Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 1857

Sob a Ótica Espírita: encontros aos sábados e às terças-feiras às 22horas (horário de Brasília) na sala do PALTALK.
 

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Questões 98 a 100

Encontro passado terminamos na parte em que comentávamos a questão número 97 em que foi inquirido à espiritualidade se havia um número determinado de ordens ou graus de perfeição entre os Espíritos. E como resposta, obtivemos que são tantas que nos fogem à compreensão, mas que podem ser separadas em 3 mais importantes.

Temos ainda a questão 98 que deseja saber o seguinte:

98. Os Espíritos da segunda ordem só têm o desejo do bem; terão o poder de fazê-lo?
Resp.: - Eles têm esse poder, de acordo com o grau de sua perfeição; uns possuem a ciência; outros a sabedoria e a bondade. Todos, entretanto, ainda têm provas a sofrer.


Essa troca, na interpretação da resposta dada pela espiritualidade, mostra como uma frase invertida pode ser mal compreendida. A espiritualidade nos disse que os da segunda ordem possuem como preocupação o desejo do bem. Já na pergunta de Kardec, ele questiona alegando que eles só têm o desejo do bem, como se não tivessem atitudes ou atos nesse sentido. Como se estivessem limitados a desejar e não a agir, no que é prontamente elucidado pela espiritualidade, que afirma que o poder está em conformidade com seu grau de perfeição e que cada um executa o bem naquilo que está apto ou ao seu alcance. E isso não lhes exime das provações ou responsabilidades pertinentes.

Inúmeras pessoas executam o bem através da ciência, através da educação, da maternidade, do trabalho que realizam e por aí vai. Seres ainda imperfeitos, em busca de elevação e melhoria, mas que, dentro das suas limitações, já ofertam ao próximo algo de bom de si mesmos. Essa é a parte que temos alguma dificuldade em compreender ou aceitar. Se a pessoa realiza por vaidade, paixão, egocentrismo ou por o que seja que lhe motiva, eis que ela está realizando ainda em conformidade com sua evolução e seu adiantamento. Mas está realizando! Quando compreendemos isso, com certeza vamos parar de censurar nosso próximo, mesmo aqueles que são detentores de muita ciência doutrinária e pouca caridade manifesta. Bem ou mal, devem estar semeando o bem. Sempre tem alguém abaixo de nós na escala necessitado daquilo que já sabemos ou temos. Como com certeza sempre haverá alguém acima de nós na escala, a nos auxiliar a subir. Isso vale para a terceira ordem, que veremos a seguir, mas antes gostaria de tecer mais um comentário.

Essa compreensão parece que não é ensinada e nem ofertada na vida afora ou nas comunicações que recebemos. Mas não é bem assim. Digo a compreensão de que, mesmo aqueles que estão agindo com certa hipocrisia, estão realizando o bem. Embora ainda estejam endurecidos no tocante à prática daquilo que pregam, quem não os conhece em sua vida íntima ou privada, não sabe disso. E nota-lhes a ênfase, nota-lhes, quem sabe, o discurso fácil e tomam para si como caminhos ou verdades. E tudo vai bem enquanto a pessoa não tem a lucidez necessária para prestar atenção a quem realmente é a criatura que a está conduzindo ou orientando.

E sabem por que? Porque cada um tem daquilo que merece e necessita. Até o momento em que o hipócrita com ares de cristão estiver sendo útil na vida daquela pessoa, ela vai aceitá-lo com olhos fechados. Ele, queiramos ou não, pôde exercer alguma influência sobre aquela criatura. A partir do momento em que ela assimila as informações ou as verdades e passa a praticá-las, o véu vai sendo-lhe retirado e novos caminhos vão se formando ante seus olhos. Neste momento, será importante que a criatura possa colocar em prática a caridade e a compreensão. Não é porque alguém aprendeu algo antes de nós, que está moralmente à nossa frente. E, essa certeza, é que nos dará o alicerce necessário para que não julguemos ou condenemos a criatura que assim agiu.

Ela foi importante em nossa caminhada, assim como ainda poderá vir a ser, nem que seja como exemplo daquilo que não queremos nos transformar. Nada se perde na lavoura. Nada se perde na criação. Por isso, meninas e meninos, gostaria de convidar-lhes a que tenhamos mais tolerância e mais compaixão para com os irmãos que derramam o discurso fácil e posso estar inclusiva nesse rol, mas que ainda não conseguem praticar a totalidade daquilo que falam.

Sejamos indulgentes para com aqueles que nos afrontam com sua sabedoria ou com sua facilidade em trabalhos que ainda possuímos dificuldades; sejamos tolerantes para com aqueles que tentam nos testar ou nos derrubar, porque de alguma maneira, estão mostrando que precisam de amor, de tolerância e de compreensão. De nada nos adiantará querer alertar aos demais companheiros ante aquele que se porta de maneira ambígua ou duas caras, como dizemos. Esse companheiro, cedo ou tarde, haverá de mostrar a verdadeira face. E, digo isso, respaldada por um livro que ganhei de presente e o qual me acompanhou ao hospital, enquanto eu estava com a bebê. Era nossa leitura diária, mesmo quando ela estava inconsciente na UTI e foi ele também quem me deu sustentação nos momentos difíceis que passamos. O livro chama-se Maria de Nazaré, por Miramez, e a passagem que faz coro às minhas palavras, ou vice-versa, é a seguinte:

(...) Os falsos dão sinal de que existe o verdadeiro. E só poderemos identificar o verdadeiro na medida em que pudermos entender a sua missão, a sua mensagem e, acima de tudo, colocarmos em prática tudo o que ele, o verdadeiro, nos ensinar, na sua condição de Mestre por excelência.(...)

No livro, essa passagem referia-se aos falsos messias que assolavam antes da chegada de Jesus. E ela deixa claro que como bem disse o Mestre: “a verdade vos libertará”; mas para conhecermos a Verdade, precisamos buscá-la, compreendê-la e praticá-la. Amar, crescer, ofertar, receber e praticar num contínuo incessante de aprendizado e dedicação. Assim virá nossa libertação. Se nos tornarmos escravos disso tudo, é porque não estamos de posse da verdade, mas sim da nossa verdade. Bom, vamos á questão 99, que nos fala da terceira ordem:

99. Os Espíritos de terceira ordem são todos essencialmente maus?
Resp.: Não; uns não fazem bem nem mal; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-lo. Há ainda Espíritos levianos ou estouvados, mais travessos do que malignos, que se comprazem mais na malícia do que na maldade, encontrando prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades, das quais se riem.


Dessa última sub-divisão o mundo está cheio!! Não apenas o espiritual, como o material. Nem tudo é maldade pura, por isso que algumas pessoas nos surpreendem, assim como alguns espíritos também. Podem ser dotados de grande intelectualidade, de grande mecanismo de mobilização das mentes diversas e, no entanto, não levam nada a sério. Usam de seu potencial para se divertirem e estorvarem a quem quer que seja. Grande exemplo são os hackers, né? Gente, como é difícil aprender determinadas coisas que dizem respeito a internet. Não o copiar e colar da vida, mas o programar. E imaginem aqueles que de posse desse aprendizado, usam a mente apenas para galhofarem e divertirem-se às custas dos outros. Quanto desperdício de potencial e de oportunidade. Mas, a cada um segundo suas obras.

O que precisamos levar em conta é que mesmo aqueles que estão envolvidos por propósitos maléficos, acabam fazendo algo de bom. E esse liame é de uma sutileza que nem sempre entendemos. Ainda uma vez falamos de que o escândalo é necessário, mas ai daquele que o desencadear. Certas situações são necessárias, para que pela dor ou semelhança daquilo que estes espíritos já passaram, possam resgatar ou compreender o que ofertaram ao próximo. Essa Lei é de uma beleza ímpar, pois é dentro desta situação, ou das situações de dor por exemplo, que muitos espíritos se renovam e resplandecem.

