Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 1857

Sob a Ótica Espírita: encontros aos sábados e às terças-feiras às 22horas (horário de Brasília) na sala do PALTALK.
 

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Questões 1 a 8

Após esmiuçarmos a introdução ao Livro dos Espíritos, por Herculano Pires em comemoração ao centenário do mesmo, após esmiuçarmos a introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, por Allan Kardec e, após repassarmos os Prolegômenos, eis que adentramos ao Livro Primeiro – As causas primárias.

Sabem, acho que algumas respostas são tomadas como óbvias e como claras para todos nós. Em muitos momentos de nossa vida, respondemos quase que automaticamente a muitas questões e nem nos quedamos a examinar o que realmente elas queiram significar.

Exemplo muito comum é quando ouvimos alguém dizer assim: o que você disse veio de encontro com o que eu queria dizer! E abre enorme e fantástico sorriso, dando a entender que ambos possuem a mesma idéia!!

Nós, internautas, que estamos privados de muitas coisas no trato com as pessoas, ou seja, que nem sempre conseguimos ouvir e ver quem está falando/escrevendo, vamos interpretar essa situação da forma que nos é compreensível, ou seja, se você já sabe que ir de encontro a algo é bater de frente, você dirá que cada um possui uma idéia diferente.

Se você não conhece a diferença entre ir ao encontro e ir de encontro, então você aceitará aquilo que te parecer mais óbvio. E nisso, a comunicação se perde.

A próxima vez que ouvirmos alguém falando que tal situação vai AO encontro de algo nos sentiremos felizes, pois lembraremos que as duas situações estão se abraçando. Por outro lado, quando ouvirmos que tal situação foi DE encontro a algo, lembraremos de um grande choque entre as duas.

Kardec ao questionar a espiritualidade, desejava receber respostas que completassem suas dúvidas e assim o era em profundidade. Mas, de que vale termos respostas completas e profundas se mal sabemos os significados das palavras e aonde elas se encaixam no contexto?

Lembram da confusão que existe quando as pessoas tentam imaginar um camelo passando pelo buraco da agulha?

Está lá, no Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVI item 2, a passagem em que Jesus é inquirido por um jovem que se aproxima e lhe pergunta o que seria necessário fazer para adquirir a vida eterna. Jesus então lhe responde que ele deveria observar os mandamentos, ao que o jovem quer saber quais seriam estes mandamentos e ao tomar ciência de quais eram, diz que os tem seguido e guardado desde a juventude, mas crê que algo ainda lhe falta.

Pacientemente Jesus observa que então ele deveria, para alcançar a perfeição, vender todos os seus bens e dar o resultado aos pobres, pois estaria cultivando um tesouro no céu. Após, era só vir e segui-lo. O jovem saiu triste, pois tinha grandes bens.

E quanta confusão não fazemos ainda hoje sobre este trecho, não gente? E sobre o seguinte também, aonde não entendemos o real valor da riqueza e de sua conotação nesta colocação de Jesus, que vira para seus discípulos e diz: em verdade vos digo que é bem difícil que um rico entre nos reinos dos céus. Digo-vos ainda uma vez: É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus. Mateus nos conta essa passagem em seu evangelho, no cap. XIX.

Enfim, temos aqui uma explicação dada pelos diversos estudiosos de línguas e a mais encontrada é a de que A língua hebraica não era rica e continha muitas palavras com várias significações. A palavra com que se designava um camelo e um cabo era a mesma, uma vez que os cabos eram feitos de pêlos de camelo. Daí o haverem-na traduzido pelo termo camelo, na alegoria do buraco de uma agulha.

Explicações á parte, companheiros, gosto de frisar que não temos pressa nos estudos e, também, nem todo o conhecimento necessário para responder a todas as vossas dúvidas. Nem ás minhas, imaginem somadas ás de vocês! Mas, temos boa vontade e o sincero propósito de aprendermos, além de repartirmos aquilo que já nos foi ofertado.

Conto com vocês em muitos momentos, para que juntos, possamos dirimir as eventuais dúvidas que surjam. Lembrando que na medida do possível tento não alimentar debates estéreis e sem propósitos que visam apenas causar saia justa ou dificuldades a quem quer que seja.

Bom, bom, vamos lá!!!! Em alguns momentos, dentro do Livro dos Espíritos, temos as perguntas, as respostas dos Espíritos, os comentários de Kardec e os comentários do tradutor. Lembrando que eu estou utilizando a tradução feita por Herculano Pires. No capítulo I temos o subtítulo Deus e como item I Deus e o Infinito.

1. O que é Deus?
Resp.: Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

Inteligência suprema neste ponto, a espiritualidade nos diz que Deus é a maior inteligência conhecida, sendo esta inteligência a causadora primeira de todas as coisas, ou seja, de Deus tudo partiu.

2. O que devemos entender por infinito?
Resp.: Aquilo que não tem começo nem fim; o desconhecido; todo desconhecido é infinito.

Nesta resposta, a espiritualidade se refere ao Universo. Aquilo que dele conhecemos, possui começo e fim, mas aquilo que desconhecemos isso nos parece infinito, ou seja parece que não tem fim.

Lembrei de nossas dores. Tem horas que elas parecem não ter fim, mas tão somente por não conhecermos toda a sua abrangência.

3. Poderíamos dizer que Deus é o infinito?
Resp.: Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, insuficiente para definir as coisas que estão além da sua inteligência.
Deus é infinito nas suas perfeições, mas o infinito é uma abstração; dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa por ela mesma, definir uma coisa, ainda não conhecida, por outra que também não o é.

Mais adiante, exatamente da questão 10 em diante, poderemos esmiuçar um pouco mais sobre Deus. Mas, deste ponto, fica claro a nossa inaptidão e falta de palavras para definir Deus.

Aliás, inaptidão essa que até o lançamento do livro dos Espíritos nos levava de uma maneira geral, a ver em Deus um reflexo nosso, ou seja, tínhamos Deus como um humano melhorado.

É o tal do conceito antropomórfico que Almícar Del Chiaro Filho nos lembra em seu artigo intitulado Livro dos Espíritos I, escrito por ocasião dos 145 anos da obra. Neste artigo, Amílcar enfatiza a pergunta de Kardec, um tanto revolucionária, para os moldes da época.

Aliás, já citei Herculano Pires evidenciando justamente isso: Kardec, em muitos momentos, foi inovador na sua forma de conduzir tudo o que envolvia a codificação, inclusive, o amparo irrestrito da espiritualidade.

E, nesta forma inusitada de kardec referir-se a Deus, temos que ele pergunta por O QUE é Deus e não QUEM é. Deste ponto em diante, pode-se notar o valor irrestrito que uma frase pode proporcionar. Eis o início do tema de hoje, quando falei sobre sabermos exatamente a profundidade e o teor de uma frase ou palavra.

Como alguns gostam de chamar, eis que Kardec era um visionário!! E não porque via espíritos...rsrsrs....mas sim porque podia ver as coisas em sua amplidão.

Bom, voltando, quando kardec afirma em seu comentário que Deus é infinito na perfeição, mas que o infinito é uma abstração, quer nos dizer que conhecer os atributos de Deus é algo que está longe das experiências do mundo real. Como os quadros de pintores famosos.

Pinturas abstratas de rostos, por exemplo, estão longe de mostrar a formosura, a nitidez, os contornos, a profundidade, a maciez e tantas outras coisas que podemos captar na vida real.

Nossa concepção haverá de fugir ao real enquanto não nos elevarmos em espírito. E se tentarmos definir Deus como sendo o infinito haveremos de errar, pois como definir o desconhecido como sendo o próprio desconhecido?

Bom, prossigamos. Temos agora o item II PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS. Lembrando a todos que estamos no Livro primeiro do Livro dos Espíritos, As causas primárias, capítulo I Deus.

04. Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?
Resp.: Num axioma que aplicais às vossas ciências: Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e vossa razão vos responderá.Para crer em Deus é suficiente lançar os olhos às obras da Criação. O Universo existe; ele tem, portanto, uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa, e avançar que o nada pode fazer alguma coisa.

Axioma pela nossa compreensão é aquilo que não precisa de comprovação, que está evidente em algo. Em referência à resposta dos Espíritos, temos que o axioma utilizado às ciências, ou seja, as verdades que se desencadeiam numa seqüência lógica e não demonstrável, temos a prova da existência de Deus.

Em A Gênese podemos encontrar esta passagem:
“Se, cortando os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto.”

“Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento das causas.”

Suas obras, incluindo nós, denunciam sua existência. Sua perfeição, meticulosidade e sabedoria, denunciam seu alto grau existencial. Sem muitos comentários não é gente? A não ser que queiramos tirar a limpo o que não está sujo!!

E, utilizando uma parábola encontrada nos estudos que realizamos da Doutrina Espírita e que haverá de servir como elemento fixador acerca de nossa crença na existência de Deus, temos:

A um pobre beduíno, ignorante, que orava muito a Deus, alguém perguntou como poderia acreditar nele.
- Pelas suas obras, disse. E explicou:
- Não conheces a origem de uma jóia pelo sinete do joalheiro? Não sabes de quem é uma carta, pela letra do envelope? Não afirmas que um camelo, e não um cão passou pela estrada, olhando simplesmente o rasto deixado pelo animal? Assim também eu sei que Deus existe pelas suas obras.
- Como? Explique melhor.- É muito fácil. As estrelas do céu não são obras dos homens, que lá não poderiam tê-las colocado. Logo, só podem ser obra de Deus, e, portanto, Ele existe.

Simples não gente? No entanto, como bem sabemos o simples nem sempre é aceito devido á sua própria simplicidade! Vamos lá!

