Livro dos Espíritos - Allan Kardec - 1857

Sob a Ótica Espírita: encontros aos sábados e às terças-feiras às 22horas (horário de Brasília) na sala do PALTALK.
 

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X- A LINGUAGEM DOS ESPÍRITOS E O PODER DIABÓLICO

Lembrando que, no item anterior, vimos que monopolizadores do bom senso, são todas aquelas criaturas que somente elas possuem o bom-senso, somente elas possuem a verdade e a razão. Criaturas que, muito embora possam dar de cara com Jesus, ainda assim afirmarão tratar-se de uma ilusão ou de falsidade ideológica. Criaturas que contestam e colocam defeito em tudo que se lhes apresente, mas nunca de forma lógica ou coerente.

Algo há de se selecionar dessas objeções. Uma dessas coisas é o que começamos a observar na semana passada, quando falamos de pessoas sérias que buscam de forma coerente e raciocinada, atestar a veracidade dos fatos.

Vejamos o que Kardec nos enumera:

Uma dessas observações refere-se à linguagem de certos Espíritos, que não parece digna da elevação atribuída aos seres sobrenaturais. Se quisermos reportar-nos ao resumo da doutrina, atrás apresentado, veremos que os próprios Espíritos ensinam que não são iguais em conhecimentos, nem em qualidades morais, e que não se deve tomar ao pé da letra tudo o que dizem. Cabe às pessoas sensatas separar o bom do mau.

Oras. Vejam que interessante. Kardec nos conclama à sensatez!! E o que seria ser sensato? Nada mais do que sermos ajuizados, usarmos do bom senso!!

O que Kardec nos chama à razão é o fato de que nem todos os espíritos que se comunicam, fazem uso de uma linguagem decente. Daí já podemos observar algumas incoerências naquilo que dizem ser e no que são. E este ponto devemos referendar como sendo um argumento coerente por parte dos opositores.

Nossa. Não tem como não observar que em nosso dia-a-dia existe muito disso!!E, como sempre lembramos, ao desencarnar o espírito não adquire santidade!! Assim como, companheiros, devemos sempre nos lembrar de que, não é porque a pessoa professa a Doutrina Espírita, ou outra religião que seja, que ela esteja 'curada' de todas as mazelas e chagas da humanidade.

Devemos sim, admirar suas qualidades, admirar seus pontos positivos, mas com pé no chão!!

Durante nossa vida, passamos por diversas fases e, uma delas é a do deslumbramento. Seja em relação às coisas ou às pessoas. Nos deixamos levar pela aparência, pela fantasia que criamos, pela expectativa que projetamos e pelo nosso, porque não, romantismo.

Vemos nas outras pessoas qualidades que nem sempre existem e esperamos que elas sejam aquilo que projetamos. Lembrando aos companheiros que projetar significa depositar em outra pessoa a imagem que achamos que lhe cabe. Podemos tanto projetar coisas boas como ruins. Claro que pessoas com o coração generoso, tem por hábito projetar coisas boas. Aliás, eis aí outro ponto interessante. Projetamos nos outros muito do que habita em nós!

Já pararam para observar isso? Querem comentar algo?

Bom, por outro lado, a moeda tem duas faces. Vamos ao que kardec nos apresenta:

Seguramente os que deduzem, desse fato, que tratamos com seres malfazejos a cuja única intenção é a de nos mistificarem, não conhecem as comunicações dadas nas reuniões em que se manifestam Espíritos Superiores, pois de outra maneira não pensariam assim. É pena que o acaso tenha servido tão mal a essas pessoas, não lhes mostrando senão o lado mau do mundo espírita, pois não queremos supor que uma tendência simpática atraia para elas os maus Espíritos em lugar dos bons, os Espíritos mentirosos ou esses cuja linguagem é de revoltante grosseria.

Dois pontos a observarmos. Um é o de que as pessoas são um tanto tendenciosas e, por este mesmo motivo, temos enfatizado em nossos estudos, a importância de conhecermos os vários ângulos possíveis e existentes sobre a mesma coisa.

Dentro desta tendenciosidade, acabamos criando opinião ou julgando os fatos e as ocasiões, sem observarmos o todo. No que diz respeito à Doutrina Espírita, seria imaturo observamos, por exemplo, apenas o lado religioso ou o filosófico ou o científico. A Doutrina é uma tríade e como tal deve ser analisada.

E, fato muito importante e corriqueiro em nossos dias é de as pessoas associarem a Doutrina às pessoas. Mais uma vez, vemos aí a tal da projeção. Achamos que fulano ou cicrano são a Doutrina Espírita e transferimos para as suas costas, toda a responsabilidade do título e da opção de vida que a criatura fez. Começamos a imaginar que a criatura é perfeita, é completa, isso e aquilo. De repente, puft. os sonhos se desfazem.

Interessante, né? Nem me perguntem o por quê de eu estar falando pela segunda vez e em tão pouco tempo, sobre a mesma coisa...rsrs aliás, me lembrei de um fato interessante e que deve ser corriqueiro.

Minha orientadora de estudos, uma vez, contou-nos de um dirigente espírita.

Cidadão conceituado, muito admirado, respeitado e, com muita ansiedade, ouvido em suas opiniões dentro da casa espírita. De repente, parece que passou uma nuvem negra na vida dele (por que será?) e ele traiu a mulher, separaou-se e perdeu toda a credibilidade que tinha na casa. Afora a quantidade de adeptos da Doutrina que a abandonaram, crendo-a pura demagogia.

Enfim, claro que podemos observar aí que existia uma fragilidade muito grande na opinião destas pessoas. Fragilidade no tocante ao o que seja, realmente, a Doutrina Espírita. E fragilidade no que diz respeito ás deficiências e acertos que cada um de nós ainda precisa fazer em si mesmo, estando ou não dentro de uma casa Espírita.

A segunda coisa, paira sobre o fato da frase de Kardec que nos diz (...) é pena que o acaso tenha servido tão mal a essas pessoas, não lhes mostrando senão o lado mau do mundo espírita (...) .Vejam que interessante. Kardec fala aqui da sintonia. Estas pessoas, viram e enxergaram apenas aquilo que hes estava no íntimo, ou seja, apenas o lado ruim, mistificador e falso da situação. Como que atraídas por sua sintonia interior, lá estavam elas se deparando apenas com este lado das coisas.

E, mais adiante arremata de uma forma amorosa e fraterna:

Poderíamos concluir, quando muito, que a solidez dos seus princípios não seja bastante forte para preservá-las do mal, e que, encontrando um certo prazer em lhes satisfazer a curiosidade, os maus Espíritos, por seu lado, aproveitam-se disso para se introduzirem entre elas, enquanto os bons se afastam.

Viram que interessante? Podemos, quando usamos a ótica do amor e da fraternidade, observarmos as coisas por ângulos diversos. E, um destes ângulos, foi notado por Kardec.

Não existia, pura e simplesmente a maldade circulando os que estavam colocando em demérito as questões apresentadas pela Codificação. Existe também, o ambiente psíquico e as influências que a pessoa traz consigo. Não justificam, mas mostram-nos, mais uma vez, que devemos zelar pela nossa sintonia, pelas nossas companhias espirituais e pelas nossas posições perante a vida.

Como dissemos no estudo anterior: não podemos esperar comunicações sérias em ambientes frívolos. E que me faz lembrar daquela historieta que ouvimos ou lemos nos pps da vida.

Era a de um ancião que ficava sentado à porta da cidade. Quando então, se aproxima um carro com a mudança arrumada em seu bagageiro e o cidadão pergunta ao ancião: Senhor, como é o povo desta cidade? ao que é inquirido em seguida: meu jovem, como era o povo da cidade de onde viestes? E o rapaz, com sua família, tralhas, cachorro, papagaio e gato no carro, começa a dizer que lá aonde ele morava, o povo era falso, mesquinho, barulhento, avarento, sem consideração, etc.,etc.,etc....Ficou um bom tempo falando mal das pessoas do local aonde habitava. Até que o ancião lhe disse: meu jovem, pois aqui nesta cidade encontrarás o mesmo de onde viestes. O rapaz não pensou duas vezes, deu ré e foi procurar outra cidade para morar.

Dali a pouco, encosta outro carro e os ocupantes fazem ao ancião a mesma pergunta: como é o povo desta cidade?O ancião volta a pergunta e quer saber: como era o povo da cidade de onde eles vieram?

Ao que o rapaz com olhos marejados, começa a enumerar todas as belezas, todas coisas boas, toda a harmonia, a fraternidade, o respeito e os demais sentimentos nobres que existiam nos moradores da cidade de onde ele viera. Termina sua narrativa saudoso e emocionado. Nisso o ancião lhe responde: meu jovem, pois aqui nesta cidade encontrarás o mesmo de onde viestes. Então o rapaz feliz, adentra á cidade com o coração repleto de alegria.

Um homem, sentado próximo estranha esta postura do ancião e lhe pergunta: Mas meu velho, para os dois rapazes você respondeu a mesma coisa, muito embora eles tenham vindo de lugares diferentes. Por que? E como toda estória tem que ter um quê melodramático, o ancião sorri com sua boca em que faltam alguns dentes e diz: " a verdade é simples, meu amigo: cada um encontra aquilo que leva consigo em sua alma e em seu coração."

E Kardec ainda ressalta:

Julgar a questão dos Espíritos por esses fatos seria tão pouco lógico como julgar o caráter de um povo pelo que se diz e se faz numa reunião de alguns estabanados, ou gente de má fama, a que não comparecem os sábios e nem as pessoas sensatas. Os que assim julgam estão na situação de um estrangeiro que, chegando a uma grande capital pelo seu pior arrabalde, julgasse toda a população da cidade pelos costumes e a linguagem desse bairro mesquinho.

Vejam que interessante, né? Inclusive temos essa passagem também no Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO II item 7. Como podemos concluir que esta ou aquela cidade é de uma determinada forma, apenas pela fração diminuta de seus habitantes e que observamos em pontos isolados? Observamos os habitantes de um hospital, de uma penitenciária e de uma escola infantil e achamos que já conhecemos a cidade em sua totalidade? Seria ingênuo e, mais uma vez, tendencioso. Precisamos conhecê-la em sua totalidade, para podermos emitir um pensamento/julgamento sério e ajuizado.

E temos sempre este detalhe a ser lembrado:

No mundo dos Espíritos há também desníveis sociais; se aquelas pessoas quisessem estudar as relações entre os Espíritos elevados ficariam convencidos de que a cidade celeste não contém apenas a escória popular. Mas perguntam elas, os Espíritos elevados chegam até nós? Responderemos, não permaneçais no subúrbio; vede, observai e julgai; os fatos aí estão para todos. A menos que a essas pessoas se apliquem estas palavras de Jesus: "Tem olhos e não vêem; tem ouvidos e nõ ouvem".

Muito simples e corriqueiro. Necessário se faz que sempre lembremos destas coisas que Kardec nos alerta. E mais, que não fiquemos colocando, como muitos de nós fazem, uma distância enorme entre a espiritualidade elevada e nós.

Tem gente que acha que Espíritos imbuídos de bom coração, de discernimento e de boa vontade, não podem nos acompanhar, pois somos ínfimos, 'pecadores' e não merecedores. Oras, gente!! Basta guardemos as devidas proporções e veremos que, a todo instante, podemos usufruir da companhia destes Espíritos!!

E quando digo que devemos guardar as devidas proporções, é porque nós temos uma concepção um pouco deturpada das figuras. A vida na espiritualidade, se assim podemos nos referir, é como a vida na carne. Todos tem suas tarefas, suas atribuições e, por questão de ordem e disciplina,sua hierarquia. Mas, em momento algum, nada impede que um Espírito de elevada hierarquia converse, aconselhe ou esteja junto a outros espíritos inda nem tão evoluídos!!

Vemos isso aos montes, quando o assunto é resgate, por exemplo, de entes amados que se encontram ainda no umbral e a criatura se encontra em planos mais elevados. Vemos isso, aos montes, nos exemplos de fraternidade em que todos ocupam os mesmos espaços e locais nas coônias espirituais.

Precisamos tirar de nossa mente essa falsa humildade em que não nos achamos dignos da presença de Espíritos elevados. Seria inclusive, um contra-senso, se assim o fosse!! Nós sim agimos com orgulho e prepotência. A partir do momento que galgamos determinados degraus em nossa escalada na sociedade, passamos a preterir e a deixar de lado os companheiros que ainda não galgaram estes mesmos degraus.

Em se tratando de elevação espiritual, claro, óbvio e evidente que a partir do momento em que o Espírito passou a adquirir uma maior consciência espiritual e evolutiva, juntamente com esta consciência virá a grande e única verdade: todos somos iguais perante ao Pai.

Por isso, companheiros, não nos esqueçamos das palavras de Jesus: Somente para aqueles que possuem olhos de ver e ouvidos de ouvir. O sol nasce, igualmente, para todos. Tudo bem que aqui no Brasil parece que ele prefere nascer no Nordeste...rsrsrs

E kardec ainda nos traz o Proteu de volta, vejam lá:

Uma variante desta opinião consiste em não ver nas comunicações espíritas e em todos os fatos materiais a que elas dão lugar senão a intervenção de um poder diabólico, novo Proteu que revestiria todas as formas para melhor nos iludir. Não a consideramos suscetível de um exame sério e por isso não nos deteremos no caso: ela já está refutada pelo que dissemos atrás. acrescentaremos apenas que, se assim fosse, teríamos de convir que o diabo é às vezes bem inteligente, bastante criterioso, e sobretudo muito moral, ou então que existem bons diabos. Aos poucos vamos conhecendo a veia humorística de Kardec...rsrsrs

Vamos detalhar essa passagem.

Por ela, Kardec referencia-se aos monopolizadores do bom senso, aonde diz que somos, nós que cremos na Doutrina Espírita, todos iludidos e levados por uma onda de mistificação. Ele, Kardec, já disse lá atrás que seria de se estranhar que, em tantas partes do mundo e com tamanha exatidão, os mistificadores se unissem e passassem a emitir mensagens se não totalmente similares, mas iguais em sua profundidade e que estas teriam alto teor filosófico, moral e científico.

Aqui o mesmo ocorre com as mensagens que são tidas todas, como manifestações do diabo. Aliás, eu particularmente, adoro quando kardec fala que não se deterá no caso. Puxa, quantas e quantas vezes dizemos a nossos companheiros de jornada evolutiva, a mesma coisa?

E quantos, de forma ingênua ou até mesmo infantil, não chegam até nós e , simplesmente, afirmam que tudo o que está na Doutrina Espírita é anti-crístico e proveniente do diabo? Agora, já podemos usar de uma sacada bem humorada e dizermos que o diabo, realmente, não deve ser tão feio como o pintam, afinal, evoluiu notoriamente em sua moralidade, em sua inteligência e em seu senso crítico.

Mas é claro que, quem não quer ver, ainda nos dirá assim: Espera e verás. Mas somos nós quem devemos dizer isso, gente!! Espera e observa, companheiro!! Se, realmente, todas estas comunicações de elevada moralidade, de valoroso conteúdo científico e de elucidante conteúdo filosófico que nos chegam, são obras de alguém se fazendo passar por bonzinho, no caso, o diabo, é só esperar e tudo ruirá, pois ninguém consegue sustentar infinitamente uma postura que não lhe pertence. Ninguém pode querer ser algo que, em seu interior, realmente não seja. Cedo ou tarde, o diabo vai dar o ar da graça e veremos algo a denunciá-lo. Seja o tal cheirinho de enxofre, sejam as palavras destoantes de sua postura.

Não podemos, pura e simplesmente, aceitarmos determinadas coisas como sendo verdades! Aliás, lembram que kardec disse que teríamos um novo Proteu, que revestiria todas as formas para melhor nos iludir? E quem ou o que é esse Proteu?

Kardec já se referiu a Proteu, quando falou em alma e na sua multiplicidade de significados.Alguém se lembra desta passagem que já estudamos?

Relembro-lhes esta passagem, aonde temos o significado de Proteu, pois se faz pertinente ao contexto de hoje, além de ser rica e ilustrativa em conhecimentos gerais. Proteu aparece na mitologia grega como filho dos titãs Tétis e Oceanus (que outrora reinava sobre o mar, porém perdeu seu posto para Poseidon (Netuno).

Tinha o dom da premonição e assim atraia o interesse de muitos que queriam saber as artimanhas do poderoso destino. Porém ele não gostava de contar os acontecimentos vindouros; então, quando algum humano se aproximava, ele fugia ou assumia aparências monstruosas e assustadoras. Porém, se o homem for corajoso o bastante para passar por isso, ele lhe contava a verdade. Um desses homens foi Menelau, rei de Esparta, que queria saber se seria possível voltar a ela após a guerra de Tróia.

E assim são as coisas à nossa volta. Elas podem ter muitas definições e aparências, mas se formos corajosos o suficiente para buscar a verdade, seremos brindados com portas e caminhos de ascensão e crescimento, renovação e paz.

E Kardec, apenas mostra-nos que, dizer que todas as comunicações espíritas são obras do diabo, é criar uma nova concepção que se amolda às conveniências de quem não quer enxergar. Transformamos Proteu em diabo e pronto, não precisamos encarar as coisas. nem estudar, nem compreender e nem aceitar.

Tiremos esse véu de medo, de insegurança e de incredulidade que nos tolda o coração e a mente! Estejamos envolvidos eplo sincero desejo de aprender, compreender e questionar. Sim!!Questionemos, pois kardec o fez com propriedade à espiritualidade e nós também podemos e devemos fazê-lo. Não precisamos aceitar nada que não nos pareça correto, mas para isso, busquemos conhecer!

 Como acreditar, de fato, que Deus não permita senão ao Espírito do mal manifestar-se para nos perder, sem nos dar por contrapeso os conselhos dos bons Espíritos? Se Ele não o pode, isto é uma impotência; se Ele o pode e não faz, isso é incompatível com a sua bondade; e uma e outra suposição seriam blasfêmias.

Sem comentários, companheiros. Lembrando sempre que Deus tudo vê, tudo acompanha e tudo sabe. A parte a seguir, me agrada muito. Vejamo-la:

Acentuemos que admitir a comunicação dos maus Espíritos é reconhecer o princípio das manifestações. Ora, desde que estas existem, será com a permissão de Deus. Como acreditar, sem cometer impiedade, que Ele só permita o mal, com exclusão do bem? Uma doutrina assim é contrária ao bom senso e às mais simples noções de religião.

Vemos isso muito freqüentemente. Não consultarás os mortos. E somos lá, taxados de afrontadores de Deus, pois consultamos os mortos. Prefiro olhar pelo ângulo da Bondade Divina. Fazemos a tal da consulta aos mortos sim!!! Mas vejam que aspecto iluminado!!!!! Falar com os mortos, para milhares de pessoas, significou o conforto de saber que um filho, um pai, um irmão ou alguém muito querido apenas o antecedeu em uma viagem!!

Prefiro olhar pelo ângulo que, apesar de nossas imperfeições e de nossos apegos, Deus ainda nos dá o acréscimo da sua Misericórdia, proporcionando-nos uma pequena visão de todo o nosso porvir e dando-nos, através daqueles que nos antecederam á Pátria Espiritual, o Seu conforto de sabermos que existe um significado justo e coerente para toda a dor e sofrimento que vemos no mundo.

Prefiro ainda, usar do meu bom-senso, do meu livre-arbítrio e, com essa possibilidade que Deus nos ofertou – a de conversarmos com os mortos, buscar conselhos e referencias sobre como melhorar minha conduta nesta vida, sobre como melhorar e tentar consertar meus defeitos. Uffa...tantas outras possibilidades boas, que seria impossível falar em apenas alguns minutos.

E seria egoísmo meu se somente eu falasse de tantas coisas boas que podemos conceber e aproveitar dessa coisa chamada de conversar com os mortos!!

Lembro-lhes que cada um de nós destila de nosso coração e faz sair de nossa boca, aquilo que nos vai na alma. Se tem diabo feio por aí, é porque se alojou, primeiramente, dentro de nós.

Exposição por Fiorell@

 

 

XI- Grandes e Pequenos

No tema de hoje, Grandes e Pequenos, temos a citação de kardec:

É estranho, acrescentam, que só falem de Espíritos de personalidades conhecidas. E perguntam por que motivo só estes se manifestam. É um erro proveniente, como muitos outros, de observação superficial.

Vejam que interessante. Ou 8 ou 80. É como os casos das contestações que vimos até então, com a diferença que o extremo desta feita está nos Espíritos de renome. Mais uma vez, quem viu este ângulo, viu apenas uma face da moeda. Vejamos o que Kardec nos lembra sobre este fato:

Entre os Espíritos que se manifestam espontaneamente há maior número de desconhecidos do que de ilustres. Eles se designam por qualquer nome, muitas vezes por nomes alegóricos ou característicos. Quanto aos evocados, desde que não se trate de parentes ou amigos, é muito natural que sejam de preferência os conhecidos. Os nomes de personagens ilustres chamam mais a atenção por serem mais destacados.

 Dentro do que já pudemos estudar sobre este momento da Codificação Espírita, ou seja seu início, vimos como eram as coisas naquela época. Quando Kardec foi apresentado aos fenômenos e aos fatos mediúnicos, tudo era feito com muita frivolidade e sem senso de proveito coletivo.

E, como Kardec percebeu tratar-se de algo mais profundo do que apenas isso (lembremos também de que Kardec havia assumido essa missão na espiritualidade e, ao se deparar com a sua ‘deixa’ em começar a realizá-la, simplesmente arregaçou as mangas e dedicou-se.) Uffa...lá vem, não posso me furtar a este aparte. Fa-lo-ei em seguida.

A partir do momento em que Kardec começou a buscar o proveitoso e o edificante diante das manifestações das mesas, passou a ser assistido pela Espiritualidade comprometida em auxiliá-lo nesta tarefa, assim como a canalizar e a direcionar seu pensamento e suas idéias para coisas não frívolas mais a lei de sintonia, passou a ser cercado por esta plêiade de espíritos elevados.

Bom, quanto ao aparte sobre a missão de Kardec, gostaria de tecer um comentário. Muitos de nós ficamos estáticos e desnorteados na vida, pois alegamos não saber qual nossa missão na Terra.

Gente, por favor, precisamos refazer nosso referencial quando ouvimos, pensamos e empregamos a palavra missão. Muitos de nós, ainda pensamos que ter uma missão na Terra é ser grandioso, notório e em destaque como algumas personalidades que conhecemos, seja na área das artes, das ciências, da música, da religião, etc.

Se assim for, já pensaram como deve ser frustrante para aquele pai de família que apenas conseguiu gerir o sustento, a alimentação, a vestimenta e a educação dos filhos? Já pensaram como deve ser frustrante para aquela senhorinha que não casou e não teve filhos, apenas cuidando com dedicação e carinho dos pais idosos? Missão é mais do que a notoriedade pública!!

Trouxe-lhes palavras de Emmanuel para que não esqueçamos de buscar em nós a essência do viver e não as luzes da ribalta:

A DISCIPLINA E O PRAZER DE SERVIR SÃO INDISPENSÁVEIS PARA CONSEGUIRMOS CUMPRIR NOSSA MISSÃO:

“Não te digas inútil, nem te asseveres incompetente. Para cumprir a missão que nos cabe, não são necessários um cargo diretivo, uma tribuna brilhante, um nome preclaro ou uma fortuna de milhões. Basta estimemos a disciplina no lugar que nos é próprio, com o prazer de servir.” (“Livro da Esperança”, CEC, Cap. 16)

Existe muito a ser estudado quando falamos de missão, de significação e necessidade/ funcionalidade da reencarnação. Procurem por estes pontos, será muito bom para a compreensão do que realmente significa ter uma missão e desencumbi-la com sucesso, proveito e elevação pessoal.

Reflitamos sobre. Voltemos a Kardec.

Acham ainda estranho que os Espíritos de homens eminentes atendam familiarmente ao nosso apelo, ocupando-se às vezes de coisas insignificantes, em comparação com as de que se ocupavam durante a vida.

Neste ponto, se formos analisar algumas questões contidas no Livro dos Médiuns, veremos como o ‘pensar’ destes Espíritos se processa.

No capítulo XXVI do Livro dos Médiuns, temos algumas colocações acerca do que é simpático ou não aos Espíritos que se lhes seja perguntado. Temos também, um pequeno resumo que Kardec aprouve por bem deixar constar do livro, já que algumas coisas ainda não se fazem claras na mente das pessoas.

Uma delas é da necessidade de se perguntar á espiritualidade. Muitos acham correto sentar-se e aguardar que ela se manifeste da forma que achar correta. Mas, dentro do conhecimento de que temos da presença de inúmeros espíritos mistificadores, essas perguntas feitas de forma lógica e seqüencial, fazem com que estes espíritos mistificadores, dentro de sua pseudo-sabedoria, sejam levados aos seus verdadeiros locais de origem.