Muita gente, quando é visitada pela doença, por exemplo, opta por amaldiçoá-la e descontar nela toda a causa do sofrimento. Mas o que foi que desencadeou a doença? Ela surgiu do nada ou é fruto de alguma situação? Vem somatizada em nosso corpo através de nossos pensamentos e reflexos, ou caiu do céu? Pois é, precisamos refletir. Quantas e quantas vezes não saímos com o cabelo molhado no frio? A conseqüência, em muitos, é a sinusite, oras. E a culpa é de quem? Do frio? E, no entanto, a sinusite haverá de nos limitar em atitudes de descuido e de abandono de nosso corpo, sendo o canal para a melhoria de algo. Ou para a lamentação eterna. Nós é quem sabemos o que quer escolher.

Aliás, pela frase ‘nós é quem sabemos o que escolheremos’, podemos nos recordar de uma outra frase que nos diz que ao levantar podemos decidir ter um dia bom ou ruim, construtivo ou demolidor e assim por diante. A escolha é nossa. O resultado dela também. O Espírito que se compraz nessa forma de agir, haverá de se agregar a seres humanos ou outros espíritos que assim também vibram ou sintonizam. Pessoas que habitualmente escarnecem dos outros, ou que as julgam, terão na sua ‘cola’ espíritos igualmente sintonizados nessa faixa de atitude e daí para mais ou pior. Bom, sintonia é outro trem que a gente sempre tem de lembrar. É o nosso pensamento estabelecendo ligação e canal com aquilo que ele está emitindo.

A velha frase de que ‘tudo me é lícito, mas nem tudo me convém’. Se nos achamos fortes e preparados o suficiente para encararmos a onda que vem junto com determinadas atitudes desprovidas de sensatez, caridade ou lucidez, que seja feita a nossa vontade, não? Sempre digo que o mesmo tempo que gastamos para fazer algo de ruim ou vazio, poderemos gastar para fazer algo produtivo ou benéfico. Cabe a nós escolhermos. Se vamos abrir a boca para falar com o menino no farol, ao invés de ser para ralhar com ele, que seja para endereçar-lhe, ao menos, palavras carregadas de bondade e amor. O resultado, com certeza, será bem diferente, mas o tempo para realizar será o mesmo.

Galhofeiros e mistificadores a parte, vamos prosseguir. Aliás, a questão número 100, denominada Observações Preliminares, é mais um estudo do que perguntas e respostas. Ela vem acrescentar e esmiuçar a tudo o que a espiritualidade nos trouxe nas anteriores, então, creio que podemos passar a ela.

100. Observações Preliminares. A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram. Esta classificação nada tem de absoluta: nenhuma categoria apresenta caráter bem definido, pois, nos limites, as diferenças se apagam, como nos reinos da natureza, nas cores do arco-íris, ou ainda nos diferentes períodos da vida humana. Pode-se, portanto, formar um número maior ou menor de classes, de acordo com a maneira porque se considerar o assunto. Acontece, nisto, como em todos os sistemas de classificação científica: os sistemas podem ser mas ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência; mas, seja como for, nada alteram quanto à substância da ciência.

Notamos essa similaridade a que kardec se refere, quando temos por exemplo, a classificação dos animais. Eles podem ser classificados como mamíferos, divididos por espécie, por terrestres ou marinhos, quadrúpedes ou não e por aí vai. Essa variável de classificação que um mesmo animal pode ter, também pode ser encontrada na classificação dos Espíritos, sempre lembrando que no caso destes, falamos de moralidade, qualidades e virtudes, adquiridas ou não. Vejamos um pouco mais:

(...) Os Espíritos, interpelados sobre isto, puderam, pois, variar quanto ao número das categorias, sem maiores conseqüências. Houve quem se apegasse a esta contradição aparente, sem refletir que eles não dão nenhuma importância ao que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo: deixam-nos os problemas da forma, da escolha dos termos, das classificações, em uma palavra, dos sistemas.(...)

Lembram-se, no início destes estudos, quando eu utilizei a frase em que dizia que esta classificação nos era mais elucidativa do que útil? Eis aí o porque. Para a espiritualidade, essa classificação são convenções que não lhes ocupam muito o tempo e nem a preocupação. Aliás, deixam que nós nos ocupemos disso, pois eles, o de espiritualidade elevada, possuem mais coisas a fazer, ou seja, precisam empregar seu tempo de forma mais útil. Não menosprezando a organização trazida por Kardec, por favor. Aliás, lembrei-me do Pequeno Príncipe, livro tido como infantil, em quando ele visita um Planeta e a criatura 'dona' deste planeta está tão ocupada contando seus mundos e estrelas, que sequer tem tempo para conversar ou olhá-lo nos olhos. Aliás, ao impacto de sua chegada, a criatura já saca de um bloco de notas e começa a fazer o inventário dos haveres do principezinho.

Somos nós, perdidos em nossas anotações e comprovações diárias; somos nós, envolvidos em nossos debates que, pretensamente, vão trazer esclarecimento ou aprendizado a alguém; somos nós que estamos tão ocupados na defesa de nossos pontos de vistas ou no conhecer em profundidade o que traz o outro na aparência, que nos esquecemos de olhar nosso próximo com desprendimento, amor e atenção. Pois é. E a máxima do Cristo se faz presente: A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ou seja, na Terra, acabamos por dar maior valor às coisas mundanas, esquecendo-nos de que, embora encarnados, somos regidos e envolvidos por Deus. E Deus nos pede que sejamos amorosos, fraternos e caridosos.

Tem gente que, inclusive, sustentando esta mesma máxima, acaba por deixar de lado as suas responsabilidades e obrigações terrenas, dizendo-se espiritualizado ou envolvido com a espiritualidade, mas em lugar algum foi dito que deveríamos relegar nossas responsabilidades a terceiros; em lugar algum está escrito que abandonar nossos bens e seguir ao Mestre, seja deixar familiares desamparados. Enfim, até neste pequeno ponto carecemos de discernimento e, sobretudo, de lucidez. Mas, voltemos à espiritualidade:

(...) Ajuntemos ainda esta consideração, que jamais se deve perder de vista: entre os Espíritos, como entre os homens, há os que são muito ignorantes, e nunca será demais estarmos prevenidos contra a tendência a crer que eles tudo sabem, por serem Espíritos. Toda classificação exige método, análise e conhecimento aprofundado do assunto. Ora, no mundo dos Espíritos, os que têm conhecimentos limitados, são, como os ignorantes deste mundo, incapazes de apreender um conjunto e formular um sistema; eles não conhecem ou não compreendem senão imperfeitamente qualquer classificação; para eles, todos os Espíritos que lhes sejam superiores são da primeira ordem, pois não podem apreciar as suas diferenças de saber, de capacidade e de moralidade, como entre nós faria um homem rude, em relação aos homens ilustrados.(...)

Se observarmos com atenção esta passagem, poderemos tirar uma lição muito importante para o nosso dia-a-dia. A espiritualidade nos diz que não devemos perder de foco a verdade de que os Espíritos não se modificam num piscar de olhos. Ao desencarnarem perdem sim o véu que lhes oculta o mundo espiritual, mas isso não significa que por lá estarem, passam a dominá-lo.

Continuam com suas limitações e com suas conquistas, apenas em plano diferente do físico. E, como bem enfatiza Kardec, possuímos a tendência de nos esquecermos disto, lançando ao desencarnado ou ao Espírito, ares de superioridade ou evolução que talvez ele não possua. Aquilo que fizeram na Terra haverá de, alguma sorte, denunciá-los no Plano Espiritual no tocante à sua evolução.

