Sob a Otica Espirita Sob a Ótica Espírita   

Doar sangue, fazer o cadastramento para doação de medula Óssea e destinar os órgãos ao próximo, após nossa morte, são gestos de caridade. Confira mais informações em nosso Site Doar de Si nos links abaixo.

 

"O verdadeiro Espírita não é o que crê nas manifestações,

mas aquele que faz bom proveito do ensinamento dado pelos Espíritos.

Nada adianta acreditar se a crença não faz com que se dê um passo

adiante no caminho do progresso e que não o faça melhor para com o próximo."

(Allan Kardec)

 

 

Centro Espírita

 

 

 

Função e Significação
 

O Centro Espírita não é tempo nem laboratório – é, para usarmos a expressão espírita de Victor Hugo: point d’opotique do movimento doutrinatório, ou seja, o seu ponto visual de convergência. Podemos figurá-lo como um espelho côncavo em que todas as atividades doutrinárias se refletem se unem, projetando-se conjugadas no plano social geral, espírita e não espírita. Por isso mesmo a sua importância, como síntese natural da dialética espírita, é fundamental para o desenvolvimento seguro da Doutrina e suas práticas. Kardec avaliou a sua importância significativa no plano da divulgação e da orientação dos Grupos, explicando ser preferível a existência de vários Centros pequenos e modestos numa cidade ou num bairro, à existência de um único Centro grande e suntuoso.

 

Um Centro Espírita pequeno e modesto – como na maioria o são – atrai as pessoas realmente interessadas no conhecimento doutrinatório, cria um ambiente de fraternidade ativa em que as discriminações sociais e culturais desaparecem no entrelaçamento de todos os seus componentes, considerados como colaboradores necessários de uma obra única e concreta. O ideal é o Centro funcionamento. O ideal é o Centro funcionar em sede própria, para maior e mais livre desenvolvimento de seus trabalhos, mas enquanto isso não for possível, pode funcionar com eficiência numa sala cedida ou alugada, numa garagem vazia ou mesmo numa dependência de casa familiar. As objeções contra isso só podem valer quando se trate de casas em que existam motivos impeditivos materiais ou morais.

 

Muitos Centros Espíritas surgiram do desenvolvimento de grupos familiais, desligando-se mais tarde da residência em que formara. A alegação de que a casa fica infestada ou coisas semelhantes é contraditada pela experiência. Um trabalho de amor ao próximo, feito com sinceridade e intenções elevadas, conta com a proteção dos Espíritos benevolentes e a própria defesa de suas boas intenções.. Os Centros oriundos de grupos familiares mostram-se mais coesos e mais abertos conservando e seiva fraterna de sua origem. É esse o clima de que necessitam os trabalhos doutrinários.

 

Organizado o Centro, com uma denominação simples e afetiva, com o nome de um Espírito amigo ou de uma figura espírita abnegada, de pessoa já desencarnada, preparados, aprovados em assembleia geral e registrados os parados, aprovados em assembleia geral e registrados os estatutos, sua função e significação estão definidas como estudo e prática da Doutrina, divulgação e orientação dos interessados, serviço assistencial aos espíritos sofredores e às pessoas perturbadas, sempre segundo a Codificação de Allan Kardec. Sem Kardec não há Espiritismo, há apenas mediunismo desorientado, formas do sincretismo religioso afro-brasileiro, confusões determinadas por teorias pessoais de pretensos mestres.

 

Dirigentes, auxiliares e frequentadores de um Centro Espírita bem organizado sabem que a obra de Kardec é um monumento científico, filosófico e religioso de estrutura dinâmica, não estática, mas cujo desenvolvimento exige estudos e pesquisas do maior rigor metodológico, realizadas com humanidade, bom-senso, respeito à Doutrina e condições culturais superiores. Opiniões pessoais, palpites de pessoas pretensiosas, livros mediúnicos ou não de conteúdo mistificador, cheios de absurdos ridículos - seja o autor quem for – não têm nenhum valor para um verdadeiro Centro Espírita.