Temos os opostos também....rsrsrs....aqueles que não dão um passo sem perguntar ao espírito. Vira e mexe vão buscar orientação em centros (não só os espíritas), para cada passo que devem dar na vida. Não fazem nada sem que a espiritualidade assine embaixo. E se o espírito falar, sim ou não, ele segue. Conheci uma senhora assim e, em determinado ponto, percebi que ela mesma não sabia mais gerenciar a própria vida.

Outra dessas referências é a de que, muito embora na concepção de Kardec, se até o referido capítulo o estudioso da Doutrina tiver compreendido bem seu conteúdo, terá noções simples e básicas do que deve ou não ser consultado à espiritualidade e o porquê de assim o ser, mas ainda assim vale a pena ressaltar algumas.

Destacarei 3 que achei de grande importância para o que estamos observando em nossa Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, no item XI – Grandes e Pequenos.

Questão 288 – capítulo XXVI do Livro dos Médiuns:
1ª Os Espíritos respondem de boa-vontade às perguntas que lhes são dirigidas? "Conforme as perguntas. Os Espíritos sérios sempre respondem com prazer às que têm por objetivo o bem e os meios de progredirdes. Não atendem às fúteis."

Como é gostoso, útil e edificante podermos repartir nosso conhecimento. Espíritos evoluídos não se esquecem da frase: Daí de graça o que de graça recebestes.

2ª Basta que uma pergunta seja séria para obter uma resposta séria? "Não; isso depende do Espírito que responde."

Devemos buscar as respostas sérias, em ambiente sério. Às vezes, me pergunto como alguém pode ter a ingenuidade de perguntar a um cidadão que está falando palavrões, desmerecendo o próximo e agindo com notória falta de fraternidade, sobre coisas sérias acerca da Doutrina Espírita.

Não podemos desmerecer que tal criatura pode ter um conhecimento elevadíssimo da Doutrina, mas sua moralidade está de calça curta ou de saia-justa. Como confiar a este alguém respostas tão sérias ou importantes? E pior, como abrir nosso coração contando de nossas confidências ou anseios mais íntimos a alguém que não saberá retê-los com o devido respeito, a devida ética e a devida fraternidade?

Penso que, muitas vezes, se sofremos é por sermos por demais ingênuos ou por demais crédulos. Mas, precisamos usar de bom senso, de lógica e de observação, também em nosso dia-a-dia. Lembrem-se: a diferença entre o mundo espiritual e o nosso, está apenas na matéria que somos. As coisas são únicas, mudando apenas do ambiente material para um mais fluídico.

E por fim, temos:

2a) Mas, uma pergunta séria não afasta os Espíritos levianos? "Não é a pergunta que afasta os Espíritos levianos, sim o caráter daquele que a formula."

Pronto, né companheiros. Vejam aí Kardec enfatizando a moralidade não só de quem é questionado, mas de quem questiona. Não nos sintamos relegados ao pó da estrada, mas tenhamos em mente, sempre, da lei de sintonia. Existe aquela frase: Não se pode servir a Deus e a mamom. Saibamos compreendê-la por este ângulo também.

Temos nossas deficiências, somos falhos, temos muito que evoluir e toda aquela ladainha que ficam incutindo em nossa mente e em nosso ser. Mas, também somos donos de nosso destino, de nosso agir e de nosso pensar. Se hoje me noto falha em determinado ponto, cabe a mim e tão somente á mim mesma, melhorar isso!! Está nas minhas mãos.

O nosso companheiro aqui do PALTALk Conde, gosta daquela frase do Chico: “ Ninguém pode fazer um novo começo, mas todos podemos fazer um novo fim”

Então, povo, é arregaçar as mangas e ter as rédeas de nosso destino nas mãos.

 Quanto ao fato dos Espíritos virem até nós para falarem de coisas mais simples do que as que se ocupavam na Terra, Kardec complementa:

Isso nada tem de estranho para os que sabem que o poder ou a consideração de que esses homens gozavam no mundo não lhes dá nenhuma supremacia no mundo espírita.

Os Espíritos confirmam com isto as palavras do Evangelho: OS GRANDES SERÃO HUMILHADOS E OS PEQUENOS SERÃO EXALTADOS, que devem ser entendidas em relação à categoria que cada um de nós ocupará entre eles.

No ESE temos o depoimento de alguém que havia sido rainha quando na Terra, lembram-se? No capítulo II Meu Reino não é deste mundo.

 Item 8. Quem melhor do que eu pode compreender a verdade destas palavras de Nosso Senhor: "O meu reino não é deste mundo"? O orgulho me perdeu na Terra. Quem, pois, compreenderia o nenhum valor dos reinos da Terra, se eu o não compreendia?

Que trouxe eu comigo da minha realeza terrena? Nada, absolutamente nada. E, como que para tornar mais terrível a lição, ela nem sequer me acompanhou até o túmulo! Rainha entre os homens, como rainha julguei que penetrasse no reino dos céus! Que desilusão! Que humilhação, quando, em vez de ser recebida aqui qual soberana, vi acima de mim, mas muito acima, homens que eu julgava insignificantes e aos quais desprezava, por não terem sangue nobre!

Oh! como então compreendi a esterilidade das honras e grandezas que com tanta avidez se requestam na Terra!

Para se granjear um lugar neste reino, são necessárias a abnegação, a humildade, a caridade em toda a sua celeste prática, a benevolência para com todos. Não se vos pergunta o que fostes, nem que posição ocupastes, mas que bem fizestes, quantas lágrimas enxugastes.

Por outro lado, na obra O Céu e o Inferno capítulo VII espíritos endurecidos, temos uma outra Rainha, a do Oude, que ainda nos afirma já na espiritualidade, algumas coisas que valem a pena serem lidas, para que tenhamos alguns referenciais de como não agir ou pensar.

Aliás, vejam a triste alusão feita á esta irmãzinha que, com a graça de sua renovação, quem sabe hoje, mais de um século depois, já possa rever seus pensamentos e suas palavras, buscando assim, uma situação de evolução e crescimento pessoais. Vamos ao comentário contido na obra:

(...)Evocando esta grandeza decaída ao túmulo, não esperávamos respostas de grande alcance, dado o gênero da educação feminina nesse país; julgávamos, porém, encontrar nesse Espírito, não diremos filosofia, mas pelo menos uma noção mais aproximada da realidade, e idéias mais sensatas relativamente a vaidades e grandezas terrenas.

Longe disso, vimos que o Espírito conservava todos os preconceitos terrestres na plenitude da sua força; que o orgulho nada perdeu das suas ilusões; que lutava contra a própria fraqueza e, finalmente, que muito devia sofrer pela sua impotência.

Repetindo as palavras de São Luis: "Deixai-a, a pobre perturbada. Tende compaixão da sua cegueira e oxalá vos sirva de exemplo. Não sabe quanto padece o seu orgulho".

Embora trata-se da mensagem de uma rainha, não tão comum em nossos dias, lembremo-nos de que esta mensagem não possui 150 anos. Em vista disso, companheiros, não nos é difícil tentar compreender companheiros nossos que suscitam aquele famoso provérbio popular: “Comem atum e arrotam caviar”.

Embora o tempo seja precioso e nós já tenhamos vivido inúmeras existências, vejam como alguns detalhes de nosso espírito ainda carecem de reavaliação. Eis a tal da reforma íntima.

 Ah ta...esqueci de falar quais as perguntas que valiam a pena serem reproduzidas aqui. Vamos á elas. Apenas 3:

P.: Que pensais das honras fúnebres tributadas aos vossos despojos?
R. Não foram grande coisa, pois eu era rainha e nem todos se curvaram diante de mim... Deixai-me... forçam-me a falar, quando não quero que saibais o que ora sou... Asseguro-vos, eu era rainha...

Vejam que interessante essa resposta de nossa irmãzinha. Embora esteja já na espiritualidade, ainda está indignada com as honras que lhe foram devidas em sua morte ou cortejo fúnebre. No entanto, não quer mais falar do assunto, pois falar dele seria revelar sua atual condição enquanto desencarnada. Ela deixa bem claro que não quer ver a verdade, ver como está. Envergonha-se, mas não aceita. Apenas afirma que ainda é rainha. Ver quem tem olhos de ver, não é mesmo?

- P. Vós, que vivestes nos esplendores do luxo, cercada de honras, que pensais hoje de tudo isso?
R. Que tenho direito.

Uffa, não? Quando estamos convictos de algo, quando não queremos ver outra coisa que não a nossa própria verdade (que nem sempre condiz com a realidade), não tem santo ou cristo que nos demova.

Quantos de nós ao olharmos o que nos incomoda ou o que nos dói, teimamos em não aceitar? Quantos de nós sabemos que a verdade não é aquela que pintamos, mas nos recusamos a entrar em contato com ela?

58- Puxa, estamos ali, no lodo e na lama decorrentes de nossas ilusões, no entanto não queremos sair. Esta rainha, pelo menos, parece tranqüila em assumir seus pensamentos e suas idéias acerca das coisas das quais se acha merecedora. No fundo, tenho a impressão que lhe falta totalmente a visão de moralidade ou de humildade.

E nós? Nós que já sabemos? Nós que já temos conhecimento? Como fazemos? Insistimos em posturas que sabemos serem erradas. Insistimos em querer coisas que sabemos não serem reais ou condizentes. E qual nossa paga? A depressão, a ira, o inconformismo, a lamúria, a coitadeza, os vícios e tantas outras mazelas que atraímos para nós mesmos por pura sintonia em coisas que já sabemos serem indevidas.

A aquele que muito for dado, muito lhe será cobrado, não é mesmo companheiros?

Bom, vejamos esta outra pergunta de grande significância:

P. A vossa hierarquia terrestre concorreu para que tivésseis outra mais elevada nesse mundo em que ora estais?
R. Continuo a ser rainha... que se enviem escravas para me servirem!... Mas... não sei... parece-me que pouco se preocupam com a minha pessoa aqui... e contudo eu... sou sempre a mesma.

Nesse aspecto, vemos claramente aquilo que eu citei acima. Ela simplesmente não entende como tudo aquilo a que está habituada, como tudo aquilo a que teve na Terra, ainda não lhe acompanha nesse outro mundo. Ela ainda se vê como era na Terra e, esse véu que lhe cobre a visão, possivelmente será retirado a custa de muita dor ou sofrimento.

Aliás, um assunto abordado no encontro realizado em nossa outra sala, a Momento Fraterno, perfeitamente se aplica a este caso. Trata-se da intercessão. Vejam que, a depender da evolução ou conscientização desta criatura, assim como das demais criaturas consideradas como endurecidas, seria deixá-las ao livre curso de sua própria sorte.

Porém, dentro da perfeição Divina, existe a compaixão. Existe a intercessão. Como nos salienta Emmanuel em seu prefácio do livro Obreiros da Vida Eterna:

A morte não extingue a colaboração amiga, o amparo mútuo, a INTERCESSÃO confortadora, o serviço evolutivo.

Seria muito solitário, desprovido de caridade e de benevolência um espírito endurecido se depurar, se modificar ou evoluir apenas com o seu próprio livre-arbítrio. Ele está cego, mudo e surdo a tudo o que não sejam suas próprias verdades. Não fossem espíritos abnegados, espíritos amorosos com os quais tais criaturas mantêm laços, essa passagem pelas zonas inferiores seriam intermináveis.

Mas nossas preces, a prece de quem está diretamente envolvida com a criatura, o trabalho dos caravaneiros (ou dos samaritanos ou dos socorristas, como cada um possa vir a chamar) e o concurso fraterno e desinteressado de espíritos amigos, exercem em tais criaturas o lenitivo das provações.

Muito teríamos ainda a falar de grandes humilhados e pequenos exaltados. Creio que, de certa forma, a semente para que possamos refletir sobre o assunto e para que possamos olhar à nossa volta com olhos amorosos está lançada. Sejamos atentos ao cultivá-la.

E, como termina Kardec neste capítulo XI da Introdução aos estudos da Doutrina Espírita, temos:

É assim que aquele que foi o primeiro na Terra poderá encontrar-se entre os últimos; aquele que nos fez curvar a cabeça nesta vida pode voltar como o mais humilde artesão, porque ao deixar a vida perdeu toda a sua grandeza, e o mais poderoso monarca talvez lá se encontre abaixo do último dos seus soldados.

Não nos fica difícil compreender como algumas pessoas altamente intelectualizadas, altamente providas de grandes conhecimentos e com aquele jeitão de nascida em berço de ouro, ainda assim, seja apenas alguém com um desempenho mediano em sua vida atual. Seja alguém aonde as coisas não fluem e, por mais que se esforce ou conheça os caminhos, está sempre no ponto de partida.

uffa...acabei de me lembrar do Sísifo...um cidadão muito inteligente, cheio de conhecimentos e de grande astúcia, mas que foi penalizado, por um Deus Grego, a rolar uma pedra montanha acima. Quando chega no topo desta montanha, pressionada pelo próprio peso, a pedra rola ladeira abaixo e o Sísifo tem que recomeçar sua empreitada. A explicação que nos é dada por esta passagem mitológica, vem bem ao encontro do que falamos agora.

Ao refazer incontáveis vezes o mesmo caminho, Sísifo tem a oportunidade de repensar em suas atitudes, tem a oportunidade de buscar dentro de si os elementos necessários para que possa superar a Pedra. E, simbolicamente falando, a pedra nada mais é do que as mazelas que carrega dentro de si.

Saindo da mitologia e trazendo para a Doutrina, temos a reforma íntima. Soberba, orgulho e ganância não são condizentes com os que serão exaltados. Alguns de vocês devem se lembrar do Sísifo. Falamos dele na Momento Fraterno, sala em que nos encontramos ás terças-feiras, para momentos de troca de vivências, de experiências e sobre a vida em geral. Banhados pela Doutrina Espírita sim, mas com a leveza de amigos conversando em volta de uma fogueira ou um grande parque.

Bom, temos estudado no decorrer destas semanas, sobre pequenas coisas que compõe a Doutrina Espírita. Nossos últimos estudos versaram sobre os monopolizadores do bom senso e ao tópico a linguagem dos espíritos e o poder diabólico.

Pudemos perceber, nestas duas partes que aos que desconhecem a Doutrina Espírita e aos que dela fazem má idéia, o argumento mais utilizado é o de que, entre outras coisas, desrespeitamos as leis divinas.

Após vermos estes depoimentos, das duas rainhas desencarnadas, somando á nossa mente as demais passagens que já vimos em que os espíritos vieram e nos trouxeram mensagens de conforto, de elevação e de aprendizado, gostaria de perguntar-lhes:

Como isso tudo tem calado em vosso coração? Como todas essas coisas que vimos, estão fazendo guarida dentro de vocês?

Eu gostaria de contribuir, apenas lembrando uma frase que me fez acordar para algumas coisas. A frase é: “sábio é aquele que aprende com os erros alheios” Se quiséssemos viver e errar tudo aquilo que temos direito, a vida seria inimaginavelmente curta e sofrida. Aprender com os erros alheios, é ganhar tempo para viver de forma proveitosa e com tempo suficiente para evitar e cometer novos erros. Quando me deparo com depoimentos como os destas duas rainhas, vejo que somente sendo muito tola para não aprender com eles.

Isso é Deus em ação, nos proporcionando ferramentas, meios e caminhos para nosso aprendizado. Isso é Deus zelando por nós. Isso é Deus olhando por cada um de seus filhos.

E vocês, conseguem ver Deus assim?

Exposição por Fiorell@

 

 

XII- Identificação dos Espíritos

Encontro passado, falamos dos Grandes e Pequenos e da naturalidade das leis que nos mostram que os grandes serão humilhados e os pequenos exaltados.

 Por que falo em naturalidade? Por que falo em leis? As leis regem o universo e, como bem sabemos, são muito diferentes das leis terrenas. Muito passamos a compreender destas leis, através da Codificação Espírita, ou a revelação espírita.

A autoridade da revelação espírita vem do fato de que os espíritos se limitam a pôr o homem no caminho das deduções que ele mesmo pode tirar observando os fatos.

Assim tanto espíritos elevados como também os menos adiantados colaboram no trabalho de deduzir as leis que regem os fatos.

Usando a lógica e o bom-senso pode o estudioso beneficiar-se de todos os gêneros de manifestações, tendo em conta que os espíritos superiores se abstêm de revelar tudo o que o homem, com trabalho próprio, possa descobrir.

Permitiu Deus que assim fosse a fim de que uma multidão de espíritos desencarnados se manifestassem em vários pontos do planeta e viessem convencer os vivos das realidades espirituais, pois, difícil e demorada seria a aceitação global se a revelação se fizesse por apenas um espírito, encarnado ou não, mesmo que fosse um Moisés ou um Sócrates.

Deve-se levar em conta que, pelo fato de desencarnar, o espírito não passa a categoria de sábio. Entretanto, livre das limitações da matéria, pode ver as coisas de modo mais elevado, compreendendo seus erros, reformando conceitos falsos ou inexatos.

De acordo com o desenvolvimento atingido, pode, portanto, melhor aconselhar o encarnado. Com relação ao futuro da alma após a morte, tanto os espíritos elevados como os de menos luzes podem auxiliar na elucidação, tendo em vista relatarem suas próprias experiências.

Adentrando ao tópico XII da identificação dos espíritos, temos algo que nos é familiar, muito embora nem sempre nos lembremos. Vejamos as palavras de kardec:

Um fato demonstrado pela observação e confirmado pelos próprios Espíritos é que os Espíritos Inferiores apresentam-se muitas vezes com nomes conhecidos e respeitados

Pegar carona na fama alheia. Mas, bem sabemos que, cedo ou tarde as máscaras caem. Mas vamos às dúvidas interessantíssimas que surgem nesta situação:

Quem pode, portanto, assegurar que aqueles que dizem ter sido Sócrates, Júlio César, Carlos magno, Fénelon, Napoleão, Washington, etc. Tenham realmente animado esses personagens?

Essa dúvida existe entre alguns adeptos bastante fervorosos da Doutrina Espírita. Admitem a intervenção e a manifestação dos Espíritos, mas perguntam que controle podemos ter da sua identidade.

Esse controle é de fato bastante difícil de realizar, mas não se pode ser feito de maneira tão autêntica como por uma certidão de registro civil, pode sê-lo por presunção, através de certos indícios.

Quando se manifesta o Espírito de alguém que pessoalmente conhecemos, de um parente ou de um amigo, sobretudo se morreu há pouco tempo, acontece geralmente que sua linguagem corresponde com perfeição às características que conhecíamos.

Isto já é um indício de identidade. Mas a dúvida já não será certamente possível quando esse Espírito fala de coisas particulares, lembra casos familiares que somente o interlocutor conhece.

Um filho não se enganará, por certo, com a linguagem de seu pai e de sua mãe, nem os pais com a linguagem do filho. Passam-se algumas vezes, nessas invocações íntimas, coisas impressionantes, capazes de convencer o mais incrédulo. O cético endurecido é muitas vezes aterrado com as revelações inesperadas que lhe são feitas.

Relativamente fácil não pessoal? No que diz respeito aos céticos, lembro-me que uma das características das reuniões em que Chico psicografava, era justamente esta.

Pessoas iam até ele no auge da dor e da descrença, mas iam impelidos por uma força maior. Lá chegando, caiam em prantos ao receberem uma psicografia que lhes falava de coisas tão particulares como só uma mãe ou um pai ou um amigo muito próximos poderiam saber.

Um dos livros que li e que mostra isso com muita beleza, chama-se jovens no Além. Óbvio que dentre as mais de 400 obras escritas por Chico, devem ter muito mais obras com tamanha profundidade e beleza.

rsrsrs....se só o Chico tem 400 obras entre poemas, manuscritos, fatos reais, fatos vindos da espiritualidade e outros, imaginem o quanto não temos ainda por ler e compreender da Doutrina, não? Afora outros médiuns psicógrafos de renomado valor e com obras de grande utilidade para a Doutrina e seus adeptos estudiosos e sedentos da verdade que os libertará!!

Dentre as facilidades para reconhecer a identidade correta do espírito comunicante, está a caligrafia. Vejamos o que nos diz Kardec:

Dissemos que a caligrafia do médium muda geralmente com o Espírito evocado, reproduzindo-se exatamente a mesma, de cada vez que o mesmo Espírito se manifesta.

Constatou-se inúmeras vezes que, para pessoas mortas recentemente, a escrita revela semelhança flagrante com a que tinha em vida; têm-se visto assinaturas perfeitamente idênticas.

Estamos longe, entretanto, de citarmos esse fato como uma regra, sobretudo como constante; mencionamo-lo como coisa digna de registro.Aliás, digníssima, não pessoal?

Já atentaram para o detalhe do que kardec nos diz e do que vemos em médiuns com grande concentração psicográfica, como era o Chico? Em citando o exemplo de Kardec, podemos observar que mudavam os Espíritos comunicantes, mas a mesma letra de determinado espírito era repetida, ou seja, era seu padrão e sua marca pessoal.

Essa letra é do Espírito Fulano...Agora, vai o médium lembrar disso e reproduzir todos os detalhes característicos da letra de vários espíritos e, quem sabe, numa mesma noite, não?

E, mais, tanto é um fato importante a ser ressaltado, que foi motivo de estudo por parte de Kardec e tomou-lhe muita dedicação. Desde os aparelhos utilizados como instrumentos psicográficos e constantes do capítulo 13, classificando-as como Psicografia Indireta ou Psicografia Direta ou Manual.

Observação; a tônica que sempre acompanhou Kardec,com isto, foi-lhe possível identificar características peculiares deste fenômeno, tais como a mudança de caligrafia, as respostas fora do campo de conhecimento dos médiuns, os pensamentos que revelam uma inteligência superior, as páginas escritas em idiomas desconhecidos pelos intermediários e as respostas a perguntas mentais, dirigidas ao espírito comunicante sem o acesso do médium pelos cinco sentidos.

Uffa... eis a vedete de Kardec pois “possui a vantagem de acusar, mais materialmente, a intervenção de uma potência oculta, e de deixar traços que se podem conservar, como nós o fazemos em nossa própria correspondência." ("O Livro dos Médiuns", Cap. XIII, Item 152).

Quanto ao processo de realização do fenômeno, Kardec distinguiu dois tipos extremos: a mediunidade mecânica e a intuitiva.

O psicógrafo mecânico é identificado pelo movimento involuntário da mão e a ausência de consciência do conteúdo da mensagem. Exemplo interessante que nos chegou, foi de um companheiro que, através da psicografia mecânica, psicografou alguns ‘rabiscos’ e o dirigente crendo ser o idioma Cândi, falado no Japão e na China, levou até a Faculdade de Letras da USP e apresentou a um professor de Chinês que lhe disse que aquilo não era Candi, mas um tipo de escrita chinesa muito arcaica, usada muito anteriormente ao Cândi.

A psicografia intuitiva é o seu inverso, isto é, o espírito que transmite suas idéias ao médium que as registra voluntariamente. O tipo mais comum, segundo Kardec, é o tipo intermediário, onde ao mesmo tempo o médium sente seu braço em movimento e lhe advém os pensamentos que estão sendo grafados. Este tipo é chamado de psicografia semimecânica.

Olhem que interessante. Ainda dentro da psicografia intuitiva, temos uma variedade que o codificador denominou médiuns inspirados. Aqui a participação dos espíritos é tão sutil que o inspirado tem dificuldade de distinguir o que é pensamento deles e o que é produto da sua própria mente.

Nesta variedade encontrar-se-iam muitos artistas e "homens de gênio" que seriam médiuns sem o saber, dada a dificuldade de identificar a participação dos espíritos desencarnados em seu trabalho.

E, finalizando, Kardec ainda apresenta outras tipologias de médiuns psicógrafos: os polígrafos, que têm sua letra alterada na comunicação, podendo apresentar a caligrafia que o comunicante possuía em vida (situação rara, segundo o codificador); os poliglotas, que possuem a faculdade de escrever em línguas desconhecidas por eles (exemplo que citamos acima)e os iletrados, que escrevem a despeito de serem analfabetos.(KARDEC, 1978. p. 226)

Ernesto Bozzano, possui um estudo meticuloso acerca da Xenoglossia [do grego xénon= estranho, estrangeiro + glôssa= língua + -ia] - Faculdade de falar ou escrever línguas estranhas ao próprio médium. Muito rara.

Dentre estes estudos de Bozzano, destaco-lhes um de 1930 o de Van Reuter e sua mãe dialogam com um padre que os responde em Russo, idioma que absolutamente desconheciam. A grafia das palavras se dá nos caracteres da língua mãe (inglês), imitando a sonoridade do russo.

Embora eles conhecessem o inglês, o alemão, o francês, o espanhol, o italiano e um pouco de sueco e latim, obtiveram mensagens em húngaro, norueguês, polonês, holandês, lituano, irlandês, persa, árabe e turco, além do russo já citado. (1926)

Estes estudos de Bozzano, trouxeram respostas e comparativos muito interessantes acerca da procedência e do fundo que pode existir em se tratando de psicografia. Para quem não sabe, Ernesto era um grande metapsiquista.

