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O Livro dos Espíritos

Introdução ao estudo da Doutrina Espírita

Por Allan Kardec

 

Itens anteriores e posteriores:

 

Itens I a IX da Introdução

Itens X a XVII da Introdução e Prolegômenos

Questões 1 a 58 do Livro dos Espíritos

Questões 102 a 131 do Livro dos Espíritos

 

 

Questão 59

(LE) "59- Os povos fizeram idéias bastante divergentes sobre a Criação, segundo o grau de seus conhecimentos. A razão apoiada na Ciência reconheceu a inverossimilhança de algumas teorias. A que os Espíritos oferecem confirma a opinião há muito admitida pelos homens mais esclarecidos."

Essa diversidade se observa em todos os segmentos e assuntos, quando comparamos um povo com o outro. Interessante que, embora tenham todos partido de um ponto semelhante ao reencarnarem em coletividade aqui na Terra, nota-se até os nossos dias que alguns foram fortes, por exemplo, diante da tecnologia, outros diante do humanitarismo, outros na questão agrícola, outro em questões pecuaristas e assim por diante.

Neste pequeno detalhe, podemos perceber nitidamente a influência no meio, ou seja, povos que habitavam em montanhas desenvolveram a pecuária e o pastoreio como seu forte. Povos que habitavam próximo a rios, a agricultura; outros fizeram intermediários entre ambos e assim por diante, evidenciando não apenas o seu conhecimento ‘armazenado’ mas as diversas opções das localidades aonde reencarnaram.

Ainda diante destes conhecimentos adquiridos e desenvolvidos, a razão ao observar e objetivar determinados pontos da vida, não caminhava de forma paralela também, originando-se assim, diversas crenças respaldadas pelo meio em que viviam e conheciam. Quando trazidas à luz da Ciência, estas razões eram derrubadas, pois se confrontavam e desmentiam-se umas às outras.

Imaginem quando isso alcançou esferas maiores, como as verdades sobre a Terra, o universo, a Criação e o Criador, ou seja, Deus. Inclusive em muitos pontos não se reconhece Deus ou se pode notá-lo através de opiniões diversas e disformes.

Quando nos foi apresentada a razão/teoria advinda do mundo espiritual, esta calou profundamente entre homens de conhecimento profundo acerca de muitos ângulos, sejam eles científicos, religiosos, filosóficos. Pessoas de apurado raciocínio e de credibilidade inconteste em sua área de atuação, aceitaram como plausível estas colocações, encontrando em determinados pontos, ainda que discretos, apoio na Ciência humana. A partir de então, foram se aprofundando e encontrando elos entre ambas, tornado ‘comprováveis’ muitos aspectos trazidos pela espiritualidade. Prossigamos:

(LE)"A objeção que se pode fazer a essa teoria é a de estar em contradição com os textos dos livros sagrados. Mas um exame sério nos leva a reconhecer que essa contradição é mais aparente que real resultante da interpretação dada a passagens que, em geral, só possuíam sentido alegórico."

Quando se aborda o aspecto religioso das coisas, temos o grande referencial textos dos livros sagrados. Estes textos, que passaram por uma série de traduções, guardam em muitos momentos passagens altamente deturpadas, não por má fé, mas sim pela troca ou falta de alcance na tradução de determinadas frases ou expressões. Vemos isso com os próprios livros da Codificação Espírita.

Em muitos momentos, ao compararmos a tradução feita por um e por outro, sentidos diferentes e isso faz com que muitos prefiram basear-se na tradução dum ou de outro. Sem desmerecer o mérito e dedicação de cada tradutor, precisamos observar que mesmo um idioma conhecido como o francês, pode sofrer variáveis em suas traduções, principalmente se levarmos em conta que existem expressões idiomáticas não equivalentes e dialetos provincianos.

Somando-se ao fator tradução desde as épocas remotas, o fator compreensão das reais mensagens transmitidas ou fatos ocorridos, eis que temos a confusão que remonta diversas passagens religiosas.

Exposição: Fiorell@!

 

Questão 59 - parágrafo 3 a 8

Nos estudos passados vimos as questões 56, 57 e 58, adentrando á 59. Através delas, pudemos compreender um pouco sobre a forma física de outros planetas, algumas particularidades no tocante às suas fontes de luz e também sobre as peculiaridades que possuímos em nosso planeta e que poderiam, perfeitamente, se ajustarem a mundos mais avançados e de forma mais usual, como vimos, por exemplo, acerca do fenômeno da natureza denominado Aurora Boreal.

Ao adentrarmos à questão 59, começamos a ver um pouco sobre as CONSIDERAÇÕES E CONCORDÂNCIAS BÍBLICAS REFERENTES À CRIAÇÃO. A forma como os diferentes povos encaram a criação e  a maneira como as comprovações científicas tem se imiscuído nestas  crenças. Encerramos falando sobre as diversidades de traduções e a maneira como elas podem interferir ou não no aprendizado da Doutrina Espírita.

No tocante a este ponto, trouxe um artigo interessante que fala um pouco do porquê serem necessárias tantas traduções da Bíblia e aonde as descobertas da Ciência ajudam na interpretação ou tradução do que ali se encontra:

http://www.vidaacademica.net/v1/content.asp?id_conteudo=96

Para hoje, prosseguiremos a partir do parágrafo 3, que nos diz o seguinte:

"- A questão do primeiro homem, na pessoa de Adão, como único tronco da Humanidade, não é a única sobre a qual as crenças religiosas têm de modificar-se. O movimento da Terra parecia, em determinada época, tão contrário aos textos sagrados, que não há formas de perseguição a que essa teoria não tenha dado pretexto. Não obstante, a Terra gira, malgrado os anátemas, e ninguém hoje em dia poderia contestá-lo, sem ofender a sua própria razão."

Adão, como já vimos em outro encontro, trata-se de um sentido figurado que foi dado aos diversos ‘primeiros-homens’ que proliferaram na Terra e em diversas partes ao mesmo tempo, conforme vimos na questão 44.

As sementes de seus corpos estavam espalhadas e armazenadas em diversos pontos, aguardando o momento oportuno de eclodirem e reproduzirem-se entre sim. Mutações e modificações foram sendo feitas, adaptando-as ao Planeta e ás regiões aonde despertaram. O próprio espírito se adaptou ao mundo em que estava, sendo secundado pela espiritualidade amiga responsável por estas adaptações.

No tocante ao movimento da Terra, já vimos por diversas vezes, as cassações e absurdos que foram realizados aos que ousaram apresentar suas teorias, algumas das quais, com grande cunho verídico. Fogueiras foram acionadas, inclusive querendo preservar interesses próprios em detrimento do avanço da humanidade. Prosseguindo, temos que:

A Bíblia diz igualmente que o mundo foi criado em seis dias, e fixa a época da Criação cerca de quatro mil anos antes da Era Cristã. Antes disso, a Terra não existia; ela foi tirada do nada. O texto é formal. E eis que a ciência positiva, a Ciência inexorável, vem provar o contrário. A formação do globo está gravada em caracteres indeléveis do mundo fóssil, e está provado que os seis dias da Criação representam outros tantos períodos, cada um deles, talvez, de muitas centenas de milhares de anos.

Esta é a parte da Doutrina Espírita que muito me atrai, embora em diversos momentos eu não tenha compreensão suficiente para entender a tudo o que ela se refere. Mas vejam só: em alegoria, podemos dizer que Deus acordou inspirado, sacou de uma esfera e em incessante e árduo trabalho, criou o Planeta ou mundo. Depois, cansado de sua inspiração magnífica, descansou, deixando ao homem que cuidasse de tudo.

Já nesta época o homem mostrou-se um mal administrador e, mesmo sem conhecer o que seria a morte ou a dor, foi ameaçado por elas. Ainda assim, não satisfeito, sucumbiu e pôs a perder todas as criações divinas, fazendo com que Deus modificasse todo os seus planos com relação às criaturas que acabara de criar. Quantos atributos mundanos para Deus, não?

No entanto, o que a Ciência nos mostra, através de pesquisas infindáveis, é que aonde se lê dias se podem ler eras. E muitas outras objeções foram sendo apresentadas pelos estudiosos. É aquele ponto em que Herculano Pires se referiu em seu livro a Agonia das Religiões, mostrando-nos a mudança comportamental que se instaurou  na mudança do século e trazendo a saindo os sistemas místicos e dogmáticos, para entrar os pesquisáveis e comprováveis hauridos através dos estudos científicos.

Inclusive, conforme podemos constatar Na Gênese, capítulo XII, a pressão exercida pelos ditos mal compreendidos constantes da Bíblia era tamanha, que muitos cientistas em querendo comprovar e expor determinados fatos, tentavam adequar-se aos seis dias como se fossem seis eras, por exemplo, mas nada que com o estudo desvinculado de qualquer pressão ou necessidade de que estivesse andando em paralelo com os ensinamentos Bíblicos, não trouxesse á baila como sendo totalmente diferente e alegórico, donde já se puderam perceber mais de 25 formações ou eras e perfeitamente caracterizadas. Vejam, inclusive a próxima colocação feita pela espiritualidade:

E não se trata de um sistema, uma doutrina, uma opinião isolada, mas de um fato tão constante como o movimento da Terra, e que a Teologia não pôde deixar de admitir, prova evidente do erro em que se pode cair, quando se tomam ao pé da letra as expressões de uma linguagem freqüentemente figurada. (1) Devemos concluir, então, que a Bíblia é um erro? Não; mas que os homens se enganaram na sua interpretação (2).

(1) As recentes declarações do papa Pio XII, admitindo os cálculos da Ciência para a formação da Terra, confirmam o acerto de Kardec nesta nota. (Nota do tradutor).

(2) Advertência aos que condenam a Bíblia sem levar em conta os fatores históricos e a linguagem figurada do texto.

Procurei por esta informação de Herculano Pires, que é o tradutor de meu livro dos Espíritos, mas me deparei com tanta coisa acerca do Papa XII, que foi meio complicado ‘garimpar’ essa passagem. Aliás, falando em procura e em tentar compreender, outro dia estava em uma comunidade do Orkut, que fala de Ciência x Religião ou algo assim. E é assombroso ver como as pessoas se pronunciam ou manifestam em relação a alguma coisa, sem o devido respeito, sem a devida análise e sem até, o devido conhecimento.

Estavam abordando Células tronco e, em muitos momentos, discutiam e se xingavam entre sim, chamando-se de burros, imbecis e daí por diante, como se o fato de acharem isso do companheiro os colocasse em elevada posição. No entanto, quando se prestava atenção aos fundamentos daquilo que estavam tentando passar com uma linguagem rebuscada, podia-se notar o tal do vazio interior ou contido na idéia que externavam.

O mesmo ocorre quando simplesmente dizemos que a Bíblia é um conjunto de ilusões. Estamos errando e de forma muito infeliz, apenas alardeando coisas que nem temos o real conhecimento. Interessante vermos isso partindo dos espíritas, o que demonstra que não leram sequer as obras básicas da Codificação, para afirmarem isso.

Tivessem lido, teriam se deparado com esta frase de Kardec contida em A Gênese no capítulo IV: "De todas as antigas gêneses, a que mais se aproxima dos dados científicos modernos, apesar dos seus erros, hoje evidentemente demonstrados, é incontestavelmente a de Moisés". E aonde está esta Gênese? Na Bíblia!!

Ocorre, creio eu, uma pressão muito grande advinda dos companheiros de outras seitas e religiões, que nos dizem coisas como a que não seguimos a Bíblia, que nos colocam em xeque em relação ao Cristo e cosias do tipo. No entanto, nada que o estudo e a serenidade não possam dirimir.

Temos inclusive, uma excelente obra escrita por Herculano Pires intitulada Visão Espírita da Bíblia e que nos proporciona excelentes referenciais a cerca do assunto. Nela, Herculano tece comentários e demonstra comparativos entre passagens Bíblicas e colocações dos livros da Codificação, que nos fazem perceber como o espiritismo caminha em paralelo a ela, dando-lhe sim as devidas interpretações e os devidos entendimentos.

Quanto aos enganos nas interpretações, eis aquilo que falávamos no encontro anterior. Afora as diferenças de tradução, existem também as diferenças de interpretação e de interesses e, como bem frisou o Márcio, um crime no que diz respeito a estas obras. Prosseguindo:

A Ciência escavando os arquivos da Terra, descobriu a ordem em que os diferentes seres vivos apareceram na sua superfície e essa ordem concorda com a indicada no Gênesis, com a diferença de que essa obra, em vez de ter saído miraculosamente das mãos de Deus, em apenas algumas horas, realizou-se sempre pela sua vontade, mas segundo as leis das forças naturais, em alguns milhões de anos.

Em muitos momentos, dentro do Gênesis, encontramos passagens como a de que Deus disse: crescei e multiplicai-vos e, de forma instantânea, cresceram e se multiplicaram. Estas passagens, interpretadas sob aquele prisma de um dia apenas para que tudo se concretizasse, dá-nos a impressão de que Deus é mágico e, ao mesmo tempo, sujeito às nossas intempéries emotivas, como já vimos anteriormente.

No tocante à referida obra, pode-se observar que ela não foi trazida diretamente por Ele burlando suas próprias leis (mais uma vez a falta de justiça e igualdade, privilegiando a si mesmo em detrimento de suas criaturas, algo inadmissível em se tratando de nosso Criador). Enfim, detalhes que podemos e devemos nos ater, para não negarmos simplesmente uma obra. Sempre lembrando que, para o momento em que ela nos foi era trazida, era necessário que assim se procedesse.

Nos filmes que retratam essa passagem, vemos sempre as orgias e festas que o povo confinado no deserto começou a promover, ante a impaciência em esperar o retorno de Moisés com os dez mandamentos e o direcionamento que o povo deveria ter daquele ponto em diante. Prosseguindo temos que:

Deus seria, por isso, menor e menos poderoso? Sua obra se tornaria menos sublime, por não ter o prestígio da instantaneidade? Evidentemente, não. É preciso fazer da Divindade uma idéia bem mesquinha, para não reconhecer a sua onipotência nas leis eternas que ela estabeleceu para reger os mundos. A Ciência, longe de diminuir a obra divina, no-la mostra sob um aspecto mais grandioso e mais conforme com as noções de ter ela se realizado sem derrogar as leis da Natureza.

Esta grandiosidade que é ressaltada, reside justamente no fato de que ao percebermos os detalhes da criação, perceberemos como cada criatura exerceu particular e importante papel nesta mesma criação, e estaremos sim dando o devido crédito e reconhecimento a Deus, pois além de nos criar, ainda nos deu a oportunidade de que buscássemos o aprimoramento, o trabalho, a dedicação e o amor dentro daquilo que estava sendo co-criado.

Oportunidade maior ainda quando nos proporcionou Leis sábias, quando nos permitiu um guia como Moisés, quando permitiu a chegada do Mestre Jesus entre nós e quando se confirmou a promessa do Mestre, acerca do Consolador prometido, que se fez presente através da Codificação Espírita. Ou seja, por mais que se alegue uma brecha imensa entre Ciência e Religião, o que temos visto é a primeira abraçar a segunda, apenas esclarecendo fatos e renomeando situações ou coisas, mas dando o seu respaldo único enquanto Ciência.

A Ciência, de acordo neste ponto com Moisés, coloca o homem por último na ordem da criação dos seres vivos. Moisés, porém coloca o dilúvio universal no ano de 165ª da formação do mundo, enquanto a Geologia nos mostra o grande cataclismo como anterior à aparição do homem, tendo em vista que, até agora, não se encontra nas camadas primitivas nenhum traço da sua presença, nem da presença dos animais, que sob o ponto de vista físico, são da sua mesma categoria.

Os dados mais recentes acerca destas passagens, que consegui encontrar, foram trazidos por geólogos americanos e por volta de 1998; estes geólogos da Universidade de Columbia, William Ryan e Walter Pittman, elaboraram a teoria de que o Dilúvio na verdade seria um mito derivado de uma fantástica catástrofe natural, ocorrida por volta do ano 5600 a.C., nas margens do atual Mar Negro.

Segundo as proposições dos dois pesquisadores, o evento regional teria provocado a migração de diversos grupos sobreviventes – o que explicaria o caráter dito universal (que se encontra em várias culturas) do Dilúvio.

Para os geólogos, o evento foi provocado pelo degelo ocorrido ao final da última glaciação. Em suas pesquisas, analisaram as formações geológicas e imagens submarinas, concluindo que uma grande quantidade de água marinha rompeu o atual estreito de Bósforo, com a elevação paulatina e excessiva do Mar Egeu e dali para o Mar de Mármara, ocasionando a abrupta inundação do Mar Negro.(fonte wikipédia)

Bom, aos pansóficos de plantão, trouxe os seguintes links. Um explica algo sobre a inundação e a correlação com o dilúvio, pela visão Criacionista, ou seja, daqueles seguem a Bíblia. Eles defendem que a descoberta de indícios habitacionais no fundo do Mar Negro se deva à ocorrência de uma inundação desencadeada pela era Glacial.

http://www.scb.org.br/fc/Fc65_06.htm

Um outro ensaio interessante poderá ser encontrado neste link fazendo analogias acerca de quando os arqueólogos encontraram em Nínive da biblioteca do imperador assírio Assurbanípal (668-627 a.C.) e corrida ao ‘ouro bíblico’ que se desencadeou por esta circunstância.

http://www.klepsidra.net/klepsidra23/gilgamesh.htm

Por fim, trouxe um artigo interessante que fala acerca da presença de dinossauros dentro da Arca de Noé e os erros crassos cometidos pelos cientistas ao defini-los sempre como gigantescos:

http://www.luzparavida.net/dinossauros.html

Pansofianismos à parte a grande realidade na qual precisamos nos deparar é a de que as próprias Ciências encarregadas de assuntar o trem do dilúvio ainda não conseguiram nada de definitivo. Vão sempre retrocedendo em datas, épocas e definições, mas que ele houve, lá isso houve!! No próximo item, temos a seguinte colocação:

Mas nada prova que isso seja impossível; várias descobertas já lançaram dúvidas a respeito, podendo acontecer, portanto, que de um momento para outro se adquira a certeza material da anterioridade da raça humana. E então se reconhecerá que, nesse ponto, como em outros, o texto bíblico é figurado.

Eis aquilo que procuramos com os achados. Não é desmentir essa ou aquela crença, mas sim nos aproximarmos dos dados corretos acerca do surgimento do homem. Aonde seremos levados por esta descoberta? Creio que talvez um fragmento que, ao ser juntado a outros, nos trará aquela comprovação que tanto queremos acerca da existência divina ou de tantas outras dúvidas que rondam o pensar humano.

A questão está em saber se o cataclismo é o mesmo de Noé. Ora, a duração necessária à formação das camadas fósseis não dá lugar a confusões, e no momento em que se encontrarem os traços da existência do homem, anteriores à grande catástrofe, ficará provado que Adão não foi o primeiro homem, ou que a sua criação se perde na noite dos tempos. Contra a evidência não há raciocínios possíveis, e será necessário aceitar o fato, como se aceitou o do movimento da Terra e o dos seis períodos da Criação.

Justamente isso que trouxemos nesta noite: saber acerca do dilúvio e de data correta, nos trará algo mais do que apenas a comprovação do erro ou do acerto bíblico (até o momento, estamos percebendo que se trata mais de um erro ou má interpretação) no tocante ao surgimento do homem na Terra. Para saber mais sobre as várias versões que envolvem a Arca de Noé e seus propósitos, existe um resumo muito interessante nestes endereços:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dil%C3%BAvio

http://pt.wikipedia.org/wiki/Arca_de_No%C3%A9

Sigamos o raciocínio da espiritualidade:

A existência do homem antes do dilúvio geológico é, não há dúvida, ainda hipotética, mas eis como nos parece menos. Admitindo-se que o homem tenha aparecido pela primeira vez na Terra há quatro mil anos antes de Cristo, se 1650 anos mais tarde toda a raça humana foi destruída, com exceção apenas de uma família, conclui-se que o povoamento da Terra data de Noé, ou seja, de 2350 antes da nossa era.

Imagino que na cabeça de alguns de vocês esse trem todo de datas deva estar fazendo uma certa confusão na cabeça. Na minha fez e precisei usar de muito ‘equilíbrio’ para desembaraçar todas as datas, Noé, Dilúvio, Moisés, Bíblia, Jesus, homo sapiens e etc...Vamos ver só mais um pouco de datas e alinhar todo esse trem, para que fique fácil em nossa mente:

Ora, quando os hebreus emigraram para o Egito, no décimo oitavo século, encontraram esse país bastante povoado e já bem avançado em civilização. A história prova que, nessa época, a Índia e outros países eram igualmente florescentes, mesmo sem levarmos em conta a cronologia de certos povos, que remonta a uma época mais recuada. Teria sido então necessário que do vigésimo quarto ao décimo oitavo século, quer dizer, num espaço de seiscentos anos, não somente a posteridade de um único homem tivesse podido povoar todas as imensas regiões então conhecidas, supondo-se que as outras não estivessem povoadas, mas também que, nesse curto intervalo, a espécie humana tivesse podido elevar-se de ignorância absoluta do estado primitivo ao mais alto grau de desenvolvimento intelectual, o que é contrário a todas as leis antropológicas.

Só a título de curiosidade, gostaria de dizer-lhes que pela Torá, Moisés decidiu ser pai quando tinha por volta de 500 anos e teve 3 filhos, que se salvaram na arca juntamente com suas esposas. Interessante, não?

(http://www.morasha.com.br/edicoes/ed43/noe.asp )

Vamos lá...4.000 anos antes de Cristo, surgiu o homem. Lá pelos idos de 2350 anos antes da chegada do Cristo e da Era Cristã, ocorreu o dilúvio. Em torno de 600 anos depois do dilúvio, quando o povo hebreu chega ao Egito, encontra lá muita gente e muita evolução. Pelos achados e estudos, vemos que nessa mesma época, na Índia e cercanias, já havia uma povoação surpreendente além de culturalmente evoluída e avançada!! Cronologicamente impossível. Geograficamente mal explicado.

Se na época de Noé, como é dito pela Torá, a criatura já vivia mais de 500 anos e em plena atividade reprodutora, que terá ocorrido para tempos depois, o homem viver apenas em torno de 60 ou 70 anos e já ser considerado como velho? Ou seja, muita lenha para queimar nessa fogueira do entendimento.

 Exposição: Fiorell@!

 

Questões 59 (finalização) e  60

No encontro passado através dos parágrafos que abordamos, vimos um pouco sobre a figura de Adão, o valor positivo da Bíblia, passagens relativas ao dilúvio e ás descobertas da Ciência neste sentido.

Começamos a abordar as diferentes raças existentes na face da Terra e os dados históricos sobre as mesmas que, definitivamente, não batem com os relatos bíblicos. Percebemos como num espaço de 600 anos seria impossível que de um só tronco, pudessem se espalhar tantas criaturas na face da Terra, coisa que ficaria facilmente analisável se olhássemos pela ótica fisiológica das criaturas. Para hoje, prosseguiremos através da seguinte colocação:

A diversidade das raças humanas vem ainda em apoio desta opinião (da impossibilidade de em 600 anos encontrarem tanta evolução e reprodução). O clima e os hábitos produzem, sem dúvida, modificações das características físicas, mas sabe-se até aonde pode chegar à influência dessas causas, e o exame fisiológico prova a existência, entre algumas raças, de diferenças constitucionais mais profundas que as produzidas pelo clima.

Povos diferentes espalhados por localidades diferentes. Vimos isso nas questões anteriores. Apenas relembrando. Vou prosseguir, pois este trecho se explica por si só:

O cruzamento de raças produz os tipos intermediários; tende a superar os caracteres extremos, mas não cria estes, produzindo apenas as variedades. Oras, para que tivesse havido cruzamento de raças, era necessário que houvesse raças distintas, e como explicarmos a sua existência, dando-lhes um tronco comum, e, sobretudo tão próximo? Como admitir-se que, em alguns séculos, certos descendentes de Noé se tivessem transformado, a ponto de produzirem a raça etíope, por exemplo? Uma tal metamorfose não é mais admissível que a hipótese de um tronco comum para o lobo e a ovelha, o elefante e o pulgão, a ave e o peixe. Ainda uma vez, nada poderia prevalecer contra a evidência dos fatos.

Pois é, nos deparamos aqui com exemplos antagônicos, tais quais um elefante e um pulgão. Esse antagonismo na cadeia e na formação dos seres, nada mais quer nos mostrar do que o simples fato de que cada raça possui sua característica própria e, mesmo quando misturada a outras, elas não se perdem, mas se adéquam á mistura.

Uma passagem vale a pena ser evidenciada em A Gênese, que retrata justamente sobre estas diferenças e se encontra no capítulo XI item 39:

(...)Do ponto de vista fisiológico, algumas raças apresentam característicos tipos particulares, que não permitem se lhes assinale uma origem comum. Há diferenças que evidentemente não são simples efeito do clima, pois que os brancos que se reproduzem nos países dos negros não se tornam negros e reciprocamente. O ardor do Sol tosta e brune a epiderme, porém nunca transformou um branco em negro, nem lhe achatou o nariz, ou mudou a forma dos traços da fisionomia, nem lhe tornou lanzudo e encarapinhado o cabelo comprido e sedoso. Sabe-se hoje que a cor do negro provém de um tecido especial subcutâneo, peculiar à espécie.

Há-se, pois, de considerar as raças negras, mongólicas, caucásicas como tendo origem própria, como tendo nascido simultânea ou sucessivamente em diversas partes do globo. O cruzamento delas produziu as raças mistas secundárias. Os caracteres fisiológicos das raças primitivas constituem indício evidente de que elas procedem de tipos especiais. As mesmas considerações se aplicam, conseguintemente, assim aos homens, quanto aos animais, no que concerne à pluralidade dos troncos. (Cap. X, nos 2 e seguintes.)(...)


Pois é gente Algumas vezes as coisas podem parecer redundantes e repetitivas, mas fazem parte de nossas bases de compreensão e assimilação. Quando vemos grupos avançados de estudos doutrinários ou segmentos específicos como o médico, por exemplo, abordando os aspectos da Doutrina Espírita, fica até parecendo que Kardec era aluno da primeira série, pois eles possuem argumentos tão fortes e consistentes, que Kardec talvez ficasse boquiaberto diante de suas colocações.

O que não podemos esquecer é justamente do acúmulo intelectual de tais criaturas, os novos termos que são conhecidos e abordados em nosso dia-a-dia e a facilidade imensurável que temos hoje em dia. À época de Kardec, era preciso acumular pilhas e pilhas de livros para se conseguir uma determinada resposta. Hoje em dia, essa mesma resposta pode ser encontrada mastigada e em diversos livros e páginas na Internet. Muito mais fácil partir de um caminho já trilhado do que trilhar novos.

E o que pouco se observa é que, se depois de mais de 2000 anos ainda não compreendemos os ensinamentos do Mestre, ensinamentos estes que estão apenas voltados á nossa moralidade e ao nosso caráter, quem dirá em apenas cento e tantos anos compreendermos em profundidade e em grau adiantado, toda a parte científica e filosófica da Doutrina Espírita. O que se vê neste meio tão erudito e rebuscado em palavras é também aquilo que vemos nos meios em que a inteligência escassa e o palavreado predominam, apenas mudam as coisas: ao invés de dizerem que determinada criatura é burra, alegam em sua profunda sabedoria que ela está enganada, o equivalente a chamá-la de burra.

Ocorreu isso com Galileu, Einstein e ainda haverá de ocorrer com muitas pessoas. Infelizmente, os pseudos-sábios e intelectuais utilizam-se de muitas palavras e pouco conteúdo; exercitaram aquilo que estamos exercitando agora: a minúcia no compreender e assimilar, mas externam de forma desprovida de caridade e fraternidade, respeito e consideração pelo muito que outros tiveram de caminhar para encontrar o que eles hoje encontram mastigado.

E quando Kardec se mostra minucioso nas alegações e nos esclarecimentos, o faz a mando da espiritualidade superior encarregada de nos trazer as obras da codificação. Estes irmãos sabiam muito bem das dificuldades, dos percalços e, até creio que nem seremos frívolos em dizer que em muitos momentos devem nos olhar e se apiedarem do tanto de tempo que perdemos com determinadas coisas.

Em muitos momentos devem perceber que já viram estes mesmos filmes em outros Planetas e envolvendo outros assuntos e acabam por exercitar seu amor e tolerância ao próximo e a gente aqui, martelando ferro frio. Enfim, apenas fico estarrecida quando vejo alguns pseudo-debates doutrinários. Vejamos lá como finaliza Kardec a questão 59:

Tudo se explica, pelo contrário, admitindo-se a existência do homem antes da época que lhe é vulgarmente assinalada; a diversidade das origens; Adão, que viveu há seis mil anos, como tendo povoado uma região ainda inabitada; o dilúvio de Noé como uma catástrofe parcial, que se tomou pelo cataclismo geológico; (1) e tendo-se em conta, por fim, a forma alegórica peculiar ao estilo oriental, que se encontra nos livros sagrados de todos os povos.

Neste item um, temos a seguinte explicação dada por Herculano Pires:

(1) As escavações arqueológicas realizadas por Sir Charles Leonard Wolley, em 1929, ao norte de Basora, próximo ao Golfo Pérsico, para a descoberta de Ur, revelaram os restos de uma catástrofe diluviana ocorrida exatamente quatro mil anos antes de Cristo. Ao encontrar a camada de lodo que cobria as ruínas da Ur primitiva Wolley transmitiu a notícia ao mundo nos seguintes termos: “Encontramos os sinais do dilúvio universal”. Trabalhos posteriores comprovaram o fato, mostrando que houve um dilúvio local no delta do Tigre e do Eufrates, exatamente nada ata assinalada pela Bíblia. Este fato vem confirmar a previsão de Kardec (N.do T.)