 

Cada Centro Espírita tem os seus protetores e guias espirituais que comprovam a sua autenticidade pelos serviços prestados, pelas manifestações oportunas e cautelosas, pela dedicação aos princípios kardecianos. A autoridade moral e cultural dos dirigentes e dos espíritos protetores e guias de médiuns e trabalhos decorre da integração dos mesmos na orientação de Kardec. O Centro que se esquece disso cai fatalmente em situações negativas, adotando práticas antiespíritas e enveredando pelo caminho da traição a Kardec e ao Espírito da verdade. As consequências dessa falência são altamente prejudiciais todo movimento espírita. Não se trata de nenhum problema sobrenatural, mas simplesmente de falta de vigilância – principalmente contra o orgulho e a vaidade, que levam muitas pessoas e querem parecer mais do que outras. Isso acontece também em todos os campos da atividade humana, nos quais encontramos cientistas pretensiosos e sistemáticos, negociantes fraudulentos, médicos apegados às suas ideias próprias. A pretensão humana não tem limites e cada indivíduo pretensioso está sempre assessorado por entidades mistificadoras.

 

A Ciência Espírita é um organismo vivo, de natureza conceptual, estruturada em leis psicológicas, ou seja, em princípios espirituais e racionais. Essa estrutura é íntegra, perfeita, harmoniosa, e não podemos violentar um só dos seus princípios sem pôr em perigo imediato todo o seu sistema. No Centro Espírita em que essa compreensão da doutrina não se desenvolve, na verdade não existe Espiritismo, mas apenas um vago desejo de atingi-lo. As raízes dessa estrutura conceptual estão no Cristianismo, não em seu aspecto formal igrejeiro, mas em sua existência evangélica, definida da Codificação Kardeciana. Os evangelhos canônicos das Igrejas Cristãs estão carregados de elementos da Era Mitológica e superstições judaicas. São esses elementos do passado pagão judeu que deformaram o ensino puro de Jesus, permitindo interpretações flagrantemente contrárias ao que Jesus ensinou e exemplificou . No livro “ O Evangelho Segundo o Espiritismo “ e no livro “A Gênese “Kardec mostrou como podemos restabelecer a pureza das raízes evangélicas, usando a pesquisa histórica das origens cristãs, o método analítico–positivo de estudo histórico e o método lógico comparativo dos textos . Sem a pureza das raízes não teremos a pureza dos textos e cairemos facilmente nas trapaças ou nas ilusões dos mistificadores encarnados e desencarnados.

 

Nas primeiras comunidades cristãs, onde o culto pneumático era praticado, manifestavam-se espíritos furiosos, defensores de suas crenças antigas, que injuriavam o Cristo e seus adeptos. A expressão culto pneumático vem do grego, pois pneuma quer dizer espírito. O culto constituía a parte prática do ensino espírita de Jesus. Na I Epístola aos Coríntios o Apóstolo Paulo dá instruções à comunidade de Corinto sobre a realização desse culto, ensinando até mesmo como os médiuns ( então chamados profetas ) deviam se comportar na reunião. Os Espíritos se manifestavam pelos médiuns e eram doutrinados pelos participantes do culto. Esse trecho expressivo encontra-se no tópico da epístola que trata dos Dons Espirituais. Não obstante, as Igrejas Cristãs deram interpretações inadequada e absurda a esse trecho, como fizeram com todos os trechos do Evangelho em que Jesus se refere à reencarnação Incapazes de doutrinar os espíritos mistificadores ou agressivos, que atacavam Jesus e sua missão, os que se ligaram ao Império Romano suprimiram o culto pneumáticos, alegando que as entidades que neles se manifestavam eram diabólicas.

 

Essa a razão porque Igrejas Cristãs repelem até hoje o Espiritismo como prática diabólica, rejeitando as manifestações espíritas.

 

Num Centro Espírita bem organizado esses problemas são estudados e ensinados, para que as pessoas interessadas no ensino real do Cristo possam compreender o sentido do Espiritismo. Sem isso, o Centro Espírita deixa de cumprir a sua missão na grande obra de restauração do Cristianismo em espírito e verdade. O que o Espiritismo busca é a verdade cristã, cumprindo na Terra a promessa de Jesus, que através de Kardec e seu guia Espiritual, o Espírito Superior que deu a Kardec , quando este lhe perguntou quem era, esta resposta simples: “ Para você, eu sou A Verdade “. O Centro Espírita significa, assim, uma fortaleza espiritual da grande batalha para o restabelecimento da verdade cristã na Terra. Mas tudo isso deve ser encarado de maneira racional e não mística, no Centro Espírita. Ninguém está ali investido de prerrogativas divinas, mas apenas de obrigações humanas.