Aliás, gente, é tão estimulante observar todos estes ângulos, que me perco, me perdoem se lhes trago tantas coisas, mas vejam que interessante:

-A metapsíquica é uma ciência como as outras que tem por objetivo o estudo dos fenômenos psíquicos e psicológicos devidos às forças inteligentes pertencentes a outro plano de vida que não o nosso, ou às faculdades do espírito que permanecem desconhecidas.

Como tal, seu método é todo objetivo. Esta ciência não pode ser abordada apenas porque assim se quer. Ela demanda conhecimentos extensos e precisos, sobretudo em física, radioeletricidade, medicina, psiquiatria, psicologia, etc.

 O que quer dizer que ninguém se torna metapsiquista sem ter estudos preliminares, e pudemos ver que se trata de estudos muito complexos.

Se o Espiritismo se confundisse realmente com a metapsíquica, se fosse verdadeiramente uma ciência como as outras, convenhamos, os espíritas seriam muito raros.

Entendem companheiros, quando alertamos para as novidades que desejam imporem como sendo realidades espíritas e que devam constar da Codificação? Percebem como existe um procedimento, um cunho sério e importante sendo abordado e abrangido por detrás de conceitos tidos como espíritas?

Nossa Doutrina não é uma crença qualquer!! Lembrem-se, a Doutrina Espírita nos chega como o Consolador prometido por Jesus!! Embora seja uma Doutrina em tríade, ou seja ciência-filosofia-religião e o próprio Kardec se nos asseverou de que ele e a espiritualidade não haviam nos trazido tudo, isso não significa que podemos acoplar á ela tudo o que é descoberto e tido como benéfico à humanidade.

Relembrando, apenas como referencial e por ser de grande importância no contexto da identificação através da psicografia, temos no capítulo 13 do Livro dos Médiuns as explicações mais detalhadas e aprofundadas.

Em suma, temos os médiuns mecânicos e os intuitivos. Existe comumente um intermediário entre ambos e nem tão fácil de ser identificado, seria o médium semimecânico, aonde seu braço se movimenta e os pensamentos se lhes vêem à mente.

A intuitiva, portanto, é aquela em que pode haver a interferência do médium, pois passa primeiramente pela sua mente. Já na mecânica, não há como o médium intervir, pois o processo se dá todo de forma sem controle do médium. Seu braço e sua mão movem-se espontaneamente.

Ainda, dentro da intuitiva, temos os chamados médiuns inspirados. A sutileza deste processo, em muitos casos, torna praticamente impossível identificarmos o que é pensamento dos espíritos ou produto de nossa própria mente.

Complementando os médiuns psicógrafos temos os polígrafos, que têm sua letra alterada na comunicação, podendo apresentar a caligrafia que o comunicante possuía em vida (situação rara, segundo o codificador); os poliglotas, que possuem a faculdade de escrever em línguas desconhecidas por eles (exemplo que citamos acima)e os iletrados, que escrevem a despeito de serem analfabetos.

Enfim, psicografia como forma de identificação dos espíritos comunicantes, alguma dúvida? Perceberam como é fácil para alguém vir e nos contestar acerca das coisas, afirmar que isso e aquilo são invencionices ou obra do diabo, mas desconhecem a profundidade dos estudos, a seriedade e o grande legado que isso tudo representa?

Perceberam como existe muito mais do que a nossa singela idéia pode conceber, por detrás da mediunidade e da avalanche de livros romanceados que temos no mercado editorial? Acaso temos em mãos todas as informações técnicas, pesquisadas e observadas por pessoas que nos antecederam?

Que fazemos com estudos tão sérios e profundos tais quais estes dois exemplos que lhes trouxe agora? Simplesmente deixamos de lado ou aceitamos como fato consumado, diante das novidades que a vida nos brinda?

Vemos isso na educação de nosso filhos, não é mesmo? Escolas buscando o novo, formas de interação e envolvimento entre as ciências do saber e aprender com as tecnologias do dia-a-dia e vemos que, hoje em dia, crianças sabem rapidamente utilizar uma calculadora, mas não sabem montar estas contas na mente.

Avancemos sim na tecnologia, busquemos sim as inovações, mas não nos esqueçamos do básico. E o básico, pessoal, em se tratando de Doutrina Espírita é a Reforma íntima. Me calo por aqui....adoraria continuar, mas vou ficar quieta. Sei que muitos sabem do que estou falando e, em respeito a vocês, vou ficar quieta e deixar que vosso livre-arbítrio, vosso bom-senso e vossa razão vos guiem.

Bom, adentrando ao item seguinte, Kardec nos trás:

Os Espíritos que atingiram certo grau de depuração são os únicos libertos de toda influência corporal; mas quando estão completamente desmaterializados (esta é a expressão de que se servem) conservam a maior parte das idéias, dos pensamentos e até mesmo das manias que tinham na Terra e este á ainda um meio pelo qual podemos reconhecê-los.

Mas chegamos ao reconhecimento, sobretudo, através de uma multidão de detalhes que somente uma observação atenta e contínua pode revelar.Olhem que legal essa parte:

Vêem-se escritores discutirem suas próprias obras ou suas doutrinas, aprovando-lhes ou condenando-lhes certas partes; outros Espíritos lembrarem circunstâncias ignoradas ou pouco conhecidas de suas vidas ou suas mortes; todas as coisas, enfim, que são pelo menos provas morais de identidade, as únicas que se podem invocar tratando-se de coisas abstratas.

Coisas abstratas ou devaneios, ou ainda coisas vagas, realmente, não são materiais e nem palpáveis. Como então, só nos resta a moralidade para termos como referencial.

Mas interessante se faz notar nessa referência de kardec é que, mesmo Espíritos tidos como detentores de absoluta verdade, ao desencarnarem e terem a oportunidade de se manifestarem através de um médium, nos falam dos pontos falhos e dos pontos fortes em suas obras ou em seus escritos.

Já imaginaram como deve ter sido enriquecedor e proveitoso, travar estes diálogos com os grandes Mestres do passado, que retornam comentando a si mesmos em encarnações precedentes e questionando a veracidade da linha de raciocínio ou fé que lhes guiava?

Imaginem, nós outros, com todo nosso histórico de vida, quando se nos deparamos com a morte e podemos rever nossos pensamentos e nossos atos, sem o véu da matéria sem as pressões que a vida terrestre nos impõe?

E quão pesados nos são os fardos de reconhecimentos de nossos erros em palavras que dissemos a amigos, em gestos que tivemos para com o próximo? Imaginem como é a grandeza Divina a nos facultar essa possibilidade, após o desencarne e quando já estamos despojados de tantos véus e de tantos entraves a nos guiar e rodear?

Enfim, kardec nos brinda com mais este conhecimento:

Se, pois, a identidade do Espírito evocado pode ser, até certo ponto, estabelecida em alguns casos, não há razão para que ela não possa ser em outros. E se, para as pessoas de morte mais remota não temos os mesmos meios de controle, dispomos sempre daqueles que se referem à linguagem e ao caráter. Porque seguramente, o Espírito de um homem de bem nunca falará como o de um perverso ou imoral.

Se em determinados casos, não podemos ter os mesmos meios de controle. Como é o caso da identificação que fazemos de filhos ou parentes próximos em relação a parentes que viveram em épocas mais distantes. No entanto, temos sempre a índole a moralidade como fatores a serem analisados de forma concreta.

Como já vimos em estudos anteriores, desta mesma introdução ao Estudo da Doutrina Espírita, por Allan kardec, reconhece-se a árvore pelo fruto e isso temos como base e como normas em nosso dia-a-dia.

E também já falamos que os Espíritos que se revestem de um nome famoso ou de uma conduta que não a sua própria, em breve deixará cair a máscara da mentira. Vejam as palavras de Kardec a esse respeito:

Quanto aos Espíritos que se servem de nomes respeitáveis, logo se traem por sua linguagem e suas máximas. Aquele que se dissesse Fénelon, por exemplo, e ainda que acidentalmente ferisse o bom senso e a moral, mostraria nisso mesmo o seu embuste.

Se ao contrário, os pensamentos que exprime são sempre puros, sem contradições, constantemente á altura do caráter de Fénelon, não haveria motivos para duvidar-se de sua identidade. Do contrário, teríamos de supor que um Espírito que só prega o bem pode conscientemente empregar a mentira, sem nenhuma utilidade.

Duas coisinhas! Quem era Fénelon para ser citado tão respeitosamente por Kardec?

Em sua biografia, pude encontrar ter sido um Arcebispo na França pelos idos de 1687. Figura conceituada e bem posta à sua época, jovem foi galgando os degraus necessários ao seu aprimoramento. Fénelon é seu pseudônimo literário e podemos conhecer um pouco mais de sua vida através desta bibografia no link

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/mundo-espirita/expoentes-06.html

Fénelon figura na Codificação, em vários momentos, podendo ser citados: O livro dos espíritos, onde assina Prolegômenos, junto a uma plêiade de luminares espirituais. Igualmente a resposta à questão de nº 917 é de sua especial responsabilidade.

Em O evangelho segundo o espiritismo apresenta-se em vários momentos, discursando acerca da terceira revelação e da revolução moral do homem (cap. I, 10); o homem de bem e os tormentos voluntários (cap. V, 22,23; a lei de amor (cap. XI, 9); o ódio (cap. XII, 10) e emprego da riqueza (cap. XVI, 13).

Em O livro dos médiuns figura no capítulo das Dissertações Espíritas (cap. XXXI, 2ª parte, itens XXI e XXII) desenvolvendo aspectos acerca de reuniões espíritas e a multiplicidade dos grupos espíritas.

Importante assinalar que os destaques assinalados são os que o espírito assina seu nome, devendo se considerar que deve, como os demais responsáveis espirituais pela Codificação ter estado presente em muitos outros momentos, dando seu especial contributo, eis que foi convidado pelo Espírito de Verdade a compor sua equipe, em tão grandioso empreendimento.Uffa....tudo tem sua razão de ser, não?

A segunda coisinha é a de que viram como não adianta termos posturas diferentes e moldáveis aos ambientes em que convivemos? Se somos moralmente talhados e desejamos nosso aprimoramento nessa área, não nos adianta freqüentar uma Casa Espírita e lá sermos o modelo do bom Cristão, para assim que sairmos á rua, acendermos nosso cigarrinho ou ao adentrarmos ao nosso lar sermos os carrascos ou os companheiros infiéis, os pais intolerantes ou os filhos rebeldes (me perdoem os fumantes mas é um exemplo muito visto e trata-se de um vício prejudicial não só ao médium que trabalha em uma casa, mas também de trabalho dobrado à espiritualidade quando da limpeza e harmonização que necessitam fazer no chamado ‘aparelho mediúnico’ antes dos passes e trabalhos em que envolvam troca de energias).

A moralidade é muito mais abrangente do que belas palavras ou posturas que adotamos em tal ou qual ambiente. Distantes estamos na perfeição e na unicidade entre nosso saber, nosso crer e nosso agir, mas não nos custa lembrarmos disso. Somos únicos,encarnados ou não.

A cada instante temos as oportunidades de elevarmos nossa moralidade e nossas formas de sermos e agirmos. Cabe-nos estarmos atentos a estas oportunidades. Nós, que conhecemos a imortalidade da alma, temos esse compromisso de forma ainda mais latente!! Olhem que confortador esse detalhe que Kardec nos cita:

A experiência nos cita que os Espíritos do mesmo grau, do mesmo caráter e animados dos mesmos sentimentos, reúnem-se em grupos e em famílias. Ora, o número dos Espíritos é incalculável e estamos longe de conhecê-los a todos; a maioria deles não tem nomes para nós.

Um Espírito na categoria de Fénelon pode, portanto, vir em seu lugar, às vezes com o seu nome, porque é idêntico a ele e pode substituí-lo e porque necessitamos de um nome para fixar as nossas idéias. Mas que importa, na verdade, que um Espírito seja realmente o de Fénelon?

Desde que só diga coisas boas e não fale senão como faria o próprio Fénelon, é um bom Espírito; o nome sob o qual se apresenta é indiferente e nada mais é, freqüentemente, do que um meio para a fixação de nossas idéias.

Esse detalhe é muito importante que seja lembrado, amigos. Muitos de nós já nos deparamos com debates e sondagens acerca de quem é o Espírito da Verdade que assina muitos trechos nas obras da Codificação ou, como já citado anteriormente, Espírito que estava incumbido de trazer as obras da codificação e que tinha uma equipe de nobres Espíritos a acompanhá-lo.

A ênfase que Kardec deu sobre o Espírito vir em seu lugar por ser da mesma hierarquia espiritual, me faz lembrar uma dúvida que um dia ouvi (e acho que até eu já tive essa mesma dúvida...rsrsrs).

Como pode, em dia de aniversário de por exemplo, Eurípedes Barsanulfo, ele estar em várias Casas Espíritas pelas quais é mentor e ao mesmo tempo? Eis aí a explicação. Gostariam de comentar algo?

Kardec salienta ainda:

Não se verifica o mesmo nas evocações íntimas; pois nestas, como já dissemos, a identidade pode ser estabelecida por meio de provas que são, de alguma forma, evidentes.

Por fim, é certo que a substituição dos Espíritos pode ocasionar uma porção de enganos, resultar em erros e muitas vezes, em mistificações. Esta é uma das dificuldades do Espiritismo prático. Mas jamais dissemos que esta Ciência seja fácil nem que se possa aprendê-la brincando, como também não se dá com qualquer outra Ciência.

Exposição: Fiorell@!

 

 

XIV- AS QUESTÕES DE ORTOGRAFIA

Hoje adentraremos ao item XIV que trata das Questões de Ortografia.

Passaríamos ligeiramente sobre a objeção de alguns céticos quanto ás falhas ortográficas de alguns Espíritos, se ela não nos desse oportunidade a uma observação essencial.

Essa ortografia deve-se dizer, nem sempre é impecável; mas somente a falta de argumentos pode torná-la objeto de uma crítica séria, com alegação de que se os Espíritos tudo sabem, devem saber ortografia.

Poderíamos opor-lhes numerosos pecados desse gênero cometido por sábios da Terra, sem que lhes tenha diminuído o mérito. Mas há neste fato uma questão mais grave.

Vejam que interessante, pessoal. Costumo dizer que estudar a espiritualidade e seus fenômenos, nada mais é do que estudar e compreender a nossa própria estadia na Terra e àqueles que se nos acompanham.

Por vários tópicos e itens, pudemos acompanhar Kardec em suas ponderações sobre o que devia ser ou não analisado e explicado por ele, quando se tratava das objeções feitas pelos contraditores da Doutrina Espírita.

Kardec em seu minucioso trabalho precisou filtrar não só as mensagens que eram trazidas da espiritualidade como também os argumentos sérios e de fundamento que se lhe chegava ás mãos (ou alguém duvida que ele também recebeu, através dos médiuns mensagens enganatórias, desvirtuadas e sem cunho doutrinário real?).

Nesse ínterim, podemos nos recordar de que Kardec foi o escolhido para desempenhar esta missão, não por causa de seus bellos olhos, mas sim, devido á sua capacidade e, sobretudo, á sua moralidade e ao seu empenho no tocante às coisas do Cristo e da Espiritualidade, desde encarnações anteriores.

Bom, se Kardec em seu profundo bom-senso e em seu discernimento acurado detinha-se a analisar determinadas questões que se lhes apresentavam em refutamento á Doutrina Espírita, algum tipo de filtro ou de embasamento ele devia ter, certo?

É fato pouco conhecido no meio espírita, infelizmente, o chamado Controle Universal dos Espíritos. Criado por Kardec e necessário para os ajustes que deveriam ser feitos futuramente na Codificação Espírita. E olhem que está lá, no começo do Evangleho Segundo o Espiritismo.

José Tufaile em precioso texto direcionado ao site espírito.org, brinda-nos com grandes informações acerca de como deveria ter sido o implemento de tal código.

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/gebm/psicografia-controle.html

Ele enumera os fatos que não aconteceram aqui no Brasil (e em outros locais do mundo) e mostra-nos a necessidade de se utilizar o controle universal.

Bom, no que diz respeito a Kardec e aos opositores da Doutrina, não era diferente. Assim como existiam parâmetros para ele discernir o que lhe vinha às mãos como sendo parte da Codificação, ele também analisava as argumentações dos contraditores.

Duvido que Kardec, diante da seriedade do fato e do momento em que se prestava ao nascimento da Codificação, tenha perdido seu tempo analisando argumentos que não primassem pela boa educação, pelo respeito e, sobretudo, pela lógica.

O que me lembra de uma passagem que o Curioso citou em sua palestra ontem (que infelizmente não pude acompanhar inteira) acerca dos melindres e de uma pergunta feita a Chico sobre os que deserdam dos trabalhos em uma Casa Espírita por ocasião do melindre.

E Chico foi claro: nada nos cabe a não ser orar por estes irmãos para que caiam em si e continuarmos nossas tarefas. Chico não foi tão simplório nas palavras, mas a mensagem é esta.

E o mesmo podemos utilizar quando se trata das pessoas que intentam difamar, caluniar e desfazer da Doutrina Espírita e de seus seguidores.

A Doutrina veio, está estabelecida e não foi uma brincadeira feita para distrair pessoas ociosas. Quando foi necessário, os opositores foram ouvidos e foram respondidos a contento.

Passados mais de século, têm ainda opositores (claro, pois cada qual está em uma fase evolutiva e de aprendizado), mas se o opositor se dispor a estudar a Doutrina de forma séria e desprovida de paixões, encontrará as respostas necessárias, tanto do cunho pessoal de Kardec, quanto de cunho espiritual, quanto do estudo minucioso e sério efetuado por renomados físicos, cientistas e médicos.

E, se for trazer para nós e nosso dia-a-dia, estejamos então atentos aos que se opõe sem argumentos e sem respeito.

Aliás, que utilizemos deste parâmetro não só quando pensamos em Doutrina Espírita, mas sim também quando nos reportamos ao nosso lado pessoal. Muito embora tenhamos recebido inúmeras mensagens de Emmanuel e outros Espíritos de Escol, alertando-nos para a necessidade da fraternidade e para a compreensão e tolerância que irmãozinhos necessitam, não nos esqueçamos de que também estamos no caminho.

E mais, não nos esqueçamos de que muito embora devamos praticar a tolerância e a compreensão, também precisamos saber até aonde vão nossos limites e até aonde temos já a autoproteção para fazermos como o rio, que banha as margens, mas não detém suas águas, pois corre o risco de enlamear-se e de poluir-se com as águas estagnadas que se encontram à margem.

Foi isso que Kardec fez, tal qual rio que percorre inúmeras e variadas margens, não se firmou em nenhum ponto, levando adiante sua responsabilidade no tocante à Codificação. Ele, como rio caudaloso que foi, percorreu muitas margens e as águas que se encontravam estagnadas e que quiseram adentrar ao seu regaço, seguiram adiante deixando o ponto da margem repleto de galhos, troncos e imundices.

E, não menos ainda, temos as colocações de Jesus, quando os apóstolos iam nas cidades pregar a Boa Nova e eram mal recebidos, Jesus alertava-os de que deveriam, ao sair, bater as sandálias, para lá deixarem o respectivo pó.

Levemos conosco apenas aquilo que se nos acrescenta e aquilo que se nos confere algo de proveitoso, o restante, descartemos em benefício próprio e da nossa tarefa.

Para os Espíritos, principalmente para os Espíritos Superiores, a idéia é tudo, a forma não é nada. Livres da matéria, sua linguagem é rápida como o pensamento, pois é o próprio pensamento que entre eles se comunica sem intermediários.

Devem, portanto, sentir-se mal quando são obrigados, ao se comunicarem conosco, a se servirem das formas demoradas e embaraçosas da linguagem humana e, sobretudo de sua insuficiência e imperfeição, para exprimirem todas as suas idéias.

É o que eles mesmos dizem, sendo curioso observar os meios que empregam para atenuar esse inconveniente.

Pessoal, vejam que interessante, simples e direto. Em muitos casos, infelizmente, a simplicidade das coisas faz com que elas percam o verdadeiro significado e valores.

Mas não precisamos ir longe, não é mesmo? Quantas vezes ouvimos dizer que gênios da música e das artes enlouqueciam dentro da frustração que se lhes acometia, ao depararem-se com o mundo espiritual e com a estreiteza de manifestação destas visões!

Vejam esta colocação feita por Erasto e Timóteo, constante do Livro dos Médiuns no capítulo XIV:

"Efetivamente, quando somos obrigados a servir-nos de médiuns pouco adiantados, muito mais longo e penoso se torna o nosso trabalho, porque nos vemos forçados a lançar mão de formas incompletas, o que é para nós uma complicação, pois somos constrangidos a decompor os nossos pensamentos e a ditar palavra por palavra, letra por letra, constituindo isso uma fadiga e um aborrecimento, assim como um entrave real à presteza e ao desenvolvimento das nossas manifestações”.

"Quando queremos transmitir ditados espontâneos, atuamos sobre o cérebro, sobre os arquivos do médium e preparamos os nossos materiais com os elementos que ele nos fornece e isto à sua revelia. E como se lhe tomássemos à bolsa as somas que ele aí possa ter e puséssemos as moedas que as formam na ordem que mais conveniente nos parecesse”.

Perceberam, companheiros, o porque da necessidade de nos instruirmos? O manancial se acumula encarnações afora, servindo não só a nós mesmos, mas como a todos aqueles aos quais nos dispusermos a auxiliar, principalmente em se tratando do intercâmbio com a espiritualidade.

E, em se tratando em trabalhos mediúnicos, mais ainda, pois os Espíritos que querem se comunicar através de nós encontram ‘menos’ dificuldades para fazê-lo.

O mesmo acontece conosco se tivéssemos que nos exprimir numa língua de palavras e fraseados mais longos, e mais pobres de expressões do que a nossa. É a dificuldade que experimenta o homem de gênio, impaciente com a lentidão da pena, sempre atrasada em relação ao pensamento.

Compreende-se, pois que os Espíritos liguem pouca importância às puerilidades ortográficas, principalmente quando tratam de um ensinamento profundo e sério.

Não é, aliás, maravilhoso que se exprimam indiferentemente em todas as línguas, a todos compreendendo?

Disso não se deve concluir, entretanto, que a correção convencional da linguagem lhes seja desconhecida, pois a observam quando necessário.

Por exemplo, a poesia por eles ditada quase sempre desafia a crítica do mais exigente purista, e isto, apesar da ignorância do médium.

Compreenderam, companheiros? Viram que interessante? Inclusive esse aparte sobre as poesias ditadas e que são ‘impecáveis’ apesar da ignorância do médium.

Não é que desconhecem ou não sabem a correta ortografia, mas sua prioridade nem sempre se faz necessária.

Aliás, não nos esqueçamos que, nos momentos em que a psicografia não é mecânica, pode haver a interferência do médium e provir dele o erro e não do Espírito comunicante.

E, de forma mais chão-a-chão falando, lembremos sempre que estas são explicações e fatos ocorridos e envolvendo Espíritos de elevada espiritualidade, que como já vimos, buscam médiuns de relevante condição moral para utilizarem como instrumento, pelos mais variados motivos que já vimos anteriormente.

A título de ressalva e finalizando este tópico XIV da introdução aos Estudos da Doutrina Espírita – As questões de ortografia, deixo-lhes ainda este comentário constante daquela seqüência que encontramos no capítulo XIX do Livro dos Médiuns:

"Os nossos pensamentos não precisam da vestidura da palavra, para serem compreendidos pelos Espíritos e todos os Espíritos percebem os pensamentos que lhes desejamos transmitir, sendo suficiente que lhes dirijamos esses pensamentos e isto em razão de suas faculdades intelectuais.

Quer dizer que tal pensamento tais ou quais Espíritos o podem compreender, em virtude do adiantamento deles, ao passo que, para tais outros, por não despertarem nenhuma lembrança, nenhum conhecimento que lhes dormitem no fundo do coração, ou do cérebro, esses mesmos pensamentos não lhes são perceptíveis.

Neste caso, o Espírito encarnado, que nos serve de médium, é mais apto a exprimir o nosso pensamento a outros encarnados, se bem não o compreenda, do que um Espírito desencarnado, mas pouco adiantado, se fôssemos forçado a servir-nos dele, porquanto o ser terreno põe seu corpo, como instrumento, à nossa disposição, o que o Espírito errante não pode fazer”.

 

Exposição: Fiorell@!

 

 

XV- A LOUCURA E SUAS CAUSAS - parte 1

Vimos no encontro anterior, sobre as questões de ortografia e a real importância que os Espíritos de Alta Envergadura prestam a esse fato.

Lembrando-lhes que, não ocorre que desconheçam a forma correta de se expressarem ou que não achem necessário manifestar-se de forma correta, mas tão somente devido ao fato de que o que mais lhes pesa é a mensagem (a idéia) que desejam transmitir-nos.

Outrossim, quando se faz oportuno, brindam-nos com poemas/poesias que são impecáveis não somente na mensagem, mas também na composição das mesmas.