Bom gente, no encontro passados vimos e cansamos de ver informações mais atuais sobre as mesmas situações e que só nos chegam para corroborar aquilo que Kardec trouxe-nos pela Codificação. Ademais, finalizaremos com este último parágrafo da questão 59:

Eis porque é prudente não se acusar muito ligeiramente de falsas as doutrinas que podem, cedo ou tarde, como tantas outras, oferecer um desmentido aos que as combatem. As idéias religiosas, longe de perder, se engrandecem, ao marchar com a Ciência; esse o único meio de não apresentarem ao ceticismo um elo vulnerável.

Acho que talvez agora vocês entendam porque falei sobre os debates espíritas, logo mais acima. Kardec nos diz que não é prudente acusemos de falsas as doutrinas que podem, cedo ou tarde, desmentir estes mesmos que as combatem. Imaginem a prudência e o bom-senso que não devemos ter ao dizer, por exemplo, que Kardec precisa ser revisto. Gente, quem fará essa revisão? Quem possui as qualidades similares á ele ou o respaldo necessário da espiritualidade para isso? Uffa...desculpem-me, mas acho que me senti muito incomodada com um debate que observei, pior que ele abordava Células-Tronco.

Finalizado esta questão, eis que podemos e devemos concluir que a existência do homem é anterior aos 4.000 anos alardeados pelas religiões e que o homem se originou por processo muito mais acurado e minucioso do que a saliva em meio ao barro. Formas alegóricas de nos mostrarem que a saliva de Deus (sua vida) fecundou a terra aonde estavam agasalhadas as sementes dos seres, inclusive, os humanos.

Bom, virando a página do capítulo III que trata da Criação e adentrando ao IV, que trata do princípio Vital, teremos algum material interessante inclusive para os estudos de transplantes que realizamos as terças-feiras. No prólogo temos a seguinte colocação:

(...) Os seres orgânicos são os que trazem em si mesmos uma fonte de atividade íntima, que lhes dá a vida; nascem, crescem, reproduzem-se e morrem; são providos de órgãos especiais para a realização dos diferentes atos da vida e apropriados às necessidades de sua conservação. Compreendem os homens, os animais e as plantas.

Quando buscamos alguns referenciais acerca de quem seriam os tais seres orgânicos em seu nascedouro, eis que encontramos preciosa informação contida em A Gênese e que delibera sobre a formação primária dos seres. E mais uma vez nos vemos ás voltas com o estudo das camadas da Terra.

(...)Com efeito, o estudo das camadas geológicas atesta, nos terrenos de idêntica formação, e em proporções enormes, a presença das mesmas espécies em pontos do globo muito afastados uns dos outros. Essa multiplicação tão generalizada e, de certo modo, contemporânea, fora impossível com um único tipo primitivo.(...).

Quando buscamos essa fonte acerca do nascedouro, é justamente por termos estudado tudo aquilo que estudamos até então no capítulo III do Livro dos Espíritos, que trata da Criação. Neste novo capítulo, vamos conhecer um pouco mais da minúcia de tais seres, os orgânicos e inorgânicos, mas gostaríamos que o princípio de tudo não ficasse esquecido.

E é isto que a ciência já atesta ao mostrar os fatos e evidencias que são escarafunchados nas profundezas das camadas da Terra. E nós, com aquela eterna dúvida que nos ronda a mente (terei sido uma pedra ou um cachorro no princípio de minha vida? Só lembrando: Mineral não tem vida, não abriga nenhum princípio espiritual), teremos a oportunidade mais uma vez, através de detalhes e comentários adequados, percebermos que o material é o mesmo, mas o destino não.

Desde que dentro da concepção de seres orgânicos, ou seja, seres vivos e que possuem funções específicas para realizarem o ciclo de nascimento, vida, reprodução e morte, eis que todos são feitos do mesmo material e este material vai passando por todas as etapas evolutivas, o que não significa que nós tenhamos um dia estagiado lá entre as amebas, embora muitas pessoas sejam assim denominadas. A grande diferença está justamente naquilo que nos anima, enquanto seres humanos, o princípio inteligente, que estudamos anteriormente.

Compreenderemos melhor alguns aspectos da ‘vitalidade’ que nos envolve e teremos noção de como essa vitalidade se forma e em quais momentos específicos isso se dá. Vamos lá à definição dos inorgânicos:

Os seres inorgânicos são os que não possuem vitalidade nem movimentos próprios, sendo formados apenas pela agregação da matéria; os minerais, o ar, etc.

Delanne em Evolução Anímica anos diz: "No mundo inorgânico, tudo é cego, passivo, fatal; jamais se verifica progresso; não há mais que mudanças de estados, que em nada modificam a natureza íntima da substância". Ainda assim, nas miudezas da natureza e do cosmos, alguns estudiosos conseguem encontrar dúvidas no tocante a essa diferença e acabam trazendo questões interessantes.

Por exemplo, dado os mecanismos de formação de certos elementos, os cristais, por exemplo, surge a dúvida se eles não seriam elementos vivos e orgânicos, ou seja, providos de vida. E nisso trouxe a colocação do Dr. Ary Lex (
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/estudo/atuacao-do-principio.html ) acerca deste raciocínio:

(...) Realmente, os cristais têm formas características: as suas moléculas se agregam formando cubos, pirâmides de bases hexagonais ou octogonais, e assim por diante. Porém aqui a única semelhança é a forma, mas esta é conseqüência apenas de leis físicas de atração, que levam as moléculas do cristal a se agruparem formando figuras geométricas. Os cristais não têm nenhuma das outras qualidades dos seres vivos: são formados geralmente de moléculas pequenas; não nascem, nem crescem, nem morrem, permanecendo indefinidamente, até que um agente externo dissolva as moléculas no líquido que os abriga. Não reagem aos estímulos externos, não têm metabolismo e não evoluem (...).

Interessante esta afirmação, pois embora possa nos parecer um elemento vivo, ele é apenas um elemento que possuiu formas diferentes de apresentação. E a maneira como o tema é abordado por Delanne, mostra-nos como devemos usar do nosso raciocínio para com as questões que se nos apresentam.

Ele compara fatos, busca entendimento e exerce a lógica ao lidar com a situação. A lógica aliada ao bom-senso e ao estudo dá a ele a segurança em poder dissecar uma dúvida e apresentar as respostas necessárias. O mesmo se deu com o vírus, tido como ser vivo e que, no entanto, é uma ‘coisa’ formada dentro de uma célula. Sem a célula o vírus não sobrevive e não pode ser considerado como elemento orgânico.

o Dr. Ary Lex nos fala nos seguintes termos:
(...)Quanto aos vírus, o problema já é mais difícil. Vejamos um resumo do que nos ensina Luc Montagner, um dos maiores virologistas do mundo, que conseguiu identificar o vírus da AIDS (Vírus e Homens, Luc Montagner. Tradução de Maria Luiza Borges - Jorge Zahar Editor -1995). Diz ele: "No fim do século XIX, quando a origem bacteriana das doenças infecciosas foi reconhecida, o termo vírus ou vírus filtrantes passou a ser aplicado a agentes transmissíveis, que são invisíveis ao microscópio e passam através dos filtros de porcelana, que retêm as bactérias.Foi assim que se demonstrou a origem viral de doenças que afetam plantas, como o mosaico do tabaco, e outras responsáveis por doenças animais e humanas, como a gripe, a poliomielite, a varíola etc.. A invenção do microscópio eletrônico permitiu observá-los diretamente".

Continua Montagner: "Os vírus são seres vivos? Não exatamente, porque só existem no interior das células de que são parasitas. O programa genético está inscrito na banda magnética formada pelo ARN ou pelo ADN. Ele é centenas de milhares de vezes mais curto que aquele que contém o programa genético da célula. Para poder sobreviver no exterior da célula, o vírus está encerrado numa casca de proteínas, a qual por vezes está cercada por um invólucro de lipídios".

Penetrando célula, o vírus começa a se reproduzir, usando o material da própria célula. Enzimas específicas produzem milhares de cópias do ADN, cujo mecanismo não citaremos, por desnecessário. Todas elas são mensagens que dirigem a síntese das proteínas virais. Formam-se nossos vírus, que saem das células, indo infectar outras.
Estudando esses fatos, os biologistas e infectologistas ficaram na dúvida se poderiam ou não considerar os vírus como seres vivos. Primeiro, porque só conseguem viver dentro de células, reproduzindo-se às custas do material destas. Segundo porque não têm as demais características dos seres vivos.

Interessante, não gente? Perceberam como é necessário esmiuçar a questão para poder afirmar se é um elemento orgânico ou inorgânico? Ainda assim, talvez só compreendamos realmente o que há de querer dizer com tudo isso, lá na questão 70 em diante. Mas fica o raciocínio e o exemplo de como devemos encarar as propostas que nos são colocadas.

Para muitos, trata-se apenas de responder 'a espiritualidade disse'...Mas não é assim. Eis, mais uma vez, o tríplice aspecto de nossa Doutrina. E, neste caso, o científico fala mais alto. Imaginem no trem das células tronco que haveremos de abordar entre a próxima semana e a outra? Enfim, adentremos as questões e vejamos o que podemos compreender:

60. É a mesma a força que une os elementos materiais nos corpos orgânicos e inorgânicos?
Resp. – Sim, a lei de atração é a mesma para todos.


O que é esse trem de força que une os elementos a que Kardec se refere? Justamente a atração! Ou seja, o mecanismo de formação de ambos, orgânicos e inorgânicos, é o mesmo. Trata-se da atração entre as moléculas e células. E este aparte é muito rico, quando percebemos que para os orgânicos, fatores como o ambiente (envolvendo ar, umidade, calor e a tal da composição química encontrada no ambiente) aos essenciais para a manifestação da sua existência.

Exposição: Fiorell@!

 

Questões 61 a 63

Nos estudos passados finalizamos a questão 59 e, conseqüentemente, o capítulo III do Livro dos Espíritos, que trata da Criação. No capítulo IV, estamos abordando um pouco mais do lado científico do Livro dos Espíritos e que nos fala do Princípio Vital. A primeira parte, na qual estamos, trata dos seres orgânicos e inorgânicos.

Vimos um pouco sobre estes e também sobre a força de atração que une todos estes elementos. Embora já tivéssemos adentrado à questão 61, trouxe-a de volta para que mantivéssemos o fio de pensamento nas colocações seguintes. Aliás, gostaria de dizer-lhes que o Marcio sugeriu que déssemos uma olhada no livro de Camille Flammarion sobre  Vibrações - Teclado Universal, pois está relacionado a todos os princípios a serem vistos, que tem relação com uma coisa chamada ‘ambiente energético’. Relativo às questões 60 e 61 e elucidando parte das demais.Vamos a elas:

61. Há uma diferença entre a matéria dos corpos orgânicos e inorgânicos?
Resp. – É sempre a mesma matéria, mas nos corpos orgânicos é animalizada.


Para bordar melhor a diferença entre estes dois aspectos, trouxe-lhes um resumo preparado por Dr. Ary Lex ao citar Gabriel Dellane. Primeiro, vamos conhecer acerca da forma dos seres orgânicos:

(...) (a) FORMA: Geralmente os seres brutos não têm forma própria, ao passo que os vivos possuem forma específica. Por exemplo: quando falamos "areia", não estamos determinando forma alguma, nem quantidade; quando dizemos "mosca", estamos nos referindo a um ser que tem forma e tamanho certos. Se a areia tivesse um principio inteligente ou espiritual, ele corresponderia a um grão de areia ou a toda a areia do litoral? (...)

Parece-nos preto-no-branco e até simplista esta definição, mas ela pode, isolada, dar margem a dúvidas e divagações. Por isso, conheçamos as demais, para que elas se completem e nos ofereçam uma visão mais concreta acerca de quem são os orgânicos e os inorgânicos:

b) PROPRIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS: Os minerais apresentam composição química simples, sendo as moléculas formadas de poucos átomos, ao passo que a substância viva é complexa. Suas moléculas possuem milhares de átomos, como o caso da hemoglobina e das proteínas em geral. A composição dos seres brutos, além de simples, é estável, enquanto que a instabilidade caracteriza os vivos, pois a matéria organizada está em constante renovação. Mas não é só. Para haver vida, é preciso haver protoplasma, componente das células, formado principalmente por proteínas.

Eis aí mais um motivo para que o ‘vírus’ possa ser visto como um ser orgânico, ou seja, vivo. Poderia ser assim definido, não fosse aquele esclarecimento cedido pelo dr. Luc Montagner e que consta do estudo passado. Vejamos mais uma colocação dada por Delanne:

(...) Na Terra, só pôde surgir a vida no momento em que, na atmosfera, por meio das descargas elétricas, uniram-se metano, amônia, água e hidrogênio, formando-se os primeiros aminoácidos (Experiências de Urey e Miller). Estes se combinaram, formando proteínas, as quais se aglomeraram nos conservados e estes originaram células (Oparim, cientista russo). Todas as células têm cromossomos e ADN, que não existem nos minerais. (...)

Viram que interessantes estas informações? Mesmo através de todas as colocações das quais tomamos conhecimento anteriormente, sobre as vontades de Deus e a criação do mundo, se ainda mantivéssemos alguma dúvida no tocante ao início da vida, eis que a ciência nos traria mais um aparte para que víssemos as condições necessárias para que se iniciasse a vida na Terra.

E eles não falam de coisas distantes daquilo que estudamos até então. Energia foi necessária para que, ao juntar-se aos demais elementos, isso tudo virasse vida. E, lembrando ainda uma vez, de um de nossos estudos, talvez uns 5 atrás, aonde o cientista afirmava que as moléculas de vida estavam circulando pelo espaço,tais quais sementes, caindo sobre a Terra como uma chuva de elementos que estavam aguardando a atração com outros tantos elementos e as condições favoráveis para começarem a manifestar a eclosão da vida contida em si. Vejamos outro fator diferencial entre orgânicos e inorgânicos:

c) IRRITABILIDADE: Frente aos estímulos do meio exterior, os seres vivos reagem, por meio de movimentos, produção de secreções, reações agressivas ou tantas outras. Os minerais não têm irritabilidade: podemos bater numa pedra, aquecê-la, dar choques elétricos, que não teremos resposta alguma.

Delanne usa um exemplo até triste, quando ele quer enfatizar esta diferença entre ambos. Ele nos fala de uma rã que foi decepada e, a partir daí pode-se constatar que ao desligarmos os circuitos nervosos cessou a vida, ou seja, o comando se encontrava na mente e no núcleo nervoso. O restante do corpo passou a ser apenas uma massa e, embora cada órgão possuísse suas funções individuais e características (coração, rins, pulmões), e funcionassem em conjunto, nada disso ocorreu sem um comando central. Vamos a mais um:

d) METABOLISMO: O ser vivo retira do meio ambiente os alimentos de que necessita, incorporando-os ao seu organismo (anabolismo). No desgaste vital, decompõem-se substâncias do seu corpo, produzindo-se resíduos, que são eliminados (catabolismo). A glicose é queimada, produzindo energia, gás carbônico e água. Os minerais não têm metabolismo. Uma pedra do pico do Jaraguá, lá está, do mesmo jeito, há muitos milhões de anos.

Esse processo de entrada de alimento e subsistência, aliada á saída do alimento com a eliminação do material trabalhado e aproveitado, demonstram um processo funcional do chamado elemento orgânico. Em se tratando de um elemento inorgânico, pode até haver o desgaste natural (exposição à chuva, vento, calor, atrito, etc.), mas não se trata de um processo que partiu do elemento, assim então denominado inorgânico. Por último, temos o comparativo denominado EVOLUÇÃO:

e) EVOLUÇÃO: Todo ser vivo nasce, cresce, vive, reproduz-se e morre. Os minerais não apresentam esse ciclo vital: eles não nascem e nem morrem - sua duração é ilimitada. Imaginemos, por um desvario da imaginação, que um bloco de granito tivesse um princípio espiritual. Coitado dele - ficaria preso, imutável, sem evoluir, durante muitos milhões de anos.

Poxa vida, se analisarmos o vírus sob este prisma, poderemos até ficar na dúvida, não é mesmo? Afinal, ele cresce, vive, reproduz-se e morre. Interage com o meio, é bem verdade para poder efetuar estes processos, mas parece que está mais para um ser vivo do que um ser estático, não é mesmo? O que temos até então, é a característica predominante: inorgânico.

E o que podemos adiantar para o momento é que o vírus não consegue viver sem os demais elementos que subtrai do ambiente aonde se encontra (organismo vivo, seja animal ou vegetal) e também pelo fato de que não se adequar ás demais características concernentes aos seres orgânicos. Uma simples questão de lógica, observação. Mas que se torna imensamente profunda quando percebemos que temos de observar na profundidade, ou seja, não apenas no aspecto, mas no interior da estrutura.

Sem falar que ele só vive porque se alimenta do meio em que está. Olhem lá, mais uma vez, o trem do vampirismo ou do parasitarismo. Bem aquilo que concluímos no encontro passado acerca de TRANSPLANTES: muitos aspectos da Doutrina podem ser utilizados e adequados em outros assuntos, temas e até situações. Por isso do conjunto e que assim precisa ser analisado. Vamos á próxima:

62. Qual a causa da animalização da matéria?
Resp. – Sua união com o princípio vital.


Interessante isso, não? Por animalização da matéria, podemos subentender vida. Princípio vital x animalização. Quando a matéria tida como inorgânica, ou seja, sem vida, se une ao princípio vital, eis que ela se torna animalizada, ou seja, orgânica!! Este princípio, como bem explica Kardec em a Gênese no capítulo X e item 16, é ativo nos ser vivente e extinto nos ser morto. E, se não me engano, no estudo passado Paulo perguntou algo sobre qual era a formação inicial da cadeia existencial. Eu não soube responder e mais ninguém confirmou o que ele disse, ou seja, se eram as amebas as primeiras formas vivas.

Como lição de casa, fui lá xeretar e eis que encontro a tal da colocação que responde à pergunta dele e ainda acrescenta ao trem de animalização da matéria. Tinha lido e exposto aqui, algo acerca das Mônadas. E, na realidade, a mônada não é a primeira forma viva, mas sim um elemento básico e estrutural da matéria, de que são compostas as próprias partículas atômicas, ou seja, antes daquilo que Paulo perguntou. Acompanhemos a colocação de Emmanuel em seu livro “A Caminho da Luz”, psicografia de Chico Xavier e vejamos também a resposta ao Paulo:

“(...) Uma camada de matéria gelatinosa envolvera o orbe terreno nos seus mais íntimos contornos. Essa matéria, amorfa e viscosa, era o celeiro sagrado das sementes da vida. O protoplasma foi o embrião de todas as organizações do globo terrestre, e, se essa matéria, sem forma definida, cobria a crosta solidificada do planeta, em breve a condensação da massa dava origem ao surgimento do núcleo, iniciando-se as primeiras manifestações dos seres vivos. Olhem lá a resposta à pergunta do Paulo: Os primeiros habitantes da Terra, no plano material, são as células albuminóides, as amebas e todas as organizações unicelulares, isoladas e livres, que se multiplicam prodigiosamente na temperatura tépida dos oceanos”.(...)

Por protoplasma podemos entender em fisiologia como sendo o liquido contido nas células vegetais ou animais. Por extensão, qualquer substância contida no interior das células. (
http://win2nt239.digiweb.com.br/cgi-bin/delta.exe/dicionario/verbete?ID=59117 ). Lembram-se, meninos e meninas que logo acima, nas definições dos seres orgânicos e inorgânicos, abordamos um pouco das propriedades Físico-Químicas de ambos? E foi ali mesmo que falamos disto aqui: Para haver vida, é preciso haver protoplasma, componente das células, formado principalmente por proteínas.

E era isso que estava envolvendo a Terra; um embrião de todas as ‘formas’ do globo terrestre e ao se condensar eis que começa a surgir a vida e as tais células albuminóides, amebas e etc...Aliás, vejam que interessante... esse trem de célula albuminóides faz parte das proteínas e é encontrado principalmente no leite, nos ovos e no sangue. É vida pra tudo quanto é lado, né? Começo de tudo....Obrigada Paulo, por levantar a questão.

Só lembrando: Mônada: s.f. Unidade simples, indecomponível. (A mônada de Leiniz define-se como uma substância simples, dotada de percepção e de tendência. As mônadas são em número infinito e não têm nascimento nem morte.) || Biol. Ser de organização muito simples.

E que será esse poderoso princípio que é denominando de vital? Na próxima questão podemos observar algo mais acerca dele:

63. O princípio vital é propriedade de um agente especial, ou apenas da matéria organizada; numa palavra, é um efeito ou uma causa?
Resp. – É uma e outra coisa. A vida é um efeito produzido pela ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que dá vida a todos os seres que o absorvem e assimila.


Lá em A Gênese, podemos conceber o raciocínio de Kardec que nos diz que qualquer observação que seja feita com relação a esse assunto (e que ainda não é conclusiva em nenhum setor), pode-se dizer que ele existe e que seus efeitos são observáveis. E ainda nos demonstra através de exemplos que quando são observados corpos orgânicos e ele é EFEITO, não pode ser reconstituído, embora continue exercendo sua ação sobre a matéria.

Já quando ele é CAUSA nestes mesmos corpos orgânicos, se analisarmos todos os elementos constitutivos, alguns podem ser recuperados, como é o caso do oxigênio, do hidrogênio, do azoto e do carbono, mas quando acaba o princípio vital neles contidos, não podem ser reconstituídos, pois não mais existindo a CAUSA não mais será possível reproduzir o EFEITO.

Olhem lá um exemplo simples e de fácil compreensão: os corpos orgânicos podem ser comparados a pilhas elétricas que funcionam desde que tais pilhas estejam nas condições desejadas para que se produza a eletricidade que é a vida. E esta mesma vida se detém quando cessam estas condições: eis a morte.

Lembram-se que na terça-feira, estávamos abordando sobre o transplante de órgãos e falamos sobre isso? Questionávamos sobre a possibilidade de um órgão trazer consigo as vibrações daquele corpo em que habitava. E Eurípedes Kühl utilizou-se deste mesmo exemplo das pilhas, mostrando-nos que retirado o órgão das condições desejadas, ou seja, de dentro do corpo humano, ele mantém-se vivo por um período determinado, mesmo que artificialmente, mas que quando adentrar ao novo corpo estará apto a produzir a tal da energia ou da eletricidade comparando com a pilha.

Aliás, curiosidades à parte, alguém já ouviu dizer que quando colocamos pilhas velhas dentro do congelador por um período (acho que duas horas), ela retoma uma pequena sobrevida? Pois é. Funciona por um curto espaço de tempo, mas não cria a energia dentro dela. Apenas o processo de resfriamento faz com que ela se dilate (já viram que pilhas paradas vazam um liquido ardido e nojento, né?) e nesta dilatação acaba-se utilizando aquele restinho que ia para o lixo.

O mesmo se dá com alguns corpos orgânicos, como os órgãos, por exemplo. Podem ser mantidos em condições adequadas e variadas a cada tipo, mas não vão funcionar sozinhos, pois não são vidas, são ‘matérias animadas, corpos que receberam vida’.

Então, temos que pilhas enquanto recebem o princípio vital como EFEITO, passam a dar vida a um determinado aparelho (brinquedo, por exemplo), CAUSANDO-LHE a movimentação. Cessado o EFEITO, alimento da pilha, cessa a CAUSA, ou seja, o movimento.

EFEITO sem pilha, não é nada, apenas EFEITO, sem gerar uma CAUSA. Pilha sem EFEITO, não é anda, apenas algo inorgânico. Lembrem-se que, neste exemplo, a pilha seria o equivalente a um corpo inorgânico.

Exposto em 28-06-08 por Fiorell@!

 

Questões 64 a 68

Semana passada ficamos embananados com as pilhas, as causas, os efeitos, os orgânicos e os inorgânicos, ou seja, aprece que o trem não fluiu para alguns.... Aqueles que ficaram com dúvida, por um acaso, passaram pelo site para ler o estudo e apontar aonde não entenderam?E também, para os que ficaram em cima do muro com relação aos vírus, bioquímicos, cientistas e outras opiniões no tocante aos vírus serem classificados como seres vivos ou não, trouxe-lhes um link que delimita algumas situações e que seria interessante a sua apreciação na íntegra, assim, talvez, possamos compreender melhor as colocações feitas na semana retrasada e passada acerca da qualificação do vírus:

Atuação do Princípio Inteligente não começa nos minerais.

Encerramos os estudos semana passada, mostrando que o princípio Vital é o ‘x’ que dá vida ao corpo inorgânico, por outro lado, ele sozinho não é nada, assim como um corpo aonde não existe este fluído, só pode ser denominado inorgânico. O princípio vital se recompõe dentro dos seres orgânicos e, quando da falência destes, volta ao universo.

Bom, vamos a um pouco mais de questões para visualizarmos melhor todo este princípio:

64. Vimos que o espírito e a matéria são dois elementos constitutivos do Universo. O princípio vital formaria um terceiro?
Resp. – É um dos elementos necessários à constituição do Universo, mas tem a sua fonte nas modificações da matéria universal. É um elemento, para vós, como o oxigênio e o hidrogênio, que, entretanto, não são elementos primitivos, pois todos procedem de um princípio.


Neste pergunta, Kardec tenta chegar á definição de que o PRINCÍPIO VITAL seria um terceiro elemento do Universo, como vimos que Espírito e matéria o são. É a mesma questão que fora colocado quando da soma do princípio inteligente à matéria. O princípio inteligente não é um terceiro elemento, assim como o PRINCÍPIO VITAL também não o é. Este, o princípio vital, retira sua constituição e modificações no fluido cósmico universal, ou seja, é mais um dos elementos constitutivos do universo, assim como os exemplos citados pela espiritualidade: oxigênio, hidrogênio, etc.

E quando é enfatizado que não são elementos primitivos, deseja-se dizer que não são elementos iniciais. Podem gerar outros, mas vieram de um elemento universal. Derivam de algo. Este algo, sempre: o princípio universal. No caso do principio vitral, quando unido á matéria, gera o organismo vivo.

64ª. Parece resultar daí que a vitalidade não tem como princípio um agente primitivo distinto, sendo antes uma propriedade especial da matéria universal, devida a certas modificações desta?
Resp. – É essa a conseqüência do que dissemos.


E eis a pergunta confirmando a resposta anterior: a vitalidade, ou seja, a vida que se encontra nos elementos orgânicos, não é algo inicial, mas sim derivado de um princípio primeiro que, movido por suas modificações, dá como resultado o princípio vital.

65. O princípio vital reside num dos corpos que conhecemos?
Resp. – Ele tem como fonte o fluido universal; é o que chamais fluido magnético ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o liame entre o espírito e a matéria.


Nesta pergunta, parece que, finalmente, começamos a divisar o Princípio Vital com maior facilidade: ele recebe outros nomes no decorrer das suas manifestações que se explicam e esclarecem a quê vieram. Ainda assim não é fácil. A espiritualidade nos responde que ele é o gerador dos fluidos magnético ou animalizado ou vital, mas que não é um ‘corpo’ como busca compreender Kardec. É um intermediário, que está entre o espírito e a matéria (e não é perispírito, por favor). É um fluido intermediário. Vejamos esta definição que encontrei no Vocabulário Espírita contido no site Espírito.org:

(...) Fluido Animalizado, Fluido Magnético, Fluido Vital - Fluido magnético que nos seres orgânicos desenvolve-se sob o estímulo do princípio vital. Normalmente se refere ao fluido próprio de um médium. (...).

Ou seja, está lá o tal do princípio Vital na pilha e esta junção, pilha e principio vital, gera estes fluídos que são os que movimentam o brinquedo, como vimos anteriormente.

66. O princípio vital é o mesmo para todos os seres orgânicos?
Resp. – Sim, modificado segundo as espécies. É ele que lhes dá movimento e atividade, e os distingue da matéria inerte: pois o movimento da matéria não é a vida; ela recebe esse movimento não o produz.


Simples se nos recordarmos daquilo que vimos até então. Difere de ser para ser. A matéria recebe o princípio, não a produz por livre e espontânea vontade. (...) A atividade do princípio vital é alimentada durante a vida pela ação do funcionamento dos órgãos, do mesmo modo que o calor, pelo movimento de rotação de uma roda. Cessada aquela ação, por motivo da morte, o princípio vital extingue-se, como o calor, quando a roda deixa de girar. Mas o efeito produzido por esse princípio sobre o estado molecular do corpo subsiste, mesmo depois dele extinto, como a carbonização da matéria subsiste à extinção do calor.

A roda gerou o calor e este, em algum momento, gerou o fogo. O Fogo carbonizou a madeira. A roda parou de girar, cessou o calor e, conseqüentemente o fogo. A carbonização gerada na madeira permanece. Em se tratando de vida: princípio vital no organismo vivo é reproduzido pelas funções deste organismo. Cessada a função destes órgãos (a paralisia), eis que o fluido vital se extingue naquele corpo, permanecendo apenas o efeito que ele produziu no corpo enquanto ainda estava ali, ou seja, acaba o princípio vital e a vida, mas todo o processo molecular que foi progressivamente alterado não retroage.

(...)Os órgãos se impregnam, por assim dizer, desse fluido vital e esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que os põe em comunicação entre si, nos casos de certas lesões, e normaliza as funções momentaneamente perturbadas. Mas, quando os elementos essenciais ao funcionamento dos órgãos estão destruídos, ou muito profundamente alterados, o fluido vital se torna impotente para lhes transmitir o movimento da vida, e o ser morre. (Fonte Curso básico de Espiritismo ADEP) (...).

