eles nos proporcionam oportunidades de crescimento e de aprendizado. Claro que é o caminho tortuoso e de uma dureza desnecessária, mas fazer o que se não conseguimos atender ao apelo doce e melodioso do Mestre Jesus? Aliás, vejam que interessante:

(...) Sabe-se que os Espíritos, em conseqüência das suas diferenças de capacidade, estão longe de possuir individualmente toda a verdade; que não é dado a todos penetrar certos mistérios; que o seu saber é proporcional à sua depuração; que os Espíritos vulgares não sabem mais do que os homens; que há, entre eles, como entre estes, presunçosos e falsos sábios, que crêem saber aquilo que não sabem; sistemáticos, que tomam suas próprias idéias pela verdade; enfim, que os Espíritos da ordem mais elevada, que são completamente desmaterializados, são os únicos libertos das idéias e das preocupações terrenas. (...)

Meninos e meninas!! Prestemos atenção nisso, por favor!! Essa passagem foi largamente abordada durante o estudo da escala espírita. Quem deitar os olhos no livro dos Médiuns e quiser ler, encontrará sobre isso tudo, também. Espíritos orgulhosos e pseudo-sábios. Espíritos que se valem de nosso orgulho e cupidez. Espíritos que acrescentam á nossa cegueira espiritual, toda a volúpia de um poder que não pode ser medido. Isso não é poder!! Não se trata de poder!

O intercâmbio com a espiritualidade não é privilégio e nem merecimento de quem quer que seja, antes é uma constante e inevitável situação do nosso cotidiano. Aqueles que se promovem por conta das mensagens recebidas, do passado descortinado ou até mesmo de segredos revelados, estão distantes do bom uso deste intercâmbio. Estão alimentando o próprio ego e dos espíritos comunicantes, numa simbiose lamentável. Aliás, nem vou falar muito, se não já vou voltar lá no tema vampirismo, no trem da fascinação e da subjugação.

É triste ver aqueles a quem amamos assim envolvidos, mas faz parte do aprendizado de cada um. Não é o amor e nem a dureza que haverão de lhes trazer a clareza necessária, mas apenas a própria maturidade de seu espírito. Enquanto teimarem em ser sábios e maiorais, presunçosos e sistemáticos, arrogantes e donos da verdade, continuarão á mercê destes espíritos em igual faixa vibratória. Enquanto não adentrarem á verdadeira humildade, aquela não apenas de palavras, mas sobretudo de atos, estarão distantes da verdadeira paz e da verdadeira liberdade.

Até lá, podem até fazer boas obras, mas estarão muito mais no time daqueles a quem Kardec nomeou de escolhos; a amargura do benefício para aqueles outros tantos que não seguem os caminhos do amor, mas tão somente da dor. E porque eles merecem tanta atenção e preocupação de nossa parte? Oras, vejamos esta sequência de Kardec:

(...) Mas sabe-se também que os Espíritos embusteiros não têm escrúpulos para esconder-se atrás de nomes emprestados, a fim de fazerem aceitar suas utopias. Disso resulta que, para tudo o que está fora do ensino exclusivamente moral, as revelações que alguém possa obter são de caráter individual, sem autenticidade, e devem ser consideradas como opiniões pessoais deste ou daquele Espírito, sendo imprudência aceitá-las e propagá-las levianamente como verdades absolutas.

Isso me faz lembrar de minha filha. Ninguém atestou de documento lavrado. Uns até já corroboraram, depois mudaram sua opinião. Outros não aceitam, mas fato é que eu sinto e entendo que ela é minha mãe reencarnada. Os motivos que mo-lo fazem assim crer, são muito meus e seriam somente uma sequência de coincidências para muitos. Também seria motivo de discussão para outros, haja vista algumas leis reencarnatórias de que temos conhecimento.

Então, pelo sim ou pelo não, aprendi que ao afirmar isso às pessoas, estava sendo como kardec afirmou: leviana em querer propagar uma verdade como sendo absoluta, fruto que é de minha crença e opinião pessoais. Quantas vezes não nos deparamos com determinadas pessoas e dizemos que ali está nossa cara-metade ou alma gêmea, como alguns gostam de dizer. E, no entanto, não temos o amor incondicional por esta criatura e nem a amizade que lhe devemos devotar. A queremos para nós e isso é posse e não amor.

Similaridades todos temos. Tem gente que parece que nasceu da mesma barriga que a gente, tantas semelhanças reúnem, no entanto, não significa que precisam ser nosso grande amor, nosso grande mestre ou nosso algo grande. Aliás, está muito mais em consonância com os espíritos embusteiros ficar imaginando algo semelhante. É como uma psicografia que recebi anos atrás e a pessoa dizia ser de meu pai.....mas pouco convivi com a criatura e eu não tinha como atestar a veracidade.

Então, optei por assim aceitar e feliz ficar. Por conta daquela psicografia, que poderia ou não ser de meu pai, fiz as pazes com ele. Amava-o muito e não aceitava ele ter deixado a família. No entanto, a partir deste momento, refiz idéias e sentimentos em meu ser. Se era meu pai? Não sei; só sei que foi bom para ele e para mim.

Quando falamos de caminho certo, e ainda assim passivo de más interpretações, falamos dos ensinos morais recebidos. Tem gente que adora dizer frases e trazê-las para a sua própria realidade. Tem uma interessante: que tem de ser manso como as pombas e astuto como a serpente. No entanto, parece que essa serpente jamais deixará de ser peçonhenta, porque a criatura só se faz de pomba para dar o bote. Lobos em pele de cordeiros. Falsos profetas. Homens e mulheres que clamam “Senhor, Senhor”, mas que não adentrarão ao reino dos céus, não porque eu assim previ, mas sim porque realmente ainda estão distantes da união entre fala e atitude.

Mas como não se deixar envolver por situações como estas? Vejamos aquilo que Kardec nos diz:

(...) O primeiro controle é, sem contradita, o da razão, ao qual é necessário submeter, sem exceção, tudo o que vem dos Espíritos. Toda teoria em contradição manifesta com o bom-senso, com uma lógica rigorosa, e com os dados positivos que possuímos, por mais respeitável que seja o nome que a assine, deve ser rejeitada. (...)

Gente, vamos trazer isso para o nosso dia-a-dia. Temos uma criatura que diz e faz determinadas coisas, que apregoa suas verdades e que age em conformidade com os fatos por ela subentendidos. Os que estão á sua volta, com raras exceções, mostram o equívoco da situação; seus familiares não corroboram com suas atitudes; amigos reais não existem, porque desconhecem esse lado oculto da criatura; pessoas distantes das situações vividas dizem com sobriedade acerca dos erros e descaminhos cometidos pela criatura. Mas nós, teimamos em não ouvir nada disso. Oras, teimamos em não ser lúcidos e em não dar ouvidos á razão!!

Sofremos dores atrozes, mutilamos nosso espírito com sentimentos infrutíferos e recheamos nossa vida de expectativas que nunca se processam. Isso tudo é ilusório. É utopia. É uma tremenda venda nos olhos. É o predomínio do sentir sobre a razão. E sentir seja lá o que for. Todos nós conhecemos casos assim. Todos nós já vimos e percebemos amigos em que a piedade nos comove e até causa certa revolta, porque parece que a criatura está cega e surda aos nossos apelos arrazoados; nossos apelos da razão.

O mesmo se dá com as comunicações. Ocorre que temos opostos dolorosos. Enquanto temos aqueles que aceitam tudo de bom grado e bom coração, existem aqueles que refutam até pingo em letra. Existem aqueles que pontuam questionamentos e, muitas das vezes, são ferinos naquilo que acreditam e professam, pois encontram contradição (contradição entre aquele espírito que eles acreditam estar correto e o outro que está errado), falta de lógica (mas falta de lógica de quem, né?) e até mesmo erros naquilo que é alardeado.

Exemplo disso são os espíritas que não aceitam a Revista Espírita como referencial, pois em determinados pontos ela contradiz o que está nos livros da codificação. Esclareçamos que a Revista Espírita não é a codificação, mas a oportunidade de ela estudar. Ali na Revista, os assuntos foram tratados de maneira individual e, até mesmo, mais minuciosa do que quando do feitio das obras básicas.

Mas, para muitos, é inadmissível tê-la como referencial. Façamos como é dito: analisemos aquilo que nos chega e retenhamos aquilo que nos traz benefício, porque afinal, nosso saber é proporcional á nossa depuração e, se aqui estamos, ainda precisamos saber muito!!

Exposto por Fiorell@ em 04-11-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - IV

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Encerramos o encontro passado com a passagem em que Kardec nos alerta de que o primeiro controle que devemos utilizar para com tudo que nos chega é justamente o da razão. Enfatiza ele que toda teoria que se vê ás voltas com contradições ao bom senso, deve ser repudiada independente de quem a assine. Aqueles números que tantos sonham para ganhar na megasena, são exemplo perfeito de que, com certeza, não serão espíritos sérios a desempenhar este papel.

Lembram-se do fantasma de Bayone? É a mesma coisa. Pode até ser um espírito brincalhão ou zombeteiro imbuído de toda boa vontade do mundo, mas com certeza não é alguém que tenha a moralidade necessária para passar avante preceitos, sejam eles morais ou doutrinários. Infelizmente o mesmo se dá com os encarnados.

Como aceitar palavras de determinadas criaturas que sequer conseguem praticá-las? Recordo-me do antigo ditado: Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. É fácil ordenar, impor e cobrar, realizar são elas. Os mais ferozes e ferrenhos ‘cobradores’ doutrinários ou seja lá do que for, com certeza não fazem exatamente aquilo que pregam, porque se fizessem, teriam mais paz em seus próprios gestos e palavras. O primeiro preceito que temos de aprender é da humildade, do perdão e da caridade. Estaremos sendo caridosos quando nos colocamos na postura de credores morais de quem quer que seja? Quem pratica o que fala já percebeu a imensa distância que existe entre a teoria e a prática e consegue também ser mais tolerante e caridoso para com o próximo, mesmo aquele que insiste em incorrer no mesmo erro.

Afora esta grande diretriz, kardec nos esclarece que:
(...) Mas esse controle é incompleto para muitos casos, em virtude da insuficiência de conhecimentos de certas pessoas, e da tendência de muitos, de tomarem seu próprio juízo por único árbitro da verdade. Em tais casos, que fazem os homens que não confiam absolutamente em si mesmos? Aconselham-se com os outros, e a opinião da maioria lhes serve de guia. Assim deve ser no tocante ao ensino dos Espíritos, que nos fornecem por si mesmos os meios de controle. (...)