Adentrando ao tópico XV – A Loucura e suas Causas, veremos que ele quase se esbarra em alguns exemplos citados em estudos anteriores.

Há ainda criaturas que vêem perigo por toda parte, em tudo aquilo que não conhecem, não faltando as que tiram conclusões desfavoráveis ao Espiritismo do fato de terem algumas pessoas, que se entregaram a estes estudos, perdido a razão.

Entenderam esse trecho, companheiros? Pessoas que passaram a estudar a doutrina espírita, perderam a razão (dementaram-se) e em vista destes exemplos, outras criaturas vêem a doutrina espírita de forma desfavorável.

Vamos prosseguir nas colocações de kardec e entendamos o que elas englobam:

Como podem os homens sensatos aceitar essa objeção? Não acontece o mesmo com todas as preocupações intelectuais quando o cérebro é fraco?

Conhece-se o número de loucos e maníacos produzidos pelos estudos matemáticos, médicos, musicais, filosóficos e outros? E devemos por isso banir tais estudos? O que provam estes fatos?

Fato interessante passa por minha mente, quando desta citação de Kardec. Lembro-me daquilo que comentávamos sobre a impotência que acometia aos gênios das artes e das músicas, ao depararem-se com belezas contidas na espiritualidade e a limitação que encontravam ao quererem transmiti-las para nós outros.

Kardec fala de mente fraca. Como podemos entender as situações que envolvem pessoas que adentram á Doutrina e enlouquecem?

De fato, geralmente ouvimos falar do contrário, não é mesmo?

Se não me falha a memória, foi no livro Palco de Encarnações, do Espírito Antonio Carlos, que li sobre um senhor de engenho (ou de escravos) que, em vista da quantidade de obsessores que possuía, passou a apresentar comportamento ensandecido.

Não é fato desconhecido a muitos de nós que, grande parte das loucuras e dos loucos que proliferam em sanatórios e locais afins, deve-se em grande parte à influência nefasta de espíritos desencarnados.

São irmãozinhos que são tratados como sendo loucos, quando na verdade, estão assediados por desencarnados.

Lembro-me de quando freqüentava uma casa espírita aqui no ABC e, em certo horário, chegava um homenzarrão totalmente perturbado e proferindo frases desconexas.

Em dado momento, por tal incomodo que este irmão causava nas palestras, foi-nos esclarecido que tratava-se de um empresário, casado, pai de 3 filhos e que, de repente, viu-se preso a obsessores tão bem organizados, que não tiraram-lhe apenas os bens materiais, mas também a sanidade.

Lembrando que a palavra ‘tiraram’ pode soar como injustiça ou roubo, mas existe sempre uma troca profunda entre obsedado e obsessor.

Bom, Kardec estimula-nos ao pensamento e ao conhecimento, à indagação e à pesquisa, também quando nos pergunta se, por existirem casos de insanidade dentre os que estudam medicina, matemática e outras ciências, deveríamos paralisar estes estudos.

E é muito feliz nesta colocação, pois vocês devem se lembrar do caso de um rapaz que estava concluindo o curso de medicina e promoveu uma chacina ou ainda dos estudantes de advocacia, que atearam fogo a um irmão.

Acaso devemos deixar de estudar a medicina e a advocacia por estes fatos?

Onde estará o fator desequilibrante: na medicina, na advocacia ou nos seus estudiosos?

Podemos concluir que, fugir ao estudo e à compreensão da Doutrina Espírita alegando-a dementadora de homens, é um tanto ingênuo!!

Vejamos a feliz colocação que se segue:

Nos trabalhos físicos, estropiam-se os braços e as pernas que são os isntrumentos da ação material; nos trabalhos intelectuais, estropia-se o cérebro que é o instrumento do pensamento.

Mas se o instrumento se quebrou, o mesmo não aconteceu com o Espírito; ele continua intacto e quando se libertar da matéria não desfrutará menos da plenitude de suas faculdades. Foi no seu setor, como homem, um mártir no trabalho.

Bom vocês podem observar que nestes trechos, Kardec seguiu por um raciocínio e eu segui por outro.

Focando, ainda uma vez a visão de Kardec, temos aqui um alerta que somente a crença na continuidade de nossa individualidade, fará com que se cale em nosso coração.

Como o irmãozinho obsedado que citei ou como os estudiosos citados por Kardec, todos nós, ao nos libertarmos da matéria, nos libertaremos de um jugo, de um fardo. O material.

Em caso de loucura ou de perda de nossas faculdades mentais, no desencarne e no devido tempo, recuperaremos nossas faculdades.

Não podemos generalizar e nem nos esquecer das inúmeras circunstâncias e situações que compõe a variabilidade dessa ‘regra’, mas também não podemos nos esquecer de que tudo que é somado ao espírito, nele se aloja em recônditos que poderão, no devido tempo, serem acessados.

Mais uma vez, nos lembremos de que o conhecimento nunca é demais e de que a alma humana (nós) é uma individualidade e assim o permanece.

Existe um livro interessante do Espírito Manoel P. de Miranda, psicografado por Divaldo nos idos de 1986, que trata do assunto.

No prefácio, temos o alerta de que:

(...) Atraindo-se pelos gostos e aspirações, vinculando-se mediante afetos doentios, sustentando laços de desequilíbrio decorrente do ódio, assinalados pelas paixões inferiores, exercem constrição mental e, às vezes, física naqueles que lhes concedem as respostas equivalentes, resultando variadíssimas alienações de natureza obsessiva.(...)

Eis a sintonia se fazendo presente e causando estragos que, muitos de nós, já sabemos como evitar, graças a Deus.

Muitos de nós já temos noção destes fatos e temos a necessidade de promovermos alterações em nosso íntimo e em nosso pensar, agir e desejar.

Renovando-se nosso campo, renovaremos nossas companhias e nossos resultados.

38- Vale ressaltar que Manoel ainda nos diz que longe da Doutrina Espírita querer desmerecer ou relegar a segundo plano estudiosos da mente, mas sim, apenas confirmar tais estudos e reconhecer neles os mecanismos necessários para que se restabeleça a ordem mental necessária principalmente no plano espiritual.

No capítulo 17, temos uma alusão de grande valia e que nos serve como referencial e recomendação, não só para os casos de alienação como também para os demais acontecimentos de nossa vida:

O tratamento das alienações mentais, incluindo-se a obsessão, é muito desgastante, por motivos óbvios, exigindo-se moralidade, paciência, fé e títulos de enobrecimento por parte daqueles que se lhe dedicam ao mister.

O terapeuta comum, quando portador desses requisitos, exterioriza a FORÇA CURADORA que passa a envolver o paciente, dando-lhe ou aumentando-lhe a resistência.

Ao mesmo tempo, uma conduta exemplar confere méritos àquele que a possui, atraindo a consideração e complacência dos Bons Espíritos que passam a auxiliá-lo, dele se utilizando na ação do BEM.

Bom, arrematando estes comentários, achei interessante trazer-lhes esta passagem para que possamos compreender e, até mesmo, sabermos como se processa o auxílio da espiritualidade.

Perceberam como devemos ter cuidados em muitos aspectos? Afora procurarmos ajuda especializada e em paralelo o tratamento espiritual, devemos ter também, uma visão mais profunda de quem é que nos estende a mão.

A sintonia se faz e nos envolve, seja para o bem,seja para o mal. E, em se tratando de desobsessão muitos fatores estão envolvidos. Conhecê-los fará com que tenhamos mais ferramentas e condições favoráveis de sermos bem-sucedidos.

A sintonia dos outros também nos pode ser benéfica ou maléfica, lembremo-nos disso ao escolhermos nossas companhias. Pessoas desajustadas, com baixa moralidade e proceder duvidoso, com certeza, possuem companheiros da mesma estirpe.

É isso que queremos para nós? É isso que queremos trazer ao nosso lar? Aos que amamos?

Bom, voltando aos comentários de Kardec, temos:

Todas as grandes preocupações intelectuais podem ocasionar a loucura; as Ciências, as Artes e a Religião fornecem os seus contingentes.

Como assim, né gente? Kardec nos diz que a loucura não tem fronteiras dentro da intelectualidade e que, os que se afiliam às Ciências, às Artes e à Religião, são eventuais participantes dos índices de loucura. Não são elas que os enlouquecem, mas sim a vulnerabilidades da mente. Vejam mais:

A loucura tem por causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a determinadas impressões.

Havendo essa predisposição à loucura, ela se manifestará com o caráter da preocupação principal do indivíduo, que se tornará uma idéia fixa.

Essa idéia poderá ser a dos Espíritos, naquele que se ocupa do assunto, ou a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade ou de um sistema político ou social.

É provável que o louco religioso se apresente como louco espírita se o Espiritismo foi a sua preocupação dominante, como o louco espírita se apresentaria de outra forma, segundo as circunstâncias.

Ou seja, dar rótulos e nomear a loucura como sendo provinda de determinados campos de estudo, é infundado.

Aliás, lembro-me de outro assunto de grande polêmica e que estudos das entidades comprometidas a fundo com a situação (leia-se CVV – Centro de Valorização à Vida), nos alertam que não foi a última situação a causadora do ato suicida, e sim a soma dos fatores (observando-se aqui, puramente pelo lado material, ok, pessoal?).

O desemprego, a briga com o namorado, a baixa da ação de valores, a mudança de casa, a perda de algum ente querido, enfim, tantas outras situações foram os fatores desencadeantes do suicídio – aquela última gota que faltava para o copo transbordar, mas não as suas causas.

Sentimentos mal trabalhos, situações mal resolvidas, despreparo psicológico ante a vida e as suas dificuldades, entre outras foram os inúmeros fatores que somaram-se e fizeram com que o ato se consumasse.

Nós espíritas, conhecedores que somos do mundo espiritual e do intercâmbio que se processa entre os dois planos, sabemos que mais coisas podem interferir e fazer com que o fim seja trágico, principalmente as más influências e companhias espirituais que se aproximam em decorrência da sintonia.

Acho que se revermos os estudos desta introdução, desde o princípio, se atentarmos para as passagens expostas e explicadas, veremos que em nenhum dia deixamos de falar da sintonia!!

A partir do momento que nos dermos conta da sua importância, da sua abrangência e do seu peso em nosso viver, creio que estaremos fortalecidos e munidos de uma ferramenta imprescindível para nossa melhora, para nossa renovação e nosso bem-estar. E olhem lá Kardec falando aquilo que já podemos ter percebido, ao estudarmos ainda que de forma incompleta, nossa querida Doutrina Espírita:

Digo, portanto, que o Espiritismo não tem nenhum privilégio neste assunto.E vou mais longe: digo que o Espiritismo bem compreendido é um preservativo da loucura!!

Olhem só!! Temos aqui a opinião pessoal de Kardec!! E, nós outros que sabemos de seu potencial intelectual e, sobretudo, espiritual, não podemos nos furtar a concordar e a assinar embaixo desta grande verdade.

Fato consumado em locais que tratam a demência não apenas pelo ângulo material, mas sobretudo pelo ângulo espiritual. Como já vimos hoje, superficialmente, através de Divaldo Pereira e como podemos constatar através de outras obras, como as de Yonne Pereira e Chico Xavier.

Loucura e obsessão andam de mãozinhas dadas. E kardec nos mostra o por quê:

Entre as causas mais freqüentes de super-excitação cerebral devemos contar as decepções, as desgraças, as afeições contrariadas que são também as causas mais freqüentes do suicídio.

hehehe...não precisamos ir longe, não é mesmo, pessoal? Quando algo nos atormenta a mente, e em usando a palavra atormentar já definimos tudo, percebemos que nossa mente se torna algo desenfreado e sem controle.

Em quinta, enquanto fazíamos alguns comentários sobre as dores de nossa alma, estava pensando algo que não tive a oportunidade de colocar e, hoje, ao me deparar com essa frase de kardec, acabei por me recordar.

Já notaram como temos a impressão que os homens sofrem menos? Chegamos a chamá-los de insensíveis, não é mesmo? E mulheres fortes chamamos de mulher-macho.

Qual será o fio que os une? Aonde estarão, estes irmãos igualados, quando se fala em pensamento? Creio eu, ser a racionalidade. O que não significa que ambos não sintam dores, necessidades emocionais ou afins.

Apenas canalizam seu pensar e seu agir de forma produtiva. Não alimentam a pieguice e a lamúria, dominam o pensamento, excluindo dele o que não lhes pertence e nem o que não lhes acrescenta.

Estar de posse do domínio de nosso pensar, faz com que direcionemos e guiemo-lo de forma coerente. As principais causas de loucura, apresentadas por Kardec, estão ali: decepções, desgraças e afeições contrariadas.

E ele nos mostra a diferença, mais adiante, quando passamos a observar as mesmas situações sob a ótica espiritual:

Ora, o verdadeiro espírita olha as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado;

elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, em face do futuro que o aguarda;

a vida é para ele tão curta, tão fugitiva, que as tribulações não lhe aprecem mais do que incidentes desagradáveis de uma viagem.

hehehe...quando eu crescer, quero ser uma verdadeira espírita...Na verdade, gente, se pararmos para observar, embora a vida num âmbito geral não seja curta, pois adentramos hoje em dia facilmente á casa dos 70 ou dos 80 anos e com ótima qualidade de vida, ela passa de forma relâmpago!!

Se a vida material anda assim, tão ligeirinha, quem dirá a espiritual? Na quinta mesmo, falávamos sobre o tempo na Terra e o tempo na espiritualidade e eu enfatizei, após ler o comentário de um companheiro acerca do eixo terrestre e do tempo, que a espiritualidade é muito mais do que a crosta terrestre e nossas medidas temporais!!

Aprendamos, desde já, a valorizarmos cada minuto e cada oportunidade que nos são ofertadas, começando pela retirada de pensamentos e sentimentos que não nos acrescentam!!
 

Exposição: Fiorell@

 

 

XV- A LOUCURA E SUAS CAUSAS - parte 2

Bato nesta mesma tecla, porque podemos acompanhar as explicações de kardec e ele foi claríssimo logo acima:

Entre as causas mais freqüentes de super-excitação cerebral devemos contar as decepções, as desgraças, as afeições contrariadas que são também as causas mais freqüentes do suicídio.

Puxa!!! Olha mais uma oportunidade se abrindo á nossa frente!!! Abandonemos nossos traumas e nossas dificuldades. Façamos força para tirarmos de nós as coisas que nos dificultam a vida e nos embaraçam o viver e que são passageiras!!

E se vocês não conseguem perceber o que são essas coisas bobas, façam uma auto-análise!! Observem, de forma racional, vosso comportamento e vossa reação frente ás coisas da vida!!

Lembro-me que quando eu tinha meus 14 ou 15 anos, não gostava de usar saia ou vestido porque não gostava de meu corpo. Quando me abri para a vida, percebi a bobagem deste sentimento. E, pior, quantas não teem pernas e adorariam usar uma saia? Por que ter tanta vergonha de nós mesmos e de nossas formas?? Quantas vezes não deixei de curtir uma praia em paz, por achar que estava com o abdomem proeminente?

Me privei de tantas coisas boas, de tantos momentos plenos, por estar mais atenta a coisas que só os mesquinhos atentavam!! Ou seja, eu era mesquinha (ainda sou...detesto as rugas que a idade está me trazendo, mas estou me convencendo que farão parte de meu charme...).

Viram que lastima, meninos e meninas? Então, queridos irmãos em Cristo, vamos olhar a vida sob um outro prisma. Ela passa num puft e nem percebemos, diante da grandeza que é a espiritualidade!

Vamos lá:
Aquilo que para qualquer outro produziria violenta emoção, pouco o afeta, pois sabe que as amarguras da vida são provas para seu adiantamento, desde que as sofra sem murmurar, porque será recompensado de acordo com a coragem demonstrada ao suportá-las.

Puxa.... Semana retrasada, conheci um rapaz. Ele tem uns 22 ou 23 anos. Mora em estado lá pra cima....Acho que ele é do Pará. Encontra-se aqui em São Paulo, desde seus 6 ou 7 anos.

A princípio, era acompanhado pela mãe, mas depois de um certo tempo, esta voltou para o Pará, pois o restante da família necessitava dela. Ele cresceu e foi educado pelas inúmeras pessoas que passavam pela casa de apoio.

Casa de apoio, é o local aonde são alojadas as pessoas que chegam até São Paulo para tratamento médico no hospital das clínicas. Doenças mais complicadas, que só podem ser tratadas neste hospital, requerem que ou a pessoa se mude para cá, ou que permaneça alojado nestas casas de apoio, juntamente com um mundão de gente.

Enfim, rapaz lindo!! Feliz por poder servir e ser útil a quem quer que seja. Tem como doença de base a elefantíase e que se manifesta no rosto ( ela é uma doença que faz crescer exageradamente determinados membros do corpo), mas possui outras que o afetam.

Entretanto, nem sei se é espírita, mas está com toda certeza, seguindo a recomendação de Kardec (e até de Jesus em muitas passagens), pois sofre-as sem murmurar e, ainda, sendo útil aos que o cercam.

Pude conhecê-lo, pois ele estava passando a noite com uma criança, que a mãe precisou deixar e voltar correndo para casa e, no mesmo dia, ainda estava levando para lavar as roupas das companheiras outras que também moram na mesma casa de apoio e se encontravam acompanhando os filhos por alguns dias no hospital.

Por isso, quando alguém estiver reclamando da vida, se sentindo injustiçado ou preterido por Deus, pare e cale-se! Pense que tudo que nos chega, terá melhor proveito se soubermos nos conduzir com galhardia e resignação!! E para quem não sabe, digo: galhardia significa ânimo, generosidade, bravura e coragem!!

Lembrem-se que ninguém é preterido por Deus, pelo contrário, quanto maior nossa provação, maior nosso amparo pela espiritualidade e nossa oportunidade de resgate!! Tudo dependerá de como encararmos a situação!!

Alguns não percebem como, mas possuem isto que Kardec enumera, de forma natural e arraigada dentro de seu ser. Vejamos:

Suas convicções lhe dão uma resignação que o preserva do desespero e conseqüentemente de uma causa constante de loucura e suicídio.

Além disso, conhece, pelo exemplo das comunicações dos Espíritos, a sorte daqueles que abreviam voluntariamente os seus dias, e esse quadro é suficiente para o fazer meditar.

Puxa....perceberam como tem gente que nem se sabe de onde tem atitudes e reações coerentes com o apregoado pela espiritualidade? Faz parte de suas convicções de vida! Algo que está profundamente arraigado em seu ser.

E mais, dá a devida atenção ao fato de que o exemplo/erro alheio, pode servir-lhe de exemplo, pois ao deparar-se com as comunicações da espiritualidade e os exemplos dos que o cerca, tem como referencial um caminho que não precisa percorrer.

E, neste caso companheiros, não nos esqueçamos de uma coisa muito simples: o suicídio não é apenas o ato de, formalmente, tirarmos nossa vida material.

Muitos de nós somos suicidas em potencial, pois já tiramos nossa vida espiritual, quando deixamos de viver com alegria, com sonhos e com perspectivas.

Perdemos a fé e a coragem para seguirmos nossas provações e dificuldades, não aceitamos nossas imperfeições (e quem é perfeito, caramba?!!) e seguimos alimentando e calejando nossas impotências.

Matamos nosso brilho e nossa luz. Matamos nosso espírito!!! Puxa, quão bello é quando acordamos e podemos resgatar nossa luz e nosso brilho!! Como é bom, quando encaramos a vida de frente e deixamos para trás este suicídio espiritual.

Certa feita, lembro-me de alguém comentando os pecados. Falava do não matarás e do não roubarás.

E tem tanta gente que fala assim: graças a Deus eu nunca roubei e nem matei ninguém!! Será?? Esta pessoa falava justamente daquelas pessoas que roubam sonhos, roubam a felicidade alheia e matam sua alegria e suas esperanças!!

Será que este ‘pecado’ foi arraigado de nós? Ou ainda estamos distribuindo facadas e pedradas no coração e na mente alheia? Ou pior: será que não andamos esfaqueando e roubando a nós mesmos, tirando-nos a grande oportunidade de sermos plenos?

Lição de casa. Pensem nisso. Eu ando pensando e muito!!!!

Assim, o número dos que têm sido detidos á beira desse funesto despenhadeiro é considerável (do suicídio). Este é um dos resultados do Espiritismo.

Que os incrédulos se riam quanto quiserem: eu lhes desejo as consolações que ele (o espiritismo) proporciona a todos os que se dão ao trabalho de lhe sondar as misteriosas profundidades.

Mais um grande exemplo de Kardec!! Realmente, quantos de nós, já não pensamos ou intentamos o ato de subtrair nossa própria vida? E quantos de nós, já não nos detivemos não por medo, mas sim por acreditar na Codificação e, por conseguinte, nos testemunhos ofertados pelos que já se foram?

Quem quiser ler, existem vários livros não só do Chico Xavier, que nos reporta depoimentos dos que passaram para a pátria espiritual de forma precipitada e leviana, assim como também estudos, relatos e uma série de outros fatores relacionados ao suicídio sob o ponto de vista da Codificação.

Separei este link, para que possam consultar os vários títulos que tratam do tema suicídio. Leiam e sosseguem o facho que atiça a insana saída da morte como resolução aos problemas!!

http://www.vademecumespirita.com.br/

Selecionem por tema: suicídio!! Aliás, excelente site como direcionador de obras, autores e assuntos.

E tem mais, Kardec declara que os que desejam rir da Doutrina que riam, mas deseja-lhes que possam descobrir e encontrar o conforto e o lenitivo ofertados por todos aqueles que buscam se aprofundar em suas águas de luz, amor, conhecimento e bondade!!

Isso significa, para quem não notou, DAR A OUTRA FACE!!! Eis a máxima do Cristo demonstrada de forma simples, coerente e segura!! Sigamos:

Entre as causas de loucura devemos incluir o pavor, sendo que o medo do Diabo já desequilibrou alguns cérebros.

Sabe-se o número de vítimas que ele tem feito ao abalar imaginações fracas com essa ameaça, que cada vez se procura tornar mais terrível através de hediondos pormenores?

Vejam que interessante este ponto!! Friso estas partes: Sendo que o medo do Diabo já desequilibrou alguns cérebros e a outra, que cada vez se procura tornar mais terrível através de hediondos pormenores.

A crença no diabo e em sua figura nefasta, domina a mente de muitas pessoas e com muita certeza, já levou inúmeras não só à loucura, mas como também ao desequilíbrio e ao fanatismo.

Temos na bíblia algumas passagens citando a figura desta criatura e sua atuação controvertida:

"No dia em que os anjos de Deus vieram se apresentar a Yaveh, entre eles veio Satanás (...) Num outro dia em que os anjos de Deus vieram se apresentar novamente a Yaveh, entre eles veio também Satanás." (Jó 1,6; 2,1).

No livro de Jó, em ambas as ocasiões, Satanás aparece entre os anjos e, nas duas oportunidades, recebe de Deus a incumbência de colocar à prova o pobre Jó. Uma conspiração de Deus e do diabo contra Jó!

Como se não bastasse, o próprio Deus vem a Jó num sonho e o aterroriza com visões (Jó 7,14), tarefa que parecia reservada a Satanás. Situação semelhante volta a ocorrer na tentação de Jesus, quando ele é conduzido pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo diabo (Mt.4,1).

Quem será esse tal diabo que, mesmo subversivo, ainda é prestimoso a Deus?
Vale a pena lembrar, a palavra diabo vem do grego "dia-bolo" que significa "aquilo que separa", em oposição a "syn-bolo", "aquilo que une".

Bom, trouxe-lhes um interessante artigo que aborda de forma lúcida alguns aspectos que envolvem o diabo nas crenças que crescem e proliferam, chamadas de Teologias da Prosperidade (quase aquele famoso livro que andamos estudando na MOMENTO FRATERNO, intitulado o Sucesso):

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/teologia-da-prosperidade.html

Mas, o que mais me chama a atenção é o que nós espíritas pensamos ser ou chamamos de diabo.

Diabo, satã, satanás, etc., têm origem no Grego diabolos, ou seja, adversário. Mas não são espíritos. São coisas internas de nós mesmos e que obstaculizam a nossa evolução espiritual.

Exemplos: orgulho, avareza, inveja, ciúme, ressentimento, coisas que são contrárias ao nosso Eu Interior, ao nosso Cristo Interno ou Espírito Santo que habita em nós.
Isso levou São Paulo a dizer que nós somos santuários (templos) do Espírito Santo. Na verdade, como está no original grego, nós devemos dizer "dum" e não "do" Espírito Santo, pois cada um de nós é um Espírito Santo encarnado.(por José Reis Chaves).

Leiam depois este artigo aqui, muito interessante e que aborda muito mais do que estes trechos que eu citei:

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/jose-chaves/demonios-e-diabos.html

 Bom, depois desta lúcida definição, só me cabe finalizar o raciocínio de kardec ao nos dizer:

O diabo, dizem, só assusta às crianças, é um meio de torná-las mais ajuizadas. Sim, como o bicho-papão e o lobisomem.
50- Hoje em dia, talvez assustemos as crianças com os não tão irreais seqüestradores e pedófilos!!