O organismo também é um conjunto, aonde as partes embora tenham funções definidas e aparentemente isoladas, funcionam em conjunto e interagem entre si, renovando-se na medida de suas potencialidades. Na inadequação dessa possibilidade e, em cessando-se a vida útil daquele órgão, pode-se optar pela colocação de novo órgão (o transplante), fazendo assim com que o conjunto volte a funcionar em harmonia e complementando-se.

Ou seja, embora o principio vital tenha sua fonte de forma inesgotável na natureza (ou no Fluido Cósmico universal), não significa que seremos seres vivos inesgotavelmente. A vida útil dos órgãos é que determinará o fim da vida. Existe uma interação que vale a pena enfatizemos e consta da próxima questão:

67. A vitalidade é um atributo permanente do agente vital, ou somente se desenvolve com o funcionamento dos órgãos?
Resp.- Desenvolve-se com o corpo. Não dissemos que esse agente, sem a matéria, não é vida? É necessária a união de ambos para produzir a vida.


Explicação interessante pode ser observada através desta seqüência:

(...) A quantidade de fluido vital esgota-se. Pode tornar-se insuficiente para a conservação da vida se não for renovada, pela absorção e assimilação das substâncias que o contêm. O fluido vital transmite-se de um indivíduo para outro. Aquele que o tiver em maior porção pode dá-lo a quem o tenha a menos, e em certos casos prolongar a vida prestes a extinguir-se (Fonte Curso básico de Espiritismo ADEP) (...).

Observamos isso através do passe, não é mesmo? Momento de fraternidade e de caridade, em que transmitimos ao próximo um pouco da nossa vitalidade e da nossa energia, acrescidas daquilo vem da espiritualidade. Eis a magia do abraço, do toque, do carinho!

Alguns fazem isso através da fala, envolvendo ao interlocutor com emanações de renovação e fé. Embora exista a entrega através da tal imposição de mãos, pudemos ver nos estudos realizados sobre Sexo na Internet, que isso também pode ser retirado de nós, como quem nos rouba. No item 67ª, que finaliza este segmento denominado ”Seres Orgânicos e Inorgânicos”, temos a seguinte colocação:

67ª. Podemos dizer que a vitalidade permanece latente quando o agente vital ainda não se uniu ao corpo?
Resp. – Sim, é isso.


Entendamos aqui nesta pergunta que a vitalidade, ou seja, a vida está de alguma forma reservada ou guardada na natureza, ativando-se quando da união do princípio vital com a matéria, para que em conjunto, formem o ser orgânico ou o ser vivo. Vejamos esta última colocação de Kardec:

(...) O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela atividade íntima ou princípio vital, que neles existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo em que o agente vital impulsiona os órgãos, a ação destes entretém e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor (...).

Uma troca entre ambos. Um proporciona a vida e o outro, através da vida adquirida, proporciona a manutenção deste. Como em uma engrenagem, os órgãos também se desgastam e passam a produzir em menor intensidade, até que suas energias se esgotam e eis a resposta já da próxima pergunta:

68- Qual é a causa da morte, nos seres orgânicos?
Resp. – A exaustão dos órgãos.

É isso, exaustão. A troca passa a ser cada vez menor, não mais repondo aquela energia vital, até que em dado momento, o órgão pára, cessando assim a função do princípio vital de animar, e que retorna ao local adequado da natureza.

68ª- Pode-se comparar a morte à cessação do movimento numa máquina desarranjada?
Resp.- Sim, pois se a máquina estiver mal montada, a sua mola se quebra; se o corpo estiver doente, a vida se esvai.


Interessante que por mal arranjada, podemos entender outras coisas. Por exemplo, se formos analisar pelo lado científico-orgânico da coisa, veremos, por exemplo, que as várias células em nosso corpo possuem um determinado tempo de renovação, ou seja, renascem constantemente, mas cada qual com uma velocidade relativa ao seu biótipo.

Quando falamos das células da pele, por exemplo, temos a realidade de que quando chegamos aos 30 anos, começam a ocorrer as renovações em uma velocidade menor e a cada x tempo (geralmente um década como referencial), estas renovações tornam-se cada vez menores, eis aí a necessidade de repormos determinados elementos regeneradores.

Se olharmos bem para a pele do rosto, por exemplo, veremos que se a criatura não toma dois litros de água por dia, não se alimenta de forma saudável e natural, além de utilizar um hidratante ou protetor facial, esta pele haverá de se apresentar cansada e envelhecida. Trazendo para um comparativo de menor escala: cessou a movimentação da máquina regeneradora e eis a morte da pele se manifestando.

Bem sabemos que isso ocorre.....vejamos a planta, elemento vivo e orgânico: se não dermos água (alimento) eis que ela definha e morre, pois sua constituição precisa deste alimento para funcionar corretamente e renovar-se enquanto vida útil. Simples e básico, não?

A propósito, todos de protetor solar em mãos? Inclusive quem fica o dia inteiro dentro do escritório! Esse trem é importante!

Exposto em 05-07-08 por Fiorell@

 

Questões 69 a 71

Após falarmos mais algumas questões acerca do princípio vital e vermos que ele não é um corpo, mas sim mais um elemento constitutivo do universo, sendo também derivado do princípio universal, ou seja, não é um elemento inicial ou primário, eis que passamos à sua vida útil, ou seja, á vitalidade que nos confere e como adentra aos organismos vivos ou seres orgânicos. 

Lembrando que os estudos anteriores se encontram em nosso site, assim como textos referencias pertinentes que nos são encaminhados. Na questão 69 temos: 

69- Por que uma lesão do coração, mais que a dos outros órgãos, causa a morte?

Resp. – O coração é uma máquina de vida. Mas não é ele o único órgão em que uma lesão causa a morte; ele não é mais do que uma das engrenagens essenciais.

Vejam que a resposta da espiritualidade já se completa por si só, não nos cabe adendo neste quesito. Inclusive, é assunto importante e faz parte de um capítulo que pode ser encontra no livro Caminho, Verdade e Vida, no 120, o qual lemos na quinta-feira. Não menosprezemos nosso veículo físico!!

O que podemos acrescentar são duas informações que julgamos úteis e importantes para a reflexão individual. A primeira nos diz o seguinte: (...) Praticamente tudo no corpo é regulado pelos hormônios. Eles estão entre os mais poderosos agentes biológicos, influenciando, por exemplo, nossa resposta ao estresse (...). Motivo importantíssimo para que as pessoas compreendam duas coisas: mulheres possuem uma carga hormonal mais elevada. A segunda é que a tão satirizada TPM é coisa séria e assim deve ser encarado tanto pelos homens, quanto pelas próprias mulheres.

Quem dentre as mulheres se observar um pouco mais, saberá exatamente quando está no período em que os hormônios estão acelerados e poderá compreender e verificar a real necessidade de se equilibrar estes tais hormônios. E um grande segredo: nem sempre é só usar remédios. O equilíbrio poderá vir através de alimentação regular e, pasmem: exercícios!! Cuidem deste trem que Deus nos emprestou: o corpo. Os hormônios e os amigos agradecem.

Outro apontamento que notamos naquela mesma colocação que fazíamos acima, serve para homens e mulheres e está ligado ao nosso dia-a-dia: (...) Cardiologistas pensavam que as pessoas mais propensas a sofrer ataque cardíaco - as com personalidade "tipo A" - fossem apressadas, altamente competitivas e hostis.

Recentemente percebeu-se que o problema não é tanto o estilo de vida acelerado ou a ambição compulsiva, mas a hostilidade. As pessoas que respondem a chefes prepotentes ou engarrafamentos no trânsito com irritabilidade - que vivem dizendo "Ai, que saco!" - secretam até 40 vezes mais cortisol das glândulas supra-renais.

Cortisol em excesso, é tóxico para o organismo. Assim, pessoas do "tipo A" são cinco vezes mais propensas a sofrer doenças e morrer cedo do que as "tipo B", que têm mais cabeça fria. A secreção excessiva de cortisol também afeta a nossa cognição - literalmente mata as células cerebrais no hipocampo, a região do cérebro responsável pela memória (...).

http://super.abril.com.br/superarquivo/2004/conteudo_125370.shtml

Tenho certeza absoluta que não lhes trouxe nenhuma novidade, mas apenas um lembrete de que devemos ter mais zelo com nosso corpo. Tudo começa em nossa mente, nas descargas de energias que mandamos para ele. Como diria Emmanuel: (...) A cólera e o desespero, a crueldade e a intemperança, criam zonas mórbidas de natureza particular no cosmo orgânico, impondo às células a distonia pela qual se anulam quase todos os recursos de defesa, abrindo-se leira fértil à cultura de micróbios patogênicos nos órgãos menos habilitados à resistência. Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados enfermiços (...). 

Lembrando que fazemos e acontecemos emocionalmente, dando tanta ênfase e importância a determinadas coisas, sofremos imensuravelmente por determinados acontecimentos que talvez nem acontecerão para que depois tudo se acabe, em termos físicos, como nesta próxima questão:

70- Em que se transformam a matéria e o principio vital dos seres orgânicos após a morte?

Resp. – A matéria inerte se decompõe e vai formar novos seres; o principio vital retorna à massa.

E o nosso espírito, ser eterno, fica cheio de bagagem inútil. Os desentendimentos, os ciúmes, os orgulhos e as vaidades. Equilíbrio e tudo isso será benéfico. Tendência a estas coisas e teremos o descalabro. Em excesso, a soberba. Em falta, temos o amor-próprio fragilizado. Uffa...Eis o bendito equilíbrio. Vejamos as palavras de Kardec:

(...) Após a morte do ser orgânico, os elementos que o formaram passam por novas combinações, constituindo novos seres, que haurem na fonte universal o princípio da vida e da atividade, absorvendo-o e assimilando-o, para novamente o devolverem a essa fonte, logo que deixarem de existir (...).

Vimos isso, anteriormente, quando estudamos a matéria. Nada se desperdiça, tudo se reaproveita em um ciclo contínuo. Agora, para aqueles que ainda tem dúvidas, eu pergunto: será que aquela parte de carbono que compõe o nosso corpo, por exemplo, ao ser reabsorvida pelo meio e reempregada em outro corpo, orgânico ou inorgânico, levará consigo algum resquício de nosso espírito ou de nossa memória?

Não, né gente? E se existe essa cadeia contínua quando falamos da evolução do ser, não podemos dizer que o carbono que compõe uma rocha, por exemplo, quando vier a compor nosso corpo, será um carbono evoluído. Ou que, quando foi carbono utilizado em uma rocha, possuía memória ou resquícios de espiritualidade.

Se invertermos a pergunta, veremos que sendo assim, não é possível que tenhamos sido uma pedra ou qualquer outro trem que o valha, mas sim a matéria que nos compõe já esteve nestas outras situações. A evolução sim é que segue aquela linha de mineral, vegetal, animal, hominal...Um dia o trem haverá de calar e se acomodar em nossa mente. A próxima parte é fácil:

(...) Os órgãos estão, por assim dizer, impregnados de fluido vital. Esse fluido dá a todas as partes do organismo uma atividade que lhes permite comunicarem-se entre si, no caso de certas lesões, e restabelecerem funções momentaneamente suspensas. Mas quando os elementos essenciais do funcionamento dos órgãos foram destruídos, ou profundamente alterados, o fluido vital não pode transmitir-lhes o movimento da vida, e o ser morre (...).

É bem aquilo que vimos na questão 69. Existem engrenagens essenciais, mas o corpo é um conjunto. E muito lindo!! É um universo repleto de sóis, estrelas, natureza, rios, mares, terras e ar. Interagem entre si e todos os órgãos são importantes e necessários, mesmo aqueles que, em nosso corpo, por exemplo, alguns médicos teimam em extirpar, se bem que nestes casos é por conta do trem estar em desajuste ou desequilíbrio irreparável. Vejamos a seqüência:

(...) Os órgãos reagem mais ou menos necessariamente uns sobre os outros; é da harmonia do seu conjunto que resulta essa reciprocidade de ação. Quando uma causa qualquer destrói esta harmonia, suas funções cessam, como o movimento de um mecanismo cujas engrenagens essenciais se desarranjaram; como um relógio gasto pelo uso ou desmontado por um acidente, que a força motriz não pôde pôr em movimento(...).

Se adentrarmos à anatomia humana e nos órgãos mais conhecidos, por exemplo, veremos que fígado, estomago, rins e intestinos interagem e cada qual com sua função específica. Imaginem se esmiuçarmos vesícula, baço, etc. Um falhando, compromete todo o sistema e o conjunto. Afora as influências de nossa mente nestes respectivos órgãos. Não se esqueçam que utilizamos o corpo humano, ser orgânico como exemplo, por ser mais fácil do que ficarmos esmiuçando uma borboleta ou uma orquídea, ambos seres orgânicos. Prossigamos:

(...) Temos uma imagem mais exata da vida e da morte num aparelho elétrico. Esse aparelho recebe a eletricidade e a conserva em estado potencial, como todos os corpos da Natureza. Os fenômenos elétricos, porém, não se manifestam enquanto o fluido não for posto em movimento por uma causa especial, e só então se poderá dizer que o aparelho está vivo. Cessando a causa da atividade, o fenômeno cessa: o aparelho volta ao estado de inércia. Os corpos orgânicos seriam, assim, como pilhas ou aparelhos elétricos nos quais a atividade do fluido produz o fenômeno da vida: a cessação dessa atividade ocasiona a morte(...).

Ainda assim, se pegarmos um aparelho elétrico que seja, o bichinho haverá de ter um motor. E esse motor para girar, dependerá de suas inúmeras engrenagens e, por vezes até de bateria, além do combustível. Aviões de aeromodelismo, por exemplo, possuem um motor que podem ser enrolados com um fio mais fino, com dois ou três, enfim, dependo do ajuste que se der ao motor, ele fluirá mais e melhor. Mas, sempre necessitará de um combustível para voar. Assim o elemento orgânico. Pode ter inúmeros diferenciais, mas só serão orgânicos e vivos, graças ao princípio vital. Vejam lá outra coisa que já vimos anteriormente, mas que Kardec achou por bem enfatizar:

(...) A quantidade do Fluido Vital não é a mesma em todos os seres orgânicos: varia segundo as espécies e não é constante no mesmo indivíduo, nem nos vários indivíduos de uma mesma espécie. Há os que estão, por assim dizer, saturados de fluido vital, enquanto outros o possuem apenas em quantidade suficiente. É por isso que uns são mais ativos, mais enérgicos, e de certa maneira, de vida superabundante(...).

Se tomarmos as várias raças de gatos como exemplo, poderemos notar essa diferença e, no entanto, formam o mesmo conjunto de indivíduos. Aliás, aumentarmos a proporção e olharmos pela ótica de felinos, veremos a discrepância existente entre gatos e leopardos, pó exemplo. Mas em nos atendo aos similares, peguemos um gato persa, aquele que tem aquela cara achatada e que fica te olhando com cara de água e veremos que a vida dele é comer, beber, dormir e encher o sofá e a casa de pêlos.

Outro gato qualquer, vira-lata mesmo, já leva uma vida ativa e cheia de aventuras, ou seja, sua pré-disposição física está para mais conteúdo de vida, do que o persa. Sem falar daqueles que são castrados, por exemplo, e passam a ter uma dinâmica totalmente diferente de até então. Mais uma vez os órgãos produzindo elementos que interagem e influenciam no todo.

(...) A quantidade do fluido vital se esgota. Pode tornar-se incapaz de entreter a vida, se não for renovada pela absorção e assimilação de substâncias que o contém(...).

Estava eu intrigada com o que seria essa tal absorção e assimilação de substâncias que o contém. Afora aquilo que vimos da renovação constante dessa energia través do próprio funcionamento dos órgãos e da reposição no caso do passe, fiquei a me perguntar aonde teríamos mais fonte de reabastecimento. Foi quando encontrei a resposta em Emmanuel, em livro com seu próprio nome, que nos diz o seguinte:

(...) princípio vital, essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os atos nutritivos de todas as moléculas(...).

Ou seja, eis que o próprio princípio vital se encontra combinado com outras substâncias do complexo orgânico, fazendo assim que ocorra essa nutrição. Existe uma explicação de Kardec que elucida bem essa passagem de troca e permuta, ou seja, mostrando que ela é inesgotável, mas findável:

(...) Na combinação dos elementos para formarem os corpos orgânicos, desenvolve-se eletricidade. Os corpos orgânicos seriam, então, verdadeiras pilhas elétricas, que funcionam enquanto os elementos dessas pilhas se acham em condições de produzir eletricidade: é a vida,  e que deixam de funcionar, quando tais condições desaparecem: é a morte(...). 

Segundo essa maneira de ver, o princípio vital não seria mais do que uma espécie particular de eletricidade, denominada eletricidade animal, que durante a vida se desprende pela ação dos órgãos e cuja produção cessa, quando da morte, por se extinguir tal ação. 

Acho que com tantas pilhas de exemplo, já podemos brincar de autorama por uns dois dias, não? Finalizemos essa parte da questão 70 e do item II do capítulo IV do Livro dos Espíritos:

(...) O fluido vital se transmite de um indivíduo a outro. Aquele que o tem em maior quantidade pode dá-lo ao que tem em menos, e em certos casos fazer voltar uma vida preste a extinguir-se(...).

Bonito isso. É como falamos no encontro passado. O passe irradia energias revitalizantes e revigorantes à criatura que o recebe. Lembrando sempre que não adianta sentar lá que nem uma porta e não acreditar e nem aceitar. O trem vai refletir, ao invés de interiorizar. Aliás, por vezes falamos como Pedro: Eu não tenho prata e nem ouro, mas daquilo que tenho vos dou. Eis a caridade que independe de cultura, raça, inteligência ou qualquer outro aspecto: apenas a boa vontade.

Claro, não adianta estar cheio de boa vontade e vibrando negativamente, desejando que o mundo se acabe em barranco ou mais na posição de receber do que dar.

Bom, adentrando ao sub-item III, temos INTELIGÊNCIA E INSTINTO. A questão 71 aborda:

71. A inteligência é um atributo do princípio vital?

Resp.: - Não; pois as plantas vivem e não pensam, não tendo mais do que vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, pois um corpo pode viver sem inteligência, mas a inteligência só pode manifestar-se por meio dos órgãos materiais: somente a união com o espírito dá inteligência à matéria animalizada.

Esse aspecto foi um abordado pelo companheiro Gilberto no encontro passado. Ele dizia da visão dele que deveria existir uma intelectualização na matéria, pois como ela se ligaria entre si, dentro da movimentação atômica se não houvesse uma inteligência ali contida.

E eis que falamos na semana passada e frisamos hoje, até porque é o que está aqui quase que desenhado para nós: somente a união com o espírito, dá inteligência à matéria animalizada. Os átomos não se aglutinam por pensarem que seria o ideal se juntar uns aos outros ou por instinto. A força que os movimenta é outra que não provinda da inteligência.

Ocorre que, como num complemento ou numa sinergia perfeita, a inteligência só pode se ‘exprimir’ através da matéria. É um pouco daquilo que falamos acerca do cérebro em estudos passados. O cérebro, material cerebral, não é o detentor da inteligência como alguns alardeiam, mas apenas seu condutor.

E, vale frisar, embora pareçam quase humanos, alguns animais domesticados, não possuem esse princípio inteligente. Ele está definitivamente associado apenas ao ser humano. Espírito eterno. A próxima colocação de Kardec haverá de esmiuçar esse aspecto da inteligência e do animal chamado de irracional. Vejamos:

(...) A inteligência é uma faculdade especial, própria de certas classes de seres orgânicos, aos quis dá, com o pensamento, a vontade de agir, a consciência de sua existência e de sua individualidade, assim como os meios de estabelecer relações com o mundo exterior e de prover as suas necessidades(...).

Podemos fazer a seguinte distinção: 1º- os seres inanimados, formados somente de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos; 2º- os seres animados não-pensantes, formados de matéria e dotados de vitalidade, mas desprovidos de inteligência; 3º- os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade, e tendo ainda um princípio inteligente que lhes dá a faculdade de pensar.

Olhem lá...nós vimos isso em estudos anteriores. A definição clara de Kardec contida em A gênese nos diz que o instinto é a força oculta que solicita os seres orgânicos á realização de atos espontâneos e involuntários. Ou seja, atos desprovidos de vontade, mas movidos por uma força maior: o instinto.

Podemos nos basear por nós mesmos: quando agimos instintivamente, sai de baixo! São os casos de agressões verbais, de violência incontida, de ciúmes exacerbados. E também de gestos nobres como o de salvar alguém em uma situação em que ambos poderiam morrer. Agimos por impulso sem pensar, apenas despejando nossa fúria ou vomitando nossas palavras sobre o outro. Ou nos atirando ao perigo movidos pelo instinto de conservação nosso estendido ao próximo. Lindo por sinal.

Vale lembrar que não apenas nós, seres humanos nos enquadramos nesta categoria 3, o de seres formados por matéria, dotados de vitalidade e tendo um princípio inteligente. E vocês vão falar: Fiorella, mas foi justamente o oposto do que você disse lá atrás!! E é mesmo. Não podemos conceber as formas apenas como somos ou sabemos.

Não falamos tanto que existem outras moradas e outras formas de vida, mais evoluídas que nós? Porque, dentro do contexto em que vivem, não podem ser considerados como seres materiais? Finalizando esta abordagem, temos que Kardec nos diz: a inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, segundo a oportunidade das circunstâncias. Aliás, o que tem de gente que premedita os atos. Não dá ponto sem nó. Não podemos dizer que um lince ao cercar uma lebre está agindo de forma inteligente, mas apenas instintiva. Ele não pensa que está acuando a presa. Ele acua porque a presa acuada libera hormônios e substâncias, exala o medo e esse cheiro é o cheiro que o motiva. Atos mecânicos. Como o da fêmea no cio.

 Exposto em 12-07-08 por Fiorell@

 

Questões 72 a 74

Finalizando as questões sobre Princípio Vital, pudemos acompanhar as passagens que nos recordam que tanto matéria quanto princípio vital, ao ocorrer a morte do corpo, são reaproveitados pela natureza e pelo universo, através de suas composições específicas. Lembrando que não será só para adubo que a morte do corpo servirá. A matéria em decomposição também solta seus gases, Carbono e companhia bella que ao se reintegrarem no ambiente vão sendo reaproveitados em novos corpos e elementos.

Hoje daremos seqüência a uma parte muito gostosa do Livro dos Espíritos e que esclarece-nos uma série de sutis situações em nosso cotidiano. Hoje, com muita certeza, poderemos entender o porquê de algumas colocações do tipo: “Nossa, um homem tão inteligente e se suicidou” ou “Nossa, espírita e agiu dessa forma?”. De certa forma, eis um pequeno momento, através destas questões tão lógicas e sensatas, em que poderemos compreender algumas coisas.

Gosto do estudo seqüencial e gosto mais ainda do estudo. Existem as pessoas que agem muito pelo emocional e pelo instinto, deixando a racionalidade de lado. E pessoas que são racionais ao extremo, agindo sem sentimento algum. Assim como aquelas que agem instintivamente movidas pelo sentimento. Uffa...na verdade é um trio que se combina dando uma quantidade razoável de variáveis e que, se prestarmos atenção, nos ajudará a  compreender um pouco melhor tais características durante as questões que veremos.

Não apenas compreendermos como essas variáveis influenciam em determinadas coisas que vemos em nosso dia-a-dia, mas também, compreendermos melhor o ser humano, criatura de quem cobramos muitas posturas e atitudes, principalmente aquelas engajadas no Movimento Espírita ou em uma vida religiosa um pouco mais aflorada e que, na realidade como nós ainda estão em fase de aprendizado. Menos mal que temos oportunidades como esta de nos reunirmos e refletirmos acerca disto e de outras situações que envolvem nossa vida como um todo.

72. Qual é a fonte da inteligência?
Resp.: Já dissemos a inteligência universal

Interessante que estava pesquisando sobre esta colocação e, invariavelmente, fui parar na mesma explicação que lhes trouxe quando estudamos o princípio inteligente e matéria. Herculano Pires nos lembra, em Agonia das Religiões, a seguinte passagem:

(...) Na ação de Deus sobre a matéria o processo é o se desenvolve da seguinte maneira: O pensamento divino aglutina a matéria, dando-lhe estrutura, através da qual temos a passagem do pensamento do plano inteligível para o plano do sensível. Uso a divisão de Platão neste sentido: o inteligível é o intelecto divino e o sensível é o plano do sensório, das sensações humanas.

Dessa maneira, Deus materializa o seu pensamento para atingir a sensibilidade do campo material em que o homem vai ser criado. No Fiat ou ato inicial da criação temos a ação direta e ativa do pensamento divino estruturando a matéria. Uma vez formada essa estrutura, surge um elemento novo que é designado pela expressão principio inteligente. O pensamento divino ligado à matéria adquire autonomia, sem com isso desligar-se da fonte que o alimenta (...).


Temos aí a tal da inteligência universal ou o princípio inteligente, ou seja, a causa primária dessa inteligência. Vejam mais um trecho de Herculano Pires:

(...) O princípio inteligente da concepção espírita é o princípio básico de toda a realidade responsável, pela formação dos reinos da natureza, pelo desenvolvimento da vida e de todas as faculdades vitais e anímicas dos seres. O Admirável poder de intuição dos Gregos captou não só a existências dos átomos, como também a das mônadas que a Ciência atual já está conseguindo atingir nas profundezas misteriosas da matéria na pesquisa sobre as partículas atômicas (...).

Por esta concepção que Herculano nos mostra, observamos que desde a criação da matéria e suas utilizações, até o princípio inteligente (e nosso espírito, também), temos que a fonte é Deus. E Deus, através do Fluido Cósmico Universal, nos proporciona o início de tudo. As mônadas as quais Herculano se refere e que já vimos ser o princípio dos elementos, indivisíveis e inteligentes em sua individualidade e que não recebem os estímulos exteriores, são o grande princípio de tudo. E somos fragmentos coordenados deste princípio; coordenados, pois não somos feitos ao acaso e nem estamos ao acaso em corpos, ambientes terreno, etc. Vamos lá:

72ª. Poderíamos dizer que cada ser tira uma porção da inteligência da fonte universal e a assimila, como tira e assimila o princípio da vida material?
Resp.: Isto não é mais do que uma comparação; mas não exata, porque a inteligência é uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral. De resto, bem o sabeis, há coisas que não é dado ao homem penetrar, e esta, por enquanto, é uma delas.

Esta passagem me faz recordar de uma coisa que ainda venho aprendendo dentro das explicações da Codificação Espírita. Muitas vezes queremos simplificar, traduzir ou adequar palavras e pensamentos constantes da Codificação, de maneira que achamos se tornam mais compreensíveis e mais acessíveis aos demais. E usamos comparativos e até parábolas querendo dar vida útil a esta intenção. Mas, salvo uma profunda compreensão nossa da situação, criaremos analogias ou comparativos que serão destoantes e perpetuaremos isto, caso estejamos repassando a alguém ou a mais pessoas.

Aqui a espiritualidade corrige Kardec, mostrando-lhe isso. É uma comparação, mas não é exata. E pode ocorrer de que esta inexatidão se perpetue e gere conflitos no tocante ao que é real. Quando Kardec compara as duas situações, princípio inteligente e princípio da vida material, está tentando facilitar a compreensão um conhecimento adquirido, que não tem respostas tão concretas e profundas como gostaríamos, com outro que se assemelha.

Pelas próximas questões, poderemos compreender um pouco mais sobre esta tal porção de inteligência e como ela é e está em nós. E onde não está. Vejamos:

73. O instinto é independente da inteligência?
Resp.: Precisamente, não, porque é uma espécie de inteligência. O instinto é uma inteligência não racional; é por ele que todos os seres provêm às suas necessidades.


Essa parte é muito interessante e sempre tentamos trazê-la para os animais. Cremos em muitos momentos, que os animais possuem inteligência e, segundo Gabriel Delanne, não estamos crendo em algo estapafúrdio, salvo algumas observações. Quando falamos destes dois animais, o ser humano e o animal em geral, cremos que ambos possuem semelhanças, haja vista inúmeras características que nos tornam tão semelhantes sob muitos aspectos, mas precisamos ser coerentes em algumas afirmações e não nos deixarmos levar apenas pelo sentimentalismo do momento (meu cachorro é mais gente que muita gente).

(...) Trata-se, simplesmente, de assentar que, se o homem é mais desenvolvido que o animal, nem por isso deixa de ser uma verdade que a sua natureza pensante é da mesma ordem, em nada difere essencialmente e sim, apenas, em grau de manifestação. Eis uma narrativa de molde a evidenciar algumas faculdades dos animais, tais como: atenção, julgamento, raciocínio, associação de idéias, memória, imaginação (...) (não coloquei todas, pois seria muito extenso, mas quem desejar poderá conferi-las no Livro Evolução Anímica, de Gabriel Delanne, no capítulo que aborda Inteligência e Reflexão em diante).

(...) Certa feita um abegão, através da sua janela, lobriga de madrugada uma raposa a conduzir o ganso apressado. Chegando rente ao muro alto de 1m20, a raposa tentou de um salto transpô-lo, sem largar a presa. Não o conseguiu, porém, e veio ao chão, para insistir ainda em três tentativas inúteis. Depois, ei-la assentada, a fitar e como que a medir o muro. Tomou, então, o partido de segurar o ganso pela cabeça, e, levantando-o de encontro ao muro, com as patas dianteiras, tão alto quanto possível, enfiou o bico do ganso “numa frincha” do muro. Saltando após, ao cimo deste, debruçou-se jeitosamente até retomar a presa e atirá-la para o outro lado, não lhe restando, então, mais que saltar por sua vez, seguindo o seu caminho. Que os animais refletem antes de tomar decisão, é o que acabamos de verificar com esta nossa raposa (...).