5. Que conseqüências podemos tirar do sentimento intuitivo, que todos os homens trazem consigo, da existência de Deus?
Resp.:Que Deus existe; pois de onde lhes viria esse sentimento, se ele não se apoiasse em anda? É uma conseqüência do princípio de que não há efeito sem causa.

A própria contemplação da Obra Divina, nos faz perceber a magnitude de quem a criou e nossa pequenez diante desta mesma criação. Por mais que caminhemos rumo às descobertas científicas, tais quais a clonagem e reprodução de órgãos ficará sempre a pergunta: se só estamos descobrindo esses avanços agora, como fomos criados?

Os mais orgulhosos ou céticos, não aceitam o conceito de divindade e preferem justificar tudo através de conceitos estritamente materiais. Embora louvável, vemos essa postura desde os primórdios tendo relatos de em 600aC já haverem conjecturas a respeito da Terra, sua criação, seu ponto no universo e a criação do homem.

Em uma dessas primeiras teorias, temos que o homem descende dos peixes e que o Universo surgira da água. Teoria pertencente ao grego Anaximandro. Enfim, com o vai e vem das águas e das teorias, eis que próximo ao ano de 1600, Giordano Bruno (1548-1600) afirmou que o Universo não tem centro nem limites, e que as estrelas estão espalhadas através de um espaço infinito. Morreu na fogueira por dizer a verdade.

Antes dele, Copérnico afirmava que era o Sol o centro do Universo e não a Terra, teoria que era defendida até então. Fascinante buscarmos as Teorias, suas evoluções e suas contestações posteriores. Mais fascinante ainda era ver como o homem reagia às Teorias verdadeiras, como sucedeu ao cinqüentão Giordano Bruno.

Mas, temos a resposta da Espiritualidade a enfatizar que não há efeito sem causa, ou seja, se somos o efeito produzido por alguma causa, aonde estará a mesma? Somos fruto de quê? Questões para refletirmos.

Gostaria de aproveitar a oportunidade e comentar um trem que li, certa vez. Trata-se de assunto ligado á causa e efeito, ação e reação.

Conta Divaldo, em uma de suas obras, "Palavras de Luz" pág. 20/21:

"Quando Jesus estava com Anás (jo., 18:19 a 23) o Sumo Sacerdote Lhe perguntou sobre a Sua Doutrina; ao que Ele respondeu: "Nada falei em oculto, pergunte aos que Me ouviram." Um soldado que estava ao lado do representante de César, agrediu-O, esbofeteando-lhe a face".

Então Jesus não reagiu. Agiu com absoluta serenidade. Pacifista por excelência, voltou-se para o agressor e lhe perguntou: "Soldado, por que me bateste? Se errei, aponta-me o erro, mas se eu disse a verdade, por que me bateste?”.

“É uma lição viva, porque Ele poderia apelar ali para a justiça do representante de César; poderia ter-se encolerizado; ter tido um gesto de Reação, mas Ele preferiu agir".

Esta passagem, narrada por Divaldo ao exemplificar fato ocorrido com Jesus, nos mostra como algumas coisas podem não ser fatalistas, mediante a postura que adotamos diante das mesmas.

Quando na vida, nos sentimos covardemente agredidos (Jesus nesta passagem estava com as mãos amarradas), podemos deixar que a agressão surta o efeito desencadeado pela fúria que a acompanha, ou podemos pôr um basta na reação em cadeia, agindo em sentido contrário.

Já pararam para pensar nisso, irmãozinhos?? Já perceberam que a vida não é fatalista? Perceberam como dizer que as causas produzem um efeito é mostrar que as rédeas estão em nossas mãos? Somos causadores dos efeitos que nos acometem e também podemos ser os responsáveis pela modificação deste efeito.

Se te agridem, podes ficar a te lamentar e a sentir a dor ou podes te posicionar de forma a esclarecer a situação e a crescer com ela.

Fatalistas somos nós e não a vida!! Pensem nisso com muito carinho. Lembrem do exemplo de Jesus. Bom, retornando ás questões do Livro dos Espíritos, no LIVRO PRIMEIRO, CAUSAS PRIMÁRIAS, DEUS E O INFINITO, temos:

6. O sentimento íntimo da existência de Deus, que trazemos conosco, não seria efeito da educação e o produto de idéias adquiridas?
Resp.: Se assim fosse, por que os vossos selvagens também teriam esse sentimento?

Se o sentimento da existência de um ser supremo não fosse mais que o produto de um ensinamento, não seria universal e nem existiria, como as noções científicas, senão entre os que tivessem podido receber esse ensinamento.

Novamente em A Gênese, capítulo II, item 7, podemos observar o complemento dado a esta questão:

"A existência de Deus é, pois, uma realidade comprovada não só pela revelação, como pela evidência material dos fatos. Os povos selvagens nenhuma revelação tiveram; entretanto, crêem instintivamente na existência de um poder sobre-humano”.

“Eles vêm coisas que estão acima das possibilidades do homem e deduzem que essas coisas provêm de um ente superior à Humanidade. Não demonstram raciocinar com mais lógica do que os que pretendem que tais coisas se fizeram a si mesmas?”.

E, sem deixar de dar uma alfinetada espiritual, temos um trecho extraído do livro Estudos Espíritas, de Divaldo Pereira Franco pelo espírito de Joanna de Angelis:

E Allan Kardec, mergulhando as nobres inquirições filosóficas nas fontes sublimes da Espiritualidade Superior, recolheu através dos Imortais que "Deus é a Inteligência suprema, causa primária de todas as coisas", em admirável síntese, das mais felizes, completando a argumentação com a asserção.

(...) de que o homem deve estudar "as próprias imperfeições a fim de libertar-se delas, o que será mais útil do que pretender penetrar no que é impenetrável (...)”,

- concordante com o ensino do Cristo, em João: "Deus é Espírito, e importa que os que O adoram, O adorem em espírito e verdade.". ...

Bom, na questão de número 7 temos:

7. Poderíamos encontrar a causa primária da formação das coisas nas propriedades íntimas da matéria?
Resp.:Mas então, qual seria a causa dessas propriedades? É sempre necessária uma causa primária. Atribuir a formação primária das coisas às propriedades íntimas da matéria seria tomar o efeito pela causa, pois essas propriedades são em si mesmas um efeito, que deve ter uma causa.

Diante desta resposta dos Espíritos, vemos novamente como uma explicação se torna incompleta, por não conceber algo maior por detrás da vida. Lá atrás, citamos algumas Teorias acerca da formação do universo e da nossa própria aparição enquanto seres humanos.

Se nos ativermos ao período pós Kardec e a codificação, teremos ainda a famosa Teoria do Big-Bang que acabou sendo conhecida por este nome ao ser ridicularizada em 1950 pelo físico Fred Hoyle, que nos traz dentro da teoria da relatividade proposta por Georges Lamaitre e Alexander Friedmanum modelo de Universo finito e em constante expansão, com um início determinado no tempo.

Segundo estes estudiosos tudo teria começado pela explosão de um só átomo, onde toda a matéria e energia se concentravam com densidade infinita.

Citei o exemplo do Big-Bang por ser um dos mais conhecidos e que foi refutado em meados 1960, quando estudiosos questionaram em sendo o universo finito, que haverá fora dele?

Enfim, se não tomarmos cuidado, eis que avançaremos antes da hora até a questão 35 do Livro dos Espíritos. O que pretendemos ressaltar é como as coisas vão tomando concepções e essas mesmas concepções vão sendo rechaçadas e retificadas em breve espaço de tempo (no caso do Big-Bang em apenas uma década) e, as concepções colocadas pela Codificação, permanecem ao longo de mais de 150 anos. E se perpetuarão, pois são a expressão da verdade revelada pela Espiritualidade imbuída desta missão.

8. O que pensar da opinião que atribui a formação primária a uma combinação fortuita da matéria, ou seja, ao acaso?
Resp.: Outro absurdo? Que homem de bom senso pode considerar o acaso como um ser inteligente? E, além disso, o que é o acaso? Nada. A harmonia que regula as forças do Universo revela combinações e fins determinados, e por isso mesmo um poder inteligente. Atribuir a formação primária ao acaso seria uma falta de senso, porque o acaso é cego e não pode produzir efeitos inteligentes. Um acaso inteligente já não seria acaso.

Deve ser dessa resposta que vem a nossa postura de que o acaso não existe e nem as coincidências...

Se olharmos de uma forma ampla, veremos que estas forças do Universo são efeitos, que hão de ter uma causa, e não afirmamos que elas constituam a Divindade.

São forças materiais e mecânicas e em verdade, não são por si mesmas inteligentes, mas são postas em ação e em seqüências apropriadas às necessidades de cada coisa, por uma inteligência que não é a nossa.

A utilidade da aplicação destas forças é, sem sombra de dúvidas, um efeito inteligente, que denuncia uma causa inteligente.

Utilizando um exemplo retirado de estudos espíritas, temos:

A existência do relógio atesta a existência do relojoeiro; o engenho do mecanismo atesta-lhe a inteligência e o saber. Quando um relógio nos dá o momento preciso, a indicação de que necessitamos já nos ocorreu dizer: "Aí está um relógio bem inteligente"?
 

Exposição: Fiorell@!

 

 

 

Questões 9 a 13

Boa noite a todos. Que seja a paz do Mestre a nos envolver e amparar nestes estudos.

Vimos no encontro anterior, algo sobre Deus e a forma como passou a ser abordado após o advento da Codificação Espírita, ou seja, que Kardec ao questionar os Espíritos, questionou perguntando O QUE ERA Deus e não QUEM ERA, tirando assim a personificação humana que damos a Deus.