 

José Herculano Pires

Livro: O Centro Espírita

 

 Ação dos Obsessores Contra os Grupos Espíritas
 

       “(...) Os ocasionadores de perturbações não se encontram somente no meio delas (das Sociedades e das reuniões), mas também no mundo invisível. Assim como há Espíritos pro­tetores das associações, das cidades e dos povos, Espíritos malfeitores se ligam aos grupos, do mesmo modo que aos Indivíduos. Ligam-se, primeiramente, aos mais fracos, aos mais acessíveis, procurando fazê-los seus Instrumentos e gradativamente vão envolvendo os conjuntos, por isso que tanto mais prazer maligno experimentam, quanto maior é o número dos que lhes caem sob o jugo.”

        (O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 340.)

 Interessados em prosseguir usufruindo dos vícios e do que consideram prazeres, grande multidão de Espíritos tudo faz para impedir qualquer esforço que vise libertar o ser humano da inferioridade.

Através dos encarnados, têm esses Espíritos possibilidades de sustentar o intercâmbio de energias desequilibrastes. Por isso, lutam por manter as posições conquistadas junto aos homens, como também se empenham em impedir-lhes a renovação para o bem.

Sob esse aspecto, toda e qualquer atividade nobre que tenha por escopo livrar as criaturas humanas do jugo das paixões inferiores será objeto de suas investidas, a fim de obstar-lhe o desenvolvimento. Natural, pois, que os Grupos Espíritas que lidam diretamente com esses irmãos desencarnados sejam alvo de seu assédio, que se mostra especialmente intenso.

Todos nós, lidadores da desobsessão, não ignoramos que somos vigiados atentamente pelos obsessores. Ao nos ligar a algum caso de obsessão, automaticamente passamos a receber as vibrações negativas dos perseguidores invisíveis, que estão atuando na área sob nosso interesse. Somos assim espreitados, analisados, acompanhados. Meticulosamente examinados, eles avaliam a nossa posição espiritual, a sinceridade dos nossos propósitos, a perseverança no bem, o esforço que estamos despendendo para melhorar e, é claro, as brechas que apresentamos. Nossas falhas e deficiências são observadas e aproveitadas por eles. Têm mesmo a intenção declarada de nos tirar do caminho, empregando, para atingir tal intento, todas as armas de que dispõem.

Se estivermos invigilantes, descuidados, ofereceremos campo às mentes desequilibradas que se acercarão de nós e, encontrando desguarnecidas as nossas defesas, terão possibilidades concretas de conseguir o nosso afastamento e de se regozijarem com a nossa queda.

Muitos são os meios usados pelos obsessores, quase todos eles bastante estudados, pois já sabemos que sua ação é organizada. Usam de várias técnicas, insuflando nos integrantes dos grupos as ideias que elaboram. Usam, por exemplo, a ideia do comodismo para afastar as pessoas das reuniões, gerando argumentos do tipo: “as reuniões são boas, mas hoje eu não vou porque trabalhei muito”; “eu já produzi muito nas reuniões, por isto faltar hoje não faz mal”; “eu sou muito assíduo, todo mundo falta, menos eu”; “estou cansado, vou orar em casa, faz o mesmo efeito”, etc.

Procuram disseminar a desconfiança entre os participantes, dando origem a pensamentos desta ordem: “será que falaram isto para mim?”; “acho que estão insatisfeitos comigo”; “acho que não confiam na minha mediunidade”, etc.

     São muitos, como é fácil de se imaginar, os recursos empregados, ressaltando-se também as manobras no sentido de aguçar o amor-próprio, o melindre, o personalismo, o apego aos pontos de vista pessoais, a vaidade e toda a coorte de deficiências que avassalam o ser humano.

A ação desses obsessores, logicamente, não fica circunscrita aos grupos mediúnicos. Ela se alastra à procura de terreno fértil e o que foi dito para as reuniões vale igualmente para todo o movimento espírita.

Essa a razão pela qual os Benfeitores Espirituais não se cansam de alertar-nos, reiterando a cada dia os apelos à nossa reforma íntima. A maioria de nós ainda somos bastante teóricos, sabendo de cor e salteado páginas, citações, livros, mas pouco conseguindo vivenciar os ensinamentos adquiridos.

Os perseguidores estão cientes disso. Sabem perfeitamente o quanto nos é difícil vencer as paixões que nos escravizam, sobretudo nas ocorrências do cotidiano. É através dessas pequenas brechas que tentam solapar as nossas disposições mais nobres.