Com certeza este é um assunto que se assentará perfeitamente em nosso próximo estudo das terças-feiras, tão logo terminemos o atual, Transplantes, mas se faz necessário compreendamos essa situação. Delanne nos exemplifica como um animal reflete ante as necessidades de sobrevivência. Ter arquitetado essa façanha, ou seja, ter se postado rente ao muro, fixado o ganso no buraco do muro e depois tê-lo erguido, faz parte do instinto de sobrevivência atrelado à reflexão e não ao raciocínio. Se dissermos que uma raposa raciocina, seremos levianos. Mas se dissermos que ela reflete, não fugiremos à verdade.

A diferença entre raciocinar e refletir é tênue, mas aplicável perfeitamente neste caso. Raciocinar é fazer uso da faculdade mental de forma constante, seqüencial e cadenciada. Refletir é colocar-se em situação de. Neste caso, a raposa necessitando transpor o animal pesado, utilizou-se da percepção e não raciocinou sobre ela. Seguindo seus instintos, fez o transporte do animal, assim como os animais, de uma maneira geral e calcados em seus instintos, tecem casas, ninhos, carregam alimentos e estocam para o inverno, etc. A próxima questão mostra não somente nos chamados irracionais o instinto se faz presente e de difícil distinção no tocante à inteligência:

74. Pode-se assinalar um limite entre o instinto e a inteligência, ou seja, precisar aonde acaba um e onde começa o outro?
Resp.: Não, porque eles freqüentemente se confundem; mas podemos muito bem distinguir os atos que pertencem ao instinto dos que pertencem à inteligência.


Vejam lá porque eu disse que a situação não se aplica apenas aos irracionais. O limite se confunde, porque o instinto está presente também naqueles seres tidos como racionais. Eis a primeira parcela daquilo que eu disse no começo sobre compreender melhor o ser humano e a inviabilidade das cobranças que lhes fazemos. Pessoas que agem de forma inteligente, ou seja motivadas por seqüência lógica, por pensamentos que se encadeiam e raciocínios não apenas de auto-preservação, também estão com os seus instintos presentes. Eles, muitas vezes andam de mãos dadas, pois não são apenas instintos de sobrevivência ou de auto-preservação, mas os instintos inferiores ou animalizados, como veremos nas próximas questões.

Exposto em 19-07-08 por Fiorell@

 

Questões 75 a 76

Finalizamos o encontro passado falando acerca da inteligência, instinto e eu acrescentei o sentimento, fazendo assim uma tríade que move as reações humanas.

Nesta parte do Livro dos Espíritos, teremos a visão do que é instinto e do que é inteligência e, como disse anteriormente, creio eu que ao conhecê-las melhor, poderemos entender algumas posturas tidas como escandalosas quando praticadas por espíritas ou pessoas de certa religiosidade, mas que serão perfeitamente compreensíveis doravante.

Vale lembrar um quarto fator, que não deve ser tomado a conta como principal, mas que faz parte da nossa vida de maneira corriqueira e que bem conhecemos: a influência dos espíritos em nossa vida. Espíritos que nada mais são do que seres exatamente como nós, apenas desprovidos da matéria.

Seres que hoje não precisam mais acordar cedo, trabalhar, agüentar condução ou trânsito pesado; que não precisam mais fazer almoço e jantar para a família; espíritos que não possuem mais as atividades normais que nós possuímos: passeio com a família, visita a shoppings, museus, praias ou coisas do tipo.Creio que, se ligarmos este fato ao de que eles estão muito presentes em nossa vida, veremos como a liberdade deles é grande e a capacidade de influência também.

Vocês podem me perguntar aonde esta informação se enquadra em nossos estudos de hoje, já que estamos apenas abordando instinto e inteligência e eu lembro a todos que temos algumas situações que envolvem nosso dia-a-dia e que são tratadas como inadmissíveis em se tratando de pessoas cultas ou inteligentes e, pior ainda, quando envolvem pessoas como as supra citadas. Enfim, continuemos a ver as questões de hoje para termos o alinhavo final. Na questão 75, temos:

75. É acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem, à medida que crescem as intelectuais?
Resp.: Não. O instinto existe sempre, mas o homem o negligencia. O instinto pode também conduzir ao bem; ele nos guia quase sempre, e às vezes mais seguramente que a razão; ele nunca se engana.


Repassando os comentários do encontro passado e envolvendo esta questão, pudemos ver que a inteligência tem como fonte a Inteligência Universal, ou seja, provém de Deus em sua composição, mas somos nós que a desenvolvemos ou atrofiamos; atrofiar a inteligência, em muitos momentos, é ler apenas coisas tidas como água com açúcar. Lembro-me que eu tirava muito o sarro de minha mãe. Ela adorava ler aquelas revistas que saiam semanalmente nas bancas de jornais e se chamam Julia, Sabrina e Bianca. Eram romances água com açúcar em que a mocinha sempre se desentendia com o mocinho e isso era para camuflar uma paixão profunda. Minha mãe era poliglota e eu pensava: ué, terá nada mais edificante para ler?

No entanto, nossa mente também precisa de um refrigério, mas trazendo para nossa realidade, algumas pessoas atrofiam sua mente, prendendo-se apenas a tranqueiras e baboseiras, que não acrescentam conhecimento e, quando muito, deixam o emocional á flor da pele.

Notícias e mais notícias de tragédias, leituras e mais leituras de uma vida ideal e assim por diante. E a mente, devora essas informações, mas não trabalha. Apenas assimila. Não raciocina é movida pelo sentimentalismo. Vejam, não é uma crítica a quem lê ou tem esse gosto, apenas uma referência de que muitos estacionam desta maneira. Assim como existem os pseudos-sábios e os piores são os auto-ditadas, que não aprendem com ninguém e nem aceitam que assim seja. Aprendem consigo próprios e estão sempre muito ocupados com coisas importantes.

Lembrei-me do Pequeno Príncipe quando adentra a um país aonde o cidadão estava muito ocupado contando todas as suas estrelas. Além de serem suas, precisavam ser recontadas diariamente. Uma tarefa interminável.

Bom, no extremo desta situação temos aqueles que são movidos principalmente pelo instinto e era justamente a este ponto que estávamos chegando. Paramos na questão 75 que pergunta se as faculdades instintivas diminuem à medida que vão crescendo as intelectuais e vocês fizeram bellos e excelentes comentários na área de texto, divergindo, acomodando as opiniões, relatando os pontos de vista e tudo em um clima de harmonia, de respeito e de paz. Admiro muito cada um de vocês por assim fazerem.

A resposta que a espiritualidade nos dá é muito interessante e nos mostra o porquê de algumas atitudes serem tão destoantes com a inteligência e capacidade intelectual de determinadas criaturas. O instinto está ali; o homem o negligencia principalmente em sinal de estatus ou de sabedoria. Ou condição errônea de sublimação. Vocês até brincaram que se for para ter abstinência sexual dentro da Doutrina Espírita estarão fora. Pois é...outros diriam que preferem permanecer burros, mas, a realidade está, segundo as respostas que nos foram dadas e os atos que podemos presenciar em nossa vida, que podemos sim utilizar nossos instintos de forma benéfica e, também, trabalhá-los para que não sejam nossa força motora.

Um dos nossos grandes instintos é o sexual O de proteção também. Quantos não estão seguindo estes instintos ao invés de dar-lhes disciplina e bom-senso? Quantos de nós sublimamos a maternidade e os seus instintos como sendo algo acima de tudo quanto é coisa no mundo? E quantos de nós abrimos mãos de uma série de coisas boas em nossa vida, inclusive uma família que nos ama e de uma estabilidade profissional envolvidos em questões sexuais, ou seja, seus instintos?

Eis aí as traições tão repudiadas no meio espírita. Coitado do dirigente espírita que conheceu alguém e se apaixonou deixando o lar aparentemente feliz para viver uma vida que o completa mais. Terá sido apenas necessidade sexual? Terá sido apenas motivação instintiva? Eis aí a necessidade de se observar que ninguém tem condições de julgar ou condenar a quem quer que seja, pois todos têm caminhos para consertar. Não está apenas ligado á Doutrina Espírita a necessidade de que respeitemos nossos companheiros, de que sejamos monogâmicos e que preservemos a moralidade exemplificada dentro de um lar, mas com algumas ferramentas que a Doutrina Espírita nos concede estas situações não são muito toleradas quando envolvem alguém que diz viver e respirar Jesus,mas podemos tentar compreender melhor porque algumas criaturas ainda são tão levadas pelo instinto ao invés da razão ao conhecermos a grande diferença entre os dois e como ambos continuam caminhando juntos.

Aliás, nestes casos, a razão nos diz que o culpado precisa pagar por seus erros, mas nem sempre é assim que funciona. E é isso que a próxima questão nos mostra a respeito da razão:

75ª. Por que a razão nem sempre é um guia infalível?
Resp.: Ele seria infalível se não existisse falseada pela má educação, pelo orgulho e o egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite ao homem escolher, dando-lhe o livre-arbítrio.

Quantas e quantas vezes não vemos situações em que alguém age de uma maneira que para nós é incompreensível? Quando estamos aprendendo sobre a fraternidade e o cristianismo, por exemplo, somos levados a raciocinar de uma maneira diferente daquela que raciocinávamos antes. Se alguém nos ofende, eis que devemos ofertar a outra face. Nestas horas, quando o orgulho nos domina, eis que perdoamos sim, mas atiramos na face alheia nosso perdão.

A razão, calcada pela fraternidade, nos pediu perdoássemos. A razão calcada no orgulho, nos faz atirar em face o perdão. A razão cristã, por exemplo, nos pede para que ofertemos a outra face, e a nossa razão mal educada ou mal utilizada, acredita que devamos ser eternamente submissos a alguém que erra, por conta de estarmos dando a outra face. Perdoar indefinidamente, para alguns, é manter um lar desarmônico, desequilibrado e sem respeito. Perdoar, para alguns é manter uma situação de abuso, de canalhice e de usura, em nome da auto-sublimação.

Nisso, vemos lares em que o marido ou a mulher constantemente age de forma irregular e a outra acha que está sendo cristão aceitando tudo, tolerando suas deficiências e suas fragilidades. E o que age errado está tentando se modificar ou se melhorar? Não! A criatura Se vê comodamente em um lar aonde pode fazer e desfazer, pois será perdoado. E seqüelas vão se criando, vida se vai perdendo e respeito, admiração, consideração e tantos outros atributos que permeiam um lar vão pelo ralo, em nome do perdão. E eis a nossa razão agindo de forma equivocada.

Perdoar significa manter a criatura embaixo de nosso próprio teto? Significa tê-la à nossa mesa, mesmo com ela insistindo em não se melhorar e promovendo todos aqueles sentimentos aviltantes a que me referi? Eis a necessidade que temos de aprender, de usar nossos instintos, mas sobre tudo, de raciocinar. Este é nosso diferencial para com os demais animais. É este referencial que nos fará ou nos trará a porta para que utilizemos nossa razão como um guia menos falível.

 E quando a espiritualidade responde a Kardec que o instinto não faculta ao livre-arbítrio, precisamos pensar seriamente naquilo que nos move. Nosso instinto paterno ou materno em relação ao próximo? Nosso instinto de proteção ou preservação se estendendo ao próximo? E aonde é o limite disto tudo? Na reflexão. No pensar desprendido de orgulho, egoísmo ou vaidade. Quanta gente perdoa para não ficar só sem um relacionamento ou companheiro, não é mesmo? Enfim, Kardec ainda nos lembra do seguinte:

(...)O instinto é uma inteligência rudimentar, que difere da inteligência propriamente dita por serem quase sempre espontâneas as suas manifestações, enquanto as daquela são o resultado de apreciações e de uma deliberação (...).

Apenas enfatizando que o próprio Kardec define: (...) o intelecto denota reflexão, combinação e uma deliberação; ele é livre e o instinto não (...). E finaliza esta questão no livro dos Espíritos com esta afirmação:

(...) O instinto varia em suas manifestações segundo as espécies e suas necessidades. Nos seres dotados de consciência e de percepção das coisas exteriores, ele se alia à inteligência, o que quer dizer, à vontade e à liberdade (...).

Nós cansamos de dizer e de afirmar: “Ai se eu tivesse ouvido minha intuição” Que será essa intuição? Apenas um ser desencarnado buzinando beneficamente em nossa orelha ou os nossos instintos nos alertando? Será aquilo que alguns chamam de faro instintivo falando: olha aqui tem algo que não cheira bem. Quantas vezes nos arrependemos de não dar ouvidos aos nossos instintos? E quantas vezes nosso instinto, de abraçar alguém por exemplo, não deve ser feito?

Cá estamos nós com o tal do raciocínio aliado á moralidades, aos instintos, á educação e á percepção de tudo o que nos cerca. Após conhecermos estas respostas e refletirmos como o fizemos, que podemos dizer daquela afirmativa inicial de que razão, sentimento e instinto fazem parte de um trio que se combina dando uma quantidade razoável de variáveis, sim, e que aprendermos a lidar com elas em nós mesmos e no próximo é de suma importância para que encontremos o equilíbrio e a maturidade?

Podemos dizer que as pessoas não são máquinas, que filhos criados iguaizinhos em uma mesma família não reagem igual em determinada situação, que criaturas que compartilham de um mesmo ideal religioso, por exemplo, agem com covardia, com disputa, com melindres, com falsidade e tantas outras situações que denotam não apenas falta de caráter ou de moralidade, mas também a da ligação maior ao instinto do que ao intelecto.

Ieda é uma que gosta de enfatizar isso e ela não vai brigar de eu falar: muitas pessoas conhecem a teoria, mas não a colocam em prática. Ou seja, como todos nós cansamos de dizer: A pessoa adentrou á Doutrina ou à religiosidade, mas esta não adentrou à criatura.

Bom, como Livro primeiro e suas divisões, pudemos compreender um pouco sobre a causa inicial de tudo, ou seja, causa primária de existirmos é Deus. Causa primária de sermos como somos, ou seja, matéria orgânica intelectualizada, é Deus. Causa em termos na natureza a diversidade de elementos que se completam, que interagem e que dependem uns dos outros, é Deus.

Veremos um pouco disto tudo agora, mas relativo ao Espírito, conhecendo sobre a sua origem e sua natureza, sobre os diversos mundos até às diversas existências. Acho que o trem ficará mais fácil doravante e que a grande batalha da compreensão da ciência dentro da Codificação, foi travada com galhardia por todos vocês que nos acompanharam nestes estudos. Muito ainda haveremos de encontrá-la durante os estudos, mas com alguma probabilidade, a Ciência não mais nos será desconhecida dentro da Codificação.

Pode não ter sido compreendida em sua totalidade, mas que foi abordada com entusiasmo, dedicação e carinho por todos nós, lá isso foi. Deixemos que os ensinamentos se sedimentem em nossa mente, criando camadas que poderão ser acessadas no momento oportuno. Vamos lá, virando a página do Livro Primeiro e adentrando ao Mundo Espírita ou dos Espíritos, capítulo I que trata dos Espíritos:

76. Como podemos definir os Espíritos?
Resp.:Podemos dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da criação. Eles povoam o Universo, além do mundo material. Nota: A palavra Espírito é aqui empregada para designar os seres extra-corpóreos e não mais o elemento inteligente do universo.


Dentre as várias informações contidas neste capítulo, poderemos nos dar conta, de forma irrefutável, que qualquer Espírito que se manifeste, por maior que se pareça sua envergadura moral, não é Deus. As mesmas situações que encontramos para nós seres dotados de materialidade, ou seja, corpo, são utilizadas para estes irmãos também.

E quando dizemos de mesmas situações, devemos compreender que queremos dizer que eles e nós significa a mesma coisa, apenas estamos encarnados, com um corpo mais pesado e denso, para que possamos sobreviver ás condições do planeta Terra. No mais, possuímos deveres, responsabilidades, adaptações e necessidades ligadas a este diferencial, que precisamos compreender, conhecer e respeitar. A partir do momento que conhecermos e compreendermos, associando o respeito, teremos a chave para a cura de muitos males, a melhoria de muitas situações que nos aprecem intermináveis e tantas outras coisas que nos trouxeram para este mundo denominado como provas e Expiações. Vamos entender as diferenças e, quem sabe, entendamos o porquê de estarmos aqui e eles não

77. Os Espíritos são seres distintos da Divindade, ou não seriam mais do que emanações ou porções da Divindade, por essa razão chamados filhos de Deus?
Resp.: Meu Deus! São sua obra, precisamente como acontece com um homem que faz uma máquina; esta é a obra do homem e não ele mesmo. Sabes o homem, quando faz uma coisa bela e útil, chama-a sua filha, sua criação. Pois bem; dá-se o mesmo com Deus; nós somos seus filhos, porque somos sua obra.


Às vezes somos tão turrões, não? Acho que quando os Espíritos responderam com essa pitada de exasperação, estavam querendo dizer isso. Daquilo que estudamos até então, fica-nos fácil compreender esta pergunta, ou melhor, esta resposta. Levando-se em conta tudo o que vimos nas questões 3, 7, 9 e outras tantas lá do capítulo I, fica-nos fácil compreender que se Deus é único, eterno, infinito, imaterial, imutável, todo-poderoso, soberanamente justo e bom além de tantas outras atribuições que não alcançam–No em sua totalidade ou real especificação, eis que saber que existem outros seres viventes no Universo e que eles não são mais do que obra e criação de Deus, fica-nos fácil, do contrário também seriam algum tipo de Deus ou de poder criador e, como vimos até então, isso é impossível.

Basta observarmos aquela parte do surgimento de tudo. Nada antecedeu a Deus e sim Ele a tudo. Muito nos é desconhecido e sem resposta, mas não faz parte ainda daquilo que devemos saber ou almejar. Muito se conjectura acerca da existência de Deus, de seu início e de tantas outras coisas que Lhe dizem respeito. E eu, mais uma vez digo: louvável querer saber disso tudo, mas mais louvável ainda seria empregarmos nosso tempo e energias em nossa renovação pessoal.

Exposto em 26-07-08 por Fiorell@

 

Questões 77 a 80

Iniciamos o Livro Segundo, contido no Livro dos Espíritos, que aborda o chamado Mundo Espírita ou dos Espíritos e, de cara, já começamos a compreender duas coisas fundamentais: a primeira é a de que estamos falando de seres inteligentes, fruto da Criação de Deus e que habitam os diversos espaços do Universo, além do nosso campo visual ou palpável, ou seja, fora do chamado mundo material.

Já vimos em relatos contidos, por exemplo, na Revista Espírita, acerca da vida em Marte e Júpiter e eis os tais mundos extra-materiais ou extra-físicos inclusive alvo de recentes explorações pelos cientistas e com negativa de vida em tais ambientes. Vida como nós, é claro!

A segunda coisa fundamental que já pudemos compreender e que já o estamos fazendo desde o início dos estudos deste livro, é que estas criaturas não são Deus. Não são deuses. A diferença está justamente em tudo aquilo que já estudamos no início, ou seja, que Deus é único e que antecede a todas as coisas, do contrário, algo O teria criado e assim teríamos uma seqüência de fatos, tal qual aquele jogo de dominó.

Fato é que estes Espíritos a que se refere o capítulo e nós mesmos, somos todos obra de Deus; considerados somos como seus filhos e diante desta intitulada paternidade, extraímos aprendizado, evolução, amor, bondade e tantos outros quesitos que o Pai nos oferta em abundância; o resultado claro, está condicionado ao nosso livre-arbítrio e ao uso que disso tudo fazemos.

Na questão 77, que já começamos a abordar, Kardec questiona a espiritualidade acerca disto e obtém uma resposta um tanto quanto áspera, devida á nossa insistência em querermos trazer ao nosso modo de entender ou explicar, as coisas que já nos foram definidas anteriormente.

77. Os Espíritos são seres distintos da Divindade, por essa razão chamados filhos de Deus?

Resp.: - Meu Deus!!São sua obra, precisamente como acontece com um homem que faz uma máquina; esta é obra do homem e não ele mesmo. Sabes o homem, quando faz uma coisa bela e útil, chama-a sua filha, sua criação. Pois bem; dá-se o mesmo com Deus; nós somos seus filhos, porque somos sua obra.

Importante é a nossa busca de renovação e elevação, mas igualmente se faz importante aprendamos a compreender e a conhecer as definições e informações que nos são transmitidas pela espiritualidade amiga. As duas coisas são importantes e necessárias e não serão fato egoísta, haja vista a certeza de que quando nos melhoramos, todos á nossa volta sentem os benefícios e são estimulados a assim também fazerem, porque mais de que nossos discursos, observam nossas atitudes.

Lembro-me de um trabalho voluntário que fiz, aonde nós tínhamos treinamentos mensais, reuniões semanais para auto-aprendizado e auto-compreensão, reuniões bimestrais para troca entre todos os participantes nas diferentes cidades da região, enfim, material de estudo disponível no local e tantas outras ferramentas ao nosso alcance para que nos melhorássemos.

E algumas pessoas, antes mesmo de seguir adiante com o treinamento inicial para adesão ao trabalho (era uma semana de introdução, mais 8 encontros semanais e mais 4 semanas de estágio, para depois começar com aquele ritmo que falei lá em cima...uffa), questionavam dizendo assim: eu vim aqui para ajudar, para doar meu tempo, não para ficar estudando ou aprendendo coisas. Quero fazer caridade! Pois é, o velho ditado de que o inferno está cheio de gente de boa vontade, se aplica neste momento: as pessoas não compreendem que para darmos algo de nós para alguém, ou estamos bem ou doamos meleca. Então, será que vamos lá falando que estamos ajudando, quando na verdade estamos sendo ajudados?

Ué? E se temos essa consciência de que vamos mais ser ajudados do que ajudar, por que não cultivarmos a humildade e prestarmos atenção ao fato de que precisamos aprender? De que precisamos ter disciplina, acatar normas? Tão fácil fazer caridade, não é mesmo? Mas que será que estamos ofertando? Bom, isso dá um excelente tema tanto para Ieda às quintas-feiras como para mim às terças-feiras e ainda me faz lembrar dos comentários que tecemos acerca das visitas despreparadas que são realizadas aos orfanatos. Será que conseguimos conversar com alguém em nossa casa espírita para tentarmos mudar esse panorama ou só ficamos na crítica?

Voltando a Deus e suas obras, eis que somos criação de Deus. Criação que está sujeita a isso tudo que falamos, ou seja, experiências, necessidade de evolução, aprendizado, lapidação do eu interior e tantas outras coisas. E, por termos sido criados por Deus, infinitamente justo, bom, sábio e tantos outros qualificativos, eis que não somos perfeitos. Não teremos nada caindo do céu, teremos de buscar e merecer por onde. E, talvez aí esteja um grande problema em algumas famílias: muitos filhos são criados com tudo na mão. Outros labutam desde tenra idade e ainda são discriminados e rejeitados emocionalmente pelos pais. Todos necessitando aprender a ter equilíbrio para que o que trabalha desde cedo não se sinta trabalhando em vão e aquele que nunca precisou fazer por onde, saiba dar o devido valor a tudo o que tem. Vamos ainda às curiosidades de como onde e quando surgiram os Espíritos:

78. Os Espíritos tiveram princípio ou existem de toda a eternidade, como Deus?
Resp.: Se os Espíritos não tivessem tido princípio seriam iguais a Deus; mas, pelo contrário, são sua criação, submetidos à sua vontade. Deus existe de toda a eternidade, isso é incontestável; mas quando e como ele criou não sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio, se com isso entendes Deus, sendo eterno, deve ter criado sem cessar; mas quando e como cada um de nós foi feito, eu te repito, ninguém o sabe; isso é mistério.


Esta resposta está claramente disponível na primeira questão do Livro dos Médiuns e trago-a para que não criemos mais fantasias em nossa mente, se bem que eu creio que todos que aqui estão, não possuem mais tantas dúvidas a esse respeito, mas vamos lá:

(...) 1. A dúvida, no que concerne à existência dos Espíritos, tem como causa primária a ignorância acerca da verdadeira natureza deles. Geralmente, são figurados como seres à parte na criação e de cuja existência não está demonstrada a necessidade. Muitas pessoas, mais ou menos como as que só conhecem a História pelos romances, apenas os conhecem através dos contos fantásticos com que foram acalentadas em criança.

Sem indagarem se tais contos, despojados dos acessórios ridículos, encerram algum fundo de verdade, essas pessoas unicamente se impressionam com o lado absurdo que eles revelam. Sem se darem ao trabalho de tirar a casca amarga, para achar a amêndoa, rejeitam o todo como fazem relativamente à religião, os que, chocados por certos abusos, tudo englobam numa só condenação.

Seja qual for a idéia que dos Espíritos se faça, a crença neles necessariamente se funda na existência de um princípio inteligente fora da matéria. Essa crença é incompatível com a negação absoluta deste princípio. Tomamos, conseguintemente, por ponto de partida, a existência, a sobrevivência e a individualidade da alma, existência, sobrevivência e individualidade que têm no Espiritualismo a sua demonstração teórica e dogmática e, no Espiritismo, a demonstração positiva. (...)


Aliás, para quem desejar estudar mais estes fatos ou contos fantásticos a que se refere kardec, basta ler a obra de Camille Flammarion intitulada “As Casas Mal Assombradas” aonde ele trata dos fenômenos de efeitos físicos ou estes contos fantásticos, através da apresentação de casos de “assombração” ou “poltergeist”.

Existência, sobrevivência, inteligência e individualidade da alma, demonstrados de forma dogmática, ou seja, cheia de aparatos e trens, no espiritualismo e demonstrados positivamente no Espiritismo, ou seja, demonstrado de forma efetiva e abrangente, sem distinção de quem poderá acessar estas informações.

Aliás, essa a grande diferença entre os dois: espiritismo e espiritualismo. Espiritualismo envolve várias culturas, seitas, manifestações , credos e até religiões. Espiritismo é pura e somente a Doutrina dos Espíritos. Enfim, eis que temos pergunta, resposta, complemento e alinhavo, mas tudo dentro da limitação que nos é característica diante de alguns fatos. Na próxima temos:

79. Uma vez que há dois elementos gerais no Universo: o inteligente e o material, poderíamos dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes são formados do material?
Resp.: - É evidente. Os Espíritos são individualizações do princípio inteligente, como os corpos são individualizações do princípio material; e a maneira dessa forma é que desconhecemos.


A formação e a junção destes dois princípios, como tudo começou, nos é ignorado. Mas somos chamados á razão por Leon Denis que nos recorda que: “O homem participa de duas naturezas: Pelo seu corpo, pelos seus órgãos deriva-se da matéria; pelas suas faculdades intelectuais e morais, procede do Espírito”.

Eis o ser humano mostrando que apenas é um Espírito envolvido na carne ou na matéria, com suas limitações e necessidades decorrentes de tal estado. No livro O problema do Ser, Leon Denis nos fala dessa dualidade e aborda muitas visões destes dois estados e de como interagem. Aliás, ele nos traz uma colocação muito importante e que serviria perfeitamente para o encontro das quintas-feiras, na Momento Fraterno, aonde estamos abordando Reforma Íntima como tema referencial.

Vamos a ela: “O objetivo da evolução, razão de ser da vida, não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente crêem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço de todas as alternativas da alegria e da dor, até que nos tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste. Se há na Terra menos alegria do que sofrimento, é que este é o instrumento por excelência da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que, sem ele, ficaria retardado nas vias da sensualidade. A dor, física e moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio.”

Ou seja, podemos até desconhecer a forma como as duas naturezas se unem ou se formam, mas podemos muito bem saber para quê. E eis o lembrete dado por Leon Denis, quando nos diz que a dor, muitas vezes, pode chegar para nos auxiliar a alcançar o aperfeiçoamento individual e será ele que nos dará a passagem para o mundo Espiritual; nossos sonhos de consumo: mundos mais evoluídos.Aliás, recomendo o livro Catecismo Espírita, de Leon Denis, no capítulo III que aborda A Alma e o capítulo IV que aborda Os Espíritos, como leitura simples, leve e elucidativa de tudo o que estamos vendo acerca de Espíritos. E na próxima questão, temos um pouco mais acerca da criação dos Espíritos:

80. A criação dos Espíritos é permanente ou verificou-se apenas na origem dos tempos?
Resp.: É permanente, o que quer dizer que Deus jamais cessou de criar.


Interessante refletirmos acerca desta passagem. Se temos mundo inferiores ao nosso e também superiores, há que se pensar que existe uma troca constante entre todos. Se Deus cria os Espíritos, simples e ignorantes e todos com as mesmas potencialidades e qualidades, há que se aguardar que, cedo ou tarde todos haverão de alcançar um objetivo. Cá para nós, o objetivo, de forma simples, seria a perfeição.

Não aquela perfeição detalhista, orgulhosa ou corrompida, mas a perfeição dentro das virtudes e qualidades ofertadas pelo Pai. Bom, se assim é, que fará Ele com os mundos inferiores quando acabarem todas as suas criaturas de evoluir? Para aonde irão as criaturas quando alcançam o ápice da Evolução? Questões que não estão ao nosso alcance responder, mas que nos servem de referencial para uma analogia bem crua, mas quase certeira.

Temos uma empresa aonde os empregados começam com simples funções, galgando degraus até chegarem ao ápice. Serão todos presidente? Terão todos no mesmo status dentro da empresa? Não, estão todos ligados ao comando de um único Presidente, mas cada qual em sua função e em sua capacidade atual. Aprendendo, colaborando, ensinando, trocando. Buscando não apenas sua subsistência, mas a unicidade dentro do conglomerado a que fazem parte. Filiais, empresas irmãs, uffa....eis um grande empreendimento ao comando de um único homem.