Vimos também sobre o infinito como forma de abordagem a Deus, se ele seria o infinito. Por fim, adentramos às questões sobre a prova da existência de Deus passeando um pouco pela ciência, pelo sentimento inato sobre Deus (ou a Divindade) que trazemos conosco, pelas Leis de Causa e Efeito e pelo acaso.

Lembrando uma definição interessante que encontrei nesta semana:

“Deus é um dos conceitos mais antigos e fecundos do patrimônio cultural da humanidade. Deriva do indo-europeu deiwos (resplandecente, luminoso), que designava originariamente os celestes (Sol, Lua, estrelas etc.) por oposição aos humanos, terrestres por natureza.

Psicologicamente corresponde ao objeto supremo da experiência religiosa, no qual se concentram todos os caracteres do numinoso ou sagrado. (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado)”.

Ainda, é uma denominação conhecida como supremo criador das religiões cristãs, judaica e islâmica. Bom...

Hoje, finalizamos este item PROVAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS, com a questão de número nove, aonde encontramos:

9. Onde se pode ver, na causa primária, uma inteligência suprema, superior a todas as outras?
Resp.: Tendes um provérbio que diz o seguinte: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem: vede a obra e procurai o autor! É o orgulho que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si, e é por isso que se considera um espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater! Julga-se o poder de uma inteligência pelas suas obras. Como nenhum ser humano pode criar o que a Natureza produz, a causa primária há de estar numa inteligência superior à Humanidade. Sejam quais forem os prodígios realizados pela inteligência humana, esta inteligência tem também uma causa primária. É a inteligência superior a causa primária de todas as coisas, qualquer que seja o nome pelo qual o homem a designe.

Lá vem nosso grande entrave: o orgulho. Não sinto que exista muito a comentar sobre esta questão, tão bem esmiuçada em sua resposta dada pela espiritualidade, assim como em seu complemento dado por Kardec.

Se, deste ponto em diante, alguém continuar inseguro quanto á existência de Deus, seria melhor parar e refletir. Seria melhor ser franco consigo mesmo: o que está me impedindo de aceitar a existência de Deus ou de uma força suprema, que dentro de sua inteligência superior criou a tudo e a todos.

Será que existe outra palavra para designar esse criador? Não será nosso orgulho e ausência de humildade que não nos permite pensar e pronunciar nossa crença na existência de Deus?

Creio que com o próximo item ATRIBUTOS DA DIVINDADE, poderemos quem sabe, visualizar Deus de uma forma totalmente diversa daquela em que estamos habituados e com a qual criamos tantos traumas e medos infundados, afinal, para a concepção de muitos, tudo que dá errado em nossa vida é castigo de Deus. E Deus deve viver de chicote na mão, açoitando os incautos do caminho....uffa....vamos conhecer mais de Deus, dentro de nossas limitações e disposições.

10- O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?
Resp.: - Não. Falta-lhe, para tanto, um sentido.

Qual sentido nos falta, companheiros? Exato, a visão espiritual, visão que como já nos foi dito anteriormente, haveremos de adquirir com a depuração de nosso espírito, com sua lapidação.

No momento, nos encontramos tal qual o viajor que se vê envolvido pela penumbra noturna e não consegue divisar a estrada. Embora este viajor tenha a luz da Lua e das Estrelas para iluminar a estrada (em nosso caso as conquistas elevatórias já adquiridas, os irmãos espirituais e carnais que já avançaram determinados pontos da estrada, os ensinamentos trazidos através das eras, etc), ainda assim não consegue divisar o caminho de forma clara e nítida. Somente quando amanhecer e a claridade do sol se fizer presente isso lhe será possível.

Em muitos dias, terá nevoeiros e chuvas densas a permear-lhe o caminho, e muito embora o sol esteja temporariamente ofuscado, estará presente. Aquilo que se adquire verdadeiramente, não se perde. Por vezes, permanece adormecido, mas não se perde.

Tenhamos sempre a certeza de que este sentido que nos falta é acessível a cada um de nós, do contrário, Deus não seria tudo aquilo que vamos ver mais adiante. E por falar em ver mais adiante, atentemos para a questão 11:

11- Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?
– Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então a verá e a compreenderá.
☼ A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições; mas, à medida que o senso moral nele se desenvolve, seu pensamento penetra melhor o fundo das coisas e ele faz então a seu respeito, uma idéia mais justa e mais conforme com a boa razão, embora sempre incompleta.

Justamente o que falávamos anteriormente. E Kardec salienta que se olharmos a humanidade com os mesmos olhos com que olhamos os homens em sua individualidade, veremos que crer em Deus com imperfeições características dos homens, nada mais é do que uma visão de quem ainda está na infância espiritual.

Vejam que interessante a citação de Kardec à esta resposta e que vem ao encontro do que os Espíritos disseram ser a nossa matéria obscurecida: ‘à medida que o senso moral nele se desenvolve...’

Como desejar as Luzes da espiritualidade, se ainda permanecemos chafurdados em nossas imperfeições e em nossos erros? Precisamos crescer, evoluir e retificar nossa moral. Do contrário, alcançaremos apenas as luzes da ribalta, luzes externas ao palco e permaneceremos na escuridão do palco de nossa alma. Reflitamos....sempre....

E quando Kardec salienta que mesmo com essa lucidez espiritual ainda vemos as coisas de forma incompleta, quer dizer enquanto matéria não nos será permitida essa visão, salvo casos de missionários encarnados entre nós – um deles, Jesus.

Ao falar isto, fico a pensar. Temos o desejo ardente de ver, conhecer e compreender Deus. No entanto, um de seus próximos que em profunda generosidade nos visitou e trouxe-nos suas mensagens de paz, não conseguimos sequer apreender. Jesus nosso governante e responsável por nosso Planeta, ainda hoje em que nos achamos mais evoluídos e compreensíveis que há 2000 anos atrás, está distante de nossas palavras, de nossos pensamentos e de nossos exemplos.

De forma incompleta o temos em nós. Assim como outros pequenos irmãos dos quais adoramos repetir frases e pensamentos. Nada de errado nisto, por favor, apenas gostaria que percebessem o comparativo e o grande caminho que temos a percorrer.

Quem está à frente de algum grupo ou instituição, consegue imaginar-se agindo como Emmanuel, por exemplo? Consegue apreender-lhe, por exemplo, os ensinamentos e ser um seu discípulo fiel? Ainda não, né gente? Muito temos que caminhar e galgar....ouçamos as palavras de Jesus que nos diz: "Pois se nem ainda podeis fazer as coisas mínimas, por que estais ansioso pelas outras?" (Lucas, 12:26)

Vamos lá, questão 12 do Livro dos Espíritos:

12 Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?
– Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria. Ele as pressente pelo pensamento.

Creio que nesta pergunta de Kardec, que de certa forma reporta um pouco da ansiedade que nos toma em relação ao um dia conhecermos realmente Deus, podemos perceber que existe sempre o conforto amoroso a nos rondar e o estímulo da reforma íntima a nos mover.

Muitos de nós sentam-se placidamente em almofadas confortáveis, macias e cheirosas e afirmam: ainda estou longe de galgar tamanha perfeição, precisei de muitas encarnações para chegar aonde cheguei, muito tempo ainda terei, novas encarnações virão, oportunidades me serão dadas sempre e por aí vai. Gente vamos acordar!!!!

Acordemos para a realidade!!! Digamos que nosso Planeta é um reflexo de nossa responsabilidade. Somos muitos a nele habitar, nem tudo está ao nosso alcance. Mas, somos muitos em diversas tarefas, buscando sua melhoria e sua preservação.

Em muitos momentos, estamos impotentes diante dos feitos alheios e alguns exemplos básicos seriam: bombas, massacres, desmatamentos,etc.. Mas, também somos pequenos núcleos.

E em nosso pequeno núcleo temos deveres e responsabilidades e através deles, desencadeamos reações. Embora ninguém esteja vendo, todos sentem os resultados do desperdício de água que geramos, do lixo que jogamos em local errado, do nosso consumismo desenfreado e trazendo pra o espiritual da coisa, das emanações negativas que proporcionamos, dos desregramentos que cometemos, da alegria que semeamos ou privamos e por aí vai.

O tempo urge, companheiros. Sempre afirmo isso. E não é pressa ou achar que devemos dar um passo maior daquilo que está ao nosso alcance, mas sim o fato de que temos o potencial, temos as ferramentas e temos os alicerces. Falta-nos a força de vontade (desejo alguns até tem...vivem lamuriando pelos cantos: eu quero tanto, mas não consigo....) e o empenho necessário. Infelizmente, devo mais uma vez dizer: falta-nos a disciplina.

Deixamo-nos levar por fugazes momentos prazerosos e colocamos a perder tempo precioso em nossa evolução. Gozemos as alegrias terrenas, mas gozemo-las com responsabilidade e retidão. São muitas e não haverão de nos faltar, caso observemos os direcionamentos que recebemos através de Moisés e reiterados por Jesus em uma máxima simples: Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.

Se ainda não sabemos amar ao próximo como a nós mesmo, então vamos lá atrás buscar os mandamentos e deixa-los à vista para não escorregarmos em pequenas práticas diárias. Lembrando aos desavisados que, aquele que fala é sempre o primeiro a ouvir....ou seja, o que digo para vocês, serve primeiramente a mim. Obrigada pela oportunidade de rever isso.