Outro fator interessante evidenciado é justamente o fato de que estes mesmos Espíritos sequer conseguem distinguir a diferença entre os Espíritos Evoluídos ou Superiores. Todos são Anjos ou Deus aos seus olhos ingênuos ou desprovidos de saber. O humilde, no plano terreno, também, de alguma maneira, acredita que toda pessoa que saiba se pronunciar bem ou que se porte com ares de distinção, seja portador de alguma nobreza. Tantos enganos, não gente? Vejamos uma outra colocação que nos mostra que o ponto de vista restrito pode prevalecer em grande massa:

(...) E aqueles mesmos que sejam incapazes, podem variar nos detalhes, segundo os seus pontos de vista, sobretudo quando uma divisão nada tem de absoluto. Linneu, Jusieu, Tournefort, tiveram cada qual o seu método, e a botânica não se alterou por isso. É que eles não inventaram nem plantas, nem os seus caracteres, mas apenas observaram as analogias, segundo as quais formaram os grupos e as classes. Foi assim que procedemos. Nós também não inventamos os Espíritos nem os seus caracteres. Vimos e observamos; julgamos pelas suas palavras e seus atos, e depois os classificamos pelas semelhanças, baseando-nos nos dados que eles forneceram.(...)

Resumindo o até então exposto por Kardec, temos que ele colocou-se a observar os Espíritos por diversos ângulos e arregimentando tudo aquilo que estes irmãos ofertavam em termos de compreensão da moralidade, evolução e comportamento. Baseado nisto, kardec nos traz a classificação que veremos no próximo encontro.


 
 Exposto em 20-09-08 por Fiorell@

 

 
 

 

 

Questões 100 - parte final e 101

Encontro passado adentramos aos comentários de kardec, mostrando-nos como se desenvolveu a Escala Espírita. Ela é fruta de sua pesquisa diante das manifestações dos Espíritos e informações por eles fornecidas, através de suas próprias palavras e de suas atitudes diante das questões ou perguntas que lhes eram propostas.

Seu comportamento também serviu para que fossem feitas as subdivisões na escala. De uma maneira simples, existem 3 ordens principais e, com muita boa vontade e talvez até com uma certa dose de falta de humildade, Fraterna e eu afirmamos que nos sentimos na segunda escala. Pois é, mas talvez estejamos sendo um pouco otimistas demais, haja vista o comentário contido na Revista Espírita de fevereiro de 1858, onde encontramos o seguinte comentário acerca dos Espíritos pertencentes à segunda ordem: (...)”Quando, por exceção, se encarnam na Terra, é para nela cumprirem uma missão de progresso, e nos oferecem, então, o modelo da perfeição, à qual a Humanidade pode aspirar neste mundo”.(...).

Aliás, se formos analisar um pouco, veremos que estamos mais rodeados pelos da terceira classe do que pelos da segunda. Por que será? Estamos deslocados ou ainda vibramos mais em conformidade com estes irmãos? E, em sendo assim, eis que seria mais humilde de minha parte aceitar que estou muito mais na terceira que na segunda ordem. Embora meu desejo ferrenho seja estar na segunda...Vamos lá, né?

(...) Os Espíritos admitem geralmente três categorias principais ou três grandes divisões. Na última, a que está no início da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela propensão ao mal.(...)

Essa preponderância, como temos visto e como claramente veremos mais adiante, tem graus de intensidade e variação. Oscila desde a maldade pura e pérfida, até a inércia no bem e aparente falta de nocividade por parte do espírito. O que nos faz recordar que um elemento á deriva, pode ser jogado para qualquer canto, seja ao sabor do vento ou das ondas. Precisamos sim ter um rumo definido, um caminho escolhido.

Quando estamos à deriva, ou seja, quando ficamos tais quais baratas tontas buscando um pouco aqui e um pouco ali, nos perdemos. Nosso referencial se esvai e somos verdadeiros joguetes nas mãos dos que não possuem escrúpulos e nem moralidade. Aliás as pessoas ainda não se deram conta de que, a grande capa que esconde tais pessoas é justamente aquele elogio rasgado, aquela adulação sem necessidade, o estímulo que nos dão ao alimentarem em nós a inferioridade dos sentimentos menos dignos e os pensamentos de vingança, mágoa e revolta.

Quando decidimos qual caminho queremos seguir, temos em mente que um ambiente que contenha palavrões, obscenidades, desrespeito, maledicências ou comentários perversos e, por mais que tenham pessoas queridas nestes mesmos ambientes, não é o, local mais adequado para estarmos. As vibrações e sintonias ali colocadas não são das melhores.

Não significa que estamos fugindo apavorados ou temerosos do que quer que seja. Significa que, dentro de nosso livre-arbítrio, vamos aonde nos convém e aonde nos edifica e eleva. Apenas isso. Não é questão de desrespeito ou de ares de superioridade. É questão de zelo para com as nossas ainda fragilidades ante a matéria. Voltemos às definições:

(...) Os da segunda são caracterizados pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: esses são os bons Espíritos. Os da primeira categoria atingiram o grau supremo da perfeição: são os Espíritos puros.(...).

Essa segunda categoria de Espíritos, embora nos pareça tão ‘familiar’ e até aconchegante, está um pouco distante ainda. Bem pouco, tenho certeza absoluta e, talvez, daí essa nossa sensação de familiaridade e aconchego. Na segunda ordem estão os Espíritos que já aprenderam a fazer prevalecer o espírito ante a matéria, mas ainda encontram-se sujeitos às vicissitudes desta. Mais uma vez, busco Francisco de Assis como exemplo, diante de minha simpatia por este irmão. Temos também Joanna D’arc que, aliás, segundo companheiros, é espírito que nos acompanha, orienta e ampara. Ambos, envolvidos pelo amor e pela elevação com que já se caracterizavam, ainda necessitavam de certas passagens diante da matéria. Assim foi que cada qual passou por sua provação e realizou sua missão com grande desprendimento.

Falar dos Espíritos puros é um tanto longínquo, porque em nosso conceber, determinadas criaturas já poderiam se enquadrar nesta categoria. Aliás, quando a verdadeira gratidão invade nosso ser, quando estamos tomados por humildade, até aquela criatura que alimenta nossos filhos é considerada justa, pura e bondosa. Fechamos nossos olhos ás suas mazelas, ás suas imperfeições e a temos em conta de anjo. E, cedo ou tarde, nos decepcionaremos, pois ela ainda está em evolução. Ademais, diante das leis de Deus, não se fecham olhos, pelo contrário, os véus que são retirados quando na erraticidade ou na espiritualidade, deixam quase que á mostra aonde devemos ou não trabalhar em nosso ser. Prosseguindo:

(...) Essa divisão nos parece perfeitamente racional e apresenta características bem definidas. Só nos faltava ressaltar, mediante um número suficiente de subdivisões, as diferenças principais do conjunto. Foi o que fizemos com o auxílio dos Espíritos, cujas instruções benevolentes nunca nos faltaram.(...)

(...) Com o auxílio desse quadro será fácil determinar a categoria e o grau de superioridade ou inferioridade dos Espíritos com os quais podemos entrar em contato e, por conseguinte, o grau de confiança e de estima que merecem. É de certo modo a chave da ciência espírita, visto que apenas ele pode nos explicar as anomalias, as diferenças que apresentam as comunicações, ao nos esclarecer sobre as desigualdades intelectuais e morais dos Espíritos. (...)

Vejam que kardec utiliza o termo racional. Essa racionalidade a que ele se refere, é algo que nos falta em muitos momentos. Deixamos-nos envolver e levar por impulsos, frases ou até mesmo sorrisos e não nos aprofundamos no raciocínio diante da situação. Essa racionalidade é que, em muitos momentos, pode nos proporcionar, por exemplo, a paz de espírito ante as dificuldades e situações diárias. Essa mesma racionalidade, desprezada por muitos, mal usada por outros, precisa ser nosso caminho do meio. Necessário que sintamos, mas necessário é que racionalizemos sobre determinados fatos e situações.

Vocês devem se recordar que, em estudos passados, abordamos que nem sempre apenas a razão nos dará a resposta correta. Em muitos momentos precisamos usar de nosso sexto sentido e até de um certo feedback ou recordação das situações já vividas, seja envolvendo as pessoas ou as situações apresentadas no momento. E são tantos ganchos que nos surgem, que poderíamos passar horas falando acerca da racionalidade como caminho, mas nos deteremos em apenas mais um que nos recorda que o mesmo problema, vivido em momentos diferentes, pode requerer soluções também diferentes. Gosto muito de uma passagem contida em um dos livros de Roberto Shinyashiki em que ele conta a estória de duas moscas que caíram em um copo de leite e uma, derrotista, deixou-se naufragar, pois suas asas estavam molhadas e ela se sentiu fraca diante da imensidão daquele copo de leite.