Se bem que com a globalização e com a competitividade do mercado, a nossa realidade hoje é um tanto diferente....temos muitos chefes e poucos índios....mas creio que foi compreensível a analogia. Se estudarmos, nos inteirarmos das funções de outras áreas e outros departamentos, poderemos crescer dentro da empresa, nos tornando sempre um pouco melhores de quando nela adentramos. Na Terra e na existência, o mesmo se dá. Muitas moradas, ou muitos departamentos, de uma mesma empresa ao comando de um único ser: Deus.

Precisamos aprender, colaborar, servir, ensinar, trocar, realizar, nos dedicar. Enfim, vestir a camisa da organização e fazer o possível para que ela seja sempre um lugar mais agradável de se trabalhar, de se relacionar com as pessoas, para que todos cresçam, evoluam e tenham sua oportunidade. Cada pequeno grupo que formamos, como o nosso, por exemplo, ou como lideranças de comunidades, ou grupos escolares, enfim, cada pequena organização que construímos são pequenas ‘empresas’ que precisam ser administradas com amor, com respeito e com oportunidades iguais para todos.

Ressaltar as qualidades, corrigir os erros, verificar as dificuldades, abrir portas, dar novas oportunidades, enfim, nosso trabalho se dá em muitas frentes e em muitos locais e, sempre que atentarmos para o Todo, veremos que precisamos repetir nestes lugares aquilo que Deus conosco faz: oportunidades iguais a todos os participantes, respeitando-se o livre-arbítrio e as potencialidades e qualidades de cada um. O Pai não exige que seus filhos dêem saltos na evolução; assim será em nosso lar, em nossa sociedade, em nosso grupo religioso, de estudos, de trabalho e tantos quantos fizermos parte. Haveremos de crescer, respeitando-nos e auxiliando-nos mutuamente.

Quanto mais crescermos, mais oportunidades se abrirão, mais pessoas serão convocadas a fazer parte da situação, mais pessoas poderão contribuir, receber e dar. Uffa....a vida é imensa e infindável!! Nunca deixaremos de ter oportunidades de sermos úteis, de estarmos ativos e de crescermos. Precisamos sim prestar atenção a estas oportunidades, não relegando o tesouro maior que o pai nos ofertou: a prática da caridade em suas várias facetas. É para isso que Deus cria incessantemente!

Exposto em 02-08-08 por Fiorell@

 

Questões 81 a 85

No estudo passado, abordamos as questões 77 a 81, aonde pudemos ter um panorama acerca da origem e natureza do Espíritos, quando se fala da sua definição, ou seja, seres inteligentes criados por Deus, que não são Deus e nem deuses; que possuem um princípio, embora não está ao nosso alcance sabê-lo e isso nos recorda, mais uma vez, que não são Deus, do contrário existiriam de todo o sempre e que Deus os cria incessantemente, o que nos faz recordar das diferentes moradas a que Jesus referiu-se, compreendendo assim mundos superiores, inferiores e em estado similar ao nosso, ou seja, tem muito lugar para tantos Espíritos. Questão interessante se nos apresenta hoje, vamos à 81:

81. Os Espíritos se formam espontaneamente ou procedem uns dos outros?
Resp.: - Deus os criou, como a todas as outras criaturas, por Sua vontade; mas, repito ainda uma vez,que a sua origem é mistério.


A resposta da Espiritualidade é básica e não deixa dúvidas, mas os que me conhecem um pouco mais, já podem até imaginar do que vou falar. Temos aqui mais uma situação que precisa ser analisada perante aos grandes avanços que a Ciência vem promovendo. Falo sim dos estudos que estávamos realizando às terças-feiras e que abordaram células-tronco embrionárias. Não vamos adentrar a esta questão em específico e nem à de clonagem de seres humanos, mas elas também estão, de certa forma, embutidas no assunto.

Se a espiritualidade nos afirma que os Espíritos são criados pela vontade do Pai e que eles desconhecem a sua origem, eis uma dica preciosa no tocante aos fatos que estão nos rodeando atualmente. Se eles conhecessem a sua origem, mas não pudessem no-la revelar, com certeza diriam algo similar: ainda não está ao vosso alcance compreender tal fato.

Oras, se estes irmãos encarregados de nos trazer a Codificação Espírita, desconhecem a procedência dos Espíritos, quer dizer que a origem da criação deles ainda não é fato corriqueiro também em outros mundos, a não ser pela vontade do Pai. Se nós, seres humanos, tencionamos criar outros seres humanos, sabemos que para o corpo ter vida é preciso exista um Espírito. E quem vai ofertar esse espírito?

Oras novamente!! Células-tronco embrionárias, clonagem, reprodução assistida, isso tudo está sob o controle de abnegados irmãos da espiritualidade. Existe um limite no qual o homem haverá de, cedo ou tarde, esbarrar. Se determinadas técnicas de fertilização são promissoras e trazem resultados positivos, algo de benéfico pode e deve ser tirado da situação. As deturpações, falhas de caráter, criação de seres por diversas razões egoísticas ou vaidosas, são conseqüência daquilo que nós fazemos com o legado que nos é ofertado.

Mas, tudo que nos é dado, também nos é tirado. Em faltando ética, faltando respeito, faltando humanização e moralização, ou seja, em havendo o escândalo, muitos serão envolvidos e, cada qual, será responsável por seu plantio. É necessário que haja o escândalo, mas ai daquele que o causar. Então, creio que quando nos preocupamos em demasia com alguns questionamentos, deveríamos sim trazer para o enfoque a parte que verdadeiramente nos cabe:

Enquanto Fiorella, eu não tenho alcance sobre tudo o que acontece no mundo, nos milhares de laboratórios espalhados pelo mundo todo, nas diversas clínicas espalhadas pelos quatro cantos e até mesmo pelos diversos lares que compõe a Terra. Mas, tenho total e pleno alcance sobre o meu lar e é nele que devo plantar sementes de respeito, de ética, de moralidade e de cristianismo. Até posso gritar, esbravejar, me unir a mais pessoas que pensam como eu, mas eu nunca terei sobre todos os pontos do Planeta e da espiritualidade, o mesmo alcance que tenho sobre o meu lar.

Então, aonde será que devo dar maior ênfase? A quais criaturas devo, primeiramente, dar atenção? Aos que estão sob o mesmo teto que eu e, aos poucos abrir isso aos demais!!! Despertar nos outros e, em mim mesma, as sementes da fraternidade, da caridade, do respeito, da ética, da moralidade, do amor e tantas outras que são necessárias para que tenhamos um mundo melhor. E, se não procedemos uns dos outros, enquanto Espíritos, mas apenas enquanto matéria, que tal darmos aos que nos rodeiam uma existência material proveitosa, agradável e fraterna?

Creio que neste momento a frase: Deus está de olho nesse trem é a mais adequada. É Ele quem cuida da criação. A mim, a nós, cabe zelar por ela. Mas, não posso me furtar a compreender e a entender do que se trata o assunto. Preciso me informar e, de alguma maneira, auxiliar meus filhos a também se informarem e a se posicionarem ante à vida. E, a moralidade, mais do que nunca, deve ser o nosso norte. Mais do que crença religiosa, mais do que ciência e mais do que filosofia: a moralidade é a nossa excelência e a ela devemos buscar.

82. É certo dizer que os Espíritos são imateriais?
Resp.: - Como podemos definir uma coisa, quando não dispomos dos termos de comparação e usamos uma linguagem insuficiente? Um cego de nascença pode definir a luz? Imaterial não é o termo apropriado; incorpóreo seria mais exato, pois deves compreender que, sendo uma criação, o Espírito deve ser alguma coisa. É uma matéria quintessenciada, mas sem analogia para vós outros, e tão etérea que escapa inteiramente ao alcance dos vossos sentidos
.

Estudamos um pouco disso tempos atrás. Vimos que existem diferentes tipos de matérias e, mesmo aquelas que não nos parecem matéria, o são e de uma forma sutil e etérea. A dificuldade está em trazer para a nossa linguagem as variadas concepções que se pode encontrar acerca dos elementos que compõe a matéria do ser Espiritual ou do Espírito. E Nisso, temos a analogia elucidante trazida pela espiritualidade: como poderá um cego de nascença definir algo que ele ainda não viu?

Tanto o é, que Kardec complementa a resposta da seguinte maneira:

Dizemos que os Espíritos são imateriais, porque, pela sua essência, diferem de tudo o que conhecemos sob o nome de matéria. Um povo de cegos careceria de termos para exprimir a luz e seus efeitos. O cego de nascença se julga capaz de todas as percepções pelo ouvido, pelo olfato, pelo paladar e pelo tato. Não compreende as idéias que só lhe poderiam ser dadas pelo sentido que lhe falta. Nós outros somos verdadeiros cegos com relação à essência dos seres sobre-humanos. Não os podemos definir senão por meio de comparações sempre imperfeitas, ou por um esforço da imaginação (1).

É isto mesmo. Por isso que não conseguimos distinguir, por exemplo, a vida em outros mundos. Nossa concepção da matéria escapa à abrangência total e, ainda assim, nossa faculdade de ver também. Não conseguimos visualizar matérias quintessenciadas, então, não conseguimos visualizar o ar ou os Espíritos. Ainda bem, senão, íamos ter um troço. Aliás, deve ser a sensação de ‘bagunça’ que acomete aqueles que possuem a chamada dupla visão ou visão do mundo espiritual. Possuem o canal aberto para visualizar o mundo espiritual o que, de maneira alguma, significa que possam compreendê-lo ou que tenham algum grau mais avançado de moralidade.

Apenas estão com esta faculdade, a da visão, mais ‘aberta’ e coisas que nos escapam estão ao seu alcance visual. E, nos estendermos nestas definições dos corpos, seria sempre rodearmos a imperfeição das definições que conhecemos. Lembrando-lhes que a referência (1) Diz o seguinte: Os Espíritos revestidos do perispírito são objetos desta referência. Sem o perispírito nada têm de material, como vemos na resposta 79 (N. do T.).

E, nesta questão 79 que vimos anteriormente, temos que os corpos são individualizações do princípio material, ou seja, são formados pelas suas variantes, mas ainda assim, as desconhecemos. Nada possuem de material diante daquilo que nós consideramos como material. Então, vamos trabalhar com o que temos ao nosso alcance e partir para a questão 83:

83. Os Espíritos terão fim? Compreende-se que o princípio de que eles emanam seja eterno, mas o que perguntamos é se sua individualidade terá um termo e se, num dado tempo, mais ou menos longo, o elemento de que são formados não se desagregará e não retornará à massa de que saíram, como acontece com os corpos materiais. É difícil compreender que uma coisa que teve começo não tenha fim.
Resp.: - Há muitas coisas que não compreendeis porque a vossa inteligência é limitada; mas isso não é razão para as repelirdes. O filho não compreende tudo o que o pai é compreende, nem o ignorante tudo o que o sábio compreende. Nós te dizemos que a existência dos Espíritos não tem fim;é tudo quanto podemos dizer, por enquanto
.

É bem aquilo a que nos referimos anteriormente; quando a questão ainda não está ao nosso alcance, nos é dito, punto e basta; assim o é. Neste caso, a resposta simples talvez não baste a muitos: eles não têm fim em sua curiosidade e sede de saber. E, com certeza, haverá questionamentos, especulações e tantas outras coisas que não levarão a nada, pois a resposta ainda não nos pertence. Aceitar isso é ter humildade em reconhecer as próprias limitações com as quais estamos ainda envolvidos.

Vale lembrar das inúmeras moradas, não apenas em nosso sistema ou universo; vale lembrar das inúmeras formas que nosso ser pode ter nestes variados mundos; vale lembrar que em se tomando a proporcionalidade das coisas, se somos eternos em se tratando de existência, assim o deve ser com o material que nos compõe enquanto espíritos, pois somos algo, compostos por algo e com uma justificativa de existir, justificativa essa que não seria apenas viver, realizar, crescer e findar. Se assim o fosse, que vazio viria após tantos e tantos períodos de crescimento e renovação, não?

Bem, como resumo deste livro e, consequentemente, deste item do capítulo I, temos que os Espíritos, são seres inteligentes da criação e povoam todo o universo, além daquilo que podemos ver, sentir ou tocar, ou seja, além do material. São seres diferentes de Deus, ou seja, Deus é Supremo e único. São obra e criação de Deus e, por isto mesmo chamados de seus filhos. Podem ser considerados como individualizações do princípio inteligente e são criados incessantemente por Deus, haja vista a infinidade de mundos habitados. Não se formam espontaneamente e nem podem ser criados ou gerados a partir de outro Espírito. No tocante à sua definição corpórea ou material, faltam-nos subsídios, palavras e até conhecimento para defini-los corretamente. Conseguimos apenas dizer-lhes de uma matéria quintessenciada. Levando-se em conta que tudo que tem começo deva ter um fim, acreditamos, erroneamente, que os Espíritos assim também procedem e, o máximo que a espiritualidade amiga nos diz é que não possuem um fim, sendo tudo o que lhes é possível nos revelar no momento. Simples e coerente, não?

No item II do Capítulo I, temos Mundo Normal Primitivo e a primeira questão é quase uma continuidade daquilo que já vimos até então, sendo amplamente dedutível sua resposta:

84. Os Espíritos constituem um mundo à parte, além daquele que vemos?
Resp.: - Sim, o mundo dos Espíritos ou das inteligências corpóreas.


Se trouxermos essa resposta para nossa realidade ou compreensão dela, veremos que após a morte existe a vida. Nós espíritas, através dos inúmeros fatos que se nos apresentaram, sabemos disso. Mas e as demais pessoas? Habita-lhes, é claro, uma sensação de que existe algo mais, seja em forma de inferno ou de paraíso, mas algo mais existe. E é esse algo mais que as motiva a agirem ou não de uma forma diferente.

Justamente pela percepção de que existem outros mundos e não apenas recompensa ou castigo, que modificamos o teor de nosso sentir e de nosso ser; é justamente por termos a noção de que algo mais nos aguarda do que os úmidos sete palmos de terra, que nos motivamos a renovar nossos pensamentos, que nos sentimos encorajados e esperançosos, pois este é um momento transitório. É uma de nossas existências, assim como o é para a Borboleta, que foi um ovo, uma larva, uma lagarta e enfim uma borboleta.

Claro que a Borboleta é uma analogia incompleta, principalmente levando-se em conta as questões anteriores que abordamos, mas ela nos mostra com simplicidade algumas fases existenciais e a certeza de que a dor, o sofrimento e, o enclausuramento são parte de um processo de libertação, a libertação do fardo pesado da matéria. E, mesmo quando já formos borboletas, eis que nossos cuidados haverão de ser redobrados, pois o colorido de nossas asas, a fragilidade aparente, a alegria ao percorrer esvoaçantemente bellas paragens, fará com que predadores vorazes nos fitem, nos desejem e nos queiram pegar. E Deus, em sua infinita Bondade, mais uma vez nos concederá a oportunidade de defesa, de aprendizado, de compreensão das naturezas diversas e nos facultará mecanismo para que sobrevivamos às situações e, quando for de nosso momento ou tempo, haveremos de sucumbir. A borboleta, enviará seu princípio existencial ao todo universal e seu ser se juntará aos demais para em conjunto evoluírem e escalarem novo degrau evolutivo, para mais adiante, a seu tempo, receberem a sua individualidade.

E nós? Já fizemos isso um dia. Já fomos parte integrante de um todo sem termos nossa individualidade e hoje, com a graça do Pai e a evolução dos elementos que nos compõe, eis que nos tornamos seres individuais; integrantes do todo, mas com nossa individualidade, passiva de aprimoramento, de renovação, de evolução. De felicidade e amor!!! E, diante desta pequena reflexão, podemos adentrar á próxima questão com uma tranqüilidade imensa a nos invadir, perante a resposta que obteremos:

85. Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal na ordem das coisas?
Resp.: - O mundo espírita; ele preexiste e sobrevive a tudo.


Vejam que interessante isto...o mundo espírita sobrevive a tudo. Se nos recordarmos da questão 83 em que era perguntado à espiritualidade se os Espíritos teriam um fim, eis que nos foi dito que o máximo que se nos poderia ser revelado era justamente o fato de que os Espíritos não tem fim. E, nesta questão, temos a resposta de que o mundo espiritual é o mais relevante, pois que não tem fim, ou seja, a tudo sobrevive e antecede.

E não será mais uma vez a alegria tomando conta de nosso ser, ao nos conscientizarmos que já existimos em dificuldades maiores, em dores diferentes e em momentos que não haverão de retornar, devido às aquisições individuais que adquirimos em nós nas muitas pré-existências que tivemos? O mundo em que vivemos tem sua importância capital, diante de nosso aprimoramento.

Aliás, como bem lemos na leitura do Evangelho realizado nesta manhã, não se pode servir a dois senhores, haja vista o fato de que o Reino de Jesus não é deste mundo. E, mais uma vez, somos convidados a refletir e a nos ampararmos nos ensinamentos do Mestre. Ele esteve entre nós e, diante das suas inúmeras responsabilidades, diante de toda a sua missão a ser cumprida, ainda assim aprendeu ofícios terrenos, esteve entre os homens aprendendo tarefas e produzindo, não apenas com a palavra e o conhecimento como o fez por diversas vezes, mesmo em tenra idade, mas também com o suor de sua fronte e o empenho de suas mãos. É claro que, se formos sensatos e coerentes, não poderíamos esperar dele que trabalhasse nos dias de hoje, por exemplo, em uma linha de produção, mas nós deveríamos nos conscientizar e nos sentirmos menos orgulhosos e arrogantes e ponderarmos que da boa vida que desejamos ter, os frutos que haveremos de colher serão o da repetição: repetição das provas, das responsabilidades e dos tormentos em não cumpri-las.

Jesus trabalhou. Trabalha ainda hoje. O Pai trabalhou, trabalha ainda hoje. E nós? Aqui no plano terreno queremos viver de brisa, de espírito e de amor. Gente: acordemos!! Compreender as diferenças e nos observarmos com um pouco mais de humildade, vai nos mostrar que admiramos Francisco de Assis, Jesus e tantos outros chamados ícones espirituais, mas não somos eles. Temos tarefas e deveres. Temos responsabilidades. Muito que bem se soubermos realizá-las unindo os aprendizados do Mestre, mas nos furtarmos aos nossos deveres terrenos alegando compromissos com a espiritualidade é ledo engano, ao qual seremos chamados a dar conta no momento oportuno.

A noção exata de que o plano espiritual é o principal na ordem das coisas, haverá de nos mostrar que, embora ele seja o principal, é composto de estágios e paragens diversas. A existência na Terra é uma delas. Quanto não aprendemos, não temos como oportunidade e quanto não somos chamados a praticar diariamente? Viver de espírito, como muitos de nós deseja, ocorrerá no momento oportuno. Até lá, haveremos de observar que, da mesma maneira que sonhar com uma bolada na mega sena para vivermos de brisa é doce ilusão, também é ilusão relegarmos nossas tarefas diárias (desde o arrumar a própria cama) é ilusão.

  Exposto em 09-08-08 por Fiorell@

 

Questões 86 e 87

Estudo passado nos trouxe mais esclarecimentos do que ronda o mundo espiritual. Conhecemos um pouco acerca da formação dos Espíritos e do seu estado físico; sondamos a possibilidade deles se extinguirem em determinado momento e também tentamos compreender que se eles forma um mundo á parte e qual dos dois mundos é mais importante: se o corpóreo (nosso) ou o espiritual (deles).

Neste ponto, aprendemos que o mundo espiritual existe independente do nosso e assim será, pois que o nosso é uma transição, uma passagem que se extinguirá enquanto matéria, mas que o espiritual não, eterno que é. Ainda assim, nos conscientizamos da necessidade de existência do nosso mundo e ainda poderemos compreender um pouco mais, a partir da próxima questão:

86. O mundo corpóreo poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem com isso alterar a essência do mundo espírita?
Resp.: - Sim; eles são independentes, e não obstante a sua correlação é incessante, porque reagem incessantemente um sobre o outro.


Eis o complemento daquilo que eu lhes falava anteriormente. Embora o mundo espiritual seja o principal, embora ele exista independente do mundo material, temos em tudo uma lógica de ser e existir. Se temos um mundo material, apesar da sua aparente falta de necessidade, deve existir uma importância contida nele, não? E eis aonde devemos valorar nosso viver e nossa existência na Terra. Bello dizermos que á para aprendizado e elevação e isso é realmente disso que devemos nos recordar: o trabalho enobrece o homem. A dedicação que necessitamos ter às coisas do mundo não pode ser considerada como asquerosa.

Sustentar um lar, por exemplo, exige da pessoa muita disciplina, aprender a ser pontual e a ser subordinado, a engolir sapos e tantas outras coisas que nos são propostas no dia de hoje. Cuidar de um lar, nos exige dedicação, adaptação ás rotinas, alegria e amor. Será que já nestas pequenas coisas não existe muito para aprendermos e a usarmos em nosso viver material como importante, necessário e benéfico? Viver em família, conviver com os defeitos alheios, rever caminhos, refazer conceitos adaptar-se ao todo familiar. Saber os limites de até aonde é benéfico prosseguir e quando é hora de retirar o time de campo. Nossa..... querem mais? Aliás, acho que já estou vestindo a camisa do nosso tema, nas terças-feiras: Família!!

A interação a que se refere a espiritualidade, podemos perceber não apenas nos efeitos físicos ou presenciais, dos Espíritos que nos cercam, mas também nas suas emanações vibracionais. Sentimos quando alguém se aproxima de nós com bons pensamentos ou não. Espiritualmente falando, o mesmo se dá, basta aprimoremos nossa percepção e nossa sintonia, procurando inclusive, não assimilar as de baixo teor vibracional. Quando estivermos mais equilibrados e seguros e soubermos exatamente dos riscos e complicações que isso poderá acarretar, poderemos dialogar com estes irmãos, buscando ofertar-lhes o mesmo entendimento que recebemos e assimilamos acerca de tudo.

Até lá, cuidemos de nossa moralidade e elevação: são elas que nos darão o sustentáculo nestas situações; ninguém moraliza ou ensina ninguém exemplificando o contrário. Aliás, lembro-lhes uma passagem interessante contida no livro Catecismo Espírita de Leon Denis, aonde temos a seguinte pergunta:

- Como devemos tratar os Espíritos maus, atrasados e imperfeitos? Resp.: - Devemos moralizá-los, instruí-los e orar por eles.

Oras, fazemos isso como? Demonstrando em nosso viver atitudes retas, atitudes que assinalam como verdadeira busca da nossa renovação enquanto seres. Não apenas pregações estéreis, afinal a fé sem a obra inexiste e a reforma sem a atuação é incompleta. E esta interação entre os dois mundos, nunca será apenas de um tipo vibracional. Seremos sempre chamados a colocarmos em prática o nosso aprendizado. Falei uma vez, em estudos bem distantes, de fato interessante que ocorreu com Ivonne Pereira do Amaral.

Como vocês podem se recordar, ela era a médium que psicografava Bezerra de Menezes (Flor de Maio que me ensinou) e, certa feita, foi convidada por um espírito, para escrever sobre sua vida. Para ser sua psicógrafa. Levada por uma identificação do teor vibracional do Espírito, ela se recusou. Então, ele ofereceu fama, riquezas e uma série de outras cosias, que ela continuou recusando. Mais de 15 anos depois, o mesmo espírito se lhe achega com a mesma proposta e ela, mais uma vez recusa.

Ao perguntar a Bezerra porque ele havia permitido essa aproximação, já que o espírito era notadamente de uma condição moral inferior, Bezerra esclareceu que era preciso deixar que Ivonne decidisse sobre aquilo que almejava ou que lhe convinha, cabendo a ela, através de sua sensatez e retidão de caráter, escolher a quem desejava seguir. Vejam bem, mais de 15 anos depois, o mesmo espírito com a mesma oferta. Ou seja, meninos e meninas, seremos sempre tentados, seremos sempre chamados à prova ante as possíveis conquistas de nosso caráter. E, quando realmente forem conquistas, não haveremos de vacilar e, a cada nova investida, estaremos mais fortes e renovados do que na primeira, a ponto de que ela não nos derrube ou incomode.

Lembrando que o diálogo com os irmãos desencarnados que se aproximam é benéfico, mas nada como termos um pouco de orientação e conhecimento par fazê-lo. Eis o estudo das leis que regem os dois mundos. Livro dos médiuns na área, gente!! Finalizando este segundo item do capítulo primeiro, Mundo Espírita ou dos Espíritos, temos a questão 87:

87. Os Espíritos ocupam uma região circunscrita e determinada no espaço?
Resp,: Os Espíritos estão por toda parte; povoam ao infinito os espaços infinitos. Há os que estão sem cessar ao vosso lado, observando-vos e atuando sobre vós, sem o saberdes; porque os Espíritos são uma das forças da Natureza e os instrumentos de que Deus se serve para cumprimento de seus desígnios providenciais; mas nem todos vão a toda parte, porque há regiões interditadas aos menos avançados.


Figuradamente podemos dizer que Deus não dá ponto sem nó. Somos sim, instrumentos de Deus, embora vivamos teimando em achar que é Ele quem deve nos servir. Se algo ocorre de forma prejudicial a alguém, isso também poderá ser aproveitado em forma de benefício ou aprendizado a tantos quantos estejam envolvidos ou tomem ciência da situação. Aliás, lembram-se que já vimos algumas comunicações de Espíritos, que esclarecem que podem ir a determinadas regiões, mas a outras não, principalmente quando mais elevadas.

Existem leis que a tudo regem. Não apenas por uma questão de capricho ou autoritarismo, mas por pura e total necessidade para que as coisas caminhem de forma harmônica e elevada. Nem tudo é corporativismo... Finalizo esta questão, com mais uma passagem do Livro Catecismo Espírita, de Leon Denis aonde encontramos:

Perg.: Deus, que é bom, permite que os maus Espíritos nos venham induzir ao mal ou fazer-nos sofrer?
Resp.:Para nos experimentar. Por que permite que o homem mau aconselhe os outros a praticarem um crime? O caso é idêntico. Além disso, os Espíritos maus não podem fazer o mal que desejam, sobretudo se a nós chamamos os bons.
Perg.: Estarão os bons Espíritos sempre dispostos a proteger-nos?
Resp.: - Sim; se os chamarmos. Deus deu a cada um de nós um protetor, guia, ou anjo de guarda.
Perg.: - Basta a oração para afastar os Espíritos perversos?
Resp.: - Certamente não; é preciso fazer-se sempre o bem.


Por estas três perguntas e respostas, podemos perceber um pouco como se desenrola nossa interação com a espiritualidade. Deus, nosso Pai, não nos poupa daquilo a que fazemos jus ou atraímos por nossa vontade. Mas, nos dá todas as ferramentas necessárias para que aprendamos a lidar com a situação, com a influência e a manifestação contrária.

Determinadas coisas, em certos momentos, nos atingem tal qual uma onda energética, dando-nos um tiro na mente e no coração; descompassando-nos a respiração, o pensar e o sentir. Por vezes, nos ocasionam um peso tão grande em nosso ser, que parece que o mundo se alojou em nossas costas. E eis que Deus nos deu nosso mentor amigo, nosso espírito protetor ou espíritos protetores que nos acompanham e atendem ao nosso chamado. E o mundo vai se tornando mais leve...

Mas precisamos chamar; precisamos fazer a nossa parte e não apenas nos lamuriarmos ou rebelarmos; precisamos ter atitude e não apenas nos chafurdarmos na coitadeza. O Mestre foi tentado, lembram-se, no deserto? E que fez? Ficou se fazendo de coitado ou de incapaz ou arregaçou as mangas e afirmou a que veio? Nem sempre é fácil. Somos tentados de diversas maneiras, alfinetados por diversos ângulos.

Por vezes, nutrimos desafeto por alguém e nem é esse alguém quem nos deseja o mal, mas a própria espiritualidade inferior que fica atazanando nossa mente, trazendo-nos passagens distorcidas e efeitos contrários ao real. E nos deixamos levar, nas ondas do pensamento, nas sintonias estabelecidas e a influência perniciosa se faz.

Aceitarmos a falibilidade alheia, termos em mente que não é porque alguém sabe de cor e salteado a bíblia ou as obras da codificação e que domina doces palavras que derrama aos quatro ventos, que isso tudo dará a ela condições morais. Por isso foi tão importante a passagem dos estudos, nas questões anteriores, que abordava sobre a inteligência, o instinto, a razão e o sentir.

Confesso a vocês que, coisa de ano e meio atrás, eu achava inadmissível, por exemplo, um espírita de carteirinha, que adora alardear a reforma íntima, ser adúltero. Hoje compreendo melhor. Compreendo como sendo mais uma parte dessa criatura que precisa ser lapidada. Compreendo que podem e devem existir outras qualidades neste ser. Vemos isso com grande freqüência, por exemplo, nos chamados escritores espíritas. Iniciam um texto ou um comentário adjetivando pejorativamente ao próximo.

Estes irmãos, profundos conhecedores da Doutrina Espírita, adoram colocar o dedo em riste e chamar aos outros de sepulcros caiados, de fariseus ou de seguidores de dois deuses. Gente, muita calma nessa hora. Insisto em dizer: podemos mostrar caminhos que sentimos serem corretos, sem nos colocarmos na posição de juízes do mundo. Sem adjetivarmos pejorativamente quem quer que seja. Quando estamos envoltos por nosso orgulho e nossa soberba, será que ao escrevermos ou falarmos algo, estamos envolvidos por espíritos bons ou nem tanto bons assim?