Em A Gênese segundo o Espiritismo, podemos encontrar a seguinte passagem: “Mas, se o homem não pode penetrar o conhecimento de sua essência, desde que aceite sua existência como premissa (ou seja como elo de compreensão, tem que se crer que Ele existe), pode pelo raciocínio, chegar ao conhecimento de seus atributos”, que cá para nós, não fossem estes tais atributos, não estaríamos aqui neste momento, ou seja não existiríamos. Então, acreditemos ou não em Sua existência a verdade é que ele Existe.

E para que creiamos, mas não ás cegas, temos a Codificação para nos auxiliar a crer de forma raciocinada. Bom, seguindo em nossos estudos temos a elucidativa questão número 13:

13 Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?
– Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo. Mas ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente e para as quais a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e sensações, não dispõe de expressões.

Neste ponto, gostaria de fazer um aparte. Em observando-se a inteligência e obviedade que deriva dela, em muitos momentos, os intelectuais devem ser deparar com o sentimento de impotência e frustração por não poderem explicar, frente á sua imensa sabedoria o que ou quem é Deus.

Já neste ponto, cabe-me frisar que intelecto, sapiência e evolução são coisas que caminham de forma distinta. Existem pessoas de uma inteligência ímpar, mas que não possuem a evolução/moralidade condizente. Outras, possuem uma sabedoria inata, mas desconhecem a inteligência, ou seja, mal sabem ler e escrever. Outras são tecnicamente evoluídas, mas não são sábias.

Vale sempre a pena frisar este detalhe, porque em muitos momentos encontramos pessoas que destilam uma verbalidade ímpar, mas de um conteúdo lastimável. Vamos lá....

A razão vos diz, de fato, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, pois se tivesse uma só de menos, ou que não fosse em grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus.

Para estar acima de todas as coisas, Deus não deve estar sujeito a vicissitudes e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação é capaz de conceber.

Neste ponto, mais uma vez frisando o que a Espiritualidade nos oferta, imaginem aquela visão de que Deus é similar ao ser humano ou seja, a visão antropomórfica. Está lá Deus em um de seus dias em que errar é humano e pronto, quando vê uma de suas criaturas que teima em não evolui r em não crescer, vai lá e despeja sua ira, sua cólera e sua maldição. Será que podemos aceitar essa visão?

Já falamos muito disto, mas não custa frisar, afinal sem percebermos afirmamos isso continuamente: Se Deus quiser estarei lá!! Se for da vontade de Deus ocorrerá tal coisa. E, neste emaranhado de palavras, descartamos as suas Leis imutáveis, descartamos o nosso livre-arbítrio, a intercessão, o merecimento e tantas outras coisas.

Nossa gratidão deve residir no fato de termos sido feitos à sua imagem e semelhança e, como Jesus nos alertou, a nossa Fé haverá de mover montanhas. E não de que Deus amanheceu de bom humor e resolveu ser caridoso com um de seus filhos.

Neste ponto, temos a desculpa de que o Velho testamento ainda bate em nossa mente tal qual martelo em ferro frio. Mas, se quisermos ter uma utilidade para estas duas ferramentas, devemos aquecer o ferro com o novo testamento e, de lá, apreendermos os ensinamentos de Jesus.

Moisés tem seu mérito, assim como a Bíblia. Necessário apenas, saibamos interpretar a ambos, para não acreditarmos, por exemplo, que DEUS teria mandado OS HEBREUS DESPOJAREM OS EGÍPCIOS ao incitar que roubassem suas jóias de prata e de ouro para "não saírem de mãos vazias" do Egito (Exôdo. 3.21e 22).

Bom...vamos ás colocações de Kardec acerca dos atributos de Deus. Ele nos diz:
☼ Deus é eterno. Se Ele tivesse tido um começo teria saído do nada, ou teria sido criado por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade.

Lá em A Gênese podemos ler ainda que “Deus não teve começo e não terá fim. Tivesse tido um começo, teria saído do nada. Ora, não sendo o nada coisa alguma, coisa alguma poderia produzir. Ou então, teria sido criado por um ser anterior; neste caso, este ser é que seria Deus.”

Seria uma forma de ficarmos infinitamente ‘imaginando’, pois se concebêssemos um ser antes de Deus e que poderia existir depois Dele e assim sucessivamente.

Exposição: Fiorell@!

 

 

 

Questões 14 a 20


No encontro anterior, principiamos a falar das características de Deus. Falamos a partir do item 13 aonde os Espíritos nos alertaram de que há coisas acima da inteligência mais admirável e Kardec nos mostrou alguns atributos divinos esmiuçados, dentre eles, o de ser Eterno.

Hoje, prosseguiremos a partir do imutável, ou seja Deus:

É imutável; se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo não teriam nenhuma estabilidade.

Eis aquilo que afirmamos sempre que nos referimos às Leis que regem a vida. Elas são imutáveis. As variáveis ocorrem segundo as nossas obras e não segundo a nossa vontade. Já imaginaram as Leis universais serem como as Leis terrenas?

Já imaginaram as discrepâncias que temos de um país para outro e, até mesmo dentro do próprio país em seus estados? Um exemplo básico e triste é a Lei que permite o aborto. Aceita em alguns países, repudiada em outros. Que seria de nós se Deus você assim tão variável, não?

É imaterial, ou seja, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria; de outro modo não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria.

Esta parte é assaz interessante. Em A Gênese temos o comentário de Kardec, enfatizando a imaterialidade de Deus. Inclusive, cita as figuras que lhe damos, dentre as mais conhecidas, o velhinho de brancas barbas. Afora quando falamos de que Ele está de Olho em nós, que nos segura na palma da mão.

Segundo Kardec, algumas representações chegam a ser ridículas por rebaixarem o Ser supremo, Deus, às mesquinhas proporções da humanidade, o que mostra que, daí a um passo, podemos atribuir-lhe as paixões humanas, além da visão de um Deus justiceiro, nervoso e ciumento....

Sei que algumas pessoas não vêem maldade em pequenas coisas, como as destes exemplos dados por Kardec, mas já pararam para refletir sobre o que ele busca nos transmitir? Da mesma forma que podemos atribuir a Deus nosso sentimento amoroso e de zelo, por que não Lhe atribuir nossos sentimentos mesquinhos? Dois pesos e duas medidas?

Certa feita li que a diferença entre o ganhador e o perdedor é mínima, ainda assim, é ela quem faz a diferença. Trazendo para o comportamento mental, pensaram como acontece?

Diante das nossas fragilidades e imperfeições, na hora da dor e da provação, teremos a serenidade necessária para lembrarmos que Deus é um Ser apenas de Amor? Enfim, afora o profundo respeito demonstrado por Kardec.

É único; se houvesse vários deuses, não haveria unidade de vistas, nem unidade de poder na organização do universo.

É todo-poderoso, porque é único. Se não tivesse o soberano poder, haveria alguma coisa mais ou tão poderosa quanto Ele; que assim não teria feito todas as coisas e as que não tivesse feito seriam obras de um outro Deus.

Nesta parte, podemos buscar muitas linhas de raciocínio. A que me chamou a atenção, foi a de que, se Deus não é único, então existem outros seres como Ele. Em existindo outros similares a Deus, estes também seriam deuses. E lá vamos nós entender o porque das idéias politeístas, geradas por pura ignorância do princípio do infinito das perfeições de Deus.

Destrinchando esse trem que li lá em A Gênese, temos que por desconhecerem os ditames das infinitas perfeições de Deus, é que os povos primitivos cultuavam vários deuses. Tudo o que lhes era mais forte, inacessível ou acima das razões humanas, virava um deus. Deus raio, trovão, deusa chuva, deusa lua e por aí vai.

Com o caminhar da compreensão do que era atribuído a Deus, foram retirando as simbologias. Ou seja, atualmente podemos conceber que “Deus não pode ser Deus senão com a condição de não ser ultrapassado em nada por outro ente; pois então, o verdadeiro Deus seria aquele que o ultrapassasse e qualquer assunto mesmo que não excedesse da espessura de um cabelo; para que tal não se Dê, precisa que Ele seja infinito em todas as coisas” Gênese item 18, cap. II.

É soberanamente justo e bom. A sabedoria providencial das Leis Divinas se revela nas menores como nas maiores coisas, e esta sabedoria não nos permite duvidar de sua justiça nem de sua bondade.

Quantas vezes gritamos que estamos sendo injustiçados? Quantas vezes achamos que falta bondade entre aqueles que nos cercam? Quantas vezes já achamos que algo deveriam ter ocorrido de forma diferente por, justamente, acharmos que faltou justiça na situação.

Em trocadilhos, posso pensar que eis uma grande justeza nossa...Fatos que nos pareçam injustos, contém em seu fundo, a justiça de Deus agindo. Por exemplo: determinado é notoriamente culpado em uma situação, mas parece que a vida continua a lhe sorrir enquanto que aos envolvidos restou apenas a dor e o pranto.

Deus não compactua com aquele que erra, mas se em determinado momento, parece-nos que ele sai ileso, não podemos nos esquecer de que seus atos estão gravados para a eternidade.

Aos envolvidos que debulham-se em lágrimas em lágrimas e sentimentos de coitadeza e lamúria, eis o momento de crescer. Muitas vezes, Deus e Pai amoroso, nos envia os alertas e ensinamentos de forma que saibamos capta-los. Se nossa maturidade emocional assim não o permite, entra a segunda parte da oportunidade: a dor!!

Turrões que somos, aprendemos, infelizmente, na maioria das vezes, com a dor. E quantos ainda, diante da dor, ao invés de nos elevarmos, crermos e confiarmos em Deus e em sua soberana justiça, ainda nos quedamos nas tramas da vingança, do ódio e da revolta?