A outra cheia de vida e disposição, pôs-se a bater desenfreadamente as asas, até que criou um tipo de crosta ou nata ao seu redor e, subindo nela, pode alçar vôo e sair do copo. Porém descuidada que era, novamente caiu em outro copo, mas desta vez de água. Mas, como acreditava que já sabia a solução para essa dificuldade, colocou-se a bater as asas freneticamente, recusando inclusive, o auxílio de uma companheira que passava e lhe mostrava o canudinho por onde ela poderia subir. Resultado, morreu afogada, pois na água a tática usada com o leite não surte o mesmos efeito. Matérias diferentes, embora similares. Meios diferentes de solucionar problemas aparentemente iguais.

E assim temos a racionalidade. Embora ela seja importantíssima em determinados momentos que nos requerem lucidez, em outros tantos, talvez quem seja requerido seja algum sentimento outro, aonde ambos se completarão. Nunca as coisas são exatamente iguais, nem para nós nem para os outros. E quando vemos situações em que as pessoas passam várias vezes pelo mesmo problema, embora envolvendo pessoas diferentes, cabe a ela ver como está agindo ou reagindo diante da situação. Seus problemas, muitas vezes, são reflexo de seu condicionamento mental ou daquilo que a pessoa oferta aos outros.

Por isso a nossa Ana Maria Braga (Fraterna) insiste tanto no otimismo, na auto-estima e amor próprio. Sabemos que a vida nos devolve aquilo que ofertamos. As pessoas que já aprenderam a lição, costumam ofertar a outra face, mas aquelas que se encontram ainda envolvidas na chama da ‘turba’, estas nos devolvem exatamente na mesma moeda. Ainda estão presas à lei de Talião. E não são elas que devem mudar porque assim achamos necessário. Somos nós que devemos nos modificar buscando as leis de amor que o Mestre exemplificou. Quem sabe elas se sintam sensibilizadas com nosso exemplos, também.

Como na leitura do evangelho desta manhã, em que o Mestre fora acusado de louco ao curar aos sábados, ferindo os costumes da época, supostamente pregados por Moisés. E Jesus mesmo mostrando á multidão que era necessário que se julgasse as coisas não pela aparência, mas sim pela justiça, foi tratado com sarcasmo e desdém. Lucidez, meio termo. Tanto para aprendermos, não?

Não podemos encerrar esta parte trazida por kardec sem enfatizarmos que é através desta escala, aliada aos tantos esclarecimentos que a Ciência Espírita nos mostra, que poderemos compreender as diferenças entre as comunicações, talvez os desencontros de informações e até mesmo interpretar melhor aquilo que nos chega.

Quando nos damos conta do ‘todo’ envolvido em uma situação, se é que assim já conseguimos, eis que a ponderação e a lucidez se fazem mais claras e fáceis, haja vista o fato de não nos prendermos apenas a uma pequena passagem. Como nos desenhos infantis, por exemplo, aonde alguém é atraído para uma armadilha seguindo um pedaço de queijo ou uma coxa de frango. Está tão atraída e envolvida pela iguaria que a apetece, que fica fascinado e sequer consegue ver a cordinha que a está puxando. E pior, nem percebe para que caminho está seguindo.

Precisamos dessa lucidez para lidar com os dois planos. Ela nos auxiliará a perceber pensamentos que não são nossos, pensamentos edificantes, pensamentos maléficos ou pensamentos vazios. Devemos estar sempre alertas e o conhecimento nos auxilia. Gente, a doçura não se perde, nem a sensibilidade. Pelo contrário, quanto mais aprendemos e estamos caminhando em direção ao Mestre, mais amorosos nos tornamos e, ser amoroso, não significa ser meloso. Finalizando os comentários de kardec, temos que:

(...) Observaremos, todavia, que nem sempre os Espíritos pertencem exclusivamente a esta ou aquela classe. Seu progresso apenas se realiza gradualmente e, muitas vezes, mais num sentido do que em outro, e podem reunir as características de mais de uma categoria, o que se pode notar por sua linguagem e seus atos.(...)

O último comentário que podemos fazer acerca desta situação, reside mais uma vez, no fato de que embora possamos utilizar escala espírita de forma especulativa e vazia, ou seja, sem grandes interesses ou valores edificantes, nós também podemos nos servir dela para compreender as diferenças evolutivas entre os Espíritos. E isso não deve desqualificá-los ou relegá-los a este ou aquele ponto, por pertencer à primeira, segunda ou terceira. Embora haja notória distinção entre as escalas, nosso comportamento deve ser similar em se tratando das três. É o nosso grande objetivo e o ideal que buscamos alcançar.

Serão estes pontos que, somados, nos auxiliarão a modificar nossa postura íntima frente às cosias e situações. Se a barbárie, se o crime, se a mentira e tantas outras cosias nos afligem, aprenderemos a nos posicionar frente a estas situações sem nos desarmonizarmos ou desequilibrarmos, sem vibrarmos com rancor ou mágoa. Estaremos encontrando nosso equilíbrio interior e daremos um grande passo para ascendermos rumo ao ideal evolutivo que nos cabe: a perfeição com que fomos criados. Vamos ás subdivisões:

Terceira ordem – Espíritos imperfeitos
Questão 101 Características gerais – Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões que são suas conseqüências.
Eles têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.
Nem todos são essencialmente maus. Entre alguns há mais leviandade, inconseqüência e malícia do que verdadeira maldade. Alguns não fazem o bem nem o mal; mas, apenas pelo fato de não fazerem o bem, já demonstram sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram a ocasião de o fazer.(...)

Talvez essa explicação analisada de forma superficial é que nos faz sentir que estamos fora desta categoria da escala. Quando pensamos em maldade nos recordamos de coisas atrozes, de atos que nos causam repugnância e até vertigens, no entanto, se esmiuçarmos esta colocação apresentada, veremos que existe a palavra inconseqüência. Como podemos compreender a inconseqüência diante da nossa permanência na terceira ordem desta escala?

Quantas vezes fazemos algo e não nos damos conta de que aquilo é prejudicial? Até que aprendemos, não é mesmo? Só saberemos que aquele reles chiclete que jogamos no chão ou o inofensivo papel de bala, são prejudiciais à natureza e ao meio ambiente, quando nos quedarmos a analisar a situação ou quando alguém nos fazer tomar conhecimento, por exemplo, que se todas as pessoas que passarem naquela mesma rua, durante o dia e jogarem um papelzinho de bala como nós fizemos, já serão milhares fazendo exatamente a mesma coisa. Somem-se milhares de papéis que adentram a um bueiro sem serem varridos e o que temos? Enchentes!!

Mas foi um gesto inconseqüente, não? E assim se processa diante de nossas fraquezas morais, diante de nossa falta de cultivo das moralidades. Alguns extremistas, gostam de alardear uma frase contida em nossas obras da codificação. A frase nos diz que o espírita é responsável pelo mal que cometa e pelo bem que deixe de fazer. Oras, isso não é crime e castigo, gente! Não devemos nos sentir entre a cruz e a espada ou naquela tradicional figura de que se ficar o bicho come e se correr o bicho pega.

Essa alusão, assim como tantas outras contidas em nossas obras básicas e na vida como um todo, é para que reflitamos que não basta não sermos maus. É necessário que façamos o bem também, do contrário seremos responsáveis pelo que deixarmos de praticar. Se alguém nos pede socorro e em nossa inércia não reagimos, é uma omissão e, independente de ser por comodismo, por egoísmo ou por despreparo, é um ato bom que deixamos de praticar, quiçá prejudicando alguém. O que não significa que devamos sair correndo e socorrendo cada borboleta que está saindo do seu casulo. Até para fazer o bem é necessário que tenhamos discernimento e sensatez.