A interação com os dois mundos é constante e se dá mais amiúde do que imaginamos; mas não justifica colocarmos em ombros alheios a responsabilidade por nossos atos, palavras e gestos não tão dignos. Falamos disso com tanta alegria e respeito às quintas-feiras lá na sala MOMENTO FRATERNO: a Reforma íntima é uma ferramenta que cabe a cada um de nós e de forma individualizada. Não será conhecendo todas as passagens contidas no Livro dos Médiuns ou em quaisquer outras obras, que a faremos a contento. Faremos sim, passo-a-passo, envolvendo empreendimento e seriedade. E, em procedendo assim, com certeza a interação entre os mundos, o nosso e o espiritual, será permeada não apenas de espíritos inferiores, mas também de espíritos reconhecidos pela nossa labuta em crescer, aprender e lapidar o nosso ser.

Serão eles que nos auxiliarão, ante nosso desejo sincero de fazer o bem e de seguir as leis do Pai: amar a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo. A oração é canal de ligação com o divino, mas de nada adianta orarmos aqui e apedrejarmos ali. Nada adianta orarmos aqui e condenarmos ali. A começar, pela simples situação de que todos somos irmãos e iguais. Se ainda fazemos atos menos dignos, não quer dizer que devem desejar a nossa morte. Uffa....O Pai não mata, por que nós haveremos de matar ou desejar que alguém morra, mesmo o mais vil assassino, por conta de seus atos ou atitudes? Reflitamos nesta nossa postura, hoje e sempre.

  Exposto em 16-08-08 por Fiorell@

 

Questões 88  a 91

Através deste interessante capítulo do Livro dos Espíritos que trata do Mundo Espírita ou dos Espíritos, eis que estamos conhecendo um pouco mais sobre este outro ambiente, do qual e para o qual todos nós vamos ou estivemos uma dia! Aliás, em sono, com certeza vamos até lá! E os que possuem a faculdade do desdobramento também!! Ou seja, nenhum bicho de sete cabeças, apenas um ‘espaço’ que não conseguimos divisar.

Vimos como os Espíritos são criados, vimos sobre não serem deuses, estes irmãos da espiritualidade. Para hoje, prosseguiremos com os comentários que fazíamos acerca da questão 87, aonde falávamos da região que estes irmãos ocupam e da ligação que fazemos com eles, já que não existe uma região pré-definida, mas sim com algumas limitações quando se analisam as evoluções individuais, ou seja, nem todos podem acessar, por exemplo, os mundos espiritualmente mais elevados.. Nesse ponto, falávamos que eles interagem conosco, através de nosso pensar ou desejar, criando assim canais de ligação.

Nem sempre interagimos de forma benéfica, principalmente quando nossos desejos e anseios não nos serão produtivos ou envolvidos por amor verdadeiro. Afora as sintonias que criamos quando vemos ou presenciamos determinadas cenas ou ouvimos determinadas coisas. Esse desejo, ver, ouvir ou pensar é imã a nos unir nas vibrações destas criaturas. Ao nos depararmos com cenas, atitudes ou situações caracteristicamente não cristãs, o mais correto é pedir ao Pai: tende piedade destes irmãos, pois não sabem o que fazem. E se souberem, tende mais ainda, por favor.

Vamos para a parte III do Mundo Espírita ou dos Espíritos, que nos traz Forma e Ubiqüidade dos Espíritos. Que será isso: ubiqüidade? É um adjetivo que define algo ou alguém que está em todos os lugares ao mesmo tempo. Veremos que interessante é isso. Veremos como, com certeza absoluta, quando o Mestre nos asseverou que “se dois ou mais estivessem reunidos em seu nome, lá ele estaria” é uma verdade. Bom, vamos à questão 88:

88. Os Espíritos tem uma forma determinada, limitada e constante?
Resp.: - Aos vossos olhos, não; aos nossos, sim. Eles são, se o quiserdes, uma flama, um clarão ou uma centelha etérea. (1)


A ressalva feita por Herculano Pires no ato da tradução é referente a qual tipo de Espírito estamos nos referindo.
(1) Todo esse trecho se refere ao espírito puro, desprovido do perispírito. Necessário atentar para essas variações, para não confundirmos as explicações. (N.do T.)

Aqui nesta questão busca-se entender que os Espíritos possam ter uma forma igual á nossa, ou seja, limitada aos chamados contornos humanos, mas baseados nas instruções que nos são dadas conseguimos entender e veremos que ele, o Espírito, é uma fonte que irradia. Quanto mais elevada essa fonte, a irradiação se faz maior. E falamos em irradiação de quê? De luz. Por isso ali a especificação de chama, clarão ou centelha etérea. Lembram-se quando Paulo viu Jesus? Ficou cego, pois não viu o corpo físico, mas sim espiritual e, tamanha luz, cegou-lhe temporariamente a visão. Entendimento limitado da situação acontecerá conosco. Mais uma vez nos veremos às voltas com a limitada capacidade de definição que possuímos ante as situações.

Ainda assim, gostaria de trazer-lhes um link interessante, para ser lido e estudado com calma, haja vista a quantidade de informações que nos traz acerca de perispírito e corpos espirituais. Poderia trazê-lo, mas creio que seria um tanto longo e fugindo um pouco ao foco da questão 88. Vou anexá-lo em nosso site, para que possamos refletir acercas das informações e interpretações trazidas por Ivo Jorge Teixeira. Leiam-no aqui.

Na questão 88 a, temos o seguinte questionamento:

88ª. Esta flama ou centelha tem alguma cor?
Resp.: - Para vós, ela varia do escuro ao brilho do rubi, de acordo com a menor ou maior pureza do espírito.


Kardec nos esclarece: (...)Representam-se ordinariamente os gênios com uma flama ou uma estrela na fronte. É essa uma alegoria, que lembra a natureza essencial dos espíritos. Colocam-na no alto da cabeça, por ser ali que se encontra a sede da inteligência (...).

Vemos essa representação com muita freqüência, não? Inclusive, por vezes a luz sai da boca, em outras do coração e em outras de todos os poros, como se não houvesse matéria ou carne a barrá-las....e assim o é. Luminosidade pura e total, abrangendo a todos; envolvendo a todos; beneficiando a todos. Indistintamente. Indiscriminadamente. Sem preconceitos. Sem credos. Sem raças. Eis a elevação moral....eis a espiritualização do Espírito. Aliás, não raro nestes momentos, o Espírito assim sublimado busca reduzir seu clarão luminoso, para fazer-se ‘visível’ àqueles que ainda não conseguem distinguir tamanha luminosidade.

Sei que ainda estamos muito distantes disso tudo. Mas também consigo compreender e sentir como é bom amar e envolver a todos em amor e paz. Aqueles que chegam nos afrontando, nos querendo prejudicar, querendo tirar de nós a paz e a serenidade conquistadas. Nem sempre é fácil. Nem sempre estamos libertos das nossas más inclinações para apenas emanarmos amor. Nem sempre emanamos amor e ele nos retorna; pelo contrário, variadas vezes ele nos volta em forma de ódio, cupidez, inveja e tantas outras coisas.

No entanto, nosso futuro não dista muito daquilo que já alcançamos hoje. O mesmo amor que conseguimos dedicar a um animal, a uma planta, a um ente, a um companheiro, haveremos de fazer expandir e proliferar desmedidamente. Aliás, um ótimo exercício para quando estivermos em meio a uma turbulência é olharmos para quem nos ofende ou dilacera, e ver nele a essência Divina. A Luz do Mestre. E, se for muito difícil, vejamos pelo menos o nosso cachorro querido ou a nossa roupa mais confortável.

89. Os Espíritos gastam algum tempo para cruzar o espaço?
Resp.: Sim, mais rápidos como o pensamento.


No livro catecismo Espírita, de Leon Denis, podemos ver essa resposta um tanto mais abrangente, aonde nos é explicado que (...) à vontade dum Espírito exerce mais poder sobre seu corpo fluídico ou perispírito que, enquanto encarnado, podia exercer sobre um corpo grosseiro e denso (...). Nada mais é do que aquilo que comentei anteriormente, ou seja, eis a vontade do Espírito modificando a aparência de seu corpo. Podemos perceber isso de forma não tão generosa, quando algum irmão desencarnado resolve tomar a forma ou aparência de outro, mais num exercício de projeção de imagem em nossa mente. Trem bom para estudarmos em obsessões. Mas, prefiro buscar e enfatizar o bello...

Inclusive, estava lendo sobre o assunto e encontrei as palavras de Mauro Mendonça dizendo que, justamente após compreender essa rapidez e liberdade que o Espírito alcança, foi que passou a não se sentir tão só, pois ele sempre podia estar junto aos seus, ainda que preso á matéria. Se observarmos bem, ele fala da sintonia e que, de maneira geral, é o que nos liga ou une àquilo que desejamos ou ambicionamos. E a força ou a intensidade com que se dá, sem o corpo físico é bem maior, haja vista a leveza do corpo espiritual. E eis que isso se sugere baseado na resposta abaixo:

89ª. O pensamento não é a própria alma que se transporta?
Resp.: Quando o pensamento está em alguma parte a alma também o está, pois é a alma que pensa. O pensamento é um atributo.


Atributo do Espírito, lembram-se? E o que move o pensamento, além da própria vontade? Isso nos faz lembrar que o pensamento é um fluxo fluídico, é matéria sutil do corpo espiritual, logo é concreto e às vezes muito visível, podendo perdurar longamente em dadas circunstâncias. E nosso pensar nos transporta a paragens longínquas!! Sonhamos acordados, quantas e quantas vezes, não? Pois nossa alma ou nosso ser está aonde está nosso pensar. Os enamorados que o digam!!

Lembrando que quando nos referimos a um atributo, estamos dizendo que é uma das ferramentas ou uma das qualidades do Espírito, pertencente ao espírito e não á matéria. O ponto é que se nos basearmos neste fato, veremos que muitas coisas podem e devem ser interpretadas por outro prisma. Se estivermos aonde está nosso pensamento que será que ocorre com aquela senhora casada que fica pelos quatros cantos suspirando por Brad Pitt? Ou aquele senhor que fica pensando na naquela atriz da novela que sei lá o nome, mas que faz a propaganda das havaianas e da antártica?

Aliás, aliás... .Observem o que aconteceu em vocês à menção destas pessoas e das situações em que as vemos. À menção destas propagandas e destas pessoas, eis que despertam em nós sensações ou sentimentos que nos ligam ou distanciam disso tudo. Eu tenho asco a cerveja, então sinto o estômago embrulhar.

Imaginem como ficará nossa consciência se botarmos reparo com muita atenção no capítulo VIII do Evangelho Segundo o Espiritismo. Veremos que a Reforma Íntima é tão abrangente e envolve tantos pontos aparentemente desnecessários ou tidos como supérfluos, que vamos correr a arrumar aquilo que esta ao nosso alcance, pois a empreitada é grande. Não vale desanimar, mas sim priorizar e ir por partes.

Temos também duas significativas passagens contidas no Livro dos Médiuns que nos dizem o seguinte acerca das evocações e que podem servir como referencial para a forma como se processa o pensamento:

“Muitas vezes são prevenidos pelos Espíritos familiares que vos cercam e que os vão procurar. Porém, aqui se passa um fenômeno difícil de vos ser explicado porque ainda não podeis compreender o modo de transmissão do pensamento entre os Espíritos. O que te posso afirmar é que o Espírito evocado, por muito afastado que esteja, recebe, por assim dizer, o choque do pensamento como uma espécie de comoção elétrica que lhe chama a atenção para o lado de onde vem o pensamento que o atinge. Pode dizer-se que ele ouve o pensamento, como na Terra ouves a voz.”

Gostosa essa parte, não? Simples e tão elucidativa!! A tal da sintonia; sempre!! Aliás, nas perguntas que envolvem este capítulo do Livro dos Médiuns, o XXV - Evocações, podemos conhecer um pouco mais sobre tudo isso, inclusive quando abordam o que seria o veículo do pensamento e temos como resposta que é o fluido universal, da mesma maneira que o ar transporta o som. Com a diferença que o pensamento vai até infinitas paragens, ao contrário do som, que vai perdendo a intensidade.

Inclusive, na questão 7 podemos encontrar:

(...)Dar-se-á que o pensamento do evocador seja mais ou menos facilmente percebido, conforme as circunstâncias?
“Sem dúvida alguma. O Espírito é mais vivamente atingido, quando chamado por um sentimento de simpatia e de bondade. É como uma voz amiga que ele reconhece. A não se dar isso, acontece com freqüência que a evocação nenhum efeito produz. O pensamento que se desprende da evocação toca o Espírito; se é mal dirigido, perde-se no vácuo. Dá-se com os Espíritos o que se dá com os homens; se aquele que os chama lhes é indiferente ou antipático, podem ouvi-lo, porém, as mais das vezes, não o atendem.”(...)


Isso ocorre, principalmente com as mães frescas, não? A criança respira um pouco mais forte, elas já ouvem e correm ver. Uma ligação muito forte se dá nesse momento e, muitas vezes, supera o cansaço! E o contrário também. Por vezes estamos tão desligados de determinada pessoa e envolvidos em nossos pensamentos, que ela nos chama, escutamos, mas não ouvimos....E ainda levamos bronca!! Vejamos uma pergunta que envolve outras ponderações interessantes:

90. O espírito que se transporta de um lugar ao outro tem consciência da distância que percorre e dos espaços que atravessa, ou é subitamente transportado para onde deseja ir?
Resp.: Uma e outra coisa. O espírito pode perfeitamente, se o quiser, dar-se conta da distância que atravessa, mas essa distância pode também desaparecer por completo; isso depende da sua vontade e também da sua natureza, se mais ou menos depurada.


2Essa é uma questão de consciência da situação ou desejo de fazer. Tanto pode observar a paisagem que percorre, até desejar chegar logo no lugar de forma involuntária ou propositada. Vemos alguns relatos, extra obras básicas, de espíritos que pensam, por exemplo, com saudade de casa e, automaticamente se vêem transportados para o ambiente doméstico de quando eram encarnados. Nem sempre esse deslocamento é permitido, como bem vimos na questão de número 87, aonde questiona-se se os Espíritos podem ir aonde desejam ou se permanecem uma área delimitada, ao que é esclarecido que tudo advém, inclusive, da sua elevação para percorrer ambientes mais avançados. E entendemos melhor se analisarmos as próximas questões:

91. A matéria oferece obstáculos ao espírito?
Resp.: Não; eles penetram tudo; o ar, a terra, as águas, o próprio fogo, lhe são igualmente acessíveis.


Só assim para entendermos como eles entram em nossas casas, em nossos carros e vão aonde desejam dentro do ambiente terreno. E precisamos lembrar também, que em se tratando de estarem submersos ou envoltos em fogo, por exemplo, não possuem as mesmas necessidades que nós, com o corpo material. Não precisam respirar sob a água e nem se sentirem chamuscados ante o fogo. Bombeiros que iriam gostar dessa maneira de ser....poderiam executar melhor suas abnegadas tarefas.

Na Revista Espírita de 1866, temos a seguinte passagem:

(...) As propriedades do fluido perispiritual podem disso nos dar uma idéia. Ele não é inteligente por si mesmo, uma vez que é matéria, mas é o veículo do pensamento, das sensações e das percepções do espírito, conseqüentemente, é da sutileza desse fluido que os Espíritos penetram por toda a parte, desvendam nossos pensamentos, vêem e agem à distância; é a esse fluido, chegado a um certo grau de depuração, que os Espíritos superiores devem o dom da ubiqüidade; basta um raio do seu pensamento dirigido sobre diversos pontos, para que possam ali manifestar sua presença simultaneamente. A extensão dessa faculdade está subordinada ao grau de elevação e de depuração do Espírito.(...).

Bem aquilo que estamos vendo nestas questões, não? A ação do pensamento, aliada à elevação espiritual do Espírito, facultando-lhe mais mecanismos de atuação e de penetração, sem barreiras ou obstáculos a cerceá-los. Inclusive, nos esclarecem também da diferença entre este ‘poder’ irrestrito e o que é ser filho de Deus e não Ele:

(...) Mas os Espíritos, por elevados que sejam, são criaturas limitadas em suas faculdades, de seu poder e da extensão de suas percepções não poderiam, sob esse aspecto, se aproximar de Deus; no entanto, eles podem nos servir de ponto de comparação. O que um Espírito não pode cumprir senão num limite restrito, Deus, que é infinito, o cumpre em proporções infinitas. Há ainda esta diferença de que a ação do
Espírito é momentânea e subordinada às circunstâncias: a de Deus é permanente; o pensamento do Espírito não abarca senão um tempo e um espaço circunscritos: o de Deus abarca o universo e a eternidade. Em uma palavra, entre os Espíritos e Deus há a distância do finito ao infinito.(...)


Não custa enfatizar, não gente? Sempre estamos às voltas com esse tipo de confusão, por exemplo, quando dizem ser Jesus o próprio Deus. Compreendemos a sua limitação ante ao Pai, dentre outras coisas, por estas afirmações, mas nunca negamos a sua superioridade ante aos Espíritos que conhecemos.

  Exposto em 23-08-08 por Fiorell@

 

Questões 92 a 93

Encontro passado tivemos uma gostosa incursão pelo mundo dos pensamentos e a forma como eles são tão presentes e importantes em nossa vida. Vimos um pouco mais sobre a forma dos Espíritos e como se apresentam até nós. Aliás, neste ponto, sugeri a leitura de uma página e ela já está disponível em nosso site, denominando-se Perispírito e Corpo Perispiritual, em um texto resposta aonde Ivo Jorge Teixeira tece comentários coerentes e acertados em resposta a duas perguntas envolvendo chakras, corpos perispirituais, corpo astral e corpo mental.

Um texto um tanto longo, mas riquíssimo e que precisa ser lido, relido e mais umas tantas vezes lido, para que assimilemos as informações ali contidas, inclusive enfatizando o que é realmente visão da Doutrina Espírita e o que é visão espiritualista acerca destes assuntos. Está na página de textos complementares, neste endereço:

Perispírito e Corpos Perispirituais

Pudemos ver também acerca do tempo com que os Espíritos se locomovem e a maneira pela qual se deslocam de um lugar a outro, enfatizando sempre, que a nem todos é permitido adentrar a determinadas paragens: a passagem livre está de acordo com sua elevação moral e espiritual. Vimos também sobre a facilidade com que estes Espíritos adentram a quaisquer ambientes, ou seja, vimos como a matéria não lhes oferece obstáculos, fato que explica porque temos espíritos dentro de nossa casa, trabalho, etc. Bom, para hoje veremos um pouco acerca da ubiqüidade, que nos diz:

92. Os espíritos têm o dom da ubiqüidade, ou, em outras palavras, o mesmo espírito pode dividir-se ou estar ao mesmo tempo em vários pontos?
Resp.: Não pode haver divisão de um espírito; mas cada um deles é um centro que irradia para diferentes lados, e é por isso que parecem estar em muitos lugares ao mesmo tempo. Vês o Sol que não é mais do que um, e não obstante irradia por toda a parte e envia os seus raios até muito longe. Apesar disso, ele não se divide.


Interessante essa passagem. Uma vez, estava eu na casa espírita denominada Eurípedes Barsanulfo comemorando seu aniversário. De repente, a médium que estava ao microfone começou a dizer algumas coisas e, inclusive, que ele, Eurípedes, estava adentrando ao ambiente e colocando-se sentado em determinado canto do salão. Eu, na hora, fiquei cabreira.

Diante da minha falta de conhecimento doutrinário, primeiro pensei assim: “que de tão especial tem essa Casa Espírita para dentre tantas casas ele a tenha escolhido?”. Depois fiquei pensando: “E se ele quiser prestigiar mais de uma casa ao mesmo tempo, como faz? A maioria começa as reuniões ás 20horas? Fica dois minutinhos aqui, dois em outra e assim por diante?” Nem preciso dizer que é a maior viagem, né? Nada como não sabermos das coisas. Imaginem quanto não se coloca a perder numa situação dessa! Os que acham que as celebridades são importantes, alimentam o orgulho. Os que desconfiam de Deus e o mundo ou vão pesquisar ou abandonam a Casa, achando que é cheia de charlatanismo ou similares.

Mas, como tudo ao seu devido tempo, eis que mais tarde vim a compreender esse aspecto, principalmente quando compreendi que embora pareça que o mundo espiritual é uma cópia do mundo material, existem diferenças sutis que nos passam desapercebidas e que não são enfatizadas em determinados romances, muito pelo contrário, são enfatizadas! E, naquela época, eu devorava apenas romances espíritas. Bom, hoje, posso dizer que se nos apoiarmos no Livro dos Médiuns, veremos a questão 30 do capítulo XXV que nos traz as seguintes informações:

(...)30ª Pode o Espírito, simultaneamente evocado em muitos pontos, responder ao mesmo tempo às perguntas que lhe são dirigidas? Resp.: “Pode, se for um Espírito elevado.”
a) Nesse caso, o Espírito se divide ou tem o dom da ubiqüidade?
“O Sol é um só e, no entanto, irradia ao seu derredor, levando longe seus raios, sem se dividir. Do mesmo modo, os Espíritos. O pensamento do Espírito é como uma centelha que projeta longe a sua claridade e pode ser vista de todos os pontos do horizonte. Quanto mais puro é o Espírito tanto mais o seu pensamento se irradia e se estende, como a luz. Os Espíritos inferiores são muito materiais; Sem título-não podem responder senão a uma única pessoa de cada vez, nem vir a um lugar, se são chamados em outro.”(...)


Corroborando e acrescentando à questão vista no livro dos Espíritos, não? Além de nos confirmar a semelhança que se dá com os raios solares, por exemplo, ainda nos recorda que espíritos menos elevados não possuem essa facilidade, pois pouco irradiam de si mesmos. Se juntarmos com a questão 88ª que pudemos abordar nos encontros passados, veremos que quanto mais depurado o Espírito, maior sua luminosidade e, por conseguinte, sua abrangência. Vejamos a próxima questão:

92ª. Todos os espíritos irradiam com o mesmo poder?
Resp.: Bem longe disso; o poder de irradiação depende do grau de pureza de cada um.


Cada espírito é uma unidade indivisível; mas cada um deles pode estender o seu pensamento em diversas direções, sem por isso se dividir.É somente nesse sentido que se deve entender o dom de ubiqüidade aos espíritos. Uma fagulha que projeta ao longe a sua claridade e pode ser percebida de todos os pontos do horizonte, como ainda, um homem que, sem mudar de lugar e sem se dividir, pode transmitir ordens, sinais e produzir movimentos em diferentes lugares.

Simples, não? Temos ainda um pequeno relato que nos fala um pouco mais sobre essa questão, retirado também do Livro dos Médiuns:

(...) Numa sessão da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em a qual fora discutida a questão da ubiqüidade, um Espírito ditou espontaneamente a comunicação seguinte:
“Inquiríeis esta noite qual a hierarquia dos Espíritos, no tocante à ubiqüidade. Comparai-vos a um aeróstato que se eleva pouco a pouco nos ares. Enquanto ele rasteja na terra, só os que estão dentro de um pequeno círculo o podem perceber; à medida que se eleva, o círculo se lhe alarga e, em chegando a certa altura, se torna visível a uma infinidade de pessoas. É o que se dá conosco; um mau Espírito, que ainda se acha preso à Terra, permanece num círculo restrito, entre as pessoas que o vêem. Suba ele na graça, melhore-se e poderá conversar com muitas pessoas. Quando se haja tornado Espírito superior, pode irradiar como a luz do Sol, mostrar-se a muitas pessoas e em muitos lugares ao mesmo tempo.” — CHANNING. (...)


Será o aeróstato algo semelhante a um avião? Sim!! O vemos percorrendo os céus e uma infinidade de pessoas pode vê-lo ao mesmo tempo. Está pousado, e ficamos nos acotovelando nas janelas do aeroporto, para visualizá-lo. Clara e objetiva essa parte, não gente? Aliás, coisa gostosa essa de ficar no aeroporto olhando aviões, não? Eu adoro!! Também gosto quando estou lá dentro. Como disse nosso companheiro carioca, Paulo, programa de paulista.

Bom, encerrando o item forma e ubiqüidade dos Espíritos, tivemos que eles podem ser definidos como clarão ou centelha e nesta definição nos referimos aos Espíritos puros. Que eles se deslocam pelo espaço como o som se desloca pelo ar, ou seja, levados pelo fluido universal, que os movimenta através da força do pensamento. E que devido à sua etereidade é assim que se deslocam, já nós encarnados, apenas conseguimos, fazer com que nosso pensamento lá se faça presente e, de também pudemos compreender como um Espírito pode se fazer presente em mais de um lugar ao mesmo tempo, através do chamado dom da ubiqüidade facilmente compreendido quando lembramos que o Espírito é um corpo de luz e, tal qual nosso astro rei, eis que se espalha por muitos lugares ao mesmo tempo. E concluímos vendo que esse dom varia de um para outro Espírito, conforme sua pureza ou elevação espiritual. Enfatizando que ele não se divide e continua atuante em todos os pontos. Não é apenas uma imagem criada ou plasmada em determinado lugar.

Temos agora o item IV do capítulo I envolvendo o Livro segundo que vai abordar Perispírito.

93. O Espírito propriamente dito vive a descoberto, ou como pretendem alguns, envolvidos por alguma substância?
Resp.: - O Espírito é envolvido por uma substância que é vaporosa para ti, mas ainda bastante grosseira para nós; suficientemente vaporosa, entretanto, para que ele possa elevar-se na atmosfera e transportar-se para onde quiser.


Kardec complementa: Como a semente de um fruto é envolvida pelo perisperma o Espírito propriamente dito é revestido de um envoltório que, por comparação, se pode chamar perispírito.

Não podemos perder, neste momento, o enfoque a que as questões são dadas. Falamos de Espíritos Puros, elevados e não de nossa condição terrena em que estamos envoltos pela carne ou na condição da espiritualidade inferior. A curiosidade se dá acerca de como é ou está o Espírito liberto da carne e das inferioridades. Sempre podemos ter como exemplo, Jesus. Aliás, se não for ousadia minha dizer, creio que Bezerra está bem próximo a esta escala, pois que não necessitaria mais estar junto a nós. Não sei se o mesmo se daria com Joanna e Emmanuel, mas são apenas especulações minhas. Incontestável é que, neste exemplo de Espírito Puro, ninguém que esteve entre nós pode ser mais referendado que o Mestre Jesus.

Nesta elucidação que a Espiritualidade fornece a Kardec, eis que é atestado que o Espírito possui sim uma substância a envolvê-lo e que, proporcionalmente, a vemos como algo diáfano, leve e sutil, enquanto que para eles é ainda algo grosseiro, embora não lhes tolha os movimentos ou liberdade, como ocorre com nosso corpo em relação ao nosso espírito.

A coisa mais bonita para observarmos em qualquer coisa que seja, é justamente a seqüência lógica e precisa que existe em tudo, da maior escala à menor e, nestes detalhes, encontramos a sabedoria Divina, que nos dá de forma igual. Se atentarmos bem, veremos que o Pai, realmente, dá a seus filhos em igualdade, respeitando-se a escala ou o ambiente evolucional em que se encontram. Temos isso, por exemplo nas pequenas cidades das formigas e também em nossas grandes concentrações humanas. Tantas coisas para vermos a mão de Deus e como já aprendemos, Deus nem tem mão, apenas Luz imensurável e inexplicável.

Temos algumas palavras de Herculano Pires que se fazem providenciais ante a maneira como vemos e abordamos as coisas. Vejamos:

(...) Kardec considera esses Espíritos Puros como os Ministros de Deus, através dos quais a administração de toda a Realidade Cósmica se processa em todos os sentidos. Quando nos conhecermos a nós mesmos, segundo a recomendação do Oráculo de Delfos a Sócrates, poderemos imaginar o que são essas criaturas e como vivem e agem no Inefável, segundo a concepção pitagórica. Antes disso, é inútil nos esforçarmos para defini-las. Só com o desenvolvimento de toda a nossa perfectibilidade possível, como queria Kant, conseguiremos obter os parâmetros capazes de nos dar uma pálida visão dessa vida superior. Kant referia-se à perfectibilidade possível na vida terrena. Acima desta existem os planos espirituais progressivos e, depois deles, o plano da Angelitude, que é precisamente o dos Espíritos Puros.(...)

Se buscarmos alguma analogia para essa perfectibilidade humana, teremos alguns exemplos, mas nunca a certeza de serem ou não. Mas eis que nos vem á memória Madre Tereza, Francisco de Assis, dentre outros. Irmãos que podem ter chegado em sua perfectibilidade material, ou seja, sua perfeição enquanto encarnados, mas que mesmo assim não lhes confere ainda a visão do todo, como bem pudemos compreender diante de tudo o que estamos estudando deste Livro dos Espíritos. Estar na espiritualidade, possuir certo grau evolutivo não é sinônimo de a tudo saber ou conhecer e, mais ainda, em muitos casos também não significa que tudo pode ser dito. Vejamos o complemento de Herculano a esta situação:

(...) Não podemos nos atrever a solucionar esse problema, cujos dados nos escapam. Há questões que não podem ser tratadas em nosso estágio evolutivo. Mas já é importante possuirmos algumas informações provindas de entidades que passaram pelos testes rigorosos de Kardec. O Espírito Puro é para nós uma abstração, como abstração também é a Matemática, de que nos servimos para medir e pesar o mundo. O que precisamos evitar, no estudo dos corpos do homem, é o fascínio da imaginação, que costuma levar-nos além de toda a realidade possível.(...)