Não nos recordamos que, em muitos casos, temos a dor como depuradora de nossos espírito. Não falo do auto-flagelo, ok? Aquele lance de nos incutirmos a dor e de ficarmos deleitando-nos em experiências que já foram, já passaram e que só estão vivas em nossa memória.

Bom, este é nosso Deus. Nosso Criador e nosso Pai.

Adentrando ao item IV do capítulo primeiro, do primeiro livro, temos PANTEÍSMO. Vamos às definições e ao significado de panteísmo:

Panteísmo: doutrina filosófica segundo a qual só Deus é real. Tudo o que existe é a manifestação de Deus, que por sua vez é a soma de tudo o que existe.

Seria básico se não fosse complicado. Já estudamos o panteísmo, dentro da codificação, algumas vezes, mas não nos custa relembrar e rever. Nesta visão, se olharmos sem analisar, veríamos que somos invenção de Deus, e não seres com individualidades e potenciais, como já aprendemos.

Diante dela ,seriamos juntamente com os universos, apenas uma manifestação de Deus. (Emanetismo Doutrina panteísta segundo a qual os seres originam-se saindo do Criador, não por criação, mas por uma espécie de extensão ou derivação.)

Para quem gostar de ler sobre o assunto e suas variáveis, eis este artigo de José Reis Chaves, fala de importantes fatos envolvendo-o, assim como a igreja católica e alguns filósofos que trouxeram o Panteneísmo, mais tarde aceito pela igreja

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/jose-chaves/panteismo-e-panenteismo.html

Vejamos a questão de número 14:

14. Deus é um ser distinto, ou seria segundo a opinião de alguns, o resultante de todas as forças e de todas as inteligências do Universo, reunidas?
- Resp.: - Se assim fosse, Deus não existiria, porque seria efeito e não causa; ele não pode ser ao mesmo tempo, uma coisa e outra.

Teríamos aí a união de todos os elementos criando Deus e, como vimos anteriormente, uma porta aberta pata que Deus fosse falho, afinal, embora tudo seja perfeito e caminhe em sincronia, algo poderia estar em desarmonia, criando assim uma entidade falha ou passiva de erros.

E ainda, se Deus fosse o efeito de tudo quanto conhecemos, seria fácil refazermos suas obras, bastaria acharmos a fórmula correta e teríamos o poder de criar, pois seríamos parte do efeito e da causa. Por isso, olhem o conselho que recebemos:

- Deus existe não o podeis duvidar, e isso é o essencial. Acreditai no que vos digo e não queiras ir além. Não vos percais num labirinto, de onde não podereis sair.
Isso não vos tornaria melhores, mas talvez um pouco mais orgulhosos, porque acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis.

Se hoje em dia nos sentimos orgulhosos por sermos amigos do dono da padaria ou da farmácia lá da esquina, imaginem se conhecêssemos Deus? Quantos de nós já não alardearam que conhecem Chico pessoalmente?

Embora hajam muitos conceitos embutidos nas situações, mas quantos de nós já não tentamos viajar de carona em alguma figura conhecida? Tenho um irmão que é médico, tenho uma sogra que é dona de tal loja no shopping, meu cunhado é professor em tal escola renomada...uffa, gente, será que em alguns momentos não é nosso orgulho e auto-projeção que estão falando alto?

Imaginem a falta de sossego que seria para Deus!! A romaria que não seria? Os testes que fariam. Retirariam até pequenos pedaços Dele, querendo estudar, esmiuçar, refazer, conhecer. E olhem o que a espiritualidade nos diz acerca disto:
Deixai, pois de lado, todos esses sistemas; tendes que vos desembaraçar de muitas coisas que vos tocam mais diretamente. Isto vos será mais útil do que querer penetrar o que é impenetrável.

Estava lembrando de um amigo que diz que nunca viu Deus, portanto, Deus não existe...uffa....então o cara é tão the best, que se ele deitar os olhos, haverá de se confirmar a verdade de Deus? Quando brinquei com ele, sobre a verdade dele levar a sério demais a frase de que ‘sois deuses’, ele não entendeu...mas eu entendi!! Estava diante de alguém tão soberbo que, embutido na frase dele, havia um pote repleto de orgulho e empáfia, afinal ele poderia validar ou não a Deus.

Por outro lado, se formos comedidos ou seja, se a criatura chegou a esta conclusão após estudos, veremos que ele pode apenas ser um agnóstico ateísta, ou seja, alguém que não conhecendo a existência de Deus, não acredita que ele exista.

As bases filosóficas do agnosticismo foram assentadas no século XVIII por Immanuel Kant e David Hume, porém só no século XIX que o termo agnosticismo seria formulado. Seu autor foi o biólogo britânico Thomas Henry Huxley - avô paterno do escritor Aldous Huxley (autor do romance distópico Admirável Mundo Novo) - numa reunião da Sociedade Metafísica, em 1876. Ele definiu o agnóstico como alguém que acredita que a questão da existência ou não de um poder superior (deus) não foi nem nunca será resolvida.(fonte Wikipédia).

Eis porque não devemos julgar. Embora determinadas coisas nos pareçam arrogância ou orgulho, podem ser apenas o resultado sério de estudos e crenças desenvolvidos por determinados seres. Da mesma forma que temos o direito de crer em espíritos e etc, esses irmãozinhos têem o direito de não crer.

Mas, se focarmos pelo lado de quem afirma sem nunca ter lido uma linha, apenas por vaidade, teremos aquilo justamente aquilo que a espiritualidade nos conclama a retirarmos de nós: nossas mazelas e imperfeições, nosso orgulho e nossa vaidade. Como querer conhecer algo tão superior, se mal nos conhecemos. E vocês ainda vão dizer: Fiorella, você está sendo repetitiva, mas gente?

Se podemos afirmar convictamente que nos conhecemos, eu me pergunto: e por que erramos ainda? Se tanto nos conhecemos, por que ainda carregamos tantas coisas ruins? Se nos conhecemos tão amiúde, por que ainda não realizamos somente o bem?

Porque ainda precisamos caminhar. Ainda precisamos usar o nosso conhecimento de forma produtiva. Que faríamos com o conhecimento sobre Deus, então? Espero não ter viajado muito....

Enfim, não é por nada, mas estão mandando a gente cuidar da nossa vida.... Nada contra a evolução, ou compreendermos o motivo pelo qual aqui estamos, mas como muitos adoram dizer: tudo a seu tempo! Ainda não nos é possível adentrar a determinados pontos, e um deles, é justamente o íntimo de Deus. Na questão 15, temos:

15. Que pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do universo, seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo seu conjunto, a própria Divindade; ou seja, que pensar da doutrina panteísta?
Resp.: Não podendo ser Deus, o homem quer pelo menos ser parte de Deus.

Simplificando, temos que para o Panteísmo tudo é parte de Deus, que tudo que existe, em conjunto, formam o próprio Deus,e nisto é contrário ao o que o Espiritismo acredita , pois dentro da Codificação aprendemos que "Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas"..

16.Os que professam esta doutrina (panteísmo) pretendem nela encontrar a demonstração de alguns atributos de Deus. Sendo os mundos infinitos, Deus é por isso mesmo, infinito; o vácuo ou o nada não existindo em parte alguma, Deus está em toda parte; Deus estando em toda parte, pois tudo é parte integrante de Deus, dá a todos os fenômenos da natureza uma razão de ser inteligente. O que se pode opor a este raciocínio?
Resp.: A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.

Se refletirmos veremos que Deus compõe cada coisa, ou seja, é cada coisa. E em sendo cada coisa, não é único, nem imutável, nem soberano. Totalmente contrário ao que aprendemos com a codificação. Panteísmo é a visão de que a Natureza e Deus são um, que o mundo é divino.

O Panteísmo é considerado ateísta por aqueles que defendem uma fonte separada e transcendente do mundo. Muitos teólogos e filósofos cristãos consideram o Hinduismo e o Budismo, tal como a filosofia de Spinoza, como ateístas. Cautela com as palavras "ateísta" ou "ateu", pois o ateísmo representa a ausência de crença na existência de Deus/divindades, não necessariamente a negação da existência de Deus.

Vejamos o complemento de kardec:

Esta doutrina (Panteísmo) faz de Deus um ser material que, embora dotado de inteligência suprema, seria em ponto grande aquilo que somos em ponto pequeno. Ora, a matéria se transformando sem cessar, Deus, nesse caso, não teria nenhuma estabilidade e estaria sujeito a todas as vicissitudes e mesmo a todas as necessidades da humanidade; faltar-lhe-ia um dos atributos essenciais da Divindade: a imutabilidade.

Semana passada usamos como exemplo que se Deus fosse similar à nós, poderia estar sujeito à TPM e acordar de mau-humor, perseguindo assim, seus filhos que estivessem em erro. É claro que os homens adoraram, mas hoje virei em socorro ás mulheres...Imaginando que Deus seria nossa versão aumentada, como quer crer o Panteísmo, imaginem Deus sendo homem e beirando os quarenta....que estrago não seria!!.....pronto meninas, sintam-se vingadas....mas, voltemos a falar sério....Kardec complementa:

As propriedades da matéria não podem ligar-se à idéia de Deus, sem que o rebaixemos em nosso pensamento, e todas as sutilezas do sofisma não conseguirão resolver o problema de sua natureza íntima. Não sabemos tudo o que ele é, mas sabemos aquilo que não pode ser, e este sistema está em contradição com as suas propriedades mais essenciais, pois confunde o criador com a criatura, precisamente como se quiséssemos que uma máquina engenhosa fosse parte do mecânico que a concebeu.