Mas quando elas deixam de temê-los, ficam piores do que antes. E para conseguir tão belo resultado não se levam em conta as epilepsias causadas pelo abalo de cérebros delicados.

A religião seria bem fraca se, por não usar o medo, seu poder ficasse comprometido. Felizmente assim não acontece.
Ela dispõe de outros meios para agir sobre as almas e o Espiritismo lhe fornece os mais eficazes e mais sérios, desde que os saiba aproveitar.

Mostra as coisas na sua realidade e com isso neutraliza os efeitos funestos de um temor exagerado.

Puxa...interessante essa ressalva de Kardec, acerca das epilepsias e a fragilidade de cérebros delicados, quando envolvidos por tão fantasiosas e nocivas estórias, que visam tão somente a castração e o medo, mas não a compreensão e o respeito.

Por isso temos que salientar: o conhecimento liberta e eis que nossa doutrina espírita traz a luz e a clareza que são necessárias para que possamos galgar nossa liberdade, a liberdade do santuário acima citado por Paulo, o nosso santuário interior!!

Aliás, tem uma palestra do Divaldo em que ele diz que a Mesopotâmia é considerada como o édem terrestre, mas que para nós, o édem é nosso interior.

Como anda o teu Édem: cheio de cobras e lagartos ou cheio das maravilhas que Deus nos ofertou??

Voltando á citação de kardec no tocante á epilepsia, tenho eu aqui mais um exemplo hospitalar.Estava lá aguardando um exame, quando vem a pergunta clássica: que tem sua filha? E após a explicação, o retorno gentil: e tua filha, o que tem?
Foi quando a mãe explicou que a menina de aproximadamente 2 anos, tinha um déficit na produção de insulina, o que provoca surtos e, inclusive, ataques similares ao epiléticos. Por serem similares e não iguais e ocorrerem desde os 3 meses de idade, foi um pouco complicado para os médicos chegarem ao diagnóstico preciso!

Mas, igualmente complicado para alguém que simplesmente disse: sua filha PADECE de MEDIUNIDADE!!! Atentem para o fato: padece...sofre....tem como doença a mediunidade...desconheço se foi ‘diagnosticado’ por espírita ou não, mas serve-nos como exemplo dos próximos comentários.

Exemplo este que vem ao encontro do comentário contido na questão 474 de nosso Livro dos Espíritos, aonde Kardec salienta um aparte:

(...)Freqüentemente se tem tomado por possessos criaturas epiléticas ou loucas, que mais necessitavam de médico do que de exorcismo.

Neste aparte, kardec explicava sobre a ‘possessão’ ou seja, a coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo. De nossa parte, retiramos a ênfase, para que as pessoas tenham um pouco mais de pé no chão.

Sabemos que, para muitas pessoas, tudo o que ocorre de ruim é obra e influência dos desencarnados (ou até da pobre criatura encarnada que sequer olhou para ela), mas embora haja o fundo verídico por detrás de muitos fatos e que devem ser analisados de forma desapaixonada, existe também o alerta de que nem tudo é proveniente dos desencarnados.

Como já falamos em estudos anteriores e, inclusive no passado, eles se aproveitam inclusive das portas que abrimos, mas não necessariamente são os causadores das doenças ou males que nos afligem!

Para tanto, trouxe um trecho do livro obsessão e Desobsessão, de Suely Caldas Schubert, em que ela cita uma passagem de André Luiz:

“(...)na retaguarda dos desequilíbrios mentais, sejam da ideação ou da afetividade, da atenção e da memória, tanto quanto por trás de enfermidades psíquicas clássicas, como, por exemplo, as esquizofrenias e as parafrenias, as oligofrenias e a paranóia, as psicoses e neuroses de multifária expressão, permanecem ás perturbações da individualidade transviada do caminho que as Leis Divinas lhe assinalam à evolução moral.” (trecho do livro Mecanismos da Mediunidade, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, capítulo 24º).

São pois enfermidades da alma a se refletirem no corpo físico. Importa deixar bem claro que não se deve confundir e generalizar, afirmando que tudo é obsessão, que tudo é provocado por obsessores, como também não se deve atribuir todas as nossas dificuldades à ação dos Espíritos perturbadores.

E Kardec não deixou de nos advertir quanto a isto, a esse exagero tão comum no meio espírita (verificar O Livro dos Médiuns, Allan Kardec, item 253). Nem sempre os problemas são de origem espiritual. Pode ser até mesmo um processo de auto-obsessão, como já vimos.

Também é preciso não confundir esses estados com sintomas de mediunidade. Ocorre freqüentemente que muitos espíritas de boa-vontade e bem-intencionados, por desconhecimento, diante de pessoas portadoras de epilepsia, em quaisquer de suas modalidades, afirmam tratar-se de mediunidade, sendo necessário desenvolvê-la.

Tais enfermos são encaminhados sem mais delongas às reuniões mediúnicas, onde não somente persistem com seus problemas, mas ainda provocam desequilíbrio nos trabalhos, já que não estão aptos a assumir as tarefas da mediunidade que requerem disciplina, estudo e discernimento.

O Codificador, ciente dessa possibilidade, aconselhava, já em sua época, que se deveria aliar, nesses casos, o tratamento magnético ao médico, o que se vê, contudo, é que muitos espíritas, ignorando as ponderações de Kardec, acostumaram-se a diagnosticar apressadamente, confundindo doença com mediunidade.

E, como acham que tudo é mediunidade, muitos aconselham logo a suspensão do tratamento médico e da medicação anticonvulsiva, o que poderá acarretar sérios danos ao enfermo. Os remédios que controlam as crises epilépticas não podem ser suspensos repentinamente, sob pena de o paciente ter o seu estado agravado”.

Alerta feito, não deixemos de aplicá-lo a todos os setores que envolvem os males físicos e espirituais. Como é dito em muitas casas espíritas e, pelo menos em todas as que freqüentei graças ao bom senso sempre me deparei com este alerta: não devemos nunca interromper o tratamento médico em prol do tratamento espiritual. Ambos andarão em paralelo, e, no momento correto, a medicina terrena haverá de suspender o tratamento.

Porém, agindo com ponderação, não podemos igualmente descartar a possibilidade de mediunidade ou obsessão. Vejamos ainda em outro trecho de Suely, no livro obsessão e Desobsessão, em que comenta o caso de Esther, contido no livro de Manoel Philomeno de Miranda:

(...)O medo que então experimenta desestrutura-a psiquicamente, fazendo-a viver em clima de constante pesadelo, do qual não consegue despertar.

Se tenta agir, gritar, reagir, não tem forças, não comanda mais o seu próprio comportamento e vê-se perdida no cipoal de idéias enlouquecedoras, que sabe não serem as suas, mas às quais tem que obedecer porque se sente dominada em todos os centros de registro.

A permanência nesse estado lesa o organismo físico, instalando-se nele enfermidades reais.

Dessa forma, a obsessão pode ter como conseqüência, entre outras, a loucura, a epilepsia, a esquizofrenia, e levar ao suicídio, ou aos vícios em geral.

Uffa, companheiros, este livro é riquíssimo e de suma importância para que conheçamos dentro do crivo da razão e da conduta cristã, casos que haverão de nos acrescentar conhecimentos e, com muita certeza, servir de alicerce para que façamos aquilo que sempre vos instigo a fazer: sermos donos de nosso pensamento, vigilantes no tocante às idéias que armazenamos e alimentamos em nosso ser.
 

 Exposição: Fiorell@!

 

 

XVI- A TEORIA MAGNÉTICA E A DO MEIO AMBIENTE - parte I

Pela introdução a este tópico, podemos notar tratar-se um tópico de grande profundidade para nosso raciocínio e compreensão do que se passa dentro da parte espiritual da tríade filosofia-religião-ciência. Acompanhemos kardec:

Resta-nos examinar duas objeções: as unicas que realmente merecem este nome porque se apóiam em teorias racionais.

Uma e outra admitem a realidade de todos os fenômenos materiais e morais, mas excluem a intervenção dos Espíritos.

Bom, não vamos pegar o bonde andando e querer ir na janela!! Vamos retroceder um pouco em nossos conhecimentos e verificarmos o que seria, primeiramente, o tal do magnetismo e aonde ele se encaixa na Doutrina Espírita.

Em seguida, acompanharemos as explicações de Kardec, mostrando-nos a união da objeção e da realidade doutrinária.

Bom....eu nem sabia por onde começar...o tema é vastíssimo e queria dar uma noção geral a todos (e até a mim mesma) do que é o tal do magnetismo e porque se fala tanto dele dentro da Codificação. Adorei e por pouco não montei um estudo para meses....rsrsrs

Foi quando me deparei com as explicações acerca da fluidificação da água. Puxa, nem digo para vocês como foi bom rever esse trem!! Aliás, fixei-me nele para, de certa forma, me aprofundar no magnetismo dentro da Codificação. Aliás, é só um aspecto que poderia ter sido explorado, mas teremos mais adiante, a oportunidade de fazê-lo em outros segmentos.

Confesso ainda que me prendi á fluidificação da água, pois é um processo que utilizamos em nossas preces realizadas na sala NOSSO EVANGELHO DIÁRIO e que, com muita certeza, poucos de nós conseguiram apreender a profundidade e o tesouro daquilo que podemos fazer através deste procedimento.

Bom, vamos lá. Conheçamos um pouco do que é o magnetismo á luz da ciência terrena!!

O Magnetismo é um ramo da Física que estuda os materiais magnéticos, ou seja, que estuda materiais capazes de atrair ou repelir outros.

A primeira referência conhecida sobre uma substância capaz de atrair outras é a de Tales de Mileto. Segundo ele os habitantes de Magnésia, uma região da Grécia, conheciam um material com tal propriedade.

Mas esse fenômeno nunca despertou um grande interesse, até o século XIII, quando a bússola passou a ser usada. Algumas pessoas tentaram explicar o magnetismo durante essa época, mas só no século XIX, quando Oersted iniciou o Eletromagnetismo e Maxwell formulou leis que descreviam esses fenômenos, que um estudo mais completo se iniciou.

Atualmente, estudar isoladamente o magnetismo e o eletromagnetismo não faz muito sentido. Materiais magnéticos são amplamente utilizados em motores, transformadores, dínamos, bobinas, etc, ou seja, em equipamentos elétricos e o próprio magnetismo é explicado em termos do movimento dos elétrons.

Se pararmos para refletir sobre o que isso significa, veremos que o tal do magnetismo está presente em muito mais lugares do que imaginamos: carros, elevadores, televisores, microcomputadores, mp3 e toda sorte e infinidade de equipamentos elétricos.

Ou seja, o magnetismo nos envolve por completo e nem nos apercebemos disso. Aliás, quando eu li o tópico do estudo de hoje, tremi na base e quase pedi para alguém fazer no meu lugar, afinal Teoria magnética assusta!! Mas é tão ao nosso alcance, que me surpreendi e me encantei com o trem...êita, já falei né, o assunto é apaixonante!!

Bom, até aqui, vimos uma pequena explicação do que se trata o magnetismo visto pela parte ciência, envolvendo a matéria.

Não podemos nos esquecer que a Terra também possui magnetismo, quando vemos que funciona como um imenso imã. O magnetismo da Terra é formado por ferro e níquel, eles possuem duas partes abaixo do solo em que uma é sólida e outra líquida, e a combinação dos dois se misturando com a rotação da Terra formam um campo magnético ao redor do planeta.

 Por isso nosso tópico de hoje tem como título a Teoria magnética E A DO MEIO AMBIENTE!!

Da mesma maneira que a devastação desenfreada de nossas reservas verdes afeta a camada de ozônio que nos envolve e protege, a extração desmedida dos materiais do subsolo, também traz e trará conseqüências para nosso Planeta.

Embora saibamos da temporalidade da matéria, usar os benefícios da natureza de forma descuidada e desrespeitosa como estamos fazendo, trará conseqüências não só ao Planeta, mas à nossa consciência que sabe, perfeitamente, que embora nosso corpo ou a Terra sejam um empréstimo divino, deles devemos zelar com apurado amor e bom-senso.

Até então, tivemos alguns dados técnicos, mas importantes. A fonte consultada foi a Wikipédia, que possui outras fontes como fundo referencial. Sigamos adiante, mas sem nos esquecermos das nossas responsabilidades e atitudes que devemos renovar para com nossos hábitos que envolvem a matéria.

Vejam estas palavras de O Kybalion, aliás saibam que O Caibalion (Kybalion) é um livro esotérico e ocultista sobre os Princípios Herméticos, foi publicado pela primeira vez em 1908 em inglês. O livro foi escrito por três indivíduos auto-intitulados Os Três Iniciados, e segundo eles contém a essência dos ensinamentos de Hermes Trismegistus tal como ensinado nas escolas herméticas do Antigo Egito e da Grécia.

O título Caibalion se refere a uma palavra hebraica que significa "Tradição ou preceito manifestado por um ente de cima" e compartilha a mesma raiz da palavra Qabala. Muitas das idéias apresentadas neste livro anteciparam conceitos relativamente modernos da Lei da Atração e do Movimento do Novo Pensamento.

 Hehe...por isso kardec, na introdução deste tópico nos diz que as objeções feitas neste aspecto da Doutrina, merecem ser analisadas com respeito e seriedade. O magnetismo, além de ser um ‘assunto’ da Ciência, está presente em escolas como as que citei acima e isso bem lá nos confins, antes mesmo da vinda de Jesus.

Aliás, vale lembrar que, não é porque Jesus chegou há 2000 anos que as coisas passaram a acontecer e a existir a partir de então. Ele é um ícone e uma visão nova para muitas coisas, mas não o criador ou descobridor delas. Egito e Grécia são o berço de muitas coisas!!

Bom, voltando ao nosso magnetismo, eis que O Caibalion, aquele que é o preceito de um ente de cima, nos traz a seguinte afirmativa:


Tudo é dual; tudo tem pólos;
tudo tem seu par de opostos;
igual e diferente são os mesmos;
opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau;
extremos encontram-se;
todas as verdades são apenas meias-verdades;
todos os paradoxos podem ser reconciliados.

Uffa...A velha frase de que existem mais coisas entre a Terra e o Céu do que a nossa vã filosofia pode conceber, se encaixa como uma luva aqui. Opostos idênticos em natureza, igual e diferente são os mesmos, tudo tem seu par de opostos.... nossa ... perceberam a profundidade destas afirmativas?
Essas afirmativas iniciam os estudos sobre a Teoria do magnetismo!! Interessante, não?

Bom, no Livro dos Médiuns, capítulo VIII do Laboratório do Mundo invisível, extraímos algumas colocações que serão importantes para que percebamos a abrangência do tema.

Neste capítulo, São Luiz é inquirido acerca de algumas coisas e nos oferta pacientemente, respostas claras:

10ª Pode então o Espírito dar a um objeto, não só a forma, mas também propriedades especiais?

"Se o quiser. Baseado neste princípio foi que respondi afirmativamente às perguntas anteriores. Tereis provas da poderosa ação que os Espíritos exercem sobre a matéria, ação que estais longe de suspeitar, como eu disse há pouco”.

13ª Então, poderia também fazer uma substância alimentar? Suponhamos que tenha feito uma fruta, uma iguaria qualquer: se alguém pudesse comer a fruta ou a iguaria, ficaria saciado?

"Ficaria, sim; mas, não procures tanto para achar o que é tão fácil de compreender. Um raio de sol basta para tornar perceptíveis aos vossos órgãos grosseiros essas partículas materiais que enchem o espaço onde viveis. Não sabes que o ar contém vapores d’água?

 Condensa-os e os farás voltar ao estado normal. Priva-as de calor e eis que essas moléculas impalpáveis e invisíveis se tornarão um corpo sólido e bem sólido, e, assim, muitas outras substâncias de que os químicos tirarão maravilhas ainda mais espantosas. Simplesmente, o Espírito dispõe de instrumentos mais perfeitos do que os vossos: a vontade e a permissão de Deus."

Quando seguimos à frente deste mesmo capítulo, encontramos estas colocações acerca da modificação das propriedades da matéria:

129. A teoria acima se pode resumir desta maneira: o Espírito atua sobre a matéria; da matéria cósmica universal tira os elementos de que necessite para formar, a seu bel-prazer, objetos que tenham a aparência dos diversos corpos existentes na Terra. Pode igualmente, pela ação da sua vontade, operar na matéria elementar uma transformação íntima, que lhe confira determinadas propriedades.

Esta faculdade é inerente à natureza do Espírito, que muitas vezes a exerce de modo instintivo, quando necessário, sem disso se aperceber.(...)

Finalizando este aspecto da transformação da matéria, temos na questão 130:

130. A existência de uma matéria elementar única está hoje quase geralmente admitida pela Ciência, e os Espíritos, como se acaba de ver, a confirmam. Todos os corpos da Natureza nascem dessa matéria que, pelas transformações por que passa, também produz as diversas propriedades desses mesmos corpos. (...)

 Um pouco mais adiante, no Livro dos Médiuns, temos a Ação magnética curadora:

131. Esta teoria nos fornece a solução de um fato bem conhecido em magnetismo, mas inexplicado até hoje: o da mudança das propriedades da água, por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito.

Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que, como atrás dissemos, é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal. Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.

Temos aqui duas situações envolvendo o magnetismo: a cura diretamente no organismo e a alteração das propriedades da água. Lembrando a todos que:

O fluido magnético é: "Fluido vital, eletricidade animalizada, que são modificações do fluido universal."(Livro dos Espíritos questão 427)

O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.(também no Livro dos Espíritos questão 27).

 No Livro Diretrizes de Segurança, de Divaldo e Raul Teixeira, temos a seguinte pergunta que não deixa de ser chover no molhado, diante daquilo que acabamos de ouvir pelas palavras de São Luis, mas vamos lá, não custa enfatizar:

 Perg.: A água fluidificada tem valor terapêutico?

 Divaldo - A magnetização da água é uma providência tão antiga quanto a própria cultura humana. A chamada hidroterapia era conhecida dos povos mais esclarecidos.

Sendo considerada uma substância simples, acredita-se que a água facilmente recebe energias magnéticas, fluídicas, e pode operar, no metabolismo desajustado, o seu reequilíbrio. Então, a água fluidificada ou magnetizada tem valor terapêutico.

Bom, conheçamos agora, a ação desses fluídos na água e a nossa atuação para que isso ocorra. Infelizmente, não lembrei de salvar a fonte destas colocações que farei a seguir, me desculpem.

A mudança das propriedades da água se dá por obra da vontade. O Espírito atuante é o do magnetizador, quase sempre assistido por outro Espírito.

Ele opera uma transmutação por meio do fluido magnético que é a substância que mais se aproxima da matéria cósmica, ou elemento universal.

Ora, desde que ele pode operar uma modificação nas propriedades da água, pode também produzir um fenômeno análogo com os fluidos do organismo, donde o efeito curativo da ação magnética, convenientemente dirigida.

Sabe-se que papel capital desempenha a vontade em todos os fenômenos do magnetismo. Porém, como se há de explicar a ação material de tão sutil agente?

A vontade não é um ser, uma substância qualquer; não é, sequer, uma propriedade da matéria mais etérea que exista.

A vontade é atributo essencial do Espírito, isto é, do ser pensante. Com o auxílio dessa alavanca, ele atua sobre a matéria elementar e, por uma ação consecutiva, reage sobre seus compostos, cujas propriedades íntimas vêm assim a ficar transformadas.

Quantas e quantas vezes já não ouvimos a frase: Sois Deuses!! Temos a ferramenta, a alavanca chamada vontade!!!

Tanto quanto do Espírito errante, a vontade é igualmente atributo do Espírito encarnado; daí o poder do magnetizador, poder que se sabe estar na razão direta da força de vontade.

Podendo o Espírito encarnado atuar sobre a matéria elementar, pode do mesmo modo mudar-lhe as propriedades, dentro de certos limites. Assim se explica a faculdade de cura pelo contacto e pela imposição das mãos, faculdade que algumas pessoas possuem em grau mais ou menos elevado.

Finalizando estas colocações contidas no Livro dos Médiuns, temos o seguinte direcionamento: capítulo dos Médiuns, o parágrafo referente aos Médiuns curadores. Veja-se também a Revue Spirite, de julho de 1859, págs. 184 e 189: O zuavo de Magenta; Um oficial do exército da Itália.

Para o Espírito Bezerra de Menezes (MIRANDA, obra de 1988), "A água, em face da sua constituição molecular, é elemento que absorve e conduz a bioenergia que lhe é ministrada. Quando magnetizada e ingerida, produz efeitos orgânicos compatíveis com o fluido de que se faz portadora".

MICHAELUS (1989) afirma que os efeitos produzidos pela água magnetizada são múltiplos, às vezes até absolutamente opostos; alternativamente tônica ou laxativa, a água magnetizada fecha ou abre as vias de eliminação, segundo as necessidades do organismo.

Lembrando Kardec: a ação magnética produzida pelo agente encarnado (magnetizador), tanto pode produzir uma modificação nas propriedades da água, quanto no tocante aos fluidos orgânicos (ex: bile, linfa, líquido céfalorraquidiano, saliva, suco gástrico, sangue total, etc).

No tocante á ação que podemos exercer na água, conseguiram compreender, companheiros o manancial que temos em mãos?

Pedi e obtereis e a Tua fé te curou!! Lembrem-se das palavras de Jesus, sempre!!

O campo da cura mediúnica, que utiliza-se do magnetismo é vastíssimo e mereceria muito mais do que alguns minutos.Mas vamos tentar assinalar alguns pontos importantes.

Consta em A Gênese Segundo o Espiritismo, resumo parte 11, capítulo XV, sobre Jesus:

“A pureza de seus fluídos perispirituais lhe "conferia imensa força magnética, secundada pelo incessante desejo de fazer o bem". Jesus não foi um poderoso médium curador, pois, pela sua superioridade, agia por si mesmo; poderia ser considerado médium de Deus.”

Bom... grande exemplo e referencial, o de Nosso Mestre Jesus, mas e nós, podemos também? Será que podemos falar aqui, de médiuns de cura? E quem seriam os tais médiuns curadores e como podem exercer a cura? Olha o magnetismo chegando aí, gente!!

 Médiuns curadores são ricos em magnetismo pessoal, que nada mais é do que o tal do carisma ou daquelas pessoas que possuem grande facilidade de relacionamento, atração e sedução....hehehe....tem gente fazendo sexo desenfreadamente por aí e podia estar curando...rsrsrs

Allan Kardec no Livro dos Médiuns, 2.ª parte, cap. XVI, item 189, nos informa:

Médiuns curadores: os que têm o poder de curar ou de aliviar o doente, pela só imposição das mãos, ou pela prece.

"Esta faculdade não é essencialmente mediúnica; possuem-na todos os verdadeiros crentes, sejam médiuns ou não. As mais das vezes, é apenas uma exaltação do poder magnético, fortalecido, se necessário, pelo concurso de bons Espíritos."
No item 175, cap. 14, do mesmo livro:

"Médiuns curadores - Somente para mencioná-la, trataremos aqui desta variedade de médiuns, porque o assunto exigiria demasiado desenvolvimento para o nosso esquema.”

Se kardec ao abordar o assunto no Livro dos Médiuns, precisou ser comedido e limitar-se apequenas partes, por ser demasiado complexo para o que se propunha o Livro dos Médiuns, quem dirá nós, que queremos apenas pincelar sobre a existência desta possibilidade, ressaltando assim, mais uma vez o magnetismo dentro da Doutrina Espírita.

Encerro este aparte sobre médiuns curadores, trazendo-lhes uma pergunta feita a Divaldo no mesmo livro que citei acima, Diretrizes de Segurança, capítulo 1º item 21:

 Perg.: Qual a finalidade de médiuns curadores ?
Resp.: A prática do bem, do auxílio aos doentes. O Apóstolo Paulo já dizia: “Uns falam línguas estrangeiras, outros profetizam, outros impõem as mãos”...’

Como o Espiritismo é o Consolador, a mediunidade, sendo o campo, a porta por meio da qual os Espíritos Superiores semeiam e agem, a faculdade curadora é o veículo da Misericórdia para atender a quem padece, despertando-o para as realidades da Vida Maior, a Vida Verdadeira.

Após a recuperação da saúde, o paciente já não tem o direito de manter dúvidas nem suposições negativas ante a realidade do que experimentou.

O médium curador é o intermediário para o chamamento aos que sofrem, para que mudem a direção do pensamento e do comportamento, integrando-se na esfera do bem.