Esse fascínio a que se refere Herculano Pires, podemos ver em todos os setores que fogem a nossa compreensão ou ao nosso entendimento. Vemo-nos fascinados e endeusando nosso chefe que possui perspicácia e inteligência; deixamos nossa mente viajar e fantasiar quando tomamos contato com alguma entidade que nos transmite paz e luz; deixamo-nos fascinar por inúmeros santos com os pés de barro, que geralmente nem desconfiam de nossa fascinação ou de nosso endeusamento para com eles, mas ainda assim, arregimentam um contingente enorme de crédulos e sonhadores seguidores, que transformam a realidade simples em viagens místicas e desprovidas de razão.

Eis a beleza e a necessidade de que nossa crença tenha o tríplice aspecto. Através das comprovações científicas que a Doutrina Espírita nos oferta, todo o misticismo, os rituais, o jogo de luzes e toda a parafernália mística com a qual fomos brindados séculos a fio, se dissolvem e vemos a nossa realidade de forma pura e simples. Nada de seres levitando em nuvens ou trazendo terceiro olho ou formas descomunais. Nada de fantasia e verdades que somente a alguns foram reveladas. Mas, vale que atentemos ao fato que, quando tratamos com a espiritualidade, mesmo dentro da Doutrina Espírita ou daqueles que compõe o Movimento Espírita, eis que temos muitas coisas destoantes destas simples verdades. Temos ‘pseudo-revelações’ que nos foram ofertadas em épocas pós Kardec, afirmando que à época de Kardec estes fatos ainda não estariam ao nosso alcance e compreensão.

Por isto aquele texto a que me referi no estudo passado e no início de nosso encontro de hoje que foi redigido de forma lúcida, clara e respeitosa por Ivo Jorge Teixeira, é uma referência que torno a fazer. Além de ele falar dos nossos chamados ‘corpos espirituais’, ele também mostra como podemos dialogar e mostrar as divergências em pontos de vista e verdades doutrinárias, sem adjetivarmos seja lá a quem for. Uma criatura que se diz elevada e que se refere ao seu semelhante com adjetivos como ortodoxia ou cegueira adoracional talvez ainda não esteja de posse de toda a envergadura moral a que pretende ou alardeia. Usar figuras como Kardec, por exemplo, ou nossa Doutrina Espírita como trampolim para divulgar suas verdades e seus pareceres é, no mínimo, ainda uma condição de carência de evolução. Vemos aos montes. Tenhamos discernimento e lucidez.

E eu não poderia me dar ao luxo de não trazer estas considerações finais de Herculano Pires:

(...) Várias instituições espiritualistas do mundo criaram complicadas teorias sobre os corpos do homem, chegando a dar-lhes o número atordoante e cabalístico dos véus de Isis. No próprio movimento espírita, que devia aprofundar o conhecimento de sua própria doutrina, ainda tão mal conhecida e pior compreendida, pretensos mestres introduziram conceitos estranhos sobre esse problema. Kardec negou-se a estas fascinações do maravilhoso, lutou para afastar da mente humana os resíduos mágicos do passado, dando à Doutrina Espírita a clareza positiva da Ciência, sempre apoiado na razão e na pesquisa. Seu esquema tríplice dos corpos do homem é uma síntese luminosa de todos os esforços da Humanidade para compreender essa questão de importância fundamental.(...)

Tem horas que penso que já estou assimilando um pouco da linha de raciocínio de Herculano. Claro que imensa distância tem disto, mas para coisas simples eis que já me vejo com o pensamento e parceria com o seu. E é justamente isso que se dá no que eu vinha comentando e, encontrei em seguida nas palavras que lhes trouxe acima. Por isso o texto se faz tão oportuno e necessário. E Herculano prossegue de forma coerente:

(...) Não podemos nos levar pela vaidade ingênua e fátua de aparecer como sábios perante as multidões incultas, vangloriando-nos como pavões do colorido fictício de nossa plumagem. O Espiritismo busca a verdade pura, que é sempre simples, pois não necessita de visagens para impor-se às mentes perquiridoras e sensatas. Deixemos de caudas brilhantes fascinando os imaturos e tratemos de amadurecer no exame objetivo da realidade acessível ao nosso conhecimento imediato. Aprendamos a distinguir a pureza lógica do Espiritismo das fábulas religiosas e espiritualistas que se cevam, através dos milênios, no gosto do homem pelo maravilhoso.(...)

Essa dureza floreada com que Herculano nos aborda, como por exemplo quando fala de nossa vaidade e egocentrismo que aparecem de forma a se assemelharem a um pavão e sua bella plumagem, é uma de suas características ímpares. Ele exemplifica nossas atitudes através de formas que se fixam em nós. Quando nos acharmos falando ou agindo como se fôssemos pavões com suas caudas abertas e exibidas, vale que paremos e analisemos. Essa vaidade tola é que haverá de nos perder ante às positivas aquisições eternas. Necessário que busquemos a lucidez e a lógica. Não é mais o momento de fantasiarmos e Herculano nos explica porque, no seguinte trecho:

(...) Não há maravilha maior do que a da Obra de Deus em sua realidade pura. Qual o fabulário mitológico que pode sobrepor-se ao mistério e à beleza de um só microscópico sistema solar atômico ou de uma folha verdolenga de relva brotando entre as pedras da calçada? O tempo das figurações simbólicas já passou, para a Humanidade Terrena, como a dos Contos da Carochinha já passou para as crianças de hoje. Elas mesmas, as crianças, exigem a verdade das coisas naturais em substituição às fantasias imaginosas do passado.

Os espíritas não têm o direito de menosprezar as lições do Espírito da Verdade, ministradas por Kardec, em favor de mentiras ridículas que vão buscar poeira de civilizações mortas, cujo próprio desaparecimento atesta que se esgotaram no tempo. Tenhamos a humildade de nos contentar com os nossos três corpos, ao invés de buscarmos em ruínas milenares os corpos das múmias faraônicas soterradas na areia. Estudemos o nosso passado de ilusões e atrocidades para nos corrigirmos no presente, mas não tentemos colocá-lo acima da realidade límpida e positiva que o Espiritismo nos proporciona.(...)

Para quem não entendeu, esse trecho é um presta atenção na realidade em que a Doutrina Espírita se encontra. O Espírito da Verdade se pronunciou através de Kardec. Quando menosprezamos os conhecimentos contidos nas obras básicas da Codificação, não estamos menosprezando ou subestimando Kardec, mas sim ao Espírito da Verdade. Salvo possíveis erros em decorrência da imperfeição dos médiuns comunicantes, mas que foram tolerados pela Espiritualidade Superior, por não trazerem maior prejuízo ao contexto (isso creio eu), eis que o que lá foi dito não foi expressão de um único espírito ou de um único médium. É a expressão de uma plêiade de Espíritos de grande hierarquia espiritual. Que tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir o companheiro de Doutrina Espírita que prefere se deixar levar por revelações místicas e envolvidas em véus de alegorias.

Se comumente dizemos que nossos filhos sabem lidar melhor com aparelhos e diversas situações do dia-a-dia do que nós mesmos quando tínhamos a mesma idade que eles, já temos aí um grande sinal de que a vida evoluiu e nosso grau de percepção e compreensão também. Não precisamos mais ser adoradores céticos ou médiuns deslumbrados ante á fumaça colorida. Temos muito que trabalhar e realizar; a lucidez urge fazer parte de nosso dia-a-dia para que nossos momentos sejam produtivos e concretos.

 Exposto em 30-08-08 por Fiorell@

 

Questões 94 a 97

Encontro passado vimos as interessantíssimas partes que descrevem o Espírito em sua essência e em sua formação. Pudemos percorrer um pouco mais acerca da chamada ubiqüidade, ou seja, a possibilidade de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo; possibilidade esta característica dos seres de maior luminosidade e, consequentemente, maior envergadura moral. Quanto maior estas duas características, maior se faz seu poder de irradiação.

Agregamos algumas passagens contidas no Livro dos Médiuns e Revista Espírita, que vieram enriquecer substancialmente os esclarecimentos. Para hoje, poderemos dar seq6uência através do item 94 que aborda mais um pouco do envoltório do Espírito.

94. De onde tira o Espírito o seu envoltório semi-material?
Resp.: - Do fluido universal de cada globo. É por isso que ele não é o mesmo em todos os mundos; passando de um mundo para o outro, o Espírito muda de envoltório, como mudais de roupa.


Analogia simples e perfeita, que nos mostra que em cada ambiente nosso espírito precisa a ele se adequar. Da mesma maneira que quando nos expomos ao frio, à chuva e ao sol, precisamos cuidar e zelar do nosso corpo físico, também ocorre quando adentramos a outros mundos e locais. Nosso espírito se adéqua à situação. Aliás, ontem estava procurando uma cosia e vi uma brincadeira interessante acerca de nosso peso corpóreo, caso habitássemos em outros planetas. Claro que deve ser uma analogia tendo em vista a gravidade do planeta e nosso corpo material como é conhecido, mas aí já vemos a interessante necessidade de nos ambientarmos ao mundo em que estivermos. Foi assim com o homem na lua, que encontrou uma gravitação diferente da nossa. É assim na espiritualidade também. E vejam a pergunta que já conseguimos aceitar e compreender com facilidade:

94ª. Dessa maneira, quando os Espíritos de mundos superiores vêm até nós, tomam um perispírito mais grosseiro?
Resp.: - É necessário que eles se revistam da nossa matéria, já dissemos.


Já o disseram. Para estarem entre nós ou serem vistos por nós, precisam de uma densidade maior. Precisam abafar suas luzes e revestir-se de algo mais palpável ou mais material. E uma bella definição de como é o envoltório destes irmãos da espiritualidade superior, é trazida por Leon Denis em Depois da Morte:

(...) A veste fluídica denuncia a superioridade do Espírito; é como um invólucro formado pelos méritos e qualidades adquiridas na sucessão de suas existências. Opaca e sombria na alma inferior, seu alvor aumenta de acordo com os progressos realizados. Torna-se a alma cada vez mais pura. Brilhante no Espírito elevado, ofusca nas almas superiores. Todo Espírito é um foco de luz, velado por longo tempo, comprimido, invisível, mas que se descobre com o seu valor moral, cresce lentamente, aumentando em penetração e intensidade.

No começo, é como o fogo escondido sob cinzas, que se revela por fracas claridades, e, depois, ainda por uma chama tímida e vacilante. Um dia, tornar-se-á a auréola que se ativa, estende e rodeia, completamente, o Espírito que, então, resplandece como um sol ou como esses astros errantes que percorrem os abismos celestes, arrastando sua longa cauda de luz. Para obter esse esplendor, é necessário o mérito, filho de trabalhos longos, de obras fecundas, adquirido em um número de existências que se nos afigura a eternidade.(...)

Uffa... .mais uma vez nos recordamos da passagem de Paulo de Tarso diante de Jesus na Estrada de Damasco, não? Se nos depararmos com essa luminosidade toda, eis que não conseguiríamos divisá-la ou sequer sustentá-la em nossos olhos. Para tanto, eis que estes Espíritos 'Iluminados' se revestem de um material mais pesado e que ‘abafa’ esta luminosidade.

95. O envoltório semi-material do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?
Resp.: - Sim, uma forma ao arbítrio do Espírito; e é assim que ele vos aparece algumas vezes, seja nos sonhos, seja no estado de vigília, podendo tomar uma forma visível e mesmo palpável.

Herculano Pires nos lembra que “(...) O plasma físico do perispírito (corpo semi-material, segundo Kardec) é dirigido nas manifestações pelos elementos não-físicos do corpo espiritual.(...)”. A mente, como vimos anteriormente, é a grande manipuladora dos elementos. Sempre em se tratando da espiritualidade superior, com grandes diferenças e liberdades, inclusive assumindo formas e figuras que desejam. Mais uma vez o termo plasmar se faz presente.

Buscando no Livro dos Médiuns, na questão 55, veremos a afirmação de que:

(...) o Espírito é uma chama, uma chispa; isto se deve entender do Espírito propriamente dito, como principio intelectual e moral, e ao qual não se poderia atribuir uma forma determinada; mas, em qualquer grau que se encontre, está sempre revestido de um envoltório ou perispírito, cuja matéria se eteriza à medida que ele se purifica e se eleva na hierarquia...(...).

Pode parecer estranho á primeira vista, principalmente quando nos recordamos de que estudamos que o perispírito é o elo de ligação entre espírito e matéria, mas se prestarmos bem atenção ás palavras trazidas por Kardec, veremos que se trata de um envoltório ou perispírito sim, mas que se eteriza conforme o Espírito evolui. E nessa evolução, a densidade de seu ser vai se esvaindo, assim como da proteção que o envolve. E aqui nos referimos ao corpo espiritual e não ao corpo físico.

Parte tranqüila e gostosa esta que abordamos nas questões deste sub-capítulo. Aliás, se pararmos para refletir, pensaremos que se não houvesse algo que, mesmo que sutilmente, delimitasse o Espírito, ele seria uma luz que se misturaria às demais. Seríamos uma grande massa única e, consequentemente, sem individualidade. Se não houvesse essa proteção etérea, que seja, seria como imaginar um grande espaço cheio de pequenos pontos e, cada ponto perdendo sua individualidade somando-se aos demais. E, no entanto, para que não perdêssemos essa nossa individualidade, eis que em nossa 'composição', temos o corpo que se eteriza junto com o Espírito. Eis que a sabedoria divina cercou, levemente, estes corpos espirituais, os nossos corpos.

Adentrando à parte que desperta inúmera curiosidade, além de confusão em nossa sensatez, eis que chegamos às diferentes ordens de Espíritos. Por que digo que essa parte causa confusão em nossa sensatez? Por aquela velha máxima de que cremos ser lá no plano espiritual tudo igual é aqui.

Hierarquias, chefes, cargos, promoções, realezas. Cansamos de ler parábolas ou fatos de pessoas que desencarnaram achando que encontrariam do lado de lá uma vida igual á que mantinham aqui e surpreenderam-se. Lembram da passagem de uma Rainha de França, contida no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo II, item 8? Em que ela diz que melhor do que ninguém pode compreender a máxima do Cristo ao asseverar que “Meu Reino não é deste mundo” e ter compreendido que o orgulho que a alimentava na Terra, foi sua grande perdição? É a confusão em nossa mente, achando que ao desencarnarmos, teremos do lado de lá tudo aquilo que tínhamos do lado de cá.

Graças a Deus, temos compreendido através dos ensinamentos da Doutrina Espírita, que existem fatores e existem situações que poderão se perpetuar indefinidamente, mas via de regra, é uma transição que se processa com a mudança de valores, necessidades e objetivos. Não precisamos mais trabalhar para comer, mas precisamos trabalhar para crescer. Não precisamos mais sentir vontade de ajudar e estarmos limitados pelo corpo, podemos auxiliar sim sem nos sentirmos presos. Enfim, vamos conhecer um pouco mais de como se classificam as ordens dos Espíritos e, quem sabe, também tiremos de nossos olhos o véu

V- Diferentes Ordens de Espíritos

96. Os Espíritos são iguais, ou existe entre eles alguma hierarquia?
Resp.: São de diferentes ordens, segundo o grau de perfeição a que tenham chegado.

A resposta é simples e será aprofundada mais adiante. Por hora, trouxe um pequeno trecho também do Livro Depois da Morte, de Leon Denis que nos fala acerca dessa hierarquia:

(..). Em todos os graus da hierarquia espiritual, as almas têm um papel a executar na obra imensa do progresso e concorrem para a realização das leis superiores. Quanto mais o Espírito se purifica, mais intensa, mais ardente nele se torna a necessidade de amar, de atrair para a sua luz e para a sua felicidade, para a morada em que não se conhece a dor, tudo o que sofre, tudo o que luta e se agita nas baixas camadas da existência.(...)

Nada de cargos ou salários, não? Apenas sentimentos que os movem e direcionam. Apenas a perfeição regendo o universo. Não a nossa perfeição castradora e dissimulada. Mas a perfeição alcançada nos quadros de Deus. Mas vamos ao lado prático da coisa. Queremos algo mais palpável e será até bom. Compreendermos que na Espiritualidade existem determinadas ordens organizacionais nos ajudará a compreender que nem só de caciques vivem as tribos. E mais, nos auxiliará a compreender que, aquela pessoa que e aparentemente está quietinha e calada num canto, pode estar sendo útil em frentes que sequer imaginamos. Aos que têm sede de microfone, eis a dica....

 

97. Há um número determinado de ordens ou de graus de perfeição entre os Espíritos?
Resp.: - É ilimitado o número dessas ordens, pois não há entre elas uma linha de determinação traçada como barreira, de maneira que se podem multiplicar ou restringir as divisões, à vontade. Não obstante, se considerarmos os caracteres gerais, poderemos reduzi-las a três ordens principais.


Vamos dividir a resposta para podermos trabalhá-la melhor. É infinita a possibilidade e a existência dessa chamada hierarquia espiritual. Se somos infinitos, quem dirá nossas potencialidades. Se apenas nos basearmos em Jesus teremos que Ele governa o planeta, fulano é seu secretário e beltrano é seu assistente, ou se ficarmos imaginando que acima de Jesus tem o governador de nosso universo, que responde ao governador de todos os universos, que responde...uffa....será um pensamento que, no frigir dos ovos e na situação prática, não nos levará a nada.

Amaremos mais ou menos a Jesus se acharmos que Ele possui alguém mais elevado que Ele? Bem dizemos que dos Espíritos Superiores que pisaram na Terra, Ele é o de maior expressão, mas existem outros de tão ou maior hierarquia moral. Sempre me questiono se isso faz diferença no amor que sentimos. Sempre me questiono. E é Leon Dennis quem traz uma resposta ao meu questionamento, que me serena a mente:

(...) Há, com efeito, uma hierarquia entre os Espíritos, mas a sua base única é a virtude e as qualidades conquistadas pelo trabalho e pelo sofrimento. Sabemos que todos os Espíritos são Iguais em princípio e destinados ao mesmo fim, diferindo somente no grau de adiantamento.(...)

Imagino eu que, um Espírito que alcançou essa situação descrita por Leon Denis, não vá ficar, como nós, disputando suas dores e suas mágoas. 'Meu cachorro morreu hoje, mas o de fulana morreu envenenado'. 'O meu filho foi reprovado na escola, mas o de fulana foi reprovado no vestibular daquela faculdade importantíssima'. Essa disputa por quem tem a dor maior, não é para que possamos avaliar o adiantamento moral destes espíritos; aliás nos serve sim para percebermos que estes irmãos possuem uma grande carência e uma necessidade de se sentirem sempre por cima, nem que seja no quesito desgraça.

Engraçado que, quando age assim, a pessoa nem percebe a carga energética que atrai para si mesma. Está se afirmando e se mostrando coitada, azarada e sempre a última das criaturas. E isso se propagada como um rastilho de pólvora: fulana é uma pobre infeliz!! E lá se vão todos as energias destrutivas para cima dela, afinal, já é uma relegada mesmo.

Será, gente? Será que o Pai relega alguém? Está na nossa mente, não é mesmo? Li hoje que 'o que a mente concebe a mente consegue'. Simples, não? Existem as variáveis, mas eis a tal da atração e da sintonia.

Quando lemos a resposta de que é ilimitado o número das ordens dos Espíritos, pois não há uma linha determinante traçada, podemos compreender algo além do que apenas os seres inteligentes ou pensantes, vejamos mais um complemento de Leon Denis:

(...) Os graus da hierarquia espiritual começam no seio da vida animal e estendem-se até alturas inacessíveis às nossas concepções atuais. É uma graduação inumerável de potências, de luzes, de virtude, aumentando sempre da base ao vértice, caso haja ai vértice. É a espiral gigantesca do progresso desenrolando-se até ao Infinito, e cujas três grandes fases — vida material, vida espiritual e vida celeste —, reagindo reciprocamente, formam um todo que constitui o campo de evolução dos seres, a lendária escada de Jacob.(...)

Essa interação dos reinos a que se refere Leon Denis, nos faz recordar da nossa escala evolutiva enquanto seres. Material, vegetal, animal e hominal. E aí sim, podemos ter um pequeno comparativo. Existem também estas escalas no que diz respeito ao Espírito. E, como em tudo, está interagindo com o todo, sempre mostrando que uma não existe ou sobrevive sem a outra, quando enfocamos pelo ângulo moral e evolucional. Leon prossegue:

(...) Sobre essa escada imensa todos os seres são ligados por laços invisíveis, cada um sustentado e atraído por outro mais elevado. As almas superiores, que se manifestam aos homens, não parecem dotadas de todas as perfeições e, entretanto, essas, pelas suas qualidades, apenas atestam a, existência de seres que lhes estão colocados tão acima quanto eles o estão de nós. Os graus se sucedem e se perdem em profundezas cheias de mistério.(...)

É bem aquilo que falávamos acerca de Jesus. Embora seja o exemplo maior com o qual pudemos conviver, existem outros seres tão acima dele quanto Ele está acima de nós. Sustentado e atraído foram as palavras por Leon utilizadas. E não comandado ou dirigido. Não domado ou castrado. Sustentado e atraído. Amor, bondade e fraternidade a unir, devem ser estes laços invisíveis. A continuidade da resposta 97 será feita na próxima semana.

Exposto em 13-09-08 por Fiorell@

 

Questões 97 a 100

Encontro passado terminamos na parte em que comentávamos a primeira parte da resposta de número 97 em que foi inquirido à espiritualidade se havia um número determinado de ordens ou graus de perfeição entre os Espíritos. E como resposta, obtivemos que são tantas que nos fogem à compreensão, mas que podem ser separadas em 3 mais importantes. Vamos á continuidade da resposta.

Continuidade resposta questão 97 (...) Na primeira ordem podemos colocar os que já chegaram à perfeição: os Espíritos puros. Na segunda estão os que chegaram ao meio da escala: o desejo do bem é a sua preocupação. Na terceira, os que ainda estão na base da escala: os Espíritos imperfeitos, que se caracterizam pela ignorância, o desejo do mal e todas as más paixões que lhes retardam o desenvolvimento.(...)

Esta é uma explicação moral bem clara. Ela deve ser sempre adaptada ou colocada em proporção aonde vamos utilizá-la. Lembrei, inclusive, das chamadas classes sociais. Antigamente, tínhamos as classes A,B e C. Hoje temos a D e E e as subdivisões na classe C alta, média ou baixa, além dos chamados novos ricos ou emergentes. Mas, se trouxermos o exemplo da escala hierárquica dos Espíritos para o nosso dia-a-dia, teremos um pequeno comparativo acerca dos nossos irmãos de jornada. Os que, aparentemente não precisam lapidar mais nada em si – como víamos em Francisco de Assis ou Madre Tereza; os que assumem determinados países ou entidades em busca da paz e harmonia geral, como vemos em países massacrados como a Índia, a África e outros países da Ásia, Oriente Médio e até aqui em nossa América; e os que estão ainda presos à materialidade, à brutalidade e às paixões. Se fôssemos dividir essa classe, teríamos muitas sub-classes, já que afirmamos que ninguém é de todo mal.

Essa parte, mais elucidativa do que propriamente ‘útil’, será destrinchada mais adiante, na chamada Escala Espírita e que compreenderá da questão 100 em diante. E quando digo que ela não nos é ‘útil’, quero dizer que ela nos afeta em conhecimento e, quem sabe, em desejo de escalá-la, mas não que tenhamos qualquer interferência ou influência nelas. Ainda mais se formos observar pelo ângulo do julgamento, como eu infantilmente tentei exemplificar nas explicações anteriores. Por hora, temos ainda a questão 98 que deseja saber o seguinte:

98. Os Espíritos da segunda ordem só têm o desejo do bem; terão o poder de fazê-lo?
Resp.: - Eles têm esse poder, de acordo com o grau de sua perfeição; uns possuem a ciência; outros a sabedoria e a bondade. Todos, entretanto, ainda têm provas a sofrer.


Essa troca, na interpretação da resposta dada pela espiritualidade, mostra como uma frase invertida pode ser mal compreendida. A espiritualidade nos disse que os da segunda ordem possuem como preocupação o desejo do bem. Já na pergunta de Kardec, ele questiona alegando que eles só têm o desejo do bem, como se não tivessem atitudes ou atos nesse sentido. Como se estivessem limitados a desejar e não a agir, no que é prontamente elucidado pela espiritualidade, que afirma que o poder está em conformidade com seu grau de perfeição e que cada um executa o bem naquilo que está apto ou ao seu alcance. E isso não lhes exime das provações ou responsabilidades pertinentes.

Inúmeras pessoas executam o bem através da ciência, através da educação, da maternidade, do trabalho que realizam e por aí vai. Seres ainda imperfeitos, em busca de elevação e melhoria, mas que, dentro das suas limitações, já ofertam ao próximo algo de bom de si mesmos. Essa é a parte que temos alguma dificuldade em compreender ou aceitar. Se a pessoa realiza por vaidade, paixão, egocentrismo ou por o que seja que lhe motiva, eis que ela está realizando ainda em conformidade com sua evolução e seu adiantamento. Mas está realizando! Quando compreendemos isso, com certeza vamos parar de censurar nosso próximo, mesmo aqueles que são detentores de muita ciência doutrinária e pouca caridade manifesta. Bem ou mal, devem estar semeando o bem. Sempre tem alguém abaixo de nós na escala necessitado daquilo que já sabemos ou temos. Como com certeza sempre haverá alguém acima de nós na escala, a nos auxiliar a subir. Isso vale para a terceira ordem, que veremos a seguir, mas antes gostaria de tecer mais um comentário.

Essa compreensão parece que não é ensinada e nem ofertada na vida afora ou nas comunicações que recebemos. Mas não é bem assim. Digo a compreensão de que, mesmo aqueles que estão agindo com certa hipocrisia, estão realizando o bem. Embora ainda estejam endurecidos no tocante à prática daquilo que pregam, quem não os conhece em sua vida íntima ou privada, não sabe disso. E nota-lhes a ênfase, nota-lhes, quem sabe, o discurso fácil e tomam para si como caminhos ou verdades. E tudo vai bem enquanto a pessoa não tem a lucidez necessária para prestar atenção a quem realmente é a criatura que a está conduzindo ou orientando.

E sabem por que? Porque cada um tem daquilo que merece e necessita. Até o momento em que o hipócrita com ares de cristão estiver sendo útil na vida daquela pessoa, ela vai aceitá-lo com olhos fechados. Ele, queiramos ou não, pôde exercer alguma influência sobre aquela criatura. A partir do momento em que ela assimila as informações ou as verdades e passa a praticá-las, o véu vai sendo-lhe retirado e novos caminhos vão se formando ante seus olhos. Neste momento, será importante que a criatura possa colocar em prática a caridade e a compreensão. Não é porque alguém aprendeu algo antes de nós, que está moralmente à nossa frente. E, essa certeza, é que nos dará o alicerce necessário para que não julguemos ou condenemos a criatura que assim agiu.

Ela foi importante em nossa caminhada, assim como ainda poderá vir a ser, nem que seja como exemplo daquilo que não queremos nos transformar. Nada se perde na lavoura. Nada se perde na criação. Por isso, meninas e meninos, gostaria de convidar-lhes a que tenhamos mais tolerância e mais compaixão para com os irmãos que derramam o discurso fácil e posso estar inclusiva nesse rol, mas que ainda não conseguem praticar a totalidade daquilo que falam.

Sejamos indulgentes para com aqueles que nos afrontam com sua sabedoria ou com sua facilidade em trabalhos que ainda possuímos dificuldades; sejamos tolerantes para com aqueles que tentam nos testar ou nos derrubar, porque de alguma maneira, estão mostrando que precisam de amor, de tolerância e de compreensão. De nada nos adiantará querer alertar aos demais companheiros ante aquele que se porta de maneira ambígua ou duas caras, como dizemos. Esse companheiro, cedo ou tarde, haverá de mostrar a verdadeira face. E, digo isso, respaldada por um livro que ganhei de presente e o qual me acompanhou ao hospital, enquanto eu estava com a bebê. Era nossa leitura diária, mesmo quando ela estava inconsciente na UTI e foi ele também quem me deu sustentação nos momentos difíceis que passamos. O livro chama-se Maria de Nazaré, por Miramez, e a passagem que faz coro às minhas palavras, ou vice-versa, é a seguinte:

(...) Os falsos dão sinal de que existe o verdadeiro. E só poderemos identificar o verdadeiro na medida em que pudermos entender a sua missão, a sua mensagem e, acima de tudo, colocarmos em prática tudo o que ele, o verdadeiro, nos ensinar, na sua condição de Mestre por excelência.(...)

No livro, essa passagem referia-se aos falsos messias que assolavam antes da chegada de Jesus. E ela deixa claro que como bem disse o Mestre: “a verdade vos libertará”; mas para conhecermos a Verdade, precisamos buscá-la, compreendê-la e praticá-la. Amar, crescer, ofertar, receber e praticar num contínuo incessante de aprendizado e dedicação. Assim virá nossa libertação. Se nos tornarmos escravos disso tudo, é porque não estamos de posse da verdade, mas sim da nossa verdade. Bom, vamos á questão 99, que nos fala da terceira ordem:

99. Os Espíritos de terceira ordem são todos essencialmente maus?
Resp.: Não; uns não fazem bem nem mal; outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-lo. Há ainda Espíritos levianos ou estouvados, mais travessos do que malignos, que se comprazem mais na malícia do que na maldade, encontrando prazer em mistificar e causar pequenas contrariedades, das quais se riem.