Muitos estão habituados com o dilema que se apresenta em uma casa espírita e em muitos momentos, no tocante à entrega da cesta básica, por exemplo. Quantas controvérsias e discussões não são geradas por conta de tentarmos buscar se estamos corretos ou errados, não? E, no final, a resposta parte do interior de cada um, formando quem sabe um consenso. E esse conflito nada mais é o uso do nosso discernimento e do nosso raciocínio convidando-nos a ponderar sobre se realmente estamos fazendo o bem ou alimentando alguma situação destrutiva. Se sabemos que aquele alimento está sendo mal utilizado, seremos responsáveis pela manutenção da sua entrega.

Nossas responsabilidades aumentam ao passo que nosso conhecimento também. E não adianta nos escondermos embaixo do edredon e dizermos: também não quero aprender mais anda! Isso não tem como! Pela dor, pelo amor, por estudos e ou por qual situação for, seremos chamados ao aprendizado. Se optarmos por fechar nossos olhos ou não aceitarmos, estaremos fazendo uso do direito que nos cabe, mas a que preço, não? As crianças nos ensinam, a natureza nos ensina, os animais nos ensinam. Deus é generoso, não esta apenas nos cobrando, mas está também a todo instante nos dando a oportunidade de demonstrarmos esse aprendizado ou de colhê-lo seja lá de onde for, assim como o lírio é colhido no pântano. Seguindo....

(...) Os Espíritos pertencentes à terceira ordem podem aliar a inteligência à maldade ou à malícia; mas qualquer que seja seu desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e seus sentimentos mais ou menos inferiores.
Seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados e o pouco que sabem se confunde com as idéias e os preconceitos da vida corporal. Eles podem nos dar apenas noções falsas e incompletas, mas o observador atento encontra, muitas vezes, em suas comunicações imperfeitas, a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos Superiores. (...)

Conseguimos discernir isso com alguma facilidade, não? Aliás, se queremos aprender um pouco mais a como distinguir determinados espíritos através de suas comunicações e narrativas, sugiro que busquemos o livro O Céu e o Inferno, das obras básicas da codificação. Nele, podemos encontrar muitos relatos, além de esclarecimentos e explicações ofertadas por kardec sobre muitos casos ali relatados.

Outra fonte farta é a Revista Espírita, muito embora esteja distribuído de forma aleatória, ou seja, conforme chegavam e as edições eram preparadas, quem quiser passar bons momentos literários, basta acessar algum site que as disponibilize e terá acesso a farto material e muitas informações relativas a muitos assuntos, inclusive as manifestações e seus caracteres. Kardec ainda nos diz acerca dos Espíritos da terceira ordem:

(...)Seu caráter se revela pela sua linguagem. Todo Espírito que em suas comunicações revela um mau pensamento pode ser classificado na terceira ordem. Por conseqüência, todo mau pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito dessa ordem.
Eles vêem a felicidade dos bons e isso é, para eles, um tormento incessante, porque sentem todas as agonias que originam a inveja e o ciúme.(...)

Temos aqui alguns exemplos que nos mostram porque ainda podemos nos considerar na terceira ordem, não? Aquele nosso colega de trabalho que, apesar de todos os nossos esforços, consegue a promoção na nossa frente. Aquele nosso ex-noivo ou ex-noiva que casou e nós ainda não desencantamos daquela situação. Aquela pessoa que foi mãe e nós ainda não. Vixi, o que não nos faltam são exemplos de situações cotidianas em que a grama do vizinho sempre é mais bonita do que a nossa, não? Eis aí uma característica dos espíritos da terceira ordem. Nem só de assassinos cruéis é formada essa ordem, torno a repetir.

Podem possuir a inteligência e a fala acurada, mas o seu conteúdo é oco. Suas mensagens são desprovidas de profundidade e passivas de contrariedade a cada novo parágrafo. Pode se dar ao fato de que ainda estão aprendendo, como também pode ser justamente por não conseguirem sustentar a máscara que acoberta a frivolidade ou maldade.

Nós, encarnados, podemos usar do subterfúgio de nos calarmos ante determinadas situações, não deixando transparecer aquilo que nos vai em mente, se bem que nossa face e os nossos gestos podem nos denunciar. No que diz respeito aos espíritos, seria interessante que lêssemos o capítulo XXIV do Livro dos Médiuns, que fala acerca da Identidade dos Espíritos, passando por distinção entre bons e maus espíritos.

Exposto em 27-09-08 por Fiorell@

 

 
 

 

 

Questões 101- final a 103

Através das questões 100 e 101 percebemos melhor a diferença entre as classes dos Espíritos e, embora tenhamos tentado trazer a analogia para o nosso dia-a-dia, nem sempre se faz possível, pois o âmbito espiritual é muito diferente do material, tanto é que a escala é denominada Escala Espírita ou dos Espíritos e não dos encarnados. Diferença sutil e talvez nem tão perceptível, afinal também somos espíritos, mas é neste ponto em que devemos nos lembrar que não somos os únicos a habitar algum ambiente, como a Terra, por exemplo.

Existem outras tantas moradas também habitadas e os Espíritos que lá habitam, como já vimos anteriormente, adequam-se ao ambiente, ou seja, acrescentam ao seu corpo espiritual um corpo físico necessário e condizente com a ‘localidade’, o que não significa que isso o torna palpáveis ou visíveis a nós outros.

Também temos nesta Escala Espírita, um grande referencial para aprendermos a lidar/reconhecer os Espíritos que se comunicam conosco. Essa é a grande utilidade desta escala. E não a especulação sobre a moralidade de fulano ou cicrano. Ela serve para o aprendizado e o discernimento. Se determinado espírito, para revelar suas descobertas do mundo espiritual ou as suas verdades, precisar utilizar-se de palavras que desqualifiquem determinadas criaturas e sejam tão somente palavras, ou seja, não apresentem estudos ou comprovações como é a característica da Doutrina Espírita, ele está sujeito a nosso crivo de análise.

Suas comunicações podem conter informações preciosas. Suas palavras podem maravilhar a muitos, mas até aonde estará a sua ética e o seu equilíbrio diante das nossas necessidades e realidades? Lembrei-me de um ditado que diz que caolho em terra de cegos é rei. Oras, por vezes pode ser assim, não? A criatura, bem ou mal, possui suas qualidades ou perfeição relativa, mas só a fará prevalecer diante daqueles que não as possuem. Interessante que isso também me faz lembrar do velho ditado: diga-me com quem andas e te direi quem és. Se o comunicante ou o empreendedor anda na contramão das idéias, ele pode tanto ser um visionário como um iludido. E deixarei essa questão para que, quando nos depararmos com conceitos, revelações ou modismos dentro do Movimento Espírita, saibamos discernir, ponderar e avaliar.

Cada qual encontrará em seu íntimo a resposta àquilo que deseja seguir. Para os que adoram o místico e o que enche os olhos, talvez a base da Doutrina Espírita não traga uma posição confortável. Temos isso na família Gasparetto e sempre os uso como exemplo, pois são criaturas que assumiram essa condição espiritualista, demonstrando aí o grande respeito pela Doutrina Espírita. Iniciaram sim dentro da Doutrina Espírita, concordam com muitos pontos, mas sentiram necessidade de caminhar por outras fileiras. E não foram irresponsáveis ao ponto de afirmar que a Doutrina espírita carecia de melhorias, como vemos adeptos do próprio Movimento Espírita assim alardeando, e nem fez com que os seus procedimentos ou crenças se adequassem á Doutrina, ou seja, foram buscar em seus livros a validação para suas atitudes.

Quem conhece um pouco mais da história da Doutrina Espírita, sabe bem ao o que me refiro. Quem ainda não compreende ou conhece essas ramificações que fazem parte do Movimento Espírita, talvez ainda não esteja no momento de se preocupar com essa classificação. Apenas, tenhamos o bom-senso necessário e não creiamos, por exemplo, que ascender incenso faz parte da preparação de uma sala de passes, pela ótica espírita. Pode ser um gosto pessoal ou um toque ao ambiente, mas não é Doutrina Espírita.