Na medida do possível, coloquem este livro em vossa ‘lista’....Diretrizes de Segurança, que aborda muitos aspectos sobre a mediunidade, as curas, as posturas do médium curador e assim por diante. Aliás, coloquem em vosso favorito, também, este link aonde poderão baixar livros diversos, não só da Doutrina Espírita.

http://www.4shared.com/dir/56945/69db50b3/sharing.html

Se falamos em cura, que é a troca de energias benéficas entre um plano e outro, podemos deduzir que existe também a troca de energias maléficas, não? Temos a obsessão. Terá ela associação com o magnetismo? Como é o magnetismo dentro da obsessão? Aonde a palavra magnetismo se encaixa nessa questão?

Vamos lá, através de mensagem ofertada pelo Espírito Francisco de Menezes Dias da Cruz, através do médium Francisco Cândido Xavier, na noite de 3 de março de 1955, teremos alguns referenciais preciosos, que inclusive, servirão de acréscimo ao que estudamos nos encontros anteriores sobre Loucura e suas Causas, nesta mesma introdução ao Livro dos Espíritos e também sobre o hipnotismo do qual falará Kardec nesta mesma introdução.

Acerca dos fenômenos de obsessão, convém acrescentar algumas notas alusivas à dominação magnética, para compreendermos, com mais segurança, as técnicas de influência e possessão dos desencarnados que ainda padecem o fascínio pela matéria densa, junto dos companheiros que usufruem o equipamento fisiológico na experiência terrestre.

Quem assiste aos espetáculos de hipnotismo, nas exibições vulgares, percebe perfeitamente os efeitos do fluido magnético a derramar-se do responsável pela hipnose provocada sobre o campo mental do paciente voluntário que lhe obedece ao comando.

Neutralizada a vontade, o «sujet» assinala, na intimidade do cosmo intracraniano, a invasão da força que lhe subjuga as células nervosas, reduzindo-o à condição de escravo temporário do hipnotizador com quem se afina, a executar-lhe as ordenações, por mais abstrusas e infantis.

Aí vemos, em tese, o processo de que se utilizam os desencarnados de condição inferior, consciente ou inconscientemente, na cultura do vampirismo.

Justapõem-se à aura das criaturas que lhes oferecem passividade e, sugando-lhes as energias, senhoreiam-lhes as zonas motoras e sensórias, inclusive os centros cerebrais, em que o espírito conserva as suas conquistas de linguagem e sensibilidade, memória e percepção, dominando-as à maneira do artista que controla as teclas de um piano, criando, assim, no instrumento corpóreo dos obsessos as doenças-fantasmas de todos os tipos que, em se alongando no tempo, operam a degenerescência dos tecidos orgânicos, estabelecendo o império de moléstias reais, que persistem até à morte.

Nesse quadro de enfermidades imaginárias, com possibilidades virtuais de concretização e manifestação, encontramos todos os sintomas catalogados na patogenia comum, ...

a- da simples neurastenia à loucura complexa

b- e do distúrbio gástrico habitual à raríssima afemia estudada por Broca.

 Eis por que, respeitando o concurso médico, através da clínica e da cirurgia, em todas as circunstâncias, é imprescindível nos detenhamos no valor da prece e da conversação evangélica, como recursos psicoterápicos de primeira ordem, no trabalho de desobsessão, em nossas atividades espíritas. (Ver: Psicoimunologia)

O círculo de oração projeta o impacto de energias balsâmicas e construtivas, sobre perseguidores e perseguidos que se conjugam na provação expiatória, e a incorporação medianímica efetua a transferência das entidades depravadas ou sofredoras, desalojando-as do ambiente ou do corpo de suas vítimas e fixando-as, a prazo curto, na organização fisiopsíquica dos médiuns de boa-vontade para entendimento e acerto de pontos de vista, em favor da recuperação dos enfermos, com a cessação da discórdia, do desequilíbrio e do sofrimento.

Assim sendo, enquanto a medicina terrestre aperfeiçoa os seus métodos de assistência à saúde mento-física da Humanidade, aprimoremos, por nossa vez, os elementos socorristas ao nosso alcance:

a- pela oração e pela palavra esclarecedora,

b- pela fé e pelo amor,

c- pela educação e pela caridade infatigável.

Lembremo-nos de que o Evangelho, por intermédio do Apóstolo Paulo, no versículo 12, do capítulo 6, de sua carta aos Efésios, nos informa com justeza:

«Não somos constrangidos a guerrear contra a carne ou contra o sangue, mas, sim, contra os poderes das trevas e contra as hostes espirituais da maldade e da ignorância nas regiões celestes.»

 Não nos esqueçamos de que a Terra se movimenta em pleno Céu. E todos nós, em nossa carreira evolutiva, nas esferas que lhe constituem a vida, estamos subordinados a indefectíveis leis morais.

Exposição por Fiorell@

 

 

XVI- A TEORIA MAGNÉTICA E A DO MEIO AMBIENTE - parte II

Ainda no quesito magnetismo, temos os não menos importantes médiuns curadores, que são apresentados por Kardec em vários pontos das obras da Codificação. Para referência, cito A Gênese Segundo o Espiritismo,parte 11, capítulo XV; Livro dos Médiuns, 2.ª parte, cap. XVI, item 189 e tantos outros trechos de grande importância para nossos estudos e compreensão.

Creio que podemos finalizar estas pinceladas sobre magnetismo e falarmos um pouco sobre o que é sonambulismo, pois a junção dos dois é que se atribui como sendo o que ocorre em espiritismo.

Sonambulismo [do latim somnus= sono e ambulare= marchar, passear] - Estado de emancipação da alma mais completo do que no sonho. O sonho é um sonambulismo imperfeito. No sonambulismo, a lucidez da alma, isto é, a faculdade de ver, que é um dos atributos de sua natureza, é mais desenvolvida. Ela vê as coisas com mais precisão e nitidez, o corpo pode agir sob o impulso da vontade da alma. O esquecimento absoluto no momento do despertar é um dos sinais característicos do verdadeiro sonambulismo, visto que a independência da alma e do corpo é mais completa do que no sonho.

Por esta definição de sonambulismo, além de conhecê-lo em sua concepção, podemos também perceber que a alma livre do corpo está em grande domínio da situação.

Falar do sonambulismo, faz com que citemos a clarividência, pois em "O Livro dos Espíritos" na parte que trata da emancipação da alma, questão 402, Kardec trata de uma "espécie de clarividência" que acontece durante os sonhos, onde a alma tem a faculdade de perceber eventos que acontecem em outros lugares. Neste ponto, portanto, ele emprega o termo como uma faculdade de ver à distância sem o emprego dos olhos. Os sonâmbulos seriam capazes deste fenômeno devido à faculdade de afastamento da alma de seu respectivo corpo seguida da possibilidade de locomoção da mesma. (q. 432)

Na questão 426 e próximas, kardec indaga sobre clarividência-sonambúlica e afins, demonstrando assim, através destas questões, o seu conhecimento prévio acerca da mistura de ambas. Será juito bom quando adrentarmos a este ponto dos estudos.

Para o momento, podemos então dar continuidade à linha de indagações sobre o sonambulismo, onde Kardec pergunta de onde se originam os conhecimentos apresentados pelos sonâmbulos que eles não possuem em estado de vigília e que não se explicam diretamente pela percepção sonambúlica.

Os espíritos argumentam que em estado de emancipação, os sonâmbulos podem acessar conhecimentos que lhes são próprios, originários de existências anteriores, ou de outros espíritos com quem comunicam-se (isto está na questão 431 do Livro dos Espíritos).

Faz sentido, então, questionar se todos os sonâmbulos são médiuns sonambúlicos, distinção esta que Kardec aprofundará em "O Livro dos Médiuns". Ainda em "O Livro dos Espíritos", afirma-se que a maioria dos sonâmbulos vê os espíritos, mas que muitos deles podem crer que se trate de pessoas encarnadas, por lhes ser estranha a idéia de seres espirituais.

Bom, temos ainda muitas outras coisas para verificarmos sobre sonambulismo, mas no momento, queríamos apenas dar uma pincelada sobre o tema, para que pudéssemos saber do que exatamente estamos falando quando lemos as afirmações de Kardec nesta introdução.

Aliás, introdução é isto, algo que nos leva à entrada de algum ponto ou lugar e, em nosso caso em específico, a introdução ao Livro dos Espíritos é uma porta de rara lucidez que nos mostra como poderemos encontrar uma infinidade de respostas e assuntos variados neste Livro trazido por kardec, com as elucidações ofertadas pela espiritualidade.

Aonde podemos também frisar que, embora o livro dos Espíritos seja um livro relativamente pequeno, em média 400 páginas, é de um conteúdo imenso, principalmente quando o estudarmos de forma a compreendermos não só as colocações acerca dos fatos e assuntos, mas também quando procurarmos compreender estes tais fatos e assuntos em seu nascimento ou existência.

Bom, após conhecermos um pouco sobre magnetismo e sonambulismo, vamos ás colocações de kardec:

...segundo uma teoria, todas as manifestações atribuídas aos Espíritos seriam apenas efeitos magnéticos. Os médiuns ficariam num estado que se poderia chamar de sonambulismo acordado, fenômeno conhecido de todos os que estudaram magnetismo.

Temos aqui o tal do sonambulismo acordado. Aliás, vejam que interessante, segundo o Wikipédia, crianças entre 5 e 12 podem apresentar este procedimento, ocorrendo entre 15 e 40% destas e, quando adentram á fase adulta, deixam de apresentar esta característica.

Pôxa...sonambulismo acordado....isso quer dizer que o médium acordado age como se estivesse dormindo e emancipa a alma do corpo. Que aliás, existe um nome para este fenômeno, que é desdobramento.

Mas, cá para nós...se é sonambulismo, fato que ocorre quando dormimos, não pode ser chamado de sonambulismo acordado...enfim, vejamos a seqüência das objeções um tanto pueris, embora calcadas em observações séria.

Neste estado, de sonambulismo acordado, as faculdades intelectuais adquirem um desenvolvimento anormal, os círculos da percepção intuitiva se ampliam além dos limites de nossa percepção ordinária. Dessa maneira, o médium tiraria de si mesmo e por efeito de sua lucidez tudo quanto diz e todas as noções que transmite, mesmo sobre as coisas que lhe sejam mais estranhas no estado normal.

Busquei auxílio em estudo feito por Jader dos Reis Sampaio, que nos falas sobre as influencias do mesmerismo em Kardec. Separei algumas partes interessantes:

“Uma primeira influência é a da terminologia. Kardec "redefiniu" muitos termos do magnetismo. Muitos leitores do Espiritismo acreditam que ele criou as palavras, mas não é verdade: Kardec criou conceitos novos. Palavras como espírito e médium são anteriores ao codificador. O sentido atribuído a elas por Kardec é que é singular à Doutrina Espírita; são conceitos a partir dos quais ela se constitui.”

Médium, para o mesmerismo, é a pessoa que se coloca sob a ação do magnetizador. Para Kardec, "todo aquele que sente, num grau qualquer, a influência dos espíritos é, por este fato, médium." (Kardec, 1861. cap. XIV)

O termo médium sonambúlico cabe também às duas ciências com acepções diferentes. Para o mesmerismo este seria qualquer pessoa que entra em estado sonambúlico mediante a aplicação do magnetismo. Em Kardec os médiuns sonambúlicos seriam apenas os sonâmbulos capazes de acusar a presença de espíritos e servirem como seus intérpretes ou intermediários. (Kardec, 1861. § 172 a 174)

A noção de um éter primordial está presente em "O Livro dos Espíritos" e em "A Gênese", ampliada e discutida com o nome de "Fluido Universal ou Fluido Cósmico". Em ambos Kardec também trata de temas como letargia, sonambulismo, dupla vista, convulsionários e outros temas importantes ao mesmerismo.

O conhecimento do Mesmerismo e de outras doutrinas contemporâneas a Kardec facilitam o estudo da obra do codificador e nos permite fazer leituras mais precisas. Obviamente, o sentido atual de magnetismo, postulado pela Física, difere bastante do sentido do magnetismo de Mesmer. Ignorar este aspecto é perder o sentido de muitas afirmações do codificador. Muitos enganos cometidos por leitores e comentaristas desavisados, e muitas vezes polemistas contumazes, seriam mais facilmente esclarecidos se conhecêssemos melhor as nossas raízes.

Bom, com esta pincelada do Jader, creio que ainda uma vez podemos nos conscientizar da importância de estudarmos para compreendermos as coisas em sua profundidade. Não será da noite para o dia e nem na primeira vez que conseguiremos discernir e compreender tudo, mas importante se faz que consigamos um pedacinho por vez.

Kardec prossegue sendo coerente ao dizer:

Não seremos nós quem contestará o poder do sonambulismo, cujos prodígios presenciamos, estudando-lhe todas as facetas, durante mais de trinta e cinco anos. Concordamos que, de fato, muitas manifestações espíritas podem ser explicadas por esse meio.

Mas uma observação prolongada e atenta mostra uma multidão de fatos em que a participação do médium, a não ser como instrumento passivo, é materialmente impossível.

Aos que participam desta opinião, diremos como já dissemos aos outros: Vede e observai, porque seguramente ainda não vistes tudo”.

Nesta hora, cabe um comparativo a esta afirmação de kardec. Quando ele diz ter estudado uma determinada situação por 35 anos, devemos acreditar no que ele está falando e lembrarmos de sua característica ímpar ao realizar todas as coisas em sua vida: a profundidade com que se dedicava a tudo e a seriedade com a qual se empenhava em tais coisas.

Pela bibliografia de kardec, podemos observar tratar-se de uma pessoa realmente estudiosa. Muitos de nós, hoje em dia, dizemos que estudamos determinada coisa há x anos. Por exemplo, muitos gostam de dizer que estudam a Doutrina Espírita a mais de 30 anos (Já nesta hora, insuflam o peito e ficam batendo nele tal qual gorilas, detentores que são de ‘toda’ a teoria espírita e que é inadmissível aceitar qualquer contestação acerca das verdades que estão alardeando...aliás, por vezes, nestes mesmos momentos, são de uma humildade comovente ao afirmarem que apenas são singelos servos e instrumentos da espiritualidade – resta saber se da superior ou da inferior...hehe).

Por essas e por outras tantas pérolas, cabe-nos esta ressalva acerca da declaração de Kardec. Sem querer endeusá-lo, mas se o homem falou que estudou, podem crer que ele assim o fez. O que, aliás, me faz trazer até vocês uma frase de kardec, datada de 1858, em que diz:
43- ...”o magnetismo preparou o caminho do Espiritismo e os rápidos progressos desta última doutrina são devidos, incontestavelmente, à vulgarização dos conhecimentos sobre a primeira. Dos fenômenos do magnetismo, do sonambulismo e do êxtase às manifestações espíritas, não há mais que um passo..."

 Prosseguindo, temos kardec respondendo ás perguntas sobre de onde teria vindo a teoria espírita e quem a revelou, com a simples colocação:

Precisamente, esses mesmos médiuns de quem exaltais a lucidez. Se, portanto, essa lucidez é tal qual como a supondes, por que teriam eles atribuído aos Espíritos aquilo que teriam tirado de si mesmos? Como teriam dado ensinamentos tão lógicos, tão sublimes, tão preciosos sobre a natureza sas inteligências extra-humanas?

Pois vejam que coisa tão simples, não é mesmo, gente? Se os contestadores afirmam que tudo o que é trazido pelas pessoas as quais chamamos de médiuns, nada mais é do que aquilo tudo que conseguem apreender em seu estado liberto do corpo, para que tais pessoas tão bem vistas por eles mesmos, teriam a necessidade de atribuí-los a outrem, ainda que espíritos?

Aí, como diz kardec, de duas,uma: ou eles são lúcidos, ou não são!! E o raciocínio se desenvolve de forma espetacular, pois kardec continua-o dizendo que se são tão lúcidos e se pode confiar em suas veracidades, não se poderia admitir que mentissem, ocasionando uma contradição em nosso próprio afirmar.

E a parte tão interessante que kardec salienta, consiste no fato de que se os fenômenos provém do médium, deviam ser idênticos para um mesmo indivíduo e não se veria a mesma pessoa falar linguagens diferentes, nem exprimir alternadamente as coisas mais contraditórias. Essa falta de unidade nas manifestações de um mesmo médium prova a diversidade das fontes. Se pois, não podemos encontrá-las todas no médium, devemos procurá-las fora dele.

Uma outra teoria, diz que o médium é ainda a fonte das manifestações, mas em vez de tirá-las de si mesmo, tira-as do meio ambiente. O médium seria uma espécie de espelho refletindo todas as idéias, todos os pensamentos e todos os conhecimentos das pessoas que o cercam; nada diria que não fosse conhecido de pelo menos uma delas.

kardec prossegue: Essas pessoas, incapazes de negar a existência de um fenômeno que a ciência comum não consegue explicar, e não querem admitir a intervenção dos Espíritos, explicam-no a seu modo. A teoria que sustentam (como tantas outras, não é mesmo pessoal?) seria sedutora, se pudesse abarcar todos os fatos, mas assim não acontece.

E quando se demonstra, até á evidência, que algumas comunicações do médium são completamente estranhas aos pensamentos, aos conhecimentos, às próprias opiniões de todos os presentes, e que essas comunicações são muitas vezes espontâneas e contradizem as idéias preconcebidas, elas não se entregam por tão pouco.

hehe...lembrei-me de Tomé, ao deparar-se com o Cristo e dizendo que não acreditava, até tocar em suas chagas. Assim será com todos quantos descrêem e não aceitam as coisas que são provadas e comprovadas de forma coerente e lúcida – haverão de aceitar e concordr apenas quando forem ‘tocados’ por elas.

êita...também me lembrei daqueles que colocam o dedo em nosso nariz e dizem com toda empáfia: então me prova que espírito existe.....hehehe.....são pessoas que nem se tiverem os seus mais caprichosos requisitos atendidos, aceitarão, pois ainda assim dirão que é ilusão de ótica, que houve maracutaia, que a palavra foi usada no plural e era singular, etc, etc, etc....

Enfim....segundo os contestadores, o médium teria a capacidade de adentrar á irradiação proporcionada pelas cidades, países, no mundo inteiro e até em outras esferas, isso quando não proviesse de si mesmo.

kardec, demonstra nesta suposição destas criaturas, que a teoria deles é menos simples e menos provável que o é a Doutrina Espírita, pois eles supõe uma causa ainda mais maravilhosa. Se formos aceitar a suposição deles, teríamos que admitir que seres de outras esferas planetárias depositam na mente de um único individuo todo o conhecimento por eles adquiridos e assim vai....
enfatizando as palavras de Kardec, temos:

A teoria sonambúlica e a outra que poderia se chamar de reflectiva (que seria esta última que abordamos), foram imaginadas por alguns homens; são opiniões individuais, formuladas para explicar um fato, enquanto a Doutrina dos Espíritos não é uma concepção humana; foi ditada pelas próprias inteligências que se manifestam, quando ninguém a imaginava e a opinião geral até mesmo a repelia.

kardec continua sua reflexão questionando aonde os médiuns teriam ido buscar essa doutrina que não existia no pensamento de outro ser vivente ou como era possível que coincidentemente milhares de médiuns espalhados por todo o planeta, disseram as mesmas coisas, sem mesmo terem se visto antes.

Enfim, pequenas coisas que se tornam exaustivas quando analisamos a nossa crença e a nossa fé, que seriam consideradas cegas diante destas criaturas, afinal, seria como se nos faltasse o raciocínio se apenas aceitássemos tudo o quanto uma criatura inteligente e conceituada, tal qual o fora Kardec, sem contestar ou conhecer em profundidade de onde vieram.

Existem ainda, os questionamentos envolvendo o fato de que as primeiras manifestações na Franca e na América, não ocorreram através da escrita ou da fala, mas sim através das conhecidas pancadas, que formavam palavras e frases. E foi aí que obtiveram a revelação de se tratarem de espíritos as formas inteligentes que se manifestavam.

Então, ainda uma vez Kardec simplifica a situação, lembrando-nos de que se na fala e na escrita podia haver a interferência do médium, no tocante ás pancadas o mesmo não se daria.

Discorrendo sobre a postura que iria adotar, kardec nos esclarece que proporia várias fontes de reflexão aos contraditores e ele mesmo faz questionamentos que julga serem conclusivos:

Por que a inteligência que se manifesta, qualquer que seja, recusa-se a responder a algumas perguntas sobre assuntos perfeitamente conhecidos, como por exemplo, o nome e a idade do interrogante, o que ele traz na mão, o que fez na véspera, o que pretende fazer amanhã e assim por diante? Se o médium é o espelho do pensamento dos presentes, nada lhe seria mais fácil de responder.

Colocada a pergunta, a resposta que podemos encontrar é um tanto quanto simples: porque quem está se comunicando tem vontade própria e não é necessariamente apenas um reflexo do médium. E nesta hora, como que movidos por respostas que calariam a dúvida de todos quantos o desejassem, os adversários contrapõe novas perguntas, tal qual esta:

Por que os Espíritos, que tudo devem saber, não podem dizer coisas tão simples, segundo o axioma: “Quem pode o mais, pode o menos?”

Diante desta máxima conhecida, os contraditores já concluem que não se trata de espíritos os que respondem.

Deixo-lhes a pergunta para que respondam com a vossa compreensão da Doutrina.

Mas, Kardec bem lembra o fato de que são Espíritos superiores que não se dignam a responder perguntas ociosas e ridículas e nem se deixam envolver por berlindas ou arapucas.

Aliás, neste ponto, podemos nos recordar do Cristo, quando foi questionado acerca de se os judeus deveriam pagar os impostos a César, no que Jesus perguntou como era a moeda a ser paga e em ouvindo a resposta de que em uma face o valor e na outra havia a figura de César, Jesus simplesmente arrematou: A César o que é de César e a Deus as coisas que a Ele pertencem.

Ainda, nas perguntas que o próprio kardec formula, com o intuito de esclarecimento acerca de tais questionamentos, temos esta:

Por que os Espíritos vêm e vão, muitas vezes, num dado momento, e por que, passando este momento não há nem preces nem súplicas que os façam voltar?

Realmente, Kardec nos lembra muito bem que, se realmente a informação fosse proveniente do meio aonde o indivíduo adquire as intervenções mentais, seja dele ou seja dos companheiros em derredor, neste exato momento seria facilmente atendido o pedido, pois a soma de todas as energias mentais desejando a volta da comunicação, faria com que o médium continuasse a obter as respostas tal qual como dantes, ou seja, a sua clarividência permaneceria.

 E, encerra este aparte acerca das objeções feita pelos contraditores referente à teoria magnética e ao sonambulismo, ressaltando o que se segue:

Se entretanto, o médium não cede aos desejos da assembléia, apoiado pela sua própria vontade, é porque obedece a uma influência estranha, tanto a ele quanto aos demais, e essa influência demonstra com isso a sua independência e a sua individualidade.

Pronto. Temos aí, de forma límpida e clara a explicação de que não é o médium quem faz a hora, mas sim o espírito que está a se manifestar através dele. Espírito que nada mais é do que a tal da ‘coisa’ que possui independência e individualidade.

Muito bom esse capítulo e muito clara a postura de Kardec ante assuntos tão simples e exaustivos. Kardec, vale lembrar, por conta do magnetismo, sofreu o processo de pacientes que se sentiram insatisfeitos com o tratamento e, na própria revista espírita, colocou 3 comunicações de Mesmer, além de em inúmeros artigos, fazer as analogias e continuidades entre o magnetismo e a doutrina.

Falar nisso, trouxe-lhes um trecho da Revista Espírita de outubro de 1859, em que Kardec relata o seguinte fato:

"Um jovem que não conhecia o magnetismo senão de nome, e jamais o praticara, ignorando, conseqüentemente, as medidas de prudência que a experiência ensina, propôs, um dia, magnetizar o sobrinho do dono do hotel no qual jantava; depois de alguns passes o menino caiu em sonambulismo, mas o magnetizador improvisado não soube como fazer para tirá-lo desse estado, que se seguiu de crises nervosas persistentes. Daí uma queixa na justiça feita pelo tio contra o magnetizador. Dois médicos foram chamados como peritos. Eis o extrato de suas declarações na justiça, que são quase idênticas, pelo menos quanto à conclusão. O restante vocês podem acompanhar neste link:
http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/re/1859/10b-o-magnetismo-reconhecido.html
 

Exposição por Fiorell@

 

 

XVII- PREENCHENDO OS VAZIOS DO ESPAÇO

Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita item XVII, que trata do tema interessantíssimo, denominado PREENCHENDO OS VAZIOS DO ESPAÇO.

Pudemos perceber até então, através destes estudos e das colocações feitas por Kardec, além daquilo que vivenciamos em nosso dia-a-dia, que quando queremos falar de nossa Doutrina, existe uma incredulidade enfática e, até mesmo, renitente, no que diz respeito à ela.

Muitas pessoas não se dão ao trabalho de realmente tentar compreender o que se passa na espiritualidade e, sequer, aceitam sua existência, muito embora se tenha notícias dela desde os primórdios e na própria bíblia, que é usada como escudo contra tudo o que não é palpável ou que não tenha sido dito por Moisés ou Jesus.