Dessa última sub-divisão o mundo está cheio!! Não apenas o espiritual, como o material. Nem tudo é maldade pura, por isso que algumas pessoas nos surpreendem, assim como alguns espíritos também. Podem ser dotados de grande intelectualidade, de grande mecanismo de mobilização das mentes diversas e, no entanto, não levam nada a sério. Usam de seu potencial para se divertirem e estorvarem a quem quer que seja. Grande exemplo são os hackers, né? Gente, como é difícil aprender determinadas coisas que dizem respeito a internet. Não o copiar e colar da vida, mas o programar. E imaginem aqueles que de posse desse aprendizado, usam a mente apenas para galhofarem e divertirem-se às custas dos outros. Quanto desperdício de potencial e de oportunidade. Mas, a cada um segundo suas obras.

O que precisamos levar em conta é que mesmo aqueles que estão envolvidos por propósitos maléficos, acabam fazendo algo de bom. E esse liame é de uma sutileza que nem sempre entendemos. Ainda uma vez falamos de que o escândalo é necessário, mas ai daquele que o desencadear. Certas situações são necessárias, para que pela dor ou semelhança daquilo que estes espíritos já passaram, possam resgatar ou compreender o que ofertaram ao próximo. Essa Lei é de uma beleza ímpar, pois é dentro desta situação, ou das situações de dor por exemplo, que muitos espíritos se renovam e resplandecem.

Muita gente, quando é visitada pela doença, por exemplo, opta por amaldiçoá-la e descontar nela toda a causa do sofrimento. Mas o que foi que desencadeou a doença? Ela surgiu do nada ou é fruto de alguma situação? Vem somatizada em nosso corpo através de nossos pensamentos e reflexos, ou caiu do céu? Pois é, precisamos refletir. Quantas e quantas vezes não saímos com o cabelo molhado no frio? A conseqüência, em muitos, é a sinusite, oras. E a culpa é de quem? Do frio? E, no entanto, a sinusite haverá de nos limitar em atitudes de descuido e de abandono de nosso corpo, sendo o canal para a melhoria de algo. Ou para a lamentação eterna. Nós é quem sabemos o que quer escolher.

Aliás, pela frase ‘nós é quem sabemos o que escolheremos’, podemos nos recordar de uma outra frase que nos diz que ao levantar podemos decidir ter um dia bom ou ruim, construtivo ou demolidor e assim por diante. A escolha é nossa. O resultado dela também. O Espírito que se compraz nessa forma de agir, haverá de se agregar a seres humanos ou outros espíritos que assim também vibram ou sintonizam. Pessoas que habitualmente escarnecem dos outros, ou que as julgam, terão na sua ‘cola’ espíritos igualmente sintonizados nessa faixa de atitude e daí para mais ou pior. Bom, sintonia é outro trem que a gente sempre tem de lembrar. É o nosso pensamento estabelecendo ligação e canal com aquilo que ele está emitindo.

A velha frase de que ‘tudo me é lícito, mas nem tudo me convém’. Se nos achamos fortes e preparados o suficiente para encararmos a onda que vem junto com determinadas atitudes desprovidas de sensatez, caridade ou lucidez, que seja feita a nossa vontade, não? Sempre digo que o mesmo tempo que gastamos para fazer algo de ruim ou vazio, poderemos gastar para fazer algo produtivo ou benéfico. Cabe a nós escolhermos. Se vamos abrir a boca para falar com o menino no farol, ao invés de ser para ralhar com ele, que seja para endereçar-lhe, ao menos, palavras carregadas de bondade e amor. O resultado, com certeza, será bem diferente, mas o tempo para realizar será o mesmo.

Galhofeiros e mistificadores a parte, vamos prosseguir. Aliás, a questão número 100, denominada Observações Preliminares, é mais um estudo do que perguntas e respostas. Ela vem acrescentar e esmiuçar a tudo o que a espiritualidade nos trouxe nas anteriores, então, creio que podemos passar a ela.

100. Observações Preliminares. A classificação dos Espíritos funda-se no seu grau de desenvolvimento, nas qualidades por eles adquiridas e nas imperfeições de que ainda não se livraram. Esta classificação nada tem de absoluta: nenhuma categoria apresenta caráter bem definido, pois, nos limites, as diferenças se apagam, como nos reinos da natureza, nas cores do arco-íris, ou ainda nos diferentes períodos da vida humana. Pode-se, portanto, formar um número maior ou menor de classes, de acordo com a maneira porque se considerar o assunto. Acontece, nisto, como em todos os sistemas de classificação científica: os sistemas podem ser mas ou menos completos, mais ou menos racionais, mais ou menos cômodos para a inteligência; mas, seja como for, nada alteram quanto à substância da ciência.

Notamos essa similaridade a que Kardec se refere, quando temos por exemplo, a classificação dos animais. Eles podem ser classificados como mamíferos, divididos por espécie, por terrestres ou marinhos, quadrúpedes ou não e por aí vai. Essa variável de classificação que um mesmo animal pode ter, também pode ser encontrada na classificação dos Espíritos, sempre lembrando que no caso destes, falamos de moralidade, qualidades e virtudes, adquiridas ou não. Vejamos um pouco mais:

(...) Os Espíritos, interpelados sobre isto, puderam, pois, variar quanto ao número das categorias, sem maiores conseqüências. Houve quem se apegasse a esta contradição aparente, sem refletir que eles não dão nenhuma importância ao que é puramente convencional. Para eles, o pensamento é tudo: deixam-nos os problemas da forma, da escolha dos termos, das classificações, em uma palavra, dos sistemas.(...)

Lembram-se, no início destes estudos, quando eu utilizei a frase em que dizia que esta classificação nos era mais elucidativa do que útil? Eis aí o porque. Para a espiritualidade, essa classificação são convenções que não lhes ocupam muito o tempo e nem a preocupação. Aliás, deixam que nós nos ocupemos disso, pois eles, o de espiritualidade elevada, possuem mais coisas a fazer, ou seja, precisam empregar seu tempo de forma mais útil. Não menosprezando a organização trazida por Kardec, por favor. Aliás, lembrei-me do Pequeno Príncipe, livro tido como infantil, em quando ele visita um Planeta e a criatura 'dona' deste planeta está tão ocupada contando seus mundos e estrelas, que sequer tem tempo para conversar ou olhá-lo nos olhos. Aliás, ao impacto de sua chegada, a criatura já saca de um bloco de notas e começa a fazer o inventário dos haveres do principezinho.

Somos nós, perdidos em nossas anotações e comprovações diárias; somos nós, envolvidos em nossos debates que, pretensamente, vão trazer esclarecimento ou aprendizado a alguém; somos nós que estamos tão ocupados na defesa de nossos pontos de vistas ou no conhecer em profundidade o que traz o outro na aparência, que nos esquecemos de olhar nosso próximo com desprendimento, amor e atenção. Pois é. E a máxima do Cristo se faz presente: A César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Ou seja, na Terra, acabamos por dar maior valor às coisas mundanas, esquecendo-nos de que, embora encarnados, somos regidos e envolvidos por Deus. E Deus nos pede que sejamos amorosos, fraternos e caridosos.

Tem gente que, inclusive, sustentando esta mesma máxima, acaba por deixar de lado as suas responsabilidades e obrigações terrenas, dizendo-se espiritualizado ou envolvido com a espiritualidade, mas em lugar algum foi dito que deveríamos relegar nossas responsabilidades a terceiros; em lugar algum está escrito que abandonar nossos bens e seguir ao Mestre, seja deixar familiares desamparados. Enfim, até neste pequeno ponto carecemos de discernimento e, sobretudo, de lucidez. Mas, voltemos à espiritualidade:

(...) Ajuntemos ainda esta consideração, que jamais se deve perder de vista: entre os Espíritos, como entre os homens, há os que são muito ignorantes, e nunca será demais estarmos prevenidos contra a tendência a crer que eles tudo sabem, por serem Espíritos. Toda classificação exige método, análise e conhecimento aprofundado do assunto. Ora, no mundo dos Espíritos, os que têm conhecimentos limitados, são, como os ignorantes deste mundo, incapazes de apreender um conjunto e formular um sistema; eles não conhecem ou não compreendem senão imperfeitamente qualquer classificação; para eles, todos os Espíritos que lhes sejam superiores são da primeira ordem, pois não podem apreciar as suas diferenças de saber, de capacidade e de moralidade, como entre nós faria um homem rude, em relação aos homens ilustrados.(...)

Se observarmos com atenção esta passagem, poderemos tirar uma lição muito importante para o nosso dia-a-dia. A espiritualidade nos diz que não devemos perder de foco a verdade de que os Espíritos não se modificam num piscar de olhos. Ao desencarnarem perdem sim o véu que lhes oculta o mundo espiritual, mas isso não significa que por lá estarem, passam a dominá-lo.

Continuam com suas limitações e com suas conquistas, apenas em plano diferente do físico. E, como bem enfatiza Kardec, possuímos a tendência de nos esquecermos disto, lançando ao desencarnado ou ao Espírito, ares de superioridade ou evolução que talvez ele não possua. Aquilo que fizeram na Terra haverá de, alguma sorte, denunciá-los no Plano Espiritual no tocante à sua evolução.

Outro fator interessante evidenciado é justamente o fato de que estes mesmos Espíritos sequer conseguem distinguir a diferença entre os Espíritos Evoluídos ou Superiores. Todos são Anjos ou Deus aos seus olhos ingênuos ou desprovidos de saber. O humilde, no plano terreno, também, de alguma maneira, acredita que toda pessoa que saiba se pronunciar bem ou que se porte com ares de distinção, seja portador de alguma nobreza. Tantos enganos, não gente? Vejamos uma outra colocação que nos mostra que o ponto de vista restrito pode prevalecer em grande massa:

(...) E aqueles mesmos que sejam incapazes, podem variar nos detalhes, segundo os seus pontos de vista, sobretudo quando uma divisão nada tem de absoluto. Linneu, Jusieu, Tournefort, tiveram cada qual o seu método, e a botânica não se alterou por isso. É que eles não inventaram nem plantas, nem os seus caracteres, mas apenas observaram as analogias, segundo as quais formaram os grupos e as classes. Foi assim que procedemos. Nós também não inventamos os Espíritos nem os seus caracteres. Vimos e observamos; julgamos pelas suas palavras e seus atos, e depois os classificamos pelas semelhanças, baseando-nos nos dados que eles forneceram.(...)

Resumindo o até então exposto por Kardec, temos que ele colocou-se a observar os Espíritos por diversos ângulos e arregimentando tudo aquilo que estes irmãos ofertavam em termos de compreensão da moralidade, evolução e comportamento. Baseado nisto, Kardec nos traz a classificação que veremos no próximo encontro.


 
 Exposto em 20-09-08 por Fiorell@

 

Questões 100 - final e 101

Encontro passado adentramos aos comentários de Kardec, mostrando-nos como se desenvolveu a Escala Espírita. Ela é fruta de sua pesquisa diante das manifestações dos Espíritos e informações por eles fornecidas, através de suas próprias palavras e de suas atitudes diante das questões ou perguntas que lhes eram propostas.

Seu comportamento também serviu para que fossem feitas as subdivisões na escala. De uma maneira simples, existem 3 ordens principais e, com muita boa vontade e talvez até com uma certa dose de falta de humildade, Fraterna e eu afirmamos que nos sentimos na segunda escala. Pois é, mas talvez estejamos sendo um pouco otimistas demais, haja vista o comentário contido na Revista Espírita de fevereiro de 1858, onde encontramos o seguinte comentário acerca dos Espíritos pertencentes à segunda ordem: (...)”Quando, por exceção, se encarnam na Terra, é para nela cumprirem uma missão de progresso, e nos oferecem, então, o modelo da perfeição, à qual a Humanidade pode aspirar neste mundo”.(...).

Aliás, se formos analisar um pouco, veremos que estamos mais rodeados pelos da terceira classe do que pelos da segunda. Por que será? Estamos deslocados ou ainda vibramos mais em conformidade com estes irmãos? E, em sendo assim, eis que seria mais humilde de minha parte aceitar que estou muito mais na terceira que na segunda ordem. Embora meu desejo ferrenho seja estar na segunda...Vamos lá, né?

(...) Os Espíritos admitem geralmente três categorias principais ou três grandes divisões. Na última, a que está no início da escala, estão os Espíritos imperfeitos, caracterizados pela predominância da matéria sobre o Espírito e pela propensão ao mal.(...)

Essa preponderância, como temos visto e como claramente veremos mais adiante, tem graus de intensidade e variação. Oscila desde a maldade pura e pérfida, até a inércia no bem e aparente falta de nocividade por parte do espírito. O que nos faz recordar que um elemento á deriva, pode ser jogado para qualquer canto, seja ao sabor do vento ou das ondas. Precisamos sim ter um rumo definido, um caminho escolhido.

Quando estamos à deriva, ou seja, quando ficamos tais quais baratas tontas buscando um pouco aqui e um pouco ali, nos perdemos. Nosso referencial se esvai e somos verdadeiros joguetes nas mãos dos que não possuem escrúpulos e nem moralidade. Aliás as pessoas ainda não se deram conta de que, a grande capa que esconde tais pessoas é justamente aquele elogio rasgado, aquela adulação sem necessidade, o estímulo que nos dão ao alimentarem em nós a inferioridade dos sentimentos menos dignos e os pensamentos de vingança, mágoa e revolta.

Quando decidimos qual caminho queremos seguir, temos em mente que um ambiente que contenha palavrões, obscenidades, desrespeito, maledicências ou comentários perversos e, por mais que tenham pessoas queridas nestes mesmos ambientes, não é o, local mais adequado para estarmos. As vibrações e sintonias ali colocadas não são das melhores.

Não significa que estamos fugindo apavorados ou temerosos do que quer que seja. Significa que, dentro de nosso livre-arbítrio, vamos aonde nos convém e aonde nos edifica e eleva. Apenas isso. Não é questão de desrespeito ou de ares de superioridade. É questão de zelo para com as nossas ainda fragilidades ante a matéria. Voltemos às definições:

(...) Os da segunda são caracterizados pela predominância do Espírito sobre a matéria e pelo desejo do bem: esses são os bons Espíritos. Os da primeira categoria atingiram o grau supremo da perfeição: são os Espíritos puros.(...).

Essa segunda categoria de Espíritos, embora nos pareça tão ‘familiar’ e até aconchegante, está um pouco distante ainda. Bem pouco, tenho certeza absoluta e, talvez, daí essa nossa sensação de familiaridade e aconchego. Na segunda ordem estão os Espíritos que já aprenderam a fazer prevalecer o espírito ante a matéria, mas ainda encontram-se sujeitos às vicissitudes desta. Mais uma vez, busco Francisco de Assis como exemplo, diante de minha simpatia por este irmão. Temos também Joanna D’arc que, aliás, segundo companheiros, é espírito que nos acompanha, orienta e ampara. Ambos, envolvidos pelo amor e pela elevação com que já se caracterizavam, ainda necessitavam de certas passagens diante da matéria. Assim foi que cada qual passou por sua provação e realizou sua missão com grande desprendimento.

Falar dos Espíritos puros é um tanto longínquo, porque em nosso conceber, determinadas criaturas já poderiam se enquadrar nesta categoria. Aliás, quando a verdadeira gratidão invade nosso ser, quando estamos tomados por humildade, até aquela criatura que alimenta nossos filhos é considerada justa, pura e bondosa. Fechamos nossos olhos ás suas mazelas, ás suas imperfeições e a temos em conta de anjo. E, cedo ou tarde, nos decepcionaremos, pois ela ainda está em evolução. Ademais, diante das leis de Deus, não se fecham olhos, pelo contrário, os véus que são retirados quando na Erraticidade ou na espiritualidade, deixam quase que á mostra aonde devemos ou não trabalhar em nosso ser. Prosseguindo:

(...) Essa divisão nos parece perfeitamente racional e apresenta características bem definidas. Só nos faltava ressaltar, mediante um número suficiente de subdivisões, as diferenças principais do conjunto. Foi o que fizemos com o auxílio dos Espíritos, cujas instruções benevolentes nunca nos faltaram.(...)

(...) Com o auxílio desse quadro será fácil determinar a categoria e o grau de superioridade ou inferioridade dos Espíritos com os quais podemos entrar em contato e, por conseguinte, o grau de confiança e de estima que merecem. É de certo modo a chave da ciência espírita, visto que apenas ele pode nos explicar as anomalias, as diferenças que apresentam as comunicações, ao nos esclarecer sobre as desigualdades intelectuais e morais dos Espíritos. (...)

Vejam que Kardec utiliza o termo racional. Essa racionalidade a que ele se refere, é algo que nos falta em muitos momentos. Deixamo-nos envolver e levar por impulsos, frases ou até mesmo sorrisos e não nos aprofundamos no raciocínio diante da situação. Essa racionalidade é que, em muitos momentos, pode nos proporcionar, por exemplo, a paz de espírito ante as dificuldades e situações diárias. Essa mesma racionalidade, desprezada por muitos, mal usada por outros, precisa ser nosso caminho do meio. Necessário que sintamos, mas necessário é que racionalizemos sobre determinados fatos e situações.

Vocês devem se recordar que, em estudos passados, abordamos que nem sempre apenas a razão nos dará a resposta correta. Em muitos momentos precisamos usar de nosso sexto sentido e até de um certo feedback ou recordação das situações já vividas, seja envolvendo as pessoas ou as situações apresentadas no momento. E são tantos ganchos que nos surgem, que poderíamos passar horas falando acerca da racionalidade como caminho, mas nos deteremos em apenas mais um que nos recorda que o mesmo problema, vivido em momentos diferentes, pode requerer soluções também diferentes. Gosto muito de uma passagem contida em um dos livros de Roberto Shinyashiki em que ele conta a estória de duas moscas que caíram em um copo de leite e uma, derrotista, deixou-se naufragar, pois suas asas estavam molhadas e ela se sentiu fraca diante da imensidão daquele copo de leite.

A outra cheia de vida e disposição, pôs-se a bater desenfreadamente as asas, até que criou um tipo de crosta ou nata ao seu redor e, subindo nela, pode alçar vôo e sair do copo. Porém descuidada que era, novamente caiu em outro copo, mas desta vez de água. Mas, como acreditava que já sabia a solução para essa dificuldade, colocou-se a bater as asas freneticamente, recusando inclusive, o auxílio de uma companheira que passava e lhe mostrava o canudinho por onde ela poderia subir. Resultado, morreu afogada, pois na água a tática usada com o leite não surte o mesmos efeito. Matérias diferentes, embora similares. Meios diferentes de solucionar problemas aparentemente iguais.

E assim temos a racionalidade. Embora ela seja importantíssima em determinados momentos que nos requerem lucidez, em outros tantos, talvez quem seja requerido seja algum sentimento outro, aonde ambos se completarão. Nunca as coisas são exatamente iguais, nem para nós nem para os outros. E quando vemos situações em que as pessoas passam várias vezes pelo mesmo problema, embora envolvendo pessoas diferentes, cabe a ela ver como está agindo ou reagindo diante da situação. Seus problemas, muitas vezes, são reflexo de seu condicionamento mental ou daquilo que a pessoa oferta aos outros.

Por isso a nossa Ana Maria Braga (Fraterna) insiste tanto no otimismo, na auto-estima e amor próprio. Sabemos que a vida nos devolve aquilo que ofertamos. As pessoas que já aprenderam a lição, costumam ofertar a outra face, mas aquelas que se encontram ainda envolvidas na chama da ‘turba’, estas nos devolvem exatamente na mesma moeda. Ainda estão presas à lei de Talião. E não são elas que devem mudar porque assim achamos necessário. Somos nós que devemos nos modificar buscando as leis de amor que o Mestre exemplificou. Quem sabe elas se sintam sensibilizadas com nosso exemplos, também.

Como na leitura do evangelho desta manhã, em que o Mestre fora acusado de louco ao curar aos sábados, ferindo os costumes da época, supostamente pregados por Moisés. E Jesus mesmo mostrando á multidão que era necessário que se julgasse as coisas não pela aparência, mas sim pela justiça, foi tratado com sarcasmo e desdém. Lucidez, meio termo. Tanto para aprendermos, não?

Não podemos encerrar esta parte trazida por Kardec sem enfatizarmos que é através desta escala, aliada aos tantos esclarecimentos que a Ciência Espírita nos mostra, que poderemos compreender as diferenças entre as comunicações, talvez os desencontros de informações e até mesmo interpretar melhor aquilo que nos chega.

Quando nos damos conta do ‘todo’ envolvido em uma situação, se é que assim já conseguimos, eis que a ponderação e a lucidez se fazem mais claras e fáceis, haja vista o fato de não nos prendermos apenas a uma pequena passagem. Como nos desenhos infantis, por exemplo, aonde alguém é atraído para uma armadilha seguindo um pedaço de queijo ou uma coxa de frango. Está tão atraída e envolvida pela iguaria que a apetece, que fica fascinado e sequer consegue ver a cordinha que a está puxando. E pior, nem percebe para que caminho está seguindo.

Precisamos dessa lucidez para lidar com os dois planos. Ela nos auxiliará a perceber pensamentos que não são nossos, pensamentos edificantes, pensamentos maléficos ou pensamentos vazios. Devemos estar sempre alertas e o conhecimento nos auxilia. Gente, a doçura não se perde, nem a sensibilidade. Pelo contrário, quanto mais aprendemos e estamos caminhando em direção ao Mestre, mais amorosos nos tornamos e, ser amoroso, não significa ser meloso. Finalizando os comentários de Kardec, temos que:

(...) Observaremos, todavia, que nem sempre os Espíritos pertencem exclusivamente a esta ou aquela classe. Seu progresso apenas se realiza gradualmente e, muitas vezes, mais num sentido do que em outro, e podem reunir as características de mais de uma categoria, o que se pode notar por sua linguagem e seus atos.(...)

O último comentário que podemos fazer acerca desta situação, reside mais uma vez, no fato de que embora possamos utilizar escala espírita de forma especulativa e vazia, ou seja, sem grandes interesses ou valores edificantes, nós também podemos nos servir dela para compreender as diferenças evolutivas entre os Espíritos. E isso não deve desqualificá-los ou relegá-los a este ou aquele ponto, por pertencer à primeira, segunda ou terceira. Embora haja notória distinção entre as escalas, nosso comportamento deve ser similar em se tratando das três. É o nosso grande objetivo e o ideal que buscamos alcançar.

Serão estes pontos que, somados, nos auxiliarão a modificar nossa postura íntima frente às cosias e situações. Se a barbárie, se o crime, se a mentira e tantas outras cosias nos afligem, aprenderemos a nos posicionar frente a estas situações sem nos desarmonizarmos ou desequilibrarmos, sem vibrarmos com rancor ou mágoa. Estaremos encontrando nosso equilíbrio interior e daremos um grande passo para ascendermos rumo ao ideal evolutivo que nos cabe: a perfeição com que fomos criados. Vamos ás subdivisões:

Terceira ordem – Espíritos imperfeitos
Questão 101 Características gerais – Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões que são suas conseqüências.
Eles têm a intuição de Deus, mas não o compreendem.
Nem todos são essencialmente maus. Entre alguns há mais leviandade, inconseqüência e malícia do que verdadeira maldade. Alguns não fazem o bem nem o mal; mas, apenas pelo fato de não fazerem o bem, já demonstram sua inferioridade. Outros, ao contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram a ocasião de o fazer.(...)

Talvez essa explicação analisada de forma superficial é que nos faz sentir que estamos fora desta categoria da escala. Quando pensamos em maldade nos recordamos de coisas atrozes, de atos que nos causam repugnância e até vertigens, no entanto, se esmiuçarmos esta colocação apresentada, veremos que existe a palavra inconseqüência. Como podemos compreender a inconseqüência diante da nossa permanência na terceira ordem desta escala?

Quantas vezes fazemos algo e não nos damos conta de que aquilo é prejudicial? Até que aprendemos, não é mesmo? Só saberemos que aquele reles chiclete que jogamos no chão ou o inofensivo papel de bala, são prejudiciais à natureza e ao meio ambiente, quando nos quedarmos a analisar a situação ou quando alguém nos fazer tomar conhecimento, por exemplo, que se todas as pessoas que passarem naquela mesma rua, durante o dia e jogarem um papelzinho de bala como nós fizemos, já serão milhares fazendo exatamente a mesma coisa. Somem-se milhares de papéis que adentram a um bueiro sem serem varridos e o que temos? Enchentes!!

Mas foi um gesto inconseqüente, não? E assim se processa diante de nossas fraquezas morais, diante de nossa falta de cultivo das moralidades. Alguns extremistas, gostam de alardear uma frase contida em nossas obras da codificação. A frase nos diz que o espírita é responsável pelo mal que cometa e pelo bem que deixe de fazer. Oras, isso não é crime e castigo, gente! Não devemos nos sentir entre a cruz e a espada ou naquela tradicional figura de que se ficar o bicho come e se correr o bicho pega.

Essa alusão, assim como tantas outras contidas em nossas obras básicas e na vida como um todo, é para que reflitamos que não basta não sermos maus. É necessário que façamos o bem também, do contrário seremos responsáveis pelo que deixarmos de praticar. Se alguém nos pede socorro e em nossa inércia não reagimos, é uma omissão e, independente de ser por comodismo, por egoísmo ou por despreparo, é um ato bom que deixamos de praticar, quiçá prejudicando alguém. O que não significa que devamos sair correndo e socorrendo cada borboleta que está saindo do seu casulo. Até para fazer o bem é necessário que tenhamos discernimento e sensatez.

Muitos estão habituados com o dilema que se apresenta em uma casa espírita e em muitos momentos, no tocante à entrega da cesta básica, por exemplo. Quantas controvérsias e discussões não são geradas por conta de tentarmos buscar se estamos corretos ou errados, não? E, no final, a resposta parte do interior de cada um, formando quem sabe um consenso. E esse conflito nada mais é o uso do nosso discernimento e do nosso raciocínio convidando-nos a ponderar sobre se realmente estamos fazendo o bem ou alimentando alguma situação destrutiva. Se sabemos que aquele alimento está sendo mal utilizado, seremos responsáveis pela manutenção da sua entrega.

Nossas responsabilidades aumentam ao passo que nosso conhecimento também. E não adianta nos escondermos embaixo do edredom e dizermos: também não quero aprender mais nada! Isso não tem como! Pela dor, pelo amor, por estudos e ou por qual situação for, seremos chamados ao aprendizado. Se optarmos por fechar nossos olhos ou não aceitarmos, estaremos fazendo uso do direito que nos cabe, mas a que preço, não? As crianças nos ensinam, a natureza nos ensina, os animais nos ensinam. Deus é generoso, não esta apenas nos cobrando, mas está também a todo instante nos dando a oportunidade de demonstrarmos esse aprendizado ou de colhê-lo seja lá de onde for, assim como o lírio é colhido no pântano. Seguindo....

(...) Os Espíritos pertencentes à terceira ordem podem aliar a inteligência à maldade ou à malícia; mas qualquer que seja seu desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e seus sentimentos mais ou menos inferiores.
Seus conhecimentos sobre as coisas do mundo espírita são limitados e o pouco que sabem se confunde com as idéias e os preconceitos da vida corporal. Eles podem nos dar apenas noções falsas e incompletas, mas o observador atento encontra, muitas vezes, em suas comunicações imperfeitas, a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos Superiores. (...)

Conseguimos discernir isso com alguma facilidade, não? Aliás, se queremos aprender um pouco mais a como distinguir determinados espíritos através de suas comunicações e narrativas, sugiro que busquemos o livro O Céu e o Inferno, das obras básicas da codificação. Nele, podemos encontrar muitos relatos, além de esclarecimentos e explicações ofertadas por Kardec sobre muitos casos ali relatados.

Outra fonte farta é a Revista Espírita, muito embora esteja distribuído de forma aleatória, ou seja, conforme chegavam e as edições eram preparadas, quem quiser passar bons momentos literários, basta acessar algum site que as disponibilize e terá acesso a farto material e muitas informações relativas a muitos assuntos, inclusive as manifestações e seus caracteres. Kardec ainda nos diz acerca dos Espíritos da terceira ordem:

(...)Seu caráter se revela pela sua linguagem. Todo Espírito que em suas comunicações revela um mau pensamento pode ser classificado na terceira ordem. Por conseqüência, todo mau pensamento que nos é sugerido vem de um Espírito dessa ordem.
Eles vêem a felicidade dos bons e isso é, para eles, um tormento incessante, porque sentem todas as agonias que originam a inveja e o ciúme.(...)

Temos aqui alguns exemplos que nos mostram porque ainda podemos nos considerar na terceira ordem, não? Aquele nosso colega de trabalho que, apesar de todos os nossos esforços, consegue a promoção na nossa frente. Aquele nosso ex-noivo ou ex-noiva que casou e nós ainda não desencantamos daquela situação. Aquela pessoa que foi mãe e nós ainda não. Vixi, o que não nos faltam são exemplos de situações cotidianas em que a grama do vizinho sempre é mais bonita do que a nossa, não? Eis aí uma característica dos espíritos da terceira ordem. Nem só de assassinos cruéis é formada essa ordem, torno a repetir.

Podem possuir a inteligência e a fala acurada, mas o seu conteúdo é oco. Suas mensagens são desprovidas de profundidade e passivas de contrariedade a cada novo parágrafo. Pode se dar ao fato de que ainda estão aprendendo, como também pode ser justamente por não conseguirem sustentar a máscara que acoberta a frivolidade ou maldade.

Nós, encarnados, podemos usar do subterfúgio de nos calarmos ante determinadas situações, não deixando transparecer aquilo que nos vai em mente, se bem que nossa face e os nossos gestos podem nos denunciar. No que diz respeito aos espíritos, seria interessante que lêssemos o capítulo XXIV do Livro dos Médiuns, que fala acerca da Identidade dos Espíritos, passando por distinção entre bons e maus espíritos.

Exposto em 27-09-08 por Fiorell@

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