Esta parte é muito importante. Temos nós mais um ditado: a voz do povo é a voz de Deus. A partir do momento que apresentamos às pessoas os fatos e acontecimentos, com imparcialidade, elas possuem a clareza e o discernimento necessários para emitirem sua opinião sem o envolvimento emocional ou presencial na situação. Kardec diz aqui sobre indivíduos que não confiam absolutamente em si mesmos e isso não nos deve servir de melindre.

Um pouquinho antes ele disse sobre a insuficiência de conhecimentos de certas pessoas e eu ouso acrescentar de vivência também. Quem sempre foi tratado aos berros e gritos, dificilmente saberá se portar de outra maneira. Se não conviver, aprender e até mesmo se aconselhar com outras pessoas, não terá possibilidades de fazer diferente daquilo que lhe foi ensinado. Existem os tendenciosos, aqueles que sabem que ouvirão isto de fulano e aquilo de beltrano, então, quando querem um conselho, manipulam a fonte de respostas, falando apenas àqueles que compactuam de suas idéias acerca do fato.

Oras, o mesmo se dará com a espiritualidade. Por isso algumas pessoas só querem ir em Centro tal ou conversar com médium tal. O ideal é a busca de igualdade nos pareceres, opiniões e comunicações. E este também é um grande problema que encontramos em relação ás pessoas. Só posso me aconselhar com cicrano ou beltrano, só ouço o que me diz fulano, quando no entanto, se estamos incertos ou inseguros com relação ao assunto que seja, cabe-nos ponderar e ouvir opiniões alheias sim. Aquele que não se aconselha com as pessoas não tem humildade suficiente para aceitar opiniões diferentes das suas; geralmente são do tipo que não precisam de ninguém e tudo podem sozinhos. Os espíritos que o acompanham são do mesmo naipe e imaginem a mistura que isso tudo faz. Prepotência, orgulho e vaidade à rodo.

Exposto por Fiorell@ em 11-11-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - V

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Falávamos sobre o exemplo dado por Kardec, acerca das criaturas que não possuem conhecimento suficiente ou vivencia acerca de determinados assuntos e recorrem a outras para se aconselharem ou direcionarem. Entendemos que isso não é prejudicial, desde que seja feito com o espírito de humildade e aceitação, buscando-se idoneidade nas pessoas com quem nos aconselhamos.

O mesmo se dá no tocante ás comunicações espíritas, que não podem ser levadas ao pé da letra sem que antes encontremos coerência com os conceitos e valores cristãos. Comunicações isoladas e revelações aleatórias não nos trazem aquilo que Kardec se referiu como sendo seguro: unicidade. Uma única criatura, seja ela encarnado ou desencarnado que assevera algo sobre determinado assunto, é uma única criatura a transmitir muito mais de si e de suas verdades do que a revelação da espiritualidade. Kardec prossegue:

(...) A concordância do ensino dos Espíritos é, portanto o seu melhor controle, mas é ainda necessário que ela se verifique em certas condições. A menos segura de todas é quando um médium interroga por si mesmo numerosos Espíritos, sobre uma questão duvidosa. É claro que, se ele está sob o império de uma obsessão, ou se tem relações com um Espírito embusteiro, este Espírito pode dizer-lhe a mesma coisa sob nomes diferentes. Não há garantia suficiente, da mesma maneira, na concordância que se possa obter pelos médiuns de um mesmo centro, porque eles podem sofrer a mesma influência. (...)

Viram como isso é delicado? Não basta sair perguntando sobre nossas dificuldades para qualquer pessoa ou de qualquer maneira. Com a espiritualidade semelhantes procedimentos precisam ser tomados. Ninguém encontra respostas seguras agindo de maneira solitária. Esse trem de se isolar no cume da montanha e receber todas as respostas, já percebemos que não funciona. Primeiro porque temos de viver aquilo que estamos buscando, segundo porque existe a grande possibilidade de sermos vítimas de obsessão e, arrisco dizer, quando a pessoa pensa que assim deve proceder, ou seja, tomando as rédeas da descoberta da verdade para si, já está mais para fascinado que lúcido.

O que é que faz com que permaneçamos em uma casa espírita determinada? É justamente a sintonia, os laços de fraternidade, amor e união que ali se formam. Se deixamos de pensar por nós mesmos e pensamos apenas em conformidade com o que a ‘Casa’ quer, estamos sujeitos a nos deixar influenciar. Não podemos, jamais, perder esta grande ferramenta que possuímos: o livre-arbítrio. Se passamos a agir em conformidade apenas com pensamentos e atitudes que não nos pertencem, seremos apenas ovelhas sendo conduzidas e por pastores duvidosos.

Por isso que ao frequentar uma casa espírita não nos basta apenas ir lá, ouvir a palestra e tomar um passe. Precisamos também ofertar algo de nós. O trabalhador da casa também, não é só chegar lá ser gentil e fazer-se instrumento da espiritualidade. Precisa também oferecer algo de si. E como fazemos isso? Nos envolvendo com os estudos, aprofundando nossos conhecimentos sobre a doutrina espírita, buscando conhecer os problemas e dificuldades que a casa possui, interagindo de maneira produtiva.

Não basta que sejamos ponto de discórdia ou questionamento. É importante que atuemos sem personalismos, sem nossos interesses pessoais em primeiro lugar. Importa aprendermos a conviver em sociedade, que nada mais é do que uma imensa família. Se nossa família está desmontada, não possui os alicerces necessários e somos omissos, encontraremos o mesmo em nossas funções ou atitudes na casa espírita. Seremos apenas mais um familiar que não acrescenta, aprende ou evolui.

É claro gente, que isso não deve nos servir como raciocínio desmotivador, pelo contrário! Nossa família sempre precisará de ajustes, correções e revisões. Não existe a família perfeita, por menor ou maior que seja. Porque ainda não existe nada perfeito! Alguns espíritos se afinizam de maneira ímpar e, de comum acordo, retornam a este plano para resgatar débitos, rever erros e construir novos caminhos, não apenas para si próprios como para os demais envolvidos. Mas ali também se encontram dificuldades e oportunidades de renovação e crescimento. A família de Chico era perfeita? A de Francisco de Assis? E, no entanto, nada disso os impediu de seguir avante com seus compromissos.

Isso não os desmotivou a ser e realizar pelo próximo. Muito embora em dado momento, Francisco de Assis tenha tido de abandonar seu lar para seguir avante com sua missão, não virou-lhes as costas ou tirou-lhes de sua vida, apenas teve clareza nos seus propósitos e continuou agindo em conformidade com os ensinamentos cristãos, embora isso ainda fosse distante e incompreensível para seu pai, grande referencial doméstico e da cidade na época.

Por favor, também não vão sair abandonando famílias porque não se sentem compreendidos! Nem vão trocar de casa espírita porque uma vírgula da administração não lhes parece correta. Verifiquem o real peso dessa vírgula. Vejam até onde a família precisa, justamente, deste teu ‘diferencial’ para aprender e evoluir. Ninguém pode pregar a paz infernizando a vida dos outros. Ninguém consegue estabelecer a união, se sentindo vítima ou perseguido por todos. Muitas vezes a grande dificuldade no lar está em não nos aceitarmos uns aos outros como somos. Está em deixar falar mais alto erros e deficiências de nossos familiares, do que observá-los como um todo e enaltecer-lhes as virtudes e qualidades. Sempre sem sermos extremos, ok? Aceite o familiar, mas não precisa aceitar o seu proceder. Se isso for mais motivo de discórdia do que reajuste, pense que talvez seja a tua oportunidade de aprender a calar e a se resignar ante as situações.

Bom, voltando ao discernimento do que Kardec nos disse acerca da concordância obtida através dos médiuns de um mesmo centro, existe também a possibilidade de ouvirmos o que o médium diz e entendermos como bem podemos. Podemos ler uma mensagem e a falta de concentração já nos dirá que esta mesma mensagem serve para fulano ou cicrano. Podemos nos ver às voltas com uma legião de espíritos embusteiros sobre a casa e seus trabalhadores. Se uma única pessoa consegue ter á sua volta dezenas e até centenas de obsessores, imaginem uma casa cujos trabalhadores estão despreparados, alimentando as próprias vaidades e as suas próprias necessidades. Eis o controle Universal. Se teu grupo ou casa está com dificuldades gritantes, aconselhe-se sem medo, com outros grupos e casas.

Lembrei-me de uma época em que dávamos curso de voluntariado. Existiam as apostilas e as diretrizes a serem seguidas. Cada posto recebia o livro contendo as regras gerais e adaptava para seus coordenadores. À época dos cursos, éramos sempre em 3 a ministrar estas apostilas à turma de 5 ou 6. Era muito bom, pois tínhamos uma primeira diretriz geral para seguirmos, depois apostilas que foram preparadas por voluntários mais experientes e em conjunto, além de nossa própria tripla união nos procedimentos.

Quando algumas dessas etapas falhava, podíamos ver voluntários distantes das bases e seu comportamento sempre destoava do grupo. O mesmo pode se dar em uma casa espírita, apenas de maneira inversa. Estão todos tão envolvidos pelas emanações e idéias do ambiente, que apenas quem vem de fora nota todo o absurdo, pois os demais parecem surdos e vendados. A simples menção desta possibilidade parece-nos distante da realidade, mas ocorre com frequência. Existem obstáculos em nosso caminhar, que fazem parte de nossa evolução, mas existem também toda sorte de infortúnios em decorrência da sintonia que estabelecemos.

Também ocorre com frequência maior aqueles que são os falsos salvadores da pátria e que nunca conseguem parar em casa espírita alguma, porque sempre notam esta ‘deformidade’ na condição dos trabalhadores. A criatura vai e funda sua própria casa, porque não consegue estabelecer intercâmbio com mais ninguém, apenas aqueles que compactuam de suas próprias idéias e visões. Interessante é que a criatura não se adequou em nenhuma casa, até ter a sua própria. Se bem observarem, deve se dar o mesmo no setor profissional, familiar e assim por diante.

Casos são casos, não nos cabe ficar julgando pelo simples prazer de assim proceder. Quando buscamos analisar fatos como estes, temos a genuína intenção de aprendermos e interiorizarmos em nós aquilo que não devemos realizar ou perpetuar. Então, tenhamos as comunicações de uma casa idônea como referencial, mas não esqueçamos de fazer um pequeno comparativo entre as demais mensagens que podem chegar até nós. Muita leitura, interpretação, estudo e atenção.