Aliás, sempre bom lembrar da tríade Moisés – Jesus – Codificação, sendo que esta última, apenas veio interpretar de forma concreta as palavras de Jesus e os seus ensinamentos, muitos deles trazidos em forma de parábolas ou frases que deram origem a diversos sentidos e interpretações, mas que é o legado prometido pelo Mestre: O Consolador prometido!!

Bom, diante de todas estas manifestações contrárias, temos as colocações de Kardec:

O ceticismo, no tocante à Doutrina Espírita, quando não resulta de uma oposição sistemática, interesseira, provém quase sempre de um conhecimento incompleto dos fatos, o que não impede algumas pessoas de liquidarem a questão como se a conhecessem perfeitamente.

Eis aquilo de que já demos uma pincelada. A descrença é profunda, muitas vezes beira ao interesse próprio (afinal, a força da Doutrina Espírita, entre outras coisas, reside em reforma íntima, reside em estudo e, sobretudo, reside em humildade de aceitar coisas que estão além de nossa compreensão e ainda não no-lo podem ser reveladas) e, por fim, a descrença também é evidente diante daqueles que ao tomarem conhecimento da unha, já pensam saber de todo o corpo humano.....

Kardec ainda é enfático ao dizer:

Pode-se ter muito espírito e até mesmo muita instrução e não se ter bom senso; ora, o primeiro indício de falta de senso é a crença na própria infalibilidade.

Puxa...ao ler este trecho de kardec, lembrei-me das pessoas que tomadas que estão por certas circunstâncias em suas vidas (como álcool, fumo ou demais vícios), alegam de boca cheia: ‘eu tenho controle sobre mim mesmo. Quando eu quiser, paro de beber ou de levar uma vida leviana’....pessoas poliglotas (e ser um poliglota, ou seja, aquele que fala diversas línguas, implica também em ser um conhecedor de diversas culturas) e tidas como muito inteligentes, nem estas, deixaram de sucumbir ao peso do álcool, por exemplo, muito embora, dentro de todo o seu conhecimento, dizerem-se donas de si mesmas e não sujeitas aos fracassos ou desatinos que a bebida proporciona....afinal, eu paro quando quiser!!

Eis a colocação de kardec...quando nos julgamos infalíveis, detentores da verdade e afins, estamos com muita certeza, desprovidos de nosso bom-senso e, consequentemente, com altas possibilidades de errar. Ele prossegue:

Muitas pessoas não vêem nas manifestações espíritas mais que um motivo de curiosidade. Esperamos que pela leitura deste livro (O Livro dos Espíritos), encontrem nesses fenômenos estranhos alguma coisa além de um simples passatempo.

Desde a época que antecede a Kardec até os dias de hoje, muitos de nós nos ligamos apenas na fenomenologia. Buscamos apenas o mágico, o extraordinário ou aquilo que nos faz diferentes e, porque não, mais poderosos de que nosso semelhante.

Quantos médiuns não descambam para o fascínio, pois se acreditam amparados diretamente por entidades renomadas? Quantos não se gabam de serem orientados por um poderoso índio, por um ser de Luz ou por um sábio chinês e, em sua grande maioria, no dia-a-dia, são pessoas que apresentam uma arrogância e um orgulho sem tamanho?

Terão estes citados irmãos da espiritualidade, em sendo sérios e imbuídos de valores elevados, tempo para permanecerem ao lado de uma criatura que ao invés de trabalhar com humildade pensa apenas em sobressair-se ou destacar-se, seja de que forma for?

E não vale dizer que fulano que está nesta situação, é daqueles que praticam a caridade em sua totalidade.... sejamos observadores, não amigos? Sigamos as instruções de kardec e observemos e conheçamos, para depois concluirmos.

Uma das expectativas de Kardec era a de que, com tamanho referencial e fonte de informações que se mostra o Livro dos Espíritos, que ele fosse lido e compreendido, sendo que a criatura que assim procedesse, pudesse encontrar algo mais além do que essas manifestações egóicas e superficiais.

Tenho certeza que ele alcançou este intento, não de uma forma absoluta, mas de uma forma relevante. E, sempre lembrando que as sementes foram lançadas....

A Ciência Espírita contém duas partes: uma experimental, sobre as manifestações em geral; outra filosófica, sobre as manifestações inteligentes. Quem não tiver observado senão a primeira estará na posição daquele que só conhecesse a Física pelas experiências recreativas, sem haver penetrado na Ciência.

Muita gente ainda arregala os olhos quando falamos em Ciência Espírita ou que a Doutrina Espírita é uma ciência. Muitos ainda não conseguem desassociar a imagem de ciência como sendo aquele trem que é feito em laboratórios com tubos de ensaios ou do feijãozinho que plantamos no algodão, lá nos idos escolares.

 Desapercebem-se do fato de que ciência é uma coisa mais abrangente do que isso. Vejamos:

A Ciência é o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico. O conhecimento científico depende muito da lógica. Menos formalmente, a palavra ciência geralmente abrange qualquer campo sistemático de estudo ou o conhecimento obtido desse.

E temos lá Kardec nos falando sobre uma ciência dividida em duas partes: experimental (que é a parte em que ‘praticamos’, por exemplo nossa mediunidade e os efeitos físicos) e a parte filosófica (aonde, por exemplo, tomamos conhecimento das obras básicas). Essa semana presenciei o diálogo entre duas criaturas para lá de inteligentes e não consigo entender, como uma delas teima em não aceitar a Doutrina como uma Ciência.....enfim....

A verdadeira Doutrina Espírita está no ensinamento dado pelos Espíritos, e os conhecimentos que esse ensinamento encerra são muito sérios para serem adquiridos por outro modo que não por um estudo profundo e continuado, feito no silêncio e no recolhimento. Mesmo porque só nestas condições pode ser observado um número infinito de fatos e suas nuanças, que escapam ao observador superficial e que permitem firmar-se uma opinião.

Interessante esta afirmação de Kardec ‘ no silêncio e no recolhimento’. Creio que muito disto é justamente a observação daquilo que nos cala fundo ao ser. Quantas vezes aceitamos determinadas coisas, mesmo sem compreendê-las em sua totalidade, justamente por serem coisas que ‘calaram’ em nossa alma, embora ainda não tenham ‘calado’ em nosso intelecto.

Em nosso tempo, existem diversas contendas envolvendo o que ‘pertence’ ou não pertence á Doutrina Espírita. A frase de Kardec de que a verdadeira Doutrina Espírita está no ensinamento dado pelos Espíritos, faz com que muitos confudam e aceitem como sendo Doutrina Espírita tudo aquilo que é ‘revelado’ ou orientado por algum desencarnado.

Uma questão muito ampla e que merece nossa atenção para as bases de nossa Codificação, que se deixarmos, pode tornar-se propaganda em postes e anúncios particulares feitos em jornais e revistas, distribuindo a preço de ouro nossa mediunidade e o mal uso que dela fazermos.

Muitos espíritas também exercem sua mediunidade de forma um tanto questionável. Alardeiam seus feitos, suas viagens astrais e dizem que todas as suas atitudes são direcionadas pelos espíritos de luz que a acompanham. Gente, paremos ainda uma vez para refletir sobre esse tipo de atitude. Não nos deixemos levar pelo sobrenatural e pelo inatingível aos olhos, mas completamente alcançável à mente.

Lembremos da recomendação de Kardec que nos alerta para que não paremos apenas na superficialidade das manifestações e saibamos estudar e compreender para podermos identificar o que tais manifestações são, de onde elas provém, qual o fundo de seriedade delas e tantas outras coisas necessárias para que não nos tornemos joguetes da espiritualidade.

Se este livro não tivesse por fim mais do que mostrar o lado sério da questão, provocando estudos a respeito, isto já seria o bastante e nos felicitaríamos por termos sido escolhidos para realizar uma obra sobre a qual não pretendemos ter nenhum mérito pessoal, pois os princípios aqui expostos não são de nossa criação: o mérito é , portanto, inteiramente dos Espíritos que o ditaram.

Nesta passagem podemos apreender de Kardec a felicidade por ter sido útil e a humildade em reconhecer que não é sua ‘criação’ e sim obra da espiritualidade. Bom, sem comparativos, precisamos aprender a discernir quando um leigo diz ser obra da espiritualidade – e aí está se desvencilhando de qualquer mérito, de quando este mesmo leigo diz ser intuido e amparado pela espiritualidade, buscando para si memso e para suas ‘obrs’ um respaldo do invisível que haverá de fazer brilhar olhos de criaturas influenciáveis e desavisadas.

Neste ponto, sugiro que saibamos entender a profundidade da palavra humildade que, em primeira instãncia já no faz lembrar de uma choupana e vestes simples. Ou de um trabalhador rural, calejado pelas lidas diárias junto à terra. E em nosso espírito, aonde é possível identificar a humildade? Somos humildes quando afirmamos a todos instantes que a espiritualidade é quem nos rege? Enfim, creio ser uma ótima reflexão par fazermos sobre nós mesmos e acerca das ‘fontes’ de onde pensamos conhecer essa ou aquela verdade.

Esperamos que o livro tenha outro resultado, - o de guiar os homens desejosos de se esclarecerem, mostrando-lhes nestes estudos um objetivo grande e sublime, o do progresso individual e social, indicando-lhes o caminho a seguir para a sua consecução.

Desejo este que, humildemente intentamos em nossas reuniões semanais. Não o de passar verdades doutrinárias, mas sim o de em conjunto conhecê-las, compreendê-las e assimilá-las em nosso dia-a-dia.

Concluiremos com uma derradeira consideração. Os astrônomos, sondando os espaços, encontraram na distribuição dos corpos celestes lacunas injustificáveis e em desacordo com as leis do conjunto.

Suspeitaram que essas lacunas deviam corresponder a corpos que haviam escapado às observações. Por outro lado, observaram certos efeitos cuja causa lhes era desconhecida e disseram a si mesmos:

“Ali deve haver um mundo, porque essa lacuna não pode existir e esses efeitos devem ter uma causa”.

Julgando então da CAUSA pelos EFEITOS puderam calcular os elementos, e mais tarde os fatos vieram justificar as suas previsões.

Vamos ver aonde Kardec quer chegar com este comentário:

Apliquemos este raciocínio a outra ordem de idéias. Se observarmos a série dos seres perceberemos que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta até o homem mais inteligente.

Bom, vamos tentar entender esse trem. ‘Perceberemos que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade”. Que significará isso, gente?

Conhecendo da formação das diversas cadeias e suas continuidades, aprendemos que elas formam elos entre si. Em A Gênese Espírita, podemos colher um pouco deste aprendizado no capítulo X que trata da Gênese Orgânica, item Escala dos Seres Orgânicos. Para quem não possui a obra, a mesma pode ser baixada neste endereço:

http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/ge/

Lá, Kardec nos instrui da seguinte forma:

Item 24. - Entre o reino vegetal e o reino animal, nenhuma delimitação há nitidamente marcada. Nos confins dos dois reinos estão os zoófitos ou animais-plantas, cujo nome indica que eles participam de um e outro: serve-lhes de traço de união.

Prosseguindo neste item, Kardec explica-nos como sucede essa formação e é muito agradável de se ler. Vou me conter e comentar apenas por alto, ressaltando que os seres considerados como zoófitos desenvolveram características peculiares que lhes facultam sobreviver nos dois ambientes, tanto enquanto animais ou vegetais. Leiam é muito interessante. Mais adiante, no item 25 Kardec diz:

Item 25. - Se se considerarem apenas os dois pontos extremos da cadeia, nenhuma analogia aparente haverá; mas, se se passar de um anel a outro sem solução de continuidade, chega-se, sem transição brusca, da planta aos animais vertebrados.

Compreende-se então a possibilidade de que os animais de organização complexa não sejam mais do que uma transformação, ou, se quiserem, um desenvolvimento gradual, a princípio insensível, da espécie imediatamente inferior e, assim, sucessivamente, até ao primitivo ser elementar.

Entre a glande e o carvalho é grande a diferença; entretanto, se acompanharmos passo a passo o desenvolvimento da glande, chegaremos ao carvalho e já não nos admiraremos de que este proceda de tão pequena semente.

Bom, esta é uma demonstração clara da transição de uma fase à outra. Aonde chegaremos com esta compreensão, quando estamos analisando a passagem contida no Livro dos Espíritos, em seu finalzinho de introdução?

Quando Kardec cita ‘cadeias’ que envolvem desde a matéria bruta até o homem mais inteligente, ele quer dizer que em todas as partes da criação, existem elos de ligação, seja de uma cadeia passando para outra, seja dentro delas mesmas. O exemplo da glande, que é a semente do carvalho, mostra-nos que dentro da própria espécie existe esse elo.

Quando olhamos a criação como um todo, veremos os elos de ligação nas suas formas intermediárias, mas se olharmos a criação em suas extremidades, pedra e planta por exemplo, não veremos ligações entre ambas e parecerá que existe um vácuo ou um abismo entre ambas.Neste ínterim, temos a nova afirmativa:

Mas entre o homem e Deus, que são o alfa e o ômega de todas as coisas, que imensa lacuna!! Será razoável pensar que seja o homem o último anel dessa cadeia? Que ele transponha, sem transição, a distância que o separa do infinito?

Perceberam a visão de Kardec neste exemplo? Se nos reinos existem ligações entre si, como será que é entre o homem e Deus? Será que existe algo que não um abismo entre nós e Deus?

Bom, Kardec prossegue dizendo-nos:

A razão nos diz que entre os mundos conhecidos devia haver outros mundos. Qual a filosofia que preencheu essa lacuna?

A delícia em se estudar kardec é deparar-se com o uso da razão e da lógica em muitos momentos. A observação constante dos fatos e coisas, a analogia entre os mundos, sejam eles o mundo dentro de nós ou o mundo dentro de uma planta, e temos aqui o conhecimento aprofundado que lhe foi necessário em diversos segmentos, sejam eles biologia, física, geografia, matemática, para que junto à razão e ao questionamento feito aos Espíritos, encontrar as chaves das respostas corretas e coerentes com a razão.

Enfim, companheiros, a resposta a esse questionamento de Kardec, nada mais é do que a nossa Filosofia Espírita!!! Ele encerra suas colocações desta forma:

O Espiritismo no-la mostra preenchida pelos seres de todas as categorias do mundo invisível, e esses seres não são mais que os Espíritos dos homens nos diferentes graus que conduzem à perfeição.

E assim tudo se liga, tudo se encadeia, do alfa ao ômega. Vós que negais a existência dos Espíritos, preenchei o vazio que eles ocupam. E vós, que deles rides, ousai rir das obras de Deus e da sua onipotência!!
58- Alfa e ômega!Começo e fim! E ente estes dois, toda a beleza e maravilha da criação de Deus, nós em nossas diferentes roupagens, em nossos diferentes graus de evolução e em nossas diversas moradas!!

Como Kardec não tem papas na língua, pede ainda aos contraditores e detratores da Doutrina Espírita, que tragam o que é que preenche esse espaço ocupado pelos espíritos. Que dentro de sua contestação, apresentem o que é que está ali que nossa visão não vê e que nenhuma outra filosofia havia dantes revelado em sua totalidade.

Lembrem, companheiros. Quando dizemos que nenhuma filosofia havia dantes revelado em sua totalidade, estamos mostrando que de forma ampla e completa, tudo só nos foi mostrado pela Codificação Espírita, o que não significa que ela tenha ‘criado’ tudo isso, muito pelo contrário!

É como frisamos e se faz importante que sempre assim o seja: o mundo espiritual não surgiu através da Codificação, mas a sua revelação em nuances antes nunca dantes vistas sim!!

Por isso devemos ter fidelidade à Codificação. Neste ponto, faz-se mister tenhamos respeito e coerência quando abraçamos a Codificação. Que saibamos claramente que muitas coisas existiam no mundo espiritual antes dela ser trazida até nós, mas sejamos conscientes que a Codificação é um conjunto que, embora passivo de inclusões e ‘atualizações’, não é tudo que envolve a espiritualidade.

Com estas colocações, encerramos os estudos da Introcução aos Estudos do Livro dos Espíritos por Allan Kardec.
 

Exposição por Fiorell@

 

 

 

 PROLEGÔMENOS - PARTE I

Aqui temos o Prolegômenos, que significa exposição preliminar dos princípios gerais de qualquer ciência ou arte, introdução expositiva de algum tratado científico.

Ela vem assinada por diversos sábios da Humanidade e entre tais assinaturas dentre elas João Evangelista (ou São Francisco de Assis), Santo Agostinho, São Vicente de Paulo, São Luiz, O Espírito da verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenbor, dentre outros.

E ainda aí encontramos contestações, não bastassem as tratadas na Introdução ao Livro dos Espíritos por Allan Kardec.

Mas, como já vimos anteriormente, Kardec faz questão de ressaltar que é colaborador desta obra e não autor. E, como está ressaltado por Herculano Pires nesta sua tradução, necessário se faz que consultemos o capítulo XII – da identificação dos Espíritos, nesta mesma introdução que finalizamos os estudos há pouco.

Neste item, como já vimos aqui e ainda haveremos de ver mais vezes nestes estudos, a identificação dos espíritos pode ser feita de algumas formas, dentre elas, o padrão vibracional.

Reproduzo a questão 262 do Livro dos Médiuns, aonde obtemos a seguinte recomendação:

"Se a identidade absoluta dos espíritos é, em muitos casos, uma questão acessória e sem importância, o mesmo já não se dá com a distinção a ser feita entre bons e maus espíritos. Pode ser-nos indiferente a individualidade deles, suas qualidades, nunca".

Ou seja, companheiros. Haveremos de saber da procedência de determinado espírito a começar pelos seus atos. Outra coisa de suma importância a ser lembrada é o efeito que a aproximação desta criatura, surte em nós.

Bons espíritos deixam-nos sensações de bem-estar e de conforto; maus espíritos trazem-nos desde sensações ruins até náuseas e similares. Kardec já nos alertava de que, primeiramente, devemos crer em espíritos, depois, pensar como espíritos e em assim sendo, a Codificação vem a nos auxiliar nesse ínterim, orientando-nos e mostrando-nos acerca do mundo espiritual e da sua relação para conosco.

Mais uma vez, temos neste aspecto, os que APENAS SE ITERESSAM PELA FENOMENOLOGIA, DESCONHECEREM AS OUTRAS OBRAS Básicas, mas conhecerem de cor e salteado o Livro dos Médiuns, mas desconhecem as demais obras.Tentemos, na medida do possível, aliar o conhecimento deste com o conhecimento das demais obras, sem nunca perdermos de foco os ensinamentos do Mestre: Amar a Deus sobre a todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo.

Bom, de posse deste pequeno adendo, vamos às mensagens trazidas pelos irmãos da espiritualidade:

Fenômenos que escapam às leis da Ciência ordinária manifestam-se por toda parte. E revelam como causa a ação de uma vontade livre e inteligente.

Bom, Ciência ordinária, a que se refere Kardec, é a ciência comum, com suas buscas ‘materiais’, muito diferente da ciência espírita. Já vimos isso, mas não custa lembrar. A Ciência espírita não caminha lado-a-lado com a Ciência terrena, muito pelo contrário, encontra-se infinitamente avante, o que tem ocorrido é justamente o contrário, a Ciência humana trazendo descobertas e fatos que fortalecem os ‘depoimentos’ dados pela ciência espírita.

Outra coisa interessante com que nos deparamos, é que a ciência humana depende de suas vontades, o que já não ocorre com a ciência espírita. Fenômenos espíritas sérios são vistos e realizados, mas não à mercê de nossas vontades ou caprichos, não podem ser solicitados com data e horário marcados, salvo seja da intenção da espiritualidade.

Quando Kardec dizia sobre escaparem à ciência comum e manifestarem-se por toda parte, falava aí, das manifestações que começavam a ocorrer por todos os cantos do mundo, através das conhecidas ‘batidas secas’ e, mais adiante, mesas girantes. Vejam essa parte que a espiritualidade salienta:

A razão nos diz que um efeito inteligente deve ter como causa uma força inteligente. E os fatos provaram que essa força pode entrar em comunicação com os homens, através de sinais materiais.

Eis, neste ponto, a realidade por detrás dos fenômenos que assolaram as sociedades da época. Não eram apenas ‘deslocações’ de ar ou movimentações da terra repercutindo nas paredes e no mobiliário. Havia um princípio inteligente por detrás. Princípio este que, com grande desenvoltura, conhecemos e utilizamos nos dias de hoje. Lembrando uma vez mais, que não era novidade alguma. Mediunidade sempre existiu!!! Ainda Kardec a nos dizer:

Essa força, interrogada sobre a sua natureza, declarou pertencer ao mundo dos seres espirituais que se despojaram do envoltório corporal do homem. Desta maneira é que foi revelada a Doutrina dos Espíritos

As comunicações entre o mundo espírita e o mundo corpóreo pertencem à Natureza e não constituem nenhum fato sobrenatural. É por isso que encontramos os seus traços entre todos os povos e em todas as épocas. Hoje elas são gerais e evidentes por todo o mundo.

Os Espíritos anunciam que os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal estão chegados e que, sendo os ministros de Deus e os agentes da sua vontade, cabe-lhes a missão de instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.

Eis a grande incumbência dada a estes irmãos da espiritualidade: fazerem-se presentes em todos os pontos do planeta, trazendo aos homens o esclarecimento, o conhecimento e o caminho já traçado por Jesus para a regeneração, mas que fora compreendido por poucos!!

Lembram que tais manifestações são coisas pertencentes à Natureza, ou seja, são situações naturais e que estão contidas em nossa criação desde sempre!?! Enfim, não existe nada de sobrenatural....apenas seres que já se desfizeram de sua roupagem terrena, dentre tantas outras.

Este livro é o compêndio dos seus ensinamentos. Foi escrito por ordem e sob ditado dos Espíritos Superiores para estabelecer os fundamentos de uma filosofia racional, livre dos prejuízos do espírito de sistema.

Além desta ressalva importante, a de que foi totalmente escrito sob ditado da espiritualidade superior, acho importante frisar essa frase: ‘livre de prejuízo do espírito do sistema’.

Herculano Pires também usa essa frase em sua introdução e parece um tanto longínqua para nós, mas quer dizer algo bem simples!! Trata-SE do fato de que a espiritualidade, querendo que a Doutrina Espírita não fosse trazida com pré-conceitos vigentes ou que fosse deturpada pelo sistema da época, buscou supervisiona-la ‘pessoalmente’....hehehe

Aliás, outra informação preciosa que pudemos aprender com a introdução de Herculano Pires, que já foi estudada nesta mesma sala, é a de que na época em Kardec nos trouxe a FILOSOFIA Espírita, essa fugiu completamente aos ditames e parâmetros da época, tanto em seu linguajar como em sua estrutura!!!

Nada contém que não seja a expressão do seu pensamento e não tenha sofrido o  controle da espiritualidade responsa´vel por trazê-la. A ordem e a distribuição metódica das matérias, assim como as notas e a forma de algumas partes da redação constituem a única obra daquele que recebeu a missão de o publicar.

É...a Kardec coube alguns comentários e a forma de redigir determinadas partes, ainda assim, sempre com a supervisão destes irmãos da espiritualidade, muito embora kardec gozasse destes a admiração e o respeito.

No número dos Espíritos que concorreram para a realização desta obra há muitos que viveram em diferentes épocas na Terra, onde pregaram e praticaram a virtude e a sabedoria.

Outros não pertencem, por seus nomes, a nenhum personagem de que a História tenha guardado a memória, mais a sua elevação é atestada pela pureza de sua doutrina e pela união com que os que trazem nomes venerados.

Essa parte é interessante. Primeiro pela palavra utilizada: ‘concorrem’!! Isso não significa que houve competição entre os espíritos para que um trouxesse essa ou aquela parte da obra ou para recebesse essa ou aquela parte de destaque.

Igualzinho a nós, não gente? Numa empresa, numa comunidade, numa sociedade e, até em casamentos, existe uma ‘competição’ ferrenha entre seus participantes. Muito disso é erroneamente estimulado pela nossa sociedade consumista. Aliás, consumista de profissionais e até de gente!!

Por outro lado, na luz da humildade, mas não distante da elevação adquirida, outros nomes se fazem presentes, mostrando-nos que a importância da criatura, nem sempre se dá pelo lugar de destaque que alcançou neste ou naquele meio, mas sim pelas obras e posturas que praticou. Vejam que usei a palavra praticou e não seguiu!!

Algumas pessoas, como já dissemos anteriormente, julgam-se incapazes, sem brilho e sem luz, pelo simples fato de não ocuparem cargos de destaque, mas esquecem de como são brilhantes, iluminadas e capazes ao administrarem um lar, ao sustentarem uma família, ao realizarem seu trabalho de forma humilde, ao colocarem-se de forma serena ao lado de necessitados e tantas outras coisas.