E, quando sintonizados em faixas inferiores, envolvidos por essas vibrações, esbarramos com os problemas de que outros companheiros são portadores, deixamos que a nossa inferioridade contumaz assome, surgindo, em consequência, os atritos, as rixas, as divergências difíceis de serem contornadas.

Não estamos querendo dizer que não deva haver divergências. Estas são normais, o que desejamos frisar é que devemos vencer o apego aos pontos de vista e opiniões pessoais, os ciúmes e as idiossincrasias que perturbam o entendimento, a fraternidade, a união. E não tenhamos dúvidas: disso se aproveitam os obsessores para fomentar a cizânia.

É admirável, sob todos os aspectos, a presciência de Kardec a esse respeito. Profundo conhecedor da alma humana, legou-nos preciosas advertências às quais deveríamos estar atentos e, sobretudo, sempre predispostos a atendê-las. É do que trata o magistral capítulo 29 de “O Livro dos Médiuns” — que por si só é um repositório de ensinamentos tão oportunos e atualíssimos que se diria ter sido escrito nos dias de hoje.

Nossa preocupação, pois, deve ser a de sentir e viver os ensinos da Doutrina Espírita, e se alguma competição haja de entre nós existir “outra não deverá ser senão a de fazer cada um maior soma de bem”. (Ob. cit., item 349.)

Suely Caldas Shubert

Livro: Obsessão e Desobsessão

 

 Convivência no Centro Espírita
 

 No capítulo XV de O Evangelho segundo o Espiritismo, intitulado “Fora da caridade não há salvação”, itens 8 e 9, Allan Kardec analisa a questão de não haver salvação fora da Igreja ou fora da verdade.

 

Em momento algum o Codificador sugere ou insinua que fora do Espiritismo as criaturas humanas estariam fadadas a sofrer e a serem infelizes.

 

Na nota à questão 982 de O Livro dos Espíritos, ele afirma: “[...] O Espiritismo ensina o homem a suportar as provas com paciência e resignação; afasta-o dos atos que possam retardar-lhe a felicidade, mas ninguém diz que, sem ele, não possa ela ser conseguida”.

 

Admitir o Espiritismo como caminho único e exclusivo para a uma postura nitidamente fundamentalista e contrária à opinião dos Espíritos Superiores.

 

O teólogo Leonardo Boff1 afirma que o “fundamentalismo representa a atitude daquele que confere caráter absoluto ao seu ponto de vista”. E salienta: “[...] quem se sente portador de uma verdade absoluta não pode tolerar outra verdade, e seu destino é a intolerância”.

 

É preciso distinguir a visão que o Espiritismo nos dá e a aplicação que fazemos dos seus princípios em nossa vida prática. Foi por isso que o educador Pedro de Camargo (Vinícius),2 afirmou: “[...] A consciência religiosa importa em um modo de ser, e não em um modo de crer”.

Mas há momentos em que a nossa intolerância e incompreensão não se voltam apenas para os profitentes de outras religiões. Às vezes se apresentam nas nossas relações cotidianas, na intimidade dos centros espíritas que frequentamos.

 

Se um companheiro se afasta das  atividades que desenvolve num determinado Centro, julgamos, apressadamente, que possa estar sendo vítima de um problema obsessivo, ou que de alguma forma não se encontra no seu melhor juízo.

 

Nem sempre cogitamos das suas necessidades materiais na condução da sua família; não ponderamos sua idade ou o imperativo de estudar, a fim de poder realizar-se profissionalmente; muitas vezes não nos perguntamos sobre a sua saúde e a necessidade de tratamento médico, terreno e especializado, como, aliás, sempre fizeram médiuns como Chico Xavier. Não entendemos que o companheiro que trabalhou e reuniu recursos tem direito ao lazer, a tirar férias junto de sua família e que o repouso está consagrado nas leis civis e na lei divina do trabalho. Ignoramos ou esquecemos a atenção que os filhos pequenos reclamam e nem sempre cogitamos das insatisfações que alguém possa estar sentindo com a condução das atividades da instituição; afinal, estamos tão satisfeitos e concentrados no que fazemos que não percebemos que isso possa ocorrer com alguém.

 

O fato é que tendemos a avaliar o outro pelas nossas medidas. Se estamos tantos dias e tantas horas envolvidos com as atividades espíritas, por que o outro não se envolve com a mesma intensidade?