Não esqueçam também daqueles que se utilizam do nome de uma Casa Espírita conhecida, para alardear suas verdades. Recordam-se do ocorrido com o garoto João Hélio, em que o Centro Espírita Leon Denis, lá do Rio de Janeiro, levianamente foi usado para dar respaldo á comunicação, posteriormente desmentida e esclarecida como não tendo vindo de lá? Como podemos ter garantias sobre tudo isso? Será possível? No que diz respeito aos princípios doutrinários, temos sim. Veremos no próximo encontro!

Exposto por Fiorell@ em 18-11-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - VI

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

(...) A única garantia segura do ensino dos Espíritos está na concordância das revelações feitas espontaneamente, através de um grande número de médiuns, estranhos uns aos outros, e em diversos lugares. Compreende-se que não se trata aqui de comunicações relativas a interesses secundários, mas das que se referem aos próprios princípios da doutrina. (...)

O que seriam interesses secundários e o que seriam interesses ou princípios da doutrina? Quando estudamos células-tronco vimos esta grande quebra dentro das interpretações. Interesses secundários sendo colocados á frente dos interesses doutrinários e estes interesses sendo taxados de radicais ou ortodoxos. Princípios doutrinários não se modificam. Podem evoluir e acrescentar, mas não se modificam. Se a pedra é mineral, sempre será mineral. Não podemos querer transferi-la de categoria e inseri-la no reino vegetal. Isso não é evoluir conceito é ignorar bases cientificamente comprovadas e direcionar da maneira que os interesses secundários querem ou necessitam. Aliás, este é um ponto tão espinhoso e divergente, que gostaria de abordá-lo com mais tempo.

Recordando apenas um detalhe que se encaixa perfeitamente em nosso dia-a-dia, temos que o controle universal do ensino dos espíritos se dá de maneira mais confiável entre um grande números de médiuns, estranhos uns aos outros. Bem, assim é também em nosso viver. Temos uma situação que nos atormenta e todos nos dizem: 'saia dessa situação, ela é roubada em teu viver'. Um grande número de pessoas nos alertaram acerca da mesma coisa: que nos é prejudicial e que devemos nos afastar.

Fará parte de nosso livre-arbítrio, e consequentemente colheita, se optarmos por permanecer presos a esta situação. Deus 'esteve' conosco e nos alertou como pôde. Jesus faltou se 'personificar' em nossa frente e nos alertar. A espiritualidade amiga e familiares se 'desdobraram' em nos envolver em amor e paz, para que ouvíssemos seus apelos à razão e ao bom-senso. E nós, que fizemos? Qual foi nossa escolha?

Confiamos neste 'controle universal' dos que nos cerca ou simplesmente relegamos a segundo plano e atendemos nossas fraquezas, nossos interesses mesquinhos e nossas necessidades imaginariamente reais? Somos resultado daquilo que fazemos por nós mesmos. Não basta apenas todo o mundo espiritual se movimentar em nosso benefício; é imprescindível saibamos ver e ouvir o que nos é ofertado. Em tantos momentos é bem aquilo que já sabemos: mundo carnal e mundo espiritual, sob muitos aspectos, podem ser lidados da mesma forma. Andam de mãos dadas e a matéria é o grande diferencial, porque do resto, aquilo que se aplica em um plano pode ser utilizado noutro. Acompanhem um pouco mais de Kardec:

(...)A experiência prova que, quando um novo princípio deve ser revelado, ele é ensinado espontaneamente, ao mesmo tempo, em diferentes lugares, e de maneira idêntica, senão na forma, pelo menos quanto ao fundo. Se, portanto, apraz a um Espírito formular um sistema excêntrico, baseado em suas próprias idéias e fora da verdade, pode-se estar certo de que esse sistema ficará circunscrito, e cairá diante da unanimidade das instruções dadas por toda parte, como já mostraram numerosos exemplos. É esta unanimidade que tem posto abaixo todos os sistemas parciais surgidos na origem do Espiritismo, quando cada qual explicava os fenômenos do mundo visível com o mundo invisível.(...)

Falamos aqui única e tão somente da doutrina espírita. Lembram-se de Roustaing? Ele veio com a sua própria definição acerca de alguns pontos doutrinários e, não fosse o fato de ficarmos toda hora lembrando estes determinados pontos, ele já teria sumido para sempre da história do espiritismo (muito embora esta literatura continue circulando em Casas Espíritas). Ou seja, um espírito formulou determinadas linhas e segmentos e isso foi por terra abaixo. O que perdurou foi aquilo que nos foi ensinado espontaneamente em lugares diferentes e ao mesmo tempo. Esta é verdadeira crença, a verdadeira doutrina. O restante, são apenas criaturas que se valeram de bases feitas para se encostarem e criarem seus próprios segmentos. O restante, apenas conceitos e nomes sendo sutilmente modificados para sugerir o novo. O restante, espíritos encarnados e desencarnados que se afinizam diante das próprias verdades e passam a criar um sistema todo seu e pessoal.

(...)Esta é a base em que nos apoiamos, para formular um princípio da doutrina. Não é por concordar ele com as nossas idéias, que o damos como verdadeiro.(...)

Só enfatizando este trecho: ‘não é por concordar ele como nossas idéias que o damos como verdadeiro’, mostra-nos algo que comumente vemos dentro da doutrina espírita. Vindos de outras religiões ou crenças, algumas pessoas simplesmente não conseguem crer em determinados fatos, como a morte eterna. E eis que, dentro da doutrina espírita, somos esclarecidos acerca da vida eterna, não em forma de prostração ou penas/gozos eternos, mas sim acerca da continuidade da vida e todo o desenrolar de fatos que vamos acompanhando. Pronto! Eis aquilo que Kardec enumerou: "Eu sempre acreditei que existia algo mais do que a punição eterna e a doutrina espírita diz isso. É fato verdadeiro então!"

 Não, não, não. É fato verídico porque foi estudado, porque foi comunicado por diversos espíritos. É fato verídico porque faz parte dos ensinamentos doutrinários passados por diversos espíritos em momentos similares, em locais distintos e com o mesmo embasamento. Não é porque veio ao encontro de nossa crença que é verídico. O é a custa de uma ciência a lhe envolver.

(...) Não nos colocamos, absolutamente, como árbitro supremo da verdade, e não dizemos a ninguém: “Crede em tal coisa, porque nós vo-la dizemos”. Nossa opinião não é, aos nossos próprios olhos, mais do que uma opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa, porque não somos mais infalíveis do que os outros. E não é também porque um princípio nos foi ensinado que o consideramos verdadeiro, mas porque ele recebeu a sanção da concordância.(...)

Essa humildade carece  sobremaneira no meio espírita. Alguns estudiosos afirmam taxativamente a interpretação de determinados fatos e tomam-nos como verdades. Uma vez mais volto aos estudos de células-tronco. Determinadas afirmativas e conceitos estão em unanimidade entre os médicos espíritas de vários estados e que formam a Associação Médico Espírita, no entanto, algumas pessoas que nem da área são, possuem a capacidade de afirmar que trata-se de um grupo elitista, ou seja, uma elite dentro do movimento espírita, que zela pelos próprios interesses em detrimento da evolução doutrinária.

Existem até os que alardeiam que determinadas classes (médicos espíritas, psicólogos espíritas, advogados espíritas e etc), são apenas classes que zelam pelas suas próprias necessidades e manipulam conceitos e resultados para lhes favorecerem. Uma vez mais me recordo daquilo que Kardec diz nesta introdução denominada autoridade da doutrina espírita: (...) Em tais casos, que fazem os homens que não confiam absolutamente em si mesmos? Aconselham-se com os outros, e a opinião da maioria lhes serve de guia. (...)

São estes homens, envolvidos por determinado assunto terreno (ensinamento, justiça, saúde mental), que se reuniram e, diante da chama da doutrina espírita, buscaram em seus trabalhos as diretrizes doutrinárias para que possam segui-los com ética e responsabilidade, e não apenas frente à matéria, mas como também à espiritualidade. São criaturas que se erram, não o fazem por egoísmo ou interesses pessoais, como vemos aos rodos através de dirigentes espíritas que mais zelam pelos seus interesses pessoais do que, propriamente, pelos interesses doutrinários ou do espírito.

Até o fato de entrarem nas tais divergências dentro do movimento espírita, aqueles que são chamados ortodoxos, andrelistas, ramatisianos, armondistas e etc, é aceitável porque divergem naquilo que talvez tenham estudado e aceitado como diretriz e referencial de vida. Agora, relevarem os verdadeiros interesses do espírito, que é justamente do que trata o conhecimento que a doutrina espírita nos lega, e zelarem muito mais pelos seus interesses egoístas, mundanos e pessoais, eis uma grande diferença.

Estar em qualquer lugar que seja, pensando muito mais em si e nos louros que poderão ser colhidos é anticristão e anticaridoso. Interpretar por olhos diferentes é muito diferente do que interpretar pelo próprio umbigo.

Certa feita um pai, espírita, foi chamado ás responsabilidades junto aos seus filhos. Sua resposta foi repetir as palavras de Jesus: 'e quem são a minha família'? Ou seja, todos os que estavam á sua volta poderiam ser considerados como sua família e ele não estava se esquivando dos compromissos espirituais de fraternidade e caridade, porém esquivou-se das responsabilidades ante seus filhos pelos quais possui o compromisso assumido no momento da concepção e até antes. Estará ele correto? Isso não é divergência doutrinária; é divergência de caráter.

Para quem gosta de pesquisar e ver diversas opiniões sobre um mesmo tema, ou seja, um exemplo clássico do que é deixar os interesses doutrinários em segundo plano, podem ver esta página sobre Ramatis. Assaz interessante, não só pelo conteúdo, mas como também pela postura dos participantes e menção daquilo que temos dito em diversos momentos: fascinação.  Dupla Vista - Ramatis.

Acompanhem, também, este editorial da Espirit Net, onde é possível refletir acerca das divergências e a necessidade de existirem. O risco Necessário.
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Exposto por Fiorell@ em 25-11-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - VII

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Encerramos o encontro passado conversando acerca das chamadas verdades que aceitamos e como podemos distinguir se elas realmente são verdades que compactuam com a Doutrina Espírita ou se são vertentes, algumas bem intencionadas, que divergem das bases e essências doutrinárias.

Kardec, mais do que apontar um caminho, mostra que o percorreu e nos ensina as diretrizes, muitas das quais abandonamos irrefletidamente. Não consigo estudar estas palavras do chamado Mestre Lionês e não recordar de nosso dia-a-dia. Não consigo desassociar os seus ensinamentos daquilo que vemos em nosso viver cotidiano. É claro que não devemos ser maria-va-com-as-outras, mas essa lucidez a que ele nos convoca, esse contemporizar diversas opiniões e este observar racionalmente as situações e os envolvidos, mostra-nos o caminho para lidarmos com muitas situações que sequer damos a devida atenção.