Neste ponto, só nos resta relembrar o exemplo do relógio. Sua perfeição e exatidão não fazem significar que ele seja inteligente. O mesmo em se tratando de Deus. Ele está presente em tudo, como Criador, mas não significa que tudo seja Deus. E se formos pelo descarte do que sabemos que Deus não pode ser, veremos como será mais simples compreendermos, ainda que superficialmente, um pouco de sua natureza.

Finaliza Kardec: A inteligência de Deus se revela nas suas obras, como a de um pintor no seu quadro; mas as obras de Deus não são o próprio Deus, como o quadro não é o pintor que o concebeu e executou.

Parece-nos um pouco repetitiva esta parte, companheiros, mas se vocês prestarem atenção, verão que talvez, na próxima semana, ainda tenham dúvidas ou não saibam explicar exatamente a diferença entre a idéia de que Deus está em tudo que existe, mas não é tudo.

Nada nos impedirá de, a qualquer momento, voltarmos nesta questão. Se não ficou clara para alguém, vamos exercitar o raciocínio e pensar, questionar. Aqui estamos para isso. E para quem quiser conhecer um pouco mais do panteísmo segundo seus defensores, trouxe-lhes um endereço:

http://www.panhuasca.org.br/portugues/principal.htm .

Aliás, fato interessante que pude observar no decorrer destes estudos, é que se nós temos dificuldades com os espiritualistas e místicos que se afirmam espíritas querendo trazer para a Doutrina uma pitada de suas crenças, dentro dos panteístas, dos agnósticos, dos hinduístas e tantas outras crenças ou filosofias, também existem as subdivisões e as diferenças.

Ou seja, a unicidade ainda não chegou para nenhuma!! Bom, no capítulo II, do Livro Primeiro, temos o subtítulo ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO – item I – CONHECIMENTO DO PRINCÍPIO DAS COISAS.

17. Pode o homem conhecer o princípio das coisas?
Resp.: - Não. Deus não permite que tudo seja revelado ao homem, aqui na terra.

É aquele ponto em que vimos na questão 10. Falta-nos um sentido. Falta-nos depuração para termos o direito ou merecimento para conhecermos tudo. Saber o princípio das coisas, ter domínio sobre o tempo e ter todas as percepções são coisas de espíritos muito evoluídos.

18. O homem penetrará um dia o mistério das coisas que lhe são ocultas?
Resp.: O véu se ergue na medida em que ele se depura; mas, para a compreensão de certas coisas, necessita de faculdades que ainda não possui.

19. O homem não poderá, pelas investigações da Ciência penetrar alguns dos segredos da Natureza?
Resp.: A Ciência lhe foi dada para seu adiantamento em todos os sentidos, mas ele não pode ultrapassar os limites fixados por Deus.

Quanto mais é permitido ao homem penetrar nesses mistérios, maior deve ser a sua admiração pelo poder e a sabedoria do Criador. Mas, se já por orgulho, seja por fraqueza, sua própria inteligência o torna frequentemente joguete da ilusão. Ele acumula sistemas sobre sistemas, e cada dia que passa mostra quantos erros tomou por verdades e quantas verdades repeliu como erros. São outras tantas decepções para o seu orgulho.


20. Pode o homem receber, fora das investigações da Ciência, comunicações de uma ordem mais elevada sobre aquilo que escapa ao testemunho dos sentidos?
Resp.: Sim, se Deus o julgar útil, pode revelar-lhe aquilo que a Ciência não consegue apreender. É através dessas comunicações que o homem recebe, dentro de certos limites, o conhecimento do seu passado e do seu destino futuro.


 

Exposição: Fiorell@!

 

 

 

Questões 21 a 22

Hoje, seguindo através da questão 21, temos:

21. A matéria existe desde toda a eternidade, como Deus, ou foi criada por Ele num certo momento?
Resp.:- Só Deus o sabe. Há, entretanto, uma coisa que a vossa razão deve indicar: é que Deus, modelo de amor e de caridade, jamais esteve inativo. Qualquer que seja a distância a que possais imaginar o início de sua ação, podereis compreende-lo um segundo na ociosidade?

Interessante como a espiritualidade assume seu limite de conhecimento, não? Poderia, em não sendo um espírito sério, divagar, criar teorias, mostrar por analogias. Emmanuel, enfatiza isso ao afirmar que:

“O primeiro instante da matéria está, para os Espíritos da minha esfera, tão obscuro quanto o primeiro momento da energia espiritual nos círculos da vida universal. Compreendemos, contudo, que, sendo Deus o Verbo da Criação, o “nada” nunca existiu para o nosso conceito de observação, porquanto o Verbo, para nós outros, é a luz de toda a Eternidade.”(O consolador, 1940)”

Emmanuel, valoroso obreiro do espiritismo, em 1940 falando que para espíritos da envergadura dele ( ou até maiores) ainda é desconhecido o nascimento da matéria. Pouco mais de meio século após o lançamento do Livro dos Espíritos e pouco mais de meio século atrás....terá mudado alguma coisa? Valerá a pena nossa especulação neste sentido?

Bom, diante da resposta ofertada pelos Espíritos a kardec, ainda podemos pensar em algumas coisas. Em alguns ângulos. Um destes ângulos é o de que por mais ínfima que nos pareça a criação (uma partícula de qualquer coisa, por exemplo), houve ali o empenho de Deus.

Outra coisa a que somos chamados a refletir é que: Deus que é Deus, não pára de produzir, não cessa de criar. E nós? Já comentei isso antes e comentarei novamente. E nós, que fazemos de nosso tempo?

Aonde empregamos nossas horas de lazer ou descanso? Como readquirimos energias para seguirmos em frente? Talvez seja até esse tipo de reflexão, mais o convívio amiúde aqui na net, mais as coisas que vejo, ouço e sinto, que resolvi preparar um tema para dia destes.

Creio que em breve abriremos a SOB A ÓTICA ESPÍRITA em outros dias além de sábado, para estudarmos temas diversos sob a ótica espírita. E falta só eu empregar melhor meu tempo e concluir esse primeiro tema, que versará sobre Sexo na Internet. Espero conseguir trabalhá-lo de uma maneira que saibamos refletir sobre os diversos ângulos, dentre eles as energias que nos circundam e às quais nos colocamos à mercê. Aceito colaboração, viu povo?

Bom, Kardec está querendo de certa forma, devassar as propriedades da matéria e na questão 22 temos:

22. Define-se geralmente a matéria como aquilo que tem extensão, que pode impressionar os sentidos e é impenetrável. Essa definição é exata?
Resp.:- Do vosso ponto de vista, sim, porque só falais daquilo que percebeis. Mas a matéria existe em estados que não conheceis. Ela pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil que não produza nenhuma impressão nos vossos sentidos; entretanto, será sempre matéria, embora não o seja para vós.

uffa!! Tão etérea e sutil que não produzirá nenhuma impressão em nossos sentidos, ainda assim, será matéria. Se trouxermos para o lado daquilo que já podemos perceber, eis os estudos realizados por Einstein em meados de 1905, por exemplo, nos mostram em sua teoria especial da relatividade, que "matéria e energia são apenas duas manifestações diferentes da mesma realidade física fundamental e que podem converter-se, uma em outra”.

E que tem Einstein a haver com isso, não? Temos aqui matéria e energia se transformando e complementando, E Einstein nos traz através da Ciência terrena a comprovação daquilo que o Espírito nos respondeu sobre ela ser tão etérea e sutil a ponto de não produzir nenhuma impressão aos nossos sentidos. Ou seja, nem sempre somente palpável a matéria, mas principalmente em estados que não conhecemos.

Vejamos ainda o que André Luiz nos disse em 1968 (ano que eu nasci...hehehe) Matéria é uma forma ou um estado ou fase da energia (luz coagulada). Como a luz, a matéria vibra. Quanto maior a freqüência da vibração, menos densa ou sutil será a matéria.

As pesquisas, o conhecimento que vamos adquirindo, embora pareça surpreendente para muitos, embora pareça grego para milhares, ainda assim, não é absoluto e isso considerando-se que a espiritualidade está sempre à nossa frente e nem por isso chegou aonde nós queremos chegar!

A título de curiosidade, trouxe-lhes um link que fala das nebulosas, assunto que demonstra um pouco sobre matéria e energia na prática. Indo até o final da página, vocês verão as considerações pertinentes à matéria e energia, além de cálculos e fórmulas que os cientistas conseguiram detectar e criar “sistemas” que explicariam a criação de tudo e o seu procedimento inverso.

É muito interessante para quem gosta de assuntos ligados à criação do mundo e traz referências aos pensamentos de Pietro Ubaldi:
http://www.guia.heu.nom.br/nebulosas.htm

Finalizando esse trem sobre as propriedades que compõe a matéria, se assim podemos nos expressar, Leon Denis em seu livro Depois da Morte, nos fala muito acerca da matéria, da relação entre ela e o espírito e faz alinhavos interessantíssimos entre as culturas antigas (egípcias e druidas), além de nos trazer à realidade da Doutrina Espírita. Separei este seu trecho aqui:

- “Pode-se, pois, dizer que o mundo é composto de átomos invisíveis, regidos por forças imateriais. A matéria, examinada de perto, esvai-se como fumaça; não tem mais que uma realidade aparente, e base alguma de certeza nos pode oferecer. Realidade permanente, certeza, só há no espírito”.