Esquecemos que cada um se encontra em determinado estágio evolutivo, com noção diferenciada de tempo perdido ou bem aproveitado.

 

Alguém que tenha sérios compromissos na área mediúnica, por exemplo, na medida em que não dá continuidade à educação das forças que vibram em si, tanto no Centro quanto fora dele, pode, naturalmente, desequilibrar-se, mas não como castigo da Espiritualidade ou punição divina. É natural que toda ferramenta não utilizada ou usada de forma indevida, sem manutenção, contraia ferrugem. E isso vale para qualquer situação na vida, inclusive para a relação que estabelecemos com nossos compromissos espirituais.

 

Quando Allan Kardec e a Espiritualidade enfatizam a necessidade do bem, estão dilatando o nosso conceito de salvação e felicidade, estão nos dizendo que a máxima não é fora do centro espírita não há salvação e sim, fora da caridade não há salvação.

 

Portanto, se um companheiro se afasta momentânea ou definitivamente de um Centro Espírita, isto não quer dizer que esteja se afastando da prática da caridade que poderá se dar em qualquer lugar. Precisamos atentar para os reais motivos que determinaram este afastamento, interessar-nos pelo encarnado como nos interessamos pelos desencarnados, entendendo o que se passa com ele, auxiliando-o naquilo que estiver precisando.

 

Ao mesmo tempo é válido nos questionarmos se somente os espíritas frequentadores de Centro possuem Espíritos protetores. E os que não são espíritas? Não possuem amigos espirituais auxiliando-os nas pesquisas, nas assembleias legislativas, no poder executivo, no magistério, na empresa onde atuam, nas atividades que realizam como autônomos, nas forças armadas, etc.?

Externar nossa atenção, carinho e preocupação com os amigos é atitude cristã. Sentir a falta e desejar a presença deles no ambiente onde atuamos é testemunhar o amor que nutrimos por eles. Porém, julgar e pressagiar terríveis males em função de seu afastamento é assumir uma posição radical com os próprios companheiros de ideal.

 

Não queremos, contudo, fazer apologia da deserção, nem incentivar ninguém a relaxar nos seus compromissos espirituais.Mas entendemos que esta relação precisa ser saudável, consciente, reflexiva e não baseada em temores ou caracterizada por um ativismo, onde a preocupação maior é realizar quantitativamente, produzir apenas.

 

A religiosidade que o Espiritismo nos propõe não é a do tipo devocional e contemplativo, mas relacional e operativa, isto é, melhorando nossas relações interpessoais, estamos crescendo de dentro para fora, dando de nós mesmos aos que nos cercam.

 

O Centro Espírita facilita-nos esse processo, na medida em que se constitui num campo propício para esse exercício de convivência fraterna. Nele estimulamos e somos estimulados, criamos laços de amizade verdadeira, temos um campo imenso de trabalho, mas ninguém afirma que fora dele alguém não possa se realizar,melhorar-se e contribuir para uma sociedade mais justa e feliz.

 

Estimulemos a participação dos companheiros, auxiliemo-nos uns aos outros, todavia, evitemos julgar, não apenas os que se afastam, mas também os que permanecem. O julgamento adequado compete a Deus e este, até onde compreendemos, é uma fonte perene de estímulos e não de censuras.

 

1BOFF, Leonardo. Fundamentalismo. Rio de Janeiro: Sextante, 2002. p. 25.

2CAMARGO, Pedro de (Vinícius). O mestre na educação. 8. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Cap. 12, p. 64.

 

Cézar Braga Said

Revista O Reformador/Nov.2006

 

 Centro Espírita e Afeto

“Findando-se o egoísmo no sentimento do interesse pessoal, bem difícil parece extirpá-lo inteiramente do coração humano. Chegar-se-á a consegui-lo”

         “A medida que os homens se instruem acerca das coisas espirituais, menos valor dão às coisas materiais. Depois, necessário é que se reformem as instituições humanas que o entretém e excitam. Isso depende da educação.”

         O Livro dos Espíritos — questão 914

  

O afeto, entendido como nutrição espiritual insubstituível e essencial, sempre será preventivo e profilático em todas as fases da vida. Entretanto, para o amadurecimento integral do ser, inicia-se uma etapa de vivência em que a vida exigirá maior soma de doação em contraposição às contínuas expectativas de ser amado.