Deixei, para quem desejasse, um link falando acerca de Ramatis, figura controvertida e quase endeusada em muitas casas espíritas. Ele, para qualquer descrição que se queira dar, reflete misticismo, inclusive por parte de seus seguidores. Tenho por hábito não ser diretiva nestas colocações, mas achei oportuno salientar essa diferença que encontramos dentro do Movimento Espírita, para que reflitamos e, até baseados no próprio Controle Universal do Ensinamentos do Espíritos, possamos distinguir se existe exagero por parte daqueles chamados de ortodoxos, ou se existe conivência por parte dos chamados místicos.

Encontrei um artigo assaz elucidativo sobre o assunto e destaquei duas partes. Ele está na íntegra em nosso site. Falar do controle universal do Ensino dos Espíritos e não falar disso, seria pular uma parte que nos auxilia a compreender as diferenças existentes dentro do Movimento Espírita. As partes que destaco são:

(...) O que é "ortodoxia"? O conceito de ortodoxia é etimológico: conformidade com as bases fundamentais de uma ciência ou filosofia. No caso do Espiritismo, a ortodoxia significa entender a codificação compilada por Kardec como base única e fundamental para compreensão da Doutrina Espírita e sendo coerente com a metodologia espírita para aquisição e aceitação de novas informações ou conhecimentos. Essa metodologia implica na aplicação do CUEE - Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos (cuja estrutura está designada no Evangelho Segundo o Espiritismo), na aceitação de conclusões científicas acadêmicas inequívocas ou na aplicação de qualquer outro método de aferição de verdade que possua método científico. A função da ortodoxia no meio espírita é, sobretudo, destruir quaisquer resquícios de misticismo e/ou mercantilismo sobre valores doutrinário, trazendo o Espiritismo de volta ao seu caminho cientifico e filosófico. (...)

Embora pareça uma briga de peixe graúdo, eis que se faz importante que comecemos a entender do que se trata. Já falamos sobre isso; os rótulos que são dados aos espíritas que possuem este ou aquele pensamento. Essa ortodoxia ou purismo, busca não apenas dizer que depois de kardec nada mais será acrescentado á Doutrina Espírita, muito pelo contrário.

Através deste artigo Ortodoxia Espírita: o que é?, escrito por Francisco Amado, podemos ver claramente que a vertente chamada de ortodoxa, incentiva sim os acréscimos doutrinários, mas desde que eles estejam em consonância com aquilo que prega o nosso objeto de estudos destas noites: o Controle Universo do Ensino dos Espíritos. Aliás, quem tiver a curiosidade em ler o artigo, um tanto longo, mas envolvente, perceberá inclusive a resposta para aquele comentário que muitos fazem, acerca da frieza dos que defendem o purismo doutrinário, como se fossem criaturas isentas de sentimentos e fraternidade. Outra parte interessante deste texto de Francisco Amado, trata de esclarecer o que é místico e, consequentemente, o que é o tal do misticismo:

(...) Quem é um "místico"? Místico é todo sujeito que aceita proposições supostamente espirituais ou "sobrenaturais" sem submetê-las a qualquer tipo de análise ou aferição metodológica/cientifica de verdade. Existem dois tipos de místicos: aqueles que convictamente o são e aqueles que só o são por condicionamento cultural. (...)

Vocês hão de convir comigo que, por mais que algumas criaturas se dêem ao trabalho de estudar o embasamento daquilo que lhe chega ás mãos, a maioria massacrante apenas aceita e de ouvir, não de conhecer. Nestes momentos, quase que temos pequenos deuses entre nós, dando a cada criatura um poder ou sobre naturalidade tão grandes, que são mais que Jesus e, realmente, quase deuses. Se trouxermos para o catolicismo, temos isso: Padre Cícero, Nossa Senhora, Santa Rita de Cássia, São Francisco e assim por diante. Estes irmãos, santificados pela igreja católica, possuem seguidores que, em muitos momentos, até se esquecem de Deus, de tanto poder que atribuem a estes santos. Buda, Krishna e Gandhi são outros exemplos. Vejam isso que interessante:

(...) No caso do Brasil, dado o intenso sincretismo e o império da maior religião mística do Ocidente, o catolicismo, há uma cultura que privilegia o "mágico e o sensacional". Sendo assim, há uma intensa mistura de conceitos espíritas com anti-conceitos católicos. E como a prática da maior parte das casas espíritas em nosso país é de natureza equivocadamente religiosa, não há interesse ou prática de reeducar o individuo condicionado pelo catolicismo e ele continua mantendo-se entre os dois mundos.(...)

Esse ponto aqui é um calcanhar de Aquiles....hehehe....para muitos, dentro desta chamada ‘ortodoxia’, nossos encontros para realização do Evangelho não são reconhecidos como sendo espíritas, haja vista a relutância em aceitarem conceitos deixados por Bezerra de Menezes. No fundo, sinceramente, o que tenho entendido é que nem tanto ao céu e nem tanto ao mar. Ícones dentro da Doutrina Espírita são comuns (Herculano Pires, André Luiz, Chico Xavier, Emmanuel, Bezerra de Menezes, Joana de Ângelis, etc), fato é que, como bem explica Francisco Amado em seu texto, julgá-los espíritas ou não, apenas pelo nome, é desproposital. Necessário que se veja o conteúdo que repassam. Ele ainda nos define uma segunda categoria de místicos:

(...) Já o místico intencional procura se abrigar em instituições espiritualistas ou desenvolve suas próprias práticas irrefletidas e procura trazê-las para o meio espírita. Via de regra são bem sucedidos neste intento. Neste ultimo caso, o agravante é que o místico procura adaptar o Espiritismo aos seus interesses pessoais ou limitações de ordem moral ou intelectual. Tais pessoas não possuem interesse na coerência doutrinária espírita e combatem, muitas vezes, quem assim procede.(...)

Este fato é sério, embora também seja calcanhar de Aquiles para alguns. Uma vez mais, ressalto o nem tanto ao céu e nem tanto ao mar. Se, para alguns, ser um espírita-místico-caridoso é melhor do que ser um marginal-traficante, cabe somente a eles definirem onde realmente se está acrescentando ou apenas se ‘passando’ o tempo. Isso que Francisco diz, sobre os místicos intencionais, é algo muito sério e necessário de reflexão por nossa parte. O agravante salientado é o fato de que o místico intencional procura adaptar o Espiritismo aos seus interesses pessoais ou até às suas limitações de ordem moral e intelectual.

Exposto por Fiorell@ em 02-12-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - VIII

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Tem um espiritualista famoso, cujos passos estão voltados a dizer-se mais experiente, vivido e elevado que Allan Kardec. Em sites que circulam pela net, ele mostra que já esteve encarnado em situações próximas ou semelhantes a ele e tenta demonstrar claramente onde Kardec é falho e ultrapassado, sob a sua própria concepção. Seus seguidores, sequiosos de encontrarem portas abertas no espiritismo, assim como carona no caminho já trilhado, utilizam-se de declarações de Emmanuel, Divaldo e Francisco Cândido Xavier, para corroborar que a criatura é a nova luz do espiritismo, quando, na realidade, eles apenas tomam a mesma postura que Kardec tomou diante de Roustaing. Falar nisso, recolhi outro texto muitíssimo oportuno, que trata do tema O que seria pureza Doutrinária segundo o Espiritismo?, onde saliento a seguinte passagem que exemplifica bem o que estou a dizer acerca das corroborações para que se aceite ou não determinada criatura como espírito falando em nome do espiritismo. Quando Kardec comentou acerca de Roustang, após analisar detalhadamente os 4 Evangelhos de autoria dele, disse-nos que é um trabalho meritório para os espíritas e que não tem pontos em contradição com a Doutrina ensinada pelos espíritos em O Livro dos Espíritos e o Livro dos Médius, mas que:

(...)“Conseqüente com o nosso princípio, que consiste em regular a nossa caminhada sobre o desenvolvimento da opinião, não daremos, até nova ordem, às suas teorias, nem aprovação, nem desaprovação, deixando ao tempo o cuidado de sancioná-las ou de contradizê-las. Convém, pois, considerar essas explicações como opiniões pessoais aos Espíritos que as formularam, opiniões que podem ser justas ou falsas, e que, em todos os casos, têm necessidade da sanção do controle universal, e até mais ampla confirmação não poderiam ser consideradas como partes integrantes da Doutrina Espírita.”(...)

Esta postura de Kardec, considerada por aqueles que adoram um diz-que-disse como que sendo em cima do muro, mostra a prudência que devemos ter em relação às afirmativas realizadas acerca daquilo que desconhecemos ou que ainda não foi corroborado. É esta postura que encontramos nas respostas de Divaldo ou Emmanuel, por exemplo, postura de humildade e ponderação, diferente daquele que se diz maior ou mais avançado que Kardec. Aliás, esta postura faz parte dos ensinamentos que recolhemos no Livro dos Espíritos, que nos leva a entender, de certa forma, a postura da FEB em relação aos 4 Evangelhos de Rounstaing e que está contida na questão 628, cujo pequeno trecho saliento:

(...) Havia, como sabeis, na Antigüidade alguns indivíduos possuidores do que eles próprios consideravam uma ciência sagrada e da qual faziam mistério para os que, aos seus olhos, eram tidos por profanos. Pelo que conheceis das leis que regem estes fenômenos, deveis compreender que esses indivíduos apenas recebiam algumas verdades esparsas, dentro de um conjunto equívoco e, na maioria dos casos, emblemático. Entretanto, para o estudioso, não há nenhum sistema antigo de filosofia, nenhuma tradição, nenhuma religião, que seja desprezível, pois em tudo há germens de grandes verdades que, se bem pareçam contraditórias entre si, dispersas que se acham em meio de acessórios sem fundamento, facilmente coordenáveis se vos apresentam graças à explicação que o Espiritismo dá de uma imensidade de coisas que até agora se vos afiguraram sem razão alguma e cuja realidade está hoje irrecusavelmente demonstrada. Não desprezeis, portanto, os objetos de estudo que esses materiais oferecem. Ricos eles são de tais objetos e podem contribuir grandemente para vossa instrução.”(...)