Lembrando que uma das passagens que Kardec denominou como sendo um aforismo espírita, ou seja, um pensamento curto que resume com propriedade princípios essenciais do espiritismo, temos a seguinte passagem da Revista Espírita de 1859:

(...) Os Espíritos elevados provam sua superioridade por suas palavras e a constante sublimidade de seus pensamentos, mas deles não se gabam. Desconfiai daqueles que dizem, com ênfase, estarem no mais alto degrau de perfeição, e entre os eleitos; a fanfarrice, entre os Espíritos, como entre os homens, é sempre um sinal de mediocridade. (...) A falsa humildade também, gente. Rebaixo-me para que você me eleve.

Bom, introdução finalizada, eis que temos um último parágrafo da questão 101 que traz o seguinte complemento:
(...) O Espíritos da Terceira Ordem conservam a lembrança e a percepção dos sofrimentos da vida corporal e essa impressão é, muitas vezes, mais dolorosa do que a realidade. Sofrem, verdadeiramente, pelos males que suportaram em vida ou pelos que fizeram os outros sofrer. E como sofrem por longo tempo, acreditam que irão sofrer para sempre. A Providência, para puni-los, permite que assim pensem3(..).

Aqui temos uma parte tão interessante, não? Sempre dizemos que Deus não castiga ninguém. Que Deus é amor e bondade, mas kardec afirmou: “Deus, para os punir, quer que eles assim pensem’. Soaria contraditório, se nós não pudéssemos parar por instantes e refletir acerca desta frase. E para refletir acerca deste ponto, trouxe até vocês uma passagem contida em A Sabedoria do Evangelho – 3, por Carlos Torres Pastorino em que ele cita algumas coisas como explicação dada ao fato de Jesus falar por parábolas. A compreensão desta colocação de Pastorino nos servirá para que compreendamos duas coisas importantes, quando falamos ou pensamos em Deus, ensinamentos, castigo, consciência ou punição.

Trata-se de uma passagem contida nos evangelhos de Matheus e Lucas, aonde o Mestre ensinava através da parábola dos talentos e, ao término dela, acrescentava algumas frases, dentre elas aquela de que “a quem tem, lhe será dado em abundância; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado”, e isso soava como um castigo ou punição. Os discípulos, sedentos de explicações e compreensões, quando a multidão se dissolveu, perguntaram ao mestre por que Ele lhes falava por parábolas e não de forma direta.

Além do fato de que Jesus começou, através destas parábolas, a revelar os chamados segredos para a obtenção do reino dos céus, fato era que muitos ainda não estavam e até hoje não estão, preparados para assimilar estas verdades. Então, alguns conceitos eram erroneamente entendidos e interpretados, mesmo quando eram transmitidos através de parábolas que exemplificavam as situações. E Jesus esclarece aos discípulos a profundidade desta maneira de ensinar a todos:

(...) o fato "de verem (lerem) e não entenderem (o sentido profundo real) e de ouvirem e não perceberem (esse sentido), provém de que seu coração (sua mente) está enregelado (pela vaidade e pelo egoísmo); então, eles fecham os olhos e tapam os ouvidos (para não serem obrigados a aceitar a interpretação correta; e isso lhes é permitido) para que, vendo (lendo) com os olhos, e ouvindo com os ouvidos, não suceda que entendam com o coração (a mente) e se voltem e eu os sare", porque a eles NÃO INTERESSA a cura (libertação) das coisas materiais do mundo, às quais estão apegados em profundidade. (...) .

Ao que Pastorino nos esclarece:

(...) Não é que Jesus os faça não entender ou fale de forma mística e misteriosa, porque Ele não quer que se convertam e sejam libertos; não é isso. É o contrário: eles NÃO QUEREM voltar-se (converter-se) nem ser libertados (sarados) e POR ISSO fecham os olhos e tapam os ouvidos. Não há pois intenção malévola da parte da Divindade, ou seja, do mestre Jesus, mas apenas má-vontade, por ignorância e involução, da parte dos próprios homens que, embora na consciência atual digam que querem converter-se, na realidade em seu subconsciente não no querem.(...).

Aqui temos o porque da compreensão de se falar por parábolas e da possibilidade de que Deus puna as pessoas, se encontram nesta explicação e acabam por nos trazer o esclarecimento devido:

(...) Então, o fato de falar em parábolas não é um castigo de Deus; mas antes ao contrário: é uma prova de misericórdia, pois permite às criaturas que tenham tempo de ir evoluindo, e a cada nova encarnação possam ir aprofundando o sentido oculto das parábolas, conseguindo assim atingir a realidade total do ensino de Jesus. Então, não é castigo, como disseram alguns comentadores antigos e modernos, mas um ensino que deveria ir sendo compreendido gradativamente pela humanidade, à proporção que fossem evoluindo os homens. Mas era indispensável que o ensino fosse dado na oportunidade da permanência de Jesus na Terra, e o melhor meio era exatamente esse: parábolas que iriam sendo interpretadas segundo os sete planos (veja vol. 2) até a compreensão final que ainda está para chegar à Terra. (...).

As parábolas assimiladas conforme a evolução e o entendimento que vamos adquirindo, assim como nosso verdadeiro estado de consciência ante os tormentos que nos afligem quando da erraticidade, são os mecanismos de que Deus se utiliza para nosso aprimoramento e evolução. Ele não diz assim: “Vai lá sofrer o que você fez o teu próximo sofrer, para sentir na pele como é bom”, muito pelo contrário!! Se prestarmos muita atenção em tudo o que nos foi exemplificado pelo Mestre Jesus, inclusive naquele momento em que Ele estava na cruz ao lado do bandido que, como todos conhecemos das história, iria sentar-se junto com Ele e á direita de Deus Pai.

Ainda não compreendemos esse mecanismo. Achamos que é só falar: perdoa-me e tudo está limpo e novo, mas não é não. Conforme nos mostra Jesus junto a este irmão no calvário, eis que o sentimento deve ser profundo e sincero, não apenas vindo de palavras ou rogativas estéreis. E não é uma punição!!! É o momento individual de cada criatura, por isso o Mestre disse: “vêem”, mas não entendem o sentido profundo, escutam mas não interiorizam, conhecem, mas não praticam. E ao Mestre, assim como a Deus, não interessa que tenhamos isso tudo em forma teórica ou como saída estratégica ante as dificuldades. Eles desejam que realmente sintamos e compreendamos, para que depois possamos avançar mais um degrau.

Nesse ponto, compreendemos que as dores, as dificuldades e os obstáculos não são punições, mas superações de nossas mazelas e de nossas inferioridades. São a grande e verdadeira evolução de nosso ser. Teorizaremos infinitamente na erraticidade, mas enquanto não exemplificarmos nossa teoria ou nosso estado de consciência, teremos todo o tempo do mundo para sentirmos dores que não existem, para nos acharmos preteridos quando somos os escolhidos, para crermos que um Pai sábio e generoso teria o requinte de crueldade de nos deixar eternamente em suplício ou em tormentos.

Estas criações e punições são nossas!!! Fruto de nossa consciência que lateja. Consciência em que Deus habita, dando-nos a verdadeira noção do certo e do errado, do bem e do mal. Basta queiramos. E, para muitos, isso parece um fardo insustentável, quando na realidade, é o grande alívio que nos é dado!! Diferença tão sutil e tão libertadora!!! Eis então a explicação do sofrimento que envolve os Espíritos da Terceira ordem.

Veremos um pouco mais sobre estes resgates, lá adiante, na questão 258 e seguintes. Vejamos um pouco mais destes espíritos e como se subdivide a terceira categoria, que pode-se dividir em cinco classes principais:

102 Décima classe. Espíritos Impuros – São inclinados ao mal e fazem dele o objeto de suas preocupações. Como Espíritos, dão conselhos falsos, provocam a discórdia e a desconfiança e se mascaram de todas as formas para melhor enganar. Eles se ligam às pessoas de caráter mais fraco, que cedem às suas sugestões, a fim de prejudicá-los, satisfeitos em poder retardar o seu adiantamento e fazê-las fracassar nas provas por que passam.