O centro espírita, nesse ínterim, pode oportunizar a valorosa e preenchedora experiência do Amor auxiliando o homem na reeducação de suas tendências, no conhecimento de si, no exercício da solidariedade material e relacional e na supressão do personalismo, que permitirá o potencial afetivo dirigido a realizações nobres e gratificantes.

Caridade! O melhor exercício para a sensibilidade.

Atividades cooperativas e solidárias realizadas em ambiente de bem-estar moral e espiritual serão fortes estímulos à força “pulsional” do coração, muitas vezes aprisionada pelas traumáticas lições sócio-afetivas da presente existência, nas quais o autoritarismo e o medo foram os instrumentos pedagógicos limitantes, provocando relações artificiais sob a constrição das “tiranias do coração”, em larga escala adquiridas na infância.

         Na casa espírita devemos encontrar esse espaço para “ser”, já que a sociedade, em função do “ter”, vem bloqueando os valores pessoais e as potências da alma. Será que já imaginamos o centro espírita como uma “praça” de convivência ou um núcleo formador da família espiritual pelos vínculos do coração?

Precisamos dar encanto ao ambiente espírita, reinventar sua proficiência.

Reflitamos na fala do Espírito Verdade acima. “Preciso é reformar as instituições que entretêm o egoísmo”.

Grupos sadios não devem ser conduzidos como um ‘todo uniforme”, passivamente e regidos por diretrizes somente aprovadas pelos seus líderes, guardando semelhança com as envelhecidas estruturas religiosas.

A pedagogia do afeto é abertura para a riqueza dos sentidos individuais sem o personalismo dos desejos superiores, dos sonhos de crescimento moral, através dos quais o processo educativo será mais efetivo. A própria construção do saber espírita está fortemente vinculada às idiossincrasias, à diversidade interpretativa, com as quais enxergamos novos ângulos e exploramos com mais profundidade as temáticas de estudo.

Precisamos assumir para nós as responsabilidades da hora, e declarar com transparência e respeito quais são as emergências em nossas realizações espirituais.

É incoerente a realidade atual que envolve a casa doutrinária! Tanta profundidade filosófica em favor das carências humanas, verdadeiro celeiro de recursos para o “ser” integral e, no entanto, com uma estrutura deficiente no que tange a dar suporte e assessoria a seus componentes, quando o assunto é a vida interior e os esforços na luta autoeducativa.

Enquanto isso o trabalhador sofre dores psicológicas e emocionais sem revelar, ou sem essa chance de as revelar. Face a essa carência de respostas e horizontes, quando não se alcança o mínimo para prosseguir, penetra no desestímulo e o abandono dos ideais.

Além disso, frequentemente, busca-se enquadrar as dificuldades humanas nos domínios da obsessão e de anteriores existências, alimentando imaginações férteis em mentes menos maduras, gerando um fanatismo sutil e incentivador de atavismos, negando o presente e deslocando a realidade para o passado e a vida espiritual.

Para agravar ainda mais, em núcleos diversos, instala-se um sistema de vigília da conduta alheia premiando as cobranças e atiçando os melindres em quase completo descaso com as limitações e fragilidades alheias. Impera o egoísmo.

O resultado final de tudo isso é a perda dos frutos do Espiritismo no autoconhecimento, no fracasso dos relacionamentos nos grupos de atividade, a repressão da sombra interior e o quase estacionamento no crescimento pessoal.

Não vivamos de lamentações e labutemos para mudar esse panorama existente em expressiva parcela de nossa seara.

Como o centro espírita pode ajudar no fortalecimento de laços de amor entre seus integrantes? Como pode auxiliar na dilatação da sensibilidade?

Vejamos alguns pontos que desenvolveremos no transcorrer de Laços de Afeto que constituem indicadores de qualidade das equipes doutrinárias:

- Motivar o espírito de equipe.

- Valorizar a capacidade cooperativa de qualquer pessoa.

- Promover através da delegação, criando o policentrismo sistêmico.

- Investir na capacitação do trabalhador como pessoa e ser social.

- Ensejar realizações específicas para a revitalização do afeto no grupo.

Valorosa será a contribuição da casa doutrinária que facilitar a seus participantes a reflexão, a instrução e os relacionamentos responsáveis, auxiliando o homem atordoado e infeliz da atualidade a assumir um compromisso consciente com a melhora de si mesmo através da reeducação dos sentimentos. A proposta da transformação íntima encontra nesse quesito do coração o seu ponto essencial para as mudanças de profundidade, já que o motivo causador da atual condição espiritual desse homem atordoado deve-se, acima de tudo, aos desvios afetivos de outrora, que sedimentaram reações emocionais destoantes com o sentimento de Amor autêntico, fonte de saúde e vitalidade para “ser”.