São ricos e podem contribuir grandemente para nossa instrução. Ninguém disse que podem ser considerados como espíritas. Eis a vertente que algumas pessoas buscam. Dizem que a Doutrina Espírita é só mais um degrau para o universalismo e adentram ao espiritualismo de maneira sedenta, querendo abraçar todas as verdades que o limitado espiritismo não consegue digerir. Até aí, nada de errado, faz parte da verdade de cada um. Uma vez mais ressaltamos que o problema reside no fato de quererem adequar o espiritismo a estas suas verdades universalistas, como que fazendo-o evoluir. Diante disto, temos a questão 627 da qual também saliento o seguinte:

(...) O ensinamento do’s’ Espírito’s’ deve ser claro e sem equívocos a fim de que ninguém possa pretextar ignorância e cada um possa julgá-lo e apreciá-lo com sua própria razão. Estamo's'’ encarregado's' de preparar o Reino de Deus anunciado por Jesus, e por isso é necessário que ninguém possa interpretar a lei de Deus ao sabor de suas paixões, nem falsear o sentido de uma lei que é toda amor e caridade.” (...).

Esta parte da questão 627 vem ao encontro daquele texto que recomendei semana retrasada para vocês, num parágrafo em que salienta-se o controle realizado junto a determinadas obras que estavam sendo lançadas, sob a alcunha espírita: (...)A diretoria da Federação Espírita do Estado de São Paulo preocupada com o rumo que as coisas tomavam, solicitou à Comissão de Doutrina que fizesse um estudo minucioso e desapaixonado sobre esse livro. A comissão, da qual fazíamos parte, elaborou o seguinte parecer, que foi aprovado unanimemente pelo Conselho Deliberativo da Feesp (...) tivemos aqui uma unanimidade obtida através de estudo, análise e comparações entre o conteúdo das obras e o conteúdo das obras básicas e que através dela retiraram-se alguns livros da chamada biblioteca espírita. Interessante lembrar que houve essa unanimidade, mas que algumas criaturas não concordaram com ela, abandonando assim o que já estava em andamento, através deste controle doutrinário, fundando sua própria vertente do espiritismo. Ou seja, vamos passar tudo ao crivo do Controle Universal dos Espíritos, mas se esse crivo não me agradar, não brinco mais.

E lá vamos nós, mais uma vez, nos recordarmos dos estudos realizados anteriormente, que falam sobre os pseudo-sábios, sobre os que não se adequam em casas espíritas e fundam as suas próprias casas, além dos conhecidos (...) orgulhosos e hipócritas: os que afetam exteriormente a virtude e a religião para ocultar as suas torpezas. (...). O texto em questão também está na íntegra em nosso site e pode ser encontrado com o título Livros de Ramatis - erros doutrinários á luz do Espiritismo.

Por outro lado, gente, estava eu aqui a pensar acerca destes estudos e a perceber o foco que eles estão tomando. Quando li algumas passagens, pareceram-me tão distantes da doçura do Mestre Jesus, dos exemplos de edificação e crescimento que os espíritos amigos nos enviam, que me assustei um pouco. Então, tentei entender o porquê deste controle universal dos ensinos do espíritos estar inserido na introdução ao evangelho e do porquê de termos de conhecer as diferenças entre conceitos, rótulos e linhas dentro do Espiritismo.

Muitas vezes já me perguntei para quê conhecer isso tudo. Me perguntei se não bastaria apenas praticar o bem e a bondade para seguirmos os exemplos do Mestre Jesus. No entanto, deparei-me com o abuso da boa-fé, com o discurso desprovido da prática da moralidade, com os chamados falsos profetas. Como vamos distingui-los dentre os verdadeiros? Como entenderemos o que é correto e o que é errado?

Baseada nestes questionamentos, entendi que as coisas por si só não são nocivas, mas sim o suo que delas fazemos. Por exemplo, todos nós sabemos dos efeitos nocivos da maconha em nosso organismo e em nossas células. No entanto, um estudo vem mostrando que ao se utilizar a maconha sintética como base de armazenamento, células-tronco possuem uma sobrevida maior, podendo acusar vários benefícios para estes tratamentos. É um estudo ainda, mas eis algo sabidamente nocivo sendo utilizado de maneira benéfica. Oras, como transformar algo ruim em algo bom? Estudando, conhecendo, observando as várias maneiras de se empregar ou vivenciar estas coisas.

O equilíbrio ou o meio termo pode ser encontrado naquilo que todos nós sabemos: algo usado em desproporção à sua necessidade, se torna maléfico, por melhor que seja. Os ensinamentos cristãos, são indubitavelmente profundos e buscam despertar sempre o nosso melhor. No entanto, estes mesmos ensinamentos, utilizados de maneira deturpada, são a porta larga pela qual não devemos passar. Um estudo do grupo espírita Apóstolo Paulo, cita a seguinte passagem:

(...) o Mestre alerta que quando estas atitudes de enganação são feitas por pessoas que têm conhecimento das coisas de Deus, seus julgamentos serão piores. Quando o homem tem a oportunidade de conhecer o Evangelho, e ao invés de fazer bom uso deste entendimento em benefício do próximo apenas tira proveito para si próprio, esse com certeza sofrerá as conseqüências. Lembremos do próprio Jesus, que diz: "Se alguém enganar um desses pequeninos (pessoas que não tem conhecimento), melhor seria que se amarrasse um pedra no pescoço e se atirasse no fundo do mar". Daí, dá para se ter uma idéia da responsabilidade de quem fala em nome de Deus (...) e do uso que faz dos ensinamentos recolhidos.

De nossa parte, se não estudarmos e não buscarmos respostas para algumas coisas, seremos sempre os pequeninos enganáveis, quando na realidade já possuímos potencial e capacidade para sermos muito mais do que isso. Vejamos mais dos comentários de Kardec acerca de como ele procedeu a este controle e por que estas diferenças existem e precisam ser observadas:

(...) Na nossa posição, recebendo as comunicações de cerca de mil centros espíritas sérios, espalhados pelos mais diversos pontos do globo, estamos em condições de ver quais os princípios sobre que essa concordância se estabelece. É esta observação que nos tem guiado até hoje, e é igualmente ela que nos guiará, através dos novos campos que o Espiritismo está convocado a explorar. (...).

Cerca de mais de mil centros espíritas sérios. Vocês acreditam que Kardec não recebeu nenhum disparate? Acreditam que todos enviaram as mesmas respostas ou afirmações acerca de um assunto ou acreditam que coube a Kardec separar o trigo do joio e distinguir quais se aplicavam ou não aos conceitos doutrinários? Se foi necessário que ele fizesse essa triagem, por que nós queremos aceitar tudo como sendo doutrina dos espíritos, mesmo quando provém de apenas um espírito? Por que ele tem boa fama ou diz coisas sensatez?

Já imaginaram se a doutrina espírita chegar a todos nós, como as descobertas e teses científicas nos chegam? Hoje percebe-se que é impossível ter havido vida em Marte. Amanhã já se descobre lençóis d’água congelados, o que quer dizer que onde há água há vida. Na doutrina espírita seria o mesmo: hoje os ensinamentos cristãos são nosso referencial, mas amanhã pode aparecer alguma criatura que venha e diga que Jesus tinha alguma falha de caráter ou desvio de personalidade, que se relacionou promiscuamente com Madalena e por aí vai. Gente, isso é fruto da nossa mente desequilibrada e não das verdades encobertas. E serão todas as distorções gritantes como esta? Ou estarão camufladas em palavras de difícil entendimento e frases aparentemente coerentes?

Exposto por Fiorell@ em 09-12-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - IX

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Temos visto até então alguns aspectos da chamada Autoridade da Doutrina Espírita; temos feito analogias com nosso dia-a-dia, tanto da própria Doutrina Espírita quanto os nossos pessoais; temos conhecido um pouco da metodologia com que Kardec nos legou. Fato que sempre me chama atenção nos estudos ou leituras das orientações transmitidas pela espiritualidade é, justamente, o fato de podermos aplicar ao nosso cotidiano muito do que é aplicado para a Doutrina Espírita. É como se ela também fosse uma ‘filha’ de Deus; nossa irmã mais velha, que nos aconselha e direciona no viver. Como ela sobrevive através das décadas? Pela seriedade com que foi trazida a todos nós. Vejamos mais um pouco de sua história:

(...) E assim que, estudando atentamente as comunicações recebidas de diversos lugares, tanto da França como do exterior, reconhecemos, pela natureza toda especial das revelações, que há uma tendência para entrar numa nova via, e que chegou o momento de se dar um passo à frente. Essas revelações, formuladas às vezes com palavras veladas, passaram quase sempre despercebidas para muitos daqueles que as obtiveram, e muitos outros acreditaram tê-las recebido sozinhos. Tomadas isoladamente, elas seriam para nós sem valor; somente a coincidência lhes confere gravidade. Depois, quando chega o momento de publicá-las, cada um se lembrará de haver recebido instruções no mesmo sentido. É esse o movimento geral que observamos e estudamos, com a assistência dos nossos guias espirituais, e que nos ajuda a avaliar a oportunidade de fazermos uma coisa ou de nos abstermos. (...)

Anteriormente, Kardec citou o fato de receber comunicações de mais de 1000 centros espíritas sérios espalhados pelo mundo e que isso o guiava: a unanimidade encontrada em pessoas distantes, desconhecidas entre si e que, de uma maneira geral, talvez sequer tivessem prestado atenção nos ensinamentos se houvessem eles sido enviados ou transmitidos a apenas um ser. O fato, mais uma vez, de se aperceber essa igualdade entre as diversas comunicações foi o que deu e vem dando respaldo ao Espiritismo para se firmar e seguir avante diante de todos os campos que se faz presente com sua universalidade de ensinamentos. O espiritismo, como bem se diz, não é o final de todas as religiões, mas o caminho por elas a ser seguido, pois é o caminho do Mestre Jesus, independentemente de religião. Vejamos:

(...) Esse controle universal é uma garantia para a unidade futura do Espiritismo, e anulará todas as teorias contraditórias. É nele que, no futuro, se procurará o criterium da verdade. O que determinou o sucesso da doutrina formulada no Livro dos Médiuns, foi que, por toda parte, cada qual pode receber, diretamente dos Espíritos, a confirmação do que eles afirmavam. Se, de todas as partes, os Espíritos os contradissessem, esses livros teriam, após tão longo tempo, sofrido a sorte de todas as concepções fantásticas. O apoio mesmo da imprensa não os teria salvado do naufrágio, enquanto que, privados desse apoio, não deixaram de fazer rapidamente o seu caminho, porque tiveram o dos Espíritos, cuja boa vontade compensou, com vantagem, a má vontade dos homens. Assim acontecerá com todas as idéias emanadas dos Espíritos ou dos homens, que puderem suportar a prova desse controle, cujo poder ninguém pode contestar.(...)