Depois desta sua colocação, fica-nos fácil adentrar à segunda parte da resposta da questão 22, aonde a espiritualidade nos diz. Aliás, antes de adentrar a esta questão, queria perguntar quem é Leon Denis e qual sua importância para o Espiritismo? Diante desta questão, trouxe-lhes um artigo interessante de Débora Vitorino, que nos apresenta um pouco de Leon Denis:

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/geae/uma-entrevista.html

Leon Denis (1846-1927), um dos maiores e melhores escritores espíritas que já existiram, atualmente, é conhecido por poucos no movimento espírita. No entanto, não era assim há pouco mais de cem anos atrás. Seus livros eram lidos por muitos e responsáveis por inúmeras conversões ao Espiritismo em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. Como escritor e orador espírita, ele abriu mão de sua paz e tranqüilidade para divulgar e defender a Doutrina Espírita.

Hoje em dia, podemos até ter nomes respeitáveis em matéria de doutrina Espírita, mas não significa que devamos perder nossos referenciais ou nossas bases. Quando falamos em estudos dos alicerces e das bases doutrinárias, estes nomes empoeirados devem ser consultados, pois seu conteúdo é mais confiável do que muitas obras atuais, em que o modernismo doutrinário crassa. Enfim, voltando à questão 22:

- A matéria é o liame que escraviza o espírito; é o instrumento que ele usa, e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce a sua ação.

E kardec complementa esta resposta dizendo-nos: De acordo com isto, pode-se dizer que a matéria é o agente, o intermediário, com a ajuda do qual e sobre o qual o espírito atua.

A matéria, principalmente em nosso caso ou em nosso corpo, é aquilo que prende o espírito, sendo ao mesmo tempo por ele utilizado. Ao mesmo tempo em que a matéria é nosso Senhor (ao nos prender) é nossa escrava (ao estar sujeita ao nosso comando).

Comando este que tem suas limitações, mas aqui cabe perfeitamente a lembrança para aqueles que adoram dizer que foi o corpo quem desejou ou o corpo quem quis, que quem está no comando, é o espírito. Tem uma explanação de Leda de Almeida Rezende, muito interessante e que está já prontinha para esclarecer essa parte em que diferenciamos as necessidades do corpo e do espírito. Vejamos:

O corpo, ser material orgânico que nasce, cresce, reproduz-se e morre, para exercer suas funções, dentre as quais manter seu funcionamento e sua sobrevivência, tem atributos, aptidões e necessidades próprias, que ele busca satisfazer, automaticamente, de forma instintiva.

A alma, ser espiritual, que sente, pensa, decide, age e se expressa no mundo material através do corpo, tem também atributos, aptidões e necessidades que lhe são próprias, que a impulsionam a uma evolução contínua, de forma consciente e inteligente.

Enquanto o corpo tende a satisfazer-se, a alma, como ser moral tem de desenvolver-se, educando-se usando os recursos compatíveis à finalidade desse desenvolvimento, que é alcançar a perfeição possível e a felicidade. E o corpo é o instrumento que a alma tem para esse trabalho.

E eis nossa grande responsabilidade. Cuidarmos do corpo (matéria), fazendo com que predomine nossa espiritualidade, ou seja, nossa moralidade. A tão famosa Reforma Íntima que os Espíritas tanto conhecem ou a lapidação do Ser como pode ser encontrado em outros referenciais.

Este texto da Leda está na íntegra neste link aqui:

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/verdade-e-luz/cuidados-com-o-corpo.html

Já Herculano Pires, em A Agonia das religiões, mostra-nos um detalhe importante, quando falamos em matéria. E este detalhe complementa bellamente a resposta dada à questão 22 do Livro dos Espíritos.

Herculano trabalha em cima da frase do já referendado Leon Denis que nos diz que todo o processo de transformação se explica por esta frase genial: A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem.

(...)temos a evolução do principio inteligente a partir dos reinos inferiores da Natureza, onde a mônada, a semente espiritual lançada pelo pensamento divino, desenvolve as suas potencialidades numa seqüência natural em que podemos perceber as seguintes etapas: o poder estruturador no reino mineral, a sensibilidade no vegetal, motilidade do animal, o pensamento produtivo no homem.

A este esquema linear temos de juntar a idéia do desenvolvimento simultâneo de todas essas potencialidades, num crescendo incessante, num processo dialético de dinamismo tão intenso e complexo que mal podemos imaginar.”

Temos ainda esta concepção dada por Leon Denis mostrando-nos a dualidade destas duas naturezas: “O homem participa de duas naturezas: Pelo seu corpo, pelos seus órgãos deriva-se da matéria; pelas suas faculdades intelectuais e morais, procede do Espírito”. (DENIS, 1891, p. 22).

De que nos valeria a matéria sem a espiritualidade? Vamos chegar nessa união, matéria e espírito, nas próximas questões.

 

Exposição: Fiorell@!

 

 

 

Questões 23 e 23a

Relembrando um pouco o último item que foi estudado no encontro anterior, temos que falávamos sobre a matéria. Os meninos colocaram na área de texto a fórmula que representa o espírito que seria E=m ao quadrado.

Conforme fomos entendendo as colocações feitas, vimos que quanto mais depurado o espírito, menos matéria o envolve, tornando-se sutil ou etéreo o seu envoltório. É o sonho de consumo de todos que querem alcançar uma vida espiritual melhor, ou seja, depurar a matéria.

Por isso, mesmo que eu tenha falado disto semana passada, resolvi trazer para que possamos fixar a idéia e a seqüência em nossa mente.

Herculano trabalha em cima da frase de Leon Denis que nos diz que todo o processo de transformação se explica assim: A alma dorme na pedra, sonha no vegetal, agita-se no animal e acorda no homem. Vamos ao Herculano na íntegra:

(...)temos a evolução do principio inteligente a partir dos reinos inferiores da Natureza, onde a mônada, a semente espiritual lançada pelo pensamento divino, desenvolve as suas potencialidades numa seqüência natural em que podemos perceber as seguintes etapas: o poder estruturador no reino mineral, a sensibilidade no vegetal, motilidade do animal, o pensamento produtivo no homem.

“A este esquema linear temos de juntar a idéia do desenvolvimento simultâneo de todas essas potencialidades, num crescendo incessante, num processo dialético de dinamismo tão intenso e complexo que mal podemos imaginar”.

Temos que diante desta reta que se faz entre os processos pelos quais a evolução se dá, de que tudo se desenvolve como que em uma reação em cadeia. Complexo e inimaginável, mas que pode ser explicado quando pensamos em átomos que compõe os materiais e vão sofrendo as transformações sucessivas, assim como aquilo que deriva destas transformações.

Quando trazemos para o ser humano, temos o acréscimo do que denominamos espírito. De que nos valeria, seres viventes, a matéria sem o espírito? Estaríamos na escala animal e não hominal, certo?

Vamos chegar nessa união, matéria e espírito, nas próximas questões, mas antes disso, vejamos sobre o espírito! E é diante deste inimaginável que Herculano cita, que adentraremos a questão 23 do Livro dos Espíritos, aonde:

23. Que é o espírito?
Resp.: - O princípio inteligente do Universo.

Herculano nos explica em Agonia das Religiões que o pensamento divino aglutina a matéria, dando-lhe estrutura, através da qual temos a passagem do pensamento do plano do inteligível para o plano do sensível. Ele usa a divisão de Platão neste sentido: o inteligível é o intelecto divino e o sensível é o plano do sensório, das sensações humanas.

Lembremos ainda esta concepção dada por Leon Deni mostrando-nos a dualidade destas naturezas: “O homem participa de duas naturezas: Pelo seu corpo, pelos seus órgãos deriva-se da matéria; pelas suas faculdades intelectuais e morais, procede do Espírito”. (DENI, 1891).


Ainda respaldada pelas colocações de Herculano Pires, temos que Deus ‘materializa’ o seu pensamento para atingir a sensibilidade do campo material em que o homem vai ser criado.

No ato inicial da criação temos a ação direta e ativa do pensamento divino estruturando a matéria. Uma vez formada essa estrutura, surge um elemento novo que é designado pela expressão princípio inteligente.

O pensamento divino ligado à matéria adquire autonomia, sem com isso desligar-se da fonte que o alimenta. Transforma-se na mônada, elemento básico e estrutural da matéria, de que são compostas as próprias partículas atômicas.

Nesta autonomia surgida após a criação, temos a geração de um novo ser inteligente, um novo ser espiritual, que ainda está ligado ao seu criador.

E para que compreendamos, a palavra mônada procede de Pitágoras, foi empregada por Platão como idéia e desenvolvida modernamente por Leibniz e Renouvier como uma substância inteiramente simples (pura indivisível e refratária a qualquer influência exterior).

A mônada é dotada de uma força interior que a transforma, de potencialidades que se desenvolvem continuamente e de capacidade de percepção e vontade. As mônadas são diferentes entre si no tocante a essas potências internas.

Em A Gênese, temos a citação da Mônada Espiritual. Em conformidade com suas qualidades e propriedades únicas, o princípio espiritual existe desassociado da matéria, caracterizando assim os seres denominados Espíritos, assim como essa mesma propriedade individualizada encontrada na matéria, constituem os reinos da Natureza em seus diferentes corpos, sejam orgânicos ou inorgânicos.

Herculano enfatiza que estas correlações filosóficas são necessárias para entender-se o que é o principio inteligente da concepção espírita. Trata-se, como se vê, do princípio básico de toda a realidade, responsável pela formação dos reinos da Natureza, pelo desenvolvimento da vida e de todas as faculdades vitais e anímicas dos seres. Agonia das Religiões, livro consultado de Herculano para estas colocações.

Quero aproveitar o conhecimento que Herculano perpetuou em seus livros, mostrando um pouco do contexto histórico em que Kardec se encontrava, ao questionar acerca do espírito e até de sua visão ímpar sobre o que era Deus . Em seu livro Curso Dinâmico de Espiritismo, Herculano Pires nos diz que:

Temos que o período denominado como sendo o Milênio Medieval foi aquele aonde predominaram as passagens loucas e trágicas do misticismo criminoso, mas que tais passagens também serviriam de berço para o desenvolvimento da razão guiando o pensamento.