Ermance Dufaux

Por Wanderley S. de Oliveira

Livro: Laços de Afeto

 

 O Centro Espírita
 

Centro de Espiritismo Evangélico, por mais humilde, é sempre um santuário de renovação mental na direção da vida superior.

 

Nenhum de nós que serve, embora com a simples presença, a uma instituição dessa natureza, deve esquecer a dignidade do encargo recebido e a elevação do sacerdócio que nos cabe.

 

Nesse sentido, é sempre lastimável duvidar da essência divina da nossa tarefa.

 

O ensejo de conhecer, iluminar, contribuir, criar e auxiliar, que uma organização nesses moldes nos faculta, procede invariavelmente de algum ato de amor ou de alguma sementeira de simpatia que nosso espírito, ainda não burilado, deixou a distância, no pretérito escuro que até agora não resgatamos de todo.

 

Um centro espírita é uma escola onde podemos aprender e ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna.

 

Quando se abrem as portas de um templo espírita-cristão ou de um santuário doméstico, dedicado ao culto do Evangelho, uma luz divina acende-se nas trevas da ignorância humana e através dos raios benfazejos desse astro de fraternidade e conhecimento, que brilha para o bem da comunidade, os homens que dele se avizinham, ainda que não desejem, caminham, sem perceber, para a vida melhor.

 

Emmanuel

(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em sessão pública, no Centro Espírita “Luís Gonzaga”, em Pedro Leopoldo, na noite de 10/4/1950.)

Fonte: Reformador de janeiro de 1951, p. 9(5).

 

O Centro Espírita
 

Entre os anos de 1975 e 1980, o Conselho Federativo Nacional da Federação Espírita Brasileira, reunindo as Entidades Federativas de todos os Estados do Brasil a fim de estudar a adequação do Centro Espírita para o melhor atendimento de suas finalidades, elaborou os textos que vêm orientando as atividades dessa unidade fundamental do Movimento Espírita.*

 

Dentre estes, destacamos os que se seguem, os quais nos ajudam a compreender a amplitude e a diretriz dos trabalhos que competem ao Centro Espírita realizar, assim como os seus objetivos:

 

O que são os Centros Espíritas:

 

• são núcleos de estudo, de fraternidade, de oração e de trabalho praticados dentro dos princípios espíritas;

 

• são escolas de formação espiritual e moral, que trabalham à luz da Doutrina Espírita;

 

• são postos de atendimento fraternal para todos os que os procuram com o propósito de obter orientação, esclarecimento, ajuda ou consolação;

 

• são oficinas de trabalho que proporcionam aos seus frequentadores oportunidades de exercitarem o próprio aprimoramento íntimo pela prática do Evangelho em suas atividades;

 

• são casas onde as crianças, os jovens, os adultos e os idosos têm oportunidade de conviver, estudar e trabalhar, unindo a família sob a orientação do Espiritismo;

 

• são recantos de paz construtiva, que oferecem aos seus frequentadores oportunidades para o refazimento espiritual e a união fraternal pela prática do “amai-vos uns aos outros”;

 

• são núcleos que se caracterizam pela simplicidade própria das primeiras casas do Cristianismo nascente, pela prática da caridade e pela total ausência de imagens, símbolos, rituais ou outras quaisquer manifestações exteriores;

 

• são as unidades fundamentais do Movimento Espírita.

 

Objetivo dos Centros Espíritas:

 

Os Centros Espíritas têm por objetivo promover o estudo, a difusão e a prática da Doutrina Espírita, atendendo às pessoas que:

 

• buscam esclarecimento, orientação e amparo para seus problemas espirituais, morais e materiais;

 

• querem conhecer e estudar a Doutrina Espírita;

 

• querem trabalhar, colaborar e servir em qualquer área de ação que a prática espírita oferece.

 

Com estas orientações, todos nós temos condições de colaborar eficazmente na difusão da Doutrina Espírita e na construção de um mundo de paz e progresso que o conhecimento do Evangelho nos proporciona.

 

*Opúsculo Orientação ao Centro Espírita. Edição FEB.

Revista O Reformador/Nov.2006

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