Essa parte merece nossa atenção. É comum, hoje em dia, e talvez até antigamente (como não vivi lá não sei) que as pessoas ou as situações sejam respaldadas e até criadas pela imprensa ou mídia. Um bom 'marketeiro' vende até prego de gelatina e assim o é em nossos dias. O que Kardec nos diz é que o próprio alicerce sobre o qual se edificou a Doutrina Espírita, e aqui ele cita diretamente o Livro dos Médiuns, foi um alicerce sólido e de grandes bases, não necessitando a intervenção ou o jeitinho de ninguém para que ele fluísse. Bastou-lhe ser erigido em bases verdadeiras, unânimes e não fantasiosas. Nada de misticismo ou margem para segundas interpretações. Tudo às claras. Quisessem ou não os homens. Quisessem ou não aqueles que possuíam o poder, ainda que temporal, de auxiliar.

Assim precisamos ser. Se formos dúbios, afirmarmos algo que pode ser uma negativa, deixarmos margem para segundas ou terceiras interpretações ou até mesmo nos posicionarmos de uma maneira e falarmos de outra, jamais teremos, a longo prazo, a confiabilidade e a credibilidade necessária ao nosso ser. Precisaremos, constantemente, reafirmarmos quem somos, ao o que viemos e ao o que nos dispomos, diferentemente daquele que já possui isso por conta de seu reto proceder. Se tomarmos o Mestre Jesus como referencial, aliás, como sempre devemos fazer, veremos que ele jamais saiu alardeando que ele era quem era. Pelo contrário, ele sempre se mostrou Filho do Criador e não o escolhido por ele.

Tivesse Jesus dito que era ele o 'rei da cocada preta', apenas os deslumbrados o teriam seguido. Ele afirmou, claro, que era o caminho, a verdade e a vida e que ninguém iria ao Pai não fosse por ele, mas ele não estava falando de si próprio, mas da tarefa que lhe competia. A tarefa que lhe competia foi legar-nos o cristianismo, dar a todos nós o exemplo vivo daquilo que Deus espera de nós, não como um modismo ou uma criação individual sua, mas sim como alguém que estava a serviço de Deus. Esse detalhe, por vezes tão banal, faz a diferença. Deixa de ser banal. Esse detalhe pode ter um peso esmagador, para o bem ou não. Esse detalhe é a vida daquilo ou daquele que se move, existe, faz ou acontece.

Por isso, mais uma fórmula para trazermos nosso viver de maneira reta e produtiva é, na medida do possível, utilizarmos para nós os mesmos referenciais que foram utilizados para a edificação da Doutrina Espírita. Temos este referencial no livro dos médiuns, no Capítulo 24, questão 167; temos este referencial em O Livro dos Espíritos, lá nas famosas questões 918 e 919; temos este referencial no próprio O Evangelho Segundo o Espiritismo, lá na altura do capítulo XVII item 3, que fala dos caracteres do homem de bem; temos em tantas outras comunicações e até mesmo livros, que nos mostram e direcionam o caminho que podemos seguir. A maioria já leu o livro Sinal Verde, de André Luiz. Todos nós em algum momento, já lemos Pão Nosso, Vinha de Luz e os demais livros desta natureza que nos mostram, capítulo a capítulo, como sermos e existirmos diante de Deus, do próximo, da vida e de nós mesmos. Não nos falta incentivo, falta confiar e seguir. Vejamos um pouco mais de Kardec:

(...) Suponhamos, portanto, que alguns Espíritos queiram ditar, com qualquer título, um livro de sentido contrário; suponhamos mesmo que, com intenção hostil, e com o fim de desacreditar a doutrina, a malevolência suscitasse comunicações apócrifas. Que influência poderia ter esses escritos, se eles são desmentidos de todos os lados pelos Espíritos? É da adesão desses últimos que se precisa assegurar, antes de lançar um sistema em seu nome. Do sistema de um só ao sistema de todos, há a distância da unidade ao infinito. Que podem, mesmo, todos os argumentos dos detratores contra a opinião das massas, quando milhões de vozes amigas, vindas do espaço, chegam de todas as partes do Universo, e no seio de cada família os repelem vivamente? A experiência já não confirmou a teoria, no tocante a este assunto? Que foi feito de todas essas publicações que deviam, segundo afirmavam, destruir o Espiritismo? Qual delas conseguiu, pelo menos, deter-lhe a marcha? Até hoje não se havia consideração à questão desse ponto de vista, sem dúvida um dos mais graves: cada um contou consigo mesmo, sem contar com os Espíritos.(...)

A narrativa de Kardec é clara e não dá margem a dúvidas, muito pelo contrário, é confirmada através das décadas e passiva de ser observada, não apenas teorizada. Nossas bases nos pedem sempre isso: que tenhamos mais prática e menos teoria. Vejamos mais:

(...) O princípio da concordância é ainda uma garantia contra as alterações que em proveito próprio, pretendessem introduzir no Espiritismo as seitas que dele quisessem apoderar-se, acomodando-o à sua maneira. Quem quer que tente fazê-lo desviar de seu fim providencial fracassaria, pela bem simples razão de que os Espíritos, através da universalidade dos seus ensinos, farão cair toda modificação que se afaste da verdade. (...)

Seria hipocrisia de nossa parte dizer que as palavras de Kardec nos dão toda a tranquilidade necessária para deixarmos que cada um faça do espiritismo aquilo que bem lhe aprouver. Seria muita falta de respeito e de cumprimento de nosso dever deixar que qualquer seita ou modismo se apodere dos caminhos já traçados pela Doutrina Espírita, transformando-a a seu bel e egoísta prazer.

Somos chamados ao bom combate, com certeza. Primar pelas bases doutrinárias não é questão apenas de ser tradicionalista, arcaico ou inflexível, mas sim de levarmos avante aquilo que está estabelecido como reto e íntegro. Porém, Kardec nos asseverou: os espíritos farão cair, através da universalidade dos ensinos, tudo que afaste a Doutrina de seu verdadeiro caminho. Caminho da verdade. Caminho da fé raciocinada. Caminho da ciência, da filosofia e da religião que cercam nosso viver.

(...) Resulta de tudo isto uma verdade capital: é que quem desejasse atravessar-se na corrente de idéias estabelecida e sancionada, poderia provocar uma pequena perturbação local e momentânea, mas jamais dominar o conjunto, mesmo no presente, quanto menos no futuro. (...)

Eis aí o grande ponto a temer: a desordem; ainda que passageira pode se estabelecer e quem sabe, de certa maneira, criar um retrocesso para a caminhada de libertação a que a Doutrina Espírita se propõe. Porém, esse abalo seria momentâneo e, hoje ou amanhã, não dominaria e nem dominará o conjunto doutrinário.

Poderíamos também pensar naqueles que, envolvidos por esta ‘chamada pequena perturbação’, se vissem iludidos perante à vida ou à própria doutrina, mas precisamos compreender a necessidade evolutiva e de caminhar de cada um. Quantos e quantos, falando aqui independentemente do exemplo espiritismo, já abandonaram seus ideais ou convicções porque se decepcionaram com seus líderes ou com seus referenciais? O erro não estava nos líderes, naquilo que seguiam ou em qualquer outra coisa, mas tão somente nos seus referenciais. Se vemos alguém pregar humildade e caridade, para logo em seguida vermos essa mesma pessoa ignorar o próximo, como podemos acreditá-lo como ícone daquilo que diz ou prega?

Podemos sim, dentro de muito discernimento e lucidez, acreditar naquilo que a criatura prega, mas não necessariamente na criatura. Podemos avaliar que a pessoa até acredita e crê naquilo que fala, mas ainda não consegue vivenciar ou praticar. Isso não deve desmerecer ou tirar a credibilidade da idéia em si, mas única e tão somente da criatura que a alardeia. Fé e humildade movem montanhas: deixe comigo teus bens e acredite que Deus não vai te desamparar. Ou creia que Ele te espera no reino prometido, afinal, Jesus disse que aquele que abandonasse todos os seus pertences, estaria apto a segui-lo rumo ao Pai.

Mas espera lá, gente... o que realmente nos pertence? Nossos bens ou nossas atitudes? O que realmente nos pertence, aquilo que pregamos ou aquilo que vivenciamos? Eis a porta que a doutrina espírita, assim como o Mestre Jesus nos ofertaram: lança mão de tudo aquilo que te pertence: ‘de nocivo, de pérfido, de imperfeito’ e estarás apto a me seguir, pois terás encontrado a renovação interior, aquela que verdadeiramente te pertence.

Exposto por Fiorell@ em 16-12-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - X

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Nosso último comentário foi acerca da perturbação momentânea que os ensinamentos que atravessarem a corrente verdadeira da doutrina espírita podem proporcionar. A 'insustentabilidade' destes atropelos seria a causa de seu próprio desmentir, mas até que isso ocorra, algumas coisas serão danificadas e sofrerão abalos, embora se restabeleçam em tempo oportuno. Outro aspecto destas inverdades inseridas dentro do contexto doutrinário seria o que Kardec relata a seguir:

(...) E resulta mais, que as instruções dadas pelos Espíritos, sobre os pontos da doutrina ainda não esclarecidos, não teriam força de lei, enquanto permanecessem isolados, só devendo, por conseguinte, ser aceitas sob todas as reservas, a título de informações. Daí a necessidade da maior prudência na sua publicação, e no caso de julgar-se que devem ser publicadas, só devem ser apresentadas como opiniões individuais, mais ou menos prováveis, mas tendo, em todo o caso, necessidade de confirmação. È esta confirmação que se deve esperar, antes de apresentar um princípio como verdade absoluta, se não se quiser ser acusado de leviandade ou de credulidade irrefletida.(...)

Eis o ponto que sempre gera conflito e, talvez até desentendimento, dentro das perspectivas doutrinárias. Narrar fatos que vimos, narrar acontecimentos que interpretamos, colocar em ênfase aspectos motivacionais ou morais, comporta muito da nossa verdade ou realidade individuais. Nossas verdades nem sempre estão em consonância com as verdades doutrinárias, mas podem ser aceitas como pontos de vista isolados ou, até mesmo, como verdades de fulano.