Nossa, não tenho como não comentar um exemplo marcante em minha vida. Usarei nomes fictícios para que a gente possa melhor compreender. Dona Maria freqüentava o centro de umbanda da Angélica. A irmã de Angélica, Joana, não conversava com ela. Era uma briga feia em família. Bom, a filha de dona Maria casou-se com a filha de Joana. Ocorre que, depois de um certo tempo, dona Maria passou a ter sérios problemas na família, de saúde e materiais.

Quando ia ao Centro de Angélica, esta recebia espíritos que afirmavam que todos os problemas de dona Maria eram por culpa de Joana, a sogra de sua filha. Perceberam a grande confusão gerada entre estas pessoas, através de afirmações confiáveis de espíritos? Eles alegavam que Joana fazia trabalhos espirituais para prejudicar a própria nora e seus familiares. Sabem, diante da perversidade humana, isso nem é tão difícil, principalmente quando nos lembramos que família carnal nem sempre significa família espiritual, ou seja, amor e laços fraternos.

Mas, que tipo de espíritos se comunicava naquele ambiente? Espíritos de amor e bondade? Pelo jeito não, né? Eles estavam fazendo justamente o que kardec nos mostrou aqui: ligaram-se a uma pessoa de caráter fraco, influenciando-a e levando-a ao erro e ao engano, sugestionando-lhe coisas que podem nem ter ocorrido, apenas desejosos de que ela perpetuasse seus laços de inimizade e ódio. Pois é. Vieram com compromissos em uma mesma família, mas estes compromissos estão sendo adiados por conta não apenas das influências negativas, mas também da insistência em se permanecer cultivando ódio e maldade.

Lembram-se de quantas vezes já falamos de que não é porque a criatura que desencarnou que ela vira santa? Vejamos mais esse relato de kardec e teremos a exata noção disso:

(...)Nas manifestações, esses espíritos são reconhecidos pela linguagem. A trivialidade e a grosseria das expressões, entre os Espíritos como entre os homens, é sempre um indício de inferioridade moral ou intelectual. Suas comunicações revelam a baixeza de suas inclinações e, se tentam enganar ao falar de uma maneira sensata, não podem sustentar esse papel por muito tempo, e acabam sempre por denunciar a sua origem. Alguns povos fizeram desses Espíritos divindades malfazejas; outros os designaram sob o nome de demônios, maus gênios, espíritos do mal.(...)

Aqui entra um pouco da nossa cegueira propositada. A criatura está lá, mostrando toda a sua inferioridade, mas complacentes, queremos dizer que ela fala daquele jeito por falta de estudo ou de aprendizado. Mas não estamos falando apenas de palavras ditas em momentos inoportunos!!Estamos falando de comportamentos que sugerem toda a sua evolução moral e essa ‘ toda’ pode ser menor do que queremos acreditar. Eis a nossa fraqueza de personalidade, nos deixando levar por aquilo que nos convém. Vejamos mais:

Quando estão encarnados, são inclinados a todos os vícios que geram as paixões vergonhosas e degradantes: a sensualidade, a crueldade, a mentira, a hipocrisia, a cobiça e a avareza sórdida. Fazem o mal pelo prazer de fazê-lo e, muitas vezes, sem motivos e por ódio ao bem, escolhem quase sempre suas vítimas entre as pessoas honestas. São flagelos para a humanidade, seja qual for a posição da sociedade a que pertençam, e o verniz da civilização não os livra da baixeza e da desonra.

Sempre que falamos em sintonia, algumas pessoas dizem que estamos exagerando ou que estamos travestidos pelo medo. Eu vejo como lucidez e coerência naquilo que falamos ou fazemos. Se aprendemos que a sensualidade, a mentira, a hipocrisia, a cobiça e a avareza não são cosias boas, por que vamos alimentá-las ainda que em escala diminuta?

Se sabemos que as situações, palavras e pensamentos emanam energias e que são estas energias que nos ligam uns aos outros, por que vamos deixar que fique circulando ao nosso redor energias ruins? Por que vamos insistir em, por exemplo, contar e recontar aquela piada ingênua sobre o irmão de outra nacionalidade ou estado de nosso país e que, no fundo, está apenas movimentando energias de preconceito, discriminação e deboche? É uma porta, gente. Quem quiser deixá-la aberta, que deixe. Mas que não se esqueça que qualquer um poderá por ela entrar, principalmente quando quiser colocar lenha na fogueira do orgulho, da vaidade e da presunção que temos dentro de nós.

Vamos á outra classe, a nona:

(...)103 Nona classe. Espíritos Levianos – São ignorantes, maliciosos, inconseqüentes e zombeteiros. Envolvem-se em tudo, respondem a tudo, sem se preocupar com a verdade. Comprazem-se em causar pequenos desgostos e pequenas alegrias, atormentar e induzir maliciosamente ao erro por meio de mistificações e espertezas. A esta classe pertencem os Espíritos vulgarmente designados sob os nomes de duendes, trasgos4, gnomos, diabretes. Estão sob a dependência dos Espíritos Superiores, que se utilizam deles, muitas vezes, como fazemos com os nossos servidores.(...)

Esse trem de trasgos, são os chamados espíritos elementares. Precisamos compreender um pouco algumas diferenças para que não misturemos as crenças e conceitos. Diante do vocabulário espírita, temos que (...) Espírito elementar - 1. No Ocultismo, elementares são os Espíritos dos quatro elementos da Natureza. 2. Para o Espiritismo, é o Espírito considerado em si mesmo e feita abstração de seu perispírito ou invólucro semimaterial.(...).

Uma outra definição importante e que vai deixar muita gente de boca aberta está para os chamados gnomos: Gnomos [do grego gómon= conhecedor, hábil, formado de gnosko= conhecer] – Gênios inteligentes, que se supõe habitarem o interior da Terra. Pelas qualidades que lhe são atribuídas, pertencem à ordem dos Espíritos imperfeitos e à classe dos Espíritos levianos.

E finalizando as elucidações temos os singelos duendes: (...) Duende [do espanhol duende] – Espírito travesso, mais traquina que mau, que pertence à classe dos Espíritos levianos. (...).

Temos aqui um aparte delicado e importante de ser feito. Quem diria que aquele trem que a gente coloca no pára-brisa do carro escrito: Eu amo gnomo, está dizendo que a gente adora espírito zombeteiro, não? Quanta coisa que, por vezes falamos, e nem sabemos o que estamos dizendo, não? Embora estes chamados elementares estão à disposição dos Espíritos Superiores, ou seja, são conduzidos e guiados de maneira a que sejam aproveitados de forma benéfica os seus ‘talentos’ junto á natureza, nem sempre é assim.

Exposto em 04-10-08 por Fiorell@

 

 
 

 

 

Questão 103

É com muita alegria que eu confesso uma coisa a vocês: estes estudos me fazem muito bem!! Cada dúvida que vocês levantam, mesmo aquelas que são ‘deixadas’ para mais adiante ou que estão meio fora do contexto de estudo, me instigam a buscar respostas e compreensões que ainda não detenho. Isso não quer dizer que vocês podem soltar o verbo e sair perguntando tudo, tá? Temos uma referência e um contexto a seguir.

O fato de eu não ser nenhuma oradora renomada, nenhuma espírita experiente ou nenhuma ‘profunda conhecedora’ dos conceitos doutrinários, me dá a liberdade de ler e refletir sobre as várias maneiras de muitos espíritas se posicionarem ante determinados fatos. Temos isso em inumeráveis situações e não seria diferente com o abordado na questão 103, que trata da nona classe que é pertencente à terceira ordem da escala espírita.

Fato é que gosto de me ater à chamada pureza doutrinária. E, embora eu ainda não a possua e nem a detenha em plenitude, conforme vou assimilando-a, vou incorporando-a aos meus hábitos e conceitos. Temos aqui os espíritos elementares como exemplo disso e a própria escala espírita. Semana passada, alguém que estava na sala chamou a atenção para o termo elementais; não me recordo a pergunta exatamente e nem a resposta que dei, mas o termo ficou rondando minha mente e, no decorrer desta semana, busquei algumas informações para dele tratar.