Colocando um freio à imaginação abstrata proveniente de Roma e dos Impérios do Ocidente, foi justamente este período Medieval quem preparou o período do Renascimento aonde as pesquisas metódicas e geradoras de uma cultura realista, aproveitaram positivamente as dolorosas experiências do período anterior.

E Herculano com uma forma toda peculiar de se expressar e pela qual tenho uma certa quedinha, nos diz:

"Foi então que a esquizofrenia mundial revelou-se em definitivo: o espírito humano estava dividido numa cultura fantasiosa, formada pela dogmática absurda das religiões, e numa cultura rebelde, atrevida e exigente, que arrancava os homens da ilusão de um saber confuso, para oferecer-lhes o saber legítimo que iniciara a fase das experiências empíricas e se negara a si mesma no desenvolvimento alucinado do fanatismo religioso."

Experiências empíricas trazendo um conhecimento legítimo em contrapartida ao fanatismo religioso; aonde entram estas questões? Segundo consta do Wikipédia:

'Empirismo é uma doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo geralmente descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo', ou seja, põe em xeque o que vem sendo revelado misticamente e contesta a racionalidade.

Eis aonde Herculano salienta que a partir de então, instalou-se certo caos, aonde pessoas imbuídas de uma rebeldia fundada e sedentas de respostas concretas, partiram para a pesquisa séria e aprofundada, descartando aquilo que as religiões tentavam nos colocar como dogmas e verdades incontestáveis.

Temos um desfile de nomes que nos são conhecidos indo desde Lutero, passando por Galileu, Copérnico, Giordano Bruno, Abelardo, Descartes, chegando até Kardec.

E em sua pergunta sobre o que é o Espírito, Kardec mostra-se um destes destemidos, retirando o véu da Fé cega e absurda, dando passagem ao retorno da Razão esclarecida e da pesquisa científica. Kardec estava no Renascimento. Olhem que interessante, não?

Podemos observar não só uma seqüência lógica em suas perguntas e questionamentos, mas como também o seu vasculhar mais além. Kardec poderia contentar-se com as respostas que lhe eram apresentadas e, assim, permanecer na tal da Fé cega, mas além de esmiuçar ainda mais as respostas que lhe pareciam incompletas (como se os Espíritos que o orientavam fossem fornecer algo incompleto, quando na verdade, falta-nos o discernimento para compreender a lógica simples e direta deles), também efetuava experimentos e pesquisas científicas para corroborar, na medida do possível, aquilo que lhe era dito.

Tendo como resposta que espírito é o princípio inteligente do universo, vê que esse elemento, o espírito, é muito mais daquilo que até então fora percebido e apreendido.

Através da contenção da emoção e da imaginação, Kardec ligou a fé à razão e proporcionou uma realidade única dentro dos quadros terrenos.

E, diante desta lucidez e de uma condição cultural válida, Kardec pode proclamar a simples verdade que até então não havia sido aceita. Citando Herculano Pires na íntegra, temos estas palavras:

'Kardec proclamou que o espírito não era sobrenatural, mas natural, o parceiro da matéria na constituição de uma realidade única, a realidade espiritual e material do mundo e do homem. A conclusão de Kardec é límpida e simples: os espíritos são uma das forças da Natureza. Sem compreendermos isso não poderemos compreender o Espiritismo."

Algumas voltas pela literatura apenas de Herculano Pires e fica-nos fácil observar como uma resposta tão simples e direta dada pela espiritualidade (a de que espírito é o princípio inteligente do universo), gerou e gera muitas pesquisas e concepções para serem totalmente compreendidas e aceita por nós, sem que disséssemos apenas: amém!

Imaginem que conteúdo rico não podemos apreender nas demais obras de kardec e na própria Revista Espírita, embora esta última deva ser vista com muita prudência. Vamos à questão 23.a, para podermos prosseguir neste raciocínio apresentado por Herculano Pires:

23-a. Qual é a sua natureza íntima?
Resp:- Não é fácil analisar o espírito na vossa linguagem. Para vós, ele não é nada, porque não é coisa palpável; mas para nós, é alguma coisa. Ficai sabendo: nenhuma coisa é o nada e o nada não existe.

Em muitos momentos, certo ar de frustração poderá se abater sobre nós, ao ouvirmos as palavras simples e diretas daqueles que respondem a Kardec. Em muitos momentos, somos chamados a nos defrontarmos com a realidade de que nossa linguagem, assim como nossa percepção e compreensão, são limitadas e não comportam todas as respostas a que almejamos.

Por isso, ler o Livro dos Espíritos e os demais livros da codificação, muitas vezes, não proporcionam resposta alguma aos que têm pressa em saber. Faz-se necessária uma pesquisa detalhada, um complemento em analisando outras obras de conceituados estudiosos da Doutrina, para que possamos apreender determinadas coisas.

Buscando um pouco de respostas extras, mais uma vez recorremos a Herculano Pires em Agonia das Religiões aonde excelentemente nos explica que esse princípio inteligente do qual queremos saber a natureza íntima é conhecido como mônada, que é uma partícula infinitesimal do pensamento divino que, como as sementes, traz em si mesma o plano secreto daquilo que vai ser criado.

Da dinâmica das mônadas invisíveis aos nossos olhos formam-se os
reinos naturais:
Mineral
Vegetal
Animal
Hominal
Espiritual.

Esse processo criador é explicado por Kardec, sob orientação do Espírito da Verdade, como um desenvolvimento incessante das potencialidades monádicas, num fluxo evolutivo que sobe sem cessar dos reinos inferiores aos reinos superiores.

Aliás, para quem se sente meio sem respostas, sugiro a leitura deste livro de Herculano, aonde além dele nos trazer excelentes colocações sobre as obras da codificação, também utiliza-se de um senso crítico apurado para compreender e explicar alguns porquês que rondam nossa mente. Uffa...quem sou eu para dizer que Herculano fez algo excelente, não?....mas admiro-o muito....


 

Exposição: Fiorell@!

 

 

 

Questões 24 a 25

Antes de adentrar à questão 24, gostaria de revisar algumas coisas que foram ditas no estudo passado e em sua ordem.

A primeira delas foi uma frase de Emmanuel que o companheiro Marcio nos trouxe que dizia o seguinte:

"Condescendência com os cientistas por se apartarem dos elementos anímicos em suas pesquisas".

Relembrando o que causou certa estranheza e que nada mais é do que um fato estudado por diversos adeptos da Codificação, dentre eles Ernesto Bozzano que o fez durante mais de 40 anos, e que se trata do animismo.

Dentro da codificação Espírita, podemos entender o animismo por fatos que são trazidos através de um médium, como se fossem manifestações de espíritos desencarnados, quando na realidade se tratam de manifestações do seu próprio ser. Manifestações estas que podem estar alojadas tanto em sua memória atual, como em sua memória eterna.

Situações que nos chegam de forma impactante ou profunda, promovendo uma cristalização em nossa mente, podem ser as manifestações anímicas do futuro, assim como as manifestações anímicas atuais, possuem seu fundo em situações que se cristalizaram em nosso ser.

Ocorre mais amiúde do que imaginamos e não se trata de nada descomunal, pelo contrário. Um dirigente de casa espírita sério, compenetrado na fraternidade e no amor, ao detectar que um médium está sendo muito mais instrumento do animismo do que da mediunidade propriamente dita, deve buscar este companheiro de forma amorosa e fraterna e trata-lo com a mesma atenção com que se tratam os espíritos sofredores que se comunicam.

Ainda sobre o animismo, vale lembrar que em muitos momentos ele se assemelha perfeitamente ao transe mediúnico aonde cremos ter a manifestação de um espírito comunicante, quando na verdade são manifestações que estão alojadas no interior do médium, que neste caso está em desajuste mediúnico, em que ele revive cenas ou acontecimentos do seu próprio mundo subconsciencial e é um fenômeno que se torna possível através do contato magnético que outras entidades ofertam ao se aproximarem.

Mais do que isso gente, só estudando muito mais. Livro dos médiuns, capítulo XIX existem questões que Kardec formulou a Erasto e Timóteo. Reproduzo apenas a questão 223, por ser simples, clara e direta:

223- “Como distinguir se o Espírito que responde é o do médium ou se é outro Espírito”?
- Pela natureza das comunicações. Estuda as circunstâncias e a linguagem e distinguirás.

Relembrando a frase que nos inspirou falarmos de animismo, temos que Emmanuel nos solicita Condescendência para com os cientistas por se apartarem dos elementos anímicos em suas pesquisas.

Bom, nesta frase do livro de Emmanuel intitulado DISSERTAÇÕES MEDIÚNICAS SOBRE IMPORTANTES QUESTÕES QUE PREOCUPAM A HUMANIDADE e que nos foi trazida pelo companheiro Marcio, podemos encontrar a solicitação de Emmanuel para que tenhamos aceitação para com os cientistas que se abstém dos elementos anímicos em suas pesquisas.

Por ocasião desta colocação, falávamos das mudanças ocorridas entre um século e outro, exatamente do século que adentrava ao Renascimento, que trouxe dolorosas experiências vindas do século anterior, onde estavam em profusão abstratos pensamentos e loucuras místicas, alimentadas pelos dogmas religiosos.

Traduzindo: no período denominado como o milênio medieval, em que a Igreja imperava com suas idéias absurdas e fundadas em rituais e crendices que não eram esmiuçadas e nem ‘postas’ a prova, acontece