Porém, a partir do momento em que associamos estas verdades à doutrina espírita e damos-lhe um cunho de revelação, renovação ou até mesmo de evolução, eis que temos de andar acompanhados, pois seremos apenas fatos isolados sem comprovação e sem respaldo doutrinário. Poderão ser aceitas com reservas, como já vimos diversas vezes Chico, Divaldo e até mesmo Kardec fazendo, mas precisarão do tempo para serem reconhecidas como verdade absoluta. Vejam só:

(...) Os Espíritos Superiores procedem, nas suas revelações, com extrema prudência. Só abordam as grandes questões da doutrina de maneira gradual, á medida que a inteligência se torna apta a compreender as verdades de uma ordem mais elevada, e que as circunstâncias são propícias para a emissão de uma idéia nova. Eis porque, desde o começo, eles não disseram tudo, e nem o disseram até agora, não cedendo jamais á impaciência de pessoas muito apressadas, que desejam colher os frutos antes de amadurecerem. Seria, pois, inútil, querer antecipar o tempo marcado pela Providência para cada coisa porque então os Espíritos verdadeiramente sérios recusam-se positivamente a ajudar. Os Espíritos levianos, porém, pouco se incomodando com a verdade, a tudo respondem. É por essa razão que, sobre todas as questões prematuras, há sempre respostas contraditórias. (...)

Estas palavras de kardec podem nos servir como um referencial. Existem inúmeras dúvidas, variados questionamentos, perguntas mil. Cada um de nós, dentro da nossa sede de saber e conhecer, possuímos necessidade de encontrar respostas e, no afã de assim nos vermos atendidos, nos colocamos a questionar Deus e o mundo. Não obtemos respostas conclusivas, nos confundimos e estamos passivos de tomar decisões ou retirar ensinamentos que não condizem com a verdade ou a necessidade do momento. São questionamentos prematuros e que não nos acrescentarão.

Você chega lá numa sessão de regressão e pergunta: quem fui eu na vida passada? Se o trem não é sério e está envolto por misticismo e espíritos descompromissados, eis que você tem a resposta que, inclusive, pode ou não ser verdadeira: você foi marido da sua filha, matou ela por ciúmes, assim como a seu filho que foi amante dela. Será que temos estrutura para caminhar com esta informação? Veremos nossos filhos com novos olhos? Já teremos alcançado o desprendimento necessário para não sairmos surrando o moleque ou nos envolvendo sexualmente com a menina?

Tudo vem ao seu devido tempo. Sem querer, podemos até sonhar com fatos que se nos apresentam tão concretos que não deixam dúvida de ser a realidade. Mas estes fatos nos chegaram espontaneamente e não foram por nós cavados. O mesmo ocorre com as pessoas que vão a casas espíritas apenas para receber comunicações daqueles que já se foram. Será que uma mãe que foi amorosa e protetora terá estrutura para saber, por exemplo, que seu filho ainda vaga com sensações da morte ou, até mesmo, sentindo-se carcomido em algum túmulo da vida? Ou ela só está indo lá para saber que ele está bem? Mas gente, e se ele não estiver?

O mesmo ocorre com as respostas que buscamos, sejam elas pessoais ou acerca do universo e da criação. Então vocês vão me dizer: “Fiorella, então não devo questionar nada e apenas aceitar tudo como é?” Gente, existe uma diferença muito grande em querer dar um salto maior do que nossa perna e querer saber o caminho certo a seguir. Existe muita diferença em apenas questionar para saciar a sede de conhecimentos e questionar para acrescentar a estudos ou o que seja lá que nos motive.

Certo é que, se a resposta encontrar ressonância e respaldo em mais lugares, ela será verdadeira. Se a resposta for unânime estará mais próxima da verdade. A busca fará parte de nosso crescimento, assim como poderá fazer parte das novas revelações doutrinárias, mas volto a questionar: será que já teremos apreendido tudo o que as revelações atuais nos trazem? Apreender não é decorar ou saber explanar, mas sim vivenciar.

Que faremos com o novo ou as novidades, se nem sabemos de onde elas nascem ou vieram. Queremos saber sobre Marte, mas sequer conhecemos todas as características e possibilidades da Terra. Saibamos mais sobre Marte sim, mas primeiramente, nos questionemos: que farei com estes conhecimentos? A que me levará? Por que não posso fazer o mesmo com a Terra? Sede de inovação, sede de descobertas? Quando trazemos estas perguntas para a Doutrina Espírita, podemos perceber que ainda temos muito a aprender sobre ela. Estes dias li um artigo direcionado a psicólogos cristãos e ele dizia que mesmo que passemos toda uma vida estudando apenas um assunto, não vamos esgotá-lo. E eu digo: será que estudar e praticar são o mesmo? Se não esgotamos o conhecimento, quem dirá a prática. Queremos saber tanto para quê? Ostentar? Percebam o seguinte:

(...) Os princípios acima não são o resultado de uma teoria pessoal, mas a forçosa conseqüência das condições em que os Espíritos se manifestam. È evidente que, se um Espírito diz uma coisa num lugar, enquanto milhões dizem o contrário por toda parte, a presunção de verdade não pode estar com aquele que ficou só, e nem se aproximar da sua opinião, pois pretender que um só tenha razão, contra todos, seria tão ilógico de parte de um Espírito como de parte dos homens. Os Espíritos verdadeiramente sábios, quando não se sentem suficientemente esclarecidos sobre uma questão, não a resolvem jamais de maneira absoluta. Declaram tratar do assunto de acordo com a sua opinião pessoal, e aconselham esperar-se a confirmação. (...)

Aqui esbarramos com uma situação a mais: além da postura dos Espíritos comunicantes, temos também a postura dos médiuns. Se médiuns arrogantes, donos da verdade, presunçosos e vaidosos, que podemos esperar deles? Animismo ou opinião própria ou, ainda, má influenciação? Eu não posso falar em nome da doutrina espírita. Posso falar em nome daquilo que os meus estudos tem me mostrado e das conclusões que cheguei, mas ainda assim, como mensurar essa proporção estudada, apreendida e entendida? Pela quantidade de livros que leio na semana? Pelos assuntos que sei discorrer?

Conheci uma mulher inteligentíssima. Falava 8 idiomas e ainda era desenvolta em todos os assuntos. Deixava homens e mulheres de queixo caído diante do seu conhecimento de variados temas, desde química até astrofísica e, no entanto, ela morreu vitimada de cirrose em decorrência do excesso de bebida. Será que ela fez uso de tudo aquilo que sabia falar? Será que ela sabia falar sobre tudo aquilo ou era influenciada, desde espíritos levianos até pelo teor alcoólico, a versar sobre todos os assuntos? Poderíamos medir sua inteligência facilmente, assim como pudemos medir suas dificuldades em lidar com a própria existência, onde todo o saber não lhe acrescentou respostas ou soluções.

(...) Por maior, mais bela e justa que seja uma idéia, é impossível que reúna, desde o princípio, todas as opiniões. Os conflitos de que dela resultam são a conseqüência inevitável do movimento que se processa, e são mesmo necessários, para melhor fazer ressaltar a verdade, È também útil que eles surjam no começo, para que as idéias falsas sejam mais rapidamente desgastadas. Os espíritas que revelam alguns temores devem ficar tranqüilos. Todas as pretensões isoladas cairão, pela força mesma das coisas, diante do grande e poderoso critério do controle universal. (...)

Fico pensando naquelas pessoas que possuem vidência e até mesmo premonição. Já imaginaram que peso enorme carregam consigo? Saber de coisas que podem ou não se concretizar, saber de fatos que podem ou não ter sido reais e que, no entanto, estão ali sendo mostrados de forma espontânea, sem mesmo que elas queiram saber? E a hora que gostar disso e começar a buscar respostas para coisas que não deve quem poderá nos dizer que estará envolta por espíritos sérios ou levianos? Mediunidade é um trem assaz invejado, admirado e até cobiçado, mas será que temos plena noção das responsabilidades que decorrem dela?

Tudo virá com o tempo, mas até o tempo se escoar, eis que ele precisa ser vivido e, viver um tempo temeroso, nem sempre nos dá a estrutura necessária para seguirmos avante. Confiaremos em Deus ou aguardaremos catástrofes? Faremos a parte que nos cabe ou deixaremos cair do céu? Falar nisso, eis que estamos às portas de mais uma virada de ano.

Exposto por Fiorell@ em 30-12-09

 

 

 

Autoridade da Doutrina Espírita - Final

“Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo: e derrubou as mesas do banqueiros e as cadeiras dos que vendiam pombas.(...) E Ele os ensinava dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões" Matheus 21:12.

Quanto temos visto e apreendido nestes últimos encontros acerca da unicidade dos ensinamentos dos espíritos, do aceitar não o que apenas um só espírito nos oferta e de como buscar desenvolver nossa sensibilidade para o que está correto ou não. Conversando com uma amiga ela me disse a seguinte frase: “quem está com os porcos come farelo” e isso me fez parar para pensar.

O que podemos esperar de pessoas que alardeiam determinadas coisas, mas se postam em companhia de situações opostas? Não falamos aqui do servidor ou do trabalhador que ‘se desloca’ até determinada região ou até determinada necessidade, mas falamos daqueles que comungam do dia-a-dia com o desequilíbrio, a perversão e até mesmo o parasitarismo.

Dia destes, uma amiga me disse: “Ela está junto a ele na tentativa de resgatá-lo, de promover a sua melhoria e de quitar algum débito do passado. A união é pura e simplesmente com o intuito de auxiliá-lo a refazer-se perante a vida”. Lindo, não gente? Aliás, foi meu ideal de vida por um bom tempo: eu achava que poderia salvar o mundo! Ledo engano meu e de muitas outras pessoas.

Recordo-me de uma mulher que, por várias vezes, foi retirar seu marido da sarjeta, como ela mesma dizia. E eu não entendia como ela poderia se manter junto àquele irmão. Ela me dizia: sou a sustentação dele, se eu abandoná-lo ele acaba de se matar. Realmente, ele não se matou de uma vez, mas aos poucos, pois não abandonou a bebida. E quando ele morreu eu pensei: “Ela vai recobrar o brilho e a vida’. Recobrou nada. Se afundou em ira, em lamúrias, em fel e tantas outras posturas de quem não aceita e nem confia em Deus. Ela dizia: ‘por que me tiraram meu companheiro?’.

Três coisas aparentemente distantes, mas que estão entrelaçadas: os estudos acerca da autoridade da doutrina espírita, as relações cotidianas e nossas crenças pessoais. Enquanto qualquer um destes pontos não estiver claro em nosso ser, não teremos o equilíbrio necessário para lidar com as mais variadas situações. Ah, Fiorella, quanto exagero. Não é não, gente!