Falei isso na semana passada e torno a repetir hoje: este assunto duendes, trasgo, diabretes e gnomos é extenso. Merece nossa atenção em particular. Confesso a vocês que fiquei tentada a trazer o tema em separado, para um dia nas terças-feiras, mas fiquei pensando na necessidade da compreensão e do esclarecimento de determinadas coisas. Percebo que, se estamos envolvidos em estudos do Livro dos Espíritos, passando questão por questão, parágrafo por parágrafo, o ideal seria que pudéssemos, sem pressa alguma, nos aprofundarmos nos conceitos neles contidos.

Como o Livro dos Espíritos se complementa em outras obras e até mesmo, dentro de si próprio, quando aborda assuntos diferentes envolvendo temas e questões correlacionados, eis que em muitos momentos nós dizemos assim: vamos ver isso mais adiante. Porém, com este assunto de duendes, gnomos e similares, creio que devemos parar e abordá-lo em profundidade, para que corrijamos possíveis erros interpretativos em nosso pensar diante dos mesmos.

Desde o tenro início da Codificação Espírita, Allan Kardec procurou deixar claro que não se tratava apenas de uma doutrina, seita ou religião. Mostrou-nos que a Doutrina Espírita fora trazida pelos Espíritos Superiores, muitos deles inclusive confundidos com Jesus e ainda aí já temos a pergunta que sempre vem á tona se não seria o próprio Mestre Jesus a fazê-lo em muitos momentos. Enfim, especulações à parte, que também dariam um excelente encontro apenas para abordar esta questão, eis que Allan kardec mostrou-nos que foram Espíritos Superiores e escolhidos por seu alto grau evolucional e moral que assim nos legaram a Codificação Espírita.

Com o passar dos anos, passamos a ter um intercâmbio acentuado e relatos de diversos espíritos que se encontram no plano espiritual. Embora muitos destes relatos nos sejam ofertados como livros ‘mediúnicos’ e até mesmo através de renomados médiuns, não significa que eles por si só são complementos ou revisões à Doutrina Espírita, mas sim em sua grande totalidade, irmãos de boa vontade, de certo conhecimento e que também estão evoluindo, e que no-los trazem.

A exemplo do que encontramos em nosso próprio dia-a-dia, muitos possuem facilidades em certas áreas e noções em determinados assuntos. Como nós, que gostamos de flores, por exemplo, e nos propomos a estudá-las e conhecê-las em profundidade. Em muitos momentos, nosso conhecimento é largo e bom e nos colocamos a debatê-los, tentando ensinar ao próximo ou até mesmo, em nossa arrogante sabedoria, corrigi-lo. Bom, explicações dadas, queria dizer a todos uma coisa importante.

Kardec nos trouxe um Codificação Espírita embasada em tríplice aspectos: religião, filosofia e ciência. Temos visto, dentro do movimento espírita, muitos irmãos de ideal que possuem imensa dificuldade em trabalhar estes 3 aspectos em conjunto. Mas o essencial e básico é que para abordar estes aspectos sob o prisma da codificação espírita, kardec precisou definir alguns termos e trazê-los de forma única. Maior exemplo que temos e que não raro também causa grande confusão no meio espírita, é a própria terminologia espírita e espiritualismo.

Espírita ou espiritista é o termo utilizado por Kardec, assim inventado, para definir aqueles que seguem os conceitos doutrinários da Codificação Espírita. Espiritualista é aquele que segue o que quer que seja acreditando em algo mais além do material, ou seja, na existência do espírito ou do espiritual. Já aí temos uma grande confusão na compreensão de muitas coisas, tanto é que irmãos de outras seitas se dizem espíritas, mas sequer professam das mesmas crenças da Doutrina Espírita.

Não existe nada demais em sermos simpatizantes disto ou daquilo. Temos o direito de acreditarmos em tudo o que nos convém. Porém, quando temos uma Doutrina Espírita que nos mostra as coisas, as situações, os fatos e tudo o mais que envolve nossa vida espiritual e material de forma tão completa, eis que não seria necessário buscarmos respostas ou definições em outras crenças.

A criatura que é adepta de uma religião e que, dentro dela não encontra as respostas necessárias às suas indagações, geralmente migra para a Doutrina Espírita, pois as encontra aqui. Detalhes a parte, ocorre que nesta chamada migração, muitos mantém seus conceitos e termos anteriores, adequando-os aos conceitos doutrinários.

Esta semana, pudemos ler isso em nosso evangelho diário, quando da leitura do capitulo do livro Jesus no lar. A passagem falava da serva que conhecia as revelações e estava angustiada por ainda manter-se em posição e postura das crenças antigas. E, diante dessa sua angústia, o Mestre serenou seu espírito mostrando-lhe que somos tais quais vasos a receber o liquido precioso da Boa Nova. Por vezes sem conta, nosso vaso ainda detém restos do conteúdo anterior e estes líquidos se misturam, fazendo com que a preciosidade do líquido da Boa Nova se perca.

Temos o Consolador Prometido que nos trouxe esclarecimentos sobre muitas coisas e, em específico o que consta da questão desta noite. Semana passada, quando adentramos á questão 103, pudemos trazer algumas definições acerca dos termos nela utilizadas. Vamos rever apenas a própria questão para que compreendamos de que falaremos doravante:

Questão 103 Nona classe. Espíritos Levianos – São ignorantes, maliciosos, inconseqüentes e zombeteiros. Envolvem-se em tudo, respondem a tudo, sem se preocupar com a verdade. Comprazem-se em causar pequenos desgostos e pequenas alegrias, atormentar e induzir maliciosamente ao erro por meio de mistificações e espertezas. A esta classe pertencem os Espíritos vulgarmente designados sob os nomes de duendes, trasgos, gnomos, diabretes. Estão sob a dependência dos Espíritos Superiores, que se utilizam deles, muitas vezes, como fazemos com os nossos servidores.

Pergunta posta, estudo passado mostramos algumas colocações contidas na Revista Espírita exemplificando um ângulo acerca destes irmãos pertencentes à nona classe. Mas os termos duendes, trasgos, gnomos e diabretes causaram certo alvoroço, aliás como eles mesmos fazem, e passaram a dominar a idéia central da noite. Então, vamos conhecer estes irmãos pelo enfoque doutrinário e dar-lhes a devida consideração e apreciação.

Quando lemos o Livro dos Espíritos e a própria Revista Espírita, encontramos algumas explicações que parecem confusas e distantes de nossa compreensão, mas apenas por exigirem que paremos um pouco para pensar. Nossa correria nos pede coisas fáceis de serem digeridas e nem sempre nossa mente consegue raciocinar em frases mais técnicas. Isso é perfeitamente normal e, como veremos na próxima classe, a oitava, chega a ser o artífice que alguns espíritos utilizam para implantar mentiras, falsos conceitos e etc.

Em determinada passagem, Allan kardec quase clareia a situação colocando as seguintes palavras. Separei apenas algumas para que possamos compreender a idéia que estamos enfocando, embora o tema tratado na Revista Espírita seja um totalmente diverso, pois se intitula A Vida de Jesus em análise pelo que assina como Sr. Renan:

(...) O Sr. Renan, convencido de que a alma de sua irmã o via e o ouvia, não podia supor que ela estivesse só no espaço; uma simples reflexão deveria dizer-lhe que deve ocorrer o mesmo com todas aquelas que deixam a Terra. As almas ou Espíritos assim distribuídos na imensidade constituem o mundo invisível que nos cerca e no meio do qual nós vivemos; de sorte que esse mundo não é composto de seres fantásticos, de gnomos, de duendes, de demônios chifrudos e com pés tendidos, mas dos mesmos seres que formaram a Humanidade terrestre. Que há nisso de absurdo? O mundo visível e o mundo invisível achando-se assim perpetuamente em contato, disso resulta uma reação incessante de um sobre o outro; daí uma multidão de fenômenos que entram na ordem dos fatos naturais.O Espiritismo moderno