Aí está a colocação de Kardec, mostrando que na espiritualidade é diferente daquilo que pensamos, vivenciamos ou sentimos aqui na carne. Kardec finaliza mostrando-nos:

Eis os termos em que nos deram, por escrito e por meio de muitos médiuns, a missão de escrever este livro:

A confiança depositada em kardec e a responsabilidade que pairou sobre seus ombros, foram de certa forma, ‘seladas’ em cartório espiritual. Até isso era diferente...hehehe....a forma de assumir o compromisso com todos!!

Falar em cartório, vocês sabiam que o primeiro cartório de registros civis, tal qual conhecemos hoje, surgiu lá pelos idos de 1808?...Antes, somente alguns tinham o privilégio de terem suas anotações de nascimento, morte e casamento anotadas....vamos lá....a espiritualidade ditou a Kardec:

“Ocupa-te, com zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, porque esse trabalho é nosso.

Gente do céu olhem que coisa linda e, ao mesmo tempo, séria. O trabalho é da espiritualidade, mas está confiado ás mãos de kardec!! É um trabalho do qual kardec devia se ocupar com dedicação e cuidado, mas que não lhe pertencia. E nós, será que podemos ser dignos de levar avante o trabalho de que quer que seja?

Vejam o tamanho da confiança depositada em kardec e a forma sublime com a qual ele correspondeu a ela!! E nós? Conseguimos ser dignos da confiança depositada em nós, diante de coisas que são nada mais do que nossa responsabilidade mínima: nossa própria reforma; os desafetos que foram colocados junto a nós, para que nos entendêssemos; os filhos aos quais devemos ‘ou devíamos’ ensinar e exemplificar conceitos sóbrios sobre verdade, amor, caridade e tantas outras qualidades cristãs; retribuição do muito que recebemos em forma de trabalho fraterno, em qual campo quer que seja; e tantas outras miudezas que para nós, parecem ser gigantescas muralhas intransponíveis.

E olhem que nem citei o exercício do perdão, da tolerância, da caridade, do amor, etc....Saibamos mais da espiritualidade:

Nele pusemos as bases do novo edifício que se eleva e que um dia deverá reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade; mas antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de controlar todos os detalhes.

Existe confiança por parte da espiritualidade, o que não significa que ela simplesmente haverá de despejar as tarefas sobre os ombros de Kardec. Ainda, após findada, haverão de revê-la e ver se está realmente condizente com a fortaleza que bases necessitam ter, ainda mais bases de um edifício tão puro e elevatório!!

Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudar nos demais trabalhos, porque esta não é mais do que uma parte da missão que te foi confiada e que um de nós já te revelou.

Bonita esta parte. Avisam-no de que não está só, mas também de que isso é apenas o começo do seu comprometimento e de sua missão junto á espiritualidade. Por um deles, dos que assinam a comunicação, já foi elucidado sobre o alcance desta missão, mas que basta pedir para obter o amparo e a ajuda necessários para levá-las avante. Tal qual Jesus já nos dizia: Pedi e obtereis!!

O que me faz lembrar de um momento muito bello que presenciei no PALTALK nesta semana. Uma irmãzinha em Cristo recebeu de seus amigos um presente que há tempos acalentava para poder trabalhar em casa. Na hora de fazer a prece da sala, abrindo-se ao acaso o Evangelho, pudemos ouvir a passagem de OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS, aonde comentava-se que o trabalhador da última hora tem direito ao salário, tanto quanto os demais, muito embora fosse necessário observar-se que a sua vontade deva ter estado em favor do senhor que iria emprega-lo!

Ou seja, companheiros, que será daquele que tiver canalizado seu tempo e sua vontade em atos insanos e desprovidos de fraternidade? Que terá aberto mão de seus compromissos e de sua missão em prol da inércia ou dos interesses pessoais?

Com certeza a espiritualidade haveria de encontrar um substituto para Kardec, mas já imaginaram se ele não levasse adiante tais compromissos assumidos com a espiritualidade? Pensaram no tanto de gente, além de si mesmo, que teria sido privada destas luzes?

Ainda me vem á mente que, devemos reavaliar nossa vida e nosso querer, nosso ofertar e nosso cumprir. Como diz uma bella canção: pare para pensar em tudo o que vem fazendo e em tudo o que resta fazer, conte nos dedos quantos já consolastes, quantos já amastes, não fique se lamentando pois não foi Deus quem te impôs o sofrer, pese bem suas ações e seus passos....enfim, refaça teu caminho enquanto é tempo!!!

Entre os ensinamentos que te são dados há alguns que deves guardar somente para ti, até nova ordem; avisar-te-emos quando chegar o momento de os publicar. Enquanto isso, medita-os, a fim de estares pronto quando te avisarmos.

Como foi bem salientado por nosso companheiro Obreiro no encontro passado e como consta da introdução de Herculano Pires, desta mesma edição do Livro dos Espíritos, no decorrer dos livros contidos dentro do Livro dos Espíritos, temos uma introdução às demais obras da codificação. Ainda assim, kardec devia ‘dormir em cima’ daquilo que lhe era ensinado para ser utilizado posteriormente e conforme informação a ser dada pela espiritualidade em momento oportuno.

E nós, claro,  queremos ter e saber tudo de uma vez....

Porás no cabeçalho do livro o ramo de parreira que te desenhamos, porque é ele o emblema do trabalho do Criador*.(* O ramo da parreira que consta acima das obras neste capítulo é um fac-símile do que foi desenhado pelos Espíritos.).

Perceberam essa parte, um tanto sutil? O ramo da parreira por eles desenhado, representa aquilo em que Deus se empenhou em fazer: nós!!

Todos os princípios materiais que podem melhor representar o corpo e o espírito, se encontram nele reunidos: o corpo é o ramo; o espírito é a seiva; a alma, ou o espírito ligado á matéria é o bago.

Temos aqui uma bella representação de 3 partes importantes em nosso ser: nosso corpo carnal que é o ramo que haverá de crescer e fortalecer-se ( e vejam que mesmo na natureza existe uma interessante busca dos ramos pela luz!!); o que alimenta esse ramo, ou esse corpo carnal, que é nosso espírito eterno; e por fim, o bago ou fruto que é a junção da seiva com os ramos, frutificando e representando nosso estágio fora da erraticidade.

Falar em erraticidade, alguém se lembra do que ela é? É o estado/local em que nosso espírito se encontra quando não está revestido do corpo carnal, ou seja, sempre que está em alguma das outras moradas de nosso pai.

O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que não é senão pelo trabalho do corpo que o espírito adquire conhecimentos.

Depuramos nosso espírito através do trabalho, através das sucessivas encarnações que adentramos com o benefício do esquecimento temporário, esquecimento este que nos facilita perdoarmos ainda uma vez, consertarmos mais um caminho, refazermos mais um mal entendido, enfim....melhorarmos nosso ser em conjunto com os que estão á nossa volta.

Muito embora, estacionemos (ou os nossos companheiros), a vida não pára. Se alguém persevera, teremos a sensação de termos sido deixados para trás, mas na verdade, em muitos momentos, ainda não nos sentimos capazes de seguir adiante. E, tenho cá para mim: quando esse sentimento de impotência surge, nada mais é do que a nossa auto-sabotagem!! Momento em que apagamos nossa luz interior, deixamos de crer na sabedoria Divina e lançamos fora os ensinamentos que o Mestre Jesus nos trouxe (e tantos outros abnegados irmãos).

Utilizamos Jesus como nosso grande referencial, principalmente quando sabemos, através da espiritualidade, a pura e total falta de necessidade dele encarnar entre nós, mas que por amor a cada um de seus irmãozinhos e tutelados, se propôs a assim faze-lo. O seu amor e os seus exemplos, seja na Terra, seja na espiritualidade, são nosso grande caminho depurativo!!

Quanto aos conhecimentos que adquirimos, não devemos nos esquecer de edificar....de praticarmos o aprendizado, muito embora seja-nos extremamente doloroso.(prosseguiremos na próxima semana)

Exposição por Fiorell@

 

 

 

 PROLEGÔMENOS - PARTE II


Não te deixes desencorajar pela crítica. Encontrarás contraditores encarniçados, sobretudo entre as pessoas interessadas em trapaças.

A grande arma utilizada por encarnados ou desencarnados é a crítica. De certa forma, até aqueles que operam na maior das boas intenções, eis que fazem brotar em nosso coração o desestímulo e a vontade de jogarmos tudo para o alto.

Não me canso de imaginar Kardec....hoje, abrimos nossa janela e nos deparamos com carros, aviões, computadores, diversos meios de comunicação em massa e tantas outras modernidades. E Kardec, o que tinha? Tinha sua boa vontade e a fé naquilo que estava empreendendo. Tinha a confiança em si mesmo e na espiritualidade que o acompanhava.

Já pensaram se Kardec ficasse deprimido ou com síndrome do pânico? Que seria de tantos de nós? E, de nossa parte, será que não estamos fugindo um pouco às responsabilidades quando permitimos que essas ‘doenças’ nos envolvam? Enfim...pensemos...oremos...vigiemos...

Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, pois aqueles que não estão completamente desmaterializados procuram muitas vezes semear a dúvida, por malícia ou por ignorância. Mas prossegue sempre; crê em Deus e marcha confiante: aqui estaremos para te sustentar e aproxima-se o tempo em que a verdade brilhará por toda parte.

Meio batido esse trem, mas nada como frisar: a verdade tarda, mas não falha!! Espíritos mal intencionados ou ainda que apenas para se divertirem, existem em toda a parte. Fazermos nossa auto-avaliação é de suma importância, mas darmos guarida a idéias e sugestões vindas do além e de que somos imperfeitos, de que somos errados e tantas outras coisas que nos sugestionam, faz com que coloquemos a perder toda nossa obra.

Somos imperfeitos, erramos e etc e tal, mas a auto-culpa ou o auto-flagelo não nos tornarão mais perfeitos ou isentos de errar. Apenas a nossa melhoria enquanto seres amorosos, enquanto irmãos e filhos de um mesmo Pai é que haverá de nos fortalecer e escudar diante das influências nocivas.

Se Deus é por nós, quem será contra? Saibamos analisar e carregar conosco essa frase. Tenhamos em mente que quando estamos sinceramente envolvidos e imbuídos do bem e do amor, do desejo sincero de renovação e de caridade, Deus realmente estará do nosso lado. Por isso, embora pensem que somos vidraças, não deixemos de prosseguir, confiantes no amparo de Deus, através da espiritualidade amiga!!

A vaidade de certos homens, que crêem saber tudo e tudo querem explicar à sua maneira, dará origem a opiniões dissidentes; mas todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão no mesmo sentimento de amor ao bem e se unirão por um laço fraterno que envolverá o mundo inteiro; deixarão de lado as mesquinhas disputas de palavras para somente se ocuparem das coisas essenciais. E a doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos os que receberem as comunicações dos Espíritos superiores.

Quantos destes homens não surgiram no caminho de kardec, não é mesmo? Quantos donos da verdade não estufaram o peito e criaram diversos situações e explicações condizentes com sua forma estreita e tacanha de ser!! Muitas opiniões se criaram e foram discutidas, mas kardec permaneceu!!

Estejamos envolvidos no amor cristão, aquele de quem segue ao Cristo e não teremos dúvidas na união que se firmará, deixando á margem aqueles que buscam apenas seus interesses próprios com sua auto-promoção às custas de crenças e ingenuidades alheias.

E,frisando importantíssimo adendo da espiritualidade: quando as comunicações vierem de espíritos superiores, teremos sempre a verdadeira doutrina espírita sendo declamada ao fundo!!

É com perseverança que chegarás a recolher o fruto dos teus trabalhos. A satisfação que terás, vendo a doutrina propagar-se e bem compreendida, será para ti uma recompensa, cujo valor total conhecerás, talvez, mais no futuro do que no presente. Não te inquietem, pois, os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus espalharão no teu caminho; conserva a confiança; com ela chegarás ao alvo e merecerás sempre a nossa ajuda.

Como em muitas coisas de nossa vida, não veremos imediatamente o fruto das sementes que depositarmos, mas sim no devido tempo. Importa que estas sementes sejam plantadas e com muito amor!! Aves tentarão retirá-las da terra, irmãos invejosos haverão de cobiçá-las sem desejar empreender tarefas e/ou dedicações, mas tal como kardec, veremos que teremos nosso caminho concluído e a chegada será repleta de bênçãos, merecimentos, aprendizados e bênçãos do Pai.

Em muitos momentos seu trabalho será criticado, será questionado e tal qual pudemos ler nesta semana em nossa sala NOSSO EVANGLEHO DIÁRIO no capítulo 2 do Livro CAMINHO, VERDADE E VIDA, psicografia de Chico com palavras de Emmanuel:

“Nas comunidades de trabalho cristão, muitas vezes observamos companheiros altamente preocupados com a tarefa conferida a outros irmãos de luta.”, ou seja, haverão desavenças, discórdias e desentendimentos dentro do seio daqueles que marcham sob a mesma bandeira, mas se atentarmos para as palavras de Jesus, que João nos trouxe, lembrar-mo-nos-emos do seguinte:

Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.(Jesus)

E haveremos de fazer como o sugerido por Emmanuel, ou seja, atendermos com perfeição às nossas responsabilidades e deveres, seguindo ao Mestre conforme a nossa obrigação. A cada um segundo suas obras e, embora devamos auxiliar e amparar os companheiros de jornada, não podemos nos deter por conta deles: seja em maledicência, seja e tempo. Por fim, companheiros, eles dizem a Kardec:

Lembra-te de que os Bons Espíritos assistem aos que servem a Deus com humildade e desinteresse, e repudiam a qualquer que procure, no caminho do céu, um degrau para as coisas da Terra; eles se afastam dos orgulhosos e dos ambiciosos.

Esta última recomendação era um pouco mais longa, mas optei por cortá-la ao meio. Muito já comentamos em nossos encontros, mesmo que de forma informal, acerca da mediunidade e do uso que dela fazemos. Comentamos também de nossa sintonia mental e comentamos igualmente sobre aquilo que atraímos para nós.

Deus não é bobo....ele tem plena ciência do que habita no coração de cada criatura e, embora seja compassivo, tolerante e benevolente, também é justo, sábio e tantas outras coisas que nem sabemos o que são ou significam!! Se assim O é, seus Emissários ou ministros, assim se aproximam de ser.

Podemos enganar a quem quer que seja com nossas palavras ou com a manifestação de nossas intenções, mas não enganamos a Deus e nem a nós mesmos. Deus, de forma imparcial observa tudo. Nós, muitas vezes, somos tão convictos em nossos desejos e querenças que, além de nos enganamos, também nos deixamos enganar por espíritos perspicazes.

Volta e meia converso com pessoas e me admiro como ela podem compreender e alcançar o caráter ou a personalidade das pessoas e meia hora de conversa. Sempre digo que não gosto de ter amigos assim e nem amigos psicólogos. Eles devassam a gente de uma maneira que, se assim desejarem, podem nos manipular ou embromar facilmente.

São criaturas que conhecem nossos pontos fortes, nossos pontos fracos, nossas vulnerabilidades e nossas fortalezas. São pessoas que se, dotadas de maldade e desejos escusos, podem fazer um estrago em nossa vida.

Já imaginaram o que ocorre quando falamos destas mesmas pessoas, mas já desencarnadas e com uma facilidade de influenciação maior? Diante deles, podemos ser pequenos joguetes, não é mesmo?

Mas, o que nos protege? Aonde podemos encontrar fortaleza para não sermos bonecos em suas mãos?Quero vossas colocações, por favor.

Trouxe também, a título de ilustração, uma passagem da Revista Espírita de julho de 1865, em que fala sobre a cura moral, e que se assenta perfeitamente nesta situação. Digo ser perfeitamente aplicável, por ser fato visto e compreendido dentro de nossa Doutrina. Enquanto o espírito se encontra fechado (ou doente), muitas coisas em nosso corpo também assim estarão. Vamos ver o trecho para compreendermos melhor:

Um jovem cego há doze anos tinha sido recolhido por um Espírito dedicado, que tinha empreendido curá-lo pelo magnetismo, pois os Espíritos haviam dito que era possível. Mas o jovem, em vez de se mostrar reconhecido pela bondade de que era objeto e sem a qual teria ficado sem asilo e sem pão, só teve ingratidão e mau procedimento e deu provas do pior caráter. Consultado a respeito, respondeu o Espírito de São Luís:

"Esse jovem, como muitos outros, é punido por onde pecou e suporta a pena de sua má conduta. Sua enfermidade não é incurável, e uma magnetização espiritual, praticada com zelo, devotamento e perseverança, certamente terá êxito, ajudada por um tratamento médico destinado a corrigir seu sangue viciado.

Já haveria uma sensível melhora em sua visão, que ainda não está completamente extinta, se os maus fluídos de que está cercado e saturado não opusessem um obstáculo à penetração dos bons fluídos que, de certo modo, são repelidos. No estado em que se encontra, a ação magnética será impotente enquanto, por sua vontade e sua melhora, não se desembaraçar desses fluidos perniciosos.

"É, pois, uma cura moral que se deve obter, antes de buscar a cura física. Um retorno sério sobre si mesmo é a única coisa que pode tornar eficazes os cuidados de seu magnetizador, que os bons Espíritos procuram ajudar. Caso contrário, deve esperar-se que perca o pouco de luz que lhe resta e novas e muito terríveis provações que terá de sofrer.

Aqui São Luiz já nos alerta sobre o poder curativo da magnetização quando feita com amor, perseverança e constância. Ou seja, muitos podem estar se perguntando como um trecho tão simples, o da sintonia que atraímos para nós, precisa ser tão falado e re-falado em nossos estudos, principalmente em partes que, aparentemente não possuem ligação alguma.

E, é aonde eu busco estas palavras de São Luiz como respaldo: praticada com zelo, devotamento e perseverança. Será que nós nos damos conta da dedicação que se faz necessária para alcançarmos coisas mínimas em nossa vida e em nosso ser?

Oramos um dia antes de dormir e já queremos que o nosso mundo se transforme. Fazemos um mês de alguma atividade física e já desestimos porque não vemos resultados em nosso corpo. Enfim, companheiros de doutrina, certas coisas precisam ser frisadas com devotamento, com perseverança e com amor. Certas verdades que já descobrimos, ainda não praticamos porque não lembramos delas com devotamento, perseverança e amor.

Mostra São Luiz, também, que nada acontecerá enquanto este jovem não se propuser a aceitar e colaborar. Enfim, vejamos como São Luiz finaliza sua explicação:

"Agi, pois, sobre ele como fazeis com os maus Espíritos desencarnados, que quereis trazer ao bem. Ele não está sob uma obsessão: é sua natureza que é má e, além disso, perverteu-se no meio onde viveu. Os maus Espíritos que o assediam só são atraídos pela semelhança com o seu próprio.

À medida que se melhora, eles se afastarão. Só então a ação magnética terá todo o seu efeito. Dai-lhe conselhos; explicai-lhe sua posição; que várias pessoas sinceras se unam em pensamento para orar, a fim de atrair para ele influências salutares. Se ele as aproveitar não tardará a lhes experimentar os bons efeitos, porque será recompensado por um mais sensível na sua posição."

É isso companheiros, eis porque em tantas vezes precisamos ouvir centenas de vezes a mesma coisa até que ela se faça ímpar em nosso ser. São Luis ainda nos conclama a dar conselhos, a reunir pessoas com o sentimento sincero de querer auxiliar e orar, vibrar e emitir pensamentos bons, que possam atrair a esta criatura, a mesma sintonia.

Interessante que, se nos reportarmos ao início deste encontro, vocês poderão lembrar que eu citei Jesus através de João e Emmanuel, dizendo-nos que:

(...)se um irmão parece desviado aos teus olhos mortais, faze o possível por ouvir as palavras de Jesus ao pescador de Cafarnaum: “Que te importa a ti? Segue-me tu.” (Caminho Verdade e Vida, capítulo 2)

E, agora, digo-vos quase o contrário. Gostaria de vossos comentários sobre as duas situações.

Jesus, quando fala de nossos deveres e obrigações, nos diz para não nos determos a examinar os deveres e obrigações do próximo, mas sim para fazermos a nossa parte. São Luís, quando fala deste irmãozinho que não colaborou/aceitou os benefícios a ele direcionados, nos diz para que nos reunamos, para que oremos por ele, para que distribuamos conselhos e que sejamos zelosos por ele.

Um ponto muito interessante a se observar, é a frase em que São Luís explica que o irmão não está obsedado, mas sim que possui uma natureza má. Auxiliado pelo meio em que esteve, perdeu-se ainda mais, trazendo para si as obsessões.

Nós, em muitos momentos, nos desiludimos com os companheiros espíritas. Chegamos, como já dissemos em outros encontros e até como muitos já relataram em particular, a desejar abandonar a Doutrina Espírita por decepção comportamental de algum outro irmão que a freqüenta ou a representa. Mas, temos dois sábios conselhos a serem seguidos:

Primeiro, cuidemos de nossos deveres e obrigações, façamos nossa parte diante daquilo que nos está reservado e daquilo que de nós é esperado. Em segundo, sejamos caridosos em não abandonar tais criaturas ao desprezo ou à penúria, mas também não queiramos fazer por elas o que lhes cabe. Sejamos fraternos, oremos, mas aguardemos que o Bom pastor estará vigilante.

E, pegando o gancho da moralidade do rapaz em questão, vejamos como a espiritualidade finaliza a carta endereçada à Kardec:

“O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira entre o homem e Deus; são um véu lançado sobre as claridades celestes e Deus não pode servir-se do cego para fazer-nos compreender a luz”.

Vamos definir o orgulho. Pelo Aurélio, temos que orgulho é o "Sentimento de dignidade pessoal, brio, altivez e conceito elevado ou exagerado de si mesmo."

Dentro da codificação, temos que orgulho é: "Imperfeição espiritual que demonstra ausência de humildade." O orgulho se contrapõe à humildade.

Em nosso Evangelho segundo o Espiritismo, encontramos que "... "Sem humildade construímos virtudes que não temos, como se tivéssemos uma roupa para esconder deformidades de nosso corpo"( cap. 7; item 11).
53- Definição de virtude segundo o Aurélio: "Disposição firme e constante para a prática do bem." Entende-se, neste sentido, oposição a vício. Também considera o Aurélio: "boa qualidade moral, força moral, valor."

Virtude, segundo Kardec: "Conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem." Conclue-se que o homem de bem sabe exatamente quais são as suas dificuldades no trato das virtudes, por isso ele não se dá trégua no aprimoramento de si mesmo. Pergunta sempre a si mesmo se realmente cumpriu com as atitudes necessárias à prática do bem, junto ao seu semelhante.

Uffa...perceberam que volta nós podemos dar em uma simples frase? E só falei do orgulho...hehehe...tem pano para manga, não? Tema para outros encontros...rsrsrs

Ambição, para Joanna de Angelis, resulta do desconcerto do amor, que desvaira, ou seja, enlouquece. Mas não vou esmiuçar a ambição...rsrsrs...

Bom, amarrando os parágrafos dados pela espiritualidade em que diz a kardec para que não se sentisse desamparado ante os espinhos e as pedras que surgissem em seu caminho, ante o orgulho, a vaidade e a ambição daqueles que não bem compreendessem a Doutrina, vou apenas trazer uma passagem de Obras Póstumas, que mostra a todos nós o que a espiritualidade amiga quis dizer com o fato de que os bons espíritos assistem aos que servem a Deus com humildade e desinteresse, além de frisarem a parte em que de certo, sempre encontraremos o orgulho e a ambição a nos distanciarem de Deus:

“ Se passamos à categoria de espíritas propriamente ditos, ainda aí nos encontramos combatendo com certas fraquezas humanas, das quais a doutrina nem sempre triunfa imediatamente. As mais difíceis de vencer são o egoísmo e o orgulho, essas duas paixões originais do homem.

Também os bons Espíritos protegem visivelmente aqueles que lutam com coragem e perseverança, cujo devotamento é sincero e sem dissimulação; ajudam-nos a triunfar sobre os obstáculos e aliviam as provas que não podem evitar-lhes, ao passo que abandonam, não menos visivelmente, aqueles que os abandonam e sacrificam a causa da verdade à sua ambição pessoal.”

Bom, companheiros, eis o que podemos encontrar no capítulo intitulado OS DESERTORES, contido em Obras Póstumas. Se alguém desejar o link para ler sobre esse tema: http://www.espirito.org.br/portal/codificacao/op/op-25.html

Finalizando, só temos a acrescentar que os Espíritos que assinam a carta endereçada a Kardec, contida em OS PROLEGÔMENOS, são: São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de pulo, São Luiz, O Espírito da verdade, Sócrates, Platão, Fénelon, Franklin, Swedenborg, dentre outros.

De minha parte, gostaria de agradecer a todos pelas participações não somente neste encontro, mas assim como nos demais, aonde pudemos relancear nosso Livro dos Espíritos, aonde pudemos de forma ainda que incompleta, vislumbrar tantos caminhos ofertados pela espiritualidade, para que compreendamos e conheçamos melhor os princípios da vida.

Exposição por Fiorell@

 

 
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Atualizado em: 14-09-2008
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