Temos visto a necessidade que o homem sábio tem de se aconselhar com outros homens e até mesmo com a espiritualidade. Entendam que sábio não é aquele mestre sufi ou oriental que diz verdades encobertas ou discretas. Sábio é todo aquele que aprende com os próprios erros e retira da experiência alheia referenciais para os seus caminhos. Irá este homem, um sábio, buscar orientação e conselhos em uma casa desarmonizada? Irá este homem, um sábio, aconselhar-se com ladrões (entendam que ladrão não é apenas que rouba coisas materiais)? Irá este homem se aconselhar junto a vendilhões do templo? Lembram-se da passagem em que Jesus disse que a casa de seu Pai não era lugar para o comércio e toda sorte de bugigangas que estavam sendo praticadas lá? De certo que não. Este homem saberá procurar a fonte para seus conselhos.

No que diz respeito à casa espírita desarmonizada, se está desarmonizada, seus dirigentes não deveriam frear as atividades e promover a harmonização para depois quererem ofertar algo ao próximo? Ou ficarão os dirigentes lutando solitários contra um mar de situações? Ou serão os dirigentes os desequilibrados? Pior do que paralisar temporariamente uma atividade é mantê-la a custa de desequilíbrio, de desarmonia e até mesmo de disparates entre crenças e comportamentos.

Analisar a autoridade da qual é revestida a Doutrina Espírita e compreendê-la é também ter subsídios para analisar a autoridade da casa espírita que freqüentamos e os seus dirigentes. E lá vem a frase de minha amiga: quem com os porcos está, farelo come. Junto a ela vem nossa crença diária: vou salvar o mundo ou vou me salvar?

Sabemos que aquele que se perde de si é o que se salva. Ah, perder-me de mim é carregar todas as dores do mundo nas costas. Não! De jeito nenhum!! Perder-se de si é perder-se de seu egoísmo de sua prepotência, de seu orgulho e de seus inumeráveis defeitos. E isso não é um martírio! Vejam um exemplo sem grandes proveitos: Minha proposta de refazimento será a seguinte: ”Vou me perder do meu vício do sexo em um antro da perdição. Serei forte, resistirei às tentações e não sucumbirei. Até ter uma estafa física e mental, até cair em prostração ante toda a negatividade e energias ruins que são recolhidas nestes lugares. Ou entrarei na castidade, aquela mesma apregoada pelas religiões que tomaram o cristianismo para si e tão bem desenhado por Herculano Pires diante dos inúmeros vampiros espirituais que a castidade imposta pode gerar.” Lembrei de uma criatura que quando era flagrado vendo imagens sensuais ou de mulheres nuas, dizia que estava vibrando pelo reequilíbrio daquelas criaturas ante a venda do corpo. (?!).

Lemos acerca dos amigos espirituais que trabalham junto á crosta terrestre e dos ‘vivos’ que são chamados a contribuir nestes trabalhos. Os trabalhadores do plano espiritual passam por uma série de aprendizados, treinamentos e até mesmo renúncias em seu próprio ser. Os trabalhadores terrenos também. E tudo tem um limite. Tenhamos mais cuidado com as criaturas que estão à nossa volta exercendo influência sobre nós. Estamos na carne para vivenciarmos com equilíbrio as necessidades que o corpo físico nos impõe. Não nos adianta aprender a levitar, se ainda não aprendemos a purificar nosso pensamento. Bom, esta era uma 'pequena' introdução, para trazer-lhes os comentários finais de Kardec, acerca da autoridade da Doutrina Espírita:

(...) Não será pela opinião de um homem que se produzirá a união, mas pela unanimidade da voz dos Espíritos. Não será um homem, e muito menos nós que qualquer outro que fundará a ortodoxia espírita. Nem será tampouco um Espírito, vindo impor-se a quem quer que seja. È a universalidade dos Espíritos, comunicando-se sobre toda a Terra, por ordem de Deus. Este é o caráter essencial da doutrina espírita, nisto está a sua força e a sua autoridade. Deus quis que a sua lei fosse assentada sobre uma base inabalável, e foi por isso que não a fez repousar sobre a cabeça frágil de um só. (...)

Comecemos a ver com outros olhos o que a palavra ortodoxia sugere. Ela diz sobre uma doutrina declarada verdadeira. Não diz de pessoas de mente fechada, não diz de pessoas presas a conceitos ultrapassados e nem de crenças imutáveis. E é isso que Kardec diz: não será ele ou uma meia dúzia de espíritos que levará avante as bases sólidas daquilo que Deus quis que fosse conhecido como parte de suas leis. Será a união nos ideais e nos propósitos de perseverar nestas bases já plantadas que nos facultará a permanência ou não dentro da verdade divina. Bases plantadas e trazidas por espíritos diversos e não apenas uma única criatura.

(...) É diante desse poderoso areópago, que nem conhece o conluio, nem as rivalidades ciumentas, nem o sectarismo, nem as divisões nacionais, que virão quebrar-se todas as oposições, todas as ambições, todas as pretensões à supremacia individual, que nos quebraríamos nós mesmos, se quiséssemos substituir esses decretos soberanos por nossas próprias idéias. (...)

Este areópago é como um plenário imaginário, que não cede às necessidades e caprichos pessoais, que não se deixa envolver em tramas ou pactos obscuros. É ele quem dá o respaldo necessário e que assistirá ao desmanchar-se de todos aqueles que se postam em sentido contrário ao coletivo e divino. Nós, vocês, eu e quem mais quer que seja, também haverá de se desmanchar ou desfazer se seguir contra a maré da verdade e da justiça. Não a nossa verdade e nem a nossa justiça, mas aquelas que advém de Deus. Não vingança ou punição, apenas consequência natural do que não se mantém por falta de vida própria. A planta que perece sem água e o solo que não produz sem alimento, são o espelho destas oposições.

(...) Será ele somente que resolverá todas as questões litigiosas, que fará calar as dissidências e dará falta ou razão a quem de direito. Diante desse grandioso acordo de todas as vozes do céu, que pode a opinião de um homem ou de um Espírito? Menos que uma gota d’água que se perde no oceano, menos que a voz de uma criança abafada pela tempestade.(...)

É este plenário imaginário quem detém o poder e a possibilidade de resolver todas as questões, que poderá unificar as diretrizes e será realmente justo diante dos atos e atitudes de cada um. Que poderá um único homem ou espírito diante desta fortaleza divina? Terá fôlego e talvez encontre companheiros que pactuem destas idéias e destas diretrizes, mas terão vida curta, porquanto não poderão sustentar indefinidamente as inverdades que praticam. Podem até sorrir e alardear felicidade ante os caminhos que seguiram, mas haverão de perceber sua escolha pela porta larga.

(...) A opinião universal, eis portanto o juiz supremo, aquele que pronuncia em última instância. Ela se forma de todas as opiniões individuais. Se uma delas é verdadeira, tem na balança o seu peso relativo; se uma é falsa, não pode sobrepujar as outras. Nesse imenso concurso, as individualidades desaparecem, e eis aí um novo revés para o orgulho humano. (...)

Gente, vejam que pontual esse trem! Muitos dizem que se entenderão com Deus, que Ele está no comando de tudo, que somente a Ele cabe determinadas circunstâncias ou questionamentos. Porém, se trouxermos para o dia-a-dia essa observação, veremos que muitas pessoas já ‘cantaram determinada bola’ e nós fizemos ouvidos moucos. Veremos que já fomos alertados por diversas vezes dos rumos e caminhos que algumas coisas devem e podem tomar, mas nós insistimos em manter a tal da individualidade, que nada mais é do que o orgulho e a prepotência. Mas isso também haverá de se findar. Com mais ou menos dor, cabe a cada um de nós optar.

(...) Esse conjunto harmonioso já se esboça; portanto, este século não passará antes que ele brilhe em todo o seu esplendor, de maneira a resolver todas as incertezas; porque daqui para diante vozes poderosas terão recebido a missão de se fazerem ouvir, para reunir os homens sob a mesma bandeira, uma vez que o campo esteja suficientemente preparado. Enquanto isso, aquele que flutuar entre dois sistemas opostos poderá observar em que sentido se forma a opinião geral: é o indício seguro do sentido em que se pronuncia a maioria dos Espíritos, dos diversos pontos sobre os quais se comunicam; é um sinal não menos seguro de qual dos dois sistemas predominará. (...)

Vozes poderosas terão recebido a missão. Não puxaram para si a missão. Fazem parte do conjunto, fazem parte dos escolhidos, estão em harmonia com os demais também incumbidos de lhes secundarem. Os homens se reunirão sob uma mesma bandeira, mas desde que o campo esteja suficientemente preparado. Isso nos faz observar que homens haverão de se reunir sob uma mesma bandeira, mas se o campo não estiver suficientemente preparado, não será a bandeira definitiva ou a bandeira da verdade.

E é justamente o que nos diz o comentário a seguir em que nos alerta de que enquanto isso as bases se formarão, mostrando-nos o caminho seguro a ser seguido. Nossas bases doutrinárias estão firmes e sólidas. Agora, as bases do movimento espírita não está. São os homens juntando-se sob diversas bandeiras, proporcionais ao tanto que o campo de aprendizado de cada um já está preparado. Proporcional ao campo de empenho individual que cada um já está apto a ofertar.

Não creiam que encontraremos em nosso plano terreno a unificação do que quer que seja. Se não for EUA contra Rússia, será China contra Irã, Inglaterra contra Argentina e isso permanecerá conquanto este é o local onde estamos nos aprimorando e evoluindo. Existem mundos inferiores ao nosso, onde nem metade daquilo que já alcançamos foi alcançado por eles. Quem éramos nós séculos atrás? Qual a meta que buscamos? O éramos é cabível em nossos dias atuais? O que almejamos pode se adequar ao nosso mundo atual? Eu, particularmente, pelo que tenho lido e estudado, creio que nem um e nem outro.

Podemos tirar o máximo de algumas coisas e situações aqui, mas elas nunca serão totais e unificadas. Não é assim em nenhum outro lugar, haja vista as comunicações que cansamos de ver de entidades que já estão em planos mais elevados e voltam a planos inferiores para socorrerem, resgatarem ou intercederem favoravelmente junto àqueles que lhes são caros. Isso não é desestimulante e nem me serve como motivo para viver o 'oba-oba' e jogar tudo para o alto, pelo contrário, mostra-me que o Mestre já o disse tempos atrás: “Que te importa a Ti? Segue-me Tu”.

Exposto por Fiorell@ em 06-01-10

 

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Atualizado em: 06-01